quarta-feira, 18 de junho de 2014

Carta a um camarada

José Coelho Ribeiro


Coelho Ribeiro:

É com muito gosto que aceito o seu pedido de amizade no Facebook, já que é um prolongamento natural da nossa amizade, a qual é real e anterior à existência de redes sociais.
Conheço-o e admiro-o desde o tempo da tristemente célebre coligação PS-PSD no Município, em que havia dois PS em Estremoz: o da Câmara liderada por Primo Carrapiço e o da Assembleia Municipal, da qual você foi Presidente com coluna vertebral, em colisão e confronto natural com o primeiro, conjuntamente com outros autarcas socialistas, como Francisco Rodrigues.
As actas da Assembleia Municipal dessa época são exemplo dum parlamentarismo local independente, que se recusava a ser cúmplice e a pactuar com o autoritarismo do Presidente da edilidade.
Naquela sala, que foi Biblioteca do extinto Convento da Congregação do Oratório de São Filipe Nery, foram escritas a letras de ouro, páginas do nosso melhor parlamentarismo local, que a meu ver, atingiu nessa época, um pico de particular e vigorosa intensidade.
A Assembleia Municipal fazia uso frequente da sua competência para acompanhar e fiscalizar a actividade da Câmara, de tal modo que numa célebre sessão de 1987, houve unanimidade de todas as bancadas no sentido de exigir que a Câmara cumprisse acordos assumidos. Apenas seis Presidentes de Junta, todos eles da coligação PS-PSD, roeram a corda.
A Assembleia não estava manietada e as diversas forças políticas dialogavam para além das sessões. Dessa época e a talhe de foice, relembro-me, para além de si, de notáveis intervenções de parlamentares como Aníbal Alves, António Simões, Francisco Rodrigues, José Mário Gaspar e José Sena.
Você era e é um “animal político” com faro para as “maroscas”, caldeado pela experiência anterior como Presidente da Câmara Municipal do Fundão. Era e é um homem respeitado, do qual os oportunistas fogem como o diabo da cruz.
Temos sido companheiros de estrada e continuaremos a ser, apesar de geneticamente eu não ser socialista. Todavia somos ambos da natureza de não nos rendermos e mostramos apetência militante por caminhadas conjuntas, que potenciam a força das massas, que por enquanto não sabem a força que têm. Até que um dia…