quarta-feira, 31 de dezembro de 2014

Entre o brincar e o mentir



A lição (c. 1876).
Norbert Goeneutte (1854-1894).
Óleo sobre tela (52 x 45 cm).
Colecção particular.

Ao Poeta
Fernando J. B. Martinho,
meu antigo Director.  


Uma brincadeira
Vou-vos contar uma história do “Tempo da Outra Senhora”. É uma história singela, de quem em 36 anos de carreira, passou 34 na Escola Secundária de Estremoz. O meu ingresso começou por ser uma brincadeira. Num sábado de manhã, no início do ano lectivo, estava eu sentado na esplanada do Café Alentejano, quando chega a namorada de um amigo meu, a qual vinha preencher um horário vago. Eu, com algumas cadeiras por terminar na Universidade, estava ali no Café, a espairecer. Ela, então, meteu-se comigo, perguntando-me:
- Porque é que em vez de estares a viver à custa dos teus pais, não procuras também, preencher um horário na Escola?
Nunca tal me passara pela cabeça, pois nunca pensara em ser Professor. À laia de me ver livre dela, disse-lhe assim:
- Diz lá ao Director que se tiver algum horário disponível, me telefone aqui para o Café.
Então não é que o bom do homem me telefona daí a um quarto de hora, dizendo:
- Senhor doutor, tenho aqui um horário de Matemática, que está disponível. Se estiver interessado venha, faz a apresentação às turmas de hoje e ganha já o fim-de-semana.
Fiquei sem pinga de sangue, mas o que havia eu de fazer? Não podia voltar com a palavra atrás. Foi assim que me tornei Professor daquela Escola. Foi uma brincadeira imprevista que preencheu quase metade da minha vida.

Uma mentira
A seguir à brincadeira, vi-me envolvido numa grandessíssima mentira. É que estávamos no “Tempo da Outra Senhora”, que é como diz estávamos no tempo do fascismo, com o Marcelo Caetano em primeiro-ministro, um partido único – a União Nacional e uma polícia política, a PIDE-DGS, que perseguia, torturava e prendia os opositores ao Regime, ao qual havia que assegurar fidelidade, para poder ingressar na Carreira. Assim, lá fui chamado ao gabinete do Chefe da Secretaria, onde tive que jurar e de subscrever com a minha assinatura, a declaração formal de que tinha activo repúdio pelo comunismo e todas as ideias subversivas. É claro que eu era mesmo subversivo, ainda hoje o sou, como toda a gente sabe, pois está-me na massa do sangue. Eu era então, um jovem do Maio de 68, caldeado na luta académica contra o Regime e membro do clandestino Movimento Associativo da Faculdade de Ciências de Lisboa. Assim, para ter direito a ser Professor e usufruir daquilo com que se compram os melões, tive que mentir descaradamente, com quantos dentes tinha, que era aquilo que fazia a esmagadora maioria.

quarta-feira, 24 de dezembro de 2014

Descoberta arqueológica em Estremoz


(1º terço do séc. XIV). Fotografia de Luís Guimarães. 

