segunda-feira, 2 de novembro de 2026
Dia de Finados
domingo, 1 de novembro de 2026
Dia de Todos-os-Santos
Adagiário do Dia de Todos-os-Santos
quinta-feira, 29 de outubro de 2026
Deus na boca do Povo
É arreigada a crença popular em Deus. Atesta-o a multiplicidade e a diversidade das manifestações de literatura de tradição oral: Adivinhas, Lengalengas, Mitologia Popular, Provérbios, Gíria Popular, Alcunhas Alentejanas e Cancioneiro Popular. Todavia, o Deus patente nas convicções populares não será provavelmente o mesmo Deus que é ensinado na Catequese ou pregado e venerado nas Igrejas. Será talvez um outro Deus que à escala humana tem dimensão divina, já que na concepção popular criou o Mundo e tudo o que nele nasce, cresce, se multiplica e morre. Para além disso, o convencimento de que é Ele que assegura o funcionamento ou não de tudo o que existiu, existe e poderá vir a existir. O Povo tem necessidade desse Deus para justificar tudo aquilo que não consegue explicar de outra forma. Trata-se de crenças que lhe brotam à flor do pensamento no decurso do trabalho (Fig. 1), às refeições (Fig. 2) ou no folguedo (Fig. 3). Vou passar algumas delas em revista.
(Jornal E nº 234, de 28-11-2019)
domingo, 11 de outubro de 2026
Santo António dos Pobres, de Isabel Pires
BIBLIOGRAFIA
MUSEU DE LAMAS. Santo António de Lisboa – A Peça do mês. [Em linha]. Disponível em: https://museudelamas.blogspot.com/2011/06/santo-antonio-de-lisboa-peca-do-mes.html [Consultado em 10 de Setembro de 2026].
sábado, 4 de julho de 2026
A MÚSICA NO FIGURADO DE ESTREMOZ / 5 - ASSOBIOS
5 -
ASSOBIOS
Os
assobios são Bonecos de Estremoz com morfologia e funcionalidade muito
próprias, que os tornou simultaneamente instrumentos musicais e brinquedos.
Sob
um ponto de vista morfológico são habitualmente classificados em zoomórficos,
antropomórficos e compostos.
A presente colecção é constituída por um total de 189 assobios dos seguintes barristas: Ana das Peles (5), Sabina Santos (14), José Moreira (7), Maria Luísa da Conceição (13), Maria Inácia (3), Irmãs Flores (57), Jorge da Conceição (14), Ricardo Fonseca (1), João Sousa (1), Carlos Alberto Alves (9), Ana Catarina Grilo (21), Inocência Lopes (4), Manuel J. Broa (3), Inês da Conceição (5), Jorge Carrapiço (32).
Anteriormente às Irmãs Flores, os assobios zoomórficos e antropomórficos tinham uma base cilíndrica de altura diminuta ou em forma de menisco convexo, nos quais estava inserido o bocal de sopro. Desde sempre que este bocal era manufacturado, montando e furando um rolo de barro, tal como era feito para os assobios compostos. Todavia, Maria Inácia Fonseca, uma das Irmãs Flores, introduziu uma técnica diferente: o menisco convexo passa a ser mais alto e dele, por estiramento numa determinada direcção, resulta o indispensável tubo, que é furado da maneira anterior. O bocal de sopro passa então a ser mais curto e a proeminência correspondente, mais suave e mais discreta. Há aqui uma mudança de paradigma que importa sublinhar e registar. Para além disso, as Irmãs Flores reavivaram o coleccionismo de assobios, já que ao contrário dos barristas que as precederam, foram criando inúmeras variantes dum mesmo tipo de assobio, por introdução de diferentes pormenores na modelação e na decoração, a que imprimiram um cromatismo muito vivo, visualmente apelativo.
Os assobios de Jorge da Conceição são caracterizados por uma modelação e uma decoração muito minuciosas, fortemente naturalistas, que os transformam em peças extremamente apelativas. Deste modo, transcendem o âmbito restrito daquilo que podiam ser apenas brinquedos e instrumentos musicais, passando a ser também objectos decorativos, o que está em consonância com a alma do barrista. Jorge da Conceição demanda a beleza, a elegância, o equilíbrio e a harmonia em tudo o que faz. Para além dos modelos tradicionais de assobio, os quais recriou, Jorge da Conceição criou novas figuras de assobio: Cesta de Flores, Galinha e Pintos, Galo no Roseiral, Galo na Azinheira, Galo na Vinha e Galo no Jardim.
Inês da Conceição produziu assobios de base ovóide semelhante à dos assobios de seu pai, com uma expressão mais simplificada, as pintas da base mais miudinhas e um tubo de sopro de cor verde bandeira, igualmente adoçado na embocadura. Dois desses assobios são assobios devocionais (Sagrada Família e Santo António) e três são assobios zoomórficos (galo, gato e cão) com a particularidade de não estarem assentes numa base ovóide, mas sim num “mocho” tradicional alentejano, cujos pés é que assentam nessa base.
