quarta-feira, 15 de outubro de 2014

Efemérides de Novembro (Nova versão)


30 de Novembro 
 
A 30 de Novembro de 1935 morre em Lisboa, com 47 anos de idade, Fernando
Pessoa (1888-1935), poeta, filósofo e escritor português. Enquanto poeta,
escreveu sob múltiplos heterónimos, como Ricardo Reis, Álvaro de Campos
e Alberto Caeiro.  É considerado um dos maiores poetas da língua portuguesa
e da literatura universal. RETRATO DE FERNANDO PESSOA (1954). Almada
Negreiros (1893-1970). Óleo sobre tela (201 x 201 cm). Museu da Cidade, Lisboa.
29 de Novembro
 
A 29 de Novembro de 1926, o General António Óscar de Fragoso Carmona
(1869-1951) assume a Presidência da República no âmbito da Ditadura
Nacional saída do Golpe de 28 de Maio desse ano. Desde 9 de Julho que
Carmona (1869-1951), como Presidente do Ministério passara a desempenhar
as funções de Presidente da República, após a demissão do General Manuel
de Oliveira Gomes da Costa (1863-1929). Viria a ser nomeado interinamente
para o cargo, por decreto de 16 de Novembro de 1926. Foi o décimo primeiro
Presidente da República Portuguesa (primeiro da Ditadura e primeiro do Estado
Novo). MARECHAL ANTÓNIO ÓSCAR DE FRAGOSO CARMONA (1933) - Pintura a óleo
de Henrique Medina (1901-1989). Museu da Presidência da República, Lisboa.
28 de Novembro
A 28 de Novembro de 1520, ao serviço do rei de Espanha Carlos V (1500-1558),
o navegador português Fernão de Magalhães (1840-1521), atinge o Oceano
Pacífico  no decurso da primeira viagem de circum-navegação. RETRATO DE
FERNÃO DE MAGALHÃES (séc. XVI-XVII) – Autor desconhecido. Mariners' Museum,
Newport News, Virginia, USA.
27 de Novembro

 A 27 de Novembro de 1199 é fundada a cidade da Guarda, através de carta
Foral de D. Sancho I (1154-1212), com o propósito de servir de centro
administrativo, de comércio e de defesa da fronteira da Beira contra os
 Reinos da Meseta do centro da Península Ibérica: primeiro, o Reino de Leão;
depois, o de Castela e finalmente, Espanha. Foi este propósito que deu origem
ao nome de Cidade da Guarda. FORAL DA CIDADE DA GUARDA.
26 de Novembro
A 26 de Novembro de 2006 morre em Lisboa, Mário Cesariny de Vasconcelos
(1923-2006), considerado o principal representante do surrealismo português,
poeta, pintor, antologista, compilador e historiador do surrealismo em Portugal.
CESARINY - Cartoon de André Carrilho (http://www.andrecarrilho.com).
25 de Novembro
 A 25 de Novembro de 1845, nasce na Póvoa de Varzim, o escritor e diplomata
português José Maria Eça de Queiroz (1845-1900), autor entre muitas outras
obras, de  "Os Maias" e "A Ilustre Casa de Ramires".
24 de Novembro
A 24 de Novembro celebra-se o Dia Nacional da Cultura Científica. A efeméride
foi instituída em 1996, por proposta do então Ministro Mariano Gago, em
homenagem a Rómulo de Carvalho, professor, metodólogo, investigador e autor
de manuais escolares, de livros de investigação científica e de poesia, estes
últimos sob o pseudónimo de António Gedeão. Nessa data, Rómulo de Carvalho
completava 90 anos e em notícia do jornal “Público” de 24 de Novembro de 1996,
Mariano Gago propôs que aquele dia do ano se tornasse Dia da Cultura Científica,
data que devia ser “momento privilegiado, todos os anos, de balanço, de reflexão
e de acção sobre o papel do conhecimento no nosso futuro”. TRIUNFO DAS ARTES
(1729- 1730). GIOVANNI BATTISTA TIEPOLO. ÓLEO SOBRE TELA (55,5 X 72 CM).
MUSEU NACIONAL DE ARTE ANTIGA, LISBOA. Em baixo estão representadas três
figuras femininas que personificam as artes visuais: Escultura, Arquitectura e
Pintura.À esquerda das Artes, mais próximas da esfera celeste, estão as Ciências,
das quais se destacam a Geometria e a Astronomia. Em cima podemos observar
as divindades protectoras das Artes e Ciências: Apolo, Minerva e Chronos.
23 de Novembro
A 23 de Novembro celebra-se o Dia da Floresta Autóctone, uma data que visa
assinalar a importância ambiental e económica de promover a importância de
preservar e plantar espécies florestais e agroflorestais, originárias do território
nacional e que fazem parte do património natural. As árvores autóctones
representam 72% da floresta, de acordo com o 6.º Inventário Florestal Nacional.
Pinheiros-bravos, sobreiros, azinheiras e pinheiros-mansos são das espécies mais
abundantes em Portugal. Segundo os dados do GlobalTree Portal, Portugal tem
103 espécies de árvores autóctones. Para além das já referidas, há espécies
menos conhecidas, como o pau-branco (endemismo açoriano) ou o marmulano
(endemismo madeirense) e outras mais conhecidas, como a aveleira, a
alfarrobeira, o freixo, o choupo-branco ou o salgueiro-branco. O SOBREIRO
(1905) – D. Carlos I (1863-1908). Pastel sobre cartão (177 x 91 cm). Fundação
da Casa de Bragança, Vila Viçosa.
22 de Novembro
 
