Do Tempo da Outra Senhora
A Escrita como Instrumento de Libertação do Homem
quarta-feira, 28 de outubro de 2026
7 – Coleccionar bonecos de Estremoz
domingo, 18 de outubro de 2026
Artes do Vagar e Mestres do Saber-fazer / 7 - JOANA SIMÕES (1912 - 2011) E JOAQUINA SIMÕES (1914 - 2005)
Exposição ARTES DO VAGAR - Colecção Hernâni Matos
ARTES DO VAGAR / COLECÇÃO HERNÂNI MATOS
ARTES DO VAGAR: Ora agora falo eu!
ARTES DO VAGAR: O saber-fazer de há 44 anos atrás
Palavras do Presidente da Câmara Municipal de Estremoz
O recolector - Francisca de Matos
EXPOSIÇÃO "ARTES DO VAGAR" - Francisco Ramos
Artes do Vagar e Mestres do Saber-fazer / 1 – MANUEL ANTÓNIO CAPELINS
Artes do Vagar e Mestres do Saber-fazer / 2 - TERESA SEROL GOMES
Artes do Vagar e Mestres do Saber-fazer / 3 - MIGUEL SEROL GOMES
rtes do Vagar e Mestres do Saber-fazer / 4 - JOAQUIM CARRIÇO ROLO
Artes do Vagar e Mestres do Saber-fazer / 5 - JOSÉ CARRILHO TRONCHO (1910-2003)
rtes do Vagar e Mestres do Saber-fazer / 6 - ROBERTO CARREIRAS (1930-2017)
Artes do Vagar e Mestres do Saber-fazer / 7 - JOANA SIMÕES (1912 - 2011) E JOAQUINA SIMÕES (1914 - 2005)
Irmãs,
naturais de Pavia. Joana Simões foi durante largos anos professora do ensino
técnico em Estremoz, no qual leccionou lavores femininos. Por sua vez, Joaquina
Simões fez carreira como professora do ensino primário em Pavia, onde cultivou
sempre o gosto pelas artes tradicionais da região.
Após
a aposentação dedicaram-se à arte do papel recortado, procurando recuperar a
fase erudita do mesmo. Só então o fizeram por entenderem que é uma arte que
exige disponibilidade de tempo e tranquilidade de espírito.
Vejamos
qual o procedimento seguido no recorte do papel. Cada irmã desenhava o seu
próprio trabalho numa folha de papel à parte, donde depois era copiado tantas
vezes quantos as necessárias para uma folha de papel branco de tipografia.
Seguia-se o recorte do papel, tarefa que era repartida entre as duas irmãs,
pelo que cada trabalho constitui uma criação a duas mãos. Joana começava por
recortar o papel, mas quem apurava os recortes era Joaquina que tinha uma vista
mais apurada e uma mão mais firme. Havia seguidamente a necessidade de passar
cada trabalho a ferro quente para alisar o papel. Para finalizar cada trabalho
de papel recortado era assente num fundo escuro e emoldurado com vidro.
Para
recortar o papel, as irmãs Simões utilizavam 12 tesouras muito bem afiadas,
umas de bico recurvado, outras para cortar a direito, sobressaindo no conjunto
três muito especiais, vindas da China. Em 1987, o poeta António Simões, num
texto admirável a que deu o título de “JOANA E JOAQUINA SIMÕES E AS TESOURAS DE
VENTO” interroga-se: “Como é possível
recortar-se papel desta maneira?” perguntam-se todos os que contemplam os seus
trabalhos, perplexos perante uma maestria na fronteira do inacreditável.”
As
irmãs Simões começaram por fazer trabalhos que configuravam naperons de renda,
só que esta era de papel. Ao recortarem papel com uma simples tesoura, a
superfície deste animava-se como se agulhas e linhas a estivessem bordando.
Estes trabalhos apresentavam simetria radial. Depois aparecem outros com
simetria axial e mais tarde outros completamente assimétricos.
A
geometria dos trabalhos é em geral circular, quadrangular ou rectangular, tanto
horizontal como vertical.
A
decoração inclui motivos geométricos, fitomórficos, zoomórficos e
antropomórficos, combinados de diferentes modos.
Nos
seus trabalhos figuram pássaros a voar e outros pousados, em especial pavões.
Surgem também flores, entre elas cravos e amores perfeitos, vasos de flores e
campos de flores, letras capitulares de iluminura, desenhos de perfil
filigranado e labirintos em papel rendilhado.
A
dado momento passam a subscrever a autoria do trabalho de papel recortado,
apondo por baixo a assinatura “Simões”, também ela em papel recortado.
Participaram
nas feiras de artesanato de Estremoz desde 1983 e realizaram exposições em
Estremoz, Monforte, Pavia e Festa do Avante.

sábado, 17 de outubro de 2026
Ovelha tresmalhada
Trata-se de uma ovelha que
supostamente se viu afastada das suas congéneres e do respectivo pastor na cena
presepial, com a qual alguém desconhecido, ciclicamente reconstituiu e comemorou
a Natividade. Daí a epígrafe escolhida para o presente texto: Ovelha
tresmalhada, tema central da Parábola Bíblica da Ovelha Perdida, referida
em dois Evangelhos sinópticos do Novo Testamento (Mateus 18:10–14 e Lucas
15:1–79), bem como no Evangelho apócrifo de Tomé (Tomé 107).
Como coleccionador, bem gostaria
de ser capaz de à ovelha tresmalhada que neste momento integra a minha colecção
particular, juntar o resto do primitivo rebanho, assim como o pastor que em
terreno presepial, simbolicamente assegurava o pastoreio. Tal não é possível.
do seu antigo rebanho.
