domingo, 24 de maio de 2026

Palavras do Presidente da Câmara Municipal de Estremoz



CRÉDITOS FOTOGRÁFICOS: Luís Mendeiros (CME) 


A abrir o catálogo da minha exposição ARTES DO VAGAR

PALAVRAS DO PRESIDENTE

DA CÂMARA MUNICIPAL DE ESTREMOZ

 

No âmbito da celebração dos 100 anos de elevação de Estremoz a cidade, procuramos proporcionar aos estremocenses uma oferta cultural diversificada, mas que seja também educativa. O objetivo passa fundamentalmente por dar a conhecer o que foram estes 100 anos na cidade, nas mais diversas vertentes.

Assim, lançámos o desafio ao maior e mais consciente colecionador de Estremoz atualmente, Hernâni Matos, para que nos fizesse a retrospetiva possível, tendo como pano de fundo a sua coleção, destes últimos 100 anos de artesanato na cidade.

O sucesso desta iniciativa é evidente. Para além de conhecermos as melhores peças da coleção de Hernâni Matos, as novas gerações terão acesso ao trabalho de um conjunto de artesãos já falecidos, que de outra forma não fruiriam.

Fazer memória destes homens e mulheres, é um ato de justiça, pois foram estes que nos legaram um Saber-Fazer que herdaram de seus Mestres e, quando tal lhes foi possibilitado, transmitiram a quem quis aprender.

Infelizmente algumas artes perderam-se durante estes últimos 100 anos. Ficaram contudo os testemunhos materiais das mesmas, os quais Hernâni Matos, a quem agradeço a forma entusiástica como recebeu e aceitou o nosso convite, coleciona com devoção e critério científico.

São estes testemunhos materiais que vos apresentamos nesta mostra. Verdadeiras “cápsulas do tempo”, de um passado que não volta, mas que sentimos presente na nossa vida enquanto memória coletiva.


José Daniel Pena Sadio
Presidente da Câmara Municipal de Estremoz


Hernâni Matos
Publicado em 22 de Maio de 2026    

sexta-feira, 22 de maio de 2026

ARTES DO VAGAR: O saber-fazer de há 44 anos atrás

 


CRÉDITOS FOTOGRÁFICOS: Luís Mendeiros (CME) 

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Como tudo começou

Entre 15 e 17 de Julho de 1983 teve lugar em Estremoz, no Rossio Marquês de Pombal, frente aos cafés, a I Feira de Arte Popular e Artesanato do Concelho de Estremoz.

Tratou-se de uma Feira que decorreu sob os auspícios da Câmara Municipal de Estremoz, a qual também integrava a Comissão Organizadora da Feira, liderada pelo Professor Joaquim Vermelho, Director da Biblioteca e Museu Municipal e animador do Núcleo de Dinamização Cultural, integrado entre outros pelos professores Francisco Rodrigues, Vítor Trindade, Maria Luzia Margalho e Manuel Ferreira Patrício.

O Núcleo de Dinamização Cultural de Estremoz vinha efectuando no concelho, há já algum tempo, um levantamento etnográfico nas diferentes freguesias, com especial incidência nas freguesias da Glória e de Santa Vitória do Ameixial, focado sobretudo nas tradições orais e nos ofícios e artes tradicionais.

A realização da I Feira de Arte Popular e Artesanato do Concelho de Estremoz correspondeu na época à revelação dos aspectos mais belos, verdadeiros, identitários e valiosos da nossa cultura popular concelhia.

No catálogo da Feira, logo a abrir, diz o então Presidente da Câmara, José Emílio Guerreiro. “Esta I Feira de Arte Popular e Artesanato do Concelho de Estremoz é o resultado do trabalho colectivo de um grupo de pessoas que ainda acreditam na importância da cultura popular, como forma de desenvolvimento de toda uma sociedade.”

Com a realização da I Feira de Arte Popular e Artesanato do Concelho de Estremoz, ocorre uma mudança de paradigma.

Artesãos e artes tradicionais mais ou menos esquecidas ou ignoradas por muitos, “vêem a luz da ribalta” e adquirem como que uma “carta de cidadania”, perdoem-me a linguagem metafórica.

