quinta-feira, 8 de novembro de 2018

Dia de São Martinho


Ilustração de Júlio Gil (1924-2004) para o livro
"CANTARES DE TODO O ANO" de Júlio Evangelista.
Colecção Educativa. Série F. Nº 6.
Campanha Nacional de Educação de Adultos. Lisboa, s/d.

São Martinho é festejado a 11 de Novembro, dia em que por tradição se prova o vinho novo, pois São Martinho é pretexto para molhar a goela. Reza a tradição algarvia que em 383, São Martinho de Tours, solicitou ao imperador Máximo ajuda material para a construção de um convento. Foi bem recebido pelo imperador e participou num banquete com os membros da corte. No banquete bebeu-se em demasia e foram tantas as bebedeiras que o banquete foi desde logo, classificado como martinhada. Segundo consta, esta terá sido a origem de São Martinho ser o patrono dos bêbados, embora nada permita afirmar que tenha sido daqueles que se excederam na bebida.
São abundantes os provérbios relativos ao S. Martinho, sendo de salientar a existência de variantes regionais:
- A cada bacorinho vem o seu S. Martinho.
- A cada porco vem o seu S. Martinho.
- As geadas de São Martinho levam a carne e o vinho.
- Dia de São Martinho prova o teu vinho.
- Dia de São Martinho, castanhas e vinho.
- Dia de São Martinho, come-se castanhas e bebe-se vinho.
- Dia de São Martinho, lume, castanhas e vinho.
- Dia de São Martinho, mata o teu porco e prova o teu vinho.
- Dia de São Martinho, vai à adega e prova o teu vinho.
- Em dia de S. Martinho atesta e abatoca o teu vinho.
- Em dia de São Martinho semeia os teus alhos e prova o teu vinho.
- Em dia de São Martinho vai à adega, prova o vinho e faz o teu magustinho.
- Em São Martinho tapa o teu portalzinho, ceva o teu porquinho e fura o pipinho.
- Em São Martinho, mata o teu porco, assa castanhas e prova o teu vinho.
- Martinho bebe o vinho, deixa a água para o moinho.
- No dia de S. Martinho mata o teu porco e prova o teu vinho.
- No dia de S. Martinho vai à adega e prova o vinho.
- No dia de S. Martinho, come-se castanhas e bebe-se vinho.
- No dia de S. Martinho, fura o teu pipinho.
- No dia de S. Martinho, lume, castanhas e vinho.
- No dia de S. Martinho, mata o porquinho, abre o pipinho, põe-te mal com o teu vizinho.
- No dia de S. Martinho, mata o teu porco e bebe o teu vinho.
- No dia de S. Martinho, mata o teu porco, chega-te ao lume, assa castanhas e prova o teu vinho.
- No dia de S. Martinho, vai à adega e prova o teu vinho.
- No dia de S. Martinho: lume, castanhas e vinho.
- No dia de São Martinho fura o teu pipinho.
- No dia de São Martinho mala o teu porco, chega-te ao lume, assa castanhas e prova o teu vinho.
- No dia de São Martinho mata o porquinho, abre o pipinho, põe-te mal com o teu vizinho.
- No dia de São Martinho mata o teu porco, chega-te ao lume, assa as castanhas e bebe o teu vinho.
- No dia de São Martinho, castanhas, lume e vinho.
- No dia de São Martinho, fecha a adega e prova o teu vinho.
- No dia de São Martinho, mata o porco e prova o teu vinho.
- No dia de São Martinho, mata o porquinho, chega-te ao lume, assa castanhas e bebe o teu vinho.
- No dia de São Martinho, vai à adega e prova o teu vinho.
- No dia de São Simão, semear, sim, marear, não.
- No São Martinho, fura o teu pipinho.
- O Sete-Estrelo pelo S. Martinho, vai de bordo a bordinho; à meia-noite está a pino.
- O Verão de São Martinho começa no Todos-os-Santos.
- O Verão de São Martinho, a vareja de São Simão e a cheia de Santos são três coisas que nunca faltaram nem faltarão.
- Pelo S. Martinho castanhas assadas, pão e vinho.
- Pelo S. Martinho deixa a água pró moinho.
- Pelo S. Martinho mata o teu porquinho e semeia o teu cebolinho.
- Pelo S. Martinho nem nado nem no cabacinho.
- Pelo S. Martinho prova o teu vinho; ao cabo de um ano já não te faz dano.
- Pelo S. Martinho semeia favas e linho.
- Pelo S. Martinho semeia o teu cebolinho.
- Pelo S. Martinho todo o mosto é bom vinho.
- Pelo São Martinho abatoca o pipinho.
- Pelo São Martinho abatoca o teu vinho.
- Pelo São Martinho bebe o bom vinho e deixa a água para o moinho.
- Pelo São Martinho deixa a água para o moinho.
- Pelo São Martinho larga o soitinho.
- Pelo São Martinho mata o porquinho, prova o teu vinho e não te esqueças do teu vizinho.
- Pelo São Martinho mata o teu porquinho e semeia o teu cebolinho.
- Pelo São Martinho prova o teu vinho, larga o soito e mata o porquinho.
- Pelo São Martinho prova o teu vinho; ao cabo de um ano já te não faz dano.
- Pelo São Martinho prova teu vinho.
- Pelo São Martinho semeia o teu cebolinho, que o meu já está nascidinho.
- Pelo São Martinho, lume, castanhas e vinho.
- Pelo São Martinho, mata teu porco e bebe teu vinho.
- Pelo São Martinho, nem nado, nem no cabacinho.
- Pelo São Martinho, semeia fava e linho.
- Pelo São Martinho, semeia o teu cebolinho.
- Por São Martinho mata o teu porco e prova o teu vinho.
- Por São Martinho semeia o teu linho.
- Por São Martinho, nem favas nem vinho.
- Por São Martinho, prova teu vinho.
- Por São Martinho, semeia fava e linho.
- Por São Martinho, todo o mosto é bom vinho.
- Quem bebe no S. Martinho, faz de velho e de menino.
- São Martinho, bispo; São Martinho, papa; S. Martinho rapa;
- Se o Inverno não erra caminho, tê-lo-ei pelo São Martinho.
- Se o Inverno não erra caminho, temo-lo pelo S. Martinho.
- Se o Inverno não erra o caminho, cá virá no São Martinho.
- Se o Inverno não erra o caminho, tê-lo-ei pelo S. Martinho.
- Se queres pasmar o teu vizinho, lavra, sacha e esterca pelo S. Martinho.
- Verão de S. Martinho säo três dias e mais um bocadinho.
- Vindima em Outubro que o S. Martinho to dirá.

