No reino de Lilliput
O reino de Lilliput é uma ilha fictícia e o primeiro destino
visitado pelo personagem principal Lemuel Gulliver no famoso romance satírico
As Viagens de Gulliver, publicado em 1726 pelo escritor irlandês Jonathan
Swift (1667-1745).
Nessa ilha, Gulliver é confrontado com uma população de pessoas
minúsculas, com menos de seis polegadas de altura (cerca de 15 cm), chamadas lilliputeanos,
que o tomaram por gigante.
Tudo o que é pequeno tem graça
Seja por convicção veiculada pelo adágio de que “Tudo o que é
pequeno tem graça”, seja pela maior facilidade de arrumação por parte de
coleccionadores, visto ocuparem menos espaço, o que é verdade é que existem no
Figurado de Estremoz, exemplares que podem muito legitimamente ser designados
por Bonecos de Estremoz lilliputianos [1].
Para tal, basta não ultrapassarem os 15 cm de altura.
O exemplar mais antigo que tenho na minha colecção é um Sargento.
Oficinas de Estremoz de finais do séc. XIX, com 8,7 cm de altura (Fig.1).
Entre os mais recentes e todos da autoria das Irmãs Flores, destaca-se
um Lanceiro com 9 cm de altura da autoria de Perpétua Sousa (1958- ), o
qual ostenta na base a marca manuscrita TeTA / 23-1-1985 [2], distribuída
por duas linhas, gravada no barro há 41 anos. Como o tempo passa depressa.
De salientar que a modelação de figuras minúsculas em barro exige
bastante do sistema neuromuscular, nomeadamente uma enorme destreza manual e
uma enorme coordenação motora fina, a que há que juntar uma coordenação
excepcional entre a visão e o tacto.
Um Boneco de Estremoz liliputiano exige menos barro para ser modelado,
mas em contrapartida exige mais tempo e cuidado na sua execução, pelo que o seu
custo de produção tem que ser necessária e compreensivelmente valorizado.
[1] Os Bonecos de Estremoz lilliputeanos aqui
apresentados pertencem ao núcleo central do Figurado de Estremoz. Todavia, há
outras tipologias de Bonecos de Estremoz com dimensões que os levam a
considerar lilliputeanos. Caso dos ganchos de meia, figuras de
pregador, figuras de Presépio de maquineta e,figuras de assobio de alguns barristas de Estremoz.
[2] Esta marca não integra o inventário das marcas de autor dos bonequeiros de Estremoz patente no meu livro Bonecos de Estremoz. Edições Colibri. Póvoa de Varzim e Estremoz, Outono de 2018. Foi descoberta recentemente pelo meu amigo Joaquín Morales Leyva, um coleccionador, barrista e pescador à linha na internet de Figurado de Estremoz, discípulo de Mestre Jorge da Conceição e tudo. O Joaquín comprou um lote de Bonecos de Estremoz lilliputeanos com aquela marca e teve a gentiliza de me oferecer um deles, o que muito me congratulou e esteve na origem do presente texto. Sobre o Joaquín já publiquei neste blogue o texto Bonecos de Estremoz, de Joaquín Morales Leyva , cuja leitura sugiro.
Colecção Hernãni Matos.
















































