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quinta-feira, 21 de maio de 2015

26 – Santa Bárbara


Santa Bárbara. Sabina Santos (1921-2005). Colecção particular.

Diz a lenda que Santa Bárbara nasceu e viveu no final do séc. III, na cidade de Nicomédia, na actual Turquia. Era uma jovem muito bela. Dióscoro, seu pai, era um pagão rico que a desejava proteger dos pretendentes. Por isso encerrou-a numa torre, onde mandou abrir duas janelas, mas entretanto teve que viajar. Quando regressou, a filha tinha-­se feito baptizar e mandara rasgar uma terceira janela, em honra à Santíssima Trindade. O pai ficou irado, pelo que ela teve de fugir, abrindo-se os rochedos para que ela passasse. Descoberta, foi capturada pelo progenitor e levada a tribunal. Aí foi condenada a ser exibida nua por todo o país e padeceu toda sorte de suplícios, acabando por ser executada pelo próprio pai, que a degolou com uma espada. Logo após a sua morte, um raio fulminou o filicida.
Santa Bárbara é Protectora contra relâmpagos e tempestades, bem como Padroeira de artilheiros, mineiros, geólogos, engenheiros militares, armeiros e de todos aqueles que trabalham com o fogo. É igualmente Padroeira de profissões relacionadas com torres e a sua construção (cabouqueiros, pedreiros, arquitectos) e ao seu uso como prisão (presidiários e guardas de prisão).
Os atributos de Santa Bárbara são numa mão (geralmente a direita) a palma do martírio e na outra a torre com três janelas onde o pai a encerrou. A torre pode aparecer também a seus pés e pode segurar a espada com que foi degolada ou segurar o cálice com a hóstia.
Santa Bárbara, cuja festa litúrgica ocorre a 4 de Dezembro, tem considerável presença na tradição oral portuguesa. A nível de adágios: “Só se lembra(m) de Santa Bárbara, quando faz trovões". Está igualmente presente no cancioneiro popular de Angra do Heroísmo:

“Ò Senhora Santa Barba,
Senhora dos corações,
Ninguém se lembra dela
Senão quando faz trevões”.

Existem também orações populares como esta:

“Santa Bárbara Bendita,
Que no céu está escrita
com papel e água benta,
nos livre desta tormenta”.

No que respeita a superstições populares, existia a crença de que as palmas e os ramos de alecrim, bentos na Procissão do Domingo de Ramos, afastavam as trovoadas. De resto, era hábito tocar os sinos durante as trovoadas, pois havia a crença popular de que o toque fazia afastar os raios e os trovões. Em Castedo do Douro, um dos sinos da Igreja até tem gravado o nome de Santa Bárbara. Actualmente, as orações e o toque de sinos foram substituídos por pára-raios, o que levou Guerra Junqueiro (1850-1923) a escrever:

“Pára-raios nas Igrejas,
É para mostrar aos ateus,
Que os crentes quando troveja,
Não têm confiança em Deus”.

Hernâni Matos
Publicado inicialmente a 21 de Maio de 2015

terça-feira, 19 de maio de 2015

Aonde pára Santa Bárbara ?

Paiol de Santa Bárbara (1739). Fotografia inserida no II volume do Inventário
Artístico de Portugal – Distrito de Évora (concelhos de Arraiolos, Estremoz,
Montemor-o-Novo, Mora e Vendas Novas), da autoria de Túlio Espanca e
editado pela Academia Nacional de Belas Artes, em 1975. 

