Do Tempo da Outra Senhora
A Escrita como Instrumento de Libertação do Homem
terça-feira, 21 de julho de 2026
Acerca de Senhoras de pezinhos
sábado, 18 de julho de 2026
Artes do Vagar e Mestres do Saber-fazer / 3 - MIGUEL SEROL GOMES
3 - MIGUEL
SEROL GOMES (1957- )
Filho
de Manuel António Capelins (1924-1974) e irmão de Teresa Serol Gomes
(1952-1988). Nasceu na aldeia de São Gregório (Rio de Moinhos), onde viveu até
aos sete anos. Em 1964 passou a residir no Monte Novo da Palma na Fonte do
Imperador, em Estremoz, para onde o seu pai se transferiu com a família e onde
fez a instrução primária. É nessa altura que começa a dar os primeiros passos
na arte pastoril, actividade que desenvolveu até 1986. Cessa então esta
actividade, a qual realizava cumulativamente com a modelação do barro com a sua
esposa, a barrista Célia Freitas. Fá-lo, pois as calosidades e os golpes
frequentes com facas de sapateiro, goivas e formões com que trabalhava, não
eram compatíveis com a modelação do barro.
Na
arte pastoril procurou dar continuidade ao legado artístico do seu pai,
utilizando as mesmas técnicas e tipos de decoração, porém com um cunho pessoal.
Os
materiais utilizados foram cabaças, chifre e madeira: plátano, nogueira e
choupo. Recorreu a utensílios como faca de sapateiro, lima, grosa, formões,
sovela, mini-serrote e lixa.
Executou
trabalhos como cabaças lavradas, cornas azeitoneiras, cornas azeiteiras,
polvorinhos, colheres, talheres, canudos de soprar o lume, caixas, esculturas
em madeira e quadros.
Participou
em feiras como: Mercado da Primavera (Lisboa), Feira de Artesanato do Estoril,
Feira Nacional da Agricultura (Santarém), Casino Estoril, Feira Nacional de
Artesanato de Vila do Conde e FIAPE (Estremoz), entre outras.

quinta-feira, 16 de julho de 2026
Provérbios de Julho
- Água de Julho no rio não faz barulho.
- Água de Julho, no rio não faz barulho.
- Água de Julho, no rio não faz barulho.
- Aí por Sant' Ana limpa a pragana.
- Aí por Santa Marinha vai ver tua vinha; qual a achares, tal a vindima.
- Aí por Santa Marinha vai ver tua vinha; tal a acharás, tal a vindimarás.
- Ao quinto dia verás que mês terás.
- Chuva de Julho que não faça barulho.
- Chuva de Julho, por Santa Marinha, vem com a cabacinha; por São Tiago traz o canado.
- Chuva de Julho, Sant'Ana vem com a cabacinha e Santiago traz o canado.
- Chuva de Julho: Santa Marinha vem com a cabacinha e S. Tiago com o canado.
- Chuva de Julho: Santa Marinha vem com a cabacinha e S. Tiago com o canado.
- Chuva de Santa Marinha vem com a cabacinha e pelo São Tiago traz o canado.
- Deus ajudando, vai em Julho mercando.
- Dezembro com Julho ao desafio traz Janeiro frio.
- Dia de São Tiago, pinta o bago.
- Dia de São Tiago, vai à vinha e acharás bago.
- Dia de São Tiago, vai à vinha e prova o bago.
- Em dia de São Tiago, vai à vinha e acharás baço.
- Em dia de São Tiago, vai à vinha e acharás bago.
- Em Julho abafadiço, fica a abelha no cortiço.
- Em Julho ceifo o trigo e debulho e, em o vento soprando, o vou limpando.
- Em Julho eu o ceifo e o debulho.
- Em Julho eu o ceifo e o debulho.
- Em Julho faz vasculho.
- Em Julho já há pouco gorgulho.
- Em Julho nunca a água do rio fez barulho.
- Em Julho tudo farás, só o teu verde não ceifarás.
- Em Julho tudo farás, só o teu verde não ceifarás.
- Em Julho, ao quinto dia verás que mês terás.
- Em Julho, ceifa o trigo e faz o debulho. E, em o vento soprando, vai-o limpando.
- Em Julho, ceifo o trigo e o debulho, e em o vento soprando o vou limpando.
- Em Julho, esperam-se à água.
- Em Julho, eu o ceifo e o debulho.
- Em Julho, foice na mão.
- Em Julho, prepara o vasculho.
- Em Julho, reina o gorgulho.
- Em Julho, tudo farás, só o teu verde não ceifarás.
- Em Junho, Julho e Agosto, senhora não sou vosso.