 A I Feira de Arte Popular e Artesanato do Concelho de Estremoz propagar-se-ia no tempo e no espaço, com novas localizações e novos figurinos, de que não cabe falar hoje aqui. Todavia é legítimo concluir que em termos de cultura popular estremocense, o ano de 1983 foi um ano admirável, excelente, formidável, maravilhoso, o que me levou a adjectivá-lo com a locução latina habitual nestes casos: "annus mirabilis".

Assisti em 1983 ao nascimento da I Feira de Arte Popular e Artesanato do Concelho de Estremoz. Já então era recolector de Bonecos de Estremoz, mas o fascínio que a Feira exerceu sobre mim, levou-me a estender os meus interesses a outros domínios.  E foi assim que descobri artesãos que corresponderam à minha sensibilidade, ao meu gosto pessoal e que me aqueceram a alma, levando-me a adquirir trabalhos seus ao longo dos anos, a partir do “annus mirabilis” de 1983, consensualmente considerado o “o alfa e o ómega” da divulgação do saber-fazer dos nossos artesãos.     


100 anos de elevação de Estremoz a cidade

A convite do Senhor Presidente da Câmara Municipal de Estremoz, José Daniel Pena Sadio e, na condição de “maior e mais consciente colecionador de Estremoz atualmente” (palavras suas), concebi uma exposição com base na minha colecção, visando dar uma retrospectiva possível dos últimos 100 anos de artesanato no concelho. Naturalmente que tive de fazer opções relativamente à tipologia de artesanato, o que me levou a excluir sem desprimor algum, o Figurado, a Olaria, a Cerâmica Vidrada e a Azulejaria de Estremoz. Cingi-me então à Arte Pastoril e à Arte Conventual (Papel Recortado, Pintura Judaica e Registos e Maquinetas), as quais decidi expor sob a epígrafe “ARTES DO VAGAR – Colecção Hernâni Matos”. 

Foi esta exposição que no passado sábado, dia 16 Maio, foi inaugurada na Sala de Exposições Temporárias do Museu Municipal de Estremoz Prof. Joaquim Vermelho. À “vernissage” compareceram cerca de 6 dezenas de convidados, cuja presença foi para mim gratificante. Presidiu ao evento, o Senhor Presidente da Câmara Municipal de Estremoz, José Daniel Pena Sadio, que usou da palavra a seguir à Directora do Museu, Isabel Água. Ainda que formalmente distintas, ambas as intervenções convergiram num ponto: reconhecimento da singularidade e qualidade do material exposto, a que aliaram a dedicação da minha actividade como recolector, afirmações que vindo de quem vêem, muito me congratulam e estimulam.

A exposição integra uma selecção de 123 trabalhos pertencentes ao meu acervo pessoal de artesanato de Estremoz, assim distribuídos pelos artesãos: - MANUEL ANTÓNIO CAPELINS (1924-1974) – Arte Pastoril (2 trabalhos); - TERESA SEROL GOMES (1952-1988) – Arte Pastoril (17 trabalhos); - MIGUEL SEROL GOMES (1957 -  )  Arte Pastoril (3 trabalhos); - JOAQUIM CARRIÇO ROLO (1935-2023) – Arte Pastoril (38 trabalhos); - JOSÉ CARRILHO TRONCHO (1910-2003) – Arte Pastoril (7 trabalhos); - ROBERTO CARREIRAS (1930-2017) – Arte Pastoril (4 trabalhos); - JOANA SIMÕES (1912 - 2011) E JOAQUINA SIMÕES (1914 - 2005) – Arte Conventual - Papel Recortado (12 trabalhos); - NATÁLIA SIMÕES (1924 - 2012) – Arte Conventual - Pintura Judaica – (12 trabalhos); - GUILHERMINA MALDONADO (1937-2019) – Arte Conventual – Registos e Maquinetas (28 trabalhos).     