Padrão medieval de côvado identificado em Estremoz 
A primitiva Casa da Câmara de Estremoz tem segundo Túlio Espanca, uma antiguidade que remonta ao 1º terço do séc. XIV. Nela, o segundo colunelo à direita da porta de entrada, tal como os outros de base quadrada e capitel zoo-antropomórfico, apresenta uma singularidade que o distingue dos restantes. Nele está gravado um sulco vertical, parcialmente coberto com argamassa, como mostra fotografia recente de Luís Guimarães e fotografia do “SIPA – Sistema de Informação para o Património Arquitectónico”, obtida em 1968 no decurso de obras de restauro.
A medição do comprimento do sulco revela que o seu valor é de 66 cm. Estamos assim em presença de um padrão medieval de comprimento conhecido por “côvado” e que correspondia a 66 cm.
O reconhecimento da existência naquele monumento da medida-padrão medieval de côvado, reveste-se da máxima importância, uma vez que não consta do Inventário das Medidas Medievais Portuguesas, divulgado por Mário Jorge Barroca no artigo “MEDIDAS-PADRÃO MEDIVAIS PORTUGUESAS”, publicado na Revista da Faculdade de Letras, em 2006. Daí que o presente escrito vise contribuir para a inventariação, preservação e valorização daquele padrão. 
Medidas medievais de comprimento 
O sistema de medidas de comprimento usado em Portugal na Idade Média para medir e transaccionar tecidos baseava-se no “palmo”, que equivalia a 22 cm. O palmo tinha dois múltiplos principais: o “côvado” (66 cm) e a “vara” (110 cm), correspondentes respectivamente a três e a cinco palmos. Cada uma destas medidas tinha um submúltiplo com metade do seu comprimento: o “meio côvado” (33 cm) e a “meia vara” (55 cm). Existia ainda uma outra medida, não baseada no palmo: a “braça” (184 cm) e que tinha também um submúltiplo: a “meia braça” (92 cm).
A uniformidade dos valores das medidas registadas no inventário das Medidas Medievais Portuguesas, levaram Mário Jorge Barroca a concluir que ela se terá generalizado a todo território nacional, provavelmente desde os meados do séc. XIII, o que facilitaria o combate à fraude. Todavia, alguns mercadores usavam medidas mais curtas que o devido. Daí a necessidade da existência de medidas-padrão para aferir a autenticidade das medidas usadas pelos mercadores. Em Évora, nos finais do séc. XIV era obrigatória a aferição mensal das medidas, conforme refere Oliveira Marques no livro “A Sociedade Medieval Portuguesa” (1960). De resto, Mário Jorge Barroca no artigo anteriormente citado, dá conhecimento de que as Ordenações Afonsinas registam a obrigatoriedade das medidas terem marcas a certificar a sua validade, fixando também multas a aplicar a quem usasse medidas sem marcas de aferição ou comprimento insuficiente. A aferição das medidas usadas pelos mercadores seria feita pelo seu confronto com as medidas-padrão gravadas na pedra, devendo aquelas encaixar nestas, sem folgas no sentido do comprimento. A marcação das medidas aferidas deveria ser realizada por alguém habilitado para o fazer, assegurando a autenticidade das marcas e a sua aceitação pelas partes envolvidas numa transacção comercial: mercadores e compradores. 
Localização do padrão 
A localização da medida-padrão de côvado na primitiva Casa da Câmara de Estremoz não é ocasional, uma vez que visando salientar a sua legalidade, as medidas padrão eram gravadas em locais importantes ligados à Coroa ou à Igreja, tais como portas de castelos ou muralhas e paredes de igrejas. Por outro lado, as medidas-padrão eram colocadas nos locais onde se desenvolvia o comércio, pelo que a feira medieval de Estremoz teria lugar no Largo do Castelo, local onde se situa a primitiva Casa da Câmara de Estremoz. 
A feira medieval de Estremoz 
Como nos diz Virgínia Rau no livro “Feiras Medievais Portuguesas/Subsídios para o seu estudo” (1943), a Feira franqueada de Estremoz foi criada em 1463 por D. Afonso V, que em 25 de Janeiro desse ano, deferiu um pedido de homens bons e concelho de Estremoz, no sentido de lhes ser concedido lugar e autoridade para realizarem uma feira real anual. O rei, reconhecendo o muito serviço da vila, que sempre fora da Coroa ordenou que a feira tivesse lugar de 20 a 30 de Junho, ficando o concelho dispensado da colheita de sisa velha, que era um tributo incidente sobre as transacções e que constituía rendimento do rei. 
À atenção do Município de Estremoz 
A existência em Estremoz de uma medida-padrão medieval é uma mais valia em termos arqueológicos, históricos, metrológicos e turísticos. Daí que se sugira ao Município de Estremoz que proceda à remoção da argamassa que ainda a oculta parcialmente, que a sinalize e divulgue na imprensa nacional, notificando também a Academia Portuguesa de História e o Instituto Português da Qualidade, da existência da mesma.

Padrão medieval de côvado visível num colunelo da primitiva Casa da Câmara de Estremoz. 

domingo, 21 de dezembro de 2014

15 – Cada coisa no seu lugar!


Marca da barrista Isabel Carona (?-?).
Base duma imagem de São José ajoelhado.
Colecção Particular.

Aclénia Pereira (1927-2012) foi uma bonequeira discípula de Mariano da Conceição (1903-1959), cujas aulas frequentou a partir de 1940 na Escola Industrial António Augusto Gonçalves, em Estremoz. No acervo do Museu Rural desta cidade, existem bonecos seus confeccionados em barro vermelho. Todos têm estampada na base a marca identitária da barrista: “Tanagra”, manuscrita dentro de um rectângulo de 1 cm x 3 cm. Quase todos têm igualmente aí gravada a marca do local de produção: “ESTREMOZ/PORTUGAL”, em maiúsculas e em duas linhas, dentro de um rectângulo de 1 cm x 2,7 cm. Ao casar-se em 1960, a barrista transferiu-se para Santarém, onde passou a utilizar barro branco, por não dispor de barro vermelho. Todavia, fê-lo no respeito estrito pela manufactura sui-generis do figurado de Estremoz, a qual combina três geometrias distintas: a bola, o rolo e a placa. Continuou igualmente a pintar e a envernizar os bonecos já cozidos e a apor neles as suas marcas distintivas.
Isabel Carona (?-?) foi a primeira discípula de Sabina da Conceição Santos (1921-2005), quando esta procurou preencher a lacuna criada pela morte prematura de seu irmão Mariano, em 1959. Isabel começou por pintar bonecos e depois aprendeu também a fazê-los. Por questões de natureza pessoal, Sabina Santos veio a dispensar os serviços da afilhada, a qual se fixaria no Montijo, onde veio a produzir figurado de Estremoz, com o barro a que tinha acesso e que apresentava uma tonalidade castanho claro. Como não dispunha de forno, os seus bonecos foram pintados e envernizados depois de secos, não chegando a ser cozidos. Ostentam na base a marca estampada “ISABEL/ARTESANATO/ESTREMOZ/MONTIJO/PORTUGAL” em maiúsculas e em itálico, num conjunto de 5 linhas ocupando uma área de 2,5 cm x 2,5 cm, com um traço a separar as duas primeiras linhas das restantes.
Ainda que produzidas fora de Estremoz, as imagens daquelas artesãs foram manufacturadas com a técnica tradicional dos bonecos de Estremoz. São pois, bonecos de Estremoz. O mesmo não se pode dizer de figurado produzido nesta cidade ou fora dela, por modelação, sem recorrer à técnica da bola, do rolo e da placa. Poderão ser muito bonitos. Poderão ser tudo. Bonecos de Estremoz é que não são. 

quinta-feira, 18 de dezembro de 2014

Massa crítica


O GRUPO DO LEÃO (1885). Columbano Bordalo Pinheiro (1857-1929).
Óleo sobre tela (200 x 380 cm). Museu do Chiado, Lisboa.

