quarta-feira, 16 de junho de 2010

Nós e os números - O número Quatro

CRISTO REI COM OS QUATRO EVANGELISTAS, NO INÍCIO DO NOVO TESTAMENTO - Iluminura do ”Codex Amiatinus”, o mais antigo manuscrito sobrevivente da Bíblia quase completa na versão Vulgata Latina, considerado o exemplar mais preciso do texto de São Jerónimo. Criado no reino anglo-saxónico de Northumbria no século VIII, como um presente para o Papa. Conservado em Florença, na Biblioteca Medicea Laurenziana.

AONDE SE FALA DO QUATRO

Na MATEMÁTICA, “quatro” é o sucessor de “três”, o quarto número natural, o segundo número par e o primeiro número composto, com divisores 1, 2 e 4, cuja soma é 7. Além disso, “quatro” é o segundo quadrado perfeito, é divisível por dois e é também o dobro e o quadrado de dois. “Quatro” é ainda o número de lados do quadrilátero, polígono que por decomposição pode originar “quatro” triângulos iguais.
Na MATEMÁTICA existe o chamado “Teorema das quatro cores”, cujo enunciado é o seguinte: “Dado um mapa plano, dividido em regiões, quatro cores chegam para o colorir, de forma a que regiões vizinhas não partilhem a mesma cor.” Note-se que regiões que só se tocam num ponto não são consideradas vizinhas. O teorema foi demonstrado em 1976 por Appel (matemático americano) e Haken (matemático alemão), com recurso a um computador IBM360. Em 1994, foi feita uma demonstração mais simples da autoria dos matemáticos americanos Paul Seymour, Neil Robertson, Daniel Sanders e Robin Thomas, mas o recurso ao computador continua a ser indispensável.
Na MATEMÁTICA existe também o chamado “Problema dos quatro quatros”, formulado no romance infanto-juvenil ”O Homem que Calculava”, do autor brasileiro Júlio César de Mello e Souza, que sob o pseudónimo Malba Tahan, narra as aventuras e proezas matemáticas do calculista persa Beremiz Samir na Bagdá do século XIII. De acordo com o autor, é possível gerar todos os números inteiros entre 0 e 100, utilizando, para além dos quatro quatros, operações como: adição (+), subtracção (-), multiplicação (*), divisão (/), factorial (n!), termial (n?) e exponenciação (x n). Entretanto, foi demonstrada a existência de uma solução geral para o problema. Para os inteiros até ao número 10, a solução é a seguinte:


