segunda-feira, 22 de fevereiro de 2016

43 – Fuga para o Egipto - 4


Nossa Senhora a Cavalo (Anos 30 do séc. XX). Ana das Peles (1869-1945).

No Museu Nacional de Etnologia existe um exemplar de Nossa Senhora a Cavalo, identificada como sendo de Ana das Peles e de data anterior à que já descrevi, já que a barrista faleceu em 1945. Nele é de realçar que a burrinha marcha para o lado direito do observador e Nossa Senhora está virada para o lado direito da asinina e com as costas viradas em sentido oposto (NSAC – tipo 2).
Quase todos os barristas posteriores compõem Nossa Senhora a Cavalo como o fez Mariano da Conceição (NSAC – Tipo 1). Exceptua-se José Moreira, discípulo de Ana das Peles, que produziu exemplares de Nossa Senhora a Cavalo, quer do tipo 1 como do tipo 2, como nos mostra a colecção Hernâni Matos.
Liberdade da Conceição, talvez por uma questão de afecto, executava as suas figuras à semelhança das de seu marido, Mariano da Conceição. Porém, nos anos 80 do séc. XX, resolve adicionar adereços na composição da Fuga para o Egipto. Assim, a cabeça de São José está rematada por um disco dourado com raios incisos, configurando um resplandor espetado com um arame na cabeça. Por sua vez, Nossa Senhora encontra-se adornada por uma coroa também dourada. Vejamos a razão de ser de tais adornos.
Comecemos pelo resplandor. De acordo com a religião católica, os seres gloriosos emanam luz espiritual ou “aura”, que é um símbolo divino de santidade. Trata-se de um vestígio do culto solar materializado por uma ”auréola” em torno da cabeça e dos corpos, simbolizando a glória para o ser na sua totalidade. Em pintura e escultura, a auréola, resplandor ou resplendor é um disco de raios de metal ou um aro metálico, geralmente dourado, colocado na cabeça das imagens de Cristo e por extensão da Virgem Maria, dos Anjos, dos Santos e dos Mártires.
Vejamos agora a coroa. A intensa devoção dos católicos por Maria, mãe de Jesus, levou-os a atribuir-Lhe inúmeros títulos, entre os quais o de "Rainha do Céu", que remonta ao século XII e que nessa qualidade é invocada doze vezes: Rainha dos Anjos, dos Patriarcas, dos Profetas, dos Apóstolos, dos Confessores, das Virgens, dos Mártires, de Todos os Santos, do Santíssimo Rosário, da Paz, Concebida sem Pecado Original e Levada aos Céus. Ora, a coroa como ornamento que cinge a cabeça, é símbolo de soberania, de nobreza, de dignidade e de glória. A sua forma circular traduz a perfeição e a participação da natureza celeste. A coroa une, através da coroada, o que está acima e abaixo dela: Deus e os homens.
Anteriormente a Liberdade da Conceição, no figurado de Estremoz, o resplandor emergia apenas das cabeças de Santo António e de São João Batista e a coroa da cabeça de Nossa Senhora da Conceição.
A inovação de Liberdade, não foi seguida nem sua filha Marisa Luísa, nem por sua cunhada Sabina. Por sua vez, as Irmãs Flores começaram por confeccionar a Fuga para o Egipto, tal como o fazia Sabina da Conceição, de quem são discípulas. Todavia acabaram por seguir a inovação introduzida por Liberdade, facto a que não será estranho o interesse manifestado pelo público, habituado a reconhecer o resplandor e a coroa como atributos de santidade, que são parte integrante das imagens religiosas veneradas nas Igrejas.

Publicado inicialmente em 22 de Fevereiro de 2016

sábado, 20 de fevereiro de 2016

Autos vários


Pormenor de "São Mateus o Evangelista", miniatura das "Grandes Horas de
Ana da Bretanha"  (1503-1508), da autoria de Jean Bourdichon  (1457-1521),
pertencente ao acervo  da Biblioteca Nacional de França, Paris.