O conceito de “massa crítica”, originário da física nuclear, é extensível a múltiplos domínios como sociologia, política, dinâmica de grupos, publicidade, marketing, etc. Em qualquer destas áreas, “massa crítica” é a quantidade mínima de pessoas necessárias para que um determinado fenómeno possa ocorrer e adquirir uma dinâmica própria que lhe permita autosustentar-se e crescer.
Uma questão que se põe imediatamente é a de saber se a comunidade estremocense tem ou não, massa crítica que lhe permita induzir dinâmicas sociais, indispensáveis ao desenvolvimento nas suas diversas vertentes. Uma análise do problema poderá levar à conclusão de que Estremoz não tem massa crítica. Contudo, a situação não é irreversível como passo a demonstrar.
Estremoz tem entre os seus filhos, naturais ou adoptivos, bastantes individualidades com currículo respeitável, com percursos de vida notáveis, com provas dadas e obra feita que merece o reconhecimento da comunidade. Todavia, atomizados na sua individualidade não constituem massa crítica. Estão dispersos por variadas coutadas doutrinárias, ideológicas e partidárias, muitas vezes estanques, avessas a pensar para além do dogma que as sustenta, o que inevitavelmente as acabará por aniquilar. Estão ainda disseminados por capelas e tertúlias, que reproduzem alguns dos vícios anteriores. Estão igualmente espalhados por grupos de acção escolar ou confinados a torres de marfim ou celas individuais de pensamento pró-monástico.
Naquelas circunstâncias nunca constituirão massa crítica, já que como nos ensina o gestaltismo, o todo é mais que um mero somatório das suas partes, pois tem características próprias. Estas só poderão ser alcançadas se todos e cada um tiverem a humildade de reconhecer que atomizados não conseguem chegar a parte nenhuma, limitando-se a cumprir um caminho de penitência. Todavia é impensável e ilegítimo que cada um dos múltiplos grupos cogite em arregimentar os restantes, visando o seu auto-reforço. O que é possível e legítimo é cada um desses grupos ou individualidades proceder a uma profunda reflexão que lhe permita separar em termos de objectivos e de linhas de acção, o que é essencial do que é acessório. Feito isto, é então possível procurar equacionar quais os caminhos que podem ser percorridos conjuntamente. Então, Estremoz terá massa crítica, indutora de dinâmicas sociais conducentes ao desenvolvimento nas suas distintas vertentes. Então poderá ocorrer uma mudança de paradigma, que como Fénix renascida das cinzas, nos devolva o orgulho de sermos estremocenses.

Publicado inicialmente em 18 de Dezembro de 2014

quarta-feira, 17 de dezembro de 2014

Bonecos de Estremoz estudados ao pormenor


Transcrevo com regozijo e com a devida vénia, 
a Notícia do Município de Estremoz, nº 1872,
de 9 de Dezembro de 2014.
  
O Laboratório Hércules da Universidade de Évora, uma das instituições mais prestigiadas na área do Restauro e Conservação a nível nacional, com a colaboração do Centro Ciência Viva de Estremoz, irá iniciar o estudo material e técnico do Figurado em Barro de Estremoz (vulgo Bonecos de Estremoz), em particular alguns dos antigos exemplares da Coleção Júlio Maria dos Reis Pereira.
O estudo, que também vai contar com o apoio técnico do Museu Municipal de Estremoz, vai abranger o período histórico do séc. XVIII-XIX, e contará com a realização de alguns exames em situ e de análises laboratoriais. O mesmo tem como objetivos esclarecer as dúvidas que atualmente existem em termos de composição química e estrutural do suporte (barro), assim como identificar quais os pigmentos e o ligante utilizados na execução das tintas, e ainda a identificação do material utilizado como camada de proteção.
Os exames a realizar serão, entre outros, a Radiografia, a Espectrometria de Fluorescência de raios X (FRX), análise estratigráfica, entre outras.
Este é mais um marco importantíssimo na história do Boneco e no âmbito do Plano de Salvaguarda do Figurado em Barro de Estremoz, porque não se pode salvaguardar, preservar e conservar sem conhecermos em profundidade a matéria e a técnica que lhe está subjacente, assegurando uma boa fundamentação técnica para a proposta à UNESCO de inserção do Figurado na Lista Representativa de Património Cultural Imaterial da Humanidade.

terça-feira, 16 de dezembro de 2014

Efemérides de Janeiro (Nova versão)

