sexta-feira, 30 de outubro de 2026

Turismo em perspetiva / Os Bonecos de Estremoz

 

André Lopes


Transcrito com a devida vénia do
jornal E nº389,
de 30 de Outubro de 2026

O património cultural é uma parte essencial da identidade de qualquer território. Preservá-lo é importante, mas encontrar formas de o valorizar, divulgar e transmitir às gerações futuras é igualmente fundamental.

Nos últimos tempos, tenho dedicado particular atenção ao património cultural imaterial e às oportunidades que este pode representar para o desenvolvimento turístico dos territórios. É impossível pensar nesta temática sem olhar para Estremoz e para os seus Bonecos, uma arte secular reconhecida pela UNESCO como Património Cultural Imaterial da Humanidade, em 2017.

Este reconhecimento é motivo de orgulho para Estremoz e evidencia a importância de continuar a preservar e divulgar uma tradição que faz parte da identidade do concelho. O trabalho desenvolvido em torno deste património é fundamental, mas a sua riqueza permite-nos também refletir sobre novas formas de o aproximar da comunidade e de quem nos visita.

Neste contexto, as Festas da Exaltação da Santa Cruz, em setembro, poderão constituir uma oportunidade para reforçar a presença dos Bonecos de Estremoz na programação cultural da cidade. A possibilidade de criar um espaço especialmente dedicado a esta arte, articulado com as iniciativas já existentes, permitiria dar maior visibilidade aos barristas, às suas peças e aos saberes que lhes dão vida.

Mais do que um espaço de exposição e venda, uma iniciativa desta natureza poderia incluir demonstrações de modelação, oficinas, conversas com os artesãos e atividades dirigidas aos mais novos. Seria uma forma de proporcionar aos visitantes um contacto mais próximo com esta tradição e de despertar o interesse das novas gerações.

A valorização do património cultural imaterial exige continuidade, criatividade e cooperação entre os diferentes agentes locais. Quando cultura e turismo se articulam, surgem oportunidades para enriquecer a experiência de quem visita o território, apoiar os artesãos e reforçar a identidade local.

Os Bonecos de Estremoz são muito mais do que peças de barro, representam conhecimentos, histórias e saberes transmitidos ao longo de gerações. Continuar a encontrar formas de os dar a conhecer é contribuir para que esta herança permaneça viva e continue a fazer parte do futuro da cidade.

Porque valorizar o património é também criar oportunidades para que aquilo que nos diferencia continue a ser conhecido, apreciado e transmitido às gerações futuras.

André Lopes

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