quarta-feira, 26 de março de 2025
Os Bonecos de Estremoz na vida de Madalena Bilro
sábado, 1 de fevereiro de 2025
D. Carlos I, Fotógrafo Amador
Numa iniciativa do Museu-Biblioteca da Casa de Bragança esteve patente ao público na Sala de Exposições Temporárias do Castelo de Vila Viçosa, entre 20 de Junho e 20 de Setembro de 2010, uma exposição de fotografia, designada “D. Carlos I, Fotógrafo amador”. As fotos pertenciam ao Arquivo Fotográfico do Paço Ducal de Vila Viçosa, constituído por:
- um conjunto de maços com cerca de 1000 fotografias idênticas de D. Carlos I, destinadas a serem oferecidas;
- álbuns e os maços de fotografias (cerca de 7000), das visitas reais, das fotografias oficiais e das cerimónias protocolares oferecidas pelos melhores fotógrafos da época.
Deste vasto conjunto apenas estiveram em exposição, reproduções de sessenta espécies, principalmente da autoria de D. Carlos I, distribuídas por quatro temas:
- As mais antigas (1887), as experiências (1888) e as ofertas;
- As fotografias para apoio à pintura e que serviriam de modelo ao quadro que surgiria mais tarde;
- As reportagens com títulos que ilustram o tema abordado;
- Uma família de fotógrafos.
A mostra visava divulgar um arquivo que é desconhecido da maioria dos investigadores e simultaneamente dar uma nova perspectiva da vida e dos interesses da Família Real, nos últimos anos da Monarquia.
O respeito que me merece a memória daquele a quem Ramalho Ortigão apelidou de “O martyrisado”, levou-me a que, pensando nos meus leitores, fizesse aqui o traçado fiel do perfil biográfico do Monarca.
É que Elle tinha a expontaneidade do artista de raça, que n'um traço a lápis affirma a sua individualidade.”
Sobre a obra artística de D. Carlos I diz também o seu biógrafo, o escritor e jornalista Rocha Martins (7): “Fialho de Almeida, republicano, no tempo em que criticou D. Carlos como governante, irreverrente ao referir-se às obras dos pintores, depois chegados à supremacia, não poude deixar d’analisar, com respeito e louvor, certo trabalho do chefe de estado monárquico que conquistara na arte uma realeza”.
Para o jurista e jornalista Miguel Sousa Tavares (14) “Se a Maçonaria matou El-Rei D. Carlos, cada português, todos os portugueses, mataram El-Rei segunda vez, na escura cobardia colectiva, na estranha aceitação do crime e das suas consequências políticas”.
Em entrevista publicada pelo jornal “Correio da Manhã”, no dia dia 27 de Janeiro de 2008, o então Grão-Mestre do Grande Oriente Lusitano - Maçonaria Portuguesa (GOL), António Reis, esclareceu que “Por doutrina, a Maçonaria não é contra a monarquia, mas contra as monarquias absolutas e contra as ditaduras, por violarem um dos grandes princípios da Maçonaria que é a Liberdade”. Porém e de acordo com ele “A Maçonaria combateu a monarquia concreta de D. Carlos que com o governo de João Franco, de 1906 a 1908, teve uma deriva ditatorial, cuja responsabilidade pertence ao próprio rei. Foram estas circunstâncias que levaram a Maçonaria a preparar o derrube da monarquia”. Apesar de tudo e segundo o Grão-Mestre do GOL, “A Maçonaria “não interveio, nem directa, nem indirectamente” no regicídio de 1908, com o qual não concordou”.
7. A FOTOGRAFIA E A CARTOFILIA
D. Carlos I foi um amante da fotografia, arte a viver os seus primeiros tempos de pioneirismo e que também cultivou, registando para a posteridade, reportagens das múltiplas actividades em que se viu envolvido (campanhas oceanográficas, caçadas, regatas, comboios, etc).
É no reinado de D. Carlos que são introduzidos em Portugal os bilhetes-postais ilustrados.
O primeiro bilhete-postal ilustrado português foi emitido pelos correios e data de 4 de Março de 1894, quando da comemoração do 5° Centenário do Nascimento do Infante D. Henrique. Seguiu-se-lhe o do VIl Centenário do Nascimento de Santo António, em 1895, e os do IV Centenário da Índia, em 1898.