Como nos diz no catálogo da exposição o Senhor Presidente da Câmara, “Fazer memória destes homens e mulheres, é um ato de justiça, pois foram estes que nos legaram um Saber-Fazer que herdaram de seus Mestres e, quando tal lhes foi possibilitado, transmitiram a quem quis aprender.” e acrescenta: “Infelizmente algumas artes perderam-se durante estes últimos 100 anos. Ficaram contudo os testemunhos materiais das mesmas, os quais Hernâni Matos, a quem agradeço a forma entusiástica como recebeu e aceitou o nosso convite, coleciona com devoção e critério científico.” A terminar diz: “São estes testemunhos materiais que vos apresentamos nesta mostra. Verdadeiras “cápsulas do tempo”, de um passado que não volta, mas que sentimos presente na nossa vida enquanto memória coletiva.”   

A exposição tem por objectivos: - Comemorar o Centenário da Elevação de Estremoz a Cidade; - Realçar as artes do vagar como reflexos identitários, pilares fundamentais na construção da memória colectiva; - Homenagear o saber-fazer de mestres artesãos locais do passado nos domínios da Arte Pastoril e da Arte Conventual; - Divulgar trabalhos de excelência de artesãos locais naqueles domínios.

Creio que a exposição atingirá completamente os objectivos visados e outra coisa não seria de esperar, quando se está em presença da “nata” do artesanato de Estremoz ou seja do “filé mignon” como dizem os franceses ou simplesmente do “bife de lombo”, como diz o senhor Jerónimo de Sousa.

Hernâni Matos
Publicado em 22 de Maio de 2026    
   




quinta-feira, 21 de maio de 2026

ARTES DO VAGAR: Ora agora falo eu!



CRÉDITOS FOTOGRÁFICOS: Luís Mendeiros (CME) 

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Palavras proferidas no acto inaugural da exposição
ARTES DO VAGAR / COLECÇÃO HERNÂNI MATOS
que no dia 16 de Maio de 2026 teve lugar na
Sala de Exposições Temporárias do
Museu Municipal de Estremoz Professor Joaquim Vermelho


Exº Senhor Presidente da Câmara Municipal de Estremoz e demais entidades presentes,
Minhas senhoras e meus Senhores:

Permitam-me que vos dê as boas vindas e agradeça a vossa presença nesta exposição, facto que muito me congratula.

Porque um homem sozinho não é ninguém e porque a ingratidão não é um timbre do meu traço de carácter, impõem-se aqui múltiplos agradecimentos:

- Em 1º lugar ao Senhor Presidente José Daniel Sadio, que me desafiou a realizar a presente exposição no âmbito da celebração dos 100 anos de elevação de Estremoz a cidade, desafio que aceitei sem hesitações e com um misto de prazer e espírito de missão. Em 1º lugar e ainda ao Senhor Presidente José Daniel Sadio que com as suas palavras de abertura no catálogo da exposição, muito me honra e dignifica o catálogo.

- Em 2º lugar à Professora Francisca de Matos, minha amiga de longa data, companheira de estradas culturais e grande senhora das palavras, pelo traçado do meu perfil biográfico como recolector, o qual igualmente muito me honra e dignifica o catálogo da presente exposição.

- Em 3º lugar à Directora do Museu Municipal de Estremoz, Isabel Água, que me deu todo o apoio possível e foi incansável na coordenação dos múltiplos aspectos e na “colagem das pontas soltas” que o edificar duma exposição deste quilate impõe, visando o seu sucesso.

- Em 4º lugar à Equipa Técnica do Museu Municipal de Estremoz, que com profissionalismo e dedicação, deu um vigoroso contributo para estarmos a inaugurar hoje e aqui, esta exposição.

- Em 5º lugar aos membros do Gabinete de Comunicação do Município que deram um inestimável contributo para o catálogo editado, o qual perdurará para a posteridade como visual e memória futura da exposição. São eles: Luís Dias (fotografia), Rui Louro (Grafismo) e Jorge Mourinha (Impressão e acabamento).

Terminado que é este período de cumprimentos e de agradecimentos, estarão decerto, algumas de Vªs Exªs a perguntar:

- ARTES DO VAGAR, PORQUÊ? Eu passo a explicar.

O vagar é uma marca de água da identidade cultural alentejana, já que os alentejanos são ancestralmente avessos a pressas e nutrem um desprezo olímpico pelo frenesim contemporâneo. Desde sempre adoptaram um modo de vida caracterizado por um ritmo de vida pausado, calmo e consciente. Trata-se de uma forma de estar que valoriza o tempo, a reflexão, a partilha e a ligação ao meio circundante.

