Transcrito com a devida vénia do
O património cultural é uma parte
essencial da identidade de qualquer território. Preservá-lo é importante, mas
encontrar formas de o valorizar, divulgar e transmitir às gerações futuras é
igualmente fundamental.
Nos últimos tempos, tenho
dedicado particular atenção ao património cultural imaterial e às oportunidades
que este pode representar para o desenvolvimento turístico dos territórios. É
impossível pensar nesta temática sem olhar para Estremoz e para os seus
Bonecos, uma arte secular reconhecida pela UNESCO como Património Cultural
Imaterial da Humanidade, em 2017.
Este reconhecimento é motivo de
orgulho para Estremoz e evidencia a importância de continuar a preservar e
divulgar uma tradição que faz parte da identidade do concelho. O trabalho
desenvolvido em torno deste património é fundamental, mas a sua riqueza permite-nos
também refletir sobre novas formas de o aproximar da comunidade e de quem nos
visita.
Neste contexto, as Festas da
Exaltação da Santa Cruz, em setembro, poderão constituir uma oportunidade para
reforçar a presença dos Bonecos de Estremoz na programação cultural da cidade.
A possibilidade de criar um espaço especialmente dedicado a esta arte,
articulado com as iniciativas já existentes, permitiria dar maior visibilidade
aos barristas, às suas peças e aos saberes que lhes dão vida.
Mais do que um espaço de
exposição e venda, uma iniciativa desta natureza poderia incluir demonstrações
de modelação, oficinas, conversas com os artesãos e atividades dirigidas aos
mais novos. Seria uma forma de proporcionar aos visitantes um contacto mais
próximo com esta tradição e de despertar o interesse das novas gerações.
A valorização do património
cultural imaterial exige continuidade, criatividade e cooperação entre os
diferentes agentes locais. Quando cultura e turismo se articulam, surgem
oportunidades para enriquecer a experiência de quem visita o território, apoiar
os artesãos e reforçar a identidade local.
Os Bonecos de Estremoz são muito
mais do que peças de barro, representam conhecimentos, histórias e saberes
transmitidos ao longo de gerações. Continuar a encontrar formas de os dar a
conhecer é contribuir para que esta herança permaneça viva e continue a fazer
parte do futuro da cidade.
Porque valorizar o património é
também criar oportunidades para que aquilo que nos diferencia continue a ser
conhecido, apreciado e transmitido às gerações futuras.
André Lopes
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