31 de Janeiro
Ao início da madrugada de 31 de Janeiro de 1891, eclode uma revolta republicana
No Porto, sendo proclamada a República, na varanda da Câmara Municipal. A revolta
surgiu como reacção às cedências do Governo (e da Coroa) ao ultimato britânico de
1890 por causa do Ma pa Cor-de-Rosa, que pretendia ligar, por terra, Angola a
Moçambique. Cerca das 10 horas da manhã, os revoltosos são forçados render-se. A
efeméride foi todavia um marco importante na luta pela implantação da República
em Portugal. 31 DE JANEIRO, PROCLAMAÇÃO DA REPÚBLICA NO PORTO – 1891.
Gravura de Bertrand Dete (?-?), in A Ilustração, Paris 1891, vol. 3, p. 73. Biblioteca
Nacional, Lisboa.
30 de Janeiro
A 30 de Janeiro de 1881 é publicado "Portugal Contemporâneo", de Oliveira
Martins (1845-1894).
29 de Janeiro
A 29 de Janeiro de 1505 morre frei Miguel Contreiras (1431-1505), confessor da
rainha D. Leonor (1458-1525), determinante na fundação da Misericórdia de
Lisboa, em 1498. FREI MIGUEL CONTREIRAS (1766) - Carlos Antonio Leoni
(1745-1774). Óleo sobre tela (171x108,5 cm). Biblioteca Nacional, Lisboa.
28 de Janeiro
A 28 de Janeiro de 1641 realizam-se em Lisboa, as primeiras Cortes portuguesas,
após a Restauração da Independência em 1640. ASSENTO DAS CORTES DE 1641.
27 de Janeiro
A 27 de Janeiro assinala-se o Dia Internacional em Memória das Vítimas do Holocausto.
Na passagem da efeméride, a chefe do Escritório do Alto Comissariado das Nações
Unidas para os Direitos Humanos, Navi Pillay, declara na sua mensagem: “Hoje, nós
honramos a memória das milhões de pessoas – homens, mulheres e crianças –
brutalmente assassinadas há sete décadas pelo simples fato de serem judeus, ciganos,
eslavos ou homossexuais, porque eles tinham deficiência, eram testemunhas de Jeová
ou adversários políticos.” E acrescenta: “Ainda hoje, em muitos lugares em todo o
mundo, as pessoas são perseguidas ou discriminadas por causa de sua raça, religião,
origem, orientação sexual ou opiniões políticas, e em países como a Síria, a República
Centro-Africana e o Sudão do Sul, as pessoas ainda estão sendo mutiladas e assassinadas
por causa do grupo ao qual pertencem”. “Precisamos parar de fechar os olhos para os
sinais de alerta de violações graves dos direitos humanos quando e onde quer que
apareçam”, reiterou Pillay.
26 de Janeiro
A 26 de Janeiro de 1531, um sismo destrói parte da cidade de Lisboa, em
particular a colina de Santa Catarina. O terramoto e o posterior tsunami
resultaram em aproximadamente 30,000 mortes. Os danos causados,
especialmente na parte baixa foram severos, aproximadamente um terço
das edificações da cidade foram destruídas e mil vidas se perderam no
choque inicial. O Paço da Ribeira e a Igreja de São João foram ambos
completamente destruídos. VISTA, A PARTIR DO TEJO, DO PALÁCIO DA
RIBEIRA EM LISBOA (1598) - Georg Braun and Franz Hogenberg. Civitates
Orbes Terrarum (a 1ª edição latina é de 1572). A Ribeira das Naus está
à esquerda do Paço da Ribeira.
25 de Janeiro
A 25 de Janeiro de 1906 é criado o Jardim Botânico Tropical (com o nome de
Jardim Colonial), por decreto régio, no contexto da organização dos serviços
agrícolas coloniais e do Ensino Agronómico Colonial no Instituto de Agronomia
e de Veterinária.
24 de Janeiro
A 24 de Janeiro de 1919 é dominada pelos republicanos a revolta monárquica de
Lisboa (Revolta de Monsanto), ocorrida a 22 de Janeiro, como apoio à restauração
da monarquia no Porto (Monarquia do Norte). ESTABELECIMENTO PRISIONAL DO
FORTE DE MONSANTO, NA ANTIGA "RUA 24 DE JANEIRO", LUGAR ONDE OS
REVOLTOSOS MONÁRQUICOS SE RENDERAM.
23 de Janeiro
Em 23 de Janeiro de 1918, D. Nuno Álvares Pereira (1360-1431) foi beatificado pelo
Papa Bento XV e é desde 26 de Abril de 2009, mais um Santo português, após a
cerimónia de canonização em Roma, do Beato Nuno de Santa Maria. Sabe-se que
nasceu a 24 de Junho de 1360, em Cernache do Bonjardim ou Flor da Rosa, filho
ilegítimo de D. Álvaro Gonçalves Pereira, prior do Hospital. Foi para a Corte aos
13 anos, sendo armado cavaleiro por Dona Leonor Teles com o arnês do Mestre
de Avis, de quem se torna amigo. Adere à causa do Mestre, que o nomeia fronteiro
da comarca de Entre Tejo e Odiana. Vencedor da Batalha dos Atoleiros (6 de Abril
de 1384), de Aljubarrota (14 de Agosto de 1385) e de Valverde (15 de Outubro de
1385), D. Nuno Álvares Pereira desempenhou um papel fundamental na resolução
da crise de 1383-1385 com Castela e na consolidação da independência. Por isso foi,
desde sempre, muito justamente considerado como um símbolo da independência
nacional. Nomeado 2º Condestável do Reino e 38º Mordomo-mor, recebeu ainda de
D. João I, os títulos de 3º conde de Ourém, de 7º conde de Barcelos e de 2º conde
de Arraiolos. Em 1388 iniciou a edificação da capela de São Jorge de Aljubarrota e,
em 1389, a do Convento do Carmo, em Lisboa, onde se instalaram os frades da
Ordem do Carmo, no ano de 1397. Após a morte de sua esposa, Leonor de Alvim,
com quem casara em 1376, torna-se Carmelita em 1423, recolhendo ao Convento
do Carmo, em Lisboa, onde ingressa sob o nome de Irmão Nuno de Santa Maria.
Ali permanece até à sua morte em 1 de Novembro de 1431, aos 71 anos de idade
e já com fama de Santo. 
22 de Janeiro
A 22 de Janeiro de 1815 é assinado o Tratado de Viena entre Portugal e o Reino
Unido para a abolição do tráfico de escravos, a norte do Equador. NAVIO NEGREIRO
(c. 1830) - Gravura (35,50 x 51,30 cm) que reproduz a tela de Johann Moritz
Rugendas (1802–1858), do Museo Itaú Cultural, de São Paulo, a qual ilustra o poema
épico "Navio Negreiro", do poeta Castro Alves (1847-1871), que exalta o povo africano
e relata um episódio histórico em que os negros,  após a captura na costa africana,
eram transportados em navios negreiros. Nesses navios, os escravos vinham amontoados,
concretizavam as suas necessidades fisiológicas no mesmo local em que estavam,
daí resultando enormes problemas sanitários, que conduziam à morte.
21 de Janeiro

