Do Tempo da Outra Senhora
A Escrita como Instrumento de Libertação do Homem
terça-feira, 23 de junho de 2026
Adagiário do Verão
segunda-feira, 22 de junho de 2026
Começou o Verão
Hernâni Matos
quinta-feira, 18 de junho de 2026
Artes do Vagar e Mestres do Saber-fazer / 1 – MANUEL ANTÓNIO CAPELINS
Entre 15 e 17 de Julho de 1983 teve lugar em Estremoz, no
Rossio Marquês de Pombal, frente aos cafés, a I Feira de Arte Popular e
Artesanato do concelho de Estremoz. Com ela ocorreu uma mudança de paradigma.
Artesãos e artes tradicionais mais ou menos esquecidas ou ignoradas, “vêem a
luz da ribalta” e adquirem como que uma “carta de cidadania”, de tal
maneira que aquela Feira constituiu, “o alfa e o ómega” da divulgação do
saber-fazer dos nossos artesãos.
Naquela Feira descobri artesãos que corresponderam à minha
sensibilidade, ao meu gosto pessoal e que me aqueceram a alma, levando-me a
adquirir trabalhos seus ao longo dos anos.
Foi com base na minha colecção de Arte Pastoril e de Arte
Conventual, que a convite do Senhor Presidente da Câmara Municipal de Estremoz,
José Daniel Pena Sadio, concebi a exposição ARTES DO VAGAR, integrada nas
Comemorações do Centenário da Elevação à Categoria de Cidade. A mesma foi
inaugurada no passado dia 16 de Maio, na sala de exposições temporárias do
Museu Municipal Professor Joaquim Vermelho e ali estará patente ao público até
ao próximo dia 6 de Setembro.
O certame é integrado por 123 trabalhos de artesãos
naturais do concelho de Estremoz ou que aqui se fixaram e que aqui produziram,
os quais na sua esmagadora maioria participaram em várias edições da saudosa
Feira iniciada em 1983 no Rossio Marquês de Pombal.
Uma visita à exposição permite de imediato concluir
estar-se em presença da “nata” de artesãos do vagar, pelo que importa enquadrar
a obra de cada um deles no contexto do respectivo perfil biográfico. É o que
passo a fazer a partir de hoje e durante 9 números nas páginas deste jornal.
1 - MANUEL ANTÓNIO CAPELINS (1924-1974)
Natural de Santo António de Capelins (Alandroal). Cedo
começou a trabalhar como pastor e na calma da paisagem as suas mãos habilidosas
aprenderam a esculpir e a rendilhar a madeira e o chifre. Porém, nas pedreiras
pagavam melhor e ele tinha mulher e dois filhos. Tornou-se então trabalhador
das pedreiras, abandonou a pastorícia e com ela a arte pastoril. Todavia, as
coisas não ficaram por aqui. Alguém que conhecera o virtuosismo das suas mãos e
a grandeza da sua alma de artista popular, consegue-o subtrair à dureza do
trabalho das pedreiras, levando-o a dedicar-se exclusivamente à arte pastoril,
o que passou a fazer na sua casa, situada então na aldeia de São Gregório (Rio
de Moinhos).
Os materiais utilizados foram cabaças, chifre e madeira:
laranjeira, buxo, figueira, aloendro e raiz de oliveira. Serviu-se de
utensílios como navalha, goiva de vareta e compasso. A decoração muito rica era
variada e de natureza geométrica, fitomórfica, zoomórfica e antropomórfica de inspiração
regional. Executou trabalhos como cabaças lavradas, cornas azeitoneiras, cornas
azeiteiras, polvorinhos, pulseiras, cáguedas, chavões, colheres, colheres de
pastor, talheres, canudos de ceifa, canudos de soprar o lume, tabaqueiras,
caixas de segredo, esculturas em madeira, jogos de xadrez e quadros.
Participou em feiras como: Mercado da Primavera em Belém,
Feira de Artesanato do Estoril e Feira Nacional da Agricultura em Santarém.
Está representado nas colecções do Museu Nacional de Etnologia em Lisboa e no
Museu do Artesanato em Évora.
Em Maio de 1963, o pintor Armando Alves organizou uma
exposição de trabalhos seus na Escola Superior de Belas Artes do Porto, para a
qual foi editado um catálogo com prefácio do Professor J. M. Pereira de
Oliveira. O poeta Eugénio de Andrade dedicou-lhe em 1964 o texto “E o
pastor, de Alentejo era…”, que veio a ser inserido no livro OS AFLUENTES DO
SILÊNCIO (1968).
Em 1964 passou a residir no Monte Novo da Palma, na Fonte
do Imperador, em Estremoz. Os seus trabalhos passam mais tarde a ser
comercializados na Livraria e Papelaria Aníbal, nesta cidade.