“Santa Bárbara Bendita, / Que no céu está escrita / com papel e água benta, / nos livre desta tormenta”. Esta uma das muitas orações populares da tradição oral portuguesa. Através dela se invoca o auxílio de Santa Bárbara, Protectora contra relâmpagos e tempestades, bem como Padroeira de artilheiros, mineiros, geólogos, bombeiros e de todos aqueles que trabalham com o fogo.
Santa Bárbara de Nicomédia, cuja festa litúrgica ocorre a 4 de Dezembro, tem em Estremoz, património arquitectónico militar não classificado, com o seu nome. Trata-se do Paiol de pólvora de Santa Bárbara. Construído entre 1736 e 1739, foi projectado pelo arquitecto e engenheiro militar Carlos Andreas, sendo o responsável pelas obras, o também arquitecto e engenheiro militar Eugénio dos Santos de Carvalho.
O paiol é antecedido por um portal barroco com frontispício de mármore, ostentando as armas de D. João V. Nele existe um nicho onde estava alojada uma escultura de Santa Bárbara, em mármore.
Disse que estava, uma vez que já não está. É que há alguns anos atrás, um comandante do RC3, temendo o roubo da imagem, ordenou a sua remoção do local e o seu transporte para o quartel, onde na sua óptica estaria mais segura. Acontece que como Santa Bárbara é Padroeira dos artilheiros, houve uma alta patente de visita àquele regimento, que entendeu que a imagem devia ser transferida para a Escola Prática de Artilharia (EPA), em Vendas Novas, o que se concretizou.  
Acontece que a Escola Prática de Artilharia foi desactivada em 2013, passando as suas funções para a então criada Escola das Armas, instalada nas antigas instalações da Escola Prática de Infantaria (EPI) e do Centro Militar de Educação Física e Desportos (CMEFD) em Mafra.
É natural que um cidadão como eu, investido do direito e dever constitucional de defesa do património, levante questões pertinentes, do tipo:
- Aonde pára Santa Bárbara?  
- Não deveria a imagem regressar a Estremoz, de onde nunca deveria ter saído? É que apesar de ser património militar, é património militar de Estremoz.
Gostaria que ter resposta a estas questões, o que decerto só poderá ser concretizado pelo Ministério da Defesa Nacional, através da abertura de um rigoroso inquérito que seja conclusivo e esclarecedor para a opinião pública. De resto, ser-me-ia grato com o regresso da escultura a Estremoz, poder dizer:
- Bom filho, à casa torna. 

sexta-feira, 28 de fevereiro de 2020

Adagiário dos Santos - 1


Nossa Senhora da Conceição. Fátima Estróia (1948- )

