Do Tempo da Outra Senhora
A Escrita como Instrumento de Libertação do Homem
domingo, 1 de novembro de 2026
Dia de Todos-os-Santos
Adagiário do Dia de Todos-os-Santos
sábado, 31 de outubro de 2026
ARTES DO VAGAR - Colecção Hernâni Matos
ARTES DO VAGAR - Colecção Hernâni Matos
- Exposição ARTES DO VAGAR - Colecção Hernâni Matos
- ARTES DO VAGAR / COLECÇÃO HERNÂNI MATOS
- ARTES DO VAGAR: Ora agora falo eu!
- ARTES DO VAGAR: O saber-fazer de há 44 anos atrás
- Palavras do Presidente da Câmara Municipal de Estremoz
- O recolector - Francisca de Matos
- EXPOSIÇÃO "ARTES DO VAGAR" - Francisco Ramos
- Artes do Vagar e Mestres do Saber-fazer / 1 – MANUEL ANTÓNIO CAPELINS
- Artes do Vagar e Mestres do Saber-fazer / 2 - TERESA SEROL GOMES
- Artes do Vagar e Mestres do Saber-fazer / 3 - MIGUEL SEROL GOMES
- Artes do Vagar e Mestres do Saber-fazer / 4 - JOAQUIM CARRIÇO ROLO
- Artes do Vagar e Mestres do Saber-fazer / 5 - JOSÉ CARRILHO TRONCHO (1910-2003)
- Artes do Vagar e Mestres do Saber-fazer / 6 - ROBERTO CARREIRAS (1930-2017)
- Artes do Vagar e Mestres do Saber-fazer / 7 - JOANA SIMÕES (1912 - 2011) E JOAQUINA SIMÕES (1914 - 2005)
- Artes do Vagar e Mestres do Saber-fazer / 8 - NATÁLIA SIMÕES (1924 - 2012)
Artes do Vagar e Mestres do Saber-fazer / 8 - NATÁLIA SIMÕES (1924 - 2012)
Exposição ARTES DO VAGAR - Colecção Hernâni Matos
ARTES DO VAGAR / COLECÇÃO HERNÂNI MATOS
ARTES DO VAGAR: Ora agora falo eu!
ARTES DO VAGAR: O saber-fazer de há 44 anos atrás
Palavras do Presidente da Câmara Municipal de Estremoz
O recolector - Francisca de Matos
EXPOSIÇÃO "ARTES DO VAGAR" - Francisco Ramos
Artes do Vagar e Mestres do Saber-fazer / 1 – MANUEL ANTÓNIO CAPELINS
Artes do Vagar e Mestres do Saber-fazer / 2 - TERESA SEROL GOMES
Artes do Vagar e Mestres do Saber-fazer / 3 - MIGUEL SEROL GOMES
Artes do Vagar e Mestres do Saber-fazer / 4 - JOAQUIM CARRIÇO ROLO
Artes do Vagar e Mestres do Saber-fazer / 5 - JOSÉ CARRILHO TRONCHO (1910-2003)
Artes do Vagar e Mestres do Saber-fazer / 6 - ROBERTO CARREIRAS (1930-2017)
Artes do Vagar e Mestres do Saber-fazer / 8 - NATÁLIA SIMÕES (1924 - 2012)
Após a aposentação dedicou-se aquilo a
que chamava “pintura judaica” e que lhe foi sugerida pelo seu marido, o
professor Aníbal Falcato Alves, intelectual polifacetado, que dedicou parte da
sua vida à recolha de tradições da região Alentejo, entre elas as artes
populares. Foi ele que recolheu um exemplar daquilo que é designado por “pintura
judaica”, uma tipologia de arte popular alentejana cuja origem se perde na
lonjura dos tempos. Depois de estudar o modo como o mesmo tinha sido executado,
sugeriu a Natália o procedimento a seguir, visando recuperar e preservar a
antiga tradição. Natália correspondeu ao desafio e recuperou a arte
tradicional. Trata-se de uma pintura em vidro, na qual primitivamente, o vidro
era pintado com betume judaico, sobre o qual era desenhado minuciosamente a
lápis de carvão, o contorno do motivo decorativo. O interior desse contorno era
seguidamente raspado, sobrepondo-se então papel de prata às zonas raspadas, as
quais conferiam ao conjunto um aspecto de requintada peça de ourivesaria. Mais
tarde, substituiu o uso do papel de prata pela pintura das zonas raspadas com
tintas de outras cores. De resto, numa natural evolução, também a pintura com
betume judaico viria a ser substituída pela pintura com spray.
A recolha etnográfica do marido fora o
ponto de partida para a descoberta e para tudo o que se lhe seguiu, pois a
Natália, criadora nata, revolucionou este tipo de trabalho artístico,
catapultando-o à dimensão daquilo que sem ela não seria sequer imaginável.
