sexta-feira, 27 de março de 2026

A Dama dos Girassóis de Vera Magalhães


Dama dos Girassóis. Vera Magalhães (1966-  ).

Em jeito de apresentação
Vera Magalhães (1966-   ) é uma barrista que frequentou o Curso de Formação sobre Técnicas de Produção de Bonecos de Estremoz, que no ano transacto teve lugar em Estremoz, no Palácio dos Marqueses de Praia e Monforte.

O seu a seu dono
A Dama das Camélias”, é um romance do escritor francês Alexandre Dumas Filho, publicado pela primeira vez em 1848. “A Dama dos Girassois” é um Boneco de Estremoz criado pela barrista Vera Magalhães em 2020.

A Dama de Vera Magalhães
A Dama traja um distinto vestido comprido, a demarcar os contornos de um corpo a que corresponde uma silhueta graciosa.
O vestido revela confecção em tecido estampado com padrão de girassóis em campo verde seco. É fechado em cima por uma gola branca e larga, fechada por um botão amarelo no centro e orlado de castanho, cor que também é a dos punhos do vestido e da banda ajustada à cintura e atada atrás, em jeito de laço com duas airosas pontas pendentes.
A cabeça encontra-se adornada por um elegante chapéu castanho, que pompeia à frente três plumas de cor verde seco matizada de castanho, os quais sublinham o garbo do chapéu. O cabelo é castanho puxado para trás e enrolado em forma de carrapito. De cada lado do rosto, aquilo que aparenta serem pendentes de ouro, reforçam a requinte e a distinção ligadas à figura.
Os sapatos negros, de bico, rematam na base, a distinção do modelo.

O simbolismo das cores
- Verde, cor fria que é a cor da natureza viva, sobretudo a cor da Primavera que é a estação da fertilidade. Está associada à frescura, ao crescimento, à juventude, à renovação, à plenitude, à alegria, à esperança, à liberdade, à saúde, à vitalidade, à estabilidade, à tranquilidade, ao equilíbrio, à harmonia, à ponderação, à coerência e à riqueza. É uma cor litúrgica usada nos Ofícios e Missas do Tempo Comum, pois ao simbolizar a cor das plantas e árvores, prenuncia a esperança da vida eterna.
- Amarelo, cor quente que está associada ao Sol, à luz, à claridade, ao brilho, ao calor, ao Verão, à temperatura morna. É uma cor que desperta, transmite energia, traz leveza, descontracção, vitalidade, optimismo, felicidade, alegria, juventude, recreação e prosperidade. É uma cor inspiradora e que desperta a criatividade, estimulando as actividades mentais e o raciocínio.
- Castanho, que por ser uma cor neutra sugere estabilidade, calma, conforto, maturidade e responsabilidade. Além disso é a cor da terra e da madeira e por isso está associada à natureza, aos produtos naturais, ao estilo de vida saudável, à simplicidade, à conservação, à qualidade e à seriedade. Finalmente e por ser a cor da terra, está associada à fertilidade e à feminilidade.
Branco, que é uma cor neutra e pura associada à infância, à pureza, à inocência, ao bem, à espiritualidade, à harmonia, à simplicidade, à tranquilidade, à calma, à paz, à juventude, à virtude, à virgindade, à limpeza, à frescura, à luminosidade, à dignidade, à elegância. É uma cor que harmoniza com todas as outras.

