quarta-feira, 21 de outubro de 2026

A lavadeira


MULHER A LAVAR A ROUPA (1986). Liberdade da Conceição (1913-1990).
Marcas: ESTREMOZ/PORTUGAL aposta por carimbo (0,8 cm x 2 cm) e
 Liberdade (Manuscrita). Dimensões (cm): Alt. 14,0; Larg. 7,1;  Prof.. 12,6 cm.
Peso (g): 322. Colecção particular (Cortesia de Jorge da Conceição).
  
A roupa suja-se com o uso, tornando-se necessário proceder à sua lavagem, a fim de remover a sujidade, para que fique limpa.
Em Estremoz, até à vulgarização das máquinas de lavar roupa nos anos 60 do século passado, a roupa suja era lavada em contexto doméstico pela dona da casa ou então por mulheres chamadas “lavadeiras” (1) que a iam buscar a casa das freguesas (2), já acondicionada por estas em taleigos, que eram transportados por burros com cangalhas.
Para não haver risco de confusão, a roupa de cada família era marcada com iniciais, números, estrelas, cruzes, bolas a cheio, etc. Para além disso, a freguesa fazia sempre um rol da roupa que mandava lavar. Dele nos fala a lavadeira Gracinda, magistralmente interpretada por Beatriz Costa (1907-1996) no filme “Aldeia da Roupa Branca”, realizado em 1938 por Chianca de Garcia (1898-1983):
……………………………
Três corpetes, um avental,
Sete fronhas, um lençol,
Três camisas do enxoval,
Que a freguesa deu ao rol.
………………………………

Antes de ser lavada, a lavadeira tinha o cuidado de apartar a roupa por qualidades: branca, de cor, fronhas, lençóis, camisas, camisolas, etc.
A lavagem era efectuada em tanques, lavadouros, celhas, alguidares e mesmo na água corrente de ribeiros, podendo ser feita sem recurso a barrela ou recorrendo a ela.
No primeiro caso, a roupa começava por ser ensaboada em cima de uma lage do ribeiro ou do lavadouro ou de uma tábua de lavar roupa, com a superfície ondulada, apoiada no bordo do tanque, da celha ou do alguidar. A roupa era esfregada com força com os punhos fechados ou recorrendo a uma escova.
Em continuação, a roupa era posta a corar (3), isto é, exposta ao sol sobre a erva ou numa bancada com rede, acabando por branquear por acção do sol. Durante esse período era regada para se manter húmida e não encarquilhar.
Seguidamente, a lavadeira enxaguava a roupa lavada no ribeiro ou num recipiente contendo água limpa, afim de remover todos os resíduos de sabão e de sujidade. Depois, a roupa era torcida e mesmo sacudida, a fim de eliminar a maior quantidade possível de água que a impregnava. Finalmente, a roupa era pendurada num estendal ou esticada sobre a erva, para secar por evaporação, quer pela acção do sol, quer pela do vento. Depois de seca, a roupa era dobrada e espalmada com as mãos, ficando em condições de ser passada a ferro.
Para lavar a roupa com barrela, procedia-se como foi descrito anteriormente até à cora. Depois de ensaboada e esfregada, a roupa era acamada numa vasilha, mantendo todo o sabão que trazia. Seguidamente, punha-se por cima da roupa, um pano forte, contendo cinza peneirada (para não levar carvão), deitando-se por cima água a ferver, a qual originava uma solução alcalina que branqueava a roupa. Esta ficava algumas horas na barrela, após o que era retirada e novamente ensaboada e esfregada, sendo novamente posta a corar. No fim da cora, a roupa era enxaguada, torcida, sacudida e posta a secar.

Publicado inicialmente em 14 de Maio de 2014
  
(1) - A profissão de lavadeira, transmitida geralmente de geração em geração, desapareceu com o aparecimento da água canalizada e com o evoluir da tecnologia, não passando hoje de um registo na nossa memória. Era uma profissão dura e desgastante, dado o elevado número de horas de trabalho, em que eram sobrecarregadas as costas, os rins, os braços e os joelhos. Estes últimos eram, todavia, protegidos por joelheiras para não se ferirem.
(2) - Estas eram senhoras da burguesia ou da classe alta. A roupa era recolhida e trazida lavada, em dia certo da semana e o pagamento era feito à peça.
(3) - O tempo de cora dependia da intensidade da luz solar e da necessidade de branqueamento, tendo em conta a natureza das nódoas.

