Publicado inicialmente em 16 de Dezembro de 2016
sábado, 24 de janeiro de 2026
Sua Excelência, a cunha
Publicado inicialmente em 16 de Dezembro de 2016
terça-feira, 20 de janeiro de 2026
Auto da Alma
São Pedro (Entre 1610 e 1612) . Peter Paul Rubens (1577–1640). Óleo sobre
sexta-feira, 9 de janeiro de 2026
O frio na gíria popular
Para mim hoje é
Janeiro, está um frio de rachar
Rui Veloso in "Não há estrelas no céu"
Em Janeiro, o frio “é fruta da época”, pelo que não é de estranhar ouvirem-se frases que em gíria popular traduzem o rigor da frialdade:- “Está cá um barbeiro”; - “Está cá um briol”; - “Está cá um griso”, - “Está frio como o diabo”, - “Está um frio de rachar”, - “Estou frio como um cão”. De resto, o frio que impera, faz-nos: - “Bater o dente”; - “Tiritar de frio”; - “Tremer de frio”.
A abundância de expressões idiomáticas
atinentes ao vocábulo “frio“, é reveladora da riqueza da nossa língua, sem a
qual não há cultura portuguesa e identidade cultural nacional, uma vez que a
construção desta se alicerça naquelas.
Há, pois, que lutar contra a agressiva
operação de colonização linguística, veiculada maioritariamente pelos meios de
comunicação social, os quais nos bombardeiam com estrangeirismos e muito em
especial com anglicismos em nome da globalização, apregoada por alguns como uma
fatalidade irreversível.
quinta-feira, 31 de julho de 2025
Bonecos de Estremoz nos contentores do lixo? Não, obrigado!
Desenterrando uma velha crónica (1)
sábado, 19 de julho de 2025
Cipriano Dourado e a apanha da azeitona
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quinta-feira, 8 de maio de 2025
A rua onde eu moro, que impressão me faz
terça-feira, 15 de abril de 2025
Benfica - Arouca
O emproamento verbal de quem se regozija com o empate Benfica-Arouca, leva-me a concluir que “A mau falar, boa resposta dar”, acrescido de “Quem muito fala, pouco acerta” e como nada está decidido, remato proclamando: “Bom é saber calar até ser tempo de falar”.
terça-feira, 1 de abril de 2025
Rua de Santo André em Estremoz vai ter cara lavada
Estremoz, 1 de Abril de 2025
Foi tornado público que o Município de Estremoz deliberou
recentemente regularizar a intransitável calçada da Rua de Santo André, bem
como combater o estacionamento selvagem ali patente.
Trata-se de um gesto de elevada compreensão pelas
dificuldades sentidas pelo trânsito pedonal naquela artéria citadina.
Trata-se igualmente de um gesto magnânimo relativamente aos
peões que por ali se vêem forçados a transitar, não só moradores como também clientes
dos estabelecimentos comerciais instalados naquela via urbana.
Pessoalmente, congratulo-me com o alcance social das providências
tomadas pelo Município.
Bem hajam!
terça-feira, 4 de fevereiro de 2025
Resposta a quem elogiou a minha escrita
Mesteiral das palavras, lá isso sou. Mão de obra gratuita à disposição da comunidade, eventualmente usada para zurzir os que se portam mal e me fazem chegar a mostarda ao nariz. Todavia, prefiro filigranar palavras que traduzem sentimentos e emoções que têm a ver com a matriz identitária alentejana. E o que eu gosto de transmitir uma visão polifacetada das coisas... Creio firmemente que a realidade possa ser no limite o resultado da sobreposição dum número considerável de visões de diferentes actores no palco da vida. Como tal, a minha visão global sobre qualquer coisa é fruto do modo como eu vejo essa qualquer coisa sobre múltiplos pontos de vista. O Homem não é uma alimária que tenha que estar sujeita a ver numa única direcção. Isso é o que querem os manipuladores de consciências. Mas com eles, há muito que perdi a paciência ou melhor, as paciências.
quarta-feira, 1 de janeiro de 2025
O que gostaria de ver em Estremoz em 2025?