 A 22 de Novembro de 1497, Vasco da Gama na procura de um caminho marítimo
para a Índia, dobra o Cabo da Boa Esperança que marca a transição do Atlântico
para o Índico. APARIÇÃO DO ADAMASTOR. Carlos Reis (1863-1940). Óleo sobre tela.
Museu Militar de Lisboa.
21 de Novembro
 
A 21 de Novembro de 1857 nasce em Lisboa, o pintor naturalista e realista,
Columbano Bordalo Pinheiro (1857-1929). GRUPO DO LEÃO (1885) – Columbano
Bordalo Pinheiro. Óleo sobre tela (200 x 380 cm). Museu do Chiado, Lisboa.
20 de Novembro
A 20 de Novembro de 1807, as tropas napoleónicas de Junot (1771-1813)
alcançam a fronteira portuguesa, iniciando a 1.ª Invasão Francesa de Portugal
no âmbito da Guerra Peninsular (1807-1814).  A invasão insere-se no plano de
Napoleão (1769-1821) para impor o Bloqueio Continental a toda a Europa,
visando derrotar o Reino Unido. Enquadra-se ainda na dinâmica expansionista
da França Napoleónica. A 21 de Agosto de 1808 foi travada a Batalha do Vimeiro,
na qual se defrontaram as forças luso-britânicas comandadas pelo tenente-general
Sir Arthur Wellesley (1769-1852) e as forças francesas chefiadas pelo general
Jean-Andoche Junot (1771-1813). A batalha saldou-se por uma vitória para as
forças luso-britânicas e determinou o fim da 1.ª Invasão Francesa de Portugal.

OS FRANCESES NA PRIMEIRA INVASÃO – Ilustração de Alfredo Roque Gameiro
(1864-1935), para a obra “Quadros da História de Portugal” de Chagas Franco,
ilustrada por Alberto de Souza e dada à estampa em 1917. 

19 de Novembro

A 19 de Novembro celebra-se desde 1999, o Dia Internacional do Homem.
Segundo Ingeborg Breines, directora da Secretaria de Mulheres e Cultura de
Paz da UNESCO, “…a criação da data é uma excelente ideia para equilibrar
os  géneros". Os objectivos principais do Dia Internacional do Homem são:
- Promover a saúde do homem e seu bem-estar: social, emocional, físico e
espiritual; - Melhorar a relação entre géneros e promover a igualdade de
género; - Destacar as contribuições masculinas positivas para a sociedade,
comunidade, família e meio ambiente; - Promover modelos masculinos
positivos, não apenas de estrelas de cinema ou de desporto, mas de
homens do dia-a-dia, cujas vidas são decentes e honestas; - Criar um
mundo melhor, onde as pessoas possam se sentir seguras e crescer para
alcançar seu pleno potencial; - Destacar a discriminação profissional
contra os homens nas áreas de serviços sociais, nas atitudes e expectativas
sociais e no direito; O Dia Internacional do Homem é celebrado a nível
mundial com seminários, actividades escolares, programas de rádio e
televisão, debates, desfiles e mostras de arte. CABEÇA DE CEIFEIRO
ALENTEJANO (1941). Dórdio Gomes (1890-1976). Óleo sobre contraplacado
(33 x 25 cm).

18 de Novembro 
 
A 18 de Novembro de 1783, a rainha D. Maria I (1734-1816) deliberou a
concessão de uma Lotaria Nacional à Santa Casa da Misericórdia de Lisboa, cujos
lucros seriam repartidos equitativamente pelo Hospital Real de Todos os Santos,
pelo Hospital dos Expostos e pela Academia Real das Ciências. Actualmente,
os lucros são repartidos entre a Direcção-Geral do Tesouro (36,5%) e a Santa
Casa  da Misericórdia de (63,5%). Todas as segundas-feiras são sorteados três
prémios principais e mais dezoito gradualmente de valor inferior. BILHETE DE
LOTARIA NACIONAL DO ANO DE 1843. 
17 de Novembro
A 17 de Novembro de 1717, no reinado de D. João V (1689-1750), “O Magnânimo”,
a cerca de 25 quilómetros de Lisboa, tem início a construção do Palácio-Convento
de Mafra, a qual só terminaria em 1730. É indiscutivelmente o mais importante
monumento do barroco português. PALÁCIO-CONVENTO DE MAFRA
(séc. XVIII). Autor desconhecido. Óleo sobre tela (50x60 cm).
Colecção particular.
16 de Novembro