  

domingo, 18 de outubro de 2026

Artes do Vagar e Mestres do Saber-fazer / 7 - JOANA SIMÕES (1912 - 2011) E JOAQUINA SIMÕES (1914 - 2005)

 

01 - Joana Simões (1912 - 2011) e Joaquina Simões (1914 - 2005).


LER AINDA
Exposição ARTES DO VAGAR - Colecção Hernâni Matos
ARTES DO VAGAR / COLECÇÃO HERNÂNI MATOS
ARTES DO VAGAR: Ora agora falo eu!
ARTES DO VAGAR: O saber-fazer de há 44 anos atrás
Palavras do Presidente da Câmara Municipal de Estremoz
O recolector - Francisca de Matos
EXPOSIÇÃO "ARTES DO VAGAR" - Francisco Ramos
Artes do Vagar e Mestres do Saber-fazer / 1 – MANUEL ANTÓNIO CAPELINS
Artes do Vagar e Mestres do Saber-fazer / 2 - TERESA SEROL GOMES
Artes do Vagar e Mestres do Saber-fazer / 3 - MIGUEL SEROL GOMES
rtes do Vagar e Mestres do Saber-fazer / 4 - JOAQUIM CARRIÇO ROLO
Artes do Vagar e Mestres do Saber-fazer / 5 - JOSÉ CARRILHO TRONCHO (1910-2003)
rtes do Vagar e Mestres do Saber-fazer / 6 - ROBERTO CARREIRAS (1930-2017)
Artes do Vagar e Mestres do Saber-fazer / 7 - JOANA SIMÕES (1912 - 2011) E JOAQUINA SIMÕES (1914 - 2005) 


CRÉDITOS FOTOGRÁFICOS
Autor desconhecido ((Joana Simões e Joaquina Simões)
e Luís Dias (peças)

Irmãs, naturais de Pavia. Joana Simões foi durante largos anos professora do ensino técnico em Estremoz, no qual leccionou lavores femininos. Por sua vez, Joaquina Simões fez carreira como professora do ensino primário em Pavia, onde cultivou sempre o gosto pelas artes tradicionais da região.

Após a aposentação dedicaram-se à arte do papel recortado, procurando recuperar a fase erudita do mesmo. Só então o fizeram por entenderem que é uma arte que exige disponibilidade de tempo e tranquilidade de espírito.

Vejamos qual o procedimento seguido no recorte do papel. Cada irmã desenhava o seu próprio trabalho numa folha de papel à parte, donde depois era copiado tantas vezes quantos as necessárias para uma folha de papel branco de tipografia. Seguia-se o recorte do papel, tarefa que era repartida entre as duas irmãs, pelo que cada trabalho constitui uma criação a duas mãos. Joana começava por recortar o papel, mas quem apurava os recortes era Joaquina que tinha uma vista mais apurada e uma mão mais firme. Havia seguidamente a necessidade de passar cada trabalho a ferro quente para alisar o papel. Para finalizar cada trabalho de papel recortado era assente num fundo escuro e emoldurado com vidro.

Para recortar o papel, as irmãs Simões utilizavam 12 tesouras muito bem afiadas, umas de bico recurvado, outras para cortar a direito, sobressaindo no conjunto três muito especiais, vindas da China. Em 1987, o poeta António Simões, num texto admirável a que deu o título de “JOANA E JOAQUINA SIMÕES E AS TESOURAS DE VENTO” interroga-se: “Como é possível recortar-se papel desta maneira?” perguntam-se todos os que contemplam os seus trabalhos, perplexos perante uma maestria na fronteira do inacreditável.”

As irmãs Simões começaram por fazer trabalhos que configuravam naperons de renda, só que esta era de papel. Ao recortarem papel com uma simples tesoura, a superfície deste animava-se como se agulhas e linhas a estivessem bordando. Estes trabalhos apresentavam simetria radial. Depois aparecem outros com simetria axial e mais tarde outros completamente assimétricos.

A geometria dos trabalhos é em geral circular, quadrangular ou rectangular, tanto horizontal como vertical.

