quinta-feira, 2 de julho de 2026

A MÚSICA NO FIGURADO DE ESTREMOZ / 4 - SOLISTAS

 

8 - Pastor do harmónio (Mariano da Conceição)
9 - Tocador de harmónio (Liberdade da Conceição)
10 - Tocador de harmónio (Maria Luísa da Conceição)
11 - Pastor do harmónio (Maria Luísa da Conceição)

4 - SOLISTAS

Os solistas são músicos que executam uma peça musical ou parte dela, sozinhos ou em destaque num grupo musical. No figurado de Estremoz podem-se considerar solistas os Tocadores de Harmónio, dos quais figuram na colecção, 19 exemplares manufacturados por Mariano da Conceição (1), Sabina Santos (4), Liberdade da Conceição (2), José Moreira (4), Fátima Estróia (1), Irmãs Flores (1), Mário Lagartinho (1), Maria Luísa da Conceição (2), Quirina Marmelo (1), Duarte Catela (1) e Ricardo Fonseca (1). O exemplar deste último barrista é acompanhado dum desenho onde o barrista nos mostra as sucessivas fases de execução do seu Boneco.

Para além dos Tocadores de Harmónio, a colecção apresenta 6 outros solistas como Trovador (Irmãs Flores), duas figuras diferentes de Preto Guitarrista (Irmãs Flores), Figura de Entrudo com Pandeireta (Irmãs Flores), Tocador de Gaita de Foles (José Moreira) e Tocador de Guitarra (José Moreira).  

Hernâni Matos

12 - Pastor do harmónio (Sabina Santos)
13 - Pastor do harmónio (Sabina Santos)
14 - Tocador de harmónio (Sabina Santos)


15 - Pastor do harmónio (Fátima Estróia)
16 - Pastor do harmónio (Irmãs Flores)
17 - Pastor do harmónio (Mário Lagartinho)
18 - Pastor do harmónio (Quirina Marmelo)
19 - Pastor do harmónio (Duarte Catela)

20 - Pastor do harmónio (Ricardo Fonseca)

21 - Pastor do harmónio (José Moreira)
22 - Tocador de harmónio (José Moreira)
23 - Tocador de harmónio (José Moreira)
24 - Tocador de gaita de foles (José Moreira)
25 - Tocador de guitarra (José Moreira)

26 - Trovador (Irmãs Flores)
27 - Figura de Entrudo com pandeireta (Irmãs Flores)
28 - Preto guitarrista (Irmãs Flores)
29 - Preto guitarrista (Irmãs Flores)

quarta-feira, 1 de julho de 2026

A MÚSICA NO FIGURADO DE ESTREMOZ / 3 - BANDAS E OUTROS CONJUNTOS / 3.4 – Dia de Sortes

 

Dia de Sortes (Carlos Alberto Alves)


3 - BANDAS E OUTROS CONJUNTOS

3-4. - Dia de Sortes (Carlos Alberto Alves)

No decurso da guerra colonial (1961-1974), os jovens eram convocados para as “Inspecções” aos 18/19 anos. Tratava-se da inspecção militar, que consistia em provas físicas e médicas, visando determinar se os mancebos estavam ou não aptos para serem incorporados no Serviço Militar Obrigatório.

Os apurados nas inspecções eram incorporados no ano em que cumpriam o 20.º aniversário e o tempo de "tropa" podia chegar a quatro anos ou mais.

O “Dia das Inspecções” era na gíria popular conhecido por “Dia de Sortes”, designação devida ao facto de ser nesse dia que cada mancebo inspeccionado ficava a saber qual a “sorte” que lhe tinha cabido na inspecção militar: apurado, livre ou adiado. A cada sorte estava associada simbolicamente uma fita colorida, de acordo com a seguinte convenção: APURADO=VERDE, LIVRE=VERMELHO, ADIADO=BRANCO.

À saída das inspecções cada jovem identificava-se com a “sorte” que lhe tinha cabido. Para tal exibia a correspondente fita colorida, pregada no peito, no boné ou no chapéu. À sua espera um tocador de harmónio contratado que os acompanhava pelas ruas da cidade, enquanto cada um deles tocava a sua própria pandeireta. Era um modo simples e tradicional de partilhar com a comunidade, o conhecimento da “sorte” que lhe tinha cabido. Era de certo modo, um ritual de puberdade que se extinguiu tal como o Serviço Militar Obrigatório.