O “quatro” é objecto de uma superstição conhecida por “Tetrafobia”, que consiste na aversão ou medo ao número “quatro”. Esta superstição é partilhada por países do Leste Asiático, como a China continental, a ilha de Taiwan, o Japão e a Coreia, nos quais a palavra “quatro” é homófona da palavra “morte”. O número 4 é assim ignorado, tal como os números 14, 24, 34, 40, 41, 42, 43, 44, 45, 46, 47, 48, 49, devido à presença do dígito 4 na composição destes números. Números como estes são eliminados da numeração de portas, andares, mesas em restaurantes, matrículas de automóveis, comboios, aviões, barcos, etc. Em vez de 4, 14, 24, escreve-se 3A, 13A e 23A e num arranha-céus, a seguir ao andar 39 é logo o 50, isto é atribui-se o 50 onde devia ser 40. Quem exporta para estes países tem que ter em conta esta realidade na numeração de objectos e na designação de modelos de série, para não incorrer no risco de ver a mercadoria recusada.
Na FÍSICA, “quatro” é o número atómico do metal Berílio, os tempos do motor de explosão (admissão, compressão, explosão e escape), as fases da Lua, as estações do ano (Primavera, Verão, Outono, Inverno), os trimestres e os quartos da hora.
Na GEOGRAFIA, “quatro” são os pontos cardeais (Norte, Sul, Leste e Oeste), bem como as cores suficientes para pintar qualquer mapa plano, de modo a que dois países vizinhos não partilhem a mesma cor.
Na ZOOLOGIA, “quatro” membros têm os primatas e os quadrúpedes e “quatro” são as cavidades do coração (duas aurículas e dois ventrículos).
Na MINERALOGIA: “quatro” é a dureza da Fluorite na escala de dureza de Mohs e a fusibilidade da Actinolite na escala de fusibilidade de Kobell.
Em IMPRESSÃO utiliza-se a chamada “Quadricromia”, processo de impressão a “quatro” cores, que emprega o sistema CMYK de três cores primárias mais o preto, ou seja, Ciano (Cyan), Magenta (Magenta), Amarelo (Yellow) e Preto (blacK). A letra K no final significa Key (Chave) pois o preto que é obtido com as três primeiras cores, CMY, não reproduz fielmente tons mais escuros, sendo necessário a aplicação de preto "puro". As 4 cores principais do sistema CMYK são: Ciano, Magenta, Amarelo (Yellow) e Preto (Black). As cores secundárias deste sistema são: azul violeta (magenta + ciano), vermelho (magenta + amarelo) e verde (amarelo + ciano). A união de todas essas cores da escala, origina a cor preta no centro dela. Com o sistema CMYK consegue-se reproduzir a maioria das cores do espectro visível e tem-se uma base para quase toda a reprodução gráfica.
Nos BARALHOS DE CARTAS, “quatro” naipes tem o baralho (ouros, copas, espadas e paus, no baralho francês).
Nos JOGOS, “quatro” linhas têm os campos de jogos.
Na HISTÓRIA, “quatro” são as dinastias portuguesas (Afonsina, Joanina, Filipina e Brigantina).
Na POESIA, “quatro” versos tem a quadra e “quatro estrofes” tem um soneto (Duas quadras e dois tercetos).
Na MÚSICA, “O Anel do Nibelungo” é um ciclo de “quatro” óperas épicas do compositor alemão Richard Wagner (1813-1883), constituído pelas óperas “Ouro do Reno”, “A Valquíria”, “Siegfried” e “Crepúsculo dos Deuses”.
Na FILOSOFIA, “quatro” são os elementos de Empédocles (495/490-435/430 a.C.) (Terra, Água, Ar e Fogo) e “quatro” são as qualidades (Quente, Frio, Húmido e Seco), assim como “quatro” são as virtudes fundamentais (Sabedoria, Fortaleza, Temperança e Coragem) para Platão (428/427 – 348/347 a.C.), , no seu livro “República”. Para os pitagóricos, quatro representava a justiça, por ser um quadrado perfeito, o produto de dois factores iguais. Para Aristóteles (384 a.C. - 322 a.C.) e de acordo com a “Teoria dos Quatro Discursos”, o discurso humano é uma potência única, que se actualiza de quatro maneiras diversas: a poética, a retórica, a dialética e a lógica.
Na MEDICINA GREGA e segundo o médico grego Hipócrates (460-377 a.C.), defensor da “Teoria dos quatro Humores”, existiam no organismo quatro humores (sangue, linfa, bílis amarela e bílis negra), relacionados com os quatro elementos da natureza (terra, água, ar e fogo) e com as quatro qualidades (calor, secura, frio e humidade). Da relação entre esses quatro humores resultariam os diferentes temperamentos: sanguíneo, fleumático, bilioso e melancólico. O estado de equilíbrio ou de desequilíbrio entre os humores, dava origem respectivamente a estados de saúde ou de doença.
Na BOTÂNICA o aparecimento de trevos de quatro folhas é raro, pelo que são prenúncio de sorte. De acordo com lendas celtas, os druidas praticavam rituais de colheita de plantas e animais que traziam boa ou má sorte. Acreditavam assim, por exemplo, que quem possuísse um trevo de quatro folhas poderia incorporar os poderes da floresta e a sorte dos deuses, adquirindo então o dom da prosperidade. Para tal, era necessário ganhá-lo de presente e depois presentear três pessoas. Porquê? Porque três é a Trindade, o resultado da procriação do homem e da mulher que é o filho, formando o trio. Três é o primeiro número perfeito e tem significado espiritual, sendo representado por um triângulo. Por outro lado, oferecer a alguém um objecto, que incorpore na sua decoração um trevo de quatro folhas, é formular-lhe votos de prosperidade, saúde e fortuna. Há quem considere ainda que cada folha do trevo tem um significado próprio: Esperança, Fé, Amor, Sorte, bem como o número de folhas (4) - representa um ciclo completo, como as 4 Estações, as 4 fases da Lua ou os 4 elementos da Natureza: Ar, Fogo, Terra e Água, segundo a “Teoria dos 4 Elementos”. Tradicionalmente o trevo de quatro folhas é considerado como um poderoso amuleto e usado em iconografia diversa.
Na POESIA CLÁSSICA, para o poeta grego Hesíodo (cerca do Séc. VIII a.C.), na sua obra “Os trabalhos e os dias”, ao longo da História, o Homem conheceu quatro raças ou idades: a do ouro, a da prata, a do bronze e a do ferro. Este mito das idades ilustra a ideia de Justiça de Hesíodo. Estas quatro eras cronológicas da Mitologia Grega Clássica, serão retomadas por Ovídio (43 a.C. - 17 d.C.) nas suas “Metamorfoses”.
Na MITOLOGIA GREGA, os ventos eram nove deuses responsáveis pelo vento, todos comandados por Éolo e a cada um dos quais estava atribuída uma direcção cardinal. Havia Quatro Grandes Ventos:
- Bóreas (N), o vento norte, frio e violento;
- Zéfiro (O), o vento oeste, suave e agradável;
- Eurus (L), o vento leste, criador de tempestades;
- Nótus (S), o vento sul, quente e formador de nuvens;
Havia ainda Quatro Ventos Menores:
- Kaikias (NE), o vento nordeste;
- Apeliotes (SE), o vento sudeste;
- Lips (SO), o vento sudoeste;
- Siroco (NO), o vento noroeste;
Na MITOLOGIA ROMANA, a deusa Ceres equivalente à deusa Demeter da MITOLOGIA GREGA é a deusa da Terra, responsável pela existência das “quatro” Estações.
Na MITOLOGIA HINDU, Brama o deus da criação é representado com “quatro” cabeças.
Na MITOLOGIA CHINESA há “quatro” animais sagrados associados à criação do Mundo. São eles: o dragão, o unicórnio, a fénix e a tartaruga.
Na MITOLOGIA NÓRDICA existem “quatro” anões guardiães dos quadrantes. São eles: Nordhri (Norte), Austri (Leste), Sudhri (Sul), e Vestri (Oeste). Segundo esta mitologia, das tetas da vaca Audumla, símbolo da fecundidade, corriam “quatro” rios de leite.
No CRISTIANISMO são “quatro” os evangelistas: Mateus (antigo publicano, chamado por Jesus Cristo para ser um dos doze Apóstolos), Marcos (discípulo de São Pedro), Lucas (médico) e São João (discípulo de Jesus e o mais novo dos doze Apóstolos. Eles são os autores dos Evangelhos que têm o respectivo nome, aceites simultaneamente pela Igreja Católica e pela Igreja Evangélica e que assim integram o Novo Testamento da Bíblia.
NA BÍBLIA, é farta a referência ao “quatro”. A título meramente exemplificativo:
- E saía um rio do Éden para regar o jardim; e dali se dividia e se tornava em quatro braços (Génesis 2:10).
- E fundiu quatro argolas para as quatro extremidades do crivo de cobre, para os lugares dos varais (Êxodo 38:59).
- Se alguém furtar boi ou ovelha, e o degolar ou vender, por um boi pagará cinco bois, e pela ovelha quatro ovelhas (Êxodo 22:1).
- Todo o insecto que voa, que anda sobre quatro pés, será para vós uma abominação (Levítico 11:20).
- Tudo o que anda sobre o ventre, e tudo o que anda sobre quatro pés, ou que tem muitos pés, entre todo o réptil que se arrasta sobre a terra, não comereis, porquanto são uma abominação (Levítico 11:42).
- Franjas porás nas quatro bordas da tua manta, com que te cobrires (Deuteronómio 22:12).
- E quatro homens leprosos estavam à entrada da porta, os quais disseram uns aos outros: Para que estaremos nós aqui até morrermos? (2 Reis 7:3).
- Os porteiros estavam aos quatro lados; ao oriente, ao ocidente, ao norte, e ao sul (1 Crónicas 9:24).
- Estas três coisas me maravilham; e quatro há que não conheço (Provérbios 30:18).- Por três coisas se alvoroça a terra; e por quatro que não pode suportar (Provérbios 30:21).
- Estes três têm um bom andar, e quatro passeiam airosamente (Provérbios 30:29).
- Porque visitá-los-ei com quatro géneros de males, diz o SENHOR: com espada para matar, e com cães, para os arrastarem, e com aves dos céus, e com animais da terra, para os devorarem e destruírem (Jeremias 15:3).
- E ele me disse: Profetiza ao espírito, profetiza, ó filho do homem, e dize ao espírito: Assim diz o Senhor DEUS: Vem dos quatro ventos, ó espírito, e assopra sobre estes mortos, para que vivam (Ezequiel 37:9).
- E cada um tinha quatro rostos, como também cada um deles quatro asas (Ezequiel 1:6).
- E o SENHOR me mostrou quatro carpinteiros (Zacarias 1:20).
- E tinha este quatro filhas virgens, que profetizavam (Actos dos Apóstolos 21:9).
- E havia diante do trono como que um mar de vidro, semelhante ao cristal. E no meio do trono, e ao redor do trono, quatro animais cheios de olhos, por diante e por detrás (Apocalipse 4:6).
- E depois destas coisas vi quatro anjos que estavam sobre os quatro cantos da terra, retendo os quatro ventos da terra, para que nenhum vento soprasse sobre a terra, nem sobre o mar, nem contra árvore alguma (Apocalipse 7:1).
- E vi outro anjo subir do lado do sol nascente, e que tinha o selo do Deus vivo; e clamou com grande voz aos quatro anjos, a quem fora dado o poder de danificar a terra e o mar, (Apocalipse 7:2).
- A qual dizia ao sexto anjo, que tinha a trombeta: Solta os quatro anjos, que estão presos junto ao grande rio Eufrates (Apocalipse 9:14).
- E foram soltos os quatro anjos, que estavam preparados para a hora, e dia, e mês, e ano, a fim de matarem a terça parte dos homens (Apocalipse 9:15).
- E sairá a enganar as nações que estão sobre os quatro cantos da terra, Gogue e Magogue, cujo número é como a areia do mar, para as ajuntar em batalha (Apocalipse 20:8).
Os “quatro” anjos de que fala o apóstolo João no livro bíblico “Apocalipse”, são conhecidos como os “Quatro Cavaleiros do Apocalipse” (Conquista, Guerra, Fome e Morte).
A simbologia bíblica, o número quatro representa quadrangulação em simetria, como em “quatro ventos” (Apocalipse 7:1) e “quatro cantos da Terra” (Apocalipse 20:8).
Na LINGUAGEM METAFÓRICA, são de salientar as expressões:

Foi o diabo a quatro = Foi um cargo dos trabalhos = Houve incidentes de toda a ordem
Moita quatro vinténs = Quando o outro não dá resposta
É tão certo como dois e dois serem quatro = É absolutamente verdadeiro
O rapaz come por quatro = O rapaz come muito
O homem bebe por quatro = O homem bebe muito
Aos quatro ventos = Por toda a parte
Trecho a quatro mãos = Trecho para ser executado no mesmo piano, simultaneamente por duas pessoas

Nos PROVÉRBIOS, merecem destaque os seguintes:

- Bela, boa, rica e casta é mulher de quatro andares.
- Homem velhaco, três barbas ou quatro.
- Mesmo a um homem morto, quatro homens para o tirar de casa.
- Mulher grávida de três meses encobre, de quatro quer mas não pode.
- O diabo a quatro.
- Quatro coisas destroem a justiça: o amor, o ódio, o medo e a ganância.
 Quatro horas dorme o santo, cinco o que não é tanto, seis o estudante, sete o caminhante, oito o porco e nove o morto.
- Quatro olhos vêem mais que dois.
- Quatro virtudes engrandecem o homem: delicadeza, sabedoria, honestidade e fidelidade.
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Na MEDICINA POPULAR, identificámos a prescrição:
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“Quatro sardinhas assadas,
Tiradas da salgadeira;
É remédio aprovado
Para o mal da catarreira.”
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A nível de SUPERSTIÇÕES, lembramo-nos desta:
 - Quando um galo canta quatro vezes antes da meia-noite, é sinal de morte.
No domínio das ORAÇÕES POPULARES, há alguma como esta que outrora era rezada em Beja, ao deitar:
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“Quatro cantos tem a casa,
Quatro velas a arder,
Nossa Senhora me acompanhe
Esta noite, se eu morrer.

