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sábado, 17 de janeiro de 2026

Crispim Serrano, Presente!

 

1 - Crispim Serrano, funcionário do Município de Estremoz, figura-chave na
recolha de peças utilizadas nas fainas agro-pastoris concelhias para o Museu
da  Alfaia Agrícola,  nos anos 80 do séc. XX.


“Todos tiveram pai, todos tiveram mãe”
José Régio in Cântico Negro


Sem querer chover no molhado

Muito se tem falado e escrito a propósito disto e daquilo, das instalações definitivas do chamado Museu da Alfaia Agrícola de Estremoz.
O debate perde-se na lonjura do tempo, é do domínio público e no decurso dele têm-se revelado opiniões críticas, de carácter piedoso em relação ao Museu e ao público alvo: a Comunidade e aqueles que nos visitam. Algumas delas tresandam a “gato escondido com o rabo de fora”, já que não conseguem disfarçar o fito de nos seus juízos, visarem zurzir o Executivo Municipal em exercício, o que já aconteceu sucessivamente com edilidades de diferentes colorações ideológicas.
Muitas das vezes as divergências não são mais que meros reflexos de caganifâncias resultantes de diferentes orientações metodológicas em termos de musealização ou necessidade de protagonismo dos seus fautores. Para além disso, são a assunção da ignorância flagrante duma verdade culinária clássica e de um provérbio tradicional português “Não se fazem omeletes sem ovos”. E no caso do Museu da Alfaia Agrícola, os ovos têm a ver com prioridades, oportunidades, projectos e financiamento.

Palavras do Presidente do Município
Em depoimento prestado ao jornal E e publicado no número anterior, o Presidente do Município, José Sadio deu conhecimento de dois factos relevantes: 1) Avançará em breve a aquisição do imóvel destinado às instalações definitivas do Museu da Alfaia Agrícola, uma vez que se encontram reunidas as condições necessárias para o fazer; 2) Está a ser desenvolvido internamente um novo Projecto de Musealização para o futuro espaço, o qual vai ser submetido a candidatura, visando o respectivo financiamento (*1).
Os meus parabéns ao Município na pessoa do seu Presidente, uma vez que a missão a que se propôs está em vias de ser concluída.

Todos tiveram pai, todos tiveram mãe
Desconheço inteiramente a designação que vai ser atribuída ao chamado “Museu da Alfaia Agrícola” nas suas futuras instalações. Há muitas hipóteses, das quais respigo algumas: Museu da Alfaia Agrícola, Museu Rural, Museu da Lavoura, Museu da Agricultura, Centro Interpretativo do Mundo Rural, Centro Interpretativo da Ruralidade, etc.
Outras designações haverá certamente. Caberá ao Executivo Municipal escolher aquela que melhor se ajuste à filosofia do Projecto subjacente às instalações definitivas do Museu da Alfaia Agrícola.
Para além disso, atrevo-me a sugerir ao Executivo Municipal que vá mais além. Vejamos porquê. É sabido que o Museu Municipal de Estremoz criado em 1880, foi transferido para as actuais instalações em 1972. Desde os anos 70 do século passado que o Professor Joaquim Vermelho desenvolveu uma actividade cultural intensa na Biblioteca e no Museu Municipal, sobejamente reconhecida pela Comunidade e fora dela. Daí que em 1 de Março de 2003, o Município de Estremoz o tenha homenageado postumamente, atribuindo ao Museu Municipal de Estremoz a designação “Professor Joaquim Vermelho”. Tratou-se de uma iniciativa inteiramente justa, reconhecida e aplaudida pela Comunidade, que via nele o “Pai” do Museu Municipal de Estremoz. É que “Todos tiveram pai, todos tiveram mãe”, como no diz José Régio no “Cântico Negro” e no caso do Museu Municipal de Estremoz, o “Pai” foi o Professor Joaquim Vermelho.

2 - Exposição de Maquinaria e Alfaias Agrícolas no decurso da III Feira de Arte Popular
e Artesanato do Concelho de Estremoz, entre 25 e 28 de Julho de 1985.

E no caso do “Museu da Alfaia Agrícola”?
No caso do Museu da Alfaia Agrícola ou outra designação que venha a ser adoptada pelo Município, atrevo-me a propor ao Executivo Municipal, que lhe seja adicionada a designação “Crispim Serrano” (Fig. 1), pois foi ele o “Pai” do Museu da Alfaia Agrícola. Vejamos porquê.
Crispim Serrano, foi um camponês de rija tempera, daqueles que “comeram o pão que o diabo amassou” e trabalharam de sol a sol, a troco de pouco mais de coisa nenhuma, nas múltiplas tarefas sazonais que constituíam o dia a dia das herdades alentejanas. Conhecia como poucos as alfaias agrícolas e o seu modo de utilização, por ter trabalhado com elas mais os seus companheiros. Conhecia as estórias de vida de abegões que as confeccionaram e estórias de vida de homens como ele, que a soldo dos donos das terras e em condições a maioria das vezes adversas, tinham a seu cargo a nobre missão de assegurar a produção de bens pela Terra-Mãe, os quais iriam garantir a prosperidade do patrão e simultaneamente assegurar o seu ganha-pão.
Crispim Serrano tinha consciência da importância das alfaias agrícolas como registo dum passado que se estava a esvair e da importância das mesmas na elaboração de uma memória colectiva, a qual nos ajuda a construir e manter a nossa identidade cultural e histórica, preservando tradições, valores e experiências comuns, a transmitir às novas gerações.
Na qualidade de encarregado de pessoal, liderou uma equipa de funcionários do Município que a partir de 1983 e sob sua orientação começou a recolher alfaias agrícolas por cedências, empréstimos ou depósitos postos à disposição do Município e recolhidas nas Casas Agrícolas do Concelho. Nalguns casos, as peças recolhidas encontravam-se já em condições limite, abandonadas em telheiros, ao ar livre e mesmo em lixeiras, ao sabor das intempéries, correndo o risco de as ferragens serem corroídas pela ferrugem e as madeiras apodrecerem com a chuva e a humidade ou serem recolhidas para serem utilizadas como material de combustão.
A importância da recolha liderada por Crispim Serrano é incomensurável. A sua origem e passado camponês permitiram-lhe acumular ao longo do tempo, um valioso acervo de saberes, talentos e competências que se revelaram inestimáveis na recolha que liderou. Ele conhecia como ninguém, a área geográfica de cada freguesia, bem como a localização das peças que era importante recolher, tendo em conta a sua singularidade e a valorização que davam ao conjunto recolhido.
Os frutos da recolha então efectuada viriam a ser objecto de recuperação, limpeza e conservação em armazéns do Município situados na Horta do Quiton, em Estremoz, o que foi feito por funcionários do Município liderados igualmente por Crispim Serrano (*2). Da Horta do Quiton saíram cerca de 4000 peças utilizadas nas fainas agro-pastoris do concelho, as quais vieram a incorporar o acervo do Museu da Alfaia Agrícola, primitivamente instalado em 1987 no edifício da Antiga Fábrica de Moagem e Electricidade na Rua Serpa Pinto, em Estremoz. Nos seus primórdios o Museu seria gerido pela chamada “Comissão da Alfaia Agrícola”, liderada pelo Professor Joaquim Vermelho e dependente da CME.
Antes da sua integração no Museu da Alfaia Agrícola, algumas dessas peças já tinham participado em exposições associadas aos seguintes eventos: Festas da Exaltação da Santa Cruz em 1983 e 1984, bem como na III, IV e V Feira de Arte Popular e Artesanato do Concelho de Estremoz, realizadas respectivamente em 1985 (Fig. 2), 1986 e 1987. Neste último ano, a V Feira de Arte Popular e Artesanato do Concelho de Estremoz integrou pela primeira vez a I FIAPE - Feira Internacional Agro-Pecuária e de Artesanato de Estremoz. Foi no decurso desta última que ocorreu a maior exposição de material agrícola que reuniu cerca de 4000 peças que posteriormente viriam a constituir o acervo do Museu da Alfaia Agrícola.

