Outrora, na singela travessa do Outeiro
Numa despojada casinha bem caiada
Com a última das bonequeiras já finada
Morreu o vetusto figurado por inteiro.
Em boa hora aqui chegou, grande escultor
José Maria de Sá Lemos de seu nome
Que recuperou este fabrico de renome
Na escola de Artes e Ofícios, director.
E c’ajuda de uma velhinha bem lembrada
Com teimosia, que ficou bem preparada
Os velhos bonecos voltaram a nascer.
O penoso caminho ficou assegurado
Pelo Mestre Alfacinha bem foi modelado
Antes da secular Glória, um bem sofrer!
Estremoz - 3.09.2026
Luís Brito da Luz
Secular arte genuína Estremocense
Em barro, com muita elegância plasmado
Pelas finas mãos destas gentes bem tratado,
Bonecos brotam do talento que convence.
Em setecentos, na alvorada desta prática
Iniciaram as antigas bonequeiras
Técnica ímpar, da qual foram pioneiras
Precursoras desta única, distinta fábrica.
Bem inculcada de geração em geração
Modelada com total zelo em comunhão
Expressão plena da identidade cultural.
No âmago d’esta cabal terra, singular
No íntimo deste povo tão peculiar
Nossa pura alma aqui se torna natural.
Estremoz - 30.08.2026
Luís Brito da Luz
FIGURADO DE ESTREMOZ II
Finos bonecos apurados, elegantes
Por mãos diferentes, criados com esmero
Paciente labor mimoso, assaz, sincero
Peças singulares de colecção, brilhantes!
Três geometrias bem distintas e claras
Bola, Rolo, Placa, dimensões diferentes
A partir destas boas bases bem presentes
O todo criado origina peças raras.
Os avoengos bonecos de tradição
C’os hodiernos bonecos de inovação
Fecham a galeria desta identidade.
C’a dual matriz tão sagrada e bem profana
Riqueza cultural desta gente humana
Herança imaterial da humanidade.
Estremoz - 01.09.2026
Luís Brito da Luz















