terça-feira, 6 de novembro de 2018

Provérbios de Novembro

O Mês de Novembro (c. 1510).
Gerard Horenbout  (c. 1465–1541).
Breviário Grimani (28 cm x 21,5 cm).
Biblioteca Nazionale Marciana, Venice.

- As geadas de São Martinho levam a carne e o vinho.
- De Santa Catarina ao Natal, bom chover e melhor nevar.
- De Santos ao Natal é bom chover e melhor nevar.
- De Santos ao Natal perde a padeira o cabedal.
- De Santos ao Natal, ou bem chover ou bem nevar.
- De Todos-os-Santos ao Advento, nem muita chuva nem muito vento.
- De Todos-os-Santos ao Natal, bom é chover e melhor nevar.
- De Todos-os-Santos ao Natal, bom é chover e melhor nevar.
- De Todos-os-Santos ao Natal, perde a padeira o capital.
- De Todos-os-Santos ao Natal, perde a padeira o natural.
- De Todos-os-Santos até ao Natal, perde a padeira o cabedal.
- Depois dos Santos, neve nos campos.
- Dia de Santo André quem não tem porco mata a mulher.
- Dia de Santo André, porcos pelo pé.
- Dia de São Martinho prova o teu vinho.
- Dia de São Martinho, castanhas e vinho.
- Dia de São Martinho, come-se castanhas e bebe-se vinho.
- Dia de São Martinho, lume, castanhas e vinho.
- Dia de São Martinho, mata o teu porco e prova o teu vinho.
- Dia de São Martinho, vai à adega e prova o teu vinho.
- Dos Santos ao Advento, nem muita chuva nem muito vento.
- Dos Santos ao Natal é bom chover e melhor nevar.
- Dos Santos ao Natal é Inverno natural.
- Dos Santos ao Natal perde a padeira o cabedal.
- Dos Santos ao Natal, Inverno geral.
- Dos Santos ao Natal, Inverno natural.
- Dos Santos ao Natal, perde o marinheiro o cabedal.
- Em dia de Santo André, o tremoço não está, nem na saca, nem no pé.
- Em dia de Santo André, quem não tem porco que mate, amarra a mulher pelo pé.
- Em dia de São Martinho semeia os teus alhos e prova o teu vinho.
- Em dia de São Martinho vai à adega, prova o vinho e faz o teu magustinho.
- Em Novembro põe tudo a secar que pode o sol não voltar.
- Em São Martinho tapa o teu portalzinho, ceva o teu porquinho e fura o pipinho.
- Em São Martinho, mata o teu porco, assa castanhas e prova o teu vinho.
- No dia de Santo André diz o porco, quié-quié.
- No dia de Santo André vai à esquina e traz o porco pelo pé.
- No dia de Santo André, pega o porco pelo pé; se ele disser quié-quié, diz-lhe que tempo é; se ele disser que tal-que tal, guarda-o para o Natal.
- No dia de Santo André, quem não tem porco mata a mulher.
- No dia de São Martinho fura o teu pipinho.
- No dia de São Martinho mala o teu porco, chega-te ao lume, assa castanhas e prova o teu vinho.
- No dia de São Martinho mata o porquinho, abre o pipinho, põe-te mal com o teu vizinho.
- No dia de São Martinho mata o teu porco, chega-te ao lume, assa as castanhas e bebe o teu vinho.
- No dia de São Martinho, castanhas, lume e vinho.
- No dia de São Martinho, fecha a adega e prova o teu vinho.
- No dia de São Martinho, mata o porco e prova o teu vinho.
- No dia de São Martinho, vai à adega e prova o teu vinho.
- No dia de São Simão, semear, sim, marear, não.