A 21 de Janeiro de 1885 é suspensa a publicação do semanário ilustrado de humor
político “O António Maria” (1879-1898), do jornalista, desenhador, aguarelista,
ilustrador, decorador, caricaturista, ceramista e professor, Rafael Bordalo Pinheiro
(1846-1905). O jornal conheceu duas séries: a primeira, entre Junho de 1879 e
Janeiro de 1885; a segunda, entre Março de 1891 e Julho de 1898. Uma tão
prolongada existência torna-o contemporâneo e testemunha não só do período
áureo do «rotativismo» (2ª fase) que caracterizou a monarquia constitucional,
mas também do seu progressivo esgotamento, por força de um conjunto de
práticas que o desvirtuaram como sistema político, mantendo no poder as
mesmas elites. Em paralelo, verifica-se a crescente expansão e influência de um
movimento republicano que, aliás, está representado na Câmara de Deputados,
a partir de 1879. ”O António Maria” é uma publicação com objectivos de
intervenção na sociedade, de formação da opinião pública. Faz é uso de uma
estratégia diferente: usa a sátira, a ironia, enfim, o humor, para denunciar a
mentalidade egoísta e corrupta das elites, que estava na origem do
desvirtuamento do sistema político vigente, reduzindo-o a um jogo viciado.
Entre os colaboradores com que Rafael Bordalo Pinheiro conta para a edição
d’“O António Maria” destacam-se: o poeta Guilherme de Azevedo (que usa o
pseudónimo João Rialto), Ramalho Ortigão (João Ribaixo), Alfredo Morais Pinto
Pan-Tarântula), João Broa, Emílio Pimentel, Enrique Casanova, António Ramalho,
Ribeiro Cristino, Columbano Bordalo Pinheiro, Manuel Gustavo, entre outros
personalidades que marcaram o panorama das artes e das letras nacionais.
“O António Maria” é uma crónica única sobre a sociedade portuguesa no último
quartel do século XIX e, consequentemente, uma fonte de informação inesgotável
(Texto adaptado da “Hemeroteca Digital de Lisboa”). CAPA DE “O ANTÓNIO MARIA”
Nº 31, de 1 DE JANEIRO DE 1880.
20 de Janeiro
A 20 de Janeiro de 1893 é autorizada a criação do Museu Etnográfico Português,
proposto pelo linguista, filólogo, arqueólogo e etnógrafo português, José Leite
de Vasconcelos (1858-1941). Actualmente chama-se Museu Nacional de
Arqueologia do Dr. Leite de Vasconcelos e desde 1903 que se situa na ala
ocidental do Mosteiro dos Jerónimos, na zona do antigo dormitório dos monges,
reformado em estilo neomanuelino na segunda metade do século XIX.
ENTRADA NEOMANUELINA DO MUSEU NACIONAL DE ARQUEOLOGIA  DO
DR. LEITE DE VASCONCELOS.
19 de Janeiro
A 19 de Janeiro de 1919 é proclamada no Porto a Monarquia do Norte, contra-revolução
desencadeada pelas juntas militares favoráveis à restauração da Monarquia em Portugal,
após a implantação da 1ª Republica Portuguesa. A acção foi comandada por Paiva Couceiro
(1861-1944), que desde logo organizou uma Junta Governativa do Reino. PAIVA COUCEIRO.
18 de Janeiro
A 18 de Janeiro de 1934 eclode uma insurreição armada na Marinha Grande,
suscitada pelo proletariado vidreiro. Tratou-se de uma jornada de luta contra
a fascização dos sindicatos, pela defesa da livre organização dos trabalhadores,
contra a ofensiva patronal e do Estado salazarista contra os salários, o horário
de trabalho de 8 horas, contra a repressão e em defesa das liberdades cívicas e
políticas, contra a privação de todas as liberdades, perseguições, prisões, torturas,
assassinatos, intensificação da exploração, desemprego e miséria. Nessa data,
a laboração foi suspensa nas fábricas, as comunicações cortadas e ocorreram
manifestações de rua. Houve adesão maciça da população, pelo que os dirigentes
da greve decidiram criar um soviete. Este assumiu o controlo da vila, tomando o
posto da GNR e a estação dos Correios, sem derramamento de sangue. Durante
algumas horas, a vila esteve ocupada pelos revolucionários, até que a vila foi
cercada por forças militares e, na madrugada de 19, as posições ocupadas pelos
trabalhadores foram tomadas e a rebelião debelada. Seguiram-se prisões em
massa, interrogatórios acompanhados de tortura, simulacros de julgamentos,
deportações para as colónias. O campo de concentração do Tarrafal foi criado
para acolher presos do 18 de Janeiro. Na primeira leva de 152 presos que o
foram inaugurar, 37 tinham participado no 18 de Janeiro. AS FORÇAS DE
INFANTARIA OCUPAM A MARINHA GRANDE EM JANEIRO DE 1934, 
PARA PÔR FIM  À GREVE GERAL DOS OPERÁRIOS VIDRACEIROS.
 FOTOGRAFIA DO JORNAL O SÉCULO.
7 de Janeiro
A 17 de Janeiro de 1937 tem lugar em Sacavém, a famosa «greve dos rapazes», em que
os aprendizes da Fábrica de Loiça acabaram por ser detidos pela G. N. R., seguindo-se
uma vigília das suas mães e/ou esposa, e uma dura repressão por parte da PIDE. Na
greve evidenciou-se António Ferreira, dito “O Compositor”, consecutivas vezes preso
pela polícia política e que acabou por se tornar um herói da resistência antifascista.
FÁBRICA DE LOIÇA DE SACAVÉM.
16 de Janeiro
A 16 de Janeiro de 1537, os Estudos Gerais da Universidade de Lisboa são
transferidos definitivamente para Coimbra. FACULDADE DE DIREITO DA
UNIVERSIDADE DE COIMBRA.
15 de Janeiro
A 15 de Janeiro de 1432, nasce na Vila de Sintra, D. Afonso V (1432-1481) – O Africano,
filho de D. Duarte (1391-1438) e de D. Leonor de Aragão (1402-1449), que viria a ser
aclamado rei em 9 de Setembro de 1438, embora só tenha iniciado o seu governo em
1448. RETRATO DE D. AFONSO V COM CERCA DE 25 ANOS, por Georg von Ehingen
(1428-1508), cavaleiro da Suábia que esteve no exército de D. Afonso V em Ceuta,
em 1458-59.
14 de Janeiro
A 14 de Janeiro de 1659,tem lugar a Batalha das Linhas de Elvas, travada entre
Portugueses e castelhanos. O exército castelhano, chefiado por Dom Luis Méndez
de Haro y Guzmán, VI marqués de Carpio y II Conde-Duque de Olivares (1598–1661),
era composto por 14 000 infantes, 5 000 cavaleiros, 19 canhões e 3 morteiros de
artilharia. O exército português era comandado por Dom António Luís de Meneses
(1596 ¬1675), 1.º marquês de Marialva e 3.º conde de Cantanhede e integrava apenas
8 000 infantes e 2 900 cavaleiros guarnecidos por 7 canhões. A batalha saldou-se por
uma vitória das tropas portuguesas, tendo o exército espanhol ficado reduzido a cerca
de 5 000l infantes e 300 cavaleiros que fugiram  em direcção a Badajoz. BATALHA DAS
LINHAS DE ELVAS - Água-forte de Dirk Stoop (c. 1610 – 1686). Biblioteca Nacional, Lisboa.
13 de Janeiro
 
