Alegoria da Música. Jorge da Conceição.
UM TEXTO DO BARRISTA JORGE DA CONCEIÇÃO
A ideia de produzir uma figura alegórica
relativa à música partiu do colecionador Prof. Hernâni Matos, amigo e cliente
de há longa data, a propósito de uma exposição que estava a planear fazer,
alusiva à representação do tema Música no figurado de Estremoz.
São sobejamente conhecidas as figuras do
mundo rural e urbano a tocar harmónio, a banda de música que acompanha a
procissão do Sr. dos Passos (muitas vezes vendida em separado das restantes
figuras da procissão), bem como as variadíssimas figuras de assobio. Em todas
estas tipologias a coleção de figurado de Estremoz do Prof. Hernâni Matos é
rica e variada. Faltava, no entanto, uma figura alegórica alusiva à Música. Com
efeito, no conjunto das figuras alegóricas, em que as mais conhecidas são as Primaveras,
as Bailadeiras e o Amor é Cego, não existia uma representação alegórica da
música, pois a mesma nunca terá sido
feita pelos barristas em todos estes séculos de produção de Bonecos de
Estremoz.
Assim, colmatar essa lacuna foi o desafio
que me foi colocado e que aceitei com muito agrado e motivação.
Usei como inspiração várias representações
clássicas de Euterpe, a musa da música na mitologia grega, e repassei à
exaustão imagens das figuras alegóricas de figurado de Estremoz, dos séculos
XVIII e XIX, que temos o privilégio de ter no Museu Municipal Professor Joaquim
Vermelho.
Depois, deixando trabalhar a imaginação e
imprimindo o meu próprio estilo, acabou por nascer a minha interpretação da
Alegoria da Música. É uma figura na linha das Bailadeiras, com uma roupagem
clássica enriquecida com atributos muito característicos das nossas figuras
alegóricas, que ostenta uma lira e uma flauta. Trata-se de uma peça com uma função
decorativa mas também utilitária, tal como muitas das nossas figuras alegóricas,
que podem ser usadas como castiçais ou paliteiros. Neste caso a figura pode servir
como paliteiro utilizando os furos da flauta.
Toda a estética da figura que desenvolvi,
desde a forma e decoração da base, à postura do corpo da figura, ao acabamento
final e ao grau de serenidade e candura que transmite, foi trabalhada para ser
completamente fiel à estética tão característica dos nossos Bonecos de Estremoz
e, como não podia deixar de ser, ao meu estilo pessoal.
Foi com alegria que registei a aceitação da
peça que concebi e é motivo de muito orgulho constatar que foi a minha criação a
selecionada para ilustrar o cartaz da exposição.
Jorge da Conceição
Estremoz, Maio de 2026
Hernâni Matos
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