Exposição ARTES DO VAGAR - Colecção Hernâni Matos
ARTES DO VAGAR / COLECÇÃO HERNÂNI MATOS
ARTES DO VAGAR: Ora agora falo eu!
ARTES DO VAGAR: O saber-fazer de há 44 anos atrás
Palavras do Presidente da Câmara Municipal de Estremoz
O recolector - Francisca de Matos
EXPOSIÇÃO "ARTES DO VAGAR" - Francisco Ramos
Artes do Vagar e Mestres do Saber-fazer / 1 – MANUEL ANTÓNIO CAPELINS
Artes do Vagar e Mestres do Saber-fazer / 2 - TERESA SEROL GOMES
Artes do Vagar e Mestres do Saber-fazer / 3 - MIGUEL SEROL GOMES
Artes do Vagar e Mestres do Saber-fazer / 4 - JOAQUIM CARRIÇO ROLO
Artes do Vagar e Mestres do Saber-fazer / 5 - JOSÉ CARRILHO TRONCHO (1910-2003)
Artes do Vagar e Mestres do Saber-fazer / 6 - ROBERTO CARREIRAS (1930-2017)
Artes do Vagar e Mestres do Saber-fazer / 8 - NATÁLIA SIMÕES (1924 - 2012)
Após a aposentação dedicou-se aquilo a
que chamava “pintura judaica” e que lhe foi sugerida pelo seu marido, o
professor Aníbal Falcato Alves, intelectual polifacetado, que dedicou parte da
sua vida à recolha de tradições da região Alentejo, entre elas as artes
populares. Foi ele que recolheu um exemplar daquilo que é designado por “pintura
judaica”, uma tipologia de arte popular alentejana cuja origem se perde na
lonjura dos tempos. Depois de estudar o modo como o mesmo tinha sido executado,
sugeriu a Natália o procedimento a seguir, visando recuperar e preservar a
antiga tradição. Natália correspondeu ao desafio e recuperou a arte
tradicional. Trata-se de uma pintura em vidro, na qual primitivamente, o vidro
era pintado com betume judaico, sobre o qual era desenhado minuciosamente a
lápis de carvão, o contorno do motivo decorativo. O interior desse contorno era
seguidamente raspado, sobrepondo-se então papel de prata às zonas raspadas, as
quais conferiam ao conjunto um aspecto de requintada peça de ourivesaria. Mais
tarde, substituiu o uso do papel de prata pela pintura das zonas raspadas com
tintas de outras cores. De resto, numa natural evolução, também a pintura com
betume judaico viria a ser substituída pela pintura com spray.
A recolha etnográfica do marido fora o
ponto de partida para a descoberta e para tudo o que se lhe seguiu, pois a
Natália, criadora nata, revolucionou este tipo de trabalho artístico,
catapultando-o à dimensão daquilo que sem ela não seria sequer imaginável.
Num texto de 1965, intitulado “VIDRO
RENDILHADO”, o escritor neo-realista e médico Fernando Namora, referindo-se ao
trabalho de Natália, disse com precisão cirúrgica: “Nestas mãos pacientes,
que rendilham a superfície fosca e árida do vidro como se de bordados de oiro
ou prata se tratasse, reaviva-se uma tradição artesanal e espelha-se o Alentejo
onde o tempo modera o seu frenesi, contido pela charneca lânguida, espreguiçada,
que dissolve a alucinação das vidas e empresta aos gestos um labor alentejano
saboreado. O tempo, pois, não conta para estas mãos minuciosas, mãos
alentejanas, que corrigem a placidez dos dias com uma arte de imaginação
opulenta, recreada em filigranas e arabescos, a destoar, como um protesto da
severidade do ambiente.”
Natália Simões participou nas feiras de
artesanato de Estremoz desde 1983 e realizou exposições em Estremoz, Monforte,
Pavia e Festa do Avante.
(Jornal E nº 389, de 30-10-2026)
zoomórfica, polícroma com prata em fundo negro. Moldura elíptica. 71 x 46,5 cm.
Conceição, com cercadura de decoração fitomórfica e encimada pelo Sol. Decoração
polícroma com prata em fundo negro. Moldura quadrada. 44 x 44 cm.
uma cercadura com decoração fitomórfica e geométrica, no centro da qual
um “putti” configura pôr uma coroa de flores na cabeça de outro. Em






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