- No São Florêncio, o Inverno vai-se ou volta.
- No São Martinho, fura o teu pipinho.
- Novembro à porta, geada na horta.
- Novembro é quente no começo e frio no fim.
- Novembro pelos Santos, neve nos campos.
- Novembro põe tudo a secar, pode o sol não tornar.
- Novembro, ou bem chover ou bem nevar.
- Novembro, semear.
- Novembro, semear; Dezembro, nascer.
- O Verão de São Martinho começa no Todos-os-Santos.
- O Verão de São Martinho, a vareja de São Simão e a cheia de Santos são três coisas que nunca faltaram nem faltarão.
- Outubro, Novembro e Dezembro, não busques o pão no mar, mas torna ao teu celeiro e abre teu mealheiro.
- Outubro, Novembro e Dezembro, não busques o pão no mar.
- Pelo Santo André (30/11) agarra o porco pelo pé.
- Pelo Santo André (30/11), neve no pé.
- Pelo São Martinho abatoca o pipinho.
- Pelo São Martinho abatoca o teu vinho.
- Pelo São Martinho bebe o bom vinho e deixa a água para o moinho.
- Pelo São Martinho deixa a água para o moinho.
- Pelo São Martinho larga o soitinho.
- Pelo São Martinho mata o porquinho, prova o teu vinho e não te esqueças do teu vizinho.
- Pelo São Martinho mata o teu porquinho e semeia o teu cebolinho.
- Pelo São Martinho prova o teu vinho, larga o soito e mata o porquinho.
- Pelo São Martinho prova o teu vinho; ao cabo de um ano já te não faz dano.
- Pelo São Martinho prova teu vinho.
- Pelo São Martinho semeia o teu cebolinho, que o meu já está nascidinho.
- Pelo São Martinho, lume, castanhas e vinho.
- Pelo São Martinho, mata teu porco e bebe teu vinho.
- Pelo São Martinho, nem nado, nem no cabacinho.
- Pelo São Martinho, semeia fava e linho.
- Pelo São Martinho, semeia o teu cebolinho.
- Pelos Santos, favas por todos os cantos.
- Pelos Santos, neve nos campos.
- Por Santo André o Sete-Estrelo posto é.
- Por Santos semeia trigo e colhe cardos.
- Por São Clemente, alça a mão da semente.
- Por São Martinho mata o teu porco e prova o teu vinho.
- Por São Martinho semeia o teu linho.
- Por São Martinho, nem favas nem vinho.
- Por São Martinho, prova teu vinho.
- Por São Martinho, semeia fava e linho.
- Por São Martinho, todo o mosto é bom vinho.
- Por Todos-os-Santos, semeia trigo, colhe castanhas.
- Por Todos-os-Santos, neve nos campos.
- Por Todos-os-Santos, semeia trigo e colhe cardos.
- Se em Novembro ouvires trovão, o ano que vem será bom.
- Se o Inverno não erra caminho, tê-lo-ei pelo São Martinho.
- Se o Inverno não erra o caminho, cá virá no São Martinho.

Hernâni Matos


NOVEMBRO (SIGNO SAGITÁRIO, de acordo com o painel)
Painel de azulejos encimado pela designação latina do mês e pelo respectivo Signo de Zodíaco,
encerrado num círculo. Representa o abate de árvores para cortar lenha para o próximo Inverno.
Sala 106 da Universidade de Évora, antigo Colégio do Espírito Santo, inaugurado em 1553.

domingo, 4 de novembro de 2018

Novembro, mês da engorda

Novembro (1412-1416)
Irmãos Limbourg (370/80–1416).
Les très riches heures du Duc de Berry.
Manuscript (Ms. 65), 294 x 210 mm.
Musée Condé, Chantilly.