O primeiro bilhete-postal ilustrado português de fabrico não oficial, exigindo a colagem de um selo de franquia ordinária, foi editado em 1895 pela Companhia Nacional Editora, a propósito do Centenário de Santo António.
Desde então para cá, correios e particulares nunca mais pararam na emissão e edição de bilhetes-postais ilustrados para comemorar efemérides, homenagear personalidades, fazer propaganda oficial ou religiosa, divulgar monumentos, paisagens ou costumes regionais e evocar acontecimentos históricos.
Com o aparecimento dos bilhetes-postais surgiu o seu coleccionismo (Cartofilia) e os coleccionadores (cartófilos).
Naturalmente que D. Carlos e com ele a família real seriam tema de edições particulares de postais ilustrados, o mesmo acontecendo com as visitas de soberanos estrangeiros, atrás referidas. Alguns desses bilhetes-postais ilustrados circularam com o selo do lado da imagem e são designados por TCV’s – timbre-cotê-vues.
1. AQUÁRIO VASCO DA GAMA. El-Rei D. Carlos. A história de um dos pioneiros mundiais no estudo da Oceanografia.
quinta-feira, 5 de dezembro de 2024
7º Aniversário dos Bonecos de Estremoz enquanto Património Unesco
No sábado, dia 7 de dezembro de 2024, comemora-se o 7.º
aniversário da Inscrição da Produção de Figurado em Barro de Estremoz, na Lista
Representativa de Património Cultural Imaterial da Humanidade da UNESCO.
Para celebrar a data, o Município de Estremoz organizou as
seguintes atividades:
SALÃO NOBRE DA CÂMARA MUNICIPAL DE ESTREMOZ
- 𝟏𝟖:𝟎𝟎 𝐡𝐨𝐫𝐚𝐬 -
Discursos Institucionais;
- 𝟏𝟖:𝟐𝟎 𝐡𝐨𝐫𝐚𝐬 -
Entrega de Certificações aos barristas recentemente reconhecidos;
- 𝟏𝟖:𝟑𝟎 𝐡𝐨𝐫𝐚𝐬 -
Concerto celebrativo da Inscrição da Lista Representativa UNESCO, pelo Vox
Aurea Ensemble.
CENTRO INTERPRETATIVO DO BONECO DE ESTREMOZ
- 𝟏𝟗:𝟒𝟓 𝐡𝐨𝐫𝐚𝐬 -
Inauguração da renovação da sala de exposições dos Barristas.
Venha celebrar connosco!
Entrada gratuita.
quarta-feira, 14 de agosto de 2024
Aonde se fala da minha visita à Exposição de Pintura de João Moura Reis no Howard's Folly, em Estremoz
Foi ousadia minha. Quis dar um passo maior que a perna e saiu asneira.
Pretendia pintar uma rosácea hexapétala. de forte simbolismo na arte pastoril alentejana. Saiu-me uma espécie de roda de um carro de tracção animal, com falta de raios.
Não sou dado a atitudes de auto-justificação em casos de inêxito, mas sempre digo:
- O que conta é a intenção!
Isso mesmo disse ao João - um amigo de longa data - no Livro de Honra, onde o parabenizei pela sua Exposição com a simultaneidade de um grande abraço.
terça-feira, 6 de agosto de 2024
Artesãos e Feiras de Artesanato
Desde a sua génese, que as feiras
de artesanato visam a preservação e a promoção das artes tradicionais, enquanto reflexos
identitários e fontes de riqueza das comunidades.
São elementos fundamentais das
feiras de artesanato, os feirantes, designação bi-valente, aplicável tanto
a artesãos produtores como a público comprador.
Poderá haver feiras de
artesanato com mais ou menos público. Porém uma coisa é certa, não faz sentido
haver feiras de artesanato sem a presença de artesãos, os quais trabalhando ao
vivo mostram o seu saber fazer, comercializam a sua produção e dão a cara
no contacto com os clientes, promovendo a sua arte e com ela a comunidade onde
se inserem.
Foi assim que participaram em feiras
por aqui e por ali, José Moreira, Liberdade da Conceição, Irmãs Flores, Maria Luísa
da Conceição e Célia Freitas, nomes incontornáveis de barristas de Estremoz,
que não podem deixar de ser referidos e destacados como exemplo.