“Estremoz é uma cidade que me dói,
por tudo aquilo que lhe falta”
Cai o pano para 2024 e entra 2025. Lançámos um desafio aos nossos colaboradores pedindo-lhes que nos fizessem chegar os seus votos para o novo ano, respondendo a uma pergunta: “O que gostaria de ver (ou ter) em Estremoz para o ano de 2025?” Hernâni Matos respondeu ao repto.
Jornal E
Estremoz
é uma cidade que me dói, por tudo aquilo que lhe falta. O que é não só
consequência da falta de visão estratégica de algumas edilidades, como pela
definição de prioridades questionáveis ao longo dos tempos.
Estremoz
carece de uma resposta urgente a problemas prementes que na minha óptica são de
priorizar sequencialmente assim: rede de abastecimento de água, rede de
esgotos, requalificação urbana, construção habitacional, rede de ecopontos, mobilidade
e acessibilidade urbanas.
2025
é ano de eleições autárquicas a ocorrer em Setembro. Neste momento, os cabeças
de lista das várias formações em confronto já terão obtido o beneplácito dos
estados maiores partidários ou o acordo pró-forma dos seus apaniguados. Já
terão, decerto, constituído as suas equipas ou estarão em vias de as
concretizar.
Será
que o Executivo Municipal gerado pelas eleições setembrinas, elaborou uma lista de faltas semelhante
à minha? Não sei, mas provavelmente não. Apenas sei que qualquer dia começam a
meter-nos papelinhos debaixo das portas, a contactar-nos pessoalmente com o seu
melhor sorriso e a azucrinar-nos com os seus hinos, enquanto apregoam bacalhau a pataco. E as artimanhas são muitas. Lá
diz o rifão: “Com papas e bolos se enganam os
tolos”. Convém aguentar as investidas
a pé firme e mesmo de pé atrás. Pela
minha parte não se admirem, se eu não estiver nos meus dias e lhes atirar à
cara com esta do Aleixo: “Vós que lá do vosso
império / prometeis um mundo novo, / calai-vos, que pode o povo / q'rer um
mundo novo a sério!”
sexta-feira, 1 de novembro de 2024
CONCERTO DOS UHF – A heroína ali foi a música
CONCERTO DOS UHF – A
heroína ali foi a música [1]
Crónica rock [2] ou talvez não, por Hernâni Matos
Uma viola baixo, uma viola ritmo
e uma bateria poderão não fazer uma orquestra. Fazem, porém, um concerto de
rock. Que o digam a meia bancada e o terço de ringue que no passado dia 18 de Setembro [3],
na Esplanada Parque em Estremoz, assistiram ao concerto dos UHF.
Amplificador que difunde
vibrações, volts transformados em decibéis, poluição sonora estandardizada dum
conjunto desfalcado dum vocalista que é também viola ritmo.
Montanhas de amplificadores e um
aparato de projectores verde-laranja-branco, verde-laranja-branco, verde-… Poça
que já me doía a vista.
Corpo forrado de jeans, camisetes
e ténis. Homens programados, gestos computorizados, corpos electrificados
geradores de música. E nas convoluções epilépticas, violas tricotam música que
as malhas que o som tece lá vão aquecendo a malta. É preciso é conjugar o verbo
pular.
Embora se vissem senhoras em
traje de passeio, predominava a juventude, que o rock não liga com o reumático.
Havia tipos exóticos, cabelos à Black Power, rapazes tipo West Side com Marias
para todos os paladares. Havia também uma bebedeira com um lenço ao pescoço e
um chapéu à 3 mosqueteiros, enfiado num pau de virar tripas. É que estas coisas
têm os seus próprios regulamentos e a malta tem de ir fardada a rigor.
Ambiente morno, que em Estremoz
nada pega. Um palco decorado com barreiras e uma mão cheia de PSP´s e PE’s que
não chegaram a fazer falta, que não houve problemas com a malta. Oh, meu! Ainda
dizem que a juventude é violenta!