O girassol e o seu simbolismo
O girassol é uma planta imponente e de porte majestoso, cujas flores arredondadas e radiadas constam de um disco floral castanho e de pétalas amarelo-douradas, que aparentam ser o Sol. Daí que em inglês seja designada por “sunflower”. Entre nós é designada por “girassol”, já que goza duma propriedade conhecida por “heliotropismo” e que consiste no movimento da planta em relação ao Sol. Ao amanhecer os girassóis têm as flores viradas para oriente. Ao longo do dia, seguem o Sol no seu movimento aparente de oriente para ocidente e à noite estão voltados para oriente.
O girassol não é uma flor anónima, já que marca presença na Poesia Portuguesa. Do girassol nos fala Fernando Pessoa (1888-1935), no poema “PASSA UMA NUVEM PELO SOL": “Passa uma nuvem pelo sol / Passa uma pena por quem vê. / A alma é como um girassol: / Vira-se ao que não está ao pé. // Passou a nuvem; o sol volta. / A alegria girassolou. / Pendão latente de revolta, / Que hora maligna te enrolou?”. Do girassol nos fala também Maria Alberta Menéres (1930-  ), no poema “O GIRASSOL”; “Girassol, Girassol, / Põe as pestanas ao sol! // O Girassol parece um olho aberto / Amarelo a olhar para tudo. // Passa uma perdiz e diz: / – Girassol, Girassol, / Põe as pestanas ao sol! // Passa uma abelha e diz: / – Girassol, Girassol,/ Põe as pestanas ao sol! //Passa a tarde e anoitece… / Girassol, Girassol, / Fecha as pestanas ao sol! // E o Girassol adormece…”
O girassol é um símbolo de felicidade, já que a sua cor amarela transmite energia, juventude e vitalidade, à semelhança do Sol. O girassol é também um símbolo de instabilidade, em virtude  da sua mobilidade em relação ao Sol. Por outro lado, de acordo com a mitologia grega simboliza a adoração a Hélio, o Deus grego do Sol, visto que o seu disco floral se assemelha a uma cabeça que virada sempre para o Sol, parece prestar-lhe culto. Finalmente, como o Sol é uma das formas de representar Cristo, que para os cristãos trouxe a esperança da salvação, o girassol partilha também do seu significado e é um símbolo pascal.

Epílogo
Vera Magalhães modelou a sua Dama com grande rigor formal e com uma estética muito própria, que incluiu uma decoração cromaticamente harmoniosa e de elevado valor simbólico. O rosto e o olhar da figura parecem constituir marcas identitárias da barrista.
No seu todo, a Dama de Vera Magalhães é uma figura na qual está patente a simplicidade e a espiritualidade, aliadas à distinção e à alegria, da qual irradia imensa frescura e luminosidade. Creio que por isso tudo, a barrista é merecedora que lhe demos todos os nossos parabéns:
- Parabéns Vera!
Publicado inicialmente em 12 de Outubro de 2020


Vera Magalhães (2020). Modelação da imagem de Nossa Senhora da Conceição.

quinta-feira, 26 de março de 2026

As Primaveras de Ana Catarina Grilo


Primaveras. Ana Catarina Grilo (1974-   ).

Estas Primaveras há muito que nos aquecem a alma. Sim, porque a alma também precisa de ser aquecida. E então sentimo-nos rejuvenescidos, mais novos que nós próprios e com vontade de nos transformar em borboleta e pousar de flor em flor, até nos transformarmos em larva e regressar na Primavera seguinte, novamente borboleta. É isso a vida. Uma sucessão de ciclos com picos primaveris que mantêm a chama da alma acesa.
Obrigado Ana por partilhar connosco estas Primaveras ternurentas. Bem-haja.

Hernâni Matos
Publicado a 20 de Maio de 2021

quarta-feira, 25 de março de 2026

Bonecos de Estremoz de Sara Sapateiro



Transcrito com a devida vénia de
newsletter do Município de Estremoz,
de 25 de Março de 2026.

O Centro Interpretativo para a Valorização e Salvaguarda do Boneco de Estremoz inaugura no dia 28 de março às 16:00 horas, na sua Sala de Exposições Temporárias, a Exposição “Moldar o Legado”, Bonecos de Estremoz de Sara Sapateiro.

Sara Sapateiro (1995) é uma jovem, natural de Estremoz, que iniciou o seu percurso na produção de Figurado em Barro de Estremoz em 2018 pelas mãos da Barrista Isabel Pires, sua Mestra, com quem aprendeu grande parte das técnicas e processos desta arte.

No final de 2019, frequentou o I Curso de Técnicas de Produção de Bonecos de Estremoz promovido pelo CEARTE em parceria com o Município de Estremoz.

