terça-feira, 13 de agosto de 2019

Bonecos de Estremoz: Ana das Peles (1.ª parte)


Fig. 1 - Sá Lemos trocando impressões com ti Ana das Peles numa sala de aulas da
Escola Industrial António Augusto Gonçalves. Fotografia de Rogério de Carvalho
(1915-1988), publicada no semanário estremocense “Brados do Alentejo” nº 250,
de 10 de Novembro de 1935. Arquivo fotográfico do autor.


A extensão do texto e o considerável
número de ilustrações, aconselhou que
fosse dividido em duas partes,
 que serão publicadas sucessivamente.

Nasceu às 8 horas da manhã de 22 de Novembro de 1869 numa casa da Rua da Porta da Lage, na freguesia de Santo André, concelho de Estremoz. Filha legítima de Manuel Joaquim da Silva, proprietário, natural de Fornos de Algodres e de Maria Domingas, governadeira de sua casa, natural da freguesia de São Bento do Cortiço, concelho de Estremoz.
Ana Rita seria baptizada a 15 de Dezembro de 1869, na igreja paroquial de Santo André, Estremoz (1). Em data que não consegui determinar, casou com Jacinto Manuel, natural de Bencatel.

Trabalho com Sá Lemos
José Maria de Sá Lemos, director da Escola Industrial António Augusto Gonçalves desde 21 de Abril de 1932, constatando que está extinta a tradição de manufactura dos Bonecos de Estremoz, atribui a si próprio a missão da sua recuperação, para o que precisaria da colaboração de alguém que em tempos os tivesse confeccionado. Teve conhecimento da existência de Ana Rita da Silva, então com 63 anos de idade, que em tempos manufacturara os Bonecos de assobio e assistira à feitura dos Bonecos, mas entendia que não era capaz de os fazer. Sá Lemos intuiu que seria, por se lhe ter tornado evidente que a técnica era a mesma. Dois anos levou a convencê-la, mas como “Quem porfia, sempre alcança”, Sá Lemos alcançou o seu objectivo, estimulando-a, orientando-a e trabalhando em conjunto com ela na Escola (Fig. 1). Em Novembro de 1935, em artigo publicado no jornal Brados do Alentejo (12), confessa que a sua missão fora coroada de êxito. Daí para a frente existirá uma frutuosa cooperação entre ambos e é com ela que sob a sua orientação, que o oleiro Mariano da Conceição, mestre de olaria na Escola, aprende a arte bonequeira.
Em 1935 os Bonecos de Ana das Peles participaram na “Quinzena de Arte Popular Portuguesa” realizada na Galeria Moos, em Genebra. Em 1936 estiveram presentes na Secção VI (Escultura) da Exposição de Arte Popular Portuguesa (Fig. 6), em 1937 na Exposição Internacional de Paris (Fig. 7) e em 1940 na Exposição do Mundo Português (Fig. 3). Aí os Bonecos de Mariano da Conceição estiveram a ser pintados por sua mulher Liberdade da Conceição (Fig. 4), face à impossibilidade de Mariano estar presente por ser funcionário público.

Fala um neto de Ana Rita
O cineasta José Manuel Silva Madeira, neto de Ana Rita, prestou-me o seguinte depoimento escrito (4) sobre a avó: “A minha avó era conhecida por Ti Ana das Peles, mas o seu nome próprio era Ana Rita da Silva. Era a mãe de minha mãe e de duas tias.
Uma das minhas tias, a Ti Luzia, era casada com Mestre Cassiano que viera de Elvas e aprendera o ofício de barro fino na Cerâmica Estremocense de Mestre Emídio Viana, situada na Rua do Lavadouro, em Estremoz. Dali saiu para montar olaria de barro grosso na Rua do Afã, 36-B, no Bairro de Santiago, em Estremoz.
A minha avó vendia louça de barro vermelho de Mestre Cassiano no mercado de sábado em Estremoz e durante a semana era almocreve, uma vez que se deslocava às aldeias e vilas do concelho, com um burro aprestado de alforges, contendo pratos, panelas e outros objectos utilitários que vendia. Nas suas deslocações comprava peles secas de animais que viriam a ser utilizadas na manufactura de golas, casacos, pantufas, tapetes, etc., o que está na origem da sua alcunha “Ana das Peles”.
Era uma mulher independente, que assegurava a vida da família num tempo em que as mulheres raramente saíam à rua, ficando em casa e ocupando o seu tempo nas tarefas domésticas, bem como nos bordados e na costura.
O seu marido (o meu avô) morreu vítima da gripe espanhola. Assim ela era a única pessoa que sustentava economicamente a família.
A minha avó tinha o dom de fazer mezinhas e de curar pessoas, como era corrente naquele tempo, quando as famílias não tinham posses para ir aos médicos. Tinha essas práticas não só junto da família, como de outras pessoas que a procuravam. Para mim, era uma pessoa muito estranha, que eu considerava uma espécie de bruxa que me assustava, pelo que eu tremia na sua presença.
A sua reputação está indissociavelmente ligada à recuperação dos “Bonecos de Estremoz”, uma vez que o escultor José Maria Sá Lemos, director da Escola Industrial António Augusto Gonçalves de Estremoz, contou com ela para a recuperação duma tradição que se tinha perdido no tempo. E dava-lhe conselhos para aperfeiçoar a sua técnica e sobre as cores a usar. A reputação dos Bonecos de Estremoz veio a espalhar-se, pelo que se tornaram muito apreciados e foram adquiridos pelos principais museus do país.
O fim da vida da minha avó foi dramático, já que viveu na miséria antes de morrer nos Quartéis, no Bairro de Santiago, onde muitas pessoas idosas e sem meios económicos eram abandonadas e esquecidas até chegar a morte. No entanto, a sua reputação ultrapassou fronteiras, sobretudo depois da Exposição do Mundo Português”.