O “Pai” Crispim Serrano
Julgo ter ficado demonstrado duma forma insofismável a extraordinária importância que Crispim Serrano teve como recolector de peças das fainas agro-pastoris concelhias que viriam a integrar o acervo do Museu da Alfaia Agrícola. Ele está indubitavelmente na génese deste Museu, o qual não existiria sem ele. Creio sinceramente que Crispim Serrano pode muito legitimamente ser considerado o “Pai” do Museu da Alfaia Agrícola. Daí que eu proponha ao Executivo Municipal que em sua homenagem, ao nome do Museu seja adicionada a designação “Crispim Serrano”. Será um tributo póstumo da Comunidade, prestado como reconhecimento que lhe é devido pelo mérito demonstrado com o seu contributo para a elaboração de uma memória colectiva de âmbito concelhio. É, de resto, um jeito belo e elegante de a Comunidade proclamar que ele permanece vivo na memória colectiva que ajudou a construir:
- CRISPIM SERRANO, PRESENTE!

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(*1) – De acordo com o que consegui apurar o financiamento será concretizado através do programa ARI (Autorização de Residência para Investimento), o qual financia projectos museológicos através da vertente de apoio ao património cultural, permitindo que investidores estrangeiros façam um donativo mínimo para a recuperação, restauro ou manutenção de museus e monumentos, com aprovação prévia do GEPAC (Gabinete de Estratégia, Planeamento e Avaliação Culturais), serviço integrado da administração directa do Estado português, que actua na área governativa da Cultura e que concede autorização de residência em troca do investimento cultural.
(*2) – Na época assisti de perto à recuperação de muitas dessas peças na Horta do Quiton, a qual frequentava desde a minha infância, já que nasci ali bem perto, no nº 14 do Largo do Espírito Santo. Envolvido em actividades culturais patrocinadas pelo Município de Estremoz, interactuei inúmeras vezes com Crispim Serrano, o qual me concedeu o privilégio da sua amizade.

Hernâni Matos
Publicado em 17 de Janeiro de 2026
Publicado no jornal E, nº 371 de 16-01-2026

CRÉDITOS FOTOGRÁFICOS - Arquivo Fotográfico Municipal de Estremoz / BMETZ – Colecção Joaquim Vermelho.

domingo, 28 de dezembro de 2025

PEDRO VAZ PEREIRA / Vou-me Embora Vou Partir

 


Pedro Marçal Vaz Pereira


“Todo o mundo é composto de mudança,
Tomando sempre novas qualidades.”
Luís de Camões (c.1524 – 1580)

 

Preâmbulo
Ao Vitorino Salomé agradeço a força do título da sua canção “Vou-me Embora Vou Partir”, a qual integra o álbum “Semear Salsa Ao Reguinho”, lançado em 1975 e que curiosamente termina com o verso “Eu hei-de ir, hei-de voltar com o tempo”.

Mudar de vida
Há uns tempos atrás e com alguma surpresa da minha parte, o Pedro deu-me conhecimento de que se ia retirar das lides filatélicas. Como tal, não voltaria a candidatar-se ao cargo de Presidente da Federação Portuguesa de Filatelia.
Disse cá para comigo “O Pedro está farto da rapaziada e das “guerras do alecrim e da manjerona e resolveu mudar de ares”. Lembrei-me de imediato do poema “Viver sempre também cansa”, do José Gomes Ferreira “O sol é sempre o mesmo e o céu azul / ora é azul, nitidamente azul, / ora é cinzento, negro, quase-verde.../ Mas nunca tem a cor inesperada.”. O cineasta Paulo Rocha se fosse vivo, dar-lhe-ia razão e diria que ”É preciso “Mudar de vida”.
O Pedro disse-me então que gostaria de dispor de um texto meu, o qual sinalizasse o nosso relacionamento e o modo como eu encaro o seu trabalho de 4 décadas, ao leme da Federação Portuguesa de Filatelia. A finalidade era publicá-lo conjuntamente com outros depoimentos no último número da Filatelia Lusitana, tendo-o como Director. De imediato acedi ao seu honroso convite.
Como não tenho vocação para Tedéus nem tão pouco jeito para epitáfios, fi-lo da única maneira que o sei fazer e como é meu timbre, sem formalismos e meio a sério, meio a brincar. Assim o exige a nossa amizade e o nosso gosto pela vida.