A 16 de Novembro, assinala-se o Dia Nacional do Mar, data comemorativa da
Convenção das Nações Unidas sobre o Direito do Mar (CNUDM), que entrou em
vigor a 16 de Novembro de 1994, tendo sido ratificada por Portugal a 14 de
Outubro de 1997. Um ano mais tarde, em 1998, o dia 16 de Novembro foi
institucionalizado pela Resolução de Conselho de Ministros n.º 83/1998,
de 10 de Julho, como o Dia Nacional do Mar. A MOLICEIRA (1881-1888) –
- António Carvalho de Silva Porto (1850-1893). Óleo sobre madeira
(41 x 55,5 cm). Casa-Museu Dr. Anastácio Gonçalves, Lisboa.
15 de Novembro
A 15 de Novembro de 1889 nasce no Palácio de Belém, em Lisboa, aquele que
viria a ser o rei D. Manuel II (1889-1932), filho de D. Carlos I (1863-1908) e
de Dona Amélia de Orleães (1865-1951). D. Manuel II subiu ao trono a 6 de
Maio de 1908, com 18 anos apenas, em virtude de seu pai D. Carlos I e o
príncipe herdeiro D. Luís Filipe terem sucumbido no regicídio a 1 de
Fevereiro de 1908. Tímido, inexperiente, sem gosto nem vocação para a
política, D. Manuel II reinaria durante vinte e nove escassos meses, nos
quais passaram pelo poder seis ministérios, cuja acção não foi além de
pequenas manobras políticas. Seria destronado pelo triunfo da revolução
republicana a 5 de Outubro de 1910. Em 4 de Setembro de 1913 casa com
uma prima, a princesa D. Augusta Vitória de Hohenzollern Sigmaringen,
pertencente à família real alemã e da qual não teve descendência. Viveu
primeiro em Richmond e depois no Palácio de Fulwell Park, em Twickenham,
onde morreu a 2 de Julho de 1932, sufocado por um edema da glote. O
casamento de D. Manuel II com uma princesa alemã, não o impediu de
aconselhar os seus partidários a combater pela causa dos aliados, durante a
I Grande Guerra e de visitar as tropas portuguesas na frente da Flandres.
Perante as incursões monárquicas sempre proclamou que não queria
aventuras, afirmando que a Monarquia se devia restaurar pelo combate no
campo legal. Durante o exílio, consagrou-se à investigação bibliográfica,
tendo publicado “Livros Antigos Portugueses, 1489-1600, da Biblioteca de
Sua Majestade Fidelíssima, descritos por S.M. El-Rei D. Manuel em Três
Volumes”, editados respectivamente em 1929, 1932 e 1935. A monumental
obra de D. Manuel II descreve 9 incunábulos, 460 livros quinhentistas
impressos em Portugal e 6 no estrangeiro. Na obra indicam-se ainda, o mais
concisamente possível, 3 manuscritos e 112 volumes da camoneana de D.
Manuel II, impressos de 1572 a 1928. Jaz no Panteão dos Braganças, no
Mosteiro de São Vicente de Fora, em Lisboa. RETRATO DE D. MANUEL II (1908).
José Malhoa (1855-1933). Óleo sobre tela. Palácio Nacional de Mafra.
14 de Novembro
 A 14 de Novembro de 1839 nasce no Porto, na antiga Rua do Reguinho, aquele
que viria a ser o médico e escritor Júlio Diniz (1839-1871), pseudónimo literário
de Joaquim Guilherme Gomes Coelho, criador do romance campesino e autor de
obras como: As Pupilas do Senhor Reitor (1869), A Morgadinha dos Canaviais
(1868), Uma Família Inglesa (1868), Serões da Província (1870), Os Fidalgos da
Casa Mourisca (1871), Poesias (1873), Inéditos e Dispersos (1910), Teatro Inédito
(1946-1947). Além daquele pseudónimo usou também o de Diana de Aveleda,
com o qual se iniciou na vida literária e subscreveu crónicas no Diário do Porto
e pequenas narrativas ingénuas como “Os Novelos da Tia Filomena” (1862) e o
“Espólio do Senhor Cipriano” (1863). Viria a morrer a 12 de Setembro de 1871,
com 31 anos, vítima de tuberculose, numa casa da Rua Costa Cabral, no Porto.
ILUSTRAÇÃO A AGUARELA PARA AS “PUPILAS DO SENHOR REITOR” EXECUTADA
POR MESTRE ALFREDO ROQUE GAMEIRO (1864-1935). Esta ilustração, tal como
as demais pertence ao acervo da Colecção do Museu de Arte Moderna da
Fundação Calouste Gulbenkian e encontra-se em depósito no Museu de Aguarela
Roque Gameiro, em Minde.
13 de Novembro
 A 13 de Novembro de 1460, morre em Sagres com a idade de 66 anos,
o Infante D. Henrique (1394-1460), filho de D. João I e de D. Filipa
de Lencastre, quinto na ordem de genitura e terceiro entre os que
tiveram biografia. Foi sob a égide do Infante que teve lugar a
primeira fase da expansão marítima portuguesa de que ele foi o
mentor, o impulsionador e o financiador. INFANTE D. HENRIQUE -
- Painel do Infante – Nuno Gonçalves (c. 1420- c. 1490).
Óleo sobre madeira (206,4 x 128,0 cm). Museu Nacional de
Arte Antiga, Lisboa.
12 de Novembro
A 12 de Novembro de 1877, Alexandre Alberto da Rocha de Serpa Pinto
(1846-1900), militar, explorador e administrador colonial português,
começa a travessia do continente africano. A expedição visava fazer o
reconhecimento e efectuar o mapeamento do interior do continente
africano, para preparar a entrada de Portugal na discussão pela
ocupação dos territórios africanos, até então apenas utilizados como
entrepostos comerciais ou destino de expatriados. A ocupação efectiva
sobre a ocupação histórica, decidida pelas actas da Conferência de
Berlim (1884-1885), obrigou o Estado Português a actuar no sentido
de reclamar para si uma vasta região do continente africano que
uniria as províncias de Angola e Moçambique, através do chamado
"mapa cor-de-rosa", intenção que falhou após o ultimato britânico
de 1890. SERPA PINTO COM DOIS INDÍGENAS.
11 de Novembro
 A 11 de Novembro de 1861 morre aos 24 anos, de febre tifóide, D. Pedro V
(1837-1861), O Esperançoso, que subira ao trono com apenas 18 anos.
No seu reinado é inaugurado o primeiro telégrafo eléctrico no país (1855)
e o caminho de ferro entre Lisboa e Carregado (1856), iniciam-se as primeiras
viagens regulares de navio, entre Portugal e Angola, é criado o Curso Superior
de Letras (1859), é introduzido o sistema métrico em Portugal (1859) e em
1860 ordena a criação do Hospital de Dona Estefânia, em Lisboa. Jaz no
Panteão dos Braganças, no mosteiro de São Vicente de Fora em Lisboa
RETRATO DE D. PEDRO V - Miguel Ângelo Lupi (1826-1883). Óleo sobre tela.
Palácio Nacional da Ajuda, Lisboa.
10 de Novembro
  A 10 de Novembro comemora-se o Dia Mundial da Ciência pela Paz e o
Desenvolvimento. A efeméride, criada pela ONU em 2001, visa incentivar
a discussão sobre o papel da Ciência na construção de um mundo melhor.
9 de Novembro 