Jesus na boca, Jesus no peito,
Jesus na cama onde m’eu deito.” [1]

No contexto do CANCIONEIRO POPULAR, para além de quadras que já foram citadas a propósito do número "três", são de destacar a propósito do número "quatro" as seguintes:

“4 com 5 são nove,
A conta não quer mentir;
Bem tolo é quem se mata
Por criadas de servir. [1]

“4 com 5 são nove,
Mais amores tenho eu;
Se eu quizesse mais teria,
Foi sorte que Deus me deu.” [1]

“Grande árvore é o carvalho,
Dá quatro castas de fruto:
Bugalho e bugalhinhos,
Landes e maçãs de cuco.” [2]

No âmbito das LENGALENGAS, salientamos:

“Um, dois, três, quatro;
Quantos pêlos tem o gato?
- Ainda estão para nascer!
Um, dois, três quatro!” [2]

[1] - PIRES, A. Thomaz. Cantos Populares Portugueses, vol. IV. Typographia e Stereotypia Progresso. Elvas, 1910.
[2] – DELGADO, Manuel Joaquim. A Etnografia e o Folclore do Baixo Alentejo. Separata da Revista Ocidente. Lisboa, 1956.



OS QUATRO CAVALEIROS DO APOCALIPSE – Pintura de Viktor Vasnetsov (1848-1926), executada em 1887.

ZÉFIRO, O DEUS GREGO DO VENTO OESTE E A DEUSA CHLORIS – Pintura de 1875 de William-Adolphe Bouguereau (1825-1905), datada de 1875.

CERES (VERÃO) – óleo sobre tela do pintor francês Jean-Antoine Watteau (1684-1721), executado em 1712 e existente na Galeria Nacional de Arte, em Washington, nos EUA.

sexta-feira, 11 de junho de 2010

Provérbios de Junho


JUNHO - Iluminura do “Livro de Horas do Duque de Berry” (Século XV), manuscrito
com iluminuras dos irmãos Paul, Jean et Herman de Limbourg, conservado no
Museu Condé, em Chantilly, na França.


- A água de Junho, bem chovidinha, na meda faz farinha.

- A cortiça em Junho sai a punho, em Agosto a mascoto.

- Abril chuvoso, Maio ventoso e Junho amoroso, fazem um ano formoso.

- Água de S. João tira o vinho e não dá pão.

- Ande o Verão por onde andar, no S. João há-de chegar.

- Ande o Verão por onde andar, pelo S. João cá vem parar.

- Ande onde andar o Verão, há-de vir no S. João.

- As cerejas são alegres à vista e tristes ao coração.

- Até ao S. Pedro, o vinho tem medo.

- Até S. Pedro, há o vinho medo.

- Cerejas e más fadas, cuidais tomar poucas e vêm dobradas.

- Chovam trinta maios e não chova em Junho.

- Chovam trinta Maios, mas não chova em Junho.

- Chuva de Junho, peçonha do mundo.

- Chuva junhal, fome geral.

- Chuva no S. João, bebe o vinho e come o pão.

- Chuva no S. João, talha o vinho e não dá pão.

- Chuva pelo S. João, bebe o vinho e come o pão.

- Dezembro com Junho ao desafio, traz Janeiro frio.

- Dia de S. Barnabé, seco a cesto e a punho.

- Em Junho, foicinha em punho.

- Em Junho, frio como punho.

- Em Maio, as cerejas uma a uma leva-as o gaio; em Junho a cesto e a punho.

- Favas das mais caras, cerejas das mais baratas.

- Favas, as primeiras; cerejas, as últimas.

- Feno, alto ou baixo, em Junho é segado.

- Galinhas de S. João, pelo Natal poedeiras são.

- Galinhas pelo S. João no Natal ovos dão.

- Guarda pão para Maio, lenha para Abril e o melhor tição para o S. João.

- Junho calmoso, ano formoso.

- Junho chuvoso, ano perigoso.

- Junho dorme-se sobre o punho.

- Junho floreiro, paraíso verdadeiro.

- Junho não dá nada; mata a fome com a cevada.

- Junho quente, Julho ardente.

- Junho, dorme-se sobre o punho.

- Junho, foicinha em punho.

- Junho, Julho e Agosto, senhora não sou vosso.

- Lavra pelo S. João e terás palha e pão.

- Lavra pelo São João se queres ter palha e pão.

- Lavra pelo São João, se queres haver pão.

- Lavra por S. João, se queres haver pão.

- Lavra por S. João, se queres ter pão.

- Maio engrandecer, Junho ceifar, Julho debulhar.

- Maio frio e Junho quente: bom pão, vinho valente.

- Maio frio, Junho quente, bom pão, vinho valente.- Maio pardo, Junho claro.

- O milho pelo São João deve cobrir um cão.

- O sol de Junho madruga muito.

- Ouriços no S. João, são do tamanho dum botão.

- Para Junho guarda um toco e uma pinha, e a velha que o dizia guardados os tinha.

- Para o S. João, guarda a velha o melhor tição.

- Pelo S. João a sardinha pinga no pão.

- Pelo S. João deve o milho cobrir o chão.