Eu e o Pedro
Oitentão, conheci o Pedro há cerca de quatro décadas atrás, era eu ainda um rapaz, com a particularidade de ser dirigente dum clube filatélico de província. O Pedro, então com menos uns centímetros de barriga, era já um Deus Nosso Senhor, lá nos píncaros da Avenida Almirante Reis. De vez em quando eu tinha a ousadia de metralhar a Direcção da Federação com alguns ofícios batidos numa velha “Olímpia”, cuja fita padecia de excesso de tinta. Se não os pus vesgos, andou lá perto disso.
Entre mim e o Pedro, tudo apontava para que o nosso relacionamento interpessoal não funcionasse, já que o nosso horóscopo nos sinaliza a ambos como pertencentes ao signo do Leão com ascendente de Touro. Tudo indicava que o nosso relacionamento viesse a “fazer faísca”. Tal não aconteceu, quem sabe se por termos consciência desse risco. Cada um no seu galho, lá nos fomos respeitando e aturando um ao outro, às vezes sabe-se lá como. O que é certo é que resultou e que cimentámos uma amizade que tem resistido ao tempo e se tem fortalecido apesar das nossas diferenças. É que o direito à diferença é um direito constitucional que legitima que os amigos não tenham que ser o clone um do outro. Para além disso, a amizade não goza da propriedade transitiva. A pode ser amigo de B e B pode ser amigo de C e estas condições não implicam que A tenha que ser necessariamente amigo de C. No nosso caso, somos ambos laicos e republicanos. Todavia ele ufana-se com o verde, é leão e chuta à direita. Pelo contrário, eu sou águia, assumidamente vermelho e chuto à esquerda.
A convite do Pedro, algures no século passado, integrei uma Direcção da Federação Portuguesa de Filatelia, sufragada pelos votos dos clubes federados. Creio que ele terá identificado em mim, qualidades que poderiam fazer a diferença na sua equipa. Julgo que não o desiludi, apesar de na primeira reunião de Direcção ter apanhado um “cagaço” quando avistei junto a ele, uma monumental pilha de papéis e papeletas, dos quais havia que tomar conhecimento e relativamente a alguns tomar decisões. Para tal, era tudo visto, tintim por tintim e branco no preto. Formatado aos processos regimentais federativos, lá fui andando e crescendo como dirigente filatélico, numa caminhada comum, no decurso da qual aprendi muito.

As reuniões da Direcção
As reuniões da Direcção eram matinais e por vezes maiores que a légua da Póvoa, apenas interrompidas quando algumas barrigas como a minha, começavam a dar horas. Chegados a este ponto, as intervenções eram mais curtas, a ver se o Pedro dava ordem de “soltura”. Quando esta acontecia, lá íamos nós a caminho do restaurante Chilgamba, ali mesmo na Avenida Almirante Reis. O almoço era um dos pontos altos desse dia. Púnhamos as conversas em dia, falava-se de colecções, das últimas peças adquiridas e das exposições que aí vinham. Findo o repasto, lá retornávamos à casa mãe, a sede da Federação, a ver se a pilha de papéis e de papeletas, organizadas pelo Pedro, chegava ao fim. Alcançado este, lá nos despedíamos uns dos outros, regressando cada um ao seu porto de abrigo, até à próxima reunião de Direcção, para desempenharmos a missão que assumíramos cumprir, tendo o Pedro como timoneiro.

Contactável até na casa de banho
Certa vez, o Pedro pregou-me uma “rabecada”. Tinha um assunto urgente a tratar comigo e eu não lhe atendia o telefone. Quando conseguiu que eu o atendesse, perguntou-me de rompante “Só agora é que me atende o telefone?”, ao que eu respondi “Só agora é que pude. Estava na casa de banho e não tinha o telefone comigo.”. A resposta não se fez esperar e foi fulminante “Hernâni, desculpe, mas um dirigente filatélico tem que estar sempre contactável, mesmo na casa de banho”. Apeteceu-me dizer-lhe “Deixe estar chefe, que vou deixar de ter dores de barriga”. Todavia não fui por aí. Disse-lhe simplesmente “Tem razão, Pedro”. E o que é um facto, é que a partir daí, o meu telemóvel passou a ser meu companheiro de estrada, quer a caminhada fosse timbrológica ou não.

A minha entrada para Jurado
Como expositor filatélico tive sempre o saudável hábito de questionar os Jurados sobre as classificações que me eram atribuídas, ousadia que me saiu cara. Candidatei-me a Jurado nacional e fui chumbado com perguntas de algibeira. Duas vezes a Inteiros Postais e uma vez a Maximafilia. É claro que fiquei “piurso”, mas as coisas ficaram por ali ou melhor não ficaram mesmo por ali. Presumo que o Pedro não tenha gostado da coisa e lá terá dito com os seus botões ”Porra! Vou acabar com esta tourada. Este gajo tem currículo filatélico e “percebe da poda”. Há que convidá-lo para o corpo de Jurados.”. E assim foi. Passei a integrar o corpo de Jurados nacionais da Federação Portuguesa de Filatelia nas classes de Inteiros Postais, Maximafilia e Literatura Filatélica. Mais tarde, o Pedro subscreveu a minha candidatura a Jurado FIP de Inteiros Postais, tendo sido certificado como tal na Exposição FIP de Valência, em Espanha. Cumulativamente, Steve Washburn, team leader da Comissão FIP de Inteiros Postais, cooptou-me como membro não eleito para integrar o Bureau da Comissão. Fui até hoje o único Jurado português que integrou um Bureau da FIP. Vejam lá em que deram os meus chumbos. Julgo ser oportuno e legítimo citar aqui dois provérbios populares portugueses "Não há fome que não dê em fartura" e "Quem ri por último, ri melhor".