O Dia de Sortes” foi perpetuado no figurado de Estremoz pelo barrista Carlos Alberto Alves, que para o efeito criou um grupo alegórico constituído por um tocador de harmónio e 3 tocadores de pandeireta com “sortes” diferentes uns dos outros: um “apurado”, um “livre” e outro “adiado”.

terça-feira, 30 de junho de 2026

A MÚSICA NO FIGURADO DE ESTREMOZ / 3 - BANDAS E OUTROS CONJUNTOS / 3.3 – Cante Alentejano

 

Cante Alentejano (Ana Bossa)


3 - BANDAS E OUTROS CONJUNTOS

3-3. - Cante Alentejano (Ana Bossa)

A identidade cultural do povo alentejano tem a ver com o Cante Alentejano, que de acordo com a tese litúrgica do padre António Marvão teve origem em escolas de canto popular fundadas em Serpa, por monges paulistas do Convento da Serra d’Ossa, os quais tinham formação em canto polifónico.

O Cante Alentejano foi proclamado Património Cultural Imaterial da Humanidade pela UNESCO em 2014. 

A barrista Ana Bossa que nos anos 90 do séc. XX, frequentou o atelier das irmãs Flores, perpetuou no barro um Grupo de 9 cantadores como expressão do Cante Alentejano.

Hernâni Matos

segunda-feira, 29 de junho de 2026

A MÚSICA NO FIGURADO DE ESTREMOZ / 3 - BANDAS E OUTROS CONJUNTOS / 3.2 – Música Popular Alentejana

 

Música Popular Alentejana (Carlos Alberto Alves)

3 - BANDAS E OUTROS CONJUNTOS

3-2. Música Popular Alentejana (Carlos Alberto Alves)

Os executantes e os instrumentos musicais populares alentejanos são parte integrante da identidade cultural alentejana, a qual urge preservar e valorizar enquanto memória do povo.

Etno-musicólogos como Michel Giacometti e Fernando Lopes Graça calcorrearam os campos do Alentejo nos anos 60 do século passado e efectuaram o registo etno-musical da região.

Conhecedor deste registo e daqueles que nele participaram, entre eles o seu tio Aníbal Falcato Alves, o barrista Carlos Alberto Alves, no mais estrito respeito pela técnica de produção e pela estética do Boneco de Estremoz, criou um conjunto de figuras sob a epígrafe “MÚSICA POPULAR ALENTEJANA”, o qual incorpora os tocadores dos seguintes instrumentos musicais populares alentejanos: adufe, pandeireta, bombo, tambor, ronca, cana rachada, cântaro, udu, ferrinhos, reque-reque, tamboril, trancanholas, castanholas, chocalho, guizos, flauta, viola campaniça e harmónio, num total de 18. Com esta criação procura homenagear todos aqueles que contribuíram para o registo etno-musical do Alentejo.

Hernâni Matos

domingo, 28 de junho de 2026

A MÚSICA NO FIGURADO DE ESTREMOZ / 3 - BANDAS E OUTROS CONJUNTOS / 3.1 - Bandas Filarmónicas


Banda Filarmónica (Jorge Carrapiço)


3 - BANDAS E OUTROS CONJUNTOS

3.1 - Banda Filarmónica (Jorge Carrapiço e outros)

No concelho de Estremoz existem 3 Bandas de Música: Sociedade Filarmónica Luzitana, Sociedade Filarmónica Veirense e Sociedade Filarmónica Artística Estremocense, que actuam em eventos religiosos (procissões, missas, funerais e romarias) e eventos civis (concertos, desfiles, festas e touradas).

Um dos eventos religiosos em que as Bandas participam é a Procissão do Senhor Jesus dos Passos, perpetuada no barro por Mariano da Conceição nos anos 40 de séc. XX. Nela o barrista incluiu uma Banda de Música. De então para cá, os barristas de Estremoz, cada um deles com o seu estilo muito próprio, têm modelado Bandas de Música, nas quais é variável o número e o tamanho dos executantes, o tipo de instrumentos usado, bem como o figurino e as cores do fardamento.