- Frio em Julho, abrasa em São Tiago.
- Janeiro gear, Fevereiro chover. Março encanar, Abril espigar, Maio engrandecer, Junho ceifar, Julho debulhar. Agosto engravelar, Setembro vindimar. Outubro revolver. Novembro semear. Dezembro nascer.
Janeiro gear. Fevereiro chover. Março encanar, Abril espigar, Maio engrandecer. Junho ceifar, Julho debulhar, Agosto engravelar. Setembro vindimar, Outubro revolver. Novembro semear, Dezembro nasceu Deus para nos salvar.
- Julho abafadiço, fica a abelha no cortiço.
- Julho abafadiço: abelhas no cortiço.
- Julho calmoso faz o ano formoso.
- Julho claro como olho de gado.
- Julho debulhar; Agosto engravelar.
- Julho é o mês das colheitas, Agosto é o mês das festas.
- Julho é o mês das colheitas, Agosto o mês das festas.
- Julho fresco, Invemo chuvoso, estio perigoso.
- Julho fresco, pouco vinho no teu copo.
- Julho passado sempre foi melhor.
- Julho pela manhã, recorre à lua figueira.
- Julho quente traz o Diabo no ventre.
- Julho quente, seco e ventoso, trabalha sem repouso.
- Julho sem pulgas no cão, vento norte e muito frio é sinal de pouco pão.
- Julho, ceifa-se o trigo e a debulha.
- Julho, debulhar.
- Julho, debulhar; Agosto, engravelar.
- Julho, o verde e o maduro.
- Junho, como punho; Julho, já fazem barulho; Agosto, mudam o rosto.
- Junho, Julho e Agosto, senhora não sou vosso.
- Junho, Julho, Agosto, senhora, não sou vosso.
- Luar de Janeiro, sol de Julho.
- Maio engrandecer, Junho ceifar, Julho debulhar.
- Não há maior amigo do que Julho com seu trigo.
- Nevoeiro de S. Pedro, põe em Julho o vinho a medo.
- Não há maior amigo que Julho com seu trigo.
- Não há maior amigo que o Julho com seu trigo.
- Não há maior inimigo que Julho com seu trigo.
- Não há melhor amigo que Julho com o seu trigo.
- Nevoeiro de S. Pedro, põe em Julho o vinho a medo.
- Nevoeiro de São Pedro põe em Julho o vinho a medo.
- No dia de São Tiago, a velha vai ao bago.
- No São Tiago pinta o bago.
- O mês de Julho dá o pão e o gorgulho.
- Outubro, revolver; Novembro, semear; Dezembro, nasceu um Deus para nos salvar; Janeiro, gear; Fevereiro, chover; Março, encanar; Abril, espigar; Maio, engrandecer; Junho, ceifar; Julho, debulhar; Agosto, engravelar; Setembro, vindimar.
- Passado Julho, o celeiro atulho.
- Pela Madalena recorre à tua figueira.
- Pelo S. Tiago pinta o bago e cada pinga vale um cruzado.
- Pelo São Tiago cada pingo vale um cruzado.
- Pelo São Tiago pinta o bago e cada pinga vale um cruzado.
- Pelo São Tiago pinta o bago.
- Pelo São Tiago vai à vinha e apanha o bago.
- Pelo São Tiago vai à vinha e prova o bago.
- Pelo São Tiago, na vinha acharás bago; se não for maduro, será inchado.
- Por muito que Julho queira ser, pouco há-de chover.
- Por muito que queira Julho ser, pouco há-de chover.
- Por Sant’Ana limpa a pragana.
- Por Santa Maria vai ver a tua vinha e qual a achares tal a vindima.
- Por Santa Maria vai ver a tua vinha.
- Por Santa Marinha visita a tua vinha; tal a acharás, tal vindima farás.
- Por São Tiago na vinha pinta o bago.
- Por São Tiago, vai à vinha e acharás bago.
- Por todo o mês de Julho, o celeiro atulho.
- Quando Julho está a começar, as cegonhas começam a voar.
- Quem em Julho ara e fia, ouro cria.
- Quem trabalha em Julho, para si trabalha.
- Se Julho for abafadiço, fica a abelha no cortiço.
quinta-feira, 9 de julho de 2026
A “Alegoria da Música” no figurado de Estremoz
UM TEXTO DO BARRISTA JORGE DA CONCEIÇÃO
A ideia de produzir uma figura alegórica
relativa à música partiu do colecionador Prof. Hernâni Matos, amigo e cliente
de há longa data, a propósito de uma exposição que estava a planear fazer,
alusiva à representação do tema Música no figurado de Estremoz.