Sempre com o apoio e incentivo da Mestra, tem vindo a dar continuidade ao seu trabalho e criando a sua própria identidade estética. Sara é hoje a mais jovem Barristas a produzir o Figurado em Barro de Estremoz, inscrito desde 2017, na Lista Representativa de Património Cultural Imaterial da UNESCO.

A mostra poderá ser visitada até dia 21 de junho.

Não falte, venha conhecer o "Legado" de Sara Sapateiro.

Hernâni Matos

domingo, 22 de março de 2026

17 – As Primaveras


Primavera com Arco. Oficinas de Estremoz (séc. XIX).
Colecção Júlio Reis Pereira. Museu Municipal de Estremoz.


A Primavera é a estação do ano que sucede ao Inverno e antecede o Verão. Marca a renovação da natureza, sendo especialmente associada ao reflorescimento da flora e da fauna terrestres.
Na pintura, a Primavera é o tema central de obras de grandes mestres. A natureza é representada verdejante e florida. Por vezes são retratados trabalhos agrícolas ou de jardinagem, característicos do início da estação. As cenas são em geral iluminadas, reflectindo a claridade própria da época. Por vezes, a estação é tratada alegoricamente com recurso a uma ou mais figuras femininas enquadradas por flores, em ramos ou grinaldas.
Na vidraria francesa são conhecidas duas figuras do séc. XVIII, fabrico de Nevers, conhecidas por “Alegorias da Primavera”. São figuras masculinas, trajando à antiga e empunhando arcos com flores.
No figurado de Estremoz existem peças cuja origem remonta ao séc. XIX e das quais a designação consagrada pelo uso é a de “Primaveras”. Trata-se de uma designação genérica que abrange as chamadas “Primaveras de Arco”, as “Primaveras de Plumas” e as “Bailadeiras”. É ponto assente que tais especímenes são alegorias à estação do ano do mesmo nome. Todavia são mais do que isso, como procurarei justificar.
Desde tempos remotos que existem rituais vegetalistas de celebração e exaltação do desabrochar da natureza. Tais ritos vieram a ser assimilados pela Igreja Católica que começou a comemorar o Entrudo ou Carnaval como preparação para a Quaresma.
Referindo-se ao Entrudo de antigamente diz Xavier da Cunha na revista OCCIDENTE, de 15 de Fevereiro de 1879: “Hoje de todos esses brinquedos, que passaram, restam apenas as decantadas danças de cavallões e marmanjos vestidos de pastorinhas a bailarem entre os costumados arquinhos de flores ao som do classico apito – elemento essencial da ordem no programma de toda aquella brincadeira”.
Também na capa da revista “PARODIA – COMEDIA PORTUGUEZA”, nº 6, de 18 de Fevereiro de 1903, Raphael Bordalo Pinheiro retrata vários mascarados num salão particular. À esquerda duas figuras supostamente de homens mascarados de figuras femininas, empunham um arco com flores.
Face ao exposto, julgo não ser despropositado concluir que no figurado de Estremoz, as “Primaveras”, para além de constituírem uma alegoria à estação do mesmo nome, são também figuras de Entrudo e registos dos primitivos rituais vegetalistas de celebração e exaltação do desabrochar da natureza.

Hernâni Matos
Publicado pela 1º vez em 19 de Janeiro de 2015

sábado, 21 de março de 2026

Atrás da Primavera, outras Primaveras hão de vir

 


Há uma Primavera em cada vida:
É preciso cantá-la assim florida,
Pois se Deus nos deu voz, foi pra cantar!
FLORBELA ESPANCA (1894-1930)