Num texto de 1965, intitulado “VIDRO
RENDILHADO”, o escritor neo-realista e médico Fernando Namora, referindo-se ao
trabalho de Natália, disse com precisão cirúrgica: “Nestas mãos pacientes,
que rendilham a superfície fosca e árida do vidro como se de bordados de oiro
ou prata se tratasse, reaviva-se uma tradição artesanal e espelha-se o Alentejo
onde o tempo modera o seu frenesi, contido pela charneca lânguida, espreguiçada,
que dissolve a alucinação das vidas e empresta aos gestos um labor alentejano
saboreado. O tempo, pois, não conta para estas mãos minuciosas, mãos
alentejanas, que corrigem a placidez dos dias com uma arte de imaginação
opulenta, recreada em filigranas e arabescos, a destoar, como um protesto da
severidade do ambiente.”
Natália Simões participou nas feiras de
artesanato de Estremoz desde 1983 e realizou exposições em Estremoz, Monforte,
Pavia e Festa do Avante.
(Jornal E nº 389, de 30-10-2026)
zoomórfica, polícroma com prata em fundo negro. Moldura elíptica. 71 x 46,5 cm.
Conceição, com cercadura de decoração fitomórfica e encimada pelo Sol. Decoração
polícroma com prata em fundo negro. Moldura quadrada. 44 x 44 cm.
uma cercadura com decoração fitomórfica e geométrica, no centro da qual
um “putti” configura pôr uma coroa de flores na cabeça de outro. Em
sexta-feira, 30 de outubro de 2026
Turismo em perspetiva / Os Bonecos de Estremoz
Artigo de André Lopes
O património cultural é uma parte
essencial da identidade de qualquer território. Preservá-lo é importante, mas
encontrar formas de o valorizar, divulgar e transmitir às gerações futuras é
igualmente fundamental.
Nos últimos tempos, tenho
dedicado particular atenção ao património cultural imaterial e às oportunidades
que este pode representar para o desenvolvimento turístico dos territórios. É
impossível pensar nesta temática sem olhar para Estremoz e para os seus
Bonecos, uma arte secular reconhecida pela UNESCO como Património Cultural
Imaterial da Humanidade, em 2017.
Este reconhecimento é motivo de
orgulho para Estremoz e evidencia a importância de continuar a preservar e
divulgar uma tradição que faz parte da identidade do concelho. O trabalho
desenvolvido em torno deste património é fundamental, mas a sua riqueza permite-nos
também refletir sobre novas formas de o aproximar da comunidade e de quem nos
visita.
Neste contexto, as Festas da
Exaltação da Santa Cruz, em setembro, poderão constituir uma oportunidade para
reforçar a presença dos Bonecos de Estremoz na programação cultural da cidade.
A possibilidade de criar um espaço especialmente dedicado a esta arte,
articulado com as iniciativas já existentes, permitiria dar maior visibilidade
aos barristas, às suas peças e aos saberes que lhes dão vida.
Mais do que um espaço de
exposição e venda, uma iniciativa desta natureza poderia incluir demonstrações
de modelação, oficinas, conversas com os artesãos e atividades dirigidas aos
mais novos. Seria uma forma de proporcionar aos visitantes um contacto mais
próximo com esta tradição e de despertar o interesse das novas gerações.
A valorização do património
cultural imaterial exige continuidade, criatividade e cooperação entre os
diferentes agentes locais. Quando cultura e turismo se articulam, surgem
oportunidades para enriquecer a experiência de quem visita o território, apoiar
os artesãos e reforçar a identidade local.
Os Bonecos de Estremoz são muito
mais do que peças de barro, representam conhecimentos, histórias e saberes
transmitidos ao longo de gerações. Continuar a encontrar formas de os dar a
conhecer é contribuir para que esta herança permaneça viva e continue a fazer
parte do futuro da cidade.
Porque valorizar o património é
também criar oportunidades para que aquilo que nos diferencia continue a ser
conhecido, apreciado e transmitido às gerações futuras.
André Lopes
(Jornal E nº 389, de 30-10-2026)
quinta-feira, 29 de outubro de 2026
Deus na boca do Povo
É arreigada a crença popular em Deus. Atesta-o a multiplicidade e a diversidade das manifestações de literatura de tradição oral: Adivinhas, Lengalengas, Mitologia Popular, Provérbios, Gíria Popular, Alcunhas Alentejanas e Cancioneiro Popular. Todavia, o Deus patente nas convicções populares não será provavelmente o mesmo Deus que é ensinado na Catequese ou pregado e venerado nas Igrejas. Será talvez um outro Deus que à escala humana tem dimensão divina, já que na concepção popular criou o Mundo e tudo o que nele nasce, cresce, se multiplica e morre. Para além disso, o convencimento de que é Ele que assegura o funcionamento ou não de tudo o que existiu, existe e poderá vir a existir. O Povo tem necessidade desse Deus para justificar tudo aquilo que não consegue explicar de outra forma. Trata-se de crenças que lhe brotam à flor do pensamento no decurso do trabalho (Fig. 1), às refeições (Fig. 2) ou no folguedo (Fig. 3). Vou passar algumas delas em revista.
(Jornal E nº 234, de 28-11-2019)













