sexta-feira, 11 de junho de 2010

Provérbios de Junho


MAIO - Iluminura do “Livro de Horas do Duque de Berry” (Século XV), manuscrito
com iluminuras dos irmãos Paul, Jean et Herman de Limbourg, conservado no
Museu Condé, em Chantilly, na França.


- A água de Junho, bem chovidinha, na meda faz farinha.

- A cortiça em Junho sai a punho, em Agosto a mascoto.

- Abril chuvoso, Maio ventoso e Junho amoroso, fazem um ano formoso.

- Água de S. João tira o vinho e não dá pão.

- Ande o Verão por onde andar, no S. João há-de chegar.

- Ande o Verão por onde andar, pelo S. João cá vem parar.

- Ande onde andar o Verão, há-de vir no S. João.

- As cerejas são alegres à vista e tristes ao coração.

- Até ao S. Pedro, o vinho tem medo.

- Até S. Pedro, há o vinho medo.

- Cerejas e más fadas, cuidais tomar poucas e vêm dobradas.

- Chovam trinta maios e não chova em Junho.

- Chovam trinta Maios, mas não chova em Junho.

- Chuva de Junho, peçonha do mundo.

- Chuva junhal, fome geral.

- Chuva no S. João, bebe o vinho e come o pão.

- Chuva no S. João, talha o vinho e não dá pão.

- Chuva pelo S. João, bebe o vinho e come o pão.

- Dezembro com Junho ao desafio, traz Janeiro frio.

- Dia de S. Barnabé, seco a cesto e a punho.

- Em Junho, foicinha em punho.

- Em Junho, frio como punho.

- Em Maio, as cerejas uma a uma leva-as o gaio; em Junho a cesto e a punho.

- Favas das mais caras, cerejas das mais baratas.

- Favas, as primeiras; cerejas, as últimas.

- Feno, alto ou baixo, em Junho é segado.

- Galinhas de S. João, pelo Natal poedeiras são.

- Galinhas pelo S. João no Natal ovos dão.

- Guarda pão para Maio, lenha para Abril e o melhor tição para o S. João.

- Junho calmoso, ano formoso.

- Junho chuvoso, ano perigoso.

- Junho dorme-se sobre o punho.

- Junho floreiro, paraíso verdadeiro.

- Junho não dá nada; mata a fome com a cevada.

- Junho quente, Julho ardente.

- Junho, dorme-se sobre o punho.

- Junho, foicinha em punho.

- Junho, Julho e Agosto, senhora não sou vosso.

- Lavra pelo S. João e terás palha e pão.

- Lavra pelo São João se queres ter palha e pão.

- Lavra pelo São João, se queres haver pão.

- Lavra por S. João, se queres haver pão.

- Lavra por S. João, se queres ter pão.

- Maio engrandecer, Junho ceifar, Julho debulhar.

- Maio frio e Junho quente: bom pão, vinho valente.

- Maio frio, Junho quente, bom pão, vinho valente.- Maio pardo, Junho claro.

- O milho pelo São João deve cobrir um cão.

- O sol de Junho madruga muito.

- Ouriços no S. João, são do tamanho dum botão.

- Para Junho guarda um toco e uma pinha, e a velha que o dizia guardados os tinha.

- Para o S. João, guarda a velha o melhor tição.

- Pelo S. João a sardinha pinga no pão.

- Pelo S. João deve o milho cobrir o chão.

- Pelo S. João, deve o milho cobrir o rabo do cão.

- Pelo São João, foice na mão.

- Pelo São Pedro vai ao arvoredo; se vires uma, conta um cento.

- Pintos de S. João pela Páscoa ovos dão.

- Quando Jesus se encontra com João, até as pedras dão pão.

- Quando o troque troqueleja, já a cereja vermelheja.

- Quando o vento ronda o mar na noite de S. João, não há Verão.

- Quando se junta Jesus com João, em cima de pedra dá pão.

- Quem em Junho não descansa, enche a bolsa e farta a pança.

- Quem quiser bom melão, semeia-o na manhã de São João.