A oficina de Ana das Peles
A senhora Felicidade da Luz Rodrigues Carrapiço (1930- ), de 88 anos de idade e actualmente moradora na Rua Brito Capelo, nº 3 (já morou noutros números desta rua), informou-me que a ti Ana das Peles morava e tinha oficina (Fig. 2) na Rua Brito Capelo nº 21, onde ainda há bem pouco tempo era a churrasqueira “Frango e Companhia” de José Maria Calquinhas. Era aí que comercializava as suas criações.

Sá Lemos como agente de vendas de Ana das Peles
Duas cartas de Sá Lemos endereçadas a Azinhal Abelho e que acompanhavam a colecção de Bonecos de Ana das Peles pertencente ao poeta, a qual eu adquiri em Julho de 2018, revelam que Sá Lemos funcionava como agente de vendas de Ana das Peles.
A primeira carta, dactilografada em papel timbrado pessoal, expedida de Estremoz por Sá Lemos e datada de 4 de Março de 1938, diz a certo trecho (8): “Relativamente à encomenda dos bonecos, temos de esperar algum tempo, porquanto a “ti Ana” está a dar os últimos toques numa encomenda, isto é, em várias pequenas encomendas. Só depois dará começo à sua, mas eu esforçar-me-ei para que não demore demasiado. Porém sabe que ela já não tem forças para grandes corridas. A colecção tem já alguns exemplares novos, alguns dos quais adquiridos no museu de Elvas, donde trouxe também uma cantarinha enfeitada, género pucarinho.”
A segunda carta, igualmente dactilografada em papel timbrado pessoal, expedida de Estremoz por Sá Lemos e datada de 7 de Maio de 1938, diz a certa altura (10): “A “Ti Ana” cá está amanhando os bonecos que encomendou, mas ela produz tão morosamente que não é fácil atender os pedidos com a rapidez que eu desejava. Agora veio ainda uma pessoa pedir-me o compromisso de mandar loiças e Bonecos de Estremoz à exposição regional de Coimbra, e como estou sempre pronto a contribuir para um melhor conhecimento das coisas bonitas do Alentejo, escusado será dizer-lhe que lhe assegurei o meu concurso, embora ainda não saiba como.”
Para além destas duas cartas há mais três cartas manuscritas em papel não timbrado, pertencentes ao espólio documental do poeta Azinhal Abelho, adquirido pela Câmara Municipal de Borba em 2007, e cuja consulta me foi facultada em Julho de 2018 pelo presidente António José Lopes Anselmo.
A terceira carta foi expedida de Estremoz por Sá Lemos e datada de 17 de Abril de 1942, três dias antes da inauguração da Pousada de Santa Luzia em Elvas [1] . Na parte que se refere a Bonecos de Estremoz diz (6): “Hoje mesmo lhe remeto alguns dos bonecos que pediu na sua carta. Vão numa cesta, que fará o favor de me devolver pela mesma via. Assim evitaremos uma caixa de madeira que ficaria mais cara.
Desculpe não lhe mandar tudo o que me pede, mas foi o que se conseguiu arranjar por agora. Vão lhe ser remetidos pela camioneta como é seu desejo.
Amanhã lhe enviarei a factura dos bonecos e transporte.”
No final da carta há um “post scriptum”:
“P.S. - Nota dos bonecos remetidos: - 7 lanceiros com bandeira; - 2 mulheres a dobar; - 1 mulher das galinhas; - 1 mulher dos enchidos; - 1 pastor a comer; - 1 pastor das migas; - 2 pastores ajoelhados com um borrego; 2 pastores com dois borregos; - 2 ofertantes das pombas; - 2 pucarinhos enfeitados; - 2 cantarinhas.”
A quarta carta foi também expedida de Estremoz por Sá Lemos e datada de 22 de Abril de 1942, três dias depois da inauguração da Pousada de Santa Luzia em Elvas. A parte que nos chamou a atenção refere (7) “Antes de mais nada quero felicitá-lo pela linda festa de inauguração que teve na poética Pousada de Santa luzia, e que eu acompanhei através da E. N. 39. [2] Oxalá que lhe traga proveito material, porquanto espiritual não faltará.
Agora aguardo a oportunidade de lhe fazer uma visita, o que não poderá ser tão cedo, mas eu saberei esperar com paciência.
Hoje envio-lhe a factura dos bonequitos de Estremoz que lhe remeti, pedindo desculpa de não lhe poder enviar todos os que me pediu na sua carta.
Logo que possa mande-me o cabaz pois é um traste que me está sempre a fazer falta.”
A quinta carta, igualmente expedida de Estremoz por Sá Lemos e datada de 4 de Dezembro de 1942, comunica que (8): “O S.P.N. [3] pediu-me dez presépios para o Natal. Também outros me têm pedido, mas o que é certo é que eu já não tenho probabilidades para atender essas encomendas. Este ano vou fechar as contas deste negócio com um aumento grande de trabalhos. No Porto já há uma casa que vende
estes bonecos e que eu mando daqui. Se ao meu amigo for possível liquidar a factura dos que foram para a Pousada, era favor que muito agradecia, pois deseja fechar as contas deste ano com tudo liquidado.”
A decoração da Pousada foi feita com recurso a Bonecos, como nos revela Augusto Cunha (3): “Na Pousada de Santa Luzia tudo o que era regional se aproveitou para o seu recheio e decoração: as mantas de Reguengos, os bonecos de barro de Estremoz, as graciosas mobílias alentejanas, as louças, as pinturas ingénuas…”.