A 9 de Novembro de 1967, morre em Lisboa, (Tomás de Aquino Carmelo Alcaide
(1901-1967), cantor lírico português de projecção internacional, que teve como
berço natal a cidade de Estremoz. TOMAZ ALCAIDE RETRATADO POR MAX,
EM 1936, EM BRUXELAS. 
8 de Novembro
No dia 8 de Novembro comemora-se o Dia Mundial do Urbanismo. Esta data
comemorativa foi decretada pela Organização Internacional do Dia Mundial
do  Urbanismo, fundada em 1949, em Buenos Aires, na Argentina. A efeméride
visa promover a consciência, a sustentação, a promoção e a integração entre a
comunidade e o Urbanismo. Este é um campo do conhecimento que tem como
objectivo criar condições satisfatórias e ordenadas de vida nos centros urbanos,
de acordo com as necessidades humanas: meios de locomoção, moradias, lazer,
criação de áreas verdes, entre outras.
7 de Novembro
A 7 de Novembro de 1995, José Saramago (1922 - 2010) recebe o Prémio Camões.
A distinção instituída pelos governos do Brasil e de Portugal em 1988, é atribuída
aos autores que tenham contribuído para o enriquecimento do património literário
e cultural da língua portuguesa. O prémio é considerado o mais importante prémio
literário destinado a premiar um autor de língua portuguesa pelo conjunto da sua
obra. O galardão é atribuído anualmente, alternadamente no território de cada um
dos dois Estados, cabendo a decisão a um júri especialmente constituído para o efeito. 
6 de Novembro
A 6 de Novembro de 1656, morre D. João IV (1604-1656), 21º Rei de Portugal
e fundador da Dinastia de Bragança. Trineto de D. Manuel I (1469-1521) e
filho de D. Teodósio II de Bragança (1568-1630) e de D. Ana de Velasco
(1585-1607), casou em 12 de Janeiro de 1633 com D. Luísa de Gusmão
(1613-1666), filha do Duque de Medina Sidónia. Foi o 8º duque de Bragança,
tendo sido aclamado Rei de Portugal em 1 de Dezembro de 1640. O seu
reinado durou até á sua morte, tendo tido como nota reinante o
desenvolvimento da guerra com a Espanha, conhecida por Guerra da
Restauração. COROAÇÃO DE D. JOÃO IV (1908). Quadro de Veloso Salgado 
(1864-1945). Óleo sobre tela (325 x 285 cm). Museu Militar (Sala Restauração),
Lisboa. Representa a aclamação de D. João IV no Terreiro do Paço, tendo o
Tejo como fundo e os chefes da conspiração em frente do novo rei. A
Restauração  da Independência Nacional deu-se em 1 de Dezembro de 1640. 
5 de Novembro
A 5 de Novembro de 1991, é atribuído ao escritor José Cardoso Pires (1925-1998)
pelo conjunto da sua obra, o Prémio União Latina de Literaturas Românicas. A
sua obra diversificada distribui-se por géneros como: novela, ensaio, teatro,
contos, romance, sátira inclui títulos como: Os Caminheiros e Outros Contos,
Histórias de Amor, O Anjo Ancorado, Cartilha do Marialva, O Render dos Heróis,
Jogos de Azar, O Hóspede de Job, O Delfim, Dinossauro Excelentíssimo, E agora,
José ?, O Burro em Pé,  Corpo-Delito. Na Sala de Espelhos, Balada da Praia dos
Cães, Alexandra Alpha, A República dos Corvos, Cardoso Pires por Cardoso Pires,
A Cavalo no Diabo, De Profundis, Valsa Lenta, Lisboa, Livro de Bordo e Lavagante.
4 de Novembro
A 4 de Novembro de 1877, em cerimónia presidida pelo rei D. Luís I (1838-1899)
e pela rainha D. Maria Pia (1847-1911), é inaugurada a Ponte D. Maria Pia, a
primeira ponte ferroviária a unir as duas margens do rio Douro, entre Vila Nova
de Gaia e o Porto. A estrutura metálica apresenta um tabuleiro com 352 metros
de extensão e sob ele, um arco de forma biarticulada, com 160 metros de corda
e 42,60 metros de flecha. A altura medida a partir do nível das águas, é de 61
metros. A ponte foi projectada pelo Eng.º Théophile Seyrig (1843-1923) e edificada
entre 5 de Janeiro de 1876 e 4 de Novembro de 1877 pela empresa Eiffel
Constructions Métalliques, da qual era sócio com Gustave Eifell (1832-1923).
A empresa teve que recorrer a métodos revolucionários para a época, uma vez
que era o maior vão construído até essa data, dada a largura do rio e as dimensões
das escarpas envolventes. Na obra trabalharam permanentemente 150 operários que
utilizaram 1.600 toneladas de ferro. A ponte, de uma só linha, integrou a linha do
Norte até 1991, ano em que foi desactivada, face à entrada em serviço da Ponte de
S. João. À Ponte D. Maria Pia foram outorgadas as seguintes distinções: - 1982:
Classificada como Monumento Nacional pelo IGESPAR; - 1990: Classificada como
Internacional Historic Civil Engineering Landmark pela American Society of
Engineering (ASCE); - 2013: Considerada pelo jornal The Guardian como uma das
10 mais belas pontes do mundo. Construção da Ponte ferroviária D. Maria Pia.
Situação dos trabalhos em 15 de Agosto de 1877. Fotografia atribuída a Emílio
Biel (1838-1915).
3 de Novembro 
A 3 de Novembro de 1965, em plena Guerra Colonial, o Conselho de Segurança
da ONU pede a todos os estados membros para não prestarem a Portugal
qualquer assistência "que permita continuar a repressão" dos  africanos,
em particular a venda de armas e equipamento militar. EMBARQUE DE TROPAS
PARA A GUERRA COLONIAL.
2 de Novembro
A 2 de Novembro assinala-se o Dia de Finados ou Dia dos Fiéis Defuntos. Este
dia é celebrado entre nós com tristeza, pois recordam-se as pessoas de família
e os amigos que já morreram. De acordo com a tradição católica, as pessoas
acorrem aos cemitérios para prestar homenagem aos mortos. Para tal, deixam
ramos de flores nas campas e acendem velas para iluminar os falecidos no
caminho para o Paraíso, ao encontro da comunhão com Deus e mandam rezar
missas em sua memória. O culto aos mortos é ancestral e esteve presente em
quase todas as religiões, tendo inicialmente estado ligado aos cultos agrários
e de fertilidade. Os mais antigos acreditavam que, tal como as sementes, os
mortos eram enterrados com vista à ressurreição. Em Portugal, ainda são
respeitadas  crenças muito antigas, como não caçar nem pescar no Dia de
Finados. DIA DOS FINADOS. Aurélia de Sousa. (1866-1922). Óleo sobre tela.
1 de Novembro
 A 1 de Novembro, a Igreja Católica celebra o Dia de Todos-os-Santos, como
uma festa em honra de todos os santos e mártires, conhecidos e desconhecidos.
OS PRECURSORES DE CRISTO COM SANTOS E MÁRTIRES (c.1423-24).  Fra Angélico
(c. 1395 - 1455). Têmpera sobre madeira (31,9 x 63,5 cm). National  Gallery, London.












































































































































































































