terça-feira, 29 de setembro de 2026

Provérbios de S. Miguel


São Miguel pesando as almas (1740-1750). Painel de 12x17 azulejos da oficina de Valentim de
 Almeida (1692-1779). Igreja de São Miguel de Machede. Arquidiocese de Évora.

QUEM É S. MIGUEL
S. Miguel é um dos três anjos citados pelo seu próprio nome na Bíblia.
“Anjo” é uma palavra de origem grega que significa “mensageiro”.
De acordo com a tradição bíblica e o cristianismo, para além de ter criado o mundo visível, Deus criou também o mundo invisível dos puros espíritos, seres na sua essência pessoais e imortais. Estes são em número elevado e Deus assentiu em conceder-lhes a ascensão ao estado sobrenatural, agregando-os à sua glória.
De acordo com a “angeologia” do teólogo Pseudo-Dionísio (transição do séc. IV para o V), estes seres divinos agrupam-se em nove coros distribuídos por três hierarquias distintas: serafins, querubins e tronos; dominações, virtudes e potestades; principados, arcanjos e anjos. A designação de “anjos”, apesar de genericamente ser conferida a todos, em termos estritamente etimológicos é reservada àqueles a quem Deus confiou mensagens ou intervenções no mundo terreno.
A tradução literal do hebraico para o nome “Miguel” é “Aquele/Quem como Deus”, já que:
- Mi = Aquele/Quem (?)
- Ka = Como
- El = Deus
Além das funções próprias de todos os anjos, S. Miguel é identificado nas sagradas escrituras, como sendo o príncipe dos anjos, o anjo dos supremos combates, o chefe dois exércitos celestiais, o anjo do arrependimento e da justiça, assim como o melhor guia na hora da viagem para a eternidade. É comemorado pela Igreja Católica sob o nome de São Miguel Arcanjo em 29 de Setembro.

REFERÊNCIAS BÍBLICAS
As referências bíblicas a S. Miguel são escassas, aparecendo todavia nos versículos seguintes:
- “Durante vinte e um dias o príncipe dos reis da Pérsia resistiu-me, porém Miguel, um dos príncipes supremos, veio em minha ajuda. Eu deixei-o lá a enfrentar os reis da Pérsia,” (Daniel 10,13)
- “Vou contar-te o que está escrito no livro da verdade. Ninguém me ajuda na luta contra eles, a não ser Miguel, o vosso príncipe,” (Daniel 10,21)
- “Naquele tempo surgirá Miguel, o grande príncipe que protege o povo ao qual pertences: será uma hora de grandes aflições, tais como jamais houve, desde que as nações começaram a existir até ao tempo actual. Então o teu povo será salvo, todos os que estiverem inscritos no livro.” (Daniel 12,1)
- “Na luta com o diabo para disputar o corpo de Moisés, o arcanjo Miguel não teve a ousadia de o acusar com palavras ofensivas; apenas disse: “Que o Senhor te castigue”!” (São Judas 1,9)
- “Travou-se então uma batalha no Céu: Miguel e os seus Anjos guerrearam contra o Dragão.” (Apocalipse 12,7)

PROVÉRBIOS DE S. MIGUEL
O dia de S. Miguel tem uma presença marcante no adagiário português, já que tem a ver tradicionalmente com os ciclos agro-pastoris. Com efeito era pelo S. Miguel que os lavradores ajustavam anualmente os criados efectivos. Respigámos as seguintes sentenças:
- Chovendo no S. Miguel, faz conta das ovelhas que os borregos são teus.
- Em 29, S. Miguel fecha as asas.
- O São Miguel ou seca as fontes ou leva açudes e pontes.
- Pelo S. Miguel, estão as uvas como mel.
- Pelo S. Miguel dá-se as figueiras ao rabisco
- Quem planta no S. Miguel, vai à horta quando quer.
- Quem se aluga no S. Miguel, não se senta quando quer.
- S. João e S. Miguel passados, tanto manda o amo como o criado.
- S. Miguel passado, todo o amo é mandado.
- S. Miguel soalheiro, enche o celeiro.
- S. Miguel das uvas, tanto tardas e tão pouco duras!
- S. Miguel passado, tanto manda o amo como o criado.
- Se houvesse dois S. Miguéis no ano, não havia moço que parasse no amo.
- Vai-te com Deus e S. Miguel com as almas.