Breve perfil biográfico do Pedro
Como filatelista, o Pedro viu as suas colecções obterem no decurso dos anos, as mas elevadas recompensas nas classes de Filatelia Tradicional, História Postal, Inteiros Postais, Classe Aberta e Literatura Filatélica. Por decisão do Congresso Federativo, foi-lhe outorgado em 2010, o Galardão de Filatelista Eminente, a mais elevada distinção da Filatelia de Portugal.
Escritor e jornalista filatélico, subscreve vasta colaboração em revistas e catálogos de exposições filatélicas, tanto em Portugal como no estrangeiro. É autor de várias obras nos domínios da História Postal, da História da 1ª República e da História de Cernache de Bonjardim, localidade que o viu nascer.
É Presidente da Federação Portuguesa de Filatelia (FPF) desde 1987 e foi Presidente da Federação Europeia de Sociedades Filatélicas (FEPA) no período (2001-2009), assim como Director das respectivas revistas “Filatelia Lusitana” e “FEPA News”.
Entre as inúmeros prémios e distinções que lhe foram atribuídas, é de salientar a outorga em 2019 da Medalha da FEPA “FOR EXCEPTIONAL SERVICE TO ORGANISING PHILATELY”, a mais alta distinção concedida a filatelistas europeus e atribuída uma vez por ano a um único filatelista. É igualmente de destacar a atribuição em 2022 da Medalha da FEPA “FOR EXCEPTIONAL PHILATELIC STUDY AND RESEARCH 2022”, pela publicação da obra OS CORREIOS PORTUGUESES 1853-1900 NOS 500 ANOS DO CORREIO EM PORTUGAL, considerado o melhor livro de 2022. Finalmente é ainda de realçar que a revista FILATELIA LUSITANA de qual é director, foi distinguida pela Academia Europeia de Filatelia com a Medalha de Imprensa para a melhor revista europeia de 2022.
É um gestor nato, trabalha por objectivos, tem uma visão estratégica das coisas, capacidade de liderança e de trabalho em equipa, espírito de missão e grande capacidade de resiliência.
Liderou a filatelia portuguesa durante quatro décadas, estruturando-a, disciplinando-a e estabelecendo parcerias eficazes com os Correios de Portugal, os quais asseguraram desde sempre o patrocínio dos eventos filatélicos nacionais, independentemente de serem simples mostras ou exposições do mais alto nível, como foi o caso da Exposição Filatélica PORTUGAL 98, comemorativa do 500º Aniversário da Chegada de Vasco da Gama à Índia, que foi igualmente o tema central da EXPO 98. Foi ainda o caso da Exposição Filatélica PORTUGAL 2010 - Exposição Mundial de Filatelia, integrada nas comemorações do 1º Centenário da República Portuguesa. Da PORTUGAL 98 e da PORTUGAL 2010, foi o Pedro o grande e principal obreiro.
Nos areópagos filatélicos internacionais e na condição de Presidente da FPF e da FEPA, o Pedro tem sido uma figura considerada e atentamente escutada, como tive oportunidade de constatar no Congresso FIP de Valência e no Congresso FEPA de Antuérpia.
Quer queiram ou não os seus detractores - que os tem - o Pedro é um grande Senhor da Filatelia a nível mundial e o seu prestígio como dirigente, transvasa o mero âmbito da Filatelia Nacional.
São profundas as marcas que deixa no terreno filatélico e enorme o seu legado. A sua memória como dirigente filatélico de excelência, perdurará no tempo e pairará nos ares, muito para além dos céus da Avenida Almirante Reis e da Rua Cidade de Cardiff. Nesta última se situa a actual sede da Federação Portuguesa de Filatelia, a qual integra o legado patrimonial que nos deixa.

Cronologia filatélica portuguesa
A civilização ocidental e cristã utiliza a era cristã, de acordo com a qual a contagem do tempo se faz tomando como referência a data do nascimento de Cristo. Daí que em termos cronológicos se utilizem as designações A.C. (antes de Cristo) e D.C. (depois de Cristo). Com a saída do Pedro do cargo que vem desempenhando há largos anos, a filatelia portuguesa na sua narrativa, usará inescusavelmente as designações A.P. (antes de Pedro) e D.P. (depois de Pedro).
O sucessor de D. Pedro
Apesar de “nuestros hermanos” o tratarem por D. Pedro, a ética laica e republicana que professa e integra a sua matriz identitária, indicia que não deixará sucessor ao cargo. Todavia, tal não impede que haja quem se perfile no horizonte filatélico como seu sucessor. Da outra margem da filatelia não sei nada e não tenho notícias há muito tempo. Todavia, eles saberão de si. O Pedro também. Sai, mas andará por aí.
Até sempre, Pedro!
Na antecâmara da sua retirada da cena filatélica, quero-lhe agradecer o privilégio da sua amizade e desejar-lhe as maiores felicidades na sua vida futura, votos que são igualmente extensivos à Ana, a sua adorável esposa, que igualmente me concedeu e à Fátima minha companheira, o privilégio da sua amizade. Bem hajam por isso.
Até sempre, Pedro!

Publicado a 28 de Dezembro de 2025
in Filatelia Lusitana, Série III, nº 50, Lisboa, Dezembro de 2025.

domingo, 1 de junho de 2025

Estremocense, Mestre do Neo-Realismo, em terras de Vila Franca

 



Ontem, dia 31 de Maio, estive presente, por iniciativa própria, no acto inaugural da exposição “Fazer crescer a vida - Rogério Ribeiro e o Neo-Realismo”.

Com curadoria de David Santos, a exposição ocupa os pisos 1 e 2 do Museu do Neo-Realismo, em Vila Franca de Xira, mostrando cerca de duzentas e cinquenta obras de pintura, desenho, gravura e cerâmica de Rogério Ribeiro, um dos maiores protagonistas do neo-realismo visual português.

Rogério Ribeiro (1930-2008) é natural de Estremoz, onde nasceu em 1930. Tive o privilégio de o entrevistar em 1981 para o jornal Brados do Alentejo. Aí se falou de neo-realismo. Num enquadramento da presente exposição está patente um painel que destaca um excerto dessa entrevista.

O Município de Estremoz galardoou o artista em 2006 com a Medalha de Mérito Municipal - Grau Ouro e desde 2013 que a toponímia estremocense assinala a existência da rua “Mestre Rogério Ribeiro”.

A exposição “Fazer crescer a vida -. Rogério Ribeiro e o Neo-Realismo”, integra duas obras cedidas para o efeito pelo Museu Municipal de Estremoz e pertencentes ao seu acervo. São elas: - Estudo, 1952. Aguarela sobre papel, 30 x 43 cm; - Mondadeiras, 1952. Tinta-da-China e gouache sobre papel, 35 x 45 cm.

De Estremoz, presentes ao acto inaugural e por iniciativa própria, estive eu e duas pessoas que me acompanharam. Convenhamos que sabe a pouco.











quinta-feira, 5 de dezembro de 2024

7º Aniversário dos Bonecos de Estremoz enquanto Património Unesco

 



Transcrito com a devida vénia do
em 4 de Dezembro de 2024


No sábado, dia 7 de dezembro de 2024, comemora-se o 7.º aniversário da Inscrição da Produção de Figurado em Barro de Estremoz, na Lista Representativa de Património Cultural Imaterial da Humanidade da UNESCO.

