[i] Bancos rústicos confeccionados com pernadas de sobreiro.
A Escrita como Instrumento de Libertação do Homem
BIBLIOGRAFIA
MUSEU DE LAMAS. Santo António de Lisboa – A Peça do mês. [Em linha]. Disponível em: https://museudelamas.blogspot.com/2011/06/santo-antonio-de-lisboa-peca-do-mes.html [Consultado em 10 de Setembro de 2026].
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CRÉDITOS FOTOGRÁFICOS
Cortesia do Arquivo Fotográfico da CME
(Roberto Carreiras) e Luís Dias (peças).
Natural
da Veiros (Estremoz), onde nasceu na Quinta do Leão. Aqui começou como vaqueiro
e ali trabalhou toda a vida até se reformar.
Iniciou-se
na Arte Pastoril como forma de ocupar o tempo enquanto guardava a manada. Os
materiais usados começaram por ser a madeira, a cortiça, a cabaça, a cana, o
buinho e o chifre. Estes eram trabalhados usando técnicas como a escultura ou o
baixo-relevo. Todavia, viria a utilizar outros materiais como o arame, o xisto
ou o mármore, nos quais expressava toda a sua imaginação criadora. De resto,
era muito diversificada a temática das suas criações: brinquedos, antigas
profissões, história, religião, touradas, etc.
Participou
nas feiras de artesanato de Estremoz desde 1983.
Hernâni Matos
É com profunda tristeza que a
Academia Portuguesa de Cinema manifesta o seu pesar pelo falecimento de Rui
Alves, profissional de cinema, cenógrafo, aderecista, artista plástico e homem
de múltiplos talentos, cuja longa carreira ficou marcada por uma extraordinária
dedicação ao cinema e às artes.
Nascido em Estremoz, em 1956, Rui
Alves frequentou o Curso de Artes Gráficas da Escola António Arroio e iniciou,
em 1975, um percurso profissional que se estenderia por várias décadas e por
diferentes áreas da criação artística. Cinema, fotografia, teatro, publicidade,
decoração, adereços, efeitos especiais, pintura e escultura fizeram parte de
uma atividade marcada pela curiosidade, pela versatilidade e por uma permanente
disponibilidade para criar.
No cinema, construiu um percurso
particularmente rico, trabalhando em diferentes funções ligadas à cenografia,
aos adereços e à construção dos universos visuais dos filmes. Desde os
primeiros trabalhos como assistente de cenografia, no final da década de 1970,
colaborou em produções portuguesas e internacionais, assumindo ao longo dos
anos responsabilidades como aderecista, aderecista de plateau, assistente de
decoração e responsável pela construção de adereços.
O seu nome encontra-se associado
a numerosas produções, entre as quais O Conde de Monte Cristo, Le Cercle des
Passions, La Lettre Voullè, To Catch a King, Giovanni Toscanini, Arsène Lupin,
L'Accompagnatrice e Fado pour une jeune fille, revelando desde cedo a dimensão
internacional do seu percurso profissional.
Ao longo da sua carreira, Rui
Alves colaborou igualmente em importantes obras do cinema português. Foi
responsável pela construção de adereços em Non ou a Vã Glória de Mandar, de
Manoel de Oliveira, e trabalhou como aderecista de plateau e em efeitos especiais
em Sinais de Fogo, entre muitos outros filmes.
A sua relação com o cinema
estendeu-se ainda à cenografia e à decoração. Em A Moura Encantada, de Manuel
Costa e Silva, surge creditado como aderecista e cenógrafo, testemunhando a
amplitude das competências que colocou ao serviço das produções em que participou.
Mas a sua atividade artística não
se limitou ao cinema. Rui Alves foi também pintor e escultor, desenvolvendo uma
obra própria em que explorou formas, volumes, cores e texturas. Expôs
regularmente o seu trabalho, apresentando, entre outras, a exposição Casas, em
Lisboa, e mostras realizadas em Estremoz, Évora e Aveiro.
Essa multiplicidade de interesses
e saberes definia também a sua presença profissional: um artista capaz de
transitar entre o trabalho manual e a criação plástica, entre a construção de
objetos e a composição de espaços, colocando a sua experiência e imaginação ao
serviço das histórias que o cinema procurava contar.
Ao longo de uma carreira iniciada
ainda nos anos 70, Rui Alves deixou uma marca discreta mas profunda nos
bastidores de numerosas produções. O seu trabalho, muitas vezes invisível aos
olhos do espectador, foi essencial para dar corpo, matéria e autenticidade aos
mundos criados pelo cinema.
A Academia Portuguesa de Cinema
presta homenagem ao seu percurso e ao importante contributo que deu ao cinema
português, recordando um profissional de grande versatilidade e um artista cuja
generosidade criativa se manifestou em múltiplos campos.
Aos seus familiares, amigos,
colegas e a todos aqueles que com ele partilharam tantos anos de trabalho e
amizade, a Academia Portuguesa de Cinema apresenta as suas mais sentidas
condolências.
Adquiri recentemente uma peça
olárica em barro vermelho de Estremoz, inteiramente polida, de 44 cm de altura,
sem marca de autor, pertencente à classe das peças moldadas de feição
modernista, vulgarmente designada por Picassos.
Trata-se de uma jarra invulgar, constituída
por uma figura extremamente bela e elegante, assente numa base hexagonal.
A imagem configura ser a
representação de um ser híbrido triplo, com cabeça e torso humano, as asas de uma ave e
uma cauda de peixe. Não sei nem quero especular sobre a real intenção que na
mente do oleiro presidiu à concepção desta figura. Apenas posso passar em revista
marcos históricos que de algum modo têm a ver com a representação de seres. híbridos.
Na História da Arte, a representação
de figuras híbridas é uma das marcas mais fortes do Surrealismo, o qual revolucionou
a arte através da libertação do inconsciente, dos sonhos e da imaginação,
rejeitando o controlo da razão, da lógica e das convenções sociais ou morais.
Tais criaturas híbridas desafiam a lógica da realidade e combinam elementos
que, no mundo real, nunca existiriam juntos.
Na Idade Média, os Bestiários,
os Saltérios e os Livros de Horas também continham
ilustrações com seres híbridos, as quais misturavam o ar, a terra e o mar para
chocar o leitor. De acordo com o Genesis, Deus tinha separado o céu, a
terra e as águas, mas o Diabo tentava baralhar e fundir essas fronteiras. Ver
este híbrido triplo naqueles livros lembrava ao leitor o caos que o aguardava
no Inferno.