A decoração inclui motivos geométricos, fitomórficos, zoomórficos e antropomórficos, combinados de diferentes modos.

Nos seus trabalhos figuram pássaros a voar e outros pousados, em especial pavões. Surgem também flores, entre elas cravos e amores perfeitos, vasos de flores e campos de flores, letras capitulares de iluminura, desenhos de perfil filigranado e labirintos em papel rendilhado.

A dado momento passam a subscrever a autoria do trabalho de papel recortado, apondo por baixo a assinatura “Simões”, também ela em papel recortado.

Participaram nas feiras de artesanato de Estremoz desde 1983 e realizaram exposições em Estremoz, Monforte, Pavia e Festa do Avante.

Hernâni Matos 

02 - Papel recortado. Branco. Letra capitular H. Inscrita num campo quadrangular com
decoração fitomórfica e zoomórfica. Este, por sua vez, está encostado ao canto superior
direito doutro campo quadrangular mais vasto, com decoração igualmente fitomórfica
e zoomórfica, da qual se destaca um pavão. Assinatura de autoria em papel recortado.
32,5 x 32,5 cm.

03 - Papel recortado. Branco. Letra capitular F. Inscrita num campo quadrangular com
decoração fitomórfica e zoomórfica. Este, por sua vez, está encostado ao canto superior
direito doutro campo quadrangular mais vasto, com decoração fitomórfica e zoomórfica,
da qual sobressai um vaso do qual emerge decoração floral com um par de pavões e
simetria axial. Assinatura de autoria em papel recortado. 36 x 36 cm.

04 - Papel recortado. Branco. Composição com motivos fitomórficos. Nela um campo
central e circular está preenchido por amores perfeitos e campainhas. Por sua vez,
este campo central está inscrito num campo quadrangular, densamente preenchido
com flores de diferentes tipos, numa distribuição com simetria axial. Assinatura de
autoria em papel recortado. 32,5 x 32,5 cm.

05 - Papel recortado. Azul. Composição com motivos geométricos, fitomórficos e
zoomórficos, desvendando uma assimetria completa. Nela, em primeiro plano três
ceifeiras em plena faina com o sol a pino. Em segundo plano, árvores, porventura
sobreiros, esvoaçados por aves. Em terceiro plano um monte alentejano.
27,5 cm de diâmetro.

sábado, 17 de outubro de 2026

Ovelha tresmalhada

 

Ovelha, figura de Presépio. Oficinas de Estremoz dos finais do séc. XIX.
Colecção Hernâni Matos


Adquiri recentemente uma ovelha, figura de Presépio, em barro vermelho policromado, cuja autoria atribuo a Oficinas de Estremoz dos finais do séc. XIX. O exemplar representa uma ovelha de raça malhada, assente numa base rectangular com as pontas cortadas em bisel. As dimensões são as seguintes: Altura: 5,2 cm, Largura: 3,2 cm, Profundidade: 4,5 cm.

O corpo do animal parece estar coberto de lã creme, malhada de negro e encaracolada, textura provavelmente obtida com recurso a um teque boleador. A base tem aspecto marmoreado bicolor das cores creme e castanho escuro.

Trata-se de uma ovelha que supostamente se viu afastada das suas congéneres e do respectivo pastor na cena presepial, com a qual alguém desconhecido, ciclicamente reconstituiu e comemorou a Natividade. Daí a epígrafe escolhida para o presente texto: Ovelha tresmalhada, tema central da Parábola Bíblica da Ovelha Perdida, referida em dois Evangelhos sinópticos do Novo Testamento (Mateus 18:10–14 e Lucas 15:1–79), bem como no Evangelho apócrifo de Tomé (Tomé 107).

Como coleccionador, bem gostaria de ser capaz de à ovelha tresmalhada que neste momento integra a minha colecção particular, juntar o resto do primitivo rebanho, assim como o pastor que em terreno presepial, simbolicamente assegurava o pastoreio. Tal não é possível.                    