Para celebrar a data, o Município de Estremoz organizou as seguintes atividades:

SALÃO NOBRE DA CÂMARA MUNICIPAL DE ESTREMOZ

- 𝟏𝟖:𝟎𝟎 𝐡𝐨𝐫𝐚𝐬 - Discursos Institucionais;

- 𝟏𝟖:𝟐𝟎 𝐡𝐨𝐫𝐚𝐬 - Entrega de Certificações aos barristas recentemente reconhecidos;

- 𝟏𝟖:𝟑𝟎 𝐡𝐨𝐫𝐚𝐬 - Concerto celebrativo da Inscrição da Lista Representativa UNESCO, pelo Vox Aurea Ensemble.

CENTRO INTERPRETATIVO DO BONECO DE ESTREMOZ

- 𝟏𝟗:𝟒𝟓 𝐡𝐨𝐫𝐚𝐬 - Inauguração da renovação da sala de exposições dos Barristas.

Venha celebrar connosco!

Entrada gratuita.

quarta-feira, 14 de agosto de 2024

Aonde se fala da minha visita à Exposição de Pintura de João Moura Reis no Howard's Folly, em Estremoz

 


Hoje á tarde visitei a Exposição de Pintura de João Moura Reis, patente ao público no Howard's Folly, em Estremoz.
Não resisti ao convite formulado pelo João no acto inaugural, no sentido de cada visitante se expressar livremente com umas pinceladas numa tela colectiva, ali presente para esse efeito.
Foi ousadia minha. Quis dar um passo maior que a perna e saiu asneira.
Pretendia pintar uma rosácea hexapétala. de forte simbolismo na arte pastoril alentejana. Saiu-me uma espécie de roda de um carro de tracção animal, com falta de raios.
Não sou dado a atitudes de auto-justificação em casos de inêxito, mas sempre digo:
- O que conta é a intenção!
Isso mesmo disse ao João - um amigo de longa data - no Livro de Honra, onde o parabenizei pela sua Exposição com a simultaneidade de um grande abraço.



A Fátima também me acompanhou na minha aventura pictórica. Ei-la em plena acção.

terça-feira, 6 de agosto de 2024

Artesãos e Feiras de Artesanato


Fotografia transcrita com a devida vénia da página do Facebook do dia 5 de
Setembro, do barrista Carlos Alberto Alves, com a seguinte legenda: "E assim
terminou esta grande Feira Nacional de Artesanato de Vila do Conde. Os meus
agradecimentos à organização do evento e a todos que visitaram o meu stand.
Para o ano cá estarei. Até já."

Desde a sua génese, que as feiras de artesanato visam a preservação e a promoção das artes tradicionais, enquanto reflexos identitários e fontes de riqueza das comunidades.

São elementos fundamentais das feiras de artesanato, os feirantes, designação bi-valente, aplicável tanto a artesãos produtores como a público comprador.

Poderá haver feiras de artesanato com mais ou menos público. Porém uma coisa é certa, não faz sentido haver feiras de artesanato sem a presença de artesãos, os quais trabalhando ao vivo mostram o seu saber fazer, comercializam a sua produção e dão a cara no contacto com os clientes, promovendo a sua arte e com ela a comunidade onde se inserem.

Foi assim que participaram em feiras por aqui e por ali, José Moreira, Liberdade da Conceição, Irmãs Flores, Maria Luísa da Conceição e Célia Freitas, nomes incontornáveis de barristas de Estremoz, que não podem deixar de ser referidos e destacados como exemplo.

Apesar de tudo, a vida é como o planeta Terra, dá muita volta, pelo que fruto das circunstâncias e pela indisponibilidade de alguns artesãos estarem presentes nas feiras com stand próprio, a promoção do artesanato de algumas regiões passou a ser feita por entidades vocacionadas para o marketing de produtos de várias tipologias, entre elas o artesanato. É o que tem sido feito pelo Turismo Municipal de vários municípios, por Entidades Regionais de Turismo e por outras entidades. Qualquer delas tem objectivos mais vastos e agenda própria, os quais ultrapassam largamente os objectivos específicos e os interesses próprios dos artesãos.

Estremoz não foge à regra e por isso o mesmo já aconteceu com representações de Estremoz em feiras de artesanato. Todavia, parece que houve artesãos de Estremoz que resolveram arrepiar caminho. Daí que a participação dos artesãos estremocenses na Feira de Artesanato de Vila do Conde do presente ano, tenha sido a maior de sempre, com os artesãos distribuídos por 5 stands: Bonecos de Estremoz (3), Olaria (1) e Artesanato em Pele (1).

Aí estiveram presentes os barristas Carlos Alberto Alves, Inocência Lopes, Maria Isabel Catarrilhas Pires e Sara Sapateiro, a ADOE - Associação Dinamizadora da Olaria de Estremoz e a artesã Clara Cunha da empresa artesanal Maria da Conceição Cunha – Artesanato em pele.

Fizeram-no na condição de artesãos independentes, que se inscreveram por sua própria iniciativa e se deslocaram pelos seus próprios meios. Trata-se de uma postura que traduz uma atitude de independência que aqui sublinho e aplaudo. De igual modo, sublinho e aplaudo a presença do Presidente do Município de Estremoz, José Daniel Sadio, na Feira de Artesanato de Vila do Conde no passado dia 30 de Julho, onde foi recebido pelo Dr. Saraiva Dias, Presidente da Associação para a Defesa do Artesanato e Património de Vila do Conde (ADAPVC). Na sua visita, o autarca felicitou os artesãos presentes pelo trabalho de promoção e divulgação do artesanato de Estremoz, o que não deixa de ser significativo.

quinta-feira, 1 de agosto de 2024

Visita do Presidente do Município de Estremoz à Feira Nacional de Artesanato de Vila do Conde


O barrista Carlos Alberto Alves, ladeado à esquerda pelo Dr. Saraiva
Dias  (Presidente da ADAPVC) e à direita pelo Presidente do Município
de Estremoz, José Daniel Sadio, acompanhado da esposa.