BIBLIOGRAFIA
- [1]-Bíblia Católica Online (http://www.bibliacatolica.com.br/)
- [2] – DELICADO, António. Adagios portuguezes reduzidos a lugares communs / pello lecenciado Antonio Delicado, Prior da Parrochial Igreja de Nossa Senhora da charidade, termo da cidade de Euora. Officina de Domingos Lopes Rosa. Lisboa, 1651.
- [3] - Enciclopédia Católica Popular (http://www.ecclesia.pt/catolicopedia/)
- [4] - Inventário Artístico da Arquidiocese de Évora (http://www.inventarioaevora.com.pt/)
- [5] - MARQUES DA COSTA, José Ricardo. O Livro dos Provérbios Portugueses. Editorial Presença. Lisboa, 1999.
- [6] - Santos da Igreja (http://www.portal.ecclesia.pt/ecclesiaout/liturgia/liturgia_site/santos/santos_users.asp)
- [7] - Wikipédia (http:// www.wikipedia.org/)

Hernâni Matos
Publicado inicialmente em 27 de Novembro de 2011

segunda-feira, 28 de setembro de 2026

RUI SIMÕES ALVES (1956-2026) - Nota de pesar da Academia Portuguesa de Cinema




LER AINDA


É com profunda tristeza que a Academia Portuguesa de Cinema manifesta o seu pesar pelo falecimento de Rui Alves, profissional de cinema, cenógrafo, aderecista, artista plástico e homem de múltiplos talentos, cuja longa carreira ficou marcada por uma extraordinária dedicação ao cinema e às artes.

Nascido em Estremoz, em 1956, Rui Alves frequentou o Curso de Artes Gráficas da Escola António Arroio e iniciou, em 1975, um percurso profissional que se estenderia por várias décadas e por diferentes áreas da criação artística. Cinema, fotografia, teatro, publicidade, decoração, adereços, efeitos especiais, pintura e escultura fizeram parte de uma atividade marcada pela curiosidade, pela versatilidade e por uma permanente disponibilidade para criar.

No cinema, construiu um percurso particularmente rico, trabalhando em diferentes funções ligadas à cenografia, aos adereços e à construção dos universos visuais dos filmes. Desde os primeiros trabalhos como assistente de cenografia, no final da década de 1970, colaborou em produções portuguesas e internacionais, assumindo ao longo dos anos responsabilidades como aderecista, aderecista de plateau, assistente de decoração e responsável pela construção de adereços.

O seu nome encontra-se associado a numerosas produções, entre as quais O Conde de Monte Cristo, Le Cercle des Passions, La Lettre Voullè, To Catch a King, Giovanni Toscanini, Arsène Lupin, L'Accompagnatrice e Fado pour une jeune fille, revelando desde cedo a dimensão internacional do seu percurso profissional.

Ao longo da sua carreira, Rui Alves colaborou igualmente em importantes obras do cinema português. Foi responsável pela construção de adereços em Non ou a Vã Glória de Mandar, de Manoel de Oliveira, e trabalhou como aderecista de plateau e em efeitos especiais em Sinais de Fogo, entre muitos outros filmes.

A sua relação com o cinema estendeu-se ainda à cenografia e à decoração. Em A Moura Encantada, de Manuel Costa e Silva, surge creditado como aderecista e cenógrafo, testemunhando a amplitude das competências que colocou ao serviço das produções em que participou.

Mas a sua atividade artística não se limitou ao cinema. Rui Alves foi também pintor e escultor, desenvolvendo uma obra própria em que explorou formas, volumes, cores e texturas. Expôs regularmente o seu trabalho, apresentando, entre outras, a exposição Casas, em Lisboa, e mostras realizadas em Estremoz, Évora e Aveiro.