Auto de Natal (Blogue: 23-12-2020)

Auto das damas dos girassóis (Blogue: 29-11-2020)
Auto dos ganchos de meia (Blogue: 24-11-2020)

Auto do desconfinamento de Santo António (Blogue: 13-06-2020)

Auto dos barristas falecidos (Jornal E nº 167 - 21-12-2016)

Auto das beldroegas (Jornal E nº 162 - 20-10-2016)

Auto do arraial de Santo António (Jornal E nº 157 - 14-07-2016)

Auto do Convento de São Francisco (Jornal E nº 156 - 30-06-2016)

Auto das esplanadas andantes (Jornal E nº 155 - 16-06-2016)

Auto da Feira (Jornal E nº 154 - 02-06-2016)

Auto de Fé  (Jornal E nº 153 - 19-05-2016)

Auto dos caixotões falantes (Jornal E nº 152 - 05-05-2016)

Auto das placas malfadadas (Jornal E nº 151 - 21-04-2016)

Auto do trânsito mal parado (Jornal E nº 150 - 07-04-2016)

Auto da calçada reposta (Jornal E nº 149 - 24-03-2016)

Auto dos pombos promíscuos (Jornal E nº 148 - 10-03-2016)

Auto da calçada proscrita (Jornal E nº 147 - 25-02-2016)


quinta-feira, 18 de fevereiro de 2016

Afinal não era Ministro!


Um amigo alentejano descobriu no Facebook uma fotografia, onde eu, todo encadernado de fato e gravata, discurso num púlpito, tendo atrás a bandeira de Portugal e a da União Europeia. Lançou-me então a pergunta:
- Muito bem, amigo Hernâni. Qual o tema ? E onde?
Não fosse ele pensar que era eu no Parlamento Europeu, a pedir dinheiro emprestado para a banca portuguesa, lá dei a resposta a que ele tinha direito.
- Em 2005, na Fundação Portuguesa das Comunicações, em Lisboa, na qualidade de Presidente da Associação Nacional de Jornalistas e Escritores Filatélicos – ANJEF, na apresentação da obra em 2 volumes “Os Correios Portugueses entre 1853-1900. Carimbos Nominativos e Dados Postais e Etimológicos”, da autoria do Presidente da Federação Portuguesa de Filatelia – FPF, Pedro Marçal Vaz Pereira.
Entretanto, outro amigo, conhecido e emérito radialista estremocense, de verbo fácil e piada sempre na ponta da língua, resolveu lançar uma bisca:
- Qual é a pasta deste Sr. Ministro?
A resposta imediata, proporcional ao gracejo foi esta:
- Usa o cabelo à escovinha e não tem pasta no cabelo.


segunda-feira, 15 de fevereiro de 2016

42 - Fuga para o Egipto - 3


Fuga para o Egipto (1948). Mariano da Conceição (1903-1959).
Museu Rural de Estremoz.


Figurado de Estremoz 
No Museu Nacional de Arqueologia existe uma “Fuga para o Egipto” do séc. XVIII, que de acordo com o verbete manuscrito por Leite de Vasconcelllos, é proveniente de Estremoz e foi doada por Luís Chaves em 1915, que a encontrou num monte nos arredores da cidade, onde porventura teria sido utilizada como brinquedo. Provavelmente é um grupo que pertenceu a algum presépio de Igreja que foi disperso. Todavia, não apresenta as características da manufactura sui-generis do figurado de Estremoz.
Conheço e tenho na minha colecção figuras de Presépio do séc. XVIII, executadas ao modo de Estremoz, as quais são figuras soltas que pertenceram a presépios aqui executados. É possível que alguns presépios mais completos incluíssem o grupo da “Fuga para o Egipto”. Contudo, não tenho conhecimento de nenhum exemplar de produção local anterior aos começados a executar por Ana das Peles e Mariano da Conceição, nos anos 30 do séc. XX, na Escola Industrial António Augusto Gonçalves, sob a orientação do Director, o escultor José Maria de Sá Lemos.
A “Fuga para o Egipto”, tem sido produzida desde então pela maioria dos barristas e integra o núcleo base do figurado de Estremoz. A análise do exemplar criado por Mariano da Conceição em 1948 e pertencente à colecção do Museu Rural de Estremoz, revela tratar-se de duas figuras que em conjunto representam o episódio bíblico. São elas: - NOSSA SENHORA A CAVALO - Montada à amazona numa burrinha preta com arreios, está sentada sobre uma manta cor de zarcão, terminando por linhas incisas que simulam franjas. Enverga túnica com gola e véu, ambos de cor azul celeste. De salientar que a burrinha marcha para o lado esquerdo do observador e Nossa Senhora está virada para o lado esquerdo do animal e com as costas viradas para o lado contrário (NSAC-Tipo 1). Transporta o Menino Jesus ao colo, ao mesmo tempo que o segura com os braços. O Menino está enroupado com uma vestimenta branca, decorada na extremidade com linhas incisas, azuis e amarelas, imitando franjas. Encontra-se ainda envolto numa manta que lhe pende dos ombros e cruza no peito, igualmente branca e com franjas análogas às da extremidade da veste. A figura assenta numa base quadrada de cor verde, pintalgada de branco, amarelo e zarcão e orlada verticalmente com esta última cor. - SÂO JOSÉ – De pé, traja túnica com gola, de cor azul celeste com orla amarela, calça branca e botas pretas. Nas costas tem assente um manto vermelho, forrado de branco e igualmente orlado de amarelo. A barba é espessa e castanho-escuro, o mesmo se passando com o cabelo comprido, que cai sobre os ombros, enrolado na extremidade. À cintura tem cingida uma faixa amarela com franjas nas duas extremidades, as quais pendem para a frente. A mão esquerda assente no coração simboliza a lealdade e a devoção a Deus. A mão direita empunha um bordão encimado por um lírio branco, um dos atributos de São José e que é símbolo de pureza, castidade, confiança, abandono completo e dedicação a Deus. A base da figura é rectangular, verde-escura, com orla vertical a zarcão.