Fotografias recolhidas com a devida vénia na
página do Facebook do Presidente do Município
de Estremoz, José Daniel Sadio

O Presidente da Câmara Municipal de Estremoz, José Daniel Sadio, visitou no passado dia 30 de Julho, a 46ª Feira Nacional de Artesanato de Vila do Conde. Aqui foi recebido pelo Dr. Saraiva Dias, Presidente da Associação para a Defesa do Artesanato e Património de Vila do Conde (ADAPVC), a quem a Câmara Municipal confia a gestão e promoção do Centro de Artesanato e a realização da Feira Nacional de Artesanato que, desde 1978, se continua a realizar.

No seu périplo pela Feira, José Daniel Sadio visitou o stand do barrista Carlos Alberto Alves e o stand de Maria da Conceição Cunha – Artesanato em pele, onde se encontrava presente a artesã Clara Cunha. Em qualquer deles, dialogou com os artesãos que participam na Feira desde o passado dia 20 de Julho e até ao seu termo em 4 de Agosto. O autarca felicitou ainda os artesãos pelo trabalho de promoção e divulgação do artesanato de Estremoz. Estas felicitações foram naturalmente extensivas àqueles que já não se encontrando presentes, participaram na Feira entre 20 e 27 de Julho: ADOE - Associação Dinamizadora da Olaria de Estremoz e as barristas Inocência Lopes, Maria Isabel Catarrilhas Pires e Sara Sapateiro.

A participação dos artesãos estremocenses na Feira de Artesanato de Vila do Conde foi a maior de sempre, com os artesãos distribuídos por 5 stands: Bonecos de Estremoz (3), Olaria (1) e Artesanato em Pele (1).

Em comunicado de imprensa distribuído hoje, o Município de Estremoz agradece ao Município de Vila do Conde, o que considera ser um agradável acolhimento na visita efectuada. Simultaneamente parabeniza e enaltece a participação de todos os que contribuem para a divulgação e promoção do concelho de Estremoz

Criada em 1978, a Feira Nacional de Artesanato de Vila do Conde é um evento reconhecido a nível nacional, sendo considerada a mais antiga, a melhor e a maior do género que se realiza em Portugal, não só pelo número de artesãos nacionais participantes, mas também no que respeita ao número de visitantes do certame.

A Associação para a Defesa do Artesanato e Património de Vila do Conde (ADAPVC), entidade gestora da Feira Nacional de Artesanato de Vila do Conde, orgulha-se de, ao longo das últimas quatro décadas, ter contribuído de forma decisiva para a preservação das artes tradicionais portuguesas, defendendo a genuinidade e qualidade dos produtos presentes no certame.

Hernâni Matos


A artesã Clara Cunha, ladeada à esquerda pela esposa do Presidente
do Município  de Estremoz, José Daniel Sadio, que se encontra à sua
direita, seguido do Dr. Saraiva Dias (Presidente da ADAPVC).

terça-feira, 30 de julho de 2024

Carlos Alberto Alves, um barrista de Estremoz na Feira de Artesanato de Vila do Conde


Procissão do Senhor Jesus dos Passos de Estremoz (em 1º plano)

O barrista Carlos Alberto Alves encontra-se a participar na 46ª Feira Nacional de Artesanato de Vila do Conde, desde o passado dia 20 de Julho e até ao termo da Feira, em 4 de Agosto. Fá-lo em stand próprio, na condição de barrista independente, que se inscreveu por sua própria iniciativa e se deslocou pelos seus próprios meios.

Trata-se da segunda participação do barrista nestas condições, já que no ano transacto esteve presente na 45ª Feira Nacional de Artesanato de Vila do Conde, por convite da Organização da Feira. Foi então o único bonequeiro de Estremoz presente na mesma, uma vez que a prevista participação colectiva do Município de Estremoz, a convite da Organização da Feira, foi cancelada por aquele Município e não se concretizou, ao contrário do que acontecera no ano anterior.

Este ano, para além do barrista Carlos Alberto Alves, participaram também em stand próprio, as barristas Inocência Lopes bem como Maria Isabel Catarrilhas Pires conjuntamente com Sara Sapateiro, o que aconteceu na primeira semana da Feira.

Desde 2010 que venho acompanhando o trabalho do barrista Carlos Alberto Alves, sobre o qual comecei por escrever uma pequena nota biográfica no meu livro BONECOS DE ESTREMOZ, publicado em 2018, a qual pode ser lida aqui.

Desde 2021 que o barrista tem a sua produção certificada pela ADERE-CERTIFICA, único organismo de certificação acreditado pelo IPAC - Instituto Português de Acreditação. Significa isto que os Bonecos de Estremoz produzidos por Carlos Alberto Alves estão de acordo com o MANUAL DE CERTIFICAÇÃO “BONECOS DE ESTREMOZ”, publicado pela ADERE-CERTIFICA em 2018. De acordo com aquele manual, os Bonecos de Estremoz de Carlos Alberto Alves, obedecem à TÉCNICA DE PRODUÇÃO e à ESTÉTICA DO BONECO DE ESTREMOZ.

O acompanhamento do trabalho deste barrista tem-me levado a elaborar textos sobre algumas das suas criações, nomeadamente: Carlos Alves certificado como bonequeiro de Estremoz – 2021 (ler aqui), Carlos Alves e o pastor de tarro e manta  - 2021 (ler aqui), Carlos Alves e a Cozinha dos Ganhões – 2021 (ler aqui), Presépio de Carlos Alves – 2022 (ler aqui) e FEIRA INTERNACIONAL DE ARTESANATO 2024 / Carlos Alberto Alves distinguido com Menção Honrosa – 2024 (ler aqui)

Recentemente, o barrista Carlos Alberto Alves foi distinguido com uma Menção Honrosa atribuída pelo Júri do Concurso de Artesanato da FIA - Feira Internacional de Artesanato, certame que decorreu em Lisboa, entre 29 de Junho e 7 de Julho. A distinção do Júri ocorreu na modalidade de Artesanato Tradicional e incidiu sobre a figura composta do Figurado de Estremoz, designada por “Cante Alentejano”. Não me surpreende a distinção concedida ao barrista, pois como já tive oportunidade de dizer e escrever, encaro tal facto como um tributo ao mérito, que decerto o estimulará a não ficar por aqui. Foi o que aconteceu com a certificação do seu trabalho pela ADERE-CERTIFICA em 2021, que o incentivou a um aperfeiçoamento maior do seu trabalho em termos globais. São factos indesmentíveis, observados por quem tem acompanhado a sua produção ao longo dos tempos.