Ovelha que foi achada
sem o pastor d'antanho.
domingo, 11 de outubro de 2026
Santo António dos Pobres, de Isabel Pires
BIBLIOGRAFIA
MUSEU DE LAMAS. Santo António de Lisboa – A Peça do mês. [Em linha]. Disponível em: https://museudelamas.blogspot.com/2011/06/santo-antonio-de-lisboa-peca-do-mes.html [Consultado em 10 de Setembro de 2026].
quarta-feira, 7 de outubro de 2026
DIA NACIONAL DOS CASTELOS
quinta-feira, 1 de outubro de 2026
Artes do Vagar e Mestres do Saber-fazer / 6 - ROBERTO CARREIRAS (1930-2017)
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CRÉDITOS FOTOGRÁFICOS
Cortesia do Arquivo Fotográfico da CME
(Roberto Carreiras) e Luís Dias (peças).
Natural
da Veiros (Estremoz), onde nasceu na Quinta do Leão. Aqui começou como vaqueiro
e ali trabalhou toda a vida até se reformar.
Iniciou-se
na Arte Pastoril como forma de ocupar o tempo enquanto guardava a manada. Os
materiais usados começaram por ser a madeira, a cortiça, a cabaça, a cana, o
buinho e o chifre. Estes eram trabalhados usando técnicas como a escultura ou o
baixo-relevo. Todavia, viria a utilizar outros materiais como o arame, o xisto
ou o mármore, nos quais expressava toda a sua imaginação criadora. De resto,
era muito diversificada a temática das suas criações: brinquedos, antigas
profissões, história, religião, touradas, etc.
Participou
nas feiras de artesanato de Estremoz desde 1983.
Hernâni Matos
segunda-feira, 28 de setembro de 2026
RUI SIMÕES ALVES (1956-2026) - Nota de pesar da Academia Portuguesa de Cinema
É com profunda tristeza que a
Academia Portuguesa de Cinema manifesta o seu pesar pelo falecimento de Rui
Alves, profissional de cinema, cenógrafo, aderecista, artista plástico e homem
de múltiplos talentos, cuja longa carreira ficou marcada por uma extraordinária
dedicação ao cinema e às artes.
Nascido em Estremoz, em 1956, Rui
Alves frequentou o Curso de Artes Gráficas da Escola António Arroio e iniciou,
em 1975, um percurso profissional que se estenderia por várias décadas e por
diferentes áreas da criação artística. Cinema, fotografia, teatro, publicidade,
decoração, adereços, efeitos especiais, pintura e escultura fizeram parte de
uma atividade marcada pela curiosidade, pela versatilidade e por uma permanente
disponibilidade para criar.
No cinema, construiu um percurso
particularmente rico, trabalhando em diferentes funções ligadas à cenografia,
aos adereços e à construção dos universos visuais dos filmes. Desde os
primeiros trabalhos como assistente de cenografia, no final da década de 1970,
colaborou em produções portuguesas e internacionais, assumindo ao longo dos
anos responsabilidades como aderecista, aderecista de plateau, assistente de
decoração e responsável pela construção de adereços.
O seu nome encontra-se associado
a numerosas produções, entre as quais O Conde de Monte Cristo, Le Cercle des
Passions, La Lettre Voullè, To Catch a King, Giovanni Toscanini, Arsène Lupin,
L'Accompagnatrice e Fado pour une jeune fille, revelando desde cedo a dimensão
internacional do seu percurso profissional.
Ao longo da sua carreira, Rui
Alves colaborou igualmente em importantes obras do cinema português. Foi
responsável pela construção de adereços em Non ou a Vã Glória de Mandar, de
Manoel de Oliveira, e trabalhou como aderecista de plateau e em efeitos especiais
em Sinais de Fogo, entre muitos outros filmes.
A sua relação com o cinema
estendeu-se ainda à cenografia e à decoração. Em A Moura Encantada, de Manuel
Costa e Silva, surge creditado como aderecista e cenógrafo, testemunhando a
amplitude das competências que colocou ao serviço das produções em que participou.
Mas a sua atividade artística não
se limitou ao cinema. Rui Alves foi também pintor e escultor, desenvolvendo uma
obra própria em que explorou formas, volumes, cores e texturas. Expôs
regularmente o seu trabalho, apresentando, entre outras, a exposição Casas, em
Lisboa, e mostras realizadas em Estremoz, Évora e Aveiro.
Essa multiplicidade de interesses
e saberes definia também a sua presença profissional: um artista capaz de
transitar entre o trabalho manual e a criação plástica, entre a construção de
objetos e a composição de espaços, colocando a sua experiência e imaginação ao
serviço das histórias que o cinema procurava contar.
Ao longo de uma carreira iniciada
ainda nos anos 70, Rui Alves deixou uma marca discreta mas profunda nos
bastidores de numerosas produções. O seu trabalho, muitas vezes invisível aos
olhos do espectador, foi essencial para dar corpo, matéria e autenticidade aos
mundos criados pelo cinema.
A Academia Portuguesa de Cinema
presta homenagem ao seu percurso e ao importante contributo que deu ao cinema
português, recordando um profissional de grande versatilidade e um artista cuja
generosidade criativa se manifestou em múltiplos campos.
Aos seus familiares, amigos,
colegas e a todos aqueles que com ele partilharam tantos anos de trabalho e
amizade, a Academia Portuguesa de Cinema apresenta as suas mais sentidas
condolências.




