São sobejamente conhecidas as figuras do mundo rural e urbano a tocar harmónio, a banda de música que acompanha a procissão do Sr. dos Passos (muitas vezes vendida em separado das restantes figuras da procissão), bem como as variadíssimas figuras de assobio. Em todas estas tipologias a coleção de figurado de Estremoz do Prof. Hernâni Matos é rica e variada. Faltava, no entanto, uma figura alegórica alusiva à Música. Com efeito, no conjunto das figuras alegóricas, em que as mais conhecidas são as Primaveras, as Bailadeiras e o Amor é Cego, não existia uma representação alegórica da música, pois a mesma nunca terá sido feita pelos barristas em todos estes séculos de produção de Bonecos de Estremoz.
Jorge da Conceição
Estremoz, Maio de 2026
Hernâni Matos
terça-feira, 7 de julho de 2026
Palavras do Presidente da Câmara Municipal de Estremoz
A abrir o catálogo da minha exposição A MÚSICA NO FIGURADO DE ESTREMOZ
PALAVRAS DO PRESIDENTE
Os Bonecos de Estremoz são
absolutamente transversais em termos da política cultural do Município de
Estremoz. Com eles dinamizamos a cidade, os museus e inclusivamente, a
hotelaria e o comércio.
Para valorizar os barristas e
a sua produção, convidamos anualmente vários deles a trabalharem connosco nas ações
educativas. Estamos ainda unidos à Confraria do Boneco de Estremoz para levar o
figurado às principais feiras nacionais. Concretizámos recentemente uma rota
cultural sob esta temática e com muito gosto, procuramos unir esforços com colecionadores
de referência, para com estes darmos a conhecer peças
únicas deste património cultural imaterial.
Ora foi exactamente com este
propósito, que surgiu o trabalho com Hernâni Matos, o maior e mais
representativo colecionador de Figurado de Estremoz. Este tem um labor
incomparável no domínio do colecionismo, ao qual une a investigação e um
conhecimento privilegiado dos artesãos do séc. XX e XXI. A exposição que nos
apresenta, demonstra isto mesmo. Temos assim a honra de conhecer e dar a
conhecer, uma pequena parte da maravilhosa coleção deste estremocense, se bem
que apenas sob a temática da música. Juntamos a esta, a memória das dezenas de mostras
que Hernâni Matos já realizou nos espaços da autarquia e assim apercebemo-nos
da maravilha deste trabalho, paciente e apaixonado.
Caro Hernâni Matos, teremos
sempre espaço para mostrar os seus e nossos, Bonecos de Estremoz. Bem-haja pela
partilha e deixo aqui um reconhecimento público pela sua ação na valorização
deste património, que deixou de ser apenas de Estremoz e hoje é da Humanidade.
domingo, 5 de julho de 2026
Artes do Vagar e Mestres do Saber-fazer / 2 - TERESA SEROL GOMES
2 - TERESA
SEROL GOMES (1952-1988)
Filha
de Manuel António Capelins (1924-1974) e irmã de Miguel Serol Gomes (1957- ),
nasceu na aldeia de São Gregório (Rio de Moinhos) e fez a instrução primária na
escola da freguesia. Em 1964 passou a residir no Monte Novo da Palma na Fonte
do Imperador, em Estremoz, para onde o seu pai se transferira com a família. É
nessa altura que começa a trabalhar com o pai. Por falecimento deste em 1974,
dá continuidade ao seu legado artístico, utilizando as mesmas técnicas e tipo
de decoração, porém com um cunho muito pessoal.
Os
materiais utilizados foram cabaças e madeira: plátano, nogueira e choupo. Não
trabalhou em chifre.
Recorreu
a utensílios como faca de sapateiro, lima, grosa, formões, sovela, mini-serrote
e lixa.
Executou
trabalhos como cabaças lavradas, candeeiros de cabaça, colheres, talheres,
canudos de soprar o lume, bases de copos e quadros.
Participou em feiras como: Mercado da Primavera, Feira de Artesanato do Estoril, Feira Nacional da Agricultura (Santarém) e Feira de Arte Popular e Artesanato do Concelho de Estremoz
sábado, 4 de julho de 2026
A MÚSICA NO FIGURADO DE ESTREMOZ / 5 - ASSOBIOS
5 -
ASSOBIOS
Os
assobios são Bonecos de Estremoz com morfologia e funcionalidade muito
próprias, que os tornou simultaneamente instrumentos musicais e brinquedos.
Sob
um ponto de vista morfológico são habitualmente classificados em zoomórficos,
antropomórficos e compostos.
