Do meu pai, alfaiate e comerciante, homem da classe média, à qual ascendeu a pulso, herdei atavicamente traços de carácter que em mim perduram. Um deles, é a moderação, a qual visando assegurar o equilíbrio no dia a dia, não só a nível pessoal como nas relações interpessoais, me leva a demarcar de extremos tanto minimalistas como maximalistas. O meu pai, utilizava amiúde a expressão idiomática “Nem oito, nem oitenta”, algebricamente correspondente a uma escala de 10 termos afastados entre si de 8 unidades. A frase expressa a convicção de que “No meio é que está a virtude”. Trata-se de pilares de pensamento nos quais me venho firmando, desde que me lembro de mim mesmo. Hoje mesmo completo 80 anos medidos no Calendário Gregoriano, uma vez que como viajante do cosmos completo 80 translações completas em torno do Sol. E é aqui que começa a tragédia. “É aqui que a porca torce o rabo”, expressão idiomática que dá conta do ponto crítico atingido por mim enquanto terráqueo. Ocorreu aqui uma mudança de paradigma, que abalou inexoravelmente um dos pilares de pensamento herdado dos meus ancestrais: “Nem oito nem oitenta”. Há que construir um novo paradigma que como pilar de pensamento me assegure o equilíbrio. Interrogo-me a mim mesmo sobre a eventual complexidade e dificuldade de construção desse novo paradigma. A resposta que dou a mim próprio é invariavelmente a mesma: - ÓI! TENTA!. Assim me encorajo a fazer um esforço na procura de um resultado que à partida é incerto. |
















































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