Novembro é o décimo-primeiro mês do ano no calendário gregoriano e juliano. Tem a duração de 30 dias. A sua designação provém do étimo latino novem (nove), uma vez que era o nono mês do calendário romano, que começava em Março.
Novembro, em astrologia, começa com o trópico astrológico oeste, com o Sol no signo de Escorpião e termina no signo de Sagitário.
Em astronomia, o Sol começa na constelação de Balança, passa através da constelação de Escorpião cerca de 24 a 29 e termina na constelação de Ophiuchus, que é a única constelação zodiacal, não associada a qualquer signo astrológico.
No calendário republicano francês, Novembro correspondia aos meses de Brumário [(Brumaire) - 22 de Outubro a 20 de Novembro] e Frimário [(Frimaire): 21 de Novembro a 20 de Dezembro].
No antigo calendário japonês, Novembro é denominado Shimo-tsuki (11º mês), que para os japoneses é o mês da geada.
Novembro é um mês de Outono no Hemisfério Norte e de Primavera no Hemisfério Sul. Por isso, Novembro no Hemisfério sul é o equivalente sazonal de Maio no Hemisfério Norte e vice-versa.
Novembro começa no mesmo dia da semana que Fevereiro em anos comuns e Março em todos os anos. Novembro termina no mesmo dia da semana em Agosto de cada ano. Novembro começa no mesmo dia da semana que Junho do ano anterior em anos comuns e Setembro e Dezembro do ano anterior, em anos bissextos. Novembro termina no mesmo dia da semana que Março e Junho do ano anterior em anos comuns e Setembro do ano anterior em anos bissextos.
Os signos do Zodíaco correspondentes ao mês de Novembro são:
- Escorpião (23 de Outubro - 22 de Novembro)
- Sagitário (23 de Novembro – 21 de Dezembro)
A pedra zodiacal de Novembro é o topázio e a flor é o crisântemo.
Como noutros meses há datas especiais a assinalar, sob a forma de Dias Nacionais, Internacionais e Mundiais:
01 de Novembro - Dia de Todos os Santos
01 de Novembro - Dia da Luta Contra o Cancro
02 de Novembro - Dia de Finados
06 de Novembro - Dia Internacional para a Prevenção da Exploração do Meio Ambiente em Tempos de Guerra e Conflito Armado)
08 de Novembro - Dia Europeu da Alimentação e da Cozinha Saudáveis
09 de Novembro - Dia Internacional contra o Fascismo e o Anti-Semitismo
10 de Novembro - Dia Mundial da Ciência para a Paz e Desenvolvimento
11 de Novembro - Dia de São Martinho
11 de Novembro - Dia do Armistício
14 de Novembro - Dia Mundial da Diabetes
15 de Novembro - Dia Nacional da Língua Gestual Portuguesa
16 de Novembro - Dia Internacional para a Tolerância
16 de Novembro - Dia Nacional do Mar
17 de Novembro - Dia Nacional do Não Fumador
18 de Novembro - Dia Europeu do Antibiótico
19 de Novembro - Dia Internacional do Homem
20 de Novembro - Dia da Industrialização da África
20 de Novembro - Dia Universal da Criança)
21 de Novembro - Dia Mundial da Televisão
21 de Novembro - Dia Europeu da Fibrose Quística
24 de Novembro - Dia Nacional da Cultura Científica
25 de Novembro - Dia Internacional para a Eliminação da Violência contra a Mulher (saber mais.
2 de Novembro 5 de Novembro – Dia Nacional do Empresário
29 de Novembro - Dia Internacional de Solidariedade com o Povo da Palestina
3ª quarta-feira de Novembro - Dia Mundial das Doenças Pulmonares Obstrutivas Crónicas
3ª quinta-feira de Novembro - Dia Mundial da Filosofia
3º domingo de Novembro - Dia Mundial da Memória das Vítimas de Acidentes da Estrada
Em Novembro não há feriados nacionais, uma vez que o governo português, por imposição da troika, eliminou do calendário, de 1913 até 1917, inclusive, os tradicionais feriados de Corpo de Deus, 5 de Outubro, 1 de Novembro e 1 de Dezembro. Todavia, mantêm-se os seguintes feriados municipais
6 de Novembro - Boticas, Paços de Ferreira, Rio Maior, Valpaços (Criação do Município)
11 de Novembro - Alijó, Meda, Penafiel, Pombal, Torres Vedras (São Martinho)
19 de Novembro -  Odivelas, Trofa (Criação do Município)
23 de Novembro - Gavião (Foral manuelino)
24 de Novembro - Entroncamento (Criação do Município)
24 de Novembro - Sines (Elevação a Vila)
25 de Novembro - Calheta (Santa Catarina)
27 de Novembro - Guarda (Foral de D. Sancho I)
30 de Novembro - Mesão Frio (Santo André)
O calendário litúrgico da Igreja Católica é o seguinte:
01 – Todos os Santos.
02 – Todos os Finados.
03 - São Martinho de Porres; São Humberto de Liège; Santa Sílvia.
04 - São Carlos Boromeu. Bispo.
05 - São Zacarias; Santa Isabel; Santa Bertila; Beato Guido Maria Conforti.
06 - São Leonardo de Noblac; Beato Nuno Álvares Pereira.
07 - São Prosdócimo; São Wilibrordo; Beato Francisco Palau, Confessor; 
08 - São Godofredo; Cinco Santos Escultores Mártires.
09 - Santo Orestes: São Teodoro Mártir; Beata Elisabete da Trindade Catez.
10 - São Leão Magno, Papa e Doutor; Santo André Avelino.
11 - São Martinho de Tours.
12 - São Josafat Kuncewicz, bispo e mártir.
13 - Santo Estanislau Kostka; São Diogo de Alcalá; Beato Eugênio Bossilkov.
14 - Santo Serapião.
15 - Santo Alberto Magno, bispo e doutor; São Leopoldo III.
16 - Santa Gertrudes; Santa Margarida.
17 - Santa Isabel da Hungria,religiosa.
18 - Santo Frediano; São Romão;
19 - São Roque Gonzáles e companheiros; São José José Kalinowski.
20 - São Félix de Valois; Santo Edmundo.
21 - São Gelásio I, Papa.
22 - Santa Cecília; Beato Tomás Reggio.
23 - Santo Clemente I, papa e mártir; Santa Felicidade e sete irmãos; Santo Columbano, religioso.
24 - Santo André Dung-Lac.
25 - Santa Catarina de Alexandria; São Pedro Bispo de Alexandria.
26 - São Leonardo de Porto Maurício; Santo Humilde de Bisignano.
27 - Santo Virgílio; Santa Catarina Labour.
28 - São Tiago das Marcas.
29 - São Saturnino de Toulouse. 
30 - Santo André, Apóstolo.
De salientar que os  provérbios de Novembro são o reflexo do calendário agro-pastoril, que nos códices medievais e renascentistas, para além dos símbolos astrológicos e zodiacais, aparecem ilustrados com cenas de engorda de porcos. 
  