À laia do cancioneiro popular, mas com versos próprios, resta-me contextualizar o passado desta figura de presépio:

Ovelha tresmalhada
do seu antigo rebanho.
Ovelha que foi achada
sem o pastor d'antanho.

quinta-feira, 15 de outubro de 2026

A olaria tradicional como parte integrante da identidade cultural estremocense





LER AINDA


Jarro em barro vermelho de Estremoz, rodado e modelado. Morfologia ovóide com asa que une o bojo ao bordo. Base circular e abertura com bica.
Decoração mista, relevada, picada e polida, qualquer delas consignada pela tradição oleira local.
Alto relevo do Templo Romano de Évora, com o nome da cidade nele inscrito. Obtido por moldagem, seguida de colagem com barbutina no bojo.
Junto à base, faixa polida com recurso a teque.
Picagem realizada com escarpador em ferro na área disponível.
Ausência de tampa, presumivelmente extraviada.
Produção da Olaria Regional de Mário Lagartinho.
Jarro que é um registo material da antiga tradição oleira, cuja necessidade de recuperação é indissociável da salvaguarda da identidade cultural estremocense.

Publicado inicialmente em 15 de Outubro de 2024





 

domingo, 11 de outubro de 2026

Santo António dos Pobres, de Isabel Pires

 

Santo António dos Pobres. Isabel Pires (1955 -   ).

A minha colecção de Bonecos de Estremoz viu-se recentemente valorizada pela aquisição de uma imagem cuja descrição e estudo é objecto do presente texto.

Trata-se de uma imagem de Santo António (1195-1231), na qual é representado em jovem e em pé, envergando o característico hábito castanho dos franciscanos, com o capuz pendurado para trás, cingido à cintura por um cordão [1] acastanhado, pendente ao longo do hábito. Da cintura e paralelamente ao cordão pende um terço [2], do qual é visível a cruz, de cor negra.

O Taumaturgo [3], com os dedos do pé esquerdo a espreitar o hábito, está assente numa base minimalista de forma cilíndrica e cor verde escura, orlada superiormente a dourado e lateralmente com decoração fitomórfica simplificada, a azul escuro, amarelo e dourado.

O Doutor da Igreja [4] apresenta uma tonsura [5] no cabelo de cor castanha. Com a mão direita, segura um alforge de pão, de cor castanha, assente no ombro direito. Sobre a mão esquerda está sentado o Menino Jesus, de cabelo castanho encaracolado e descalço [6], o qual segura um pão com as mãos e traja um vestidinho de manga comprida, igualmente castanho e orlado a dourado na bainha e na gola,.

A imagem de Santo António acabada de descrever corresponde a uma alternativa iconográfica pouco comum, conhecida pelo nome de Santo António dos Pobres. Nela está implícita a sua caminhada pela França [7] no combate à heresia [8], bem como a sua preocupação com os mais desprotegidos, a qual partilha com o Menino Jesus [9], que se encarrega de retirar e distribuir o pão guardado no alforge, o chamado pão dos pobres.

Assim oferecido, o pão é simultaneamente alimento para o corpo e para o espírito – é o pão da Palavra que António repartiu com tanta generosidade.

A imagem que foi objecto da presente descrição e estudo foi criada pela hoje consagrada barrista de Estremoz, Maria Isabel Catarrilhas Pires (1955 - ) nos anos 80 do séc XX, no início da sua carreira. Daqui a saúdo e felicito pelo pendor fortemente naturalista desta sua criação, a qual muito me apraz e pela intensa espiritualidade que dela irradia.

Hernâni Matos

BIBLIOGRAFIA
MUSEU DE LAMAS. Santo António de Lisboa – A Peça do mês.  [Em linha]. Disponível em: https://museudelamas.blogspot.com/2011/06/santo-antonio-de-lisboa-peca-do-mes.html  [Consultado em 10 de Setembro  de 2026]. 