Apesar de tudo, a vida é como
o planeta Terra, dá muita volta, pelo que fruto das circunstâncias e pela indisponibilidade
de alguns artesãos estarem presentes nas feiras com stand próprio, a promoção
do artesanato de algumas regiões passou a ser feita por entidades vocacionadas
para o marketing de produtos de várias tipologias, entre elas o artesanato. É o
que tem sido feito pelo Turismo Municipal de vários municípios, por Entidades Regionais
de Turismo e por outras entidades. Qualquer delas tem objectivos mais vastos e
agenda própria, os quais ultrapassam largamente os objectivos específicos e os
interesses próprios dos artesãos.
Estremoz não foge à regra e
por isso o mesmo já aconteceu com representações de Estremoz em feiras de artesanato. Todavia, parece que houve artesãos de Estremoz que resolveram arrepiar caminho. Daí
que a participação dos artesãos estremocenses na Feira
de Artesanato de Vila do Conde do presente ano, tenha sido a maior de
sempre, com os artesãos distribuídos por 5 stands: Bonecos de Estremoz (3),
Olaria (1) e Artesanato em Pele (1).
Aí estiveram presentes os
barristas Carlos Alberto Alves, Inocência Lopes, Maria Isabel Catarrilhas Pires
e Sara Sapateiro, a ADOE - Associação Dinamizadora da Olaria de
Estremoz e a artesã Clara Cunha da empresa artesanal Maria da Conceição Cunha –
Artesanato em pele.
Fizeram-no na condição de artesãos
independentes, que se inscreveram por sua própria iniciativa e se deslocaram
pelos seus próprios meios. Trata-se de uma postura que traduz uma atitude de
independência que aqui sublinho e aplaudo. De igual modo, sublinho e aplaudo a
presença do Presidente do Município de Estremoz, José Daniel Sadio, na Feira de
Artesanato de Vila do Conde no passado dia 30 de Julho, onde foi recebido pelo
Dr. Saraiva Dias, Presidente da Associação para a Defesa do Artesanato e
Património de Vila do Conde (ADAPVC). Na sua visita, o autarca felicitou os
artesãos presentes pelo trabalho de promoção e divulgação do artesanato de
Estremoz, o que não deixa de ser significativo.
quinta-feira, 1 de agosto de 2024
Visita do Presidente do Município de Estremoz à Feira Nacional de Artesanato de Vila do Conde
O Presidente da Câmara Municipal
de Estremoz, José Daniel Sadio, visitou no passado dia 30 de Julho, a 46ª Feira
Nacional de Artesanato de Vila do Conde. Aqui foi recebido pelo Dr. Saraiva
Dias, Presidente da Associação para a Defesa do Artesanato e Património de Vila
do Conde (ADAPVC), a quem a Câmara Municipal confia a gestão e promoção do
Centro de Artesanato e a realização da Feira Nacional de Artesanato que, desde
1978, se continua a realizar.
No seu périplo pela Feira, José
Daniel Sadio visitou o stand do barrista Carlos Alberto Alves e o stand de
Maria da Conceição Cunha – Artesanato em pele, onde se encontrava presente a
artesã Clara Cunha. Em qualquer deles, dialogou com os artesãos que participam
na Feira desde o passado dia 20 de Julho e até ao seu termo em 4 de Agosto. O autarca
felicitou ainda os artesãos pelo trabalho de promoção e divulgação do
artesanato de Estremoz. Estas felicitações foram naturalmente extensivas
àqueles que já não se encontrando presentes, participaram na Feira entre 20 e
27 de Julho: ADOE - Associação Dinamizadora da Olaria de Estremoz e as
barristas Inocência Lopes, Maria Isabel Catarrilhas Pires e Sara Sapateiro.
A participação dos artesãos
estremocenses na Feira de Artesanato de Vila do Conde foi a maior de sempre,
com os artesãos distribuídos por 5 stands: Bonecos de Estremoz (3), Olaria (1)
e Artesanato em Pele (1).
Em comunicado de imprensa
distribuído hoje, o Município de Estremoz agradece ao Município de Vila do
Conde, o que considera ser um agradável acolhimento na visita efectuada.
Simultaneamente parabeniza e enaltece a participação de todos os que contribuem
para a divulgação e promoção do concelho de Estremoz
Criada em 1978, a Feira Nacional
de Artesanato de Vila do Conde é um evento reconhecido a nível nacional, sendo
considerada a mais antiga, a melhor e a maior do género que se realiza em
Portugal, não só pelo número de artesãos nacionais participantes, mas também no
que respeita ao número de visitantes do certame.