A 13 de Janeiro de 1751, é aberta ao culto, na Igreja de S. Roque (finais do séc. XVI),
em Lisboa, a capela de São João Baptista, projecto inicial de Nicola Salvi e Luigi
Vanvitelli, depois alterado com a intervenção do arquitecto-mor João Frederico
Ludovice. Chegou a Lisboa em 1747 e só ficou assente em 1749. Supõe-se que à
época tenha sido a mais cara capela da Europa.
12 de Janeiro
Por Decreto de 12 de Janeiro de 1837, na sequência da reforma do ensino superior
técnico e militar, a Academia Real de Fortificação, Artilharia e Desenho, instituída
em 1770 por D. Maria I (1734-1816), passa a denominar-se "Escola do Exército",
dando mais tarde origem à actual "Academia Militar", sediada no Palácio da Bemposta,
em Lisboa. PALÁCIO DA BEMPOSTA, LISBOA.
11 de Janeiro
A 11 de Janeiro de 1890, o governo britânico, chefiado pelo primeiro-ministro Lord
Salisbury (1830-1903), entrega a Portugal um ultimato, exigindo a retirada das forças
militares chefiadas pelo major Serpa Pinto (1846-1900) do território compreendido
entre as colónias de Moçambique e Angola, zona reclamada por Portugal, que a tinha
incluído no Mapa cor-de-rosa, a partir da Conferência de Berlim, realizada entre 19
de Novembro de 1884 e 26 de Fevereiro de 1885, com a finalidade de regulamentar a
ocupação de África pelas potências coloniais. A cedência de Portugal às exigências
britânicas foi encarada como uma humilhação nacional pelos republicanos portugueses,
que acusaram o governo e o rei D. Carlos I (1863-1908) de serem os seus responsáveis.
O governo caiu e António de Serpa Pimentel (1825-1900) foi nomeado primeiro-
ministro. Portugal ficaria marcado durante décadas por um sentimento de humilhação
nacional e de frustração, patente no Finis Patriae (1890) de Guerra Junqueiro (1850
-1923) e que inspiraria a letra de "A Portuguesa" (1890), composta por Alfredo Keil
(1850-1907). NAÇÃO VALENTE E IMORTAL..." - O Ultimatum visto por Rafael Bordalo
Pinheiro (1846-1905). 
10 de Janeiro
 