Hernâni Matos  
Publicado inicialmente a 15 de Fevereiro de 2016

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2016

Sebastião da Gama, presente!


No passado dia 7 de Fevereiro completaram-se sessenta e quatro anos sobre a morte de um estremocense adoptivo, muito estimado pela comunidade local e que a gadanha da morte ceifou prematuramente aos 28 anos de idade. Foi a 7 de Fevereiro de 1952 que morreu em Lisboa, o poeta, professor e pedagogo Sebastião da Gama (1924-1952), natural de Vila Nogueira de Azeitão, onde nasceu a 10 de Abril de 1924. Licenciado em Filologia Românica pela Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa em 1947, ainda nesse ano iniciou a sua actividade de professor do Ensino Técnico, que exerceu em Lisboa, Setúbal e Estremoz.
Atingido pela tuberculose, a conselho médico foi viver para a Serra da Arrábida, que conjuntamente com a sua tragédia pessoal são temas principais da sua obra. Esta inclui: Serra-Mãe (poesia, 1945); Loas a Nossa Senhora da Arrábida (poesia, 1946); Cabo da Boa Esperança (poesia, 1947); O Segredo é Amar (prosa, compilação de Matilde Rosa Araújo, 1969); A Região dos Três Castelos (prosa, 1949); Campo Aberto (poesia, 1951); Pelo Sonho é que Vamos (poesia, 1953); Diário (1958); Itinerário Paralelo (poesia, compilação de David Mourão-Ferreira, 1967); Cartas I (1994). Foi ainda colaborador de jornais como O Setubalense e Brados do Alentejo, bem como de revistas como Árvore e Távola Redonda.
Em Estremoz, a sua prática pedagógica, fruto da sua rara sensibilidade, da sua personalidade e do seu carácter, deixou marcas profundas no coração dos alunos, que sempre o recordaram com saudade, pela sua extraordinária dimensão humana no convívio escolar.
Conheci o poeta na minha infância e dele falo na minha crónica ”Memórias do Espírito Santo”, datada de 2010: “No nº 2 – 2º morava o poeta Sebastião da Gama, natural de Azeitão e que viera para Estremoz em 1950, como professor efectivo da Escola Industrial e Comercial de Estremoz e que estabeleceu uma forte ligação afectiva com a nossa cidade, patente nos seus Poemas e no seu Diário.
Sebastião da Gama sofria de tuberculose renal, diagnosticada muito cedo e tinha consciência que ia ter uma morte prematura, por isso amou a vida e a natureza intensamente, o que se reflectiu nos seus escritos.
A 5 de Fevereiro de 1952 deixaria para sempre o Largo do Espírito Santo, 2 – 2.º, rumo ao Hospital de S. Luís dos Franceses, em Lisboa, onde viria a falecer após 2 dias de intensa agonia. Lembro-me desse fatídico dia 5 de Fevereiro de 1952, como se fosse hoje. Lembro-me de ele, meu vizinho, partir para uma viagem sem regresso.
Eu, hoje com 63 anos, um metro e noventa de altura e mais de cem quilos de peso, era um puto que usava bibe e andava numa Mestra, a Menina Teresinha, percursora das actuais Educadoras de Infância e que dava Escola no nº 1, nos baixos da Casa de Sebastião da Gama. Eu, que na época tinha veleidades ciclistas, andava de triciclo no passeio em frente da Casa de Sebastião da Gama, que me conhecia muitíssimo bem e que por vezes me fazia uma festa na cabeça, como se faz aos miúdos, sem maldade alguma.
Ainda guardo um desdobrável impresso a sépia com a sua foto e uma cabeça de Cristo crucificado, com poemas seus, que após a sua morte, foi oferecido aos amigos e aos vizinhos, em Sua Memória.
Hoje, estou aqui a falar dele e do Largo que ele tanto amava. Cinquenta e sete anos depois, é uma modesta, mas sentida evocação do puto ciclista que impunemente andava de triciclo frente à sua casa. E que ao contrário do que Veloso ouviu de Camões no Canto V dos Lusíadas, jura que nunca ouviu do Poeta o comentário. "Ouve lá, Hernâni amigo, este passeio é melhor de descer que de subir!".”
Presentemente já não ando de triciclo, mas sou um homem de caminhadas ou se preferirem um caminheiro da esperança, que se revê no profundo humanismo da obra que nos legou Sebastião da Gama. Daí que a terminar, cite o seu poema “O sonho”, incluído na obra póstuma ”Pelo Sonho é que Vamos”: “Pelo sonho é que vamos, / comovidos e mudos. / Chegamos? Não chegamos? / Haja ou não haja frutos, / pelo sonho é que vamos. // Basta a fé no que temos. / Basta a esperança naquilo / que talvez não teremos. / Basta que a alma demos, / com a mesma alegria, / ao que desconhecemos / e ao que é do dia a dia. // Chegamos? Não chegamos? // – Partimos. Vamos. Somos.”