Essa multiplicidade de interesses e saberes definia também a sua presença profissional: um artista capaz de transitar entre o trabalho manual e a criação plástica, entre a construção de objetos e a composição de espaços, colocando a sua experiência e imaginação ao serviço das histórias que o cinema procurava contar.

Ao longo de uma carreira iniciada ainda nos anos 70, Rui Alves deixou uma marca discreta mas profunda nos bastidores de numerosas produções. O seu trabalho, muitas vezes invisível aos olhos do espectador, foi essencial para dar corpo, matéria e autenticidade aos mundos criados pelo cinema.

A Academia Portuguesa de Cinema presta homenagem ao seu percurso e ao importante contributo que deu ao cinema português, recordando um profissional de grande versatilidade e um artista cuja generosidade criativa se manifestou em múltiplos campos.

Aos seus familiares, amigos, colegas e a todos aqueles que com ele partilharam tantos anos de trabalho e amizade, a Academia Portuguesa de Cinema apresenta as suas mais sentidas condolências.




quinta-feira, 24 de setembro de 2026

Ser híbrido triplo - Um Picasso invulgar

 

Ser híbrido triplo. Jarra moldada de Estremoz. 44cm de altura.
Sem marca de autor. Colecção Hernâni Matos.


Adquiri recentemente uma peça olárica em barro vermelho de Estremoz, inteiramente polida, de 44 cm de altura, sem marca de autor, pertencente à classe das peças moldadas de feição modernista, vulgarmente designada por Picassos.

Trata-se de uma jarra invulgar, constituída por uma figura extremamente bela e elegante, assente numa base hexagonal.

A imagem configura ser a representação de um ser híbrido triplo, com cabeça e torso humano, as asas de uma ave e uma cauda de peixe. Não sei nem quero especular sobre a real intenção que na mente do oleiro presidiu à concepção desta figura. Apenas posso passar em revista marcos históricos que de algum modo têm a ver com a representação de seres. híbridos.

Na História da Arte, a representação de figuras híbridas é uma das marcas mais fortes do Surrealismo, o qual revolucionou a arte através da libertação do inconsciente, dos sonhos e da imaginação, rejeitando o controlo da razão, da lógica e das convenções sociais ou morais. Tais criaturas híbridas desafiam a lógica da realidade e combinam elementos que, no mundo real, nunca existiriam juntos.

Na Idade Média, os Bestiários, os Saltérios e os Livros de Horas também continham ilustrações com seres híbridos, as quais misturavam o ar, a terra e o mar para chocar o leitor. De acordo com o Genesis, Deus tinha separado o céu, a terra e as águas, mas o Diabo tentava baralhar e fundir essas fronteiras. Ver este híbrido triplo naqueles livros lembrava ao leitor o caos que o aguardava no Inferno.

Esse hibridismo triplo simbolizava uma criatura que rompia as barreiras da Criação divina. Em vez de respeitar a ordem estabelecida por Deus, misturava planos opostos (o céu da ave e o abismo do peixe), tornando-se uma representação do caos e da subversão espiritual.

terça-feira, 22 de setembro de 2026

Bonecos de Estremoz liliputianos - 5

 

Pomba no choco com arco (9,5 cm). Ana das Peles.
Colecção Hernâni Matos.

LER AINDA

Figuras de assobio

Os assobios (figuras de assobio) são Bonecos de Estremoz com morfologia e funcionalidade muito próprias, que os tornaram simultaneamente instrumentos musicais e brinquedos. Tradicionalmente eram agrupados em três grandes categorias: zoomórficos, antropomórficos e compostos.