- Sardinha de S. João, já pinga no pão.

- Se o vento bailar, em noite de S. João, vai tardar o Verão.

- Se queres ter pão, lavra pelo São João.

- Sol de Junho madruga muito.


quinta-feira, 10 de junho de 2010

Junho, mês das colheitas


JÚPITER E JUNO - obra do pintor barroco Annibale Carracci (1560-1609),
pintada em 1597 , Galeria Farnese, Roma.

O mês de Junho entronca a sua designação na deusa romana Juno (Hera na mitologia grega), rainha dos deuses, mulher de Júpiter, deus romano do dia, identificado como Zeus, na mitologia grega.
Junho tem 30 dias e é o sexto mês do calendário gregoriano, utilizado na maior parte do mundo e que foi promulgado pelo Papa Gregório XIII a 24 de Fevereiro do ano 1582, para substituir o calendário juliano.
Em 21 de Junho ou próximo a esse dia, o Sol atinge o ponto mais ao norte na sua trajectória pelo céu.
É o solstício de Verão, momento em que o Sol, no seu movimento aparente na esfera celeste, atinge a maior declinação em latitude, medida a partir da linha do equador. A duração do dia é então a mais longa do ano.
No Hemisfério Norte o solstício de Verão ocorre cerca do dia 21 de Junho e o solstício de Inverno por volta do dia 21 de Dezembro. Estas datas marcam, respectivamente o início do Verão e do Inverno no Hemisfério Norte. O dia e hora exactos variam de um ano para outro.
Tal como no solstício de Verão a duração do dia é a mais longa do ano, também no solstício de Inverno, a duração da noite é a mais longa do ano.
No Hemisfério Sul, o fenómeno é simétrico: o solstício de Verão ocorre em Dezembro e o solstício de Inverno ocorre em Junho. Os momentos exactos dos solstícios, que assinalam também as mudanças de estação, são determinados mediante cálculos astronómicos.
Os Signos do Zodíaco que correspondem ao mês de Junho são:
- Gémeos (21 de Maio - 20 de Junho)
- Caranguejo (21 de Junho - 21 de Julho)
Como noutros meses há datas especiais a assinalar. Temos Dias Internacionais (ONU):
- 4 Junho - Dia Internacional das Crianças Inocentes Vítimas de Agressão
- 5 Junho - Dia Mundial do Ambiente (Programa das Nações Unidas para o Ambiente)
- 17 Junho - Dia Mundial do Combate à Seca e Desertificação
- 20 Junho - Dia Mundial dos Refugiados
- 26 Junho - Dia Internacional Contra o Abuso e Tráfico de Droga
- 26 Junho - Dia Internacional das Nações Unidas de Apoio às Vítimas de Tortura
Temos também datas patrióticas (Portugal):
- 10 de Junho – Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portugusas
Há igualmente um calendário litúrgico (Igreja Católica):
- 3 de Junho - Dia do Corpo de Deus
- 13 de Junho - Dia de Santo António
- 24 de Junho - Dia de São João
- 29 de Junho - Dia de São Pedro
Tradicionalmente os provérbios de Junho são o reflexo do calendário agrícola do mês:
- Água de S. João tira o vinho e não dá pão.
- As cerejas são alegres à vista e tristes ao coração.
- Até S. Pedro, há o vinho medo.
- Cerejas e más fadas, cuidais tomar poucas e vêm dobradas.
- Dia de S. Barnabé, secca-se a palha pelo pé.
- Dia de S. Pedro, tapa o rego.
- Dia de S. Pedro, vê o teu olivedo; e, se vires um grão, espera por cento.
- Em Junho, foice em punho.
- Favas das mais caras, cerejas das mais baratas.
- Favas, as primeiras; cerejas, as últimas.
- Feno, alto ou baixo, em Junho é segado.
- Junho, Julho e Agosto, senhora não sou vosso.
- Lavra pelo São João se queres ter palha e pão.
- Lavra pelo São João, se queres haver pão.
- O milho, pelo São João, deve cobrir um cão.
- Pelo São João, foice na mão.
- Pelo São Pedro vai ao arvoredo; se vires uma, conta um cento.
- Quando Jesus se encontra com João, até as pedras dão pão.
- Quando o troque troqueleja, já a cereja vermelheja.
- Quando se junta Jesus com João, em cima de pedra dá pão.
- Quem em Junho não descansa, enche a bolsa e farta a pança.
- Quem quiser bom melão, semeia-o na manhã de São João.
- Se queres ter pão, lavra pelo São João.