Os
assobios de Ana Catarina Grilo chamam a atenção pela
simplicidade, pelo cromatismo suave e harmonioso, pelo tamanho adequado do tubo
de sopro e o não adoçamento da extremidade. Quanto às dimensões são aquelas que
era suposto serem as de um brinquedo de criança. Para além dos tradicionais
assobios que integram o núcleo central do figurado de Estremoz, a barrista
apresenta novas criações como “Palhaço” e 7 exemplares de assobios devocionais (Nossa Senhora,
Nossa Senhora a orar, Berço do Menino Jesus, Menino Jesus Bom Pastor, Milagre
das Rosas, Santo António e São João Baptista).
Tradicionalmente, os assobios de barro vermelho de Estremoz integravam na sua decoração uma figura zoomórfica, antropomórfica ou mista. Porém, Inocência Lopes criou muito recentemente quatros assobios: Pucarinho enfeitado, Candelabro enfeitado, Terrina enfeitada e Arco enfeitado, passando os assobios a incorporar também espécimes de olaria enfeitada como elementos decorativos. Trata-se de uma inovação visualmente harmoniosa, que eu aplaudi e subscrevi, assim que se tornou conhecida.
Os assobios de Jorge Carrapiço inspiraram-se maioritariamente nos assobios de sua bisavó Ana das Peles e de outros mais antigos, pertencentes à colecção do Museu Nacional de Etnologia. Têm um cunho muito popular com modelação e decoração muito simplificadas. Bases com fundo branco, pintalgadas com pintas verdes bandeira e vermelhas, de forma irregular e espaçadas. Extremidade do tubo de sopro não pintada, permanecendo na cor do barro. As figuras estão sempre viradas para o lado oposto do tubo de sopro, de modo que a sua parte frontal esteja virada para os ouvintes e a parte traseira para o apitador.
quinta-feira, 25 de junho de 2026
A MÚSICA NO FIGURADO DE ESTREMOZ / 1 - IMAGENS DEVOCIONAIS
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Uma
colecção generalista permite a partir dela extrair várias subcolecções
temáticas. Daí que tenha efectuado uma selecção de 281 exemplares do meu acervo
pessoal de diferentes tipologias de Bonecos de Estremoz e com eles estruturado
uma colecção com unidade temática, intitulada “A MÚSICA NO FIGURADO DE
ESTREMOZ”. A mesma integra exemplares da autoria de 21 barristas: Ana Bossa,
Ana Catarina Grilo, Ana das Peles, Carlos Alberto Alves, Duarte Catela, Fátima
Estróia, Inês da Conceição, Inocência Lopes, Irmãs Flores, João Sousa, Jorge
Carrapiço, Jorge da Conceição, José Moreira, Liberdade da Conceição, Manuel
Broa, Mariano da Conceição, Maria Luísa da Conceição, Mário Lagartinho, Quirina
Marmelo, Ricardo Fonseca e Sabina da Conceição Santos.
Com
aquela colecção e em parceria com o Museu Municipal de Estremoz foi possível
organizar a exposição “A MÚSICA NO FIGURADO DE ESTREMOZ / COLECÇÃO HERNÂNI
MATOS”, a qual se integra no Programa das Comemorações do Centenário da
Elevação de Estremoz a Cidade e estará patente ao público na Galeria Municipal
D. Dinis, entre 16 de Maio e 6 de Setembro de 2026.
A
exposição tem por objectivos: - Comemorar o Centenário da Elevação de
Estremoz a Cidade; - Divulgar os Bonecos de Estremoz como Património Cultural
Imaterial da Humanidade; - Realçar os Bonecos de Estremoz como registos
materiais da identidade cultural local; - Homenagear o saber-fazer dos
barristas locais.
A
exposição que tem como fio condutor o tema “Música”, foi estruturada de acordo com
o seguinte plano exposicional:
1
- Imagens Devocionais; 2 - Alegorias da Música; 3 - Bandas e Outros Conjuntos;
4 - Solistas; 5 - Assobios.
Seguidamente
passarei em revista cada uma das divisões do presente plano.
1
- IMAGENS DEVOCIONAIS
Berço
dos anjinhos (Ricardo Fonseca)
No
berço do Menino Jesus (Berço dos anjinhos), o galo está ladeado de dois
anjinhos, mensageiros de Deus junto dos homens. Ostentam asas numa alusão clara
à sua capacidade de ascensão ao Céu. São em número de dois, já que Jesus Cristo
manifesta dois aspectos: o Divino e o humano. Tocam trombeta, instrumento
musical usado para anunciar os grandes acontecimentos históricos e cósmicos. As
trombetas associam aqui o Céu e a Terra numa celebração única: o nascimento de
Jesus Cristo.
Santa
Cecília (Ana Catarina Grilo)
Santa
Cecília é a Padroeira dos músicos e da música sacra, frequentemente
representada com os seus principais atributos: lira, palma do martírio, coroa
de rosas e livro. O simbolismo destes é o seguinte: LIRA (ligada à tradição de
que cantava no seu interior a Deus, enquanto os instrumentos soavam no seu
casamento); - PALMA (Símbolo da vitória sobre o martírio e a morte); - COROA DE
ROSAS (Símbolo da sua virgindade e castidade); - LIVRO (Símbolo da palavra de
Deus e do Canto Litúrgico).



