Hernâni Matos
Publicado inicialmente em 11 de Fevereiro de 2016

quarta-feira, 27 de janeiro de 2016

Sinos: Velhos Tempos e Tempo Novo


Igreja de Santo André com as suas duas torres sineiras (Foto de C. J. Walowski - 1891).
Situada na Rua 5 de Outubro, em Estremoz, no local onde hoje está o Palácio da Justiça.
Muito rica e imponente no seu estilo barroco, foi sede de Paróquia. A sua construção
iniciada em 1705, levou 20 anos, tendo sido inaugurada em 26 de Novembro de 1725.
Foi demolida em 1960, por ordem do regime de Salazar, o que foi sem sombra de dúvida,
o maior crime alguma vez perpetrado contra o património construído em Estremoz. 

Velhos Tempos
O som dos sinos é um dos sons mais antigos que povoam as memórias da minha infância. Quando frequentava a Escola Primária, tanto o início das aulas como da missa dominical eram anunciadas por toques de sinos.
Ao longo dos séculos os sinos têm sido utilizados como alfaias religiosas que assinalam os actos litúrgicos, dão as horas e funcionam como meio de comunicação, tocando a rebate a fogo e anunciando desastres como naufrágios, bem como reuniões de conselhos de anciãos ou de câmaras, assim como reunindo o povo para trabalhos agrícolas ou batidas a lobos.
Os sinos distinguem-se uns dos outros pelo modo como se exprimem: variando a altura, a intensidade e o timbre, assim como a duração, o ritmo e o compasso do som.
As técnicas de percussão sineira incluem: picar, repicar, badalar, bater, rebater, tanger, destanger, bambolear, bandear e dobrar. Através delas podem ser gerados códigos acústicos entendíveis pela comunidade: canto em ocasiões de festa e choro em momentos de dor.

Literatura Oral
O sino encontra-se abundantemente registado na nossa literatura de tradição oral. Assim, a nível de ADAGIÁRIO, diz-se: “Menino e sino só com pancada”, “O sino chama para a missa mas não vai a ela”, “Os sinos tangem-se pelos mortos e não pelos vivos”, “Quem toca o sino não acompanha a procissão”, “Sino forte, vento húmido”, “Sino pequeno berra muito”. No campo da GÍRIA POPULAR são conhecidas expressões como: Andar num sino (Andar contente), Sino (Copo de vinho), Sino da Sé (Copo de litro para vinho, usado nas tabernas do Porto), Sino de correr (Toque que marcava a hora de fechar as tabernas e recolherem a casa, judeus e mouros), Sino grande (Pena máxima aplicada ao réu). No âmbito das LENGALENGAS são conhecidas diversas, entre as quais esta: “Amanhã é Domingo / Toca o sino / O sino é de ouro / Mata-se o touro / O touro é bravo / Ataca o fidalgo / O fidalgo é valente / Defende a gente / A gente é fraquinha / Mata a galinha / Para a nossa barriguinha”. Quanto a ADIVINHAS, existem várias cuja solução óbvia é o sino. Eis uma: "Alto está, / alto mora, / todos o veem, / ninguém o adora./ O que é? ".