terça-feira, 14 de outubro de 2014

10 – Põe o chapéu. Tira a carapuça.

 
Matança do porco.
José Moreira (1926-1991).
Colecção particular.

No Alentejo, o vestuário do trabalhador do campo, incluía nos finais do séc. XIX, em vez do chapéu e principalmente de Inverno, o barrete, também chamado gorro (Tolosa, Barrancos) ou carapuço(a) (Estremoz, Alandroal, Montemor-o-Novo).
O cancioneiro popular alentejano refere o uso do gorro preto: “Ó rapaz da cinta verde, / Ó rapaz do gorro preto, / Vou cantar uma cantiga, /E vai ser a teu respeito.”. Refere igualmente o uso do gorro verde: “Ó rapaz do gorro verde, / Quem te mandou cá entrar? / Se não cantas ‘ma cantiga, / Já te podes retirar.”. 
Consta também que no início do século XIX, havia o costume de as raparigas do campo, oferecerem aos namorados, um gorro de linha azul, por si confeccionado com cinco agulhas, no decurso dos longos serões de Inverno. Provavelmente haveria rapazes que usavam gorro azul, sem este lhe ter sido oferecido pela namorada. Daí que alguma rapariga interessada no “enganador”, lhe pudesse dizer por gracejo: “Ó rapaz do gorro azul, / Está-te bem, porque és trigueiro, / Diz-me quanto te custou, / Quero-te dar o dinheiro.”. O uso do gorro preto ou vermelho, está ainda referenciado como tradição popular alentejana, documentada também por bilhetes-postais ilustrados referentes a múltiplas actividades agro-pastoris.
Daí não ser de estranhar que no figurado de Estremoz existam imagens que ilustram o uso do barrete no Alentejo. Caso de figuras como: “Pastor a fazer as migas sentado”, “Pastor a fazer as migas deitado” e “Matança do porco”. Todos os barristas do século XX e XXI cobriram a cabeça desses bonecos com o tradicional barrete. Apenas um, José Moreira (1926-1991), irreverente e inovador, substituiu nessas imagens, a partir de certa altura, o barrete pelo tradicional chapéu aguadeiro, conforme ilustra a sua “Matança do porco". Trata-se de uma maneira própria de observar o mundo e de o interpretar, deixando traços de identidade pessoal nas peças que manufactura e que são marcas indeléveis que permitem identificar o seu autor. Ao substituir a carapuça pelo chapéu, José Moreira fez afinal o contrário do que reza a tradicional lengalenga popular: “Doutor / Da mula ruça / Tira o chapéu. /Põe a carapuça.”

sábado, 11 de outubro de 2014

Morreu Espiga Pinto, pintor do Alentejo



Espiga Pinto (1940-2014) 