A velha de Estremoz
A fama de Ana das Peles chegou a países como a França. Neste país, no “L’Itinéraire Portugais”, editado pela Grasset em Paris, em 1940, o escritor francês de origem belga, Albert t’Serstevens (1886-1974), fala sobre “A velha de Estremoz”, na sequência da visita que fez a Estremoz (13): “…fomos ver uma mulher muito idosa que modela e pinta figuras de barro a que chamam aqui “bonecos” e como não há uma única que não seja enternecedora, trouxemos uma caixa cheia.
Não sei como é que se chama esta velha e não faço questão de saber. A arte popular é essencialmente anónima e a chamada arte ganharia em sê-lo. Uma obra de arte basta-se a si própria, o estado civil de quem a criou não acrescenta nada a não ser o palavreado dos críticos.”
Mais adiante acrescenta: “Esta velha de Estremoz imprime às suas obras uma originalidade e uma poesia tão grandes, que eu reconheceria uma entre mil outras mãos. No seu corpo ressequido brilha uma alma de criança e essa felicidade sempre jovem ilumina tudo o que ela cria.
Encontrámo-la atrás da sua banca – uma tábua em cima duma caixa – ao lado de uma janela tapada por um jornal.
Cabeça comprida, quase simiesca, não fosse a testa alta e os olhos magníficos, ampliados por óculos enormes.
O lenço negro que lhe cobre a cabeça (Fig. 5), torna extraordinário o rosto marcado por rugas e lavrado pelo claro--escuro. Com mãos rudes afeiçoa no barro o corpo de um personagem para o qual modelará de seguida o vestuário e os adornos. Não dispõe de outros utensílios, a não ser as mãos e uma velha faca de cozinha; junto dela, em cima de um banco, um alguidar de esmalte onde molha os dedos.”
Continuando, refere: “… e encontramos entre as obras desta velha os tipos tradicionais: José, Maria, os reis magos, os pastores, os camponeses, os mercadores, os artesãos, todo esse pequeno mundo que rodeia familiarmente o Presépio, na Provença, em Praga ou no campo italiano. Como se faz noutros países, ela representa os homens da sua província, mas acrescenta-lhes a sua própria poesia na forma e na cor, o que faz destes bonecos de barro criaturas espirituais.
Além disso, ela vai muito além da observação do seu Alentejo, das suas profissões e dos seus costumes. A sua imaginação está repleta de negros coroados de plumas ou de capacetes complicados, alegorias estranhas onde se pode ver a cornucópia e a venda do amor é cego. Ela sabe, à partida, que nada é trivial, que cada coisa é um pedaço de céu. Ela faz um poema de um cestinho cheio de ovos e de duas galinhas numa cerca. Ela põe aves por todo o lado, e o presépio do menino Jesus, branco e azul, decorado com florzinhas, serve de poleiro a pombas, galinhas, galos, aves vermelhas e brancas como não há em parte nenhuma.
Ela conhece, enfim, a alegria das estações e a alegria de estar no mundo: como aquela Primavera (é assim que ela lhe chama), um negro sorridente que segura uma grande bandeja cheia de flores multicolores; e essa figura a que ela chama “O soldado no jardim”, um copo assente num pé, tendo no meio, sentado numa cadeira, com a cabeça inclinada com serenidade, imagem do pobre diabo livre da guerra que reencontra o seu campo, a sua razão de ser, a sua alegria de camponês.”