A exposição de Manuel António Capelins na Sociedade
Nacional de Belas Artes seria ainda objecto do apreço do historiador de arte
Flórido de Vasconcelos, que publicou o texto “Notas de Arte Popular
Alentejana“ no nº 21, de Março de 1967 da revista PANORAMA.
Após o falecimento de Manuel António Capelins em 1974, o
seu legado artístico foi continuado pela filha Teresa Serol Gomes (1952-1988) e
pelo filho Miguel Serol Gomes (1957- ),
cujos perfis biográficos integram igualmente o presente trabalho.
Hernâni Matos
domingo, 14 de junho de 2026
𝐄𝐒𝐓𝐑𝐄𝐌𝐎𝐙 𝐍𝐎 𝐏𝐑𝐄́𝐌𝐈𝐎 𝐂𝐈𝐍𝐂𝐎 𝐄𝐒𝐓𝐑𝐄𝐋𝐀𝐒 𝐑𝐄𝐆𝐈𝐎̃𝐄𝐒 𝟐𝟎𝟐𝟔 - 𝐄𝐒𝐓𝐑𝐄𝐋𝐀𝐒 𝐍𝐎 𝐀𝐓𝐋𝐀̂𝐍𝐓𝐈𝐂𝐎
Transcrito com a devida vénia do
Facebook do Município de Estremoz,
de 13 de Junho de 2026
Decorreu, no dia 11 de junho de
2026, na ilha de S. Miguel, nos Açores, no Concelho da Ribeira Grande, a
cerimónia da entrega dos Prémios Cinco Estrelas Regiões 2026.
Estremoz foi 𝐯𝐞𝐧𝐜𝐞𝐝𝐨𝐫
nas categorias de 𝐢́𝐜𝐨𝐧𝐞𝐬
𝟓
𝐞𝐬𝐭𝐫𝐞𝐥𝐚𝐬:
Feiras, Festas e Romarias com a
FIAPE - Feira Internacional de Agropecuária de Estremoz; Cozinha Tradicional
com a Maior Sopa de Tomate do Mundo, em Évora Monte e nas Aldeias e Vilas com
Évora Monte.
Este ano, houve a novidade da
distinção do 𝐌𝐞𝐫𝐜𝐚𝐝𝐨
𝐓𝐫𝐚𝐝𝐢𝐜𝐢𝐨𝐧𝐚𝐥
𝐝𝐞
𝐒𝐚́𝐛𝐚𝐝𝐨,
enquanto 𝐦𝐚𝐫𝐜𝐚 𝟓
𝐞𝐬𝐭𝐫𝐞𝐥𝐚𝐬,
na categoria de Feiras e Mercados.
Estes reconhecimentos reforçam a
identidade, a autenticidade e a excelência do nosso concelho, valorizando o que
de melhor temos para oferecer a quem nos visita e a quem aqui vive. São
distinções que resultam do trabalho, dedicação e orgulho da nossa comunidade,
preservando tradições e promovendo o território.
Estremoz continua a afirma-se
como um destino de referência, onde a cultura, a gastronomia e as tradições
continuam a brilhar.
quarta-feira, 10 de junho de 2026
Hernâni Matos e os Bonecos de Estremoz
Hernâni Matos
Alentejano dos barros de Estremoz, onde nasceu em 1946. Professor e guardador de memórias, entre elas as guardadas no barro. Reconhecido como recolector e investigador da Cultura Popular Alentejana, muito em especial de Bonecos e Olaria de Estremoz, Arte Pastoril, Arte Conventual e Cerâmica Vidrada de Redondo.
Coleccionador de Bonecos de
Estremoz há mais de 50 anos, tornou-se investigador da Barrística Popular
Estremocense, tendo desde os primórdios deste século, dando um forte contributo
para o aprofundamento e consolidação da sua História.
Teve um papel entusiasta na
promoção do Figurado em Barro de Estremoz, especialmente no contexto da sua
elevação a Património Cultural Imaterial da Humanidade pela UNESCO em 2017.
Nesse sentido, entre 2014 e 2017, durante 70 números, manteve no jornal regionalista
Brados do Alentejo, uma secção dedicada aos Bonecos de Estremoz.
Após a proclamação dos Bonecos de
Estremoz como Património Cultural Imaterial da Humanidade, centrou a sua actividade
como publicista, divulgador e investigador da Barrística Popular Estremocense,
no jornal E de Estremoz, onde desde a primeira hora é colaborador.