LER AINDA:
INTRODUÇÃO
Santos são aqueles que pela sua santidade foram beatificados e/ou canonizados, sendo apontados como modelos a seguir, intercessores das pessoas junto de Deus e dignas de culto. Figuram numa lista conhecida por Martirológio e no Calendário Universal os principais são comemorados ao longo do ano. Os restantes são come­morados nos Calendários Parti­culares.
No culto dos santos são utilizadas as suas ima­gens, identificadas por atributos cujo estudo integra a Iconografia.
Os santos podem ser padroeiros de uma nação, diocese, pa­ró­quia, localidade, congregação religiosa, corporação profissional, etc. Nossa Se­nhora da Conceição é padroeira de Portugal. O padroeiro do patriarcado de Lisboa é São Vicente. As arquidioceses têm o seu padroeiro: São Martinho de Dume (Braga) e Nossa Senhora da Conceição (Évora). As dioceses têm igualmente o seu padroeiro: Nossa Senhora da Assunção (Porto), São Teotónio (Viseu), São Vicente (Algarve), etc. As paróquias têm também o seu padroeiro: Santa Clara (Angra do Heroísmo), Santo André (Setúbal), São Tiago (Bragança). As localidades têm o seu padroeiro: Santo António (Lisboa), Nossa Senhora da Vandoma (Porto), Rainha Santa Isabel (Coimbra), São José operário (Beja), etc. As congregações religiosas têm igualmente o seu padroeiro: São Bento (Ordem Beneditina), Santa Clara (Ordem das Clarissas), São Francisco de Assis (Ordem dos Franciscanos), etc. Finalmente, também as corporações profissionais têm o seu padroeiro: Santa Bárbara (mineiros), Santa Cecília (músicos), Santa Luzia (oculistas), Santo Isidoro (agricultores), São Bento (trabalhadores rurais), São Lucas Evangelista (médicos), etc.
ADAGIÁRIO DOS SANTOS
Propus-me estudar o adagiário dos santos e deparei com dois tipos de ocorrências: adágios que mantêm os santos no anonimato e adágios reveladores da identidade dos santos. Os primeiros têm carácter geral e os segundos estão associados à meteorologia e às actividades agro-pastoris. Enumerarei seguidamente os que foram recolhidos em cada um dos grupos.
SANTOS ANÓNIMOS
- A bom santo te encomendaste.
- A cada santo, a sua lâmpada.
- A cada santo, o seu candelabro.
- A descer todos os santos ajudam.
- A descer, todos os santos ajudam; para cima, é que as coisas mudam.
- A esmola, quando é grande, o santo desconfia.
- A fiúza dos santos, se enfeitam os altares.
- A gente conta o milagre, mas não diz o nome do santo.
- A gente não sabe para que santo se volte.
- À honra dos santos, se beijam as pedras.
- Ao bem calar chamam santo.
- Cada qual pede para o seu santo.
- Cada santo quer sua vela.
- Cada santo tem seu círio.
- Cada santo tem seu nicho.
- Com os santos serás santo.
- De promessas quem vive é santo.
- Em santo de carne, pau nele.
- Enquanto há saúde, quedos estão os santos.
- Hóspedes em casa, dia santo é.
- Não é santo da minha devoção.
- O ladrão na forca e o santo no altar.
- O rio passado, o santo não lembrado
- Os santos esperam mas não perdoam.
- Os santos não têm costas.
- Pedir a todos os santos.
- Quando não o dão os campos, não o dão os santos.
- Quem não tem dinheiro, não beija santo.
- Rogar ao santo, até passar o barranco.
- Tal o santo, tal o milagre.
- Ter fraca cara para ser santo.