quinta-feira, 1 de novembro de 2018

Dia de Finados


Dia dos mortos (1859).
William-Adolphe Bouguereau (1825-1905).
Óleo sobre tela.
Musée des Beaux-Arts de Bordeaux.

Dia de Finados
A 2 de Novembro assinala-se o Dia de Finados ou Dia dos Fiéis Defuntos. Este dia é celebrado entre nós com tristeza, pois recordam-se as pessoas de família e os amigos que já morreram. De acordo com a tradição católica, as pessoas acorrem aos cemitérios para prestar homenagem aos mortos. Para tal, deixam ramos de flores nas campas e acendem velas para iluminar os falecidos no caminho para o Paraíso, ao encontro da comunhão com Deus e oram e mandam rezar missas em sua memória. Para os católicos, o culto dos mortos é, em certo sentido, a festa da vida, já que acreditam na imortalidade da alma.
A veneração e o culto dos mortos integram as práticas de todas as religiões desde tempos imemoriais, tendo inicialmente estado ligado aos cultos agrários e de fertilidade. Os mais antigos acreditavam que, tal como as sementes, os mortos eram enterrados com vista à ressurreição. Em particular, desde os primórdios do cristianismo que a oração pelos mortos é uma prática corrente entre os cristãos, crentes no Purgatório e na eficiência das preces em benefício do descanso e da purificação da alma dos defuntos, familiares ou não, sobretudo aqueles que não tenham deixado na terra quem o pudesse fazer.
A igreja Bizantina consagrou uma data destinada a estas orações, fixando-a no sábado que antecedia o último domingo antes da Páscoa, enquanto na Igreja Siríaca a celebração decorria na sexta-feira dessa mesma semana. No Ocidente a prática manifestava-se no século VII, celebrada no interior dos mosteiros, ainda que em data variável.
A veneração e culto dos mortos compreende celebrações colectivas ou individuais, tais como exéquias ou ofícios fúnebres religiosos (missas de corpo presente, do 7.° e do 30.° dia, etc.). Todavia, a primeira referencia a comemorações por intenção dos defuntos, efectuadas anualmente e em data fixa, associadas à Festa de Todos os Santos é atribuída a Santo Isidoro de Sevilha (c. 560-636) no século VII, ainda que se deva ao abade de Cluny, Santo Odilon (c. 962-c.1048), a introdução do ritual litúrgico no seu mosteiro entre 1025 e 1030, daqui irradiando a todos os mosteiros da ordem e depois à Igreja no seu todo.
O Ofício de Defuntos é difundido pelos mosteiros a partir do século XIII, embora desde os tempos apostólicos possam encontrar-se textos alusivos à oração pelas almas.
Na Igreja Católica, na celebração litúrgica do Dia de Finados, recita-se o “Oficio de defuntos” e as missas são de “Requiem”, ainda que o dia 2 de Novembro calhe a um domingo.
Em 1915, por concessão de Bento XV (1854-1922), através da bula “Incruentum Altaris” foi autorizado a todos os sacerdotes da Igreja Católica celebrarem três missas no dia dos Fiéis Defuntos. Este privilégio já havia sido concedido a Portugal, Espanha e América Latina pelo papa Benedito XIV (1675-1758) em 1748, devido à influência desse costume na Igreja de Aragão, enquanto Leão XIII (1810-1903) estende a concessão a toda a igreja, pedindo que no último domingo de Setembro todos os sacerdotes celebrem urna missa para os defuntos, extensiva aos sacerdotes falecidos.
A nível da pintura europeia, a Missa e Ofício de Defuntos ilustram códices medievais e renascentistas, onde é se observa o uso dos paramentos negros pelos clérigos e vestimentas de luto negras por parte dos fiéis. A nível de pintura do séc. XIX conhecida, observa-se igualmente o uso de vestuário negro por parte daqueles que ocorrem aos cemitério no Dia de Finados.