A Associação para a Defesa do Artesanato e Património de Vila do Conde (ADAPVC), entidade gestora da Feira Nacional de Artesanato de Vila do Conde, orgulha-se de, ao longo das últimas quatro décadas, ter contribuído de forma decisiva para a preservação das artes tradicionais portuguesas, defendendo a genuinidade e qualidade dos produtos presentes no certame.
terça-feira, 30 de julho de 2024
Carlos Alberto Alves, um barrista de Estremoz na Feira de Artesanato de Vila do Conde
O barrista Carlos Alberto Alves encontra-se
a participar na 46ª Feira Nacional de Artesanato de Vila do Conde, desde o
passado dia 20 de Julho e até ao termo da Feira, em 4 de Agosto. Fá-lo em stand
próprio, na condição de barrista independente, que se inscreveu por sua própria
iniciativa e se deslocou pelos seus próprios meios.
Trata-se da segunda participação do
barrista nestas condições, já que no ano transacto esteve presente na 45ª Feira
Nacional de Artesanato de Vila do Conde, por convite da Organização da Feira. Foi
então o único bonequeiro de Estremoz presente na mesma, uma vez que a prevista
participação colectiva do Município de Estremoz, a convite da Organização da
Feira, foi cancelada por aquele Município e não se concretizou, ao contrário do
que acontecera no ano anterior.
Este ano, para além do barrista Carlos
Alberto Alves, participaram também em stand próprio, as barristas Inocência Lopes
bem como Maria Isabel Catarrilhas Pires conjuntamente com Sara Sapateiro, o que
aconteceu na primeira semana da Feira.
Desde 2010 que venho acompanhando
o trabalho do barrista Carlos Alberto Alves, sobre o qual comecei por escrever
uma pequena nota biográfica no meu livro BONECOS DE ESTREMOZ, publicado em
2018, a qual pode ser lida aqui.
Desde 2021 que o barrista tem a
sua produção certificada pela ADERE-CERTIFICA, único organismo de certificação
acreditado pelo IPAC - Instituto Português de Acreditação. Significa isto que
os Bonecos de Estremoz produzidos por Carlos Alberto Alves estão de acordo com
o MANUAL DE CERTIFICAÇÃO “BONECOS DE ESTREMOZ”, publicado pela ADERE-CERTIFICA
em 2018. De acordo com aquele manual, os Bonecos de Estremoz de Carlos Alberto
Alves, obedecem à TÉCNICA DE PRODUÇÃO e à ESTÉTICA DO BONECO DE ESTREMOZ.
O acompanhamento do trabalho deste
barrista tem-me levado a elaborar textos sobre algumas das suas criações,
nomeadamente: Carlos
Alves certificado como bonequeiro de Estremoz – 2021 (ler aqui),
Carlos
Alves e o pastor de tarro
e manta - 2021 (ler aqui),
Carlos
Alves e a Cozinha dos Ganhões – 2021 (ler aqui),
Presépio
de Carlos Alves – 2022 (ler aqui)
e FEIRA
INTERNACIONAL DE ARTESANATO 2024 / Carlos Alberto Alves distinguido com Menção
Honrosa – 2024 (ler aqui)
Recentemente, o barrista Carlos
Alberto Alves foi distinguido com uma Menção Honrosa atribuída pelo Júri do
Concurso de Artesanato da FIA - Feira Internacional de Artesanato, certame que
decorreu em Lisboa, entre 29 de Junho e 7 de Julho. A distinção do Júri ocorreu
na modalidade de Artesanato Tradicional e incidiu sobre a figura composta do
Figurado de Estremoz, designada por “Cante Alentejano”. Não me surpreende a
distinção concedida ao barrista, pois como já tive oportunidade de dizer e
escrever, encaro tal facto como um tributo ao mérito, que decerto o estimulará
a não ficar por aqui. Foi o que aconteceu com a certificação do seu trabalho
pela ADERE-CERTIFICA em 2021, que o incentivou a um aperfeiçoamento maior do
seu trabalho em termos globais. São factos indesmentíveis, observados por quem
tem acompanhado a sua produção ao longo dos tempos.