- Pelo S. João, deve o milho cobrir o rabo do cão.

- Pelo São João, foice na mão.

- Pelo São Pedro vai ao arvoredo; se vires uma, conta um cento.

- Pintos de S. João pela Páscoa ovos dão.

- Quando Jesus se encontra com João, até as pedras dão pão.

- Quando o troque troqueleja, já a cereja vermelheja.

- Quando o vento ronda o mar na noite de S. João, não há Verão.

- Quando se junta Jesus com João, em cima de pedra dá pão.

- Quem em Junho não descansa, enche a bolsa e farta a pança.

- Quem quiser bom melão, semeia-o na manhã de São João.

- Sardinha de S. João, já pinga no pão.

- Se o vento bailar, em noite de S. João, vai tardar o Verão.

- Se queres ter pão, lavra pelo São João.

- Sol de Junho madruga muito.


Publicado inicialmente em 11 de Junho de 2010

quinta-feira, 10 de junho de 2010

Junho, mês das colheitas


JÚPITER E JUNO - obra do pintor barroco Annibale Carracci (1560-1609),
pintada em 1597 , Galeria Farnese, Roma.

O mês de Junho entronca a sua designação na deusa romana Juno (Hera na mitologia grega), rainha dos deuses, mulher de Júpiter, deus romano do dia, identificado como Zeus, na mitologia grega.
Junho tem 30 dias e é o sexto mês do calendário gregoriano, utilizado na maior parte do mundo e que foi promulgado pelo Papa Gregório XIII a 24 de Fevereiro do ano 1582, para substituir o calendário juliano.
Em 21 de Junho ou próximo a esse dia, o Sol atinge o ponto mais ao norte na sua trajectória pelo céu.
É o solstício de Verão, momento em que o Sol, no seu movimento aparente na esfera celeste, atinge a maior declinação em latitude, medida a partir da linha do equador. A duração do dia é então a mais longa do ano.
No Hemisfério Norte o solstício de Verão ocorre cerca do dia 21 de Junho e o solstício de Inverno por volta do dia 21 de Dezembro. Estas datas marcam, respectivamente o início do Verão e do Inverno no Hemisfério Norte. O dia e hora exactos variam de um ano para outro.
Tal como no solstício de Verão a duração do dia é a mais longa do ano, também no solstício de Inverno, a duração da noite é a mais longa do ano.
No Hemisfério Sul, o fenómeno é simétrico: o solstício de Verão ocorre em Dezembro e o solstício de Inverno ocorre em Junho. Os momentos exactos dos solstícios, que assinalam também as mudanças de estação, são determinados mediante cálculos astronómicos.
Os Signos do Zodíaco que correspondem ao mês de Junho são:
- Gémeos (21 de Maio - 20 de Junho)
- Caranguejo (21 de Junho - 21 de Julho)
Como noutros meses há datas especiais a assinalar. Temos Dias Internacionais (ONU):
- 4 Junho - Dia Internacional das Crianças Inocentes Vítimas de Agressão
- 5 Junho - Dia Mundial do Ambiente (Programa das Nações Unidas para o Ambiente)
- 17 Junho - Dia Mundial do Combate à Seca e Desertificação
- 20 Junho - Dia Mundial dos Refugiados
- 26 Junho - Dia Internacional Contra o Abuso e Tráfico de Droga
- 26 Junho - Dia Internacional das Nações Unidas de Apoio às Vítimas de Tortura
Temos também datas patrióticas (Portugal):
- 10 de Junho – Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portugusas
Há igualmente um calendário litúrgico (Igreja Católica):
- 3 de Junho - Dia do Corpo de Deus
- 13 de Junho - Dia de Santo António
- 24 de Junho - Dia de São João
- 29 de Junho - Dia de São Pedro
Tradicionalmente os provérbios de Junho são o reflexo do calendário agrícola do mês:
- Água de S. João tira o vinho e não dá pão.
- As cerejas são alegres à vista e tristes ao coração.
- Até S. Pedro, há o vinho medo.
- Cerejas e más fadas, cuidais tomar poucas e vêm dobradas.
- Dia de S. Barnabé, secca-se a palha pelo pé.
- Dia de S. Pedro, tapa o rego.
- Dia de S. Pedro, vê o teu olivedo; e, se vires um grão, espera por cento.
- Em Junho, foice em punho.
- Favas das mais caras, cerejas das mais baratas.
- Favas, as primeiras; cerejas, as últimas.
- Feno, alto ou baixo, em Junho é segado.
- Junho, Julho e Agosto, senhora não sou vosso.
- Lavra pelo São João se queres ter palha e pão.
- Lavra pelo São João, se queres haver pão.
- O milho, pelo São João, deve cobrir um cão.
- Pelo São João, foice na mão.
- Pelo São Pedro vai ao arvoredo; se vires uma, conta um cento.
- Quando Jesus se encontra com João, até as pedras dão pão.
- Quando o troque troqueleja, já a cereja vermelheja.
- Quando se junta Jesus com João, em cima de pedra dá pão.
- Quem em Junho não descansa, enche a bolsa e farta a pança.
- Quem quiser bom melão, semeia-o na manhã de São João.
- Se queres ter pão, lavra pelo São João.

 Hernâni Matos
Publicado inicialmente a 10 de Junho de 2010

Nós e os números - O número três

A Adoração dos Magos, de Albrecht Dürer (1471-1528), Galeria Uffizi, Florença.