Faleceu no passado dia 1 de Outubro no Porto, o artista plástico José Manuel Espiga Pinto, de 74 anos, natural de Vila Viçosa. O funeral teve lugar nesta vila no passado dia 3, tendo saído pelas 15h da Igreja da Nossa Senhora da Conceição para o cemitério local.
Espiga Pinto pertencia à terceira geração de artistas modernistas. A sua obra diversificada, distribui-se por escultura, pintura, desenho, moedas, medalhas, troféus, cerâmica, gravura, serigrafia, vitrais, capas para livros, cinema para a RTP, tapeçaria, murais de grandes dimensões para átrios de edifícios, grandes esculturas para espaço urbano e logótipos para muitas empresas.
Frequentou a Escola Superior de Belas-Artes de Lisboa e recebeu uma Bolsa de Especialização em Pintura da Fundação Calouste Gulbenkian que lhe permitiu viajar pela Europa entre 1973 e 1974.
O artista expôs desde os quinze anos e realizou até ao presente, mais de oitenta Exposições Individuais e várias centenas de Exposições Colectivas em todo o mundo. Tem obras em colecções particulares, em Portugal, Espanha, França, Inglaterra, Angola, Suíça, Holanda, Estados Unidos da América, entre outros países. Em Portugal está representado no Centro de Arte Moderna da Fundação Calouste Gulbenkian, no Museu de Arte Contemporânea, na Colecção Berardo, no Museu do Desporto, na Caixa Geral Depósitos (Lisboa) e no Museu de Serralves (Porto). Entre as suas obras de arte pública estão as esculturas do Parque Miraflores, comemorativas dos 250 anos do Concelho de Oeiras. Em Lisboa, na avenida Álvaro Pais, está  a escultura em bronze “Mapa da memória inicial”, que venceu o Prémio Marconi de 1992.
Entre outras distinções, Espiga Pinto ganhou o Prémio Anual de Imprensa, da Casa da Imprensa (1970), o Prémio Bienal de São Paulo (Brasil), para cenários do bailado da Gulbenkian, Lisboa (1973), o Prémio da Embaixada de Portugal em Brasília pela criação de pavimentos (1973), o Prémio de Pintura da Academia de Belas Artes de Lisboa (1987), o Prémio de Realização de Escultura Marconi (1992), o Prémio “Coty” – U.S.A. - “Coin Of The Year” – A Melhor Moeda Comemorativa do Planeta Terra (2000). Venceu também o Concurso Europeu para o Troféu do 50.º aniversário das regatas de grandes veleiros em Antuérpia (2005) e ganhou o 1.º Prémio pela moeda comemorativa da "Passarola", de Bartolomeu de Gusmão (2007).
Espiga Pinto tinha o Alentejo na massa do sangue, pelo que a sua obra reflecte o ambiente natural e social do Alentejo profundo. Para o historiador de arte David Santos, "O campesinato, a vida na aldeia ou nas vilas dessa região marcam uma das imagens mais fortes da sua estética, numa espécie de neorrealismo tardio, já nos anos 1960 e 1970, mas onde era possível vislumbrar uma capacidade de autoironia e mesmo humor sobre essa iconografia”. Mais tarde, quando a abstracção invade o seu trabalho, acontece "uma intensa relação com a simbologia do cosmos". Espiga Pinto passa então a desenvolver "grandes gestos circulares onde se conjugam figuras aladas (pombas, cisnes), cavalos e pequenos signos que remetem para mapas imaginários invadidos por uma plenitude fantasista que melhor se traduziu no seu trabalho de escultura em bronze ou nos seus conjuntos de volume pintados".
Segundo a escritora Manuela Morais, Espiga “Ainda era menino quando chegou à pintura. Homem determinado e invulgar, pinta como quem beija. Entrega-se total e perdidamente. Do Alentejo, onde nasceu, revelador de uma intuição e sensibilidade apuradíssimas, vem afirmando a solidez e singularidade de um percurso que começa e termina na busca e apreensão dos possíveis sentidos da existência”.
Para o historiador de arte, Mário Nunes, "Espiga Pinto, de invulgar poder de criação, utiliza a geometria como estrutura da sua Obra, afirmando que a geometria está nos nossos gestos, na nossa mente, na arquitectura do universo, pois a geometria é a estrutura do universo, tanto no microcosmos como no macrocosmos. E, realmente, a Obra de Espiga fascina pela grandeza, pelo sublime e pela sensibilidade que revela em toda a dimensão do seu conhecimento, no pensamento de que "A Arte é a Vida" e "A Vida é a Arte".
Espiga Pinto foi professor na Escola Industrial e Comercial de Estremoz (1960-1965) e no IADE (Instituto de Artes Visuais, Design e Marketing, Lisboa (1979-1987). Era sócio da F.I.D.E.M. - Federação Internacional da Medalha e membro da Academia Nacional de Belas Artes de Lisboa.

A Família enlutada, apresento as minhas sentidas condolências.



Apanha da azeitona (1962).
Espiga Pinto (1940-2014).
Tinta-da-china sobre papel (41 cm x 26 cm).
Três camponeses cantores (1962).
Espiga Pinto (1940-2014).
 Tinta-da-china sobre papel (26 cm x 39 cm).
Segredo para a festa na aldeia (1962).
Espiga Pinto (1940-2014).
Tinta-da-china sobre papel (18 cm x 36 cm).
 Feira de Gado (1963).
Espiga Pinto (1940-2014).
 Técnica mista sobre papel (68 cm x 52 cm).
 Pastor c/ ovelhas no redil (1963).
Espiga Pinto (1940-2014).
 Técnica mista sobre papel (97 cm x 50 cm).
 Figura (1963).
Espiga Pinto (1940-2014).
Técnica mista sobre papel (13,5 cm x 31 cm).
Homem com roda (1964).
Espiga Pinto (1940-2014).
Técnica mista sobre papel (41 cm x 50 cm).
 Camponês com carro de cavalos em festa (1964).
Espiga Pinto (1940-2014).
Técnica mista sobre papel (73 cm x 40 cm).
 Lavra da terra (1964).
Espiga Pinto (1940-2014).
 Técnica mista sobre papel (48 cm x 25 cm).