Desde Fevereiro de 2010 que
mantém o blogue “DO TEMPO DA OUTRA SENHORA”, dedicado à Cultura Portuguesa e
muito em especial aos Bonecos de Estremoz, relativamente aos quais já efectuou
mais de 300 publicações no blogue desde 2014.
Como corolário natural de um dos
seus múltiplos percursos de vida, o de coleccionador e investigador da
Barrística Popular Estremocense, publicou o livro BONECOS DE ESTREMOZ, editado
em 2018 pelas Edições Afrontamento, por muitos considerado uma bíblia, no
sentido metafórico do termo. A obra é um testemunho de amor aos Bonecos de
Estremoz. Mas é igualmente e sobretudo um livro de respeito e admiração por
todos os barristas do passado e do presente, sem excepção.
Conferências proferidas sobre Bonecos de Estremoz:
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2013 |
“Mestre Mariano da Conceição (O Alfacinha)”. Estremoz, Escola Secundária da Rainha Santa Isabel, 15 de Fevereiro de 2013. |
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2017 |
”O Figurado de Estremoz como Património Cultural Imaterial da Humanidade em 2017?” nas 2.ªs Jornadas para a Salvaguarda do Património Cultural Imaterial do Alentejo. Elvas, Auditório São Mateus, 16 de Setembro de 2017. ”O Figurado de Estremoz como Património Cultural Imaterial da Humanidade em 2017?”. Lisboa, Academia Portuguesa de História, 13 de Novembro de 2017. |
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2018 |
“Bonecos de Estremoz, Património Cultural Imaterial da Humanidade” na tertúlia “Uma Conversa Por Mês” da Academia Sénior de Sousel. Sousel, Biblioteca Municipal Dr. António Garção, 24 de Abril de 2018. |
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2019 |
“BONECOS DE ESTREMOZ - Bons filhos à casa tornam”. Estremoz, Auditório da Escola Secundária da Rainha Santa Isabel, 28 de Maio de 2019. |
terça-feira, 9 de junho de 2026
EXPOSIÇÃO "ARTES DO VAGAR" - Francisco Ramos
EXPOSIÇÃO “ARTES
DO VAGAR”
Parabéns, Hernâni Matos,
Por esta bela exposição.
São grandes estes actos
E enchem-nos o coração.
És um recolector dos natos.
Colecionar é tua paixão.
Tens a arte no coração
E na alma os artesanatos.
És conhecedor dos factos.
Da barrística à pintura,
Tu conheces com fartura.
Proporcionaste a ocasião
Para nos dares uma lição.
Parabéns, Hernâni Matos.
Pões nos Bonecos atenção,
Do neorealismo és defensor
E da arte pastoril apreciador.
Colecionas por devoção
Sem qualquer contenção.
Conheces alfarrabistas,
Artesãos e outros artistas.
Compras o que aparece
E que a alma te aquece,
Por esta bela exposição.
De Redondo tens pratos,
Tachos, alguidares e barris,
Panelas, frigideiras e cantis,
E outros modos de artesanatos,
Pinturas, postais e retratos.
Conheces barristas e oleiros
Entre os melhores primeiros,
Tratas as obras de excelência
E aos mestres com referência.
São grandes estes actos.
Expões com dedicação
As obras colecionadas,
Cuidadosamente tratadas,
Com perfeita arrumação
No seio da colecção.
Escolheste com felicidade
O centenário da cidade.
São atitudes de cidadania,
Que nos dão muita alegria
E enchem-nos o coração.
São Bento do Ameixial, Maio de 2026
Xico de São Bento
domingo, 31 de maio de 2026
Exposição A MÚSICA NO FIGURADO DE ESTREMOZ - Galeria Municipal D. Dinis
CRÉDITOS FOTOGRÁFICOS: Luís Mendeiros (CME)
No
evento participaram cerca de 4 dezenas de convidados, os quais foram conduzidos
pelo expositor numa visita guiada à exposição.
No
certame está patente ao público um total de 281 exemplares seleccionados do
acervo pessoal de diferentes tipologias de Bonecos de Estremoz pertencentes à
colecção particular do expositor.
Os Bonecos de Estremoz expostos são da autoria de 20 barristas: Ana
Bossa, Ana Catarina Grilo, Ana das Peles, Carlos Alberto Alves, Duarte Catela,
Fátima Estróia, Inocência Lopes, Irmãs Flores, João Sousa, Jorge Carrapiço,
Jorge da Conceição, José Moreira, Liberdade da Conceição, Manuel Broa, Mariano
da Conceição, Maria Luísa da Conceição, Mário Lagartinho, Quirina Marmelo,
Ricardo Fonseca e Sabina da Conceição Santos.
A
mostra estará patente ao público até ao próximo dia 15 de Setembro.
Hernâni Matos













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