AONDE SE FALA DO TRÊS

Na MATEMÁTICA, “três” é o sucessor de “dois”, o terceiro número natural, o segundo número ímpar e o segundo número primo. “Três” são os tipos de sistemas de equações (possíveis, impossíveis e indeterminados) e “três” são as posições relativas de duas rectas (concorrentes, paralelas e coincidentes). “Três” lados tem o triângulo, “três” são os tipos de triângulos quanto aos ângulos (acutângulos, rectângulos e obtusângulos), “três” são os tipos de triângulos quanto aos lados (equiláteros, isósceles e escalenos) e “três” partes tem um teorema (hipótese, tese e demonstração).
Na FÍSICA, “três” são as leis de Newton (Lei da Inércia, Lei da Igualdade da Acção e Reacção e, Lei Fundamental).
Na MINERALOGIA, “três” é a dureza do Espato de Islândia na escala de dureza de Mohs e a fusibilidade da Almandina na escala de fusibilidade de Kobell.
No DESPORTO, “três” é o número de provas do triatlo, de medalhas de cada modalidade olímpica (ouro, prata e bronze) e o número de elementos duma equipa de arbitragem num jogo de futebol.
NA BÍBLIA, é abundante a referência ao “três”:
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A Bíblia foi escrita originalmente em três idiomas (hebraico, aramaico e grego).
Lucifer levou consigo a terça parte dos anjos.
Três são as pessoas da Santíssima Trindade (Pai, Filho e Espírito Santo).
São três as primeiras criaturas de Deus que mantêm o primeiro diálogo (Adão, Eva e o diabo).
Três foram os filhos de Noé (Sem, Cam e Jafé), que repovoaram a terra após o dilúvio.
Abraão viu três homens, que seriam três anjos.
Moisés trouxe três dias de trevas sobre o Egipto.
Daniel orava três vezes por dia.
Jonas esteve três dias e três noites no ventre do grande peixe.
Mateus viu três pessoas no momento da transfiguração: Jesus, Moisés e Elias.
Durante três anos da sua vida Jesus curou enfermos e perdoou pecados.
Três são os dias ao fim dos quais Jesus ressuscitou.
Três foram os reis magos (Belchior, Baltasar e Gaspar) que trouxeram presentes a Jesus quando ele nasceu.
Pedro negou Cristo três vezes.
Pedro teve uma visão, na qual ouviu três vezes uma voz.
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No CRISTIANISMO, “três” são as Virtudes Teologais (Fé, Esperança e Caridade) e “três” são os Santos Populares Portugueses (Santo António, São Pedro e São João).
Na SUPERSTIÇÃO, há múltiplas crenças:
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“É bom trazer uma noz de três quinas na algibeira, porque dá fortuna.“
“É mau agoiro estalar três vezes a luz de azeite“
“Na Beira Alta quando morre um homem, o sino dá três sinais e quando mulher dois.”
“No Sábado de Aleluia, é bom furtar-se água da pia de baptismo de uma igreja; três gotas desta água deitadas no comer livram de feitiços a quem as toma, mas há - de ser depois de o comer ser tirado do lume, porque antes é pecado.“
“Se encontrar um corcunda pela manhã em jejum, deve-se dizer três vezes: "Benza-te Deus, dinheiro fresco nos mande Deus", porque se alcança dinheiro em breve.“
“Três luzes numa casa é sinal de casamento da pessoa mais nova dessa casa “
“Três pessoas a fazerem uma cama, morre a mais nova.“
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O “três” faz igualmente parte da LINGUAGEM METAFÓRICA:
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Às duas por três = De repente
Em três tempos = Depressa
Três da vida airada = Três amigos inseparáveis
Três o diabo fez = Exclamação para afastar um terceiro concorrente de qualquer combinação
Perder os três = Perder a virgindade
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De resto, o “três” é um número que aparece em muitos PROVÉRBIOS:
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“A duas palavras, três porradas“
“A pão de quinze dias, fome de três semanas“
“Abril águas mil, coadas por um mandil e em Maio três ou quatro“
“Ao terceiro dia, maior dor na ferida“
“Às três vai de vez“
“Bom comer, três vezes beber“
“Companhia de três é má rês“
“Dois detestam-se, três aborrecem-se“
“Dois divertem-se, três aborrecem-se“
“Frade, freira e mulher rezadeira, três pessoas distintas e nenhuma verdadeira“
“Hoje um, amanhã dois, ao outro dia três ou quatro, depressa enche o saco“
“Homem velhaco, três barbas ou quatro“
"Juntaram-se três para o peso de seis"
“Mais vale um gosto na vida que três vinténs“
“Mulher grávida de três meses encobre, de quatro quer mas não pode“
“Negro quando pinta, três vezes trinta“
“O hóspede e o peixe aos três dias aborrece“
“O peixe deve nadar três vezes: em água, em molho e em vinho“
“O que não se faz numa vez, faz-se em duas ou três“
“Onde comem dois, comem três““Três à carga, carga no chão“
“Três ao burro, burro no chão“
“Três coisas destroem um homem: muito falar e pouco saber, muito gastar e pouco ter e muito presumir e pouco saber“
“Três coisas enganam o homem: as mulheres, os copos pequenos e a chuva miúda“
“Três coisas fazem o homem mudar: a ciência, o mar e a casa real“
“Três coisas mudam o homem: a mulher, o estudo e o vinho“
“Três foi a conta que Deus fez"
“Três horas dorme o santo, três e quem não é tanto, cinco o estudante, seis o extravagante, sete o porco e mais o morto“
“Três irmãos, três fortalezas“
“Três luzes a arder deitam uma casa a perder“
“Três manhas tem a mulher: chorar quando quer, como quer e quanto quer“
“Três manhas tem a mulher: mentir sem cuidar, chorar sem querer e urinar onde quer“
“Três vezes nove vinte e sete, quem matou o cão foi o valete
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A presença do número "três" no CANCIONEIRO POPULAR é também significativa:
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“Tenho 1 amor, tenho 2,
tenho 3, e tenho 4.
Tenho 5, esse, é firme,
Tenho 6, não me retracto.“[1]

