segunda-feira, 15 de fevereiro de 2016

42 - Fuga para o Egipto - 3

Fuga para o Egipto (1948).
Mariano da Conceição (1903-1959).
Museu Rural de Estremoz.

Figurado de Estremoz 
No Museu Nacional de Arqueologia existe uma “Fuga para o Egipto” do séc. XVIII, que de acordo com o verbete manuscrito por Leite de Vasconcelllos, é proveniente de Estremoz e foi doada por Luís Chaves em 1915, que a encontrou num monte nos arredores da cidade, onde porventura teria sido utilizada como brinquedo. Provavelmente é um grupo que pertenceu a algum presépio de Igreja que foi disperso. Todavia, não apresenta as características da manufactura sui-generis do figurado de Estremoz.
Conheço e tenho na minha colecção figuras de Presépio do séc. XVIII, executadas ao modo de Estremoz, as quais são figuras soltas que pertenceram a presépios aqui executados. É possível que alguns presépios mais completos incluíssem o grupo da “Fuga para o Egipto”. Contudo, não tenho conhecimento de nenhum exemplar de produção local anterior aos começados a executar por Ana das Peles e Mariano da Conceição, nos anos 30 do séc. XX, na Escola Industrial António Augusto Gonçalves, sob a orientação do Director, o escultor José Maria de Sá Lemos.
A “Fuga para o Egipto”, tem sido produzida desde então pela maioria dos barristas e integra o núcleo base do figurado de Estremoz. A análise do exemplar criado por Mariano da Conceição em 1948 e pertencente à colecção do Museu Rural de Estremoz, revela tratar-se de duas figuras que em conjunto representam o episódio bíblico. São elas: - NOSSA SENHORA A CAVALO - Montada à amazona numa burrinha preta com arreios, está sentada sobre uma manta cor de zarcão, terminando por linhas incisas que simulam franjas. Enverga túnica com gola e véu, ambos de cor azul celeste. De salientar que a burrinha marcha para o lado esquerdo do observador e Nossa Senhora está virada para o lado esquerdo do animal e com as costas viradas para o lado contrário (NSAC-Tipo 1). Transporta o Menino Jesus ao colo, ao mesmo tempo que o segura com os braços. O Menino está enroupado com uma vestimenta branca, decorada na extremidade com linhas incisas, azuis e amarelas, imitando franjas. Encontra-se ainda envolto numa manta que lhe pende dos ombros e cruza no peito, igualmente branca e com franjas análogas às da extremidade da veste. A figura assenta numa base quadrada de cor verde, pintalgada de branco, amarelo e zarcão e orlada verticalmente com esta última cor. - SÂO JOSÉ – De pé, traja túnica com gola, de cor azul celeste com orla amarela, calça branca e botas pretas. Nas costas tem assente um manto vermelho, forrado de branco e igualmente orlado de amarelo. A barba é espessa e castanho-escuro, o mesmo se passando com o cabelo comprido, que cai sobre os ombros, enrolado na extremidade. À cintura tem cingida uma faixa amarela com franjas nas duas extremidades, as quais pendem para a frente. A mão esquerda assente no coração simboliza a lealdade e a devoção a Deus. A mão direita empunha um bordão encimado por um lírio branco, um dos atributos de São José e que é símbolo de pureza, castidade, confiança, abandono completo e dedicação a Deus. A base da figura é rectangular, verde-escura, com orla vertical a zarcão.