Da sua participação na 46ª feira de Artesanato de Vila do Conde, destacam-se e fazem regalar a vista, a espectacular “Procissão do Senhor Jesus dos Passos de Estremoz”, a “Cozinha dos Ganhões” e o “Cante alentejano”. São composições que honram o barrista e com ele a barrística popular estremocense. É caso para dizer:

- PARABÉNS, CARLOS ALBERTO ALVES!


Cozinha dos ganhões

Cante Alentejano

domingo, 28 de julho de 2024

A ADOE-Associação Dinamizadora da Olaria de Estremoz participou na Feira de Artesanato de Vila do Conde

 


LER AINDA


A ADOE-Associação Dinamizadora da Olaria de Estremoz participou entre 20 e 27 de Julho na 46ª Feira Nacional de Artesanato de Vila do Conde. Fê-lo em stand próprio, na condição de associação independente, com personalidade jurídica, que se inscreveu por sua própria iniciativa e se deslocou pelos seus próprios meios.

A ADOE constitui-se em 2023, na sequência do Curso de Olaria que por módulos teve lugar a partir de 2021, no Centro Interpretativo do Boneco de Estremoz. O Curso foi fruto de uma parceria entre o Centro de Formação Profissional para o Artesanato e Património (CEARTE) e o Município de Estremoz. Teve como formador Mestre Xico Tarefa, Mestre oleiro prestigiado, com longa experiência e sempre pronto a ajudar os formandos.

A ADOE é constituída entre outros por: Inês Crujo, Ana Calado, Luís Rosa, Vera Magalhães, Xico Tarefa, Jorge Carrapiço, André Carvalho, Pedro Capão, Graça Paulo e Sara Sapateiro.

A ADOE propõe-se recuperar a olaria tradicional de Estremoz, o que constitui uma iniciativa muito louvável e de alcance incomensurável. Desejo-lhe os maiores êxitos na prossecução dos seus objectivos estatutários. Bem hajam!

Hernâni Matos

Sara Sapateiro, uma barrista de Estremoz na Feira de Artesanato de Vila do Conde

 



Sara Sapateiro participou entre 20 e 27 de Julho na 46ª Feira Nacional de Artesanato de Vila do Conde, em stand partilhado com a barrista Maria Isabel Catarrilhas Pires. Fê-lo como artesã produtora de Figurado de Estremoz, na condição de barrista independente, que se inscreveu por sua própria iniciativa e se deslocou pelos seus próprios meios.

À Feira levou trabalhos como “Sagrada Família”, “Nossa Senhora da Conceição”, “Amor é cego”, “Primavera” e “Presépio de altar”, dentro do âmbito do Figurado de Estremoz. Fora deste apresentou ainda um “Busto de pastor alentejano”.

O “Presépio de altar” participou na 2ª edição do “Concurso Jovem Artesão”, que teve lugar durante a Feira, sem todavia ser distinguido pelo Júri.

Sara Sapateiro (1995-  ), sobre a qual já elaborei o texto Sara Sapateiro e o aristocrata rural (ler aqui), é discípula da barrista Maria Isabel Isabel Catarrilhas Pires, com a qual começou a trabalhar em 2018. No ano seguinte frequentou o Curso de Formação sobre Técnicas de Produção de Bonecos de Estremoz, que teve lugar no Centro Interpretativo do Boneco de Estremoz, no Palácio dos Marqueses de Praia e Monforte. O Curso foi promovido pelo CEARTE - Centro de Formação Profissional para o Artesanato e Património, em parceria com o Município de Estremoz. No Curso aprofundou os conhecimentos de Barrística de Estremoz, com Mestre Jorge da Conceição.

De então para cá tem modelado e criado de uma forma fluida, imagens que umas vezes se integram no Figurado de Estremoz e outras vezes não, mas que têm o seu público, já que são apelativas, não só pela modelação como pelo cromatismo.

Desde 28 de Maio do ano em curso que é portadora de Carta de Artesão e de Unidade Produtiva Artesanal na área da Cerâmica Figurativa, emitida pelo CEARTE.

Creio que em devido tempo, que só a ela cabe decidir, submeterá a sua produção a processo de certificação como artesã produtora de Bonecos de Estremoz, junto da Adere-Certifica, organismo nacional de acreditação a quem compete a certificação de produções artesanais tradicionais, com garantia da qualidade e autenticidade da produção.

Hernâni Matos



sábado, 27 de julho de 2024

Maria Isabel Catarrilhas Pires, uma barrista de Estremoz na Feira de Artesanato de Vila do Conde

 


Há já algum tempo que venho acompanhando o trabalho da barrista Maria Isabel Catarrilhas Pires, sobre a qual comecei por escrever uma pequena nota biográfica no meu livro BONECOS DE ESTREMOZ, publicado em 2018, a qual pode ser lida aqui.

Desde 2018 que a barrista tem a sua produção certificada pela ADERE-CERTIFICA, único organismo de certificação acreditado pelo IPAC - Instituto Português de Acreditação. Significa isto que os Bonecos de Estremoz produzidos por Maria Isabel Catarrilhas Pires, estão de acordo com o MANUAL DE CERTIFICAÇÃO “BONECOS DE ESTREMOZ”, publicado pela ADERE-CERTIFICA em 2018. De acordo com aquele manual, os Bonecos de Estremoz de Maria Isabel Catarrilhas Pires, obedecem à TÉCNICA DE PRODUÇÃO e à ESTÉTICA DO BONECO DE ESTREMOZ.

