Uma garrafa vale por si, não só
pela elegância da sua morfologia, como pela beleza da sua decoração ou pela
harmonia do seu cromatismo. Todavia e para além disso, uma garrafa vale
igualmente pelo líquido que encerra em si. Tanto pode ser um vinho solarengo e
telúrico, como uma aguardente envelhecida em cascos de carvalho ou um licor
aveludado e envolvente.
A conservação do tempo e da alma
do conteúdo de uma garrafa exige que esta seja selada com a nobreza da cortiça
alentejana, o que é concretizado através de uma rolha.
Alguns barristas de Estremoz têm
criado enfeites de rolha com cabeças de figuras que integram o
Figurado de Estremoz e reflectem a identidade cultural alentejana.
Os enfeites de rolha que ilustram
o presente texto, foram criados pela barrista Maria Luísa da Conceição
(1934-2015) e têm cerca de 5 cm de altura, pelo que podem ser considerados
Bonecos de Estremoz liliputeanos. São eles: Bailadeira, Camponês e Preta. Remontam
todos a 2015 e pertencem à colecção particular de seu filho, Mestre Jorge da
Conceição.



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