Camponês com boi e cavalo (1965).
Espiga Pinto (1940-2014).
Técnica mista sobre papel (75 cm x 50 cm).
 Camponês c/ parelha de cavalos (1965).
Espiga Pinto (1940-2014). 
Técnica mista sobre papel (24 cm x 45 cm)
 Camponês no carro de palha (1965).
Espiga Pinto (1940-2014).
 Técnica mista sobre papel (35 cm x 63 cm).
Camponesa com pendão de festa (1965).
 Espiga Pinto (1940-2014).
Técnica mista sobre papel (33 cm x 49 cm).
Camponês com boi e cavalo (1965).
Espiga Pinto (1940-2014).
 Técnica mista sobre papel (75 cm x 50 cm).
 Camponês com parelha de cavalos (1965).
Espiga Pinto (1940-2014).
 Técnica mista sobre papel (24 cm x 45 cm).
 Ceifeiras (1966).
Espiga Pinto (1940-2014)
Tinta-da-china sobre papel de cortiça (- cm x – cm).
 Na cocheira (1966).
Espiga Pinto (1940-2014).
Tinta-da-china sobre papel de cortiça (27 cm x 30 cm).
 Ceifeira (1966).
 Espiga Pinto (1940-2014)
 Tinta-da-china sobre papel de cortiça (20 cm x 35 cm).
 Ceifeira (1966).
 Espiga Pinto (1940-2014).
Tinta-da-china sobre papel de cortiça (27 cm x 31 cm).
 Homem com charrua (1966).
Espiga Pinto (1940-2014)
 Técnica mista sobre papel (48 cm x 34 cm).
Cavalo (1966).
 Espiga Pinto (1940-2014).
Tinta-da-china sobre papel de cortiça (15 cm x 27 cm).
Camponesa (1967). 
Espiga Pinto (1940-2014).
Técnica mista sobre madeira (48 cm x 138 cm). 

quarta-feira, 8 de outubro de 2014

Estremoz - Defesa do Património - 4

Implantado num dos pontos mais elevados da Serra de Ossa, o Castelo de Évora Monte remonta
ao século XII, altura em que a localidade foi conquistada aos mouros por Geraldo Sem Pavor.
A partir daí e até ao presente, sofreu aumento de fortificações e diversas reconstruções.
Foi classificado como Monumento Nacional por Decreto de 16 de Junho de 1910.

Outra estrutura associativa de defesa do património cultural no concelho de Estremoz é:  
LACE - Liga dos Amigos do Castelo de Évora Monte
Constituída em 2000 e em actividade, liderada por Henrique Sabino até 2004 e após o seu falecimento por Eduardo Basso, tem António Adérito Araújo como Vice-Presidente da Direcção desde a sua fundação. Tem por objectivos a intervenção cívica, cultural e social, através de todas as formas legais, para proporcionar a defesa, dinamização e valorização do património arquitectónico, histórico e cultural, relacionado com o Castelo de Évora Monte. Para a prossecução dos seus fins, a "LACE" poderá promover e realizar dentro e fora do Castelo de Évora Monte, colóquios, conferências, teatro, cinema, cursos de ensino, concertos, récitas, festas, reuniões, jogos lícitos, angariações de fundos, homenagens e toda e qualquer actividade que se enquadre nos seus fins. No cumprimento das suas finalidades, a LACE promoveu desde a sua fundação inúmeras iniciativas e eventos: - 1ª. Apresentação Nacional do Concerto de Música Medieval “TE-DEUM” pelo grupo “Flores da Música” na Igreja de S. Pedro (1999); - Passagem de Ano na Torre/Paço, que reuniu mais de 500 pessoas (1999 e 2000); - Passagem do Ano para o III Milénio (2000-2001); - Comemorações do Aniversário da Assinatura da Convenção de Évora Monte (2000 a 2010); Participação em Bruxelas no Concurso sobre o Euro, promovido pelo Parlamento Europeu (2001); - Festival de Música “Tardes no Castelo” (2001 e 2002); - Convenção Euro de Évora Monte e Feira Euro das Escolas (2002); - Festival de Artes e Música “Tardes no Castelo” - 10 concertos (2002 e 2003); - Comemorações dos 700 Anos do Castelo de Évora Monte (2006); - Percurso do Imaginário de Évora Monte (2006-2010); - Evento “Évora Monte – Castelo Vivo”, com a duração de 8 dias, que incluía exposições, conferências e espectáculos culturais (2007 a 2009); - Evento “Évora Monte – Castelo da Paz”, que incluía a montagem de um Presépio de Rua e animação alusiva à época de Natal (2007 a 2009); - Constituição da “Rede Europeia de Sítios da Paz”, a cuja Direcção a LACE preside, que tem membros em 10 países e já realizou Encontros em Portugal, Holanda, Alemanha, Eslováquia, Croácia e Hungria (2010).

(CONTINUA)

Hernâni Matos

terça-feira, 7 de outubro de 2014

Palácio Tocha - Quem lhe acode? - 3

CENA DE CAÇA (Escadaria). Fotografia recolhida no Sistema de Referência e
Indexação do Azulejo.