O acompanhamento do trabalho desta barrista tem-me levado a elaborar textos sobre algumas das suas criações: Isabel Pires e o velho camponês alentejano – 2020 (ler aqui), Isabel Pires e a Alegoria do Outono – 2020 (ler aqui) e "O Amor é cego" com a "Sagrada Família" no coração – 2021 (ler aqui). Esta última criação, assim como as alegorias das 4 estações, estão entre os exemplares em que é mais notória a criatividade da barrista. No caso de "O Amor é cego" com a "Sagrada Família" no coração teve a genialidade de conceber uma figura composta tematicamente bivalente, uma vez que é simultaneamente um Presépio e uma figura de Carnaval. No caso das alegorias das quatro estações, porque teve a ousadia de abordar a criação de alegorias das outras estações para além da Primavera. Fê-lo duma forma coerente com a representação da Primavera. São exemplos paradigmáticos das suas criações que me apraz registar e que integram a sua participação entre 20 e 27 de Julho, em stand partilhado com a barrista Sara Sapateiro, na 46ª Feira Nacional de Artesanato de Vila do Conde. Fá-lo na condição de barrista independente, que se inscreveu por sua própria iniciativa e se deslocou pelos seus próprios meios.
A barrista, como já tive oportunidade de observar, tem um estilo acentuamente personalizado, assente numa profunda interpretação naturalista e num cromatismo muito vivo, que tornam apelativas as figuras que cria. Como tal é merecedora dos meus melhores encómios.

sexta-feira, 26 de julho de 2024

Inocência Lopes, uma barrista de Estremoz na Feira de Artesanato de Vila do Conde

 

Merenda

Preâmbulo
Há já algum tempo que venho acompanhando o trabalho da barrista Inocência Lopes, que no ano transacto viu trabalhos seus serem expostos no Centro Interpretativo do Boneco de Estremoz. Tratou-se da exposição “CURIOSIDADES - Figurado de Estremoz de Inocência Lopes”, que ali esteve patente ao público entre 18 de Maio e 3 de Setembro, conforme noticiei oportunamente, o que pode ser lido aqui e aqui.
Desde 2022 que a barrista tem a sua produção certificada pela ADERE-CERTIFICA, único organismo de certificação acreditado pelo IPAC - Instituto Português de Acreditação. Significa isto que os Bonecos de Estremoz produzidos por Inocência Lopes, estão de acordo com o MANUAL DE CERTIFICAÇÃO “BONECOS DE ESTREMOZ”, publicado pela ADERE-CERTIFICA em 2018. De acordo com aquele manual, os Bonecos de Estremoz de Inocência Lopes, obedecem à TÉCNICA DE PRODUÇÃO e à ESTÉTICA DO BONECO DE ESTREMOZ.
Em 2024 participa entre 20 e 27 de Julho, com stand próprio, na 46ª Feira Nacional de Artesanato de Vila do Conde. Fá-lo na condição de barrista independente, que se inscreveu por sua própria iniciativa e se deslocou pelos seus próprios meios.
Na Feira Nacional de Artesanato de Vila do Conde, Inocência Lopes apresentou duas criações, as quais despertaram a minha atenção e que passo a descrever.

Merenda
Uma Família de camponeses alentejanos merenda ao ar livre, sentados sobre uma garrida manta de listas do Freixo. Todos comem a partir do seu próprio tarro, aquilo que configura ser uma sopa de tomate alentejana. O pai enverga o tradicional traje de pastor. A mãe veste o também tradicional traje de camponesa alentejana, do qual sobressaem as meias de três agulhas, com listas alternadamente de ocre amarelo e ocre castanho, à moda da Serra d’Ossa, bem como um lenço vermelho pintalgado de branco, usado “à mourisca”. Tanto o marido como a mulher usam um chapéu preto, pendurado para o lado das costas. O petiz usa uns vulgares calções à jardineira.
Ao centro e sobre a manta, encontra-se estendida uma toalha de quadrados brancos, ladeados a vermelho. Sobre esta, um chouriço e ao lado deste, uma faca. Em frente destes, um pão e um queijo que já foram cortados. À sua frente, uma cabaça tapada com rolha de cortiça, que é suposto conter azeitonas e mais além um barril de barro, vedado com uma tampa de cortiça e um tarro do mesmo material, destinado a beber a água do barril. Junto ao petiz e à direita, um pião e a guita que o faz rodar, bem como as tampas dos 3 tarros e o taleigo confeccionado com retalhos de tecido e no qual o pastor transporta a “bóia” quando anda a apascentar o gado.

Momento familiar

Momento familiar
Uma Família de camponeses alentejanos, encontram-se dispostos sobre uma garrida manta de listas do Freixo. O pai traja à pastor, encontra-se deitado de lado e atrás de si tem um tarro. Com uma das mãos, acaricia uma das mãos do filhote, o qual sentado, segura na mão o pião com que brinca, tendo a seu lado a guita com que o faz rodopiar.
Ao lado deles, encontra-se a mãe sentada, segurando uma criança de colo, encostada ao peito do qual o amamenta. A mãe veste o também tradicional traje de camponesa alentejana, do qual sobressaem as meias à moda da Serra d’Ossa, um xaile preto que lhe cobre os ombros, bem como um lenço verde, pintalgado de branco, que lhe cobre a cabeça e cai sobre os ombros. Do lado esquerdo da mãe encontra-se um tarro tapado e o chapéu preto do pastor.

Presépio da manta alentejana

Presépio da manta alentejana
Os trabalhos “Merenda” e “Momento Familiar” divulgados agora em Vila do Conde, surgem na sequência da criação do “Presépio da Manta Alentejana”, apresentado na exposição “CURIOSIDADES - Figurado de Estremoz de Inocência Lopes”, realizada em 2023 no Centro Interpretativo do Boneco de Estremoz.
O “Presépio da Manta Alentejana” é uma composição que representa a Natividade em contexto alentejano, com a Sagrada Família deitada sobre uma manta listada do Freixo. A figura central é o Menino Jesus, parcialmente coberto com um pano branco, símbolo da pureza, da inocência, da espiritualidade e da Paz. O Menino está a ser adorado pelos seus pais, qua trajam à maneira alentejana. S. José encontra-se deitado de lado e enverga os tradicionais pelico e safões, tendo a cabeça coberta por um chapéu preto. Junto a si, dois dos seus atributos de pastor: o cajado e o tarro. Nossa Senhora encontra-se deitada de bruços e usa o tradicional traje da ceifeira alentejana. Junto de si, alguns atributos geralmente associados a uma ceifeira: molho de trigo, foice e xaile preto dobrado.

Um tríptico?
As três composições “Presépio da manta alentejana”, “Merenda” e “Momento familiar” revelam em si uma grande unidade temática, para além da unidade subjacente à técnica de produção e à estética do Boneco de Estremoz. De tal modo que me atrevo a pensar que eles constituem um tríptico de composições paradigmáticas que são uma exaltação da Família e um hino á Identidade Cultural Alentejana.
Parabéns, Inocência Lopes.
Bem haja pelas suas criações que nos deleitam o Espírito e aquecem a Alma.