[1] Na arte e na iconografia religiosa, as imagens de Santo António a partir do séc. XV passaram a apresentar 3 nós no cordão cingido à cintura do hábito franciscano. Tal inclusão serve para recordar os votos perpétuos que o religioso professou: - POBREZA (Desprendimento total dos bens materiais); - CASTIDADE (Pureza de corpo, mente e coração); - OBEDIÊNCIA (Submissão humilde à vontade divina e às regras da Ordem). Contudo, mesmo no séc. XX, a maioria dos barristas de Estremoz não segue a “regra dos 3 nós”.
[2] O terço de que os franciscanos historicamente eram portadores junto ao hábito é o testemunho de uma vida de oração e intimidade com Deus e de profunda devoção à Virgem Maria. O terço surge na arte e na iconografia religiosa, ainda no séc. XVI.
[3] Aquele que opera milagres.
[4] Título oficial outorgado a Santo António em 16 de Janeiro de 1946, pelo Papa Pio XI, pelo profundo conhecimento das Escrituras e pelos seus Sermões.
[5] Este corte rente no topo da cabeça, sinaliza a sua vida monástica, a sua inteira consagração ao serviço de Deus, a renúncia às vaidades do mundo e a configuração a Cristo coroado de espinhos.
[6] Os pés descalços simbolizam aqui a humildade de Jesus.
[7] Esta missão ocorreu no período de 1224 a 1227, quando o Santo tinha entre 29 e 32 anos de idade e actuou como pregador itinerante e professor de teologia em cidades francesas como Montpellier, Toulouse, Le Puy e Limoges.
[8] Santo António combateu vigorosamente a heresia dos cátaros ou albigenses, concentrados no sul de França (regiões de Albi e de Toulouse), os quais professavam uma doutrina que afirmava que o mundo material era intrinsecamente mau, criado por um Deus maligno. Por isso, negavam a encarnação de Cristo e a presença real de Jesus na Eucaristia, dado que Deus não se misturaria com a matéria. Devido à sua admirável capacidade teológica e oratória para desmascarar estes erros doutrinários, recebeu dos cronistas medievais o epíteto de Martelo dos Hereges.
[9] - Na arte e na iconografia religiosa, as imagens de Santo António com o Menino Jesus ao colo só aparecem no séc. XVII.




quarta-feira, 7 de outubro de 2026

DIA NACIONAL DOS CASTELOS


Castelo de Estremoz.


A 7 de Outubro comemora-se o DIA NACIONAL DOS CASTELOS, efeméride Instituída em 1984, com o objectivo de promover em todo o País, acções que visem a reflexão sobre o Património fortificado, uma vez que os castelos, testemunhos da memória colectiva dos povos, constituem uma valorosa referência arquitectónica, histórica, cultural e simbólica de uma comunidade.

Neste dia são desenvolvidas actividades pedagógicas e lúdicas inteiramente dedicadas ao mundo dos castelos, para miúdos e graúdos, explorando as suas características próprias e evocando histórias, personagens e acontecimentos.

Outrora os castelos tinham funções defensivas e residenciais. Hoje perpetuam as memórias de um povo "conquistador" e fazem parte do imaginário infantil, tantos nos contos de princesas como nas construções de areia que o mar teima em derrubar.


Castelo de Estremoz.

quinta-feira, 1 de outubro de 2026

Artes do Vagar e Mestres do Saber-fazer / 6 - ROBERTO CARREIRAS (1930-2017)

 

01 - Roberto Carreiras (1930-2017)


CRÉDITOS FOTOGRÁFICOS
Cortesia do Arquivo Fotográfico da CME
(Roberto Carreiras) e Luís Dias (peças)
.


Natural da Veiros (Estremoz), onde nasceu na Quinta do Leão. Aqui começou como vaqueiro e ali trabalhou toda a vida até se reformar.

Iniciou-se na Arte Pastoril como forma de ocupar o tempo enquanto guardava a manada. Os materiais usados começaram por ser a madeira, a cortiça, a cabaça, a cana, o buinho e o chifre. Estes eram trabalhados usando técnicas como a escultura ou o baixo-relevo. Todavia, viria a utilizar outros materiais como o arame, o xisto ou o mármore, nos quais expressava toda a sua imaginação criadora. De resto, era muito diversificada a temática das suas criações: brinquedos, antigas profissões, história, religião, touradas, etc.

Participou nas feiras de artesanato de Estremoz desde 1983. 

Hernâni Matos


02 - Colheres antropomórficas (par). Madeira. Cabos com decoração antropomórfica
obtida por vazamento, configurando um homem e uma mulher, de corpo inteiro. 42 x 6 cm.

03 - Colher e garfo. Madeira. Cabos com decoração incisa, fitomórfica e cordiforme. 35 x 5 cm.

04 - Rainha Santa Isabel. Madeira. Decoração incisa. 28 x 8 cm.

05 - Nossa Senhora do Rosário. Escultura em madeira. 27 x 5,5 cm.

Publicado no jornal E nº 387, de 2 de Outubro de 2026