“Eu tenho 5 namoros,
3 de manhã, dois de tarde
A todos elles eu minto,
Só a um falo verdade.” [1]
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“Tenho 3 lenços de seda,
Dois azues, 1 encarnado,
Também tenho 3 amores,
1 firme, 2 enganados.” [1]

“Eu tenho 4 vestidos,
1 branco, 3 encarnados
Tambem tenho 4 amores,
1 firme, 3 enganados.” [1]

“Tu, ingrato amas a duas
Tambem podes amar 3,
Tambem podes amar 4,
Cada uma por sua vez.” [1]

“Há 3 dias que não janto,
Há 4 que não almoço,
E há cinco que te não vejo,
Meu amor, porque não posso.“ [1]
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“Puz-me a contar às avessas
As pedras d’uma columna:
Contei 7, 6 e 5,
4, 3, duas e uma.“ [1]

“À uma hora nasci,
Às duas fui baptizado,
Ás 3 andava de amores,
Às 4 estava casado.“ [1]
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Para os pitagóricos, o número “três” representa a síntese espiritual, a resolução do conflito colocado pelo dualismo.
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A importância do três é tão grande que os pilares da Democracia assentam em três poderes (executivo, legislativo e judicial).

[1] - PIRES, A. Thomaz. Cantos Populares Portugueses, vol. IV. Typographia e Stereotypia Progresso. Elvas, 1910.

domingo, 6 de junho de 2010

Unir braços do mesmo rio

Delta do rio Parnaíba (Brasil), um rio que desagua por múltiplos braços. 

Perfilho há muito a ideia de que é necessário estabelecer pontes de entendimento entre as pessoas. Cada um de nós não está atomizado na sua individualidade, uma vez que a própria vida se encarrega de nos integrar em múltiplos grupos com características diversas, nem sempre convergentes.
Alguns grupos são fechados, com códigos de conduta rígidos que a pretexto da pureza de princípios, os incapacitam de dialogar com os restantes. Entre grupos fechados só são possíveis conversas de surdos, já que como não se ouvem uns aos outros, não sabem o que os outros dizem.
Uma atitude distinta é cada um de nós e os grupos em que se insere, procurarem ouvir os outros para perceber o que eles dizem, pensam e querem. Como retribuição podem ser ouvidos e os outros ficarão a saber o que dizemos, pensamos e queremos. É possível então chegar à conclusão de que partilhamos algumas ideias comuns, o que torna possível construir algo em conjunto, facto que introduzirá laços de união entre nós. É a unidade na diversidade.
Com o tempo é possível que a área de partilha aumente, mas também é possível que não. Porém, ficámos a saber o que os outros pensam e a respeitá-los porque nos respeitam a nós. E uma coisa é certa, a partilha é só de coisas que nos unem, não de coisas que nos separam. Podemos com outros partilhar amigos, se não todos, alguns. O que não somos é obrigados a partilhar os adversários. Isso é terreno que não é partilhável.
Uma das muitas coisas que partilho com os outros é a escrita, instrumento de libertação do Homem. Filho de alfaiate, aprendi a alinhavar palavras, que permitem cerzir ideias com que se propagam doutrinas. Esse o sentido de estar hoje, aqui.
Furiosamente independente, serei sempre incisivo, cáustico quanto baste, mas sempre preciso. Serei “O FRANCO ATIRADOR”.

Publicado também no nº 86 do Jornal ECOS

sábado, 5 de junho de 2010

Nós e os números - O número dois


Mulher do Minho, ornada com filigrana portuguesa,
nomeadamente um par de brincos.

AONDE SE FALA DO DOIS

Na MATEMÁTICA, “dois” é o sucessor de “um”, o antecessor de “três”, o dobro de “um”, o segundo número natural, o primeiro número primo e máximo divisor comum de “dois” com todos os números.
Na FÍSICA, “duas” são as leis da reflexão da luz, “dois” sentidos tem a corrente eléctrica alterna e “dois” é o número máximo de electrões de um elemento do primeiro período da Tabela Periódica dos Elementos.
Na GEOGRAFIA, “dois” Equinócios (Vernal e Outonal) e “dois” Soistícios (de Verão e de Inverno) tem o ano, “dois” são os hemisférios terrestres e “duas” são as margens de um rio.
Na ZOOLOGIA, “dois” é o número de alguns órgãos da espécie humana (braços, mãos, pernas, pés, orelhas, olhos, narinas, nádegas, rins, pulmões) e “dois” cornos tem o gado bovino, caprino e ovino. “Duas” são as asas e as patas das aves, assim como “duas” são as conchas dos moluscos bivalves (amêijoas, ostras, vieiras, etc.).
Na MINERALOGIA, “dois” é a dureza da selenite na escala de dureza de Mohs e a fusibilidade da natrolite na escala de fusibilidade de Kobell.
No ANO, “dois” são os semestres.
No DESPORTO, “duas” balizas têm os campos de futebol, andebol, basquetebol, hóquei e pólo, tal como “dois” pedais tem uma bicicleta.
No TRÂNSITO “duas” são as bermas de uma estrada.
Na TECELAGEM, “duas” séries de fios perpendiculares (urdidura e trama) por entrelaçamento no tear produzem o tecido.
No ADORNO “dois” são os brincos da mulher.
Na HISTÓRIA, “duas” foram as bombas atómicas lançadas pelo exército americano sobre o Japão, durante a segunda guerra mundial. (Hiroshima e Nagasáki).
Na BÍBLIA “dois” braços tem a cruz onde foi pregado Jesus e “dois” foram os ladrões que morreram com ele na cruz.
Na SUPERSTIÇÃO, crê-se que “Quando “dois” relógios dão horas ao mesmo tempo, é sinal de morte repentina". Igualmente se crê que “O homem é sempre acompanhado de “dois” anjos. O anjo da guarda à sua direita e o anjo mau (o demónio) à sua esquerda”.
Na LÓGICA, “dois” são os opostos [sim e não, yin e yang (taoismo), preto e branco, alto e baixo, gordo e magro, esquerdo e direito, dentro e fora, cima e baixo, frente e trás, longe e perto, positivo e negativo, céu e inferno, antes e depois, princípio e fim].
O cardinal “dois” faz parte da LINGUAGEM METAFÓRICA:

