sábado, 7 de novembro de 2015

Poesia Portuguesa - 042



Cantiga do ódio
Carlos de Oliveira (1921-1981)

O amor de guardar ódios
agrada ao meu coração,
se o ódio guardar o amor
de servir a servidão.
Há-de sentir o meu ódio
quem o meu ódio mereça:
ó vida, cega-me os olhos
se não cumprir a promessa.
E venha a morte depois
fria como a luz dos astros:
que nos importa morrer
se não morrermos de rastros?

Carlos de Oliveira (1921-1981)

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