 (Continuação dos nº 838 e 839 de Brados do Alentejo)

O que pensa a Câmara?
De acordo com a edição de 11 de Setembro, do jornal “Brados do Alentejo”, o Presidente do Município, Luís Mourinha, disse estar preocupado com a degradação do Palácio Tocha e acrescentou ter sido recentemente contactado verbalmente pelos interessados, no sentido de o imóvel ser adaptado a Hotel, situação a que a Câmara não se opõe.
Quem é o proprietário do Palácio Tocha?
Tenho conhecimento de que o Palácio Tocha foi vendido pela Família Sepúlveda da Fonseca à Imobiliária Magnólia da Madeira, Lda, no ano de 2000. Esta, por sua vez, vendeu-o em 2008, à Associação de Colecções, de cujo Conselho de Administração é Presidente, o Comendador José Manuel Rodrigues Berardo (Joe Berardo). Na prática o proprietário do Palácio Tocha é o conhecido empresário e coleccionador de Arte, Joe Berardo.
Já foi o homem dos dois mil milhões de euros. Fez parte da lista da revista norte-americana "Forbes" como um dos homens mais ricos do mundo. Actualmente, segundo a revista “Exame”, os activos de Joe Berardo sofreram uma forte desvalorização e estão actualmente avaliados em 340 milhões. A sua menina dos olhos continua a ser a sua colecção de Arte, avaliada pela Christie's em 316 milhões de euros.
Sem sombra de dúvida que o Comendador é o maior coleccionador privado português, cujas notáveis colecções abrangem um largo espectro de domínios como Arte Moderna e Contemporânea, Cartazes de Ernesto de Sousa, Azulejos, Arte Publicitária, Cerâmica das Caldas, Arte Déco, Escultura Contemporânea do Zimbabué, Arqueologia, Etnografia, Mineralogia e Paleontologia.
As suas colecções distribuem-se e estão salvaguardadas em locais tão diversos como o Centro Cultural de Belém (Lisboa), os jardins luxuriantes do Monte Palace (Ilha da Madeira), a Quinta da Bacalhôa e a Bacalhôa Vinhos (Azeitão) e as Caves da Aliança Vinhos de Portugal (Sangalhos). 
Sem sombra de dúvida que para além de grande investidor, o Comendador é como diriam os franceses “un esprit de finesse”, dotado de rara sensibilidade para as Artes.
O que poderá fazer a Câmara?
O Presidente do Município, Luís Mourinha, disse em entrevista ao jornal Brados do Alentejo, estar preocupado com a degradação do Palácio Tocha. Não constituirá delito de opinião, pensar que a Câmara não se deve ficar pela mera preocupação. Admito que o Comendador possa desconhecer o estado de degradação acelerado do edifício de que é proprietário e que foi classificado em Janeiro passado como imóvel de interesse público. Daí ser minha convicção de que a Câmara, como entidade que propôs em 2000 a classificação do imóvel, deva fazer algo mais. Penso que devia alertar o proprietário para a degradação que documentei em edições anteriores deste jornal. Decerto que será a entidade mais qualificada para o fazer, uma vez que esteve na génese do processo de classificação do imóvel e é a legítima representante da comunidade local. A esta assiste-lhe o direito à fruição dos valores e bens que integram o património classificado e tem igualmente o dever de o defender e conservar, impedindo a sua destruição, deterioração ou perda. Quem melhor para defender os interesses da comunidade, que o Município eleito?
O que deverá fazer o proprietário?
É sabido que o edifício é uma jóia arquitectónica da cidade e um tesouro em património azulejar, no qual ressalta o envolvimento de Estremoz e do seu termo, na luta pela independência nacional no decurso da crise dinástica de 1383-85 e contra o jugo filipino. São páginas de História Regional e Nacional que estão ali contadas.
De acordo com a legislação em vigor, o proprietário tem o dever de conservar, cuidar e proteger devidamente o edifício, de modo a assegurar a sua integridade e a evitar a sua perda, destruição ou deterioração. Deve também executar os trabalhos ou as obras que o serviço competente, após o devido procedimento, considerar necessários para assegurar a salvaguarda do edifício.
Tendo em conta que o proprietário é uma pessoa de bem e com rara sensibilidade para as Artes, creio que uma vez alertado pelo Município para o estado de degradação do imóvel, não deixará de assumir as suas responsabilidades, travando e invertendo a tragédia muda que ali se está a passar, o que seria gratificante para a comunidade local.


 CONQUISTA DE ESTREMOZ – 1383 (Sala das batalhas). Fotografia recolhida
no Sistema de Referência e Indexação do Azulejo.

BATALHA DO AMEIXIAL – 1663 (Sala das batalhas). Fotografia recolhida
no Sistema de Referência e Indexação do Azulejo.

segunda-feira, 6 de outubro de 2014

Bonecos na Assembleia Municipal de Estremoz

Barbeiro sangrador.
José Moreira, (1926-1991). 
Colecção particular.

Unanimidade
Na reunião da Assembleia Municipal de Estremoz, de 26 de Setembro passado, foi aprovado por unanimidade, o reconhecimento da Produção de Figurado de Barro de Estremoz como Património Imaterial de Interesse Municipal. Esta aprovação finaliza o processo de classificação, cuja iniciativa política pertenceu à Câmara, a qual na sua reunião do transacto dia 17 de Setembro, aprovara também por unanimidade aquele reconhecimento.  Trata-se do primeiro passo de um processo iniciado pelo Município e que visa conseguir o registo da Produção de Figurado em Barro de Estremoz na Lista Representativa de Património Cultural Imaterial da UNESCO.
À margem da votação
Apesar da unanimidade conseguida na votação, choca-me o facto desta ter sido feita “a seco”, sem qualquer intervenção, tanto da bancada da situação, como das bancadas da oposição. Neste ponto da ordem de trabalhos, os senhores deputados municipais entraram mudos e saíram calados. Guardaram-se para as habituais trocas de galhardetes entre bancadas e entre bancadas e a Câmara, nas quais a Assembleia é pródiga.
Seria de esperar que os Bonecos de Estremoz, supremos ex-líbris e os melhores embaixadores da nossa cidade, merecessem algum apontamento afectivo por parte dos senhores deputados municipais. É que os Bonecos de Estremoz nascem das mãos mágicas dos barristas que deles fazem o seu ganha-pão e que coleccionadores, estudiosos e publicistas, defendem como dama e arvoram como estandarte. Resultado: Câmara-1, Assembleia-0.