SANTOS COM NOME
Nossa Senhora da Ajuda (15 de Agosto)
- Pela Senhora da Ajuda, às sete o sol é posto.
Nossa Senhora da Assunção (15 de Agosto)
- Pela Assunção cada pinga vale seu tostão.
Nossa Senhora da de Conceição (8 Dezembro)
- Pela Conceição, de galinholas um quarteirão.
- Pela Senhora da Conceição, favas ao chão; por São Tomé, carregam da ponta ao pé; eu semeio quando me faz conta e carregam do pé à ponta.
Nossa Senhora das Candeias (2 de Fevereiro)
- Se a Senhora das Candeias chora, está o Inverno fora.
- Se a Senhora das Candeias ri e chora, está o Inverno meio dentro e meio fora.
- Se a Senhora das Candeias rir, está o Inverno para vir.
Santa Ana (26 Julho) 
- Aí por Sant' Ana limpa a pragana.
Santa Catarina (25 de Novembro)
- De Santa Catarina ao Natal, bom chover e melhor nevar.
- De Santa Catarina ao Natal, mês igual.
Santa Iria (20 de Outubro)
- Dia de Santa Iria, pega nos bois e guia.
- Por Santa Ireia, toma os bois e semeia.
Santa Luzia (13 de Dezembro)
- Assim como vires o tempo de Santa Luzia ao Natal, assim estará o ano, mês a mês até ao final.
- De Santa Luzia ao Natal, ou bom chover ou bom nevar.
- Do Natal a Santa Luzia, cresce um palmo em cada dia.
- Dos Santos ao Advento, nem muita chuva nem muito vento.
- Em dia de Santa Luzia cresce a noite e minga o dia.
- Em dia de Santa Luzia onde o vento fica de lá aporfia.
- Não peças água a Luzia e a Simão, nem sol a António e a João, que eles tudo isso te darão.
- No dia de Santa Luzia, onde o vento fica, de lá aporfia.
- Pela Santa Luzia, minga a noite e cresce o dia.
- Santa Madalena (22 de Julho)
- Pela Madalena recorre à tua figueira.
Santa Maria (1 de Janeiro)
- Fevereiro faz dia, e logo é Santa Maria.
- Mês de Maio, mês das flores, mês de Maria, mês dos amores.
- Por Santa Maria de Agosto, repasta a vaca um pouco.
Santa Marinha (18 de Julho)
- A água de Santa Marinha, na meda faz farinha.
- Aí por Santa Marinha vai ver tua vinha; qual a achares, tal a vindima.
- Chuva de Julho: Santa Marinha vem com a cabacinha e São Tiago com o canado.
- Por Santa Marinha, vai ver a tua vinha, e, tal como a achares, tal a vindima.
Santo Agostinho (28 de Agosto)
- Chuva fina pelo Santo Agostinho é como se chovesse vinho.
- Chuva por Santo Agostinho é como se chovesse vinho.
Santo Ambrósio (7 de Dezembro)
- No Santo Ambrósio, frio para oito dias.
Santo André (30 de Novembro)
- De Santos a Santo André, um mês é; de Santo André ao Natal, três semanas.
- Dia de Santo André quem não tem porco mata a mulher.
- Dia de Santo André, porcos pelo pé.
- Em dia de Santo André, o tremoço não está, nem na saca, nem no pé.
- Em dia de Santo André, quem não tem porco que mate, amarra a mulher pelo pé.
- No dia de Santo André diz o porco, quié-quié.
- No dia de Santo André vai à esquina e traz o porco pelo pé.
- No dia de Santo André, pega o porco pelo pé; se ele disser quié-quié, diz-lhe que tempo é; se ele disser que tal-que-tal, guarda-o para o Natal.
- No dia de Santo André, quem não tem porco mata a mulher.
- Pelo Santo André agarra o porco pelo pé.
- Pelo Santo André, neve no pé.
- Pelo Santo André, quem não tem reco mata o homem.
- Por Santo André, todo dia noite é.
- Por Santo André o Sete-estrelo posto é.