Fascínio é o natural e intenso sentimento despertado pela imagem aqui apresentada. Lado a lado, duas Primaveras com os mesmos atributos, a mesma estética e o mesmo cromatismo, diferentes apenas no tamanho. Uma é Primavera adulta e a outra uma Primavera menina.
É notória uma forte ligação entre elas, patente na mão da mãe que segura a mão da filha, a quem comunica confiança e também ternura, igualmente transmitida pelo olhar que a Primavera menina absorve, encantada. É a partilha de saberes, de luz e de claridades, de cores e de tons, de perfumes e sons. É o legado de marcas identitárias ciclicamente propaladas à natureza e que assinalam a sua renovação. É uma mensagem de esperança nos dias da amanhã. É o revelar de um paradigma: Atrás da Primavera, outras Primaveras hão de vir.
O Testemunho da Primavera de Joana Santos é simultaneamente o testemunho do génio criativo e da mente brilhante de uma mulher ceramista, que há muito pôs a magia das suas mãos tecnicamente dotadas, em sincronia harmónica com os impulsos de alma. É um deleite de espírito a visualização e a contemplação das suas criações. É, de resto, um privilégio e isso para mim é muito importante, usufruir do privilégio da sua amizade.

Publicado em 18 de Março de 2023

sexta-feira, 20 de março de 2026

Começou a Primavera


Primavera (1917).
José Maria Veloso Salgado (1864-1945).
Óleo sobre tela (108 x 160 cm).
Museu Abade de Baçal, Bragança. 

A Primavera (do latim primus, primeiro, et tempus, tempo), é a estação do ano que sucede ao Inverno e antecede o Verão. Marca a renovação da natureza, sendo especialmente associada ao reflorescimento da flora e da fauna terrestres.
Entre nós, a Primavera tem início a 20 de Março e termina a 20 de Junho. Inicia-se no equinócio de Março, em que o dia e a noite têm exactamente a mesma duração. A partir daí, a cada dia que passa, a duração dos dias aumenta e a das noites diminui. É uma estação que corresponde aos meses de Março, Abril, Maio e Junho. Caracteriza-se pelo abrandamento dos rigores do tempo verificados durante o Inverno, pela fusão das neves, assim como pelo brotar e pelo florescer das plantas. As árvores privadas das suas folhas no Outono, revivescem graças à acção de chuvas frequentes e de temperaturas amenas, proporcionadas por um sol mais presente que durante o Inverno.
Algumas árvores de fruto assinalam a sua actividade através do aparecimento de flores, que cobrem igualmente os campos, nos quais a erva tenra, regala o gado, liberto da dieta de feno ocorrida durante o inverno.
É nesta estação que devido a um aumento significativo do calor, despertem as espécies hibernantes e regressem as migratórias.
É escasso o adagiário português onde é utilizada explicitamente a palavra Primavera:
- Por morrer uma andorinha não acaba a Primavera.
- Dizem os antigos, gente rude e sincera: nunca passou por mau tempo a chuva da Primavera.
- Um dia de Outono vale por dois de Primavera.
- Como vires a Primavera, assim pelo al espera.
Na pintura portuguesa, a Primavera foi um tema abordado por mestres como: Silva Porto (1850-1893), Alfredo Keil (1854-1907), Veloso Salgado (1864-1945), José Malhoa (1855-1933) e Eduardo Malta (1900-1967). Nos seus quadros a natureza está verdejante, florida e por vezes regista-se a presença de graciosas figuras femininas, visando reforçar a alegoria.

Hernâni Matos
Publicado inicialmente em 20 de Março de 2012


 Primavera (1882).
António Carvalho de Silva Porto (1850-1893).
Óleo sobre madeira (37,2 x 55 cm).
Casa-Museu Dr. Anastácio Gonçalves, Lisboa.
Primavera (1882).
Alfredo Keil (1854-1907).
Óleo sobre tela (114 x 76 cm).
Casa-Museu Dr. Anastácio Gonçalves, Lisboa. 
Primavera (1932).
José Malhoa (1855-1933).
Óleo sobre tela (24,5 x 33, 5 cm).
Museu José Malhoa, Caldas da Rainha.  
Primavera (1933).
José Malhoa (1855-1933).
Pastel sobre papel (30 x 23 cm).
Museu José Malhoa, Caldas da Rainha. 
A Primavera (séc. XX).
Eduardo Malta (1900-1967).
Óleo sobre tela (46,2 x 33 cm).
Museu José Malhoa, Caldas da Rainha.