Em geral, as Bandas produzidas pelos nossos barristas e cuja beleza não está em causa, foram modeladas de um modo ingénuo que já vem detrás e também ao sabor do momento. Só assim se explica que algumas dessas Bandas possam não apresentar instrumentos que são fundamentais e incluam outros que pouco sentido fazem numa Banda (ferrinhos, maracas, pandeiretas), bem como instrumentos cuja definição não permite saber o que são.

A presente colecção integra uma Banda de Música de José Moreira (12 figuras) e outra de Quirina Marmelo (10 figuras), as quais apresentam algumas das características acima referidas, o que me levou a desejar possuir uma Banda de Música que traduzisse no barro com naturalismo, todo o contexto que lhe está associado.

A banda viria a ser executada pelo barrista Jorge Carrapiço, bisneto de Ana das Peles, músico e executante de trombone na Sociedade Filarmónica Artística Estremocense. Na execução da Banda foi fundamental a consultadoria do Maestro Mário Tiago da Sociedade Filarmónica Artística Estremocense, que definiu o número de executantes de cada instrumento, bem como a sua posição dentro do conjunto, como se tratasse de uma Banda real. Os instrumentos que a integram pertencem a diferentes categorias: PERCUSSÃO [caixa (2), bombo (1), pratos (1)], METAIS [tuba (1), trombone (1), contrabaixo (1), bombardino (1), trompa (1), trompete (2)], PALHETAS [clarinete (4), sax alto (1), sax barítono (1), sax tenor (1)] e FLAUTAS [flauta (2)]. Ao todo são 22 figuras, número que inclui o Maestro e o Porta-estandarte. O barrista-músico Jorge Carrapiço empenhou-se de alma e coração na criação daquela que passará agora a ser a sua Banda de Música. À simplicidade na modelação das figuras, Jorge Carrapiço acrescentou a definição de todos os instrumentos musicais, à maneira de uma Banda real, sem que cada figura perdesse o seu cunho verdadeiramente popular. Tudo faz sentido na Banda de Música de Jorge Carrapiço, a começar pelos instrumentos musicais que ali estão porque ali não podiam faltar e que estão onde deviam estar.

A Banda de Música de Jorge Carrapiço passa a partir de agora e por direito próprio a integrar a História dos Bonecos de Estremoz, visto que com ela ocorreu uma mudança de paradigma, facto que aqui atesto e registo para memória futura.


sexta-feira, 26 de junho de 2026

O cabeça de moringue de Luís Santos

 

Cabeça de moringue. Luís Santos (Caricaturas de barro)

Um olhar cirúrgico que num ápice identifica os traços identitários do visado e através das redes neuronais, os transmite instantânea e pantograficamente às suas mãos mágicas, as quais através duma multiplicidade de actos escultóricos, registam no barro aquilo que o seu olhar decifrou.

As caricaturas de barro de Luís Santos são uma ínfima parte do potencial artístico que Luís Santos encerra em si e que lhe brota à flor das mãos, sempre que afeiçoa o barro, qual Deus bíblico do Genesis.

Desta feita, este moringue antropomórfico retrata nada mais nada menos, este cabeça de moringue que sou eu, alentejano dos barros de Estremoz, guardador de memórias, entre elas as guardadas no barro, muito em especial de Bonecos e Olaria de Estremoz, bem como louça vidrada de Redondo.

Obrigado Luís, por me ter recriado com esta sua recreação, a partir de hoje a socializar com os mais belos exemplares do meu acervo e com um lugar muito especial no meu coração.

Bem-haja, Luís.

A MÚSICA NO FIGURADO DE ESTREMOZ / 2 - ALEGORIAS

 

3 - Alegoria da Música (Jorge da Conceição)

2 - ALEGORIAS

Alegoria da Música (Jorge da Conceição)

A Alegoria da Música é uma representação simbólica da música como uma mulher bela e elegante que enverga um vestido com folhos e sandálias que configuram as que são usadas pelas Primaveras do figurado de Estremoz. Estão lhe associados dois instrumentos musicais: uma lira apoiada no corpo do lado esquerdo e uma flauta sustentada pela mão direita, cujos orifícios lhe conferem a funcionalidade de servir como paliteiro, uma das tipologias mais emblemáticas e práticas da Barrística de Estremoz, historicamente utilizadas como adornos de mesa.

Hernâni Matos