Da sua participação na 46ª feira
de Artesanato de Vila do Conde, destacam-se e fazem regalar a vista, a
espectacular “Procissão do Senhor Jesus dos Passos de Estremoz”, a “Cozinha dos
Ganhões” e o “Cante alentejano”. São composições que honram o barrista e com
ele a barrística popular estremocense. É caso para dizer:
- PARABÉNS, CARLOS ALBERTO ALVES!
domingo, 28 de julho de 2024
A ADOE-Associação Dinamizadora da Olaria de Estremoz participou na Feira de Artesanato de Vila do Conde
A ADOE-Associação Dinamizadora da Olaria de Estremoz participou entre 20 e 27 de Julho na 46ª Feira Nacional de Artesanato de Vila do Conde. Fê-lo em stand próprio, na condição de associação independente, com personalidade jurídica, que se inscreveu por sua própria iniciativa e se deslocou pelos seus próprios meios.
A ADOE constitui-se em 2023, na
sequência do Curso de Olaria que por módulos teve lugar a partir de 2021, no
Centro Interpretativo do Boneco de Estremoz. O Curso foi fruto de uma parceria entre
o Centro de Formação Profissional para o Artesanato e Património (CEARTE) e o Município
de Estremoz. Teve como formador Mestre Xico Tarefa, Mestre oleiro prestigiado,
com longa experiência e sempre pronto a ajudar os formandos.
A ADOE é constituída entre outros
por: Inês Crujo, Ana Calado, Luís Rosa, Vera Magalhães, Xico Tarefa, Jorge
Carrapiço, André Carvalho, Pedro Capão, Graça Paulo e Sara Sapateiro.
A ADOE propõe-se recuperar a
olaria tradicional de Estremoz, o que constitui uma iniciativa muito louvável e
de alcance incomensurável. Desejo-lhe os maiores êxitos na prossecução dos seus
objectivos estatutários. Bem hajam!
Sara Sapateiro, uma barrista de Estremoz na Feira de Artesanato de Vila do Conde
À Feira levou trabalhos como “Sagrada Família”, “Nossa Senhora da Conceição”, “Amor é cego”, “Primavera” e “Presépio de altar”, dentro do âmbito do Figurado de Estremoz. Fora deste apresentou ainda um “Busto de pastor alentejano”.
O “Presépio de altar” participou na 2ª edição do “Concurso
Jovem Artesão”, que teve lugar durante a Feira, sem todavia ser distinguido
pelo Júri.
Sara Sapateiro (1995- ), sobre a qual já elaborei o texto Sara Sapateiro e o aristocrata rural (ler aqui), é discípula da barrista Maria Isabel Isabel Catarrilhas Pires, com a qual começou a trabalhar em 2018. No ano seguinte frequentou o Curso de Formação sobre Técnicas de Produção de Bonecos de Estremoz, que teve lugar no Centro Interpretativo do Boneco de Estremoz, no Palácio dos Marqueses de Praia e Monforte. O Curso foi promovido pelo CEARTE - Centro de Formação Profissional para o Artesanato e Património, em parceria com o Município de Estremoz. No Curso aprofundou os conhecimentos de Barrística de Estremoz, com Mestre Jorge da Conceição.
De então para cá tem modelado e criado de uma forma fluida,
imagens que umas vezes se integram no Figurado de Estremoz e outras vezes não,
mas que têm o seu público, já que são apelativas, não só pela modelação como
pelo cromatismo.
Desde 28 de Maio do ano em curso que é portadora de Carta de
Artesão e de Unidade Produtiva Artesanal na área da Cerâmica Figurativa,
emitida pelo CEARTE.
Creio que em devido tempo, que só a ela cabe decidir,
submeterá a sua produção a processo de certificação como artesã produtora de
Bonecos de Estremoz, junto da Adere-Certifica, organismo nacional de
acreditação a quem compete a certificação de produções artesanais tradicionais,
com garantia da qualidade e autenticidade da produção.
sábado, 27 de julho de 2024
Maria Isabel Catarrilhas Pires, uma barrista de Estremoz na Feira de Artesanato de Vila do Conde
Há já algum tempo que venho acompanhando o trabalho da barrista Maria Isabel Catarrilhas Pires, sobre a qual comecei por escrever uma pequena nota biográfica no meu livro BONECOS DE ESTREMOZ, publicado em 2018, a qual pode ser lida aqui.
