quarta-feira, 10 de julho de 2019

Ou há moralidade ou comem todos!


Edifício-sede da CGD, em Lisboa.


CARTA ABERTA AO CEO DA CGD


Ex.mo Senhor
Presidente da Comissão Executiva da CGD
O signatário:
- Tem 72 anos de idade e é cliente da CGD desde os 18 anos;
- É coleccionador de tudo o que tem a ver com a identidade cultural alentejana e o registo da memória colectiva de Estremoz, os quais há largos anos vem adquirindo e acumulando a expensas suas;
- Pensa ser do interesse público que as suas colecções estejam expostas para que possam ser fruídas pela comunidade. Tal exige a existência de um espaço público para o fazer, o qual reúna as condições por si julgadas adequadas a um Museu;
- Tem conhecimento que a CGD tem à venda no mercado, as antigas instalações da delegação da CGD no Rossio Marquês de Pombal, em Estremoz. As mesmas ocupam uma área de 338 m2 e foram postas à venda por 405.000 euros;
- Apesar de ter interesse nas referidas instalações, não tem disponíveis meios financeiros que lhe permitam concretizar a sua aquisição;
- É conhecido como rica pessoa, possuidor de vastos bens de natureza imaterial, dos quais sobressaem entre muitos outros, a honradez, o carácter e a verticalidade. Daí que venha solicitar que a CGD lhe conceda um empréstimo daquele montante, visando comprar o imóvel à própria CGD, dando como garantia o próprio imóvel. Trata-se de um tipo de operação de crédito que não constitui novidade, uma vez que já foi praticada anteriormente pela CGD. De resto, a ser concedido o empréstimo para a referida aquisição e dadas as práticas anteriores da Câmara Municipal, crê ser possível celebrar com a mesma um protocolo, o qual assegure que as despesas de funcionamento do Museu são da responsabilidade da Câmara Municipal;
- A ser bem sucedido na concessão do empréstimo para a aquisição do imóvel e na celebração do protocolo que lhe assegure o funcionamento do Museu a custo zero, vai apresentar um projecto de financiamento aos fundos comunitários, o qual lhe permitirá pagar o empréstimo agora solicitado;
- A não ser bem sucedido o pedido de financiamento aos fundos comunitários, o que espera não vir a acontecer, a CGD não fica a perder. É que vem a receber o imóvel que lhe foi dado como garantia no acto de compra desse mesmo imóvel a si própria. Apenas perde os juros do empréstimo, perda que poderá ser encarada como uma operação de mecenato cultural mal sucedida.
Com vista à concessão do empréstimo solicitado, o signatário informa que:
- Não é cliente de qualquer outra instituição bancária nacional ou estrangeira e não tem depósitos bancários em paraísos fiscais;
- Não é Comendador e o único título que usa é o de Professor, uma vez que exerceu o magistério professoral durante 36 anos consecutivos;
- Não é devedor à Banca, ao Fisco ou a qualquer entidade pública ou privada;
- Não tem qualquer Fundação com estatutos, atrás dos quais se possa entrincheirar e blindar para não pagar aquilo que deve;
- Não tem advogado nem escritório de advogado que, para o bem e para o mal, o aconselhem sobre o que deve, ou não, fazer e dizer.
Na expectativa da sua prezada resposta à minha solicitação, queira ser recebedor dos meus melhores cumprimentos.
Hernâni Matos
Estremoz, 7 de Julho de 2019

(Texto publicado no jornal E nº 227, de 11-07-2019)
No jornal, o texto foi truncado e omitida no início
a frase: "O signatário"  

Sem comentários:

Enviar um comentário