Pão por Deus 
Para além das cerimónias fúnebres religiosas relacionadas com o culto dos mortos, as comemorações do Dia de Finados abarcam igualmente expressivas celebrações alimentares características desta ocasião, representadas principalmente pelos bolos especiais, pão e frutos secos, sobretudo a castanha.
As refeições cerimoniais próprias deste dia, sob a forma de manjares, refeições ou dádivas aos defuntos ou aos mesmos consagradas através dos seus familiares vivos, são reminiscências de práticas rituais ancestrais, identificadas com o culto dos mortos. 
No Dia de Finados era tradição, as crianças e os pobres pedirem de porta em porta o “pão por Deus” ou seja os manjares cerimoniais que lhes são oferecidos nesta data. Na crença popular, crianças e adultos representam as almas dos mortos que neste dia vagueiam pelo mundo, simbolizando a dádiva do “pão por Deus” a esmola que se dá por tenção dos defuntos ou uma oferenda doada às próprias almas. O povo crê que por cada bolo por eles comido, há uma alma que se livra do Purgatório. 
Ainda hoje é possível ver grupos de crianças a pedir de porta em porta o “pão por Deus”, arrecadando em troca romãs, peras, maçãs, nozes, pinhões, figos, rebuçados, bolachas, pãezinhos e dinheiro que recolhem num saco destinado aos donativos.
Em Portugal, ainda são respeitadas outras crenças muito antigas, como não caçar nem pescar no Dia de Finados. 

BIBLIOGRAFIA
BARROS, Jorge; COSTA, Soledade Martinho. FESTAS E TRADIÇÕES PORTUGUESAS / Novembro e Dezembro. Círculo de Leitores. Lisboa, 2003.


Ofício dos defuntos.
Livro de Horas, 82. 14--.
Arquivo Nacional da Torre do Tombo, Lisboa.
 
Ofício dos mortos (c. 1401-1433).
Livro de Horas de D. Duarte (segundo o uso de Roma), 323v.
Arquivo Nacional da Torre do Tombo, Lisboa.
 
Missa de exéquias. (1410). 
Anónimo.
Rationale Divinorum Officiorum de Guillaume Durand (1230-1296).
Edição francesa de 1410. 
 
Missa de exéquias (c. 1440).
Jan van Eyck (c. 1395-1441).
Livro de Horas de Turim-Milão.
 
Vigília junto a um defunto (c.1515).
Gerard Horenbout  (c. 1465–1541). 
Livro de Horas de Spínola.
J. Paul Getty Museum, Malibu.
 
Ofício dos mortos [Século XVI (1517-1551)] 
Atribuído a António de Holanda (1480-1557).
Livro de Horas de D. Manuel I, 129 v. 
Museu Nacional de Arte Antiga, Lisboa.
 
Ofício dos Mortos (1530-1534).
Simon Bening (c. 1483/1484–1561).
Livro de Horas D. Fernando (1530-1534).
Museu Nacional de Arte Antiga, Lisboa.
Dia dos Finados.
Aurélia de Sousa. (1866-1922).
Óleo sobre tela.

quarta-feira, 31 de outubro de 2018

Dia de Todos-os-Santos

ROSSIO E HOSPITAL REAL DE TODOS-OS-SANTOS
Painel de azulejos de oficina de Lisboa, da 1ª metade do século XVIII (114 cm x 348 cm) existente no Museu da Cidade, Lisboa. No primeiro plano, tipos populares comercializam bens de consumo. No lado esquerdo é representado o Chafariz de Neptuno, equiparado ao dedicado a Apolo, existente no Terreiro do Paço.
O Hospital Real de Todos-os-Santos tinha fachada virada para o Rossio. Mandado erigir por D. João II em 1492, a sua construção só terminou no reinado de D. Manuel I, nos primeiros anos do século seguinte. Edifício de vanguarda na época, acolheu os primeiros internamentos em 1502 e o número de enfermarias foi crescendo ao longo do tempo: 3 (1504), 16 (1520) e 25 (1715).
O Hospital Real de Todos-os-Santos foi desactivado na sequência do Terramoto de 1755, ocorrido a 1 de Novembro desse ano, o qual foi responsável pela destruição quase completa da cidade de Lisboa.

