domingo, 14 de julho de 2019

Jorge da Conceição: Bonecos de Estremoz


Jorge da Conceição (1963- ). Fotografia de 2014.

CRÉDITOS FOTOGRÁFICOS
Jorge da Conceição 

Nasceu a 24 de Outubro de 1963 na Rua Brito Capelo, nº 33, freguesia de Santo André, em Estremoz. Filho legítimo de Octávio Varela Dias Palmela, comerciante, e de Maria Luísa Banha da Conceição Palmela, doméstica, que se viria a tornar barrista. É, pois, filho da barrista Maria Luísa da Conceição (1934-2015), neto dos barristas Mariano da Conceição (1903-1959) e Liberdade da Conceição (1913-1990) e sobrinho de Sabina da Conceição Santos (1921-2005), irmã de Mariano (3). Filho e neto de peixes sabe nadar, pelo que Jorge da Conceição estava condenado a ser barrista, tomando contacto com o barro desde criança e criando apetência pela manufactura de Bonecos como via fazer à avó e à mãe. Foi assim que aprendeu as técnicas e a arte de modelar o barro, manufacturando Bonecos enquanto estudava, até à idade de 21 anos. Na juventude, participou em várias exposições colectivas em Portugal e vendeu peças a coleccionadores particulares e ao Museu Municipal de Estremoz.
Frequentou a Escola Secundária de Estremoz desde 1975, tendo concluído em 1981 o 12º ano de Escolaridade do 1º Curso – Via ensino, com a média de 19,3 valores (4). Ingressou então no Instituto Superior Técnico onde se viria a licenciar em Engenharia Electrónica e de Computadores – Variante de Electrónica e Telecomunicações. Terminada esta, iniciou uma carreira profissional na área de consultoria que durou 25 anos e o manteve afastado da modelação do barro. Porém, a chamada do barro, que transporta na massa do sangue, levou-o em 2013 a dedicar-se exclusivamente à barrística. Tem ateliê em Estremoz na Rua Brito Capelo nº35, bem como no Largo do Andaluz nº 2, em Lisboa.
Tive o privilégio de ser Professor de Física de 12º ano de Jorge da Conceição e desde essa época que o vejo como um perfeccionista que procura dar o melhor de si próprio em tudo aquilo que faz, o que se reflecte não só na concepção como nos acabamentos das figuras que modela. Bem ilustrativo do seu pensamento e da sua prática barrística é o depoimento concedido ao jornal E de Estremoz, nº117, de 4 de Dezembro de 2014 (1). Referindo-se aos Bonecos de Estremoz, Jorge da Conceição considera que: “As peças são todas elas diferentes porque têm a ver com o estilo artístico de cada um. Uns têm mais habilidade que outros, uns arriscam mais e outros são mais tradicionais e mais comerciais e tentam repetir
as peças que fizeram. Existe a barrística naquilo que é a sua forma de fazer e nos materiais usados e existe o resultado final que é aquilo que cada artesão põe de si”. Lançou ainda o desafio de “entender o que é o Boneco de Estremoz”, acrescentando: “Existe muita tendência de pensar que o boneco de Estremoz é um conjunto de figuras dos anos quarenta que sistematizaram e que a partir daí foram feitas réplicas de uma forma inesgotável. Hoje em dia há muito mais figuras, mas às vezes, quando se fazem figuras um bocadinho diferentes, as pessoas dizem que já não é boneco de Estremoz porque já não é o pastor nem a ceifeira”. Concluiu, dizendo que “não se pode rejeitar estas figuras só porque não têm essas formas mais naif de fazer os Bonecos de Estremoz. Nós estamos no século XXI, o boneco está vivo, vai evoluindo e evolui com aquilo que cada artista acrescenta”. Estou inteiramente de acordo com ele. Sem se afastar da produção ao modo de Estremoz, o perfeccionismo de Jorge da Conceição e a que ele tem direito como marca das sua identidade, implica uma confecção mais complexa e morosa do que os espécimens doutros barristas. Para além disso, e já não é pouco, corresponde, em termos de imaginário do seu criador, a uma ruptura com aquilo que vinha sendo feito, elevando assim a nossa barrística a um novo patamar. É caso para dizer que com este barrista ocorrem frequentemente mudanças de paradigma,
que apraz registar e valorizar.
Não será despropositado recorrer aqui ao sociólogo Álvaro Borralho, que, no artigo “Bonecos de Estremoz: não há identidades puras”, publicado no Jornal E nº 199, de 3 de Maio de 2018 (2), conclui a determinado passo: “E os Bonecos de Estremoz não escapam a esta lógica: não há uma identidade dos bonecos, há identidades (no plural), quer dizer, tendências diversas, várias visões, concepções e estratégias para as quais concorrem diversos agentes que não só os barristas”.
Jorge da Conceição participou até ao presente nas seguintes exposições e eventos: - Julho de 1983 - 1ª Feira de Arte Popular e Artesanato Artesanato do Concelho de Estremoz; - Dezembro 2013 - VII Exposição de Presépios de Artesãos do Concelho de – Estremoz; - Janeiro 2014 - Exposição de Barrística de Jorge da Conceição (Estremoz); - Junho 2014 - FIA 2014 (Lisboa); Julho 2014 - 1º Prémio do Concurso de Artesanato
Tradicional - FIA 2014 (Lisboa) com a peça “Fado”; - Julho 2014 - Exposição temática sobre a Rainha Santa Isabel (Estremoz); - Novembro 2014 - VIII Exposição de Presépios de Artesãos do Concelho de Estremoz; - Junho 2015 – FIA 2015 (Lisboa); Julho de 2015 - Exposição “Os Artesãos de Estremoz e o Apóstolo Santiago” (Estremoz); - Dezembro 2015 - IX Exposição de Presépios de Artesãos do Concelho de Estremoz; - Abril de 2016 - Exposição “500 Anos da Beatificação da Rainha Santa Isabel” (Estremoz); - Junho 2016 - FIA 2016 (Lisboa); - Junho 2016 - Menção Honrosa - FIA 2016 (Lisboa) com a peça “Presépio - Adoração dos Reis Magos”; - Julho 2016 - RAÍZES - Jorge da Conceição (Fátima); - Novembro 2016 - X Exposição de Presépios de Artesãos do Concelho de Estremoz; - Dezembro 2016 - A Arte dos Presépios (Montijo); Março 2017 - Figurado de Estremoz por Jorge da Conceição (Museu de Arte Sacra da Covilhã); - Novembro de 2017- XI Exposição de Presépios de Artesãos de Estremoz (Estremoz); - Abril de 2018 - Exposição “Figurado de Estremoz” (Estremoz); - Maio de 2018 - Exposição “Figurado de Estremoz de Jorge da Conceição” - Museu de Ovar (Ovar); - Junho de 2018 - FIA 2018 (Lisboa).