Daí que a ARTE PASTORIL e A ARTE CONVENTUAL, as quais são objecto da presente exposição, sejam merecedoras de receber conjuntamente o epíteto de ARTES DO VAGAR.

Deixem-me falar agora da exposição em si

Sou conhecido e reconhecido como recolector e investigador da Cultura Popular Alentejana, muito em especial de Bonecos e Olaria de Estremoz, Arte Pastoril, Arte Conventual e Cerâmica Vidrada de Redondo.

A minha amiga Francisca de Matos que me conhece há muito, diz que não tem dúvidas de que eu nasci para ser RECOLECTOR e o meu amigo António Júlio Rebelo condecorou-me há 2 anos atrás com o epíteto de GUARDADOR DE MEMÓRIAS.

Pois bem, o que está presente nesta exposição é uma selecção de 123 trabalhos pertencentes ao acervo pessoal de artesanato de Estremoz, pertencente ao recolector e guardador de memórias que sou eu.

Os trabalhos expostos distribuem-se por duas grandes áreas: - ARTE PASTORIL (Trabalhos em madeira, cabaça e em chifre, de Manuel António Capelins, Teresa Serol Gomes, Miguel Serol Gomes, Joaquim Carriço Rolo, José Carrilho Troncho, Roberto Carreiras; - ARTE CONVENTUAL [Papel recortado (Joana Simões e Joaquina Simões), Pintura judaica (Natália Simões) e Registos e maquinetas (Guilhermina Maldonado)]

Trata-se de artesãos naturais do concelho de Estremoz ou que aqui se fixaram e que aqui produziram, os quais na sua esmagadora maioria participaram em várias edições da saudosa Feira de Arte Popular e Artesanato do Concelho de Estremoz, iniciada em 1983 no Rossio Marquês de Pombal.

Tratou-se de uma Feira que decorreu sob os auspícios da Câmara Municipal de Estremoz, a qual também integrava a Comissão Organizadora da Feira, liderada pelo Professor Joaquim Vermelho, Director da Biblioteca e Museu Municipal e animador do Núcleo de Dinamização Cultural, integrado entre outros pelos professores Francisco Rodrigues, Vítor Trindade, Maria Luzia Margalho e Manuel Ferreira Patrício. O Núcleo de Dinamização Cultural de Estremoz vinha efectuando no concelho, há já algum tempo, um levantamento etnográfico nas diferentes freguesias, com especial incidência nas freguesias da Glória e de Santa Vitória do Ameixial, focado sobretudo nas tradições orais e nos ofícios e artes tradicionais.

A realização da I Feira de Arte Popular e Artesanato do Concelho de Estremoz corresponde à revelação dos aspectos mais belos, verdadeiros, identitários e valiosos da nossa cultura popular concelhia.

No catálogo da Feira, logo a abrir, diz o então Presidente da Câmara, José Emílio Guerreiro. “Esta I Feira de Arte Popular e Artesanato do Concelho de Estremoz é o resultado do trabalho colectivo de um grupo de pessoas que ainda acreditam na importância da cultura popular, como forma de desenvolvimento de toda uma sociedade.”

Com a realização da I Feira de Arte Popular e Artesanato do Concelho de Estremoz, ocorre uma mudança de paradigma.

Artesãos e artes tradicionais mais ou menos esquecidas ou ignoradas por muitos, “vêem a luz da ribalta” e adquirem como que uma “carta de cidadania”, perdoem-me a linguagem metafórica.

 A I Feira de Arte Popular e Artesanato do Concelho de Estremoz propagar-se-ia no tempo e no espaço, com novas localizações e novos figurinos, de que não cabe falar hoje aqui. Todavia é legítimo concluir que em termos de cultura popular estremocense, o ano de 1983 foi um ano admirável, excelente, formidável, maravilhoso, o que me levou a adjectivá-lo com a locução latina habitual nestes casos: "annus mirabilis".

