terça-feira, 15 de setembro de 2026

Bonecos de Estremoz lilliputeanos

 

Fig. 1 -  Sargento. Oficinas de Estremoz de finais do séc. XIX.
8,7 cm de altura. Colecção Hernâni Matos.


No reino de Lilliput

O reino de Lilliput é uma ilha fictícia e o primeiro destino visitado pelo personagem principal Lemuel Gulliver no famoso romance satírico As Viagens de Gulliver, publicado em 1726 pelo escritor irlandês Jonathan Swift (1667-1745).

Nessa ilha, Gulliver é confrontado com uma população de pessoas minúsculas, com menos de seis polegadas de altura (cerca de 15 cm), chamadas lilliputeanos, que o tomaram por gigante.

Tudo o que é pequeno tem graça

Seja por convicção veiculada pelo adágio de que “Tudo o que é pequeno tem graça”, seja pela maior facilidade de arrumação por parte de coleccionadores, visto ocuparem menos espaço, o que é verdade é que existem no Figurado de Estremoz, exemplares que podem muito legitimamente ser designados por Bonecos de Estremoz lilliputianos [1]. Para tal, basta não ultrapassarem os 15 cm de altura.

O exemplar mais antigo que tenho na minha colecção é um Sargento. Oficinas de Estremoz de finais do séc. XIX, com 8,7 cm de altura (Fig.1).

Entre os mais recentes e todos da autoria das Irmãs Flores, destaca-se um Lanceiro com 9 cm de altura da autoria de Perpétua Sousa (1958- ), o qual ostenta na base a marca manuscrita TeTA / 23-1-1985 [2], distribuída por duas linhas, gravada no barro há 41 anos. Como o tempo passa depressa.

De salientar que a modelação de figuras minúsculas em barro exige bastante do sistema neuromuscular, nomeadamente uma enorme destreza manual e uma enorme coordenação motora fina, a que há que juntar uma coordenação excepcional entre a visão e o tacto.

Um Boneco de Estremoz liliputiano exige menos barro para ser modelado, mas em contrapartida exige mais tempo e cuidado na sua execução, pelo que o seu custo de produção tem que ser necessária e compreensivelmente valorizado.

Hernâni Matos



[1] Os Bonecos de Estremoz lilliputeanos aqui apresentados pertencem ao núcleo central do Figurado de Estremoz. Todavia, há outras tipologias de Bonecos de Estremoz com dimensões que os levam a considerar lilliputeanos. Caso dos ganchos de meia, figuras de pregador, figuras de Presépio de maquineta e,figuras de assobio de alguns barristas de Estremoz.

[2] Esta marca não integra o inventário das marcas de autor dos bonequeiros de Estremoz patente no meu livro Bonecos de Estremoz. Edições Colibri. Póvoa de Varzim e Estremoz, Outono de 2018. Foi descoberta recentemente pelo meu amigo Joaquín Morales Leyva, um coleccionador, barrista e pescador à linha na internet de Figurado de Estremoz, discípulo de Mestre Jorge da Conceição e tudo. O Joaquín comprou um lote de Bonecos de Estremoz lilliputeanos com aquela marca e teve a gentiliza de me oferecer um deles, o que muito me congratulou e esteve na origem do presente texto. Sobre o Joaquín já publiquei neste blogue o texto Bonecos de Estremoz, de Joaquín Morales Leyva , cuja leitura sugiro. 

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Fig. 2 - Lanceiro. Perpétua Sousa (1958-    ). 9 cm de altura.
Colecção Hernãni Mato
s.

2 comentários:

  1. Amigo Hernâni
    Muito interessante esta publicação. Será que o universo dos liliputeanos é vasto? Ainda se continuam a fazer?
    Sugiro uma adenda à sua tipologia incluindo bonecos de presépio. Tenho um presépio atribuido a Estremoz cujas figuras
    Abraço secundárias não excederão os 4cm

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  2. Já acrescentei "figuras de Presépio de maquineta", pois entretanto tinha-me lembrado ter cá em casa 2 maquinetas com figuras lilliputeanas de Estremoz. De qualquer modo, obrigado pelo reparo despoletado pelo seu olhar atento, sempre bem recebido. Bem haja. Um grande abraço para si.

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