Falecimento de Ana das Peles
Ana Rita da Silva faleceu às 5 horas do dia 19 de Fevereiro de 1945 no Hospital da Misericórdia de Estremoz, com 75 anos de idade, vítima de senilidade. Era viúva há dez anos de Jacinto Manuel, natural de Bencatel (2).

Elogio fúnebre de Ana das Peles
O elogio fúnebre de Ana da Peles foi feito por Sá Lemos em artigo intitulado “Morreu a Ti Ana das Peles (11), o qual reproduzo na íntegra:
“Como eu me lembro daquela tarde quente em que a convenci a tentar o ressurgimento dos bonequitos de Estremoz! Foi no pavilhão, ali no Rossio, em que se expunham os trabalhos da Escola Industrial [4], e onde, a par de algumas peças de olaria, um púcaro de Estremoz de avantajadas proporções, decorado no bojo com bonecos (Fig. 8).
Havia dois anos que me esforçava por trazê-la para junto de mim a tentar esse ressurgimento. E nessa tarde, então, nessa tarde quente, asfixiante, quando ela admirava o tal púcaro, aceita por fim a iniciar-se no teimoso empreendimento.
Com que saudade eu recordo a companheira de alguns anos que ela foi nesta campanha tão agradável!
Como eu recordo as suas mãos finas amoldando o barro em tratos preconcebidos e amorosos, como mãe estremosa endomingando os meninos! Com que jeito e arte vestia o pelico aos seus pastores e ajoelhava os borregos a seus pés!
Morreste, velhinha, mas os teus bonecos não morrerão. Ficarão vivendo como se fossem a tua própria alma. Ficarão aqui e ficarão pelo mundo culto espalhados a atestar a tua delicada
sensibilidade, nesta admirável arte popular.
Morreu a Ti Ana das Peles, a última abencerragem, como lhe chamou Celestino Davide. Lá a fomos levar, numa terça-feira, à sua última jazida, feita do mesmo barro com que modelou os seus bonecos. Bem hajas pelo que do teu espírito deixaste nesses bonequitos que tanta gente culta têem apaixonado. Dorme em sossego, que eles não morrerão.
Estremoz, 20 de Fevereiro de 1945 / Sá Lemos.”

BIBLIOGRAFIA                         
1 - Ana Rita da Silva (Ana das Peles) – Assento de Baptismo nº 152 de 1869, da Freguesia de Santo André, concelho de Estremoz.
2 - Ana Rita da Silva (Ana das Peles) – Transcrição do Assento de Óbito nº 9 de 1945 da Conservatória do Registo Civil de Estremoz.
3 - CUNHA, Augusto. Pousada de Santa Luzia - Elvas in PANORAMA, nº9, Junho de 1942, vol. 2. Lisboa, 1942.
4 - MADEIRA, José Manuel Silva. Depoimento sobre Ti Ana das Peles. Paris, 2017. sp.
(5) - MARQUES CRESPO, José Lourenço. Estremoz e o seu Termo Regional. Edição do autor, Estremoz, 1950 (pág. 194).
6 - SÁ LEMOS, José de. Carta a Azinhal Abelho. Estremoz, 17/4/1942. ASSUNTO: Encomenda de bonecos de Ana das Peles feita por Azinhal Abelho, concessionário da Pousada de Santa Luzia, em Elvas. Espólio documental do poeta Azinhal Abelho, pertencente ao Arquivo da Câmara Municipal de Borba.
7 - SÁ LEMOS, José de. Carta a Azinhal Abelho. Estremoz, 22/4/1942. ASSUNTO: Encomenda de bonecos de Ana das Peles feita por Azinhal Abelho, concessionário da Pousada de Santa Luzia, em Elvas. Espólio documental do poeta Azinhal Abelho, pertencente ao Arquivo da Câmara Municipal de Borba.
7 - SÁ LEMOS, José de. Carta a Azinhal Abelho. Estremoz, 4/12/1942. ASSUNTO: Encomenda de bonecos de Ana das Peles feita por Azinhal Abelho, concessionário da Pousada de Santa Luzia, em Elvas. Espólio documental do poeta Azinhal Abelho, pertencente ao Arquivo da Câmara Municipal de Borba.
8 - SÁ LEMOS, José de. Carta a Azinhal Abelho. Estremoz, 4/3/1938. ASSUNTO: Encomenda de bonecos de Ana das Peles feita por Azinhal Abelho. Arquivo de Hernâni Matos.
10 - SÁ LEMOS, José de. Carta a Azinhal Abelho. Estremoz, 7/5/1938. ASSUNTO: Encomenda de bonecos de Ana das Peles feita por Azinhal Abelho. Arquivo de Hernâni Matos.
11 - SÁ LEMOS, José de. Morreu a Ti Ana das Peles in Brados do Alentejo nº 736, 25/02/1945. Estremoz, 1945 (pág. 1).
12 - SÁ LEMOS, José de. Os bonecos de Estremoz / “Versos Irónicos em barro” in Brados do Alentejo nº 250, 10/11/1935. Estremoz, 1935 (pág. 5).
13 - T’SERSTEVENS, Albert. La vieille d’ Estremoz in L’Itinéraire Portugais”, 3ª ed. Grasset. Paris, 1955 (pág. 132 a 134).



