domingo, 28 de dezembro de 2025
PEDRO VAZ PEREIRA / Vou-me Embora Vou Partir
quarta-feira, 3 de dezembro de 2025
8.º Aniversário dos Bonecos de Estremoz enquanto Património da UNESCO
No domingo,
dia 7 de dezembro de 2025, comemora-se o 8.º aniversário da Inscrição da
Produção de Figurado em Barro de Estremoz, na Lista Representativa de
Património Cultural Imaterial da Humanidade da UNESCO.
Para celebrar
a data, o Município de Estremoz organizou as seguintes atividades:
Centro
Interpretativo do Boneco de Estremoz
- 16:00 horas
- Discursos institucionais
- 16:15 horas
- Entrega da Certificação à barrista Ana Godinho
- 16:20 horas
- Apresentação da Rota do Boneco de Estremoz, Hugo Guerreiro Chefe da Divisão
de Cultura, Desporto e Juventude
- 16:40 horas
- A Confraria do Boneco de Estremoz: 2025 e 2026, Alexandre Correia,
Grão-Mestre da Confraria
Estremoz Hotel
- 17:30 horas
- Inauguração da exposição "Figurado em Barro de Estremoz",
fotografia de Francisco Matias
Venha celebrar conosco!
Entrada
gratuita.
terça-feira, 2 de dezembro de 2025
XIX Exposição de Presépios de Artesãos de Estremoz
A Galeria Municipal D. Dinis irá receber, a partir do dia 29
de novembro, a XIX Exposição de Presépios de Artesãos de Estremoz.
Esta mostra contará com cerca de 30 Presépios, produzidos
com diversos materiais, dos artesãos: Afonso Ginja, Ana Catarina Grilo, Ana
Godinho, António Moreira, Carlos Alberto Alves, Conceição Perdigão, Fátima
Lopes, Francisca Carreiras, Henrique Painho, Inocência Lopes, Irmãs Flores,
Isabel Pires, Jorge Carrapiço, Jorge da Conceição, Luísa Batalha, Madalena
Bilro, Manuel Broa, Maria José Camões, Perfeito Neves, Ricardo Fonseca, Sara
Sapateiro, Sandra Cavaco e Vera Magalhães.
A exposição poderá ser visitada até dia 6 de janeiro de
2026, com entrada gratuita, numa organização da Câmara Municipal de Estremoz.
Não perca!
segunda-feira, 1 de dezembro de 2025
Os canudos de lume, artefactos de arte pastoril
domingo, 23 de novembro de 2025
Tenores de Redondo
O número e a diversidade destes
grupos corais, pode levar os leitores a pensarem que o objecto da presente
crónica é falar dos coralistas redondenses que integrem o naipe dos tenores ou
seja as vozes masculinas com a voz mais aguda. Mas tal não é o caso, pois o
termo “tenor” pode também designar um “aparador de aguardente”, isto é um
recipiente outrora utilizado nas adegas para recolher a aguardente obtida por
destilação do vinho nos alambiques.
Redondo é simultaneamente terra
de vinho e terra de oleiros, pelo que é natural que o vasilhame usado
tradicionalmente nas adegas fosse de barro, recurso local disponível. Assim se
evitava comprar vasilhame confeccionado com materiais que não constituíssem
recursos locais disponíveis (vidro ou metal) o qual seria mais caro.
Daí que as olarias locais
manufacturassem aparadores de aguardente (tenores) em barro vidrado (pelo menos
no interior), de base circular e plana, com morfologia variável com ou sem
asas. Eram os chamados “tenores de Redondo”, objectos oláricos actualmente
caídos em desuso.
A opção dos adegueiros pelo uso
de vasilhame de barro ecoou na cultura popular, a qual regista adágios aqui
aplicáveis: “No poupar é que está o ganho", “A necessidade é
mestra de engenho” e “Quem não tem cão, caça com gato."
A terminar e como está frio,
brindo-vos com alguns adágios sobre a aguardente. Dois deles, recomendam a sua ingestão: "Aguardente, para o frio é quente”, "Uma pinga de aguardente,
faz bem a toda a gente". Pelo contrário, dois outros consideram o seu
consumo contra-indicado: "Pela manhã, a aguardente afugenta a gente”
"Aguardente não mata, mas ajuda a morrer".
Digam lá se a cultura popular é ou não é uma cultura democrática? É claro que é. Há adágios que advogam uma coisa e outros que apregoam exactamente o contrário, o que sugere que a opção fica ao livre arbítrio de cada um. Há até um adágio que proclama: "Cada um sabe as linhas com que se cose". Permito-me aqui opinar sobre o assunto, propondo como que uma correcção: “sabe ou não”. Acho mais prudente fazer passar esta ideia.
Hernâni Matos
domingo, 9 de novembro de 2025
Os pisadores, artefactos de arte pastoril
Um pisador é um utensílio
em madeira usado em culinária com recurso a gral ou não e que permite triturar,
moer e misturar substâncias sólidas. É recorrendo a um pisador que se prepara o
piso utilizado na confecção da açorda alentejana, usando sal grosso,
alho, coentros ou poejos.
Os pisadores, artisticamente
trabalhados à navalha numa peça única, esculpidos e/ou com incisões
superficiais na madeira (Fig. 1 a Fig. 6), constituem graciosos exemplares de
arte pastoril.
sábado, 8 de novembro de 2025
Os esfolhadores, artefactos de arte pastoril
O esfolhador é uma alfaia agrícola usada outrora na cultura do
milho. Trata-se de um artefacto com uma extremidade pontiaguda, manufacturado
em madeira, usado tradicionalmente para descamisar o milho. Os
esfolhadores, artisticamente trabalhados à navalha numa peça única, esculpidos e/ou com incisões
superficiais na madeira (Fig. 1 a Fig. 4), constituem belos exemplares de arte pastoril.
A operação de descamisar o milho, realizada após a colheita, consistia
em separar a maçaroca de milho do folhelho, camisa ou carapela,
conjunto de folhas finas e esbranquiçadas que revestem as maçarocas.
Para descamisar o milho, pegava-se manualmente numa maçaroca,
com o esfolhador rasgava-se o folhelho, que depois era afastado da
maçaroca. Seguidamente com uma mão a segurar a maçaroca, dava-se com a outra um
puxão no folhelho, o qual era assim separado daquela.
A operação de descamisar o milho ocorria em ajuntamentos comunitários conhecidos
como descamisadas, desfolhadas ou esfolhadas e tinha lugar
nas eiras em finais de Setembro ou início de Outubro, após a colheita do milho.
As desfolhadas eram tradições comunitárias, actualmente descontinuadas,
que assumiam a forma de festas comunitárias realizadas nas eiras, à noite e ao
luar, em que se socializava, cantando e contando estórias alegres e brejeiras
Depois da desfolhada seguia-se a debulha e, finalmente, o milho
era estendido na eira para seca, até ser armazenado para posterior
consumo.
Hernâni Matos
