Assisti em 1983 ao nascimento da I Feira de Arte Popular e Artesanato do Concelho de Estremoz. Já então era recolector de Bonecos de Estremoz, mas o fascínio que a Feira exerceu sobre mim, levou-me a estender os meus interesses a outros domínios.  E foi assim que descobri artesãos que corresponderam à minha sensibilidade, ao meu gosto pessoal e que me aqueceram a alma, levando-me a adquirir trabalhos seus ao longo dos anos. Para além disso, tive o privilégio de conhecer e interactuar com os artesãos cujos trabalhos integram a presente exposição e pelos quais nutri e nutro uma incomensurável estima e admiração pelo seu saber-fazer. Daí não ser de estranhar que me tenha sentido motivado a reunir um conjunto de trabalhos desses artesãos a partir do “annus mirabilis” de 1983, o qual indubitavelmente constituiu “o alfa e o ómega” da divulgação do saber-fazer dos nossos artesãos.

Os trabalhos expostos são registos de memória providos das marcas identitárias dos seus criadores. Para além disso são também memórias guardadas por mim como respigador que agora as partilho com a comunidade e o público em geral.

Esta exposição tem por objectivos: - Comemorar o Centenário da Elevação de Estremoz a Cidade; - Realçar as artes do vagar como reflexos identitários, pilares fundamentais na construção da memória colectiva; - Homenagear o saber-fazer de mestres artesãos locais do passado nos domínios da Arte Pastoril e da Arte Conventual; - Divulgar trabalhos de excelência de artesãos locais naqueles domínios.

Creio que esta exposição atingirá completamente os objectivos visados e outra coisa não seria de esperar, quando se está em presença da “nata” do artesanato de Estremoz ou seja do “filé mignon” como dizem os franceses ou simplesmente do “bife de lombo”, como diz o senhor Jerónimo de Sousa.

E disse.

Estou agora à vossa disposição para vos conduzir numa visita guiada à exposição.

(E esta aconteceu).

Hernâni Matos



quarta-feira, 20 de maio de 2026

ARTES DO VAGAR / COLECÇÃO HERNÂNI MATOS

 

CRÉDITOS FOTOGRÁFICOS: Luís Mendeiros (CME) 


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Integrada no Programa das Comemorações do Centenário da Elevação de Estremoz a Cidade, foi inaugurada no passado sábado, dia 16 Maio. na Sala de Exposições Temporárias do Museu Municipal de Estremoz Prof. Joaquim Vermelho, a exposição de artesanato estremocense “ARTES DO VAGAR / COLECÇÃO HERNÂNI MATOS”.

À “vernissage” compareceram cerca de 6 dezenas de convidados, cuja presença foi para mim gratificante. Presidiu ao evento, o Senhor Presidente da Câmara Municipal de Estremoz, José Daniel Pena Sadio, a quem agradeço as palavras amigas, bem como à Directora do Museu Municipal de Estremoz, Isabel Água, a qual no mesmo sentido o antecedeu no uso da palavra. Ainda que formalmente distintas, ambas as intervenções convergiram num ponto: reconhecimento da singularidade e qualidade do material exposto, a que aliaram a dedicação da minha actividade como recolector, afirmações que vindo de quem vêem, muito me congratulam e estimulam.

Seguidamente, coube-me a mim agradecer as facilidades concedidas pelo Município na realização da exposição, bem como o contributo de todos aqueles que a tornaram realidade, assim como viabilizaram de algum modo a publicação do catálogo da mesma, o qual perdurará para a posteridade como visual e memória futura do evento.

Falei seguidamente da exposição, a qual integra uma selecção de 123 trabalhos pertencentes ao meu acervo pessoal de artesanato de Estremoz, assim distribuídos pelos artesãos: - MANUEL ANTÓNIO CAPELINS (1924-1974) – Arte Pastoril (2 trabalhos); - TERESA SEROL GOMES (1952-1988) – Arte Pastoril (17 trabalhos); - MIGUEL SEROL GOMES (1957 -  )  Arte Pastoril (3 trabalhos); - JOAQUIM CARRIÇO ROLO (1935-2023) – Arte Pastoril (38 trabalhos); - JOSÉ CARRILHO TRONCHO (1910-2003) – Arte Pastoril (7 trabalhos); - ROBERTO CARREIRAS (1930-2017) – Arte Pastoril (4 trabalhos); - JOANA SIMÕES (1912 - 2011) E JOAQUINA SIMÕES (1914 - 2005) – Arte Conventual - Papel Recortado (12 trabalhos); - NATÁLIA SIMÕES (1924 - 2012) – Arte Conventual - Pintura Judaica – (12 trabalhos); - GUILHERMINA MALDONADO (1937-2019) – Arte Conventual – Registos e Maquinetas (28 trabalhos).     