Fazer dominó para os dois lados = Fazer jogo duplo
Ficar como dois com um sapato = Ficar indeciso, ficar desfalcado
Levar duas lamparinas = Levar um par de estalos
Navegar em duas águas = Fazer jogo duplo
Tão certo como dois e dois serem quatro = Coisa que não sofre discussão

Também o ordinal “segundo” integra a LINGUAGEM METAFÓRICA:

 Pão segundo = Pão de mistura de farinhas diferentes de trigo
Segundo estado = Matrimónio
Segundo a segundo = Constantemente
Sem segundo = Sem rival

O “dois” é um número que também aparece em muitos PROVÉRBIOS, tais como:

”Abre um olho para ver e dois para comprar”
”As duas faces da mesma moeda”
"A duas palavras, três porradas"
"Companhia de dois, companhia de bons"
”Dá duas vezes quem de pronto dá”
”Dá-lhe uma e promete-lhe duas”
”Dois detestam-se, três aborrecem-se”
”Dois divertem-se, três aborrecem-se”
”Dois não brigam quando um não quer"
"Dois narigudos nunca se beijam"
”Dois pesos, duas medidas”
”Dois pobres à mesma mesa, um deles fica sem esmola”
”Dois proveitos não cabem no mesmo saco”
”Dois sacos vazios não ficam em pé”
”Duas aves de rapina não se fazem companhia”
”Duas ceias em um só ventre cabem”
”Duas crias más cabem num ventre”
”Duas mortes sofre, quem por mão alheia morre”
”Duas mulheres e um pato fazem uma feira”
"Duas orelhas, uma só língua: ouve duas vezes por cada vez que falas"
”Duas pedras duras não fazem farinha”
”Duas pedras duras não ligam bem”
”Duas velas a arder, deitam a casa a perder”
”Duas vezes é perdido o que ao ingrato é concedido”
”Duas vezes é tolo: quem faz o mal e o apregoa”
"Entre dois dentes molares nunca metas os polegares"
”Há pessoas que têm duas caras como o feijão-frade”
”Hoje um, amanhã dois, ao outro dia três ou quatro, depressa enche o saco”
”Homem prevenido vale por dois”
”Jogar com um pau de dois bicos”
”Mais vale um ano de tarimba do que dois em Coimbra”
”Mais vale um pé que duas muletas”
”Mais vale um toma que dois te darei”
”Matar dois coelhos de uma cajadada”
”Moços e bois de um ano a dois”
”O que não se faz numa vez, faz-se em duas ou três”
”O segundo é o primeiro dos últimos”
”Onde comem dois, comem três”
"Quem a dois amos quer servir, a um há-de mentir"
”Quem se abriga debaixo de folha, duas vezes se molha”
"Quem em pedra duas vezes tropeça, não é muito quebrar a cabeça"

O número “dois” tem a ver com a partilha de funções, com a complementaridade de funções, com a lógica binária do sim ou não. Para os pitagóricos representa a opinião ou se quisermos o conflito, a oposição e a imobilidade momentânea quando as forças são iguais.
"Dois” que matematicamente resulta de somar “um” com “um”, quantitativamente é mais do que as partes, o que lembra o provérbio “A união faz a força”, que é ainda o título de uma fábula de Esopo, que pode ser contada assim:
Um lavrador estava gravemente doente. Preocupado com os conflitos permanentes entre os seus quatro filhos, resolveu dar-lhes uma lição. Chamou-os, mostrou-lhes um feixe de gravetos amarrados e disse-lhes:
 - "Como vocês sabem, estou doente e posso morrer a qualquer instante. Aquele que conseguir despedaçar estes gravetos só com as mãos, será o meu único herdeiro”.
Os filhos estranharam, mas aceitaram o repto. Todos tentaram e não conseguiram. Foi então que o lavrador pediu o feixe a anunciou que ele mesmo iria quebrá-lo. Incrédulos assistiram ao pai a desfazer o feixe e a quebrar os gravetos um por um. Disse então aos filhos:
-“Vocês são como este feixe. Enquanto estiverem unidos, poderão sempre contar com o apoio uns dos outros. Porém, separados, vocês são tão frágeis como cada um destes gravetos isolados”.
Trata-se apenas duma fábula, mas a verdade que encerra “A união faz a força” essa é inquestionável.

A união faz a força – cartoon de Netto, publicado em “Tribal Wars”