3 - BANDAS E OUTROS CONJUNTOS
3-4. - Dia de Sortes (Carlos
Alberto Alves)
No decurso da guerra colonial
(1961-1974), os jovens eram convocados para as “Inspecções” aos 18/19 anos.
Tratava-se da inspecção militar, que consistia em provas físicas e médicas,
visando determinar se os mancebos estavam ou não aptos para serem incorporados
no Serviço Militar Obrigatório.
Os apurados nas inspecções
eram incorporados no ano em que cumpriam o 20.º aniversário e o tempo de
"tropa" podia chegar a quatro anos ou mais.
O “Dia das Inspecções” era na
gíria popular conhecido por “Dia de Sortes”, designação devida ao facto de ser
nesse dia que cada mancebo inspeccionado ficava a saber qual a “sorte” que lhe
tinha cabido na inspecção militar: apurado, livre ou adiado. A cada sorte
estava associada simbolicamente uma fita colorida, de acordo com a seguinte
convenção: APURADO=VERDE, LIVRE=VERMELHO, ADIADO=BRANCO.
À saída das inspecções cada
jovem identificava-se com a “sorte” que lhe tinha cabido. Para tal exibia a
correspondente fita colorida, pregada no peito, no boné ou no chapéu. À sua
espera um tocador de harmónio contratado que os acompanhava pelas ruas da cidade,
enquanto cada um deles tocava a sua própria pandeireta. Era um modo simples e
tradicional de partilhar com a comunidade, o conhecimento da “sorte” que lhe
tinha cabido. Era de certo modo, um ritual de puberdade que se extinguiu tal
como o Serviço Militar Obrigatório.
O “Dia de Sortes” foi
perpetuado no figurado de Estremoz pelo barrista Carlos Alberto Alves, que para
o efeito criou um grupo alegórico constituído por um tocador de harmónio e 3
tocadores de pandeireta com “sortes” diferentes uns dos outros: um “apurado”,
um “livre” e outro “adiado”.