DIA DE TODOS-OS-SANTOS
O dia de Todos-os-Santos é celebrado pela Igreja Católica como uma festa em honra de todos os santos e mártires, conhecidos e desconhecidos.
No Alentejo, no dia de Todos-os-Santos, era ainda tradição nos anos sessenta-setenta do século passado, as crianças juntarem-se em pequenos grupos e andarem pelas ruas, de porta em porta, para “Pedir os Santinhos”. Naturalmente que só batiam às portas das casas mais abastadas ou julgadas como tal. Quando eram bem sucedidos e eram-no em geral, recebiam pão, bolos, maçãs, romãs, castanhas, nozes, amêndoas, etc. Eram oferendas que guardavam religiosamente nos seus talegos, nos quais as transportavam para as suas casas, onde ajudavam a mãe e o pai a fazer frente às duras condições de vida da esmagadora maioria dos intervenientes. Alguns desempregados, outros com empregos de miséria e outros ainda sujeitos à sazonalidade dos ciclos agrícolas de produção. Quanto aos ofertantes alguns eram-no por espírito de caridade cristã. Todavia, alguns imbuídos de espírito mais laico, faziam-no por espírito de solidariedade.
Uma tal tradição remonta a Lisboa no ano de 1756, um ano após o devastador terramoto que destruiu Lisboa no dia 1 de Novembro de 1755 e em que morreram milhares de pessoas, pelo que a população na sua maioria pobre, mais pobre ficou ainda.
A coincidência da data do terramoto com a data de 1 de Novembro, com significado religioso, conduziu a que sectores da população, aproveitando a solenidade do dia, tenham desencadeado, por toda a cidade, um peditório, visando atenuar a situação miserável em que se encontravam. Para tal, percorriam a cidade, batiam às portas e pediam esmola, mesmo que fosse pão, visto reinar a fome pela cidade. Pediam então: "Pão por Deus". Tal tradição perpetuou-se no tempo e propagou-se a todo o país, assumindo cambiantes em cada local. Todavia, a tradição está praticamente extinta desde os anos oitenta do século passado. Actualmente, os média, pressionados e distorcidos pelo peso globalizante da cultura anglo saxónica, ignoram completamente tradições como “Pedir os santinhos” e enfiam-nos pela casa dentro e pelas cachimónia abaixo, tradições como o “Halloween”, que nada têm a ver com a nossa identidade cultural.

A TRADIÇÃO ORAL
O dia de Todos-os-Santos está registado no adagiário português, onde são conhecidas máximas como as seguintes:

- “De Todos os Santos até ao Natal, perde a padeira o cabedal.” [4]
- “Pelos Santos, novos esquecem velho.” [4]
- “Por Todos os Santos semeia trigo, colhe cardos.” [1]
- “Por Todos os Santos, a neve nos campos.” [1]

A nível de cancioneiro popular, o dia de Todos-os-Santos é uma data grata para alguns:

“Dia de Todos os Santos
É que eu comecei a mar:
Quem com Santos principia
Com Santos deve acabar.” [3]

O Peditório do “Pão por Deus” está igualmente assinalado no cancioneiro popular:

“Bolinhos, Bolinhós,
Para mim e para vós,
Pelos vossos finados
Que estão enterrados
Ao pé da vera cruz
Para sempre. Amem, Jesus.
Truz; truz; truz.” (Coimbra) [2]

LONGE VÁ O AGOIRO
Faço votos para que nas condições duras que o país atravessa, não tenham muitos que recorrer ao Peditório do “Pão por Deus”, para conseguir fazer face às dificuldades diárias numa sociedade madrasta que alguns teimam em fazer retroceder no tempo.

BIBLIOGRAFIA
[1] – DELICADO, António. Adagios portuguezes reduzidos a lugares communs / pello lecenciado Antonio Delicado, Prior da Parrochial Igreja de Nossa Senhora da charidade, termo da cidade de Euora. Officina de Domingos Lopes Rosa. Lisboa, 1651.
[2] – LEITE DE VASCONCELLOS, J. Cancioneiro Popular Português. Volume III. Acta Universitatis Conimbrigensis. Coimbra,1983.
[3] – THOMAZ PIRES, A. Cantos Populares Portugueses, vol. I. Typographia Progresso. Elvas, 1902.
[4] - ROLAND, Francisco. ADAGIOS, PROVERBIOS, RIFÃOS E ANEXINS DA LINGUA PORTUGUEZA. Tirados dos melhores Autores Nacionais, e recopilados por ordem Alfabética por F.R.I.L.E.L. Typographia Rollandiana. Lisboa, 1841.

quinta-feira, 11 de outubro de 2018

Bonecos de Estremoz - Bonecos da Inovação


 Pastor a limpar o suor (sd). Aclénia Pereira (1927-2012).

