sábado, 17 de outubro de 2026

Ovelha tresmalhada

 

Ovelha, figura de Presépio. Oficinas de Estremoz dos finais do séc. XIX.
Colecção Hernâni Matos


Adquiri recentemente uma ovelha, figura de Presépio, em barro vermelho policromado, cuja autoria atribuo a Oficinas de Estremoz dos finais do séc. XIX. O exemplar representa uma ovelha de raça malhada, assente numa base rectangular com as pontas cortadas em bisel. As dimensões são as seguintes: Altura: 5,2 cm, Largura: 3,2 cm, Profundidade: 4,5 cm.

O corpo do animal parece estar coberto de lã creme, malhada de negro e encaracolada, textura provavelmente obtida com recurso a um teque boleador. A base tem aspecto marmoreado bicolor das cores creme e castanho escuro.

Trata-se de uma ovelha que supostamente se viu afastada das suas congéneres e do respectivo pastor na cena presepial, com a qual alguém desconhecido, ciclicamente reconstituiu e comemorou a Natividade. Daí a epígrafe escolhida para o presente texto: Ovelha tresmalhada, tema central da Parábola Bíblica da Ovelha Perdida, referida em dois Evangelhos sinópticos do Novo Testamento (Mateus 18:10–14 e Lucas 15:1–79), bem como no Evangelho apócrifo de Tomé (Tomé 107).

Como coleccionador, bem gostaria de ser capaz de à ovelha tresmalhada que neste momento integra a minha colecção particular, juntar o resto do primitivo rebanho, assim como o pastor que em terreno presepial, simbolicamente assegurava o pastoreio. Tal não é possível.                    

À laia do cancioneiro popular, mas com versos próprios, resta-me contextualizar o passado desta figura de presépio:

Ovelha tresmalhada
do seu antigo rebanho.
Ovelha que foi achada
sem o pastor d'antanho.

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