Hernâni Matos
Continua

domingo, 13 de setembro de 2020

Imagens devocionais e inovação


Menino Jesus Salvador do Mundo – Jorge da Conceição (1963-  ).

Introdução
É vasta e diversificada a galeria dos Bonecos de Estremoz. Numa tentativa de sistematização é habitual agrupá-los em dois grandes grupos: “Bonecos das Tradição” e “Bonecos da Inovação”.
Bonecos da Tradição
Os “Bonecos da Tradição” são as figuras que se começaram a modelar na sequência da recuperação da produção de Bonecos de Estremoz, extinta desde 1921. Essa recuperação foi concretizada em 1935, graças à acção do escultor José Maria de Sá Lemos (1892-1971), que para o efeito recorreu primeiro à velha barrista Ana das Peles (1869-1945) e depois ao mestre oleiro Mariano da Conceição (1903-1959). Foram eles que concretizaram no barro os conceitos estéticos de Sá Lemos (modo de representação, dimensões, proporções e cromatismo).
Tais conceitos foram sendo interpretados e reinventados pelos barristas desde então para cá, já que os barristas gostam de deixar marcas pessoais naquilo que é obra sua.
No decurso do tempo, os barristas mais perfeccionistas aprofundaram a modelação, tornando-a mais rigorosa na representação, a qual passou a incluir mais pormenores.
Simultaneamente a decoração das figuras vai-se tornando mais rica, não só pela utilização de múltiplas harmonias cromáticas como pelo aumento de pormenores da decoração.
Bonecos da Inovação
Não existem só “Bonecos da Tradição”. Por sua própria iniciativa, fruto de encomenda ou por sugestão de alguém, os barristas são levados a criar novas figuras que até então ninguém fizera. São aquilo que podemos designar por “Bonecos da Inovação”, os quais, apesar da designação, respeitam o ancestral processo de fabrico dos Bonecos de Estremoz.
Tipos de inovação
A inovação refere-se não só à criação de novos modelos, como também ao aprofundamento da modelação pela inclusão de mais pormenores na representação, assim como ao enriquecimento da decoração.
Por vezes a manufactura de figuras mais complexas e de execução mais morosa está na génese de uma mudança de paradigma na nossa barrística, o que a leva a atingir um patamar mais elevado da sua expressão. Verifica-se sobretudo nas Irmãs Flores, Ricardo Fonseca e Jorge da Conceição.
Eu inovador, me confesso
A Tradição tem os seus acólitos e a Inovação tem os seus seguidores.
Os acólitos da Tradição entendem ser precisos mais barristas a produzir “Bonecos da Tradição” e querem menos Inovação.
Os seguidores da Inovação não têm nada contra a produção de Bonecos da Tradição, mas entendem que a barrística tal como a arte em geral, tende naturalmente a inovar, não só em termos de temas, como em termos de execução.
Trata-se de dois tipos de pontos de vista antagónicos dificilmente conciliáveis, face aos pressupostos em que assentam.
Pela minha parte e na qualidade de seguidor da Inovação, vou procurar mostrar em textos como este e naqueles que se lhe seguirão, a riqueza resultante da Inovação. Começarei pela inovação temática e mais precisamente no domínio das imagens devocionais. 
Imagens Devocionais e Inovação
Nos anos 40 do séc. XX existiam 10 imagens devocionais na barrística popular de Estremoz: Fuga para o Egipto, Menino Jesus no Berço, Nossa Senhora Ajoelhada, São José Ajoelhado, Nossa Senhora em Pé, São José em Pé, Santo António, São João Baptista, Senhor dos Passos e Senhora das Dores.
Actualmente existem pelo menos mais 51 imagens devocionais: Menino Jesus Salvador do Mundo, Nossa Senhora Auxiliadora, Nossa Senhora da Alegria, Nossa Senhora da Aparecida, Nossa Senhora da Ascensão, Nossa senhora da Conceição, Nossa Senhora da Guia, Nossa Senhora da Redenção, Nossa Senhora das Graças, Nossa Senhora das Misericórdias, Nossa Senhora de Fátima, Nossa Senhora de Guadalupe, Nossa Senhora Desatadora de Nós, Nossa Senhora do Campo, Nossa Senhora do Cardal, Nossa Senhora do Carmo, Nossa Senhora do Ó, Pietá, Princesa Santa Joana, Santa Ana, Rainha Santa Isabel, Santa Apolónia, Santa Bárbara, Santa Catarina de Alexandria, Santa Cecília, Santa Emília, Santa Filomena, Santa Inês, Santa Iria, Santa Justa, Santa Luzia, Santa Madalena, Santa Margarida, Santa Rita de Cássia, Santa Rita do Menino Jesus, Santo Aleixo, Santo André, Santo Antão, Santo Isidro, Santo Ivo, Santos Pastorinhos de Fátima, São Bento, São Fernando, São Francisco de Assis, São Jorge,  São Lourenço, São Nuno de Santa Maria, São Pedro, São Roque, São Tiago Maior, São Vicente.
Algumas destas imagens devocionais têm inúmeras variantes: Santo António, São João Baptista, São Pedro, São José, Nossa Senhora da Conceição e Rainha Santa Isabel. A estas imagens devocionais há que acrescentar ainda inúmeras imagens devocionais correspondentes a cenas da Paixão de Cristo ou Milagres de Santo António.
Balanço Final
Creio ter ficado demonstrado duma forma cabal, a importância de que se revestiu a “Inovação” como factor de enriquecimento e valorização do domínio das “Imagens Devocionais”

Publicado inicialmente em 13 de Setembro de 2020

Menino Jesus (Lâmina) - Isabel Pires (1955-  ).

Nossa Senhora com o Menino, São João e Santo António – Irmãs Flores (1957,1958- ).

Nossa Senhora da Conceição – Afonso Ginja (1949-  ).

Nossa Senhora da Redenção. Jorge da Conceição (1963-  ).

Nossa Senhora das Graças - Irmãs Flores (1957, 1958-  ).