BIBLIOGRAFIA
1 - Bonecos de Estremoz / Proposta nas mãos da “Cultura” in jornal E, nº117, 04/12/2014. Estremoz, 2014 (pág. 5).
2 - BORRALHO, Álvaro. Bonecos de Estremoz: não há identidades puras in Jornal E nº 199, 03/05/2018. Estremoz, 2018 (pág. 15).
3 - Jorge Manuel da Conceição Palmela – Assento de Nascimento Informatizado nº 5493 de 2008, da Conservatória do Registo Civil de Estremoz.
4 - Jorge Manuel da Conceição Palmela – Processo Individual de aluno nº 4280, no Arquivo da Escola Industrial António Augusto Gonçalves e sucessoras.


 Presépio de trono ou altar. Jorge da Conceição.

  Nossa Senhora do Ó. Jorge da Conceição.

  Santo António. Jorge da Conceição.

  Rainha Santa Isabel. Jorge da Conceição.

Senhor dos Passos. Jorge da Conceição.

 Primavera de arco. Jorge da Conceição.

 Bailadeira. Jorge da Conceição.

 Amor é cego. Jorge da Conceição.

Vitória de Estremoz. Jorge da Conceição.
  
 Pastor de tarro e manta. Jorge da Conceição.

Ceifeiro. Jorge da Conceição.
  
Aguadeiro. Jorge da Conceição.
  
 Leiteiro. Jorge da Conceição.

 Mulher das castanhas. Jorge da Conceição.

Barrista a modelar Bonecos de Estremoz. Jorge da Conceição. Figura modelada
em homenagem ao avô Mariano da Conceição (1903-1959), que nos anos 30 do
séc. XX e na peugada de Ana das Peles [Ana Rita da Silva (1870-1945)], ficou
indissociavelmente ligado à  recuperação dos Bonecos de Estremoz na Escola
Industrial António Augusto Gonçalves, graças à iniciativa do seu director, José
Maria de Sá Lemos (1892-1971). Trabalho inspirado em fotografia de Rogério de
Carvalho (1915-1988), datada dos anos 40 do séc. XX.

Barrista a pintar Bonecos de Estremoz. Jorge da Conceição. Figura confeccionada em
homenagem à avó Liberdade da Conceição (1913-1990), barrista que participou na
Exposição do Mundo Português, em 1940. Trabalho inspirado em imagens do filme
“A Grande Exposição do Mundo Português (1940)”, de António Lopes Ribeiro. 

 Mulher a lavar a roupa. Jorge da Conceição.

Mulher a passar a ferro. Jorge da Conceição.

 Senhora a servir o chá. Jorge da Conceição.

 Senhora ao toucador. Jorge da Conceição.

Galo no poleiro (apito). Jorge da Conceição.
  
Cesta de ovos (apito). Jorge da Conceição.

 Galinha no choco (apito). Jorge da Conceição.

Fado. Jorge da Conceição. Figura composta a que foi atribuído o 1º Prémio do
Concurso de Artesanato Tradicional na Feira Internacional de Lisboa (FIA), em 2014.

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