A 10 de Janeiro de 1926, nasce, em Lisboa, o pintor português Júlio Pomar
(1926-2018 ). Pertenceu à 3ª geração de pintores modernistas portugueses e os
primeiros anos da sua carreira estiveram ligados à resistência contra o regime
do Estado Novo e à afirmação do movimento neo-realista em Portugal. 
9 de Janeiro
 
A 9 de Janeiro de 1753 nasce em Setúbal, a cantora lírica Luísa Todi (1753-1833),
a meio-soprano portuguesa mais célebre de todos os tempos, elogiada pela
imprensa  nacional e estrangeira, pelas suas as capacidades vocais, o relevo que
dava à expressividade e à emoção na caracterização das personagens que
interpretava, cantando com a maior perfeição em francês, inglês, italiano e
alemão. Cantou em Lisboa pela primeira vez em 1770, estreou-se em 1771 na
corte portuguesa da futura D. Maria I e cantou no Porto entre 1772 e 1777.
No estrangeiro, Londres, Paris, Berlim, Turim, Varsóvia, Veneza, Viena,
São Petersburgo foram algumas das cidades em que Luísa Todi passou longas
temporadas, alcançando assinaláveis êxitos e convivendo de perto com a
aristocracia europeia, como Frederico II da Prússia e Catarina II da Rússia.
Até 1793 andou em tournée pela Europa e foi já com 40 anos de idade que
voltou a Portugal para cantar nas festas da filha primogénita do príncipe
regente, futuro D. João VI. Em 1799 terminou a sua carreira internacional
em Nápoles. RETRATO DE LUÍSA TODI (1785) - Louise Élisabeth Vigée Le Brun
(1785). Óleo sobre tela. Museu da Música, Lisboa.
8 de Janeiro
 A 8 de Janeiro de 1902, suicida-se a tiro de revolver, em Lisboa, Joaquim Augusto
Mouzinho de Albuquerque (1855-1902), oficial de cavalaria e governador colonial
português. Ganhou grande fama em Portugal por ter protagonizado a captura do
chefe vátua Gungunhana,  em Chaimite (1895). Na sequência desta e da vitória
militar em Macontene (1897), os portugueses conseguiram ocupar toda a parte
sul do território moçambicano. RETRATO DE MOUZINHO DE ALBUQUERQUE (1901).
7 de Janeiro

