quarta-feira, 8 de julho de 2015

29 - Santa Catarina de Alexandria, Virgem e Mártir

Santa Catarina de Alexandria.
Maria Luísa da Conceição (1934-2015).
Colecção particular.

De acordo com a lenda, Catarina era filha do rei Costes de Alexandria, cidade onde nasceu no ano de 288. Após a morte do pai, emigrou com a mãe para a Cilícia e converteu-se ao cristianismo, sendo instruída na fé cristã por um eremita de nome Ananias, que a baptizou e lhe prometeu o mais formoso dos noivos.
Aos 12 anos teve um sonho no qual lhe apareceu o menino Jesus nos braços da Virgem e que lhe disse que ela seria a sua noiva e que não deveria entregar-se a nenhum homem. Colocou-lhe então no dedo, o anel de casamento, que ela descobriu ao acordar.
Catarina estudou filosofia, teologia e outras ciências, sendo dotada de uma inteligência superior e de singular beleza.   
Nessa época, Maximino II, Imperador de Alexandria, perseguia os cristãos. Catarina, então com 17 anos, censurou o opressor pela sua crueldade e procurou convencê-lo a abandonar o culto pagão.  Incapaz de refutar os argumentos da jovem, o imperador mandou chamar cinquenta filósofos para discutirem com ela. No confronto verbal, ela conseguiu demolir os seus argumentos e convertê-los ao cristianismo, pelo que foram mandados queimar vivos pelo déspota.
Surpreendido com o êxito da jovem e encantado pela sua beleza, o imperador procurou ganhar a sua simpatia, visando levá-la a abandonar o cristianismo. Para tal, prometeu elevá-la à dignidade de Imperatriz, o que ela rejeitou, visto que estava casada misticamente com Jesus. Foi então encarcerada e alvo de flagelações e de privações. Na prisão recebeu a visita da Imperatriz, acompanhada de escolta militar, tendo-se convertido todos ao cristianismo. Tal circunstância reforçou a fúria do tirano, que ordenou que Catarina fosse colocada sobre uma roda com lâminas cortantes e ferros pontiagudos. Quando lhe tocou, a roda desconjuntou-se e ela saiu ilesa, enquanto que alguns dos espectadores foram mortos por fagulhas, o que causou espanto entre os presentes e determinou a conversão de alguns.
Maximino deu então ordem para que Catarina fosse decapitada no dia 25 de Novembro de 307. A jovem recebeu alegremente a sentença, louvando o dia que lhe ia proporcionar a maior das venturas: a união com Jesus. Ainda segundo a lenda, quando lhe cortaram a cabeça, em vez de sangue, jorrou leite.
Por ter sido torturada na roda, é padroeira de todos os que trabalham com rodas: oleiros, torneiros, amoladores, carpinteiros e curtidores. Pela sua sabedoria, é invocada como protectora por estudantes e intelectuais. É também padroeira das mães que desejam ter leite para amamentar os filhos.   Os seus atributos são a roda de tortura, a palma de mártir, a espada, o anel e o livro. A  sua festa litúrgica tem lugar a 25 de Novembro e foi incluída no calendário litúrgico pelo Papa João XXII (1249-1334).
Santa Catarina está presente na nossa literatura de tradição oral. A nível de adagiário temos “De Santa Catarina ao Natal, um mês igual”. A nível de cancioneiro popular alentejano, conhece-se entre outras a seguinte quadra: “Senhora Santa Cath'rina,/ Minha santinha de prata,/ De vagar se vae ao longe,/ Muito tolo é quem se mata.”