A presente colecção é constituída por um total de 189 assobios dos seguintes barristas: Ana das Peles (5), Sabina Santos (14), José Moreira (7), Maria Luísa da Conceição (13), Maria Inácia (3), Irmãs Flores (57), Jorge da Conceição (14), Ricardo Fonseca (1), João Sousa (1), Carlos Alberto Alves (9), Ana Catarina Grilo (21), Inocência Lopes (4), Manuel J. Broa (3), Inês da Conceição (5), Jorge Carrapiço (32).
Anteriormente às Irmãs Flores, os assobios zoomórficos e antropomórficos tinham uma base cilíndrica de altura diminuta ou em forma de menisco convexo, nos quais estava inserido o bocal de sopro. Desde sempre que este bocal era manufacturado, montando e furando um rolo de barro, tal como era feito para os assobios compostos. Todavia, Maria Inácia Fonseca, uma das Irmãs Flores, introduziu uma técnica diferente: o menisco convexo passa a ser mais alto e dele, por estiramento numa determinada direcção, resulta o indispensável tubo, que é furado da maneira anterior. O bocal de sopro passa então a ser mais curto e a proeminência correspondente, mais suave e mais discreta. Há aqui uma mudança de paradigma que importa sublinhar e registar. Para além disso, as Irmãs Flores reavivaram o coleccionismo de assobios, já que ao contrário dos barristas que as precederam, foram criando inúmeras variantes dum mesmo tipo de assobio, por introdução de diferentes pormenores na modelação e na decoração, a que imprimiram um cromatismo muito vivo, visualmente apelativo.
Os assobios de Jorge da Conceição são caracterizados por uma modelação e uma decoração muito minuciosas, fortemente naturalistas, que os transformam em peças extremamente apelativas. Deste modo, transcendem o âmbito restrito daquilo que podiam ser apenas brinquedos e instrumentos musicais, passando a ser também objectos decorativos, o que está em consonância com a alma do barrista. Jorge da Conceição demanda a beleza, a elegância, o equilíbrio e a harmonia em tudo o que faz. Para além dos modelos tradicionais de assobio, os quais recriou, Jorge da Conceição criou novas figuras de assobio: Cesta de Flores, Galinha e Pintos, Galo no Roseiral, Galo na Azinheira, Galo na Vinha e Galo no Jardim.
Inês da Conceição produziu assobios de base ovóide semelhante à dos assobios de seu pai, com uma expressão mais simplificada, as pintas da base mais miudinhas e um tubo de sopro de cor verde bandeira, igualmente adoçado na embocadura. Dois desses assobios são assobios devocionais (Sagrada Família e Santo António) e três são assobios zoomórficos (galo, gato e cão) com a particularidade de não estarem assentes numa base ovóide, mas sim num “mocho” tradicional alentejano, cujos pés é que assentam nessa base.
Os
assobios de Ana Catarina Grilo chamam a atenção pela
simplicidade, pelo cromatismo suave e harmonioso, pelo tamanho adequado do tubo
de sopro e o não adoçamento da extremidade. Quanto às dimensões são aquelas que
era suposto serem as de um brinquedo de criança. Para além dos tradicionais
assobios que integram o núcleo central do figurado de Estremoz, a barrista
apresenta novas criações como “Palhaço” e 7 exemplares de assobios devocionais (Nossa Senhora,
Nossa Senhora a orar, Berço do Menino Jesus, Menino Jesus Bom Pastor, Milagre
das Rosas, Santo António e São João Baptista).
Tradicionalmente, os assobios de barro vermelho de Estremoz integravam na sua decoração uma figura zoomórfica, antropomórfica ou mista. Porém, Inocência Lopes criou muito recentemente quatros assobios: Pucarinho enfeitado, Candelabro enfeitado, Terrina enfeitada e Arco enfeitado, passando os assobios a incorporar também espécimes de olaria enfeitada como elementos decorativos. Trata-se de uma inovação visualmente harmoniosa, que eu aplaudi e subscrevi, assim que se tornou conhecida.
Os assobios de Jorge Carrapiço inspiraram-se maioritariamente nos assobios de sua bisavó Ana das Peles e de outros mais antigos, pertencentes à colecção do Museu Nacional de Etnologia. Têm um cunho muito popular com modelação e decoração muito simplificadas. Bases com fundo branco, pintalgadas com pintas verdes bandeira e vermelhas, de forma irregular e espaçadas. Extremidade do tubo de sopro não pintada, permanecendo na cor do barro. As figuras estão sempre viradas para o lado oposto do tubo de sopro, de modo que a sua parte frontal esteja virada para os ouvintes e a parte traseira para o apitador.










