 A 7 de Janeiro de 1355, o rei D. Afonso IV (1291-1357) cede às pressões dos fidalgos
da corte seus conselheiros e aproveitando a ausência de seu filho D. Pedro I
(1320-1367) numa excursão de caça, enviou a Coimbra, Pêro Coelho, Álvaro Gonçalves
e Diogo Lopes Pacheco para matarem D. Inês de Castro (1320/1325-1355), o grande
amor de D. Pedro I. Segundo a lenda, as lágrimas derramadas no rio Mondego pela
morte de Inês teriam criado a Fonte dos Amores na Quinta das Lágrimas e algumas
algas avermelhadas que ali crescem seriam o seu sangue derramado. Inês de Castro
que na época influenciou fortemente a política interna de Portugal, era a aia galega
de Constança Manuel (1318-1345), a falecida mulher de D. Pedro. O assassinato de
Inês de Castro não levou D. Pedro de volta à influência paterna. Contrariamente,
durante alguns meses, D. Pedro revoltou-se contra o pai, apoiado pela nobreza de
Entre Douro e Minho e pelos irmãos de Inês. A paz só aconteceu por vontade expressa
do povo, tendo-se então perdoado mútuas ofensas. Aclamado rei em 8 de Março de
1357, D. Pedro anunciou em Cantanhede, em Junho de 1360, o casamento com
D. Inês, realizado em segredo antes da sua morte, manifestando a sua intenção de a
ver lembrada como Rainha de Portugal. Dois dos assassinos de Inês, Pêro Coelho e
Álvaro Gonçalves foram capturados e executados. A um foi arrancado o coração pelo
peito e ao outro pelas costas, daí que D. Pedro I tenha recebido o cognome de
“O Justiceiro”. Segundo a tradição, D. Pedro teria feito desenterrar o corpo da
amada, coroando-o como Rainha de Portugal e obrigando os nobres a procederem
à cerimónia do beija-mão real ao cadáver, sob ameaça de pena de morte. Depois
mandou esculpir dois túmulos, obras-primas da escultura gótica em Portugal, os
quais foram assentes no transepto da Igreja do Mosteiro de Alcobaça para que no
dia do Juízo Final, os eternos amantes, então ressuscitados, de imediato se vejam.
INÊS DE CASTRO – ESTUDO (1880-1929). Columbano Bordalo Pinheiro (1857-1929).
Óleo sobre tela (55 x 74 cm). Museu de Grão Vasco, Viseu.
6 de Janeiro
A 6 de Janeiro, comemora-se o “Dia de Reis”, que de acordo com a tradição cristã,
terá sido aquele em que o menino Jesus terá recebido a visita dos três Reis Magos,
Belchior, Gaspar e Baltazar. Nesta data, encerram-se os festejos de Natal, sendo o dia
em que são retirados os enfeites natalícios e são desarmados os presépios. ADORAÇÃO
DOS MAGOS, POLÍPTICO DA VIDA DA VIRGEM (1490-1500). Círculo de Gérard David
(c.1460-1523). Óleo sobre madeira de carvalho (186 x 93 cm). Museu de Évora.
5 de Janeiro
A 5 de Janeiro de 1876, começa a construção da Ponte D. Maria Pia, a primeira ponte
ferroviária a unir as duas margens do rio Douro, entre Vila Nova de Gaia e o Porto,
a qual viria a ser inaugurada a 4 de Novembro de 1877, em cerimónia presidida
pelo rei D. Luís I (1838-1889) e pela rainha D. Maria Pia (1847-1911). A estrutura
metálica apresenta um tabuleiro com 352 metros de extensão e sob ele, um arco
de forma biarticulada, com 160 metros de corda e 42,60 metros de flecha. A altura
medida a partir do nível das águas, é de 61 metros. A ponte foi projectada pelo Eng.º
Théophile Seyrig (1843-1923) e edificada entre 5 de Janeiro de 1876 e 4 de Novembro
de 1877 pela empresa Eiffel Constructions Métalliques, da qual era sócio com Gustave
Eifell (1832-1923). A empresa teve que recorrer a métodos revolucionários para a época,
uma vez que era o maior vão construído até essa data, dada a largura do rio e as
dimensões das escarpas envolventes. Na obra trabalharam permanentemente 150
operários que utilizaram 1.600 toneladas de ferro. A ponte, de uma só linha, integrou
a linha do Norte até 1991, ano em que foi desactivada, face à entrada em serviço da
Ponte de S. João. À Ponte D. Maria Pia foram outorgadas as seguintes distinções:
- 1982: Classificada como Monumento Nacional pelo IGESPAR; - 1990: Classificada
como Internacional Historic Civil Engineering Landmark pela American Society of
Engineering (ASCE); - 2013: Considerada pelo jornal The Guardian como uma das 10
mais belas pontes do mundo. PONTE D. MARIA PIA, IN DIÁRIO ILUSTRADO, 1877, 3 NOV.
4 de Janeiro
  A 4 de Janeiro de 1248, morre exilado e sem poder, em Toledo, no Reino de Castela,
D. Sancho II (1209-1248), o “Capelo”, rei português deposto pelo Papa Inocêncio IV
(c. 1195-1254), com a acusação de que o povo português mostrava aversão pela sua
falta de moral e tirania.
3 de Janeiro
Passam hoje 60 anos sobre a famosa fuga do Forte de Peniche, uma das prisões de
mais alta segurança do Estado Novo, protagonizada a 3 de Janeiro de 1960 por Álvaro
Cunhal, Carlos Costa, Francisco Martins Rodrigues, Francisco Miguel, Guilherme Carvalho,
Jaime Serra, Joaquim Gomes, José Carlos, Pedro Soares e Rogério de Carvalho. Esta fuga,
uma das mais espectaculares evasões de toda a história do fascismo, marca o início do
exílio de Álvaro Cunhal até ao 25 de Abril. Gravura de Margarida Tengarrinha, baseada
num esboço de Álvaro Cunhal.
2 de Janeiro
 A 2 de Janeiro de 1770 é instituída pela Rainha D. Maria I (1734-1816) por Carta de
Lei datada de 2 de Janeiro de 1790, a Academia Real de Fortificação, Artilharia e
Desenho (ARFAD), com o objectivo de formar oficiais engenheiros militares, bem
como oficiais de outras armas do Exército. Inicialmente, a ARFAD foi instalada no
edifício do Arsenal Real do Exército, transitando sucessivamente para o Palácio da
Regência, para o Palácio do Calhariz e para o antigo Colégio da Cotovia. Na sequência
da reforma do ensino superior técnico e militar, por Decreto de 12 de Janeiro de 1837,
a ARFAD sofreu uma profunda reforma, passando a denominar-se "Escola do Exército",
dando mais tarde origem à actual "Academia Militar", sediada no Palácio da Bemposta,
em Lisboa. ANTIGA SEDE DA REAL ACADEMIA DE ARTILHARIA, FORTIFICAÇÃO
E DESENHO. 
1 de Janeiro
 
 A 1 de Janeiro de 1669, o papa Clemente IX (1600-1669) reconhece a Restauração da
Independência de Portugal, graças à acção do Padre António Vieira (1608-1697),
confessor de D. João IV (1604-1656) e por este nomeado embaixador de Portugal
junto à Santa Sé, para advogar a causa da independência. COROAÇÃO DE D. JOÃO IV
(1908). Quadro de Veloso Salgado (1864-1945). Óleo sobre tela (325 x 285 cm). Museu 
Militar (Sala Restauração), Lisboa.



















































































































31 de Janeiro
Ao início da madrugada de 31 de Janeiro de 1891, eclode uma revolta republicana
No Porto, sendo proclamada a República, na varanda da Câmara Municipal. A revolta
surgiu como reacção às cedências do Governo (e da Coroa) ao ultimato britânico de
1890 por causa do Ma pa Cor-de-Rosa, que pretendia ligar, por terra, Angola a
Moçambique. Cerca das 10 horas da manhã, os revoltosos são forçados render-se. A
efeméride foi todavia um marco importante na luta pela implantação da República
em Portugal. 31 DE JANEIRO, PROCLAMAÇÃO DA REPÚBLICA NO PORTO – 1891.
Gravura de Bertrand Dete (?-?), in A Ilustração, Paris 1891, vol. 3, p. 73. Biblioteca
Nacional, Lisboa.