[1] A Pousada de Santa Luzia em Elvas, foi inaugurada a 19 de Abril de 1942. Construída pelo Ministério das Obras Públicas e entregue ao Secretariado de Propaganda Nacional dirigido por António Ferro, teve como 1º concessionário o poeta Azinhal Abelho.
[2] Emissora Nacional.
[3] Sindicato de Propaganda Nacional. 
[4] A exposição decorreu durante a Feira de S. Tiago. Em geral, esta realizava-se em Estremoz de 25 (Dia de S. Tiago) a 27 de Julho e era a mais importante do ano. Abundante de queijo, calçado, quinquilharias, produtos agrícolas e hortícolas e pecuária. As restantes eram a Feira de Santo André (de 30 de Novembro a 3 de Dezembro) e a Feira de Maio no 2º sábado e 2º domingo do mês de Maio (5)-pág.194.

Hernâni Matos 

Fig. 2 - Ti Ana das Peles a pintar Bonecos na sua oficina na Rua Brito Capelo nº 21
em Estremoz, local onde também residia na época. Fotografia de Rogério de
Carvalho (1915-1988). Arquivo fotográfico do autor.

Fig. 3 - Durante a Exposição do Mundo Português, os Bonecos de Estremoz de ti Ana
das Peles marcaram também presença numa vitrina expositora no “Pavilhão da Vida
Popular”, na “Sala de Artes e Ofícios”. Fotografia publicada no livro “MUNDO
PORTUGUÊS/ IMAGENS DE UMA EXPOSIÇÃO HISTÓRICA/1940”. SNI. Lisboa, 1956.

Fig. 4 - Liberdade da Conceição, mulher de Mariano da Conceição a pintar Bonecos
de Estremoz na Exposição do Mundo Português. Fotografia do documentário
“A Grande Exposição do Mundo Português” (1940), de António Lopes Ribeiro. 

Fig. 5 - Ana das Peles [Ana Rita da Silva (1869-1945)]. Fotografia de Albert t’Serstevens
(1886-1974). Arquivo fotográfico do autor.

Fig. 6 - Inauguração da Exposição de Arte Popular Portuguesa, realizada em Lisboa,
em 1936, nas instalações do Secretariado de Propaganda Nacional. Oliveira Salazar
conversando com o etnólogo Francisco Lage, frente a uma vitrina onde estão patentes
Bonecos de Estremoz, da autoria de Ana das Peles. Fotografia de Mário Novais (1899-1967).
Fotografia da Biblioteca de Arte da Fundação Calouste Gulbenkian.

Fig. 7 - Exposição Internacional de Paris, 1937. Pavilhão de Portugal. Sala de Arte
Popular. Na vitrina estão expostos Bonecos de Estremoz, da autoria de Ana das Peles.
Fotografia de Mário Novais (1899-1967). Fotografia da Biblioteca de Arte da Fundação
Calouste Gulbenkian.


Fig. 8 - Um trecho da exposição de trabalhos da Escola Industrial António
Gonçalves no pavilhão da Feira de Santiago, que no ano de 1935, teve lugar
entre 25 de Julho e 5 de Agosto. O pavilhão de exposições fora mandado
construir pela Câmara Municipal e situava-se num dos cantos do Rossio Marquês
de Pombal. Em segundo plano, um púcaro de Estremoz de avantajadas proporções,
decorado no bojo com Bonecos de Estremoz, como refere Sá Lemos no elogio
fúnebre a Ana das Peles (11). Fotografia do Arquivo Fotográfico Municipal de
Estremoz / BMETZ.

sexta-feira, 9 de agosto de 2019

Brinquedos de louça de Estremoz


Fig. 1 - Pote com tampa. Finais do séc. XIX.