Desde 2018 que a barrista tem a sua produção certificada pela ADERE-CERTIFICA, único organismo de certificação acreditado pelo IPAC - Instituto Português de Acreditação. Significa isto que os Bonecos de Estremoz produzidos por Maria Isabel Catarrilhas Pires, estão de acordo com o MANUAL DE CERTIFICAÇÃO “BONECOS DE ESTREMOZ”, publicado pela ADERE-CERTIFICA em 2018. De acordo com aquele manual, os Bonecos de Estremoz de Maria Isabel Catarrilhas Pires, obedecem à TÉCNICA DE PRODUÇÃO e à ESTÉTICA DO BONECO DE ESTREMOZ.
sexta-feira, 26 de julho de 2024
Inocência Lopes, uma barrista de Estremoz na Feira de Artesanato de Vila do Conde
Preâmbulo
Há já algum tempo que venho acompanhando o trabalho da barrista Inocência Lopes, que no ano transacto viu trabalhos seus serem expostos no Centro Interpretativo do Boneco de Estremoz. Tratou-se da exposição “CURIOSIDADES - Figurado de Estremoz de Inocência Lopes”, que ali esteve patente ao público entre 18 de Maio e 3 de Setembro, conforme noticiei oportunamente, o que pode ser lido aqui e aqui.
Desde 2022 que a barrista tem a sua produção certificada pela ADERE-CERTIFICA, único organismo de certificação acreditado pelo IPAC - Instituto Português de Acreditação. Significa isto que os Bonecos de Estremoz produzidos por Inocência Lopes, estão de acordo com o MANUAL DE CERTIFICAÇÃO “BONECOS DE ESTREMOZ”, publicado pela ADERE-CERTIFICA em 2018. De acordo com aquele manual, os Bonecos de Estremoz de Inocência Lopes, obedecem à TÉCNICA DE PRODUÇÃO e à ESTÉTICA DO BONECO DE ESTREMOZ.
Em 2024 participa entre 20 e 27 de Julho, com stand próprio, na 46ª Feira Nacional de Artesanato de Vila do Conde. Fá-lo na condição de barrista independente, que se inscreveu por sua própria iniciativa e se deslocou pelos seus próprios meios.
Na Feira Nacional de Artesanato de Vila do Conde, Inocência Lopes apresentou duas criações, as quais despertaram a minha atenção e que passo a descrever.
Merenda
Uma Família de camponeses alentejanos merenda ao ar livre, sentados sobre uma garrida manta de listas do Freixo. Todos comem a partir do seu próprio tarro, aquilo que configura ser uma sopa de tomate alentejana. O pai enverga o tradicional traje de pastor. A mãe veste o também tradicional traje de camponesa alentejana, do qual sobressaem as meias de três agulhas, com listas alternadamente de ocre amarelo e ocre castanho, à moda da Serra d’Ossa, bem como um lenço vermelho pintalgado de branco, usado “à mourisca”. Tanto o marido como a mulher usam um chapéu preto, pendurado para o lado das costas. O petiz usa uns vulgares calções à jardineira.
Ao centro e sobre a manta, encontra-se estendida uma toalha de quadrados brancos, ladeados a vermelho. Sobre esta, um chouriço e ao lado deste, uma faca. Em frente destes, um pão e um queijo que já foram cortados. À sua frente, uma cabaça tapada com rolha de cortiça, que é suposto conter azeitonas e mais além um barril de barro, vedado com uma tampa de cortiça e um tarro do mesmo material, destinado a beber a água do barril. Junto ao petiz e à direita, um pião e a guita que o faz rodar, bem como as tampas dos 3 tarros e o taleigo confeccionado com retalhos de tecido e no qual o pastor transporta a “bóia” quando anda a apascentar o gado.
Um tríptico?
As três composições “Presépio da manta alentejana”, “Merenda” e “Momento familiar” revelam em si uma grande unidade temática, para além da unidade subjacente à técnica de produção e à estética do Boneco de Estremoz. De tal modo que me atrevo a pensar que eles constituem um tríptico de composições paradigmáticas que são uma exaltação da Família e um hino á Identidade Cultural Alentejana.
Parabéns, Inocência Lopes.
Bem haja pelas suas criações que nos deleitam o Espírito e aquecem a Alma.