Os assobios confeccionados por cada barrista, independentemente das marcas identitárias própria de cada um, resumiam-se a cerca de 15 exemplares, naturalmente que com variantes e incluíam apenas aves, cestos de ovos, sargentos, peraltas e senhoras de pezinhos, montados a cavalo ou apeados. Houve quem achasse isto monótono e talvez tenha pensado no soneto de Camões que proclama que: “Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades, / Muda-se o ser, muda-se a confiança; / Todo o mundo é composto de mudança, / Tomando sempre novas qualidades.” Vá daí que, sem fugirem à técnica de produção e à estética do Boneco de Estremoz, tenham criado novos exemplares nos quais a decoração das figuras de assobios é de tipo novo: Imagens devocionais (Ana Catarina Grilo), Peças de Olaria Enfeitada (Inocência Lopes) e Instrumentos Musicais Populares (Carlos Alberto Alves). Tratou-se de uma inovação temática, a qual pessoalmente destaco e valorizo.

À semelhança do que se passa com o núcleo central do Figurado de Estremoz, também as figuras de assobio podem de igual modo e muito legitimamente ser designados por Bonecos de Estremoz liliputianos. Para tal, basta não ultrapassarem os 15 cm de altura.

Hernâni Matos

Pombos na árvore (7,3 cm). Irmãs Flores.
Colecção Hernâni Matos.

Menino Jesus Bom Pastor (5 cm) Ana Catarina Grilo.
Colecção Hernâni Matos.

Cantarinha enfeitada (10 cm). Inocência Lopes.
Colecção Hernâni Matos.

Harmónio (4,3 cm). Carlos Alberto Alves. 
Colecção Hernâni Matos.

domingo, 20 de setembro de 2026

Bonecos de Estremoz liliputianos - 4

 

Figuras de presépio de maquineta da autoria de Ricardo Fonseca. Pastor ofertante
(5,8 cm),  pastora ofertante (5,4 cm), vaca (3,8 cm), burro (3,5 cm) e ovelha (2,7 cm).
Colecção Hernâni Matos.


Figuras de Presépio de maquineta

Uma maquineta de Presépio é um armário ou caixa de tamanho variável, a qual guarda e protege figuras de Presépio, tanto da poeira como do manuseio.

As maquinetas de Presépio têm origem conventual, uma vez que o conceito, a técnica de fabrico e a estética destas peças, nasceu e desenvolveu-se nos conventos femininos portugueses no decurso dos séculos XVII e XVIII.

São conhecidas maquinetas de diferentes épocas, tipologias e materiais.

Podem assumir a forma de armário em madeira entalhada, pintada ou dourada, com uma frente e até mesmo as partes laterais envidraçadas, permitindo a visualização do interior. O armário aloja uma cenografia relativa à Natividade, com figuras de Presépio, que no caso que nos interessa, são minúsculos Bonecos de Estremoz.

Podem ainda adoptar a forma de caixa de vidro com geometria variável assente numa base de madeira com pés, em cujo interior uma cenografia alusiva à Natividade enquadra figuras de Presépio, os quais podem ser minúsculos Bonecos de Estremoz.

As maquinetas de Presépio são simultaneamente objectos de devoção doméstica e peças decorativas de prestígio e mesmo objectos de luxo, comuns em antigas casas senhoriais ou em lares burgueses.

O facto de as figuras de Presépio de Estremoz que integram maquinetas terem dimensões minúsculas, levam-me a classifica-las como Bonecos de Estremoz liliputianos.


Maquineta construída e decorada por Guilhermina Maldonado (1937-2019) com Presépio
 de Bonecos de Estremoz liliputianos, incluindo cenas de Natividade,   Adoração dos
Magos e  Adoração dos Pastores, da autoria das  Irmãs Flores. 25 x 14 x 20 cm. 
Colecção Hernâni Matos.

Maquineta construída e decorada por Guilhermina Maldonado
(1937-2019) com Menino Jesus liliputiano da autoria das Irmãs
Flores. 13,3 x 6,8 x 14,2 cm.
Colecção Hernâni Matos.