A terminar, conduzi uma visita guiada à exposição, no decurso da qual fiz referência ao modo de produção de cada artesão, bem como a certos aspectos do respectivo perfil biográfico.

Como foi oportunamente divulgado, a exposição tem por objectivos: - Comemorar o Centenário da Elevação de Estremoz a Cidade; - Realçar as artes do vagar como reflexos identitários, pilares fundamentais na construção da memória colectiva; - Homenagear o saber-fazer de mestres artesãos locais do passado nos domínios da Arte Pastoril e da Arte Conventual; - Divulgar trabalhos de excelência de artesãos locais naqueles domínios.

Creio que a exposição atingirá completamente os objectivos visados e outra coisa não seria de esperar, quando se está em presença da “nata” do artesanato de Estremoz.

A mostra estará patente ao público até ao próximo dia 15 de Setembro.

Hernâni Matos 

Publicado a 20 de Maio de 2026





































sábado, 9 de maio de 2026

Exposição A MÚSICA NO FIGURADO DE ESTREMOZ - Colecção Hernâni Matos

 


No próximo dia 16 de Maio (sábado), pelas 17 horas, terá lugar na Galeria Municipal D. Dinis, a inauguração da exposição A MÚSICA NO FIGURADO DE ESTREMOZ / COLECÇÃO HERNÂNI MATOS. O evento integra-se no Programa das Comemorações do Centenário da Elevação de Estremoz a Cidade.
Na mostra estará patente ao público um total de 276 exemplares seleccionados do acervo pessoal de diferentes tipologias de Bonecos de Estremoz do Professor Hernâni Matos.

A exposição
A exposição tem por objectivos: - Comemorar o Centenário da Elevação de Estremoz a Cidade; - Divulgar os Bonecos de Estremoz como Património Cultural Imaterial da Humanidade; - Realçar os Bonecos de Estremoz como registos materiais da identidade cultural local; - Homenagear o saber-fazer dos barristas locais.
Os Bonecos de Estremoz expostos são da autoria de 18 barristas: Ana Bossa, Ana Catarina Grilo, Ana das Peles, Carlos Alberto Alves, Duarte Catela, Fátima Estróia, Inocência Lopes, Irmãs Flores, João Sousa, Jorge Carrapiço, Jorge da Conceição, José Moreira, Manuel Broa, Maria Luísa da Conceição, Mário Lagartinho, Quirina Marmelo, Ricardo Fonseca e Sabina da Conceição Santos.
Os Bonecos expostos distribuem-se de acordo com o seguinte plano: - Imagens Devocionais; - Alegorias; - Bandas e Outros Conjuntos; - Solistas; - Assobios.

O expositor
O expositor Hernâni Matos nasceu em Estremoz há 80 anos atrás e é um conhecido recolector e investigador da Cultura Popular Alentejana, muito em especial de Bonecos e Olaria de Estremoz, Arte Pastoril, Arte Conventual e Cerâmica Vidrada de Redondo.
Coleccionador de Bonecos de Estremoz há mais de 50 anos, tornou-se investigador da Barrística Popular Estremocense, tendo desde os primórdios deste século, dado um forte contributo para o aprofundamento e consolidação da sua História.
Teve um papel entusiasta na promoção do Figurado em Barro de Estremoz, especialmente no contexto da sua elevação a Património Cultural Imaterial da Humanidade pela UNESCO em 2017. Nesse sentido, entre 2014 e 2017, durante 70 números, manteve no jornal regionalista Brados do Alentejo, uma secção dedicada aos Bonecos de Estremoz.
Após a proclamação dos Bonecos de Estremoz como Património Cultural Imaterial da Humanidade, centrou a sua actividade como publicista, divulgador e investigador da barrística popular estremocense, no jornal E de Estremoz, onde desde a primeira hora é colaborador.
Desde Fevereiro de 2010 que mantém o blogue “DO TEMPO DA OUTRA SENHORA”, dedicado à Cultura Portuguesa e muito em especial aos Bonecos de Estremoz, relativamente aos quais já efectuou mais de 300 publicações no blogue desde 2014.
Como corolário natural de um dos seus múltiplos percursos de vida, o de coleccionador e investigador da Barrística Popular Estremocense, publicou o livro BONECOS DE ESTREMOZ, editado em 2018 pelas edições Afrontamento, por muitos considerado uma bíblia, no sentido metafórico do termo. A obra é um testemunho de amor aos Bonecos de Estremoz. Mas é igualmente e sobretudo um livro de respeito e admiração por todos os barristas do passado e do presente, sem excepção.
O certame ficará patente ao público até ao próximo dia 6 de Setembro.