Algures em 2012 recebi um telefonema da barrista Maria Luísa da Conceição, minha vizinha e amiga, a qual me disse:
- “Por motivo de saúde, uma amiga minha vai passar a viver com a filha e está a desfazer-se de coisas pelas quais não tem interesse especial. É o caso de umas louçinhas de Estremoz, que talvez lhe possam interessar.”
Perguntei-lhe então:
- “Quem é a senhora?”
Resposta da barrista:
- “Você conhece. É a Isolete Correia que foi telefonista e colega da senhora sua mãe”.
Nessa altura o meu coração deu um baque. É que eu sabia que a senhora herdara a colecção de Bonecos de Estremoz do Tenente-coronel Pinto Tavares, a qual vendeu a um comerciante do Mercado das Velharias, que por sua vez a vendeu ao pintor Armando Alves. É uma colecção extraordinária que foi adquirida pelo Armando e me escapou das mãos porque eu cheguei ao Mercado às 8 horas e ele tinha chegado mais cedo. Acreditem ou não, andei doente uma semana por causa dessa perda. Valeu-me a abertura do Armando que me franqueou as portas da sua casa, a fim de fotografar os bonecos, para estudar posteriormente. Tive que recorrer ao Luís Mariano Guimarães, já que eu e as máquinas fotográficas não nos damos lá muito bem. No conjunto fotografado havia três loucinhas, ou seja, três “Brinquedos de louça de Estremoz”. Pressenti então que a senhora podia ter ficado ainda com alguns desses brinquedos. Depois da barrista Maria Luísa da Conceição me ter dado o número de telefone da senhora e eu ter combinado com ela a hora de ir a sua casa, lá fui. O meu pressentimento estava certo. Comprei-lhe então aqueles brinquedos, o que me deu imensa satisfação.
Os “Brinquedos de louça de Estremoz” que ilustram este texto são uns do Armando e outros meus. Pertenceram todos à colecção do Tenente-coronel Pinto Tavares e passo a apresentá-los: Pote com tampa (Fig. 1), Panela com tampa (Fig. 2), Cântaro com tampa (Fig. 3), Bilha (Fig. 4), Bule (Fig. 5), Bule (Fig. 6), Fogareiro (Fig. 7), Apito de água (Rouxinol) (Fig. 8), todos dos finais do séc. XIX.
De “Brinquedos de Louça de Estremoz” nos fala Virgílio Correia (1)-pág. 80: “Na feira de S. Tiago — a grande feira estremozense — do ano que passou, apareceram á venda, ao lado dos bonequinhos de barro pintado e dos usuaes pucarinhos e rouxinoes para creanças, uns brinquedos de tipo especial, fortemente policromados, que, segundo afirmava a sua única vendedora, não vinham ao mercado havia muitos anos.
Fora o caso que um seu parente, oleiro, preso nas cadeias da vila, mandara ir para a sala onde temporariamente pousava, uma porção de reduções de utensílios, de uso infantil, e entretivera-se enchendo os pequeninos bojos e tampas de pinturas de gosto antiquado. Sobre
a chacota, pintara ramos e linhas cruzadas, empregando o branco, o azul brando e o azul carregado, o verde, o vermelho e o côr de vinho, as mesmas cores adotadas no colorido dos bonecos. A ideia, porém,não era dele; lembrara-se de que, anos atraz, em Estremoz, este tipo de decoração era ainda corrente...”
E mais adiante (1): “Tive, dias depois da feira, ocasião de ver a oficina onde pintavam os brinquedos. Sentada numa cadeirinha baixa, deante de uma daquelas minúsculas mezinhas onde o alentejano come, sob a chaminé, rodeada de tijelinhas, a artista — era uma mulher que então trabalhava — ia colorindo, riscando, pontuando e borrando a chacota avermelhada dos brinquedos.
No meio de todas aquelas conchas de cores diferentes, lembrava um iluminador, preparando
uma capitular, ou uma cercadura naturalista.”
O tema dos “Brinquedos de Louça de Estremoz” viria a ser retomado mais tarde por Virgílio Correia (2)-pág.105, que dá a conhecer a imagem de nove desses brinquedos com diferentes morfologias e decorações.

BIBLIOGRAFIA
1 - CORREIA, Virgílio. Brinquedos de Louça de Estremoz in Revista Terra Portuguesa - Revista Ilustrada de Arqueologia Artística e Etnografia,, nº 3, Abril de 1916. Lisboa, 1916 (pág.80).
2 - CORREIA, Virgílio. Brinquedos de Louça de Estremoz in Revista Terra Portuguesa - Revista Ilustrada de Arqueologia Artística e Etnografia, nº 10 e 11, Novembro e Dezembro de 1916 (pág. 105).

 Fig. 2 - Panela com tampa. Finais do séc. XIX.

 Fig. 3 - Cântaro com tampa. Finais do séc. XIX.

 Fig. 4 - Bilha. Finais do séc. XIX.
Colecção Armando Alves.

 Fig. 5 - Bule. Finais do séc. XIX.
Colecção Armando Alves.

 Fig. 6 - Bule. Finais do séc. XIX.
Colecção Armando Alves.

 Fig. 7 - Fogareiro. Finais do séc. XIX.

Fig. 8 - Apito de água (Rouxinol). Finais do séc. XIX.

sexta-feira, 2 de agosto de 2019

Olaria enfeitada


Fig. 1 - Cantarinha enfeitada. Irmãs Flores (2000).