Na escuridão, beijos generosos
que se dão e óculos escuros que se tiram, pois à noite todos os gatos são
pardos.
Os cigarros que tremulam são os
novos pirilampos da sociedade de consumo.
Há quem deambule por aqui e por
ali e há quem beba cerveja, que o escuro não mata a sede.
As coisas aqueceram aí pelo “Modelo
Fotográfico”, não percebemos se vestido se despido, que por essa altura os
tímpanos já tinham pifado. O quê? Queres um fósforo? Toma lá pá! Não tens de quê!
Com o “Cavalo de Corrida”
atingiu-se o auge da morneza, com a malta de braços erguidos como quem protesta
contra o preço da carne, o que não era o caso, pois ali todos tinham ido ao
concerto por sua livre vontade.
Quanto à encenação, aquilo tava
uma maravilha, pá! Era a gaja da saia transparente que tirava fotografias à contraluz
e foi o blusão despido aí por alturas do “Cavalo de Corrida”, que era p’ra a
gente acreditar que aquilo estava mesmo a aquecer. E até deu p’ra haver
publicidade, que um sumo que se bebe no palco é sede comercial que é preciso
promover.
Vale tudo menos tirar olhos. Não
pensava isto quem no outro dia ia tirando um ao António Manuel Ribeiro (vocalista - viola ritmo),
pois estava acompanhando o rock ao ritmo da fisga. Aquilo de colcheias e projecteis
à mistura não resultou e o Tó Manel ia ficando como o Luís Vaz, vulgo Camões.
Isqueiros que se se acendem aqui
e ali nos braços erguidos ao alto, como quem paga uma promessa a Fátima.
E eis que um fogo de artifício
cria a apoteose que os espectáculos devem apresentar no fim. E aqui houve
encenação de pormenor na cor cardinalícia que conferiu a solenidade que a
apoteose precisava ter. E no momento em
que termina o concerto, os músicos erguem as violas bem alto, como um sacerdote
num templo ao proceder à consagração da hóstia.
Música que se extingue, artifício
de fogo que se acaba. Resta o fumo que o vento acaba por levar. E com aquela
nuvem passageira, os músicos saem pela esquerda baixa para logo de seguida,
numa semi-escuridão e com blusas trocadas entre si por questões de segurança,
irem direitinhos à cozinha do bufete. A traça não perdoa. É preciso encher a
mula, pá!
Uma hora de espectáculo. 13 composições,
85 contos de cachet. Nada mau. E o “Estremoz”[4]?
Terá reforçado a verba ou averbado o esforço?
E é isto o rock. Rock à Portuguesa,
pois claro!
Quando tiver um puto, hei de lhe
dizer:
- Porta-te bem ou levo-te ao
rock!
segunda-feira, 22 de julho de 2024
No tempo em que não havia “Barbies”
(Colecção Hernâni Matos)
Com uma tal manufactura, a mulher
da Família (mãe, avó, tia ou irmã) dava à criança a quem a boneca era
destinada, três grandes lições:
- A primeira era uma lição de
economia circular, já que havia o reaproveitamento de tecidos que havia sido
abatidos ao serviço, mas que assim continuavam a ter préstimo. A criança ficava
assim a perceber a importância do combate ao desperdício;
- A segunda era uma lição de
amor, dada pela mulher da Família à criança que a recebia, o que contribuía para
o reforço dos laços inter-geracionais;
- A terceira lição era uma lição
de pedagogia. já que a dádiva constituía um incentivo ao brincar, actividade
insubstituível na formação e socialização da criança.
Nem sempre o passado foi melhor
que o presente, mas em muitos casos foi e há contextos que podem ser apontados
como exemplos a seguir. É o caso das “bonecas de trapo”, aqui apresentado como
paradigma.
segunda-feira, 17 de junho de 2024
Ora agora falo eu!