Há um conjunto de cerca de 100 Bonecos de Estremoz, cuja manufactura tem sido comum aos barristas dos sécs. XX-XXI. São os chamados Bonecos da Tradição. Para além destes e em número indeterminado, mas superior a 100, existem os chamados Bonecos da Inovação, criados pelos mais diversos motivos:
- Por livre iniciativa de cada barrista;
- Por sugestão de estudiosos da barrística popular estremocense como Joaquim Vermelho, Hugo Guerreiro e Hernâni Matos;
- A pedido de clientes.
Para além dos exemplares aqui apresentados, há muitos outros, sobretudo devidos a encomendas de fregueses no âmbito das imagens devocionais e dos presépios.
Tradição ou a Inovação tanto faz, pois independentemente da temática onde cada figura ou conjunto se possa inserir, registam um elo comum: o respeito pelos cânones do velho processo de fabrico ao modo de Estremoz, o qual tem por base a combinação de três geometrias em barro: a bola, o rolo e a placa.



Semeador (sd). Sabina Santos (1921-2005).
  
 Camponesa com cesto e taleigo (1987). Liberdade da Conceição (1913-1990).

Pastor a descansar debaixo de uma árvore (sd). José Moreira (1926-1991).

Tapeteira de Arraiolos (c. de 2010). Maria Luísa da Conceição (1934-2015). 

Confissão (2005). Irmãs Flores (1957, 1958 - ). Figura composta manufacturada
 a partir de desenho de Jorge Branco.

Coqueira (sd). Quirina Marmelo (1922-2009). A coqueira é a mulher que está "à coca",
ou seja, a vigiar a cozedura da comida dos trabalhadores rurais que levam o seu
almoço para cozinhar.

Pastor (1996). João Fortio (1951- ). 

 Pastor (1987). Rui Barradas (1953- ).

Maquineta com Presépio (2008). Guilhermina Maldonado (2008).

Barrista a modelar Bonecos de Estremoz (2013). Jorge da Conceição (1983 - ). 
Figura composta modelada em homenagem ao avô Mariano da Conceição
(1903-1959), que nos anos 30 do séc. XX e na peugada de Ana das Peles
[Ana Rita da Silva (1870-1945)], ficou indissociavelmente ligado à
recuperação dos Bonecos de Estremoz na Escola Industrial António Augusto
Gonçalves, graças à iniciativa do seu director, José Maria de Sá Lemos
(1892-1971). Trabalho inspirado em fotografia de Rogério de Carvalho
(1915-1988), datada dos anos 40 do séc. XX.

Cozinha dos ganhões (2018). Duarte Catela (1988- ). Os “ganhões“ eram assalariados
agrícolas indiferenciados, que se ocupavam de tarefas como lavras, cavas, desmoitas,
eiras, etc., com excepção de mondas, ceifas e gadanhas. No monte, as refeições da
ganharia tinham lugar na chamada “Cozinha dos ganhões”. Aí se sentavam em
burros dispostos ao longo de uma mesa comprida e estreita. A cozinha dispunha
igualmente de uma lareira espaçosa onde se podia cozinhar em panelas de ferro.

Aguadeiro (2018). Ricardo Fonseca (1986- ). Figura composta inspirada  em bilhete
postal ilustrado editado pela Câmaras Municipal de Estremoz nos anos 40 do séc. XX,
com base em fotografia de Rogério de Carvalho (1915-1988). Em Estremoz existiram
aguadeiros, proprietários de carro com grade para transporte de cântaros, puxados
por muar ou por burro. Eram eles que asseguravam a distribuição domiciliária de água,
o que constituiu prática corrente até à inauguração da rede pública de abastecimento
de água, em 26 de Maio de 1952. Os cântaros utilizados eram geralmente em zinco,
para não partirem e com tampa, para não entornarem. 

Jogador de bilhar (2011). Irmãs Flores (1957, 1958- ) e Ricardo Fonseca (1986- ).
Composição projectada pelo pintor Armando Alves para servir de troféu em
disputa no II Torneio de Bilhar "António Telmo", integrado nas Comemorações do
IV Aniversário do Falecimento de António Telmo (1927-2010), filósofo, escritor
e professor, figura cimeira da Cultura e da Filosofia Portuguesa. As comemorações
tiveram lugar em 2014 em Estremoz, por iniciativa do Círculo António Telmo e da
Sociedade Recreativa Popular Estremocense. António Telmo e Armando Alves
foram companheiros no jogo do bilhar.