A olaria enfeitada não integra o figurado de Estremoz. Trata-se de peças produzidas na roda pelos oleiros e enfeitadas “à maneira de Estremoz” e na qual predominam cores como o zarcão, o azul, o verde e o vermelho. São peças com dupla autoria, que ostentam por vezes na base, as marcas dessa dupla autoria.
Na olaria enfeitada é possível distinguir dois sub-conjuntos com funcionalidades distintas:
- VASILHAME ENFEITADO: Cantarinha enfeitada (Fig. 1), Púcaro enfeitado ou Fidalguinho (Fig. 2), Terrina enfeitada (Fig. 3), Chávena e pires enfeitados (Fig. 4) e Vaso enfeitado (Fig. 5);
- ILUMINÁRIA ENFEITADA: Candelabro enfeitado (Fig. 6), Castiçal enfeitado (Fig. 7) e Palmatória enfeitada (Fig. 8).
A cantarinha enfeitada e o púcaro enfeitado integram a Sistemática dos Bonecos de Tradição por serem comuns à produção de todos os barristas. Já exemplares como Terrina enfeitada, Chávena e pires enfeitados, Vaso enfeitado, Candelabro enfeitado, Castiçal enfeitado e Palmatória enfeitada, são incluídos na Sistemática dos Bonecos da Inovação, por não serem comuns à produção de todos os barristas.


 Fig. 2 - Púcaro enfeitado (ou Fidalguinho). Olaria Alfacinha (sd).

Fig. 3 - Chávena e pires enfeitados. Autor desconhecido (finais do séc. XIX).
Colecção Armando Alves.
  
 Fig. 4 - Vaso enfeitado. Mariano da Conceição (sd).
Colecção Jorge da Conceição.

 Fig. 5 - Candelabro enfeitado. Olaria Alfacinha (sd).
Colecção Irmãs Flores.

 Fig. 6 - Castiçal enfeitado. Irmãs Flores (2018).

Fig. 7 - Palmatória enfeitada. Liberdade da Conceição (1983).

quarta-feira, 24 de julho de 2019

Bonecos de Estremoz: Sabina da Conceição Santos


Sabina da Conceição Santos (1921-2005) nos anos 70 do séc. XX, tendo à sua
direita as discípulas Maria Inácia Fonseca (1957- ) e Perpétua Sousa (1958- ).
Fotografia de Xenia V. Bahder. Arquivo fotográfico do autor.

Sabina Augusta da Conceição nasceu às 22 horas de 1 de Julho de 1921 num prédio da calçada da Frandina, em Estremoz. Filha legítima de Narciso Augusto da Conceição, oleiro, de 50 anos de idade, natural da freguesia de Santo Antão, Évora e de Leonor das Neves, doméstica, de 45 anos, exposta, natural da freguesia de Santo André, Estremoz. Neta paterna de Caetano Augusto da Conceição, oleiro e de Sabina Augusta, doméstica. Neta materna de avós incógnitos (8). Com 12 anos de idade e com o pai já falecido (suicídio por enforcamento a 10 de Junho de 1933, com a idade de 61 anos), candidata-se em 23 de Agosto de 1933 ao exame de admissão à Escola Industrial António Augusto Gonçalves e, tendo sido aprovada, matricula-se no Curso de Tapeceira (3 anos), após o Dr. Lourenço Marques Crespo ter atestado que Sabina tem robustez física, não sofre de doença suspeita ou contagiosa e foi vacinada há menos de 5 anos (7).
Em 5 de Julho de 1942, com 21 anos de idade, casa-se na Igreja de Santa Maria em Estremoz, com Joaquim Luiz de Matos Santos, empregado de escritório, de 24 anos de idade. Adopta então o apelido Santos do marido (5). Em 1960, depois da morte do seu irmão Mariano da Conceição, dá continuidade à manufactura dos Bonecos de Estremoz na Olaria Alfacinha, conjuntamente com as suas cunhadas, Maria José Cartaxo da Conceição (1923-2013) e Teresa Cabaço Cid da Conceição (1922-1962)[1]. A oficina era então na Rua da Campainha, nº 18. Depois do falecimento de Teresa Cid em 1962 (9), Sabina continua a trabalhar com Maria José, até que motivos de natureza pessoal a levam a romper a sociedade e a trabalhar sozinha. Passa a fazê-lo no armazém da Olaria Alfacinha, situado na Rua Pedro Afonso, nº 1, donde transitou posteriormente na segunda metade dos anos 60 para a oficina da Rua Brito Capelo, nº 35. Esta era propriedade dum tio de Octávio Palmela, marido de Maria Luísa da Conceição e foi usado inicialmente como armazém da Sapataria Palmela, que ficava situada ao fundo da Rua Brito Capelo. Desactivado o armazém, o espaço foi arrendado a Sabina Santos. Ali trabalhou até se aposentar, em 1988, fixando-se então em Ribamar, Lourinhã.
A importância de Sabina na barrística popular estremocense é incomensurável. Por um lado, tomou a atitude corajosa de prosseguir com estilo muito próprio, a manufactura dos Bonecos de Estremoz, depois da morte de Mariano, fazendo assim com que a arte não se perdesse. Sabina nunca tinha confeccionado Bonecos, apenas vira o irmão fazê-los. Formou-se a ela própria, usando como modelos os Bonecos do seu irmão. Porém, os Bonecos de Sabina não se confundem com os de Mariano. As figuras não são tão corpulentas como as de Mariano, são mais magras e a representação dos olhos é completamente diferente. Em substituição duma pestana tangente à menina do olho, encimada por uma sobrancelha, Sabina, na representação do olhar, afasta da menina do olho, não só a sobrancelha como a pestana. Por outro lado, Sabina foi a barrista que mais discípulas formou: Isabel Carona, Fátima Estróia, Maria Inácia Fonseca e Perpétua Fonseca (Estas últimas com ela na fotografia). Algumas aparecem com ela no filme “Bonecos de Estremoz” (1), (2) que Lauro António realizou em 1976 e que se encontra disponível no YouTube.
Os Bonecos de Sabina eram comercializados, entre outros lugares, na Loja de Artigos Regionais da Olaria Alfacinha (Largo da República, 30) e no Stand da Olaria Alfacinha no Rossio Marquês de Pombal, em Estremoz.
A 13 de Setembro de 2004, morre o marido de Sabina Santos. Sabina vem a morrer a 19 de Abril de 2005, com a idade de 83 anos, tendo sido sepultada no cemitério de Ribamar (6),(3).
Sabina Santos está fortemente representada no acervo do Museu Municipal de Estremoz Professor Joaquim Vermelho, uma vez que o Município de Estremoz adquiriu à filha de Sabina, Professora Maria Leonor da Conceição Santos (1943-2014), uma colecção de mais de uma centena de figuras que a barrista executara ao longo da sua extensa carreira. Era a chamada colecção da mãe. Todavia, a Maria Leonor, que foi minha colega de Liceu, tinha outra colecção, que era a sua. Propôs-me a sua aquisição em 2012 e, embora não tenha adquirido tudo, adquiri um número bastante significativo de figuras, facto que me encheu e enche de orgulho, pois além, de gostar do trabalho de Sabina, conhecia-a pessoalmente, desde os meus tempos de juventude.

