domingo, 16 de agosto de 2026

Arte pastoril - Os cochos

 

Fig.1 - Cocho com decoração em alto relevo na face posterior.


Um cocho é um recipiente em cortiça usado tradicionalmente no Alentejo para beber água que jorra duma fonte ou é vazada a partir de um cântaro de barro.

Morfologicamente, o cocho consta de duas partes: uma concava (concha) e outra plana (cabo ou pega), de geometria e tamanhos variáveis, mais ou menos inclinada em relação à primeira e provida ou não de uma abertura, igualmente de geometria e tamanho variáveis, que permite a sua suspensão numa parede ou a partir da cintura do utilizador.

A maioria dos cochos são lisos, mas podem apresentar-se também decorados. A decoração é efectuada habitualmente na face anterior da pega (Fig.2, Fig. 3 e Fig. 4) e manifesta-se geralmente sob a forma de arte linear, obtida por incisões na cortiça. De resto, o bordo da pega pode ou não ser talhado em forma de recortes de índole diversa.

É menos vulgar a decoração na parte posterior do cocho. A apresentada aqui (Fig. 1) é mesmo invulgar, já que se trata de uma decoração em alto relevo na parte posterior do cocho, distribuida pela face posterior da pega e pela parte convexa da concha. Trata-se de uma figura feminina trajando vestido com decote  e mangas, a qual de braços abertos configura vontade de abraçar quem a olha. Quem sabe se esta representação com sabor a saudades do ente querido, não traduz a convicção de um pastor de que, algures num monte distante da choupana improvisada onde ele se encontra, a mulher amada aguarda o seu regresso. Quem sabe?

Hernâni Matos 


Fig. 2 - Cocho com decoração linear na face anterior da pega,
a qual tem bordo denteado.

Fig. 3 - Cocho com decoração linear na face anterior da pega,
a qual tem bordo recortado.

Fig. 4 - Cocho com decoração linear na face anterior da pega.

sábado, 8 de agosto de 2026

ARTES DO VAGAR / COLECÇÃO HERNÂNI MATOS

 

CRÉDITOS FOTOGRÁFICOS: Luís Mendeiros (CME) 


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Integrada no Programa das Comemorações do Centenário da Elevação de Estremoz a Cidade, foi inaugurada no passado sábado, dia 16 Maio. na Sala de Exposições Temporárias do Museu Municipal de Estremoz Prof. Joaquim Vermelho, a exposição de artesanato estremocense “ARTES DO VAGAR / COLECÇÃO HERNÂNI MATOS”.

À “vernissage” compareceram cerca de 6 dezenas de convidados, cuja presença foi para mim gratificante. Presidiu ao evento, o Senhor Presidente da Câmara Municipal de Estremoz, José Daniel Pena Sadio, a quem agradeço as palavras amigas, bem como à Directora do Museu Municipal de Estremoz, Isabel Água, a qual no mesmo sentido o antecedeu no uso da palavra. Ainda que formalmente distintas, ambas as intervenções convergiram num ponto: reconhecimento da singularidade e qualidade do material exposto, a que aliaram a dedicação da minha actividade como recolector, afirmações que vindo de quem vêem, muito me congratulam e estimulam.

Seguidamente, coube-me a mim agradecer as facilidades concedidas pelo Município na realização da exposição, bem como o contributo de todos aqueles que a tornaram realidade, assim como viabilizaram de algum modo a publicação do catálogo da mesma, o qual perdurará para a posteridade como visual e memória futura do evento.

Falei seguidamente da exposição, a qual integra uma selecção de 123 trabalhos pertencentes ao meu acervo pessoal de artesanato de Estremoz, assim distribuídos pelos artesãos: - MANUEL ANTÓNIO CAPELINS (1924-1974) – Arte Pastoril (2 trabalhos); - TERESA SEROL GOMES (1952-1988) – Arte Pastoril (17 trabalhos); - MIGUEL SEROL GOMES (1957 -  )  Arte Pastoril (3 trabalhos); - JOAQUIM CARRIÇO ROLO (1935-2023) – Arte Pastoril (38 trabalhos); - JOSÉ CARRILHO TRONCHO (1910-2003) – Arte Pastoril (7 trabalhos); - ROBERTO CARREIRAS (1930-2017) – Arte Pastoril (4 trabalhos); - JOANA SIMÕES (1912 - 2011) E JOAQUINA SIMÕES (1914 - 2005) – Arte Conventual - Papel Recortado (12 trabalhos); - NATÁLIA SIMÕES (1924 - 2012) – Arte Conventual - Pintura Judaica – (12 trabalhos); - GUILHERMINA MALDONADO (1937-2019) – Arte Conventual – Registos e Maquinetas (28 trabalhos).     

A terminar, conduzi uma visita guiada à exposição, no decurso da qual fiz referência ao modo de produção de cada artesão, bem como a certos aspectos do respectivo perfil biográfico.

Como foi oportunamente divulgado, a exposição tem por objectivos: - Comemorar o Centenário da Elevação de Estremoz a Cidade; - Realçar as artes do vagar como reflexos identitários, pilares fundamentais na construção da memória colectiva; - Homenagear o saber-fazer de mestres artesãos locais do passado nos domínios da Arte Pastoril e da Arte Conventual; - Divulgar trabalhos de excelência de artesãos locais naqueles domínios.

Creio que a exposição atingirá completamente os objectivos visados e outra coisa não seria de esperar, quando se está em presença da “nata” do artesanato de Estremoz.

A mostra estará patente ao público até ao próximo dia 15 de Setembro.

Hernâni Matos 

Publicado a 20 de Maio de 2026





































quinta-feira, 6 de agosto de 2026

Exposição A MÚSICA NO FIGURADO DE ESTREMOZ - Galeria Municipal D. Dinis

 


CRÉDITOS FOTOGRÁFICOS: Luís Mendeiros (CME) 


IIntegrada no Programa das Comemorações do Centenário da Elevação de Estremoz a Cidade, foi inaugurada pelas 17 horas de sábado, dia 16 Maio, na Galeria Municipal D. Dinis, a exposição A MÚSICA NO FIGURADO DE ESTREMOZ / COLECÇÃO HERNÂNI MATOS.

No evento participaram cerca de 4 dezenas de convidados, os quais foram conduzidos pelo expositor numa visita guiada à exposição.

No certame está patente ao público um total de 281 exemplares seleccionados do acervo pessoal de diferentes tipologias de Bonecos de Estremoz pertencentes à colecção particular do expositor.

Os Bonecos de Estremoz expostos são da autoria de 21 barristas: Ana Bossa, Ana Catarina Grilo, Ana das Peles, Carlos Alberto Alves, Duarte Catela, Fátima Estróia, Inês da Conceição, Inocência Lopes, Irmãs Flores, João Sousa, Jorge Carrapiço, Jorge da Conceição, José Moreira, Liberdade da Conceição, Manuel Broa, Mariano da Conceição, Maria Luísa da Conceição, Mário Lagartinho, Quirina Marmelo, Ricardo Fonseca e Sabina da Conceição Santos.

A mostra estará patente ao público até ao próximo dia 15 de Setembro.

Hernâni Matos

Estremoz, 31 de Maio de 2026