Allegro do concerto para violino
 “Primavera" das “Quatro Estações”
 de Antonio Lucio Vivaldi (1678-1741),
executado pela orquestra Filarmónica de Israel
sob a direcção do Maestro Itzhak Perlman.

quinta-feira, 19 de março de 2026

Centenário do nascimento de João Sabino de Matos

 

João Sabino de Matos (1923-2006)


João Sabino de Matos nasceu a 1 de Julho de 1923 na aldeia da Cunheira, da freguesia e concelho de Chança. Foi o segundo de 4 filhos (2 rapazes e 2 raparigas) de Manuel Sabino (pedreiro) e Antónia Maria (doméstica).
Teve uma infância bastante difícil, já que a família passava dificuldades, agravadas para ele e para os irmãos, quando entraram para a escola primária, situada a 8 Km na vila de Chança e para onde diariamente tinham de ir e vir todos dias, fizesse chuva ou fizesse sol. No caso do João era mais complicado ainda, pois tinha um defeito físico numa perna, fruto de um acidente em casa quando era pequeno. Mas era já uma pessoa determinada e fez a 4ª classe da instrução primária
A juventude também não foi fácil, uma vez que terminada a escola foi dar serventia de pedreiro ao pai, o que era penoso para ele. O pai mandou-o então aprender o ofício de alfaiate, profissão que na aldeia acumulava com a de barbeiro, pois quando não havia farpela para confeccionar, sempre havia barbas e cabelos para dar para a bucha.
Pelos 20 anos já estava em Estremoz para onde veio atraído por um tio. Aqui casou em 1946 com 22 anos de idade, com Selima Augusta Carmelo, telefonista e da mesma idade. Começou, então, a exercer em exclusivo a profissão de alfaiate, primeiro no Largo do Espírito Santo, depois na Rua da Misericórdia e mais tarde na Rua 5 de Outubro, onde veio a abrir uma loja de pronto a vestir, ainda antes do 25 de Abril.
Ao longo da vida formou futuros alfaiates. Subiu a vida a pulso e quer como alfaiate, quer como comerciante, foi uma pessoa considerada pelos seus pares e respeitada na praça. Sem dúvida que foi o melhor alfaiate que Estremoz alguma vez conheceu e que dentro da oficina e fora dela, chegou a ter 15 pessoas a trabalhar sob a sua orientação.
Em termos associativos, foi sócio do Clube de Futebol de Estremoz, da Sociedade de Artistas Estremocense (a cuja direcção pertenceu), do Círculo Cultural de Estremoz e do Orfeão de Estremoz Tomaz Alcaide (onde foi barítono).
Foi desde sempre um opositor ao regime salazarista. Em 1958 apoiou a candidatura do General Humberto Delgado a Presidente da República. Em 1969 nas eleições para a Assembleia Nacional apoiou a Comissão Democrática Eleitoral (CDE).
Antes do 25 de Abril integrou o grupo oposicionista que reunia clandestinamente no monte do Dr. Afonso Costa, pelo que foi com naturalidade que recebeu o 25 de Abril de braços abertos.
Após o 25 de Abril aderiu ao PS e esteve na fundação da Secção do PS de Estremoz, em Maio de 1974.
Ao serviço do PS, foi Presidente da Junta de Freguesia de Santo André entre 1977 e 1979 e entre 1986 e 1989. Foi ainda membro eleito da Assembleia Municipal entre 1980 e 1982 e entre 1986 e 1989. Integrou também a Comissão Administrativa do Hospital da Misericórdia.
Em 2014, no 40º Aniversário da Secção do PS de Estremoz foi homenageado postumamente como um dos membros fundadores do PS local.
Era uma pessoa de carácter, frontal, com coragem física e moral, que não fugia às responsabilidades e que honrava a palavra dada. Valores que como pai me inculcou no espírito e que me norteiam, bem como os ideais de justiça, liberdade, igualdade e fraternidade.
Porque a memória dos homens é curta, achei por bem fazer esta evocação na passagem do 1º centenário do seu nascimento, procurando honrar a sua Memória.

Hernâni Matos
Publicado inicialmente em 25-06-2023