BIBLIOGRAFIA
1 - ANTÓNIO, Lauro. Entrevista a Sabina Santos. Estremoz, 1976. Arquivo de Lauro António.
2 - ANTÓNIO, Lauro. Filme Bonecos de Estremoz. Estremoz, 1976.
3 - GUERREIRO, Hugo. Morreu Sabina Santos in Brados do Alentejo nº 616, 29/04/2005. Estremoz, 2005 (pág. 16).
4 - MATOS, Hernâni. Entrevista a Maria Luísa da Conceição. Estremoz, 7 de Fevereiro de 2013. Arquivo de Hernâni Matos.
5 - Sabina Augusta da Conceição - Assento de Casamento nº 81 de 1942, da Conservatória do Registo Civil de Estremoz.
6 - Sabina Augusta da Conceição - Assento de Óbito nº 51 de 2005, da Conservatória do Registo Civil da Lourinhã.
7 - Sabina Augusta da Conceição - Processo Individual de aluna nº 174.
8 - Sabina Augusta da Conceição - Registo de Nascimento nº 351 de 1921, da Conservatória do Registo Civil de Estremoz.
9 - Teresa Cabaço Cid – Assento de Óbito nº 73 de 1962, da Conservatória do Registo Civil de Estremoz.




[1] Amélia, mulher de Jerónimo da Conceição e cunhada de Sabina, já havia falecido. Liberdade da Conceição também foi convidada para integrar a sociedade, mas não aceitou porque era uma pessoa muito doente. Esteve 6 anos internada no Sanatório do Outão, devido a uma tuberculose óssea na espinha dorsal e que a deixou paralítica. No fim do tratamento teve que aprender a andar (4).
Hernâni Matos

Berço do menino Jesus (dos putto). Sabina Santos.


Nossa Senhora da Conceição. Sabina Santos.


Nossa Senhora ajoelhada. Sabina Santos.


Pastor de tarro e manta. Sabina Santos.


Pastor das migas. Sabina Santos.


Pastor a comer. Sabina Santos.


Maioral e ajuda a comer. Sabina Santos.


Ceifeira. Sabina Santos.

Mulher da azeitona. Sabina Santos.

Mulher dos carneiros. Sabina Santos.


Mulher dos perus. Sabina Santos.


Mulher das galinhas. Sabina Santos.


Aguadeiro. Sabina Santos.


Leiteiro. Sabina Santos.


Mulher das castanhas. Sabina Santos.

Mulher a vender chouriços. Sabina Santos.


Homem do harmónio. Sabina Santos.


Lanceiro. Sabina Santos.


Lanceiro com bandeira. Sabina Santos.


Mulher a lavar a roupa. Sabina Santos.


Bailadeira pequena. Sabina Santos.


Amazona (assobio). Sabina Santos.


Peralta a cavalo (assobio). Sabina Santos.


Ceifeira. Sabina Santos.


Semeador. Sabina Santos.


Polícia do Exército. Sabina Santos.