Literatura Portuguesa
Em prosa, a referência literária mais antiga relativa a sinos remonta a Portugaliae Monumenta Historica (870). Posteriormente surge em António Tenreiro – Itinerário (1560), Frei Pantaleão de Aveiro – Itinerário da Terra Santa (1593), Frei Gaspar de São Bernardino – Itinerário da Índia por Terra (1611), Fernão Mendes Pinto – Peregrinação (1614) e mais tarde ainda em Eça de Queirós - O Primo Basílio (1878), Camilo Castelo Branco - A Maria da Fonte (1885) e Ramalho Ortigão – As Farpas – I (1887). Na poesia, entre os inúmeros poetas que falam de sinos, destacamos: Luís de Camões - Os Lusíadas (1572), António Nobre – Os sinos (1892), António Correia de Oliveira – O sino (1899), Fernando Pessoa - Ó sino da minha aldeia (1913), Florbela Espanca - Noite trágica (1923) e António Lopes Ribeiro – Procissão (1956).

Tempo Novo
A Constituição da República Portuguesa consigna como direitos fundamentais, o direito à diferença e a igualdade de género. Daí que sob o ponto de vista social, não faça qualquer sentido existirem dois toques distintos, conforme o finado é homem ou mulher. Trata-se de uma questão que a Igreja deve rever, já que ela própria nos leva a crer que aos olhos de Deus todos são iguais. Quanto ao comum dos mortais não interessa saber se morreu homem ou mulher, mas apenas quem foi que partiu e isso os sinos não dizem. 

Publicado inicialmente em 27 de Janeiro de 2016

quarta-feira, 20 de janeiro de 2016

41 - Fuga para o Egipto - 2


Fuga para o Egipto (1983-1985).
Liberdade da Conceição (1913-1990).
Colecção particular.

Arte portuguesa
Em Portugal há um certo número de obras de arte incluídas na temática da “Fuga para o Egipto” que sobressaem e merecem especial destaque. Passo de seguida a enumerá-las. ESCULTURA EM PEDRA: - Um dos seis quadros de um dos frontais do túmulo de D. Inês de Castro, escultura gótica em pedra, de autor desconhecido (1358-1367); - Mosteiro de Alcobaça: Painel dum tríptico de dois andares, em médio e baixo-relevo, em pedra de João de Ruão (1577). Museu Machado de Castro, Coimbra.
ESCULTURA EM MADEIRA POLICROMADA: - Ambrósio Coelho e Manuel Gomes de Andrade (1ª metade do séc. XVIII). Museu de Alberto Sampaio, Guimarães. ESCULTURA EM BARRO POLICROMADO: - António e Dionísio Ferreira (1700-1730). Presépio da Igreja da Madre de Deus, Lisboa; - Joaquim Machado de Castro (1766). Presépio da Sé de Lisboa; - Autor anónimo (séc. XVIII). Presépio do Palácio das Necessidades. Museu Nacional de Arte Antiga, Lisboa; - Autor anónimo (séc. XVIII-XIX). Museu dos Biscainhos, Braga. PINTURA: - Francisco Henriques e Grão Vasco (1501-1506). Um de catorze quadros do retábulo da Capela-mor da Sé de Viseu; - Gregório Lopes (c. 1527). Museu Nacional de Arte Antiga, Lisboa; - Discípulo de Grão Vasco (1520-1535). Um de dezasseis quadros de retábulo quinhentista.  Igreja de São Miguel, Freixo de Espada à Cinta; - Círculo de Gerard David (1495-1510). Museu de Évora. PAINÉIS DE AZULEJOS: - Gabriel del Barco (1695-1700). Capela de Nossa Senhora do Rosário, Sé Catedral de Faro; - Gabriel del Barco (1698). Capela de Nossa Senhora dos Prazeres, Beja; - Gabriel del Barco (c. 1700). Igreja do Convento de Nossa Senhora do Espinheiro, Évora; - Policarpo de Oliveira Bernardes (1730). Museu Nacional do Azulejo, Lisboa; - Autor desconhecido (1750 - 1760). Museu Nacional do Azulejo, Lisboa; VITRAIS: - Autor desconhecido (séc. XVII). Palácio da Pena, Sintra.
Publicado inicialmente a 20 de Janeiro de 2016