Nossa Senhora das Misericórdias - Irmãs Flores (1957,1958-  ).

Nossa Senhora Desatadora de Nós - Irmãs Flores (1957,1958-  ).

Nossa Senhora do Campo – Ricardo Fonseca (1986-  ).

Nossa Senhora do Cardal – Ricardo Fonseca (1986-  ).

Nossa Senhora do Ó – Jorge da Conceição (1963-  ).

Pietá - Isabel Pires (1955-  ).

Rainha Santa Isabel – Ricardo Fonseca (1986-  ).


Santa Apolónia - Maria Luísa da Conceição (1934-2015).

Santa Catarina de Alexandria – Maria Luísa da Conceição (1934-2015).

Santa Inês - Irmãs Flores (1957,1958-  ).


Santa Margarida - Maria Luísa da Conceição (1939-2015).

Santa Marta - Isabel Pires (1955-  ).

Santa Rita de Cássia – Jorge da Conceição (1963-  ).


Santa Teresinha do Menino Jesus – Jorge da Conceição (1963-  ).

Santo António (Lâmina) – Guilhermina Maldonado (1937-2019).


Santo António com capuz – Liberdade da Conceição (1915-1990).

Santo António, cónego regrante de Santo Agostinho – Maria Luísa da Conceição (1934-2015).

Santo Ivo - Jorge da Conceição (1963-  ).           

São Francisco de Assis com Presépio – Ricardo Fonseca (1986-  ).

São Jorge - Maria Luísa da Conceição (1934-2015).

São José - Maria Luísa da Conceição (1934-2015).

São Miguel – Ricardo Fonseca (1986-  ).

São Pedro – Afonso Ginja (1949-  ).

São Sebastião – Irmãos Ginja (1938-2018, 1949-  ).

São Vicente – Jorge da Conceição (1963-  ).

Última Ceia – Isabel Pires (1955-  ).

domingo, 29 de janeiro de 2017

Reabilitação urbana da cidade de Estremoz - I


Edifício da Olaria Alfacinha
Reabilitar o edifício da antiga Olaria Alfacinha, destinando-o a Centro Interpretativo do Boneco de Estremoz, é um dos múltiplos objectivos a atingir através da “PROPOSTA DE DELIMITAÇÃO DA ÁREA DE REABILITAÇÃO URBANA – CIDADE DE ESTREMOZ”. Esta é apresentada num documento de 48 páginas, elaborado em Agosto de 2015, pelo Sector de Gestão Urbanística, Planeamento e Projecto Municipal da CME.
O mesmo objectivo consta no “PLANO DE PORMENOR DE REABILITAÇÃO URBANA – CIDADE DE ESTREMOZ”, documento de 47 páginas, produzido em Julho de 2016, o qual aprofunda o documento anterior.
O último documento estima em 18 meses o tempo necessário à elaboração da proposta técnica da revisão do Plano, a que há que juntar o tempo necessário à tramitação e procedimentos de elaboração e aprovação, os quais culminam numa “Discussão pública e subsequente ponderação dos resultados”, a que se segue a “Aprovação pela Assembleia Municipal, sob proposta da Câmara Municipal”.
A oportunidade do Plano é justificada pelo próprio: “Possibilidade de captação de fundos comunitários, perspectivando-se que advirão do programa de financiamento denominado “Estratégia Europa 2020 – Portugal 2020””, já que como nos diz “No quadro de Referência Estratégica Nacional 2014 – 2020 a Comissão Europeia considerou a reabilitação urbana como o grande projecto para a Europa Comunitária e como factor atenuante do desemprego para o sector da construção civil e obras públicas”.