sexta-feira, 8 de maio de 2026

Exposição ARTES DO VAGAR - Colecção Hernâni Matos

 


Integrada no Programa das Comemorações do Centenário da Elevação de Estremoz a Cidade, terá lugar pelas 16 horas do próximo dia 16 de Maio, na Sala de Exposições Temporárias do Museu Municipal de Estremoz Prof. Joaquim Vermelho, a inauguração da exposição de artesanato estremocense ARTES DO VAGAR / COLECÇÃO HERNÂNI MATOS.

Na mostra estará patente ao público uma selecção de 123 trabalhos pertencentes ao acervo pessoal de artesanato estremocense do Professor Hernâni Matos.

As obras expostas são da autoria de 10 artesãos: José Carrilho Troncho (1910-2003), Joana Simões (1912-2011), Joaquina Simões (1914-2005), Natália Simões (1924-2012), Manuel António Capelins (1924-1974), Roberto Carreiras (1930-2017), Joaquim Carriço Rolo (1935-2023), Guilhermina Maldonado (1937-2019), Teresa Serol Gomes (1952-1988) e Miguel Serol Gomes (1957 -   ).

Trata-se de artesãos naturais do concelho de Estremoz ou que aqui se fixaram e que aqui produziram, os quais na sua esmagadora maioria participaram em várias edições da saudosa Feira de Arte Popular e Artesanato do Concelho de Estremoz, iniciada em 1983 no Rossio Marquês de Pombal.

Os trabalhos expostos distribuem-se por duas grandes áreas: - ARTE PASTORIL (Trabalhos em madeira e em chifre); - ARTE CONVENTUAL (Papel recortado, Pintura judaica e Registos e maquinetas).

A exposição tem por objectivos: - Comemorar o Centenário da Elevação de Estremoz a Cidade; - Realçar as artes do vagar como reflexos identitários, pilares fundamentais na construção da memória colectiva; - Homenagear o saber-fazer de mestres artesãos locais do passado nos domínios da Arte Pastoril e da Arte Conventual; - Divulgar trabalhos de excelência de artesãos locais naqueles domínios.

Hernâni Matos nasceu em Estremoz há 80 anos atrás e é um conhecido recolector e investigador da Cultura Popular Alentejana, muito em especial de Bonecos e Olaria de Estremoz, Arte Pastoril, Arte Conventual e Cerâmica Vidrada de Redondo.

Hernâni Matos teve o privilégio de conhecer e interactuar com os artesãos cujos trabalhos integram a presente exposição e pelos quais nutriu e nutre uma incomensurável estima e admiração pelo seu saber-fazer. Daí não ser de estranhar que se tenha sentido motivado a reunir um conjunto de trabalhos desses artesãos a partir do “ano maravilhoso de 1983”, o qual indubitavelmente constituiu “o alfa e o ómega” da divulgação do saber-fazer dos nossos artesãos.

Os trabalhos expostos são registos de memória providos das marcas identitárias dos seus criadores. Para além disso são também memórias guardadas pelo respigador que agora as partilha com o público.

Da parte do coleccionador é claramente assumida a intenção de homenagear os artesãos que corresponderam à sua sensibilidade, ao seu gosto pessoal e que lhe aqueceram a alma, levando-o a adquirir trabalhos seus ao longo dos anos.

O certame ficará patente ao público até ao próximo dia 6 de Setembro.

Hernâni Matos