Pucarinhos de Estremoz - Luís Brito da Luz



Luís Brito da Luz



PUCARINHOS DE ESTREMOZ I

Bocas ásperas, pegajosas, sequiosas
A saliva ainda no estado de dormência
Gretados lábios rogam forte clemência
A seca língua c’as papilas ansiosas.

Feroz desejo pelas puras águas límpidas
Ocultadas no silêncio de seu ninho
Em sobressalto p’ra sair do pucarinho
E saciar a sede, àquelas almas ríspidas.

Fonte d’vida fresca a brotar do barro fino
Saboroso e oloroso, místico, divino
Como só a cândida cidade branca o tem.

Não há no mundo um pucarinho assim igual
Que torna esta linfa sublime, colossal
Ignorado das boas bocas de ninguém.

Estremoz - 11.09.2026
Luís Brito da Luz


PUCARINHOS DE ESTREMOZ II

Sobre a rica mesa dos Reis de Portugal
Lado a lado com os faustosos ouro e prata
Um pucarinho de linhagem bem barata
C’humildade, mais parece o Santo Graal.

Com a chancela da cidade de Estremoz
Nascido do vermelho barro ali presente
O vate Camões, nas cartas, consciente
Exalta as belas virtudes, de viva voz!

Mas a glória não se esgota no poeta
Gil Vicente com a sua escrita completa
Dos púcaros fala, c’inquieta emoção.

O nome da cidade entrou nas caravelas
Carregado por estas peças mais singelas
E aqui preservado no nosso coração.

Estremoz - 12.09.2026
Luís Brito da Luz

PUCARINHOS DE ESTREMOZ III

Famosos búcaros, na Espanha bem lendários
Benquistos a valer, de modo singular
Seus dons curativos, ninguém pôde negar
Bons predicados, destes barros centenários.

Exaltados por D. Filipe, El-Rei O Prudente
Por Velázquez coloridos com talento
Perduram naquele magnífico momento
Com as Meninas, companhia tão luzente!

Francisco Quevedo, satírico e mordaz
Ilustrava sua beleza que é fugaz
Que a vida é frágil e o humano ser vaidoso.

Lope de Vega, também Góngora afamaram
Nos seus dramas e poemas elogiaram
Este presente de Deus Padre, sumptuoso!

Estremoz - 15.09.2026
Luís Brito da Luz



Publicado inicialmente em 20 de Setembro de 2026


#Poesia Portuguesa - 223

sábado, 19 de setembro de 2026

Bonecos de Estremoz liliputianos - 3

 

Enfeite de rolha - Bailadeira (2015). Maria Luísa da Conceição (1934-2015).
Colecção Jorge da Conceição.



Enfeites de rolha

Uma garrafa vale por si, não só pela elegância da sua morfologia, como pela beleza da sua decoração ou pela harmonia do seu cromatismo. Todavia e para além disso, uma garrafa vale igualmente pelo líquido que encerra em si. Tanto pode ser um vinho solarengo e telúrico, como uma aguardente envelhecida em cascos de carvalho ou um licor aveludado e envolvente.

A conservação do tempo e da alma do conteúdo de uma garrafa exige que esta seja selada com a nobreza da cortiça alentejana, o que é concretizado através de uma rolha.

Alguns barristas de Estremoz têm criado enfeites de rolha com cabeças de figuras que integram o Figurado de Estremoz e reflectem a identidade cultural alentejana.

Os enfeites de rolha que ilustram o presente texto, foram criados pela barrista Maria Luísa da Conceição (1934-2015) e têm cerca de 5 cm de altura, pelo que podem ser considerados Bonecos de Estremoz liliputeanos. São eles: Bailadeira, Camponês e Preta. Remontam todos a 2015 e pertencem à colecção particular de seu filho, Mestre Jorge da Conceição. 



Enfeite de rolha - Camponês (2015). Maria Luísa da Conceição (1934-2015).
Colecção Jorge da Conceição.

Enfeite de rolha - Preta (2015). Maria Luísa da Conceição (1934-2015).
Colecção Jorge da Conceição.