Casa do Alcaide-mor
O “PLANO DE PORMENOR DE REABILITAÇÃO URBANA – CIDADE DE ESTREMOZ”, no seu conjunto formula 18 excelentes objectivos gerais de reabilitação urbana e 17 excelentes objectivos específicos, dos quais me permito destacar o seguinte: “Incentivar e apoiar a reabilitação do património cultural, como pilar de desenvolvimento fundamental, em articulação com as entidades tutelares, designadamente a Capela da Rainha Santa Isabel, a Antiga Casa da Câmara, a Casa das Fardas, o Paiol de Santa Bárbara, o Prédio Militar 49, a Igreja de Santa Maria, a Igreja dos Congregados, o Convento das Maltezas e o Palácio Tocha”.
Como a Casa do Alcaide-mor, aqui designada Antiga Casa da Câmara, é propriedade municipal, porque é que o Município não elabora um projecto para a sua reabilitação e o inclui no programa de financiamento denominado “Estratégia Europa 2020 – Portugal 2020”? Aqui fica a pergunta.

Centro Interpretativo do Boneco de Estremoz
É sabido que a Casa do Alcaide-mor é um prédio urbano composto por rés-do-chão, 1.º e 2.º andares, afecto a habitação, com 423 m2 de superfície coberta e logradouro com a área de 556 m2. Há quem pense que a Casa do Alcaide-mor seria o edifício mais digno e adequado para alojar o Centro Interpretativo do Boneco de Estremoz. Este deveria também integrar a Faiança de Estremoz do séc. XVIII e a Louça de Barro Vermelho. E a Casa do Alcaide-mor está ali tão perto do Museu Municipal…

A União faz a força
Pela sua composição, o acervo do Museu Municipal é o mais forte em figurado de Estremoz. Mas há outros a nível local, como é o caso do pertencente ao Museu Rural e que presentemente se encontra encaixotado no Palácio dos Marqueses de Praia e Monforte. A eles há que juntar o espólio do Padre Mário de Brito Aparício Pereira, Capelão da Santa Casa da Misericórdia de Vila Viçosa, doado recentemente à Santa Casa da Misericórdia de Estremoz e que inclui cerca de 1000 bonecos de Estremoz.
Não poderiam estas 3 colecções integrarem o Centro Interpretativo do Boneco de Estremoz, sem nenhum dos proprietários perder a titularidade do que legitimamente é seu? O Município, a Santa Casa da Misericórdia e o Museu Rural não poderiam dar as mãos nesse sentido? É que a união faz a força. A cidade de Estremoz merecia isso, assim como os seus bonecos, cuja proclamação como Património Cultural da Humanidade, aguardamos no final do ano em curso.

sexta-feira, 16 de julho de 2021

Barristas de Estremoz do passado

 



ANA DAS PELES (1869-1945)
75 anos da morte de Ana das Peles
MARIANO DA CONCEIÇÃO (1903-1959)
FRANCISCA VIEIRA DE BARROS (1874-1957)
ACLÉNIA PEREIRA  (1927-2012)
ARMANDO ALVES (1935 -  )
SABINA SANTOS (1921-2005)
LIBERDADE DA CONCEIÇÃO (1913-1990)
JOSÉ MARCELINO MOREIRA (1926-1991)
ISABEL CARONA BENTO
ANTÓNIO LINO DE SOUSA (1918-1982)
QUIRINA ALICE MARMELO (1922-2009) 
MÁRIO LAGARTINHO (1935-2016)
Bonecos de Estremoz: Mário Lagartinho
Toponímia de Estremoz - Omissões que ofendem
Mário Lagartinho, o último oleiro de Estremoz
Mário Lagartinho, bonequeiro de Estremoz
Mestre Mário Lagartinho no acervo do Museu Municipal
Marcas de autor nos Bonecos de Estremoz de Mário Lagartinho
Fotografias inéditas de Mário Lagartinho, Mestre Oleiro de Estremoz
IRMÃOS GINJA (1938,1949 - )
MARIA LUÍSA DA CONCEIÇÃO (1934-2015)
PAULO CARDOSO (1968 -   )
RUI BARRADAS (1953 - )
JOÃO FORTIO (1951 -  )
GUILHERMINA MALDONADO (1937-2019)
FÁTIMA LOPES (1974)

Hernâni Matos