(Jornal E nº 231, de 7-10-2019)
Publicado inicialmente em 20 de Outubro de 2019
A Escrita como Instrumento de Libertação do Homem
PUCARINHOS DE ESTREMOZ III
Famosos búcaros, na Espanha bem lendários
Benquistos a valer, de modo singular
Seus dons curativos, ninguém pôde negar
Bons predicados, destes barros centenários.
Exaltados por D. Filipe, El-Rei O Prudente
Por Velázquez coloridos com talento
Perduram naquele magnífico momento
Com as Meninas, companhia tão luzente!
Francisco Quevedo, satírico e mordaz
Ilustrava sua beleza que é fugaz
Que a vida é frágil e o humano ser vaidoso.
Lope de Vega, também Góngora afamaram
Nos seus dramas e poemas elogiaram
Este presente de Deus Padre, sumptuoso!
Estremoz - 15.09.2026
Luís Brito da Luz
Irmãs,
naturais de Pavia. Joana Simões foi durante largos anos professora do ensino
técnico em Estremoz, no qual leccionou lavores femininos. Por sua vez, Joaquina
Simões fez carreira como professora do ensino primário em Pavia, onde cultivou
sempre o gosto pelas artes tradicionais da região.
Após
a aposentação dedicaram-se à arte do papel recortado, procurando recuperar a
fase erudita do mesmo. Só então o fizeram por entenderem que é uma arte que
exige disponibilidade de tempo e tranquilidade de espírito.
Vejamos
qual o procedimento seguido no recorte do papel. Cada irmã desenhava o seu
próprio trabalho numa folha de papel à parte, donde depois era copiado tantas
vezes quantos as necessárias para uma folha de papel branco de tipografia.
Seguia-se o recorte do papel, tarefa que era repartida entre as duas irmãs,
pelo que cada trabalho constitui uma criação a duas mãos. Joana começava por
recortar o papel, mas quem apurava os recortes era Joaquina que tinha uma vista
mais apurada e uma mão mais firme. Havia seguidamente a necessidade de passar
cada trabalho a ferro quente para alisar o papel. Para finalizar cada trabalho
de papel recortado era assente num fundo escuro e emoldurado com vidro.
Para
recortar o papel, as irmãs Simões utilizavam 12 tesouras muito bem afiadas,
umas de bico recurvado, outras para cortar a direito, sobressaindo no conjunto
três muito especiais, vindas da China. Em 1987, o poeta António Simões, num
texto admirável a que deu o título de “JOANA E JOAQUINA SIMÕES E AS TESOURAS DE
VENTO” interroga-se: “Como é possível
recortar-se papel desta maneira?” perguntam-se todos os que contemplam os seus
trabalhos, perplexos perante uma maestria na fronteira do inacreditável.”
As
irmãs Simões começaram por fazer trabalhos que configuravam naperons de renda,
só que esta era de papel. Ao recortarem papel com uma simples tesoura, a
superfície deste animava-se como se agulhas e linhas a estivessem bordando.
Estes trabalhos apresentavam simetria radial. Depois aparecem outros com
simetria axial e mais tarde outros completamente assimétricos.
A
geometria dos trabalhos é em geral circular, quadrangular ou rectangular, tanto
horizontal como vertical.
A
decoração inclui motivos geométricos, fitomórficos, zoomórficos e
antropomórficos, combinados de diferentes modos.
Nos
seus trabalhos figuram pássaros a voar e outros pousados, em especial pavões.
Surgem também flores, entre elas cravos e amores perfeitos, vasos de flores e
campos de flores, letras capitulares de iluminura, desenhos de perfil
filigranado e labirintos em papel rendilhado.
A
dado momento passam a subscrever a autoria do trabalho de papel recortado,
apondo por baixo a assinatura “Simões”, também ela em papel recortado.
Participaram
nas feiras de artesanato de Estremoz desde 1983 e realizaram exposições em
Estremoz, Monforte, Pavia e Festa do Avante.

Trata-se de uma ovelha que
supostamente se viu afastada das suas congéneres e do respectivo pastor na cena
presepial, com a qual alguém desconhecido, ciclicamente reconstituiu e comemorou
a Natividade. Daí a epígrafe escolhida para o presente texto: Ovelha
tresmalhada, tema central da Parábola Bíblica da Ovelha Perdida, referida
em dois Evangelhos sinópticos do Novo Testamento (Mateus 18:10–14 e Lucas
15:1–79), bem como no Evangelho apócrifo de Tomé (Tomé 107).
Como coleccionador, bem gostaria
de ser capaz de à ovelha tresmalhada que neste momento integra a minha colecção
particular, juntar o resto do primitivo rebanho, assim como o pastor que em
terreno presepial, simbolicamente assegurava o pastoreio. Tal não é possível.
BIBLIOGRAFIA
MUSEU DE LAMAS. Santo António de Lisboa – A Peça do mês. [Em linha]. Disponível em: https://museudelamas.blogspot.com/2011/06/santo-antonio-de-lisboa-peca-do-mes.html [Consultado em 10 de Setembro de 2026].