Nós e os números - O número três

A Adoração dos Magos, de Albrecht Dürer (1471-1528), Galeria Uffizi, Florença.

AONDE SE FALA DO TRÊS

Na MATEMÁTICA, “três” é o sucessor de “dois”, o terceiro número natural, o segundo número ímpar e o segundo número primo. “Três” são os tipos de sistemas de equações (possíveis, impossíveis e indeterminados) e “três” são as posições relativas de duas rectas (concorrentes, paralelas e coincidentes). “Três” lados tem o triângulo, “três” são os tipos de triângulos quanto aos ângulos (acutângulos, rectângulos e obtusângulos), “três” são os tipos de triângulos quanto aos lados (equiláteros, isósceles e escalenos) e “três” partes tem um teorema (hipótese, tese e demonstração).
Na FÍSICA, “três” são as leis de Newton (Lei da Inércia, Lei da Igualdade da Acção e Reacção e, Lei Fundamental).
Na MINERALOGIA, “três” é a dureza do Espato de Islândia na escala de dureza de Mohs e a fusibilidade da Almandina na escala de fusibilidade de Kobell.
No DESPORTO, “três” é o número de provas do triatlo, de medalhas de cada modalidade olímpica (ouro, prata e bronze) e o número de elementos duma equipa de arbitragem num jogo de futebol.
NA BÍBLIA, é abundante a referência ao “três”:
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A Bíblia foi escrita originalmente em três idiomas (hebraico, aramaico e grego).
Lucifer levou consigo a terça parte dos anjos.
Três são as pessoas da Santíssima Trindade (Pai, Filho e Espírito Santo).
São três as primeiras criaturas de Deus que mantêm o primeiro diálogo (Adão, Eva e o diabo).
Três foram os filhos de Noé (Sem, Cam e Jafé), que repovoaram a terra após o dilúvio.
Abraão viu três homens, que seriam três anjos.
Moisés trouxe três dias de trevas sobre o Egipto.
Daniel orava três vezes por dia.
Jonas esteve três dias e três noites no ventre do grande peixe.
Mateus viu três pessoas no momento da transfiguração: Jesus, Moisés e Elias.
Durante três anos da sua vida Jesus curou enfermos e perdoou pecados.
Três são os dias ao fim dos quais Jesus ressuscitou.
Três foram os reis magos (Belchior, Baltasar e Gaspar) que trouxeram presentes a Jesus quando ele nasceu.
Pedro negou Cristo três vezes.
Pedro teve uma visão, na qual ouviu três vezes uma voz.
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No CRISTIANISMO, “três” são as Virtudes Teologais (Fé, Esperança e Caridade) e “três” são os Santos Populares Portugueses (Santo António, São Pedro e São João).
Na SUPERSTIÇÃO, há múltiplas crenças:
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“É bom trazer uma noz de três quinas na algibeira, porque dá fortuna.“
“É mau agoiro estalar três vezes a luz de azeite“
“Na Beira Alta quando morre um homem, o sino dá três sinais e quando mulher dois.”
“No Sábado de Aleluia, é bom furtar-se água da pia de baptismo de uma igreja; três gotas desta água deitadas no comer livram de feitiços a quem as toma, mas há - de ser depois de o comer ser tirado do lume, porque antes é pecado.“
“Se encontrar um corcunda pela manhã em jejum, deve-se dizer três vezes: "Benza-te Deus, dinheiro fresco nos mande Deus", porque se alcança dinheiro em breve.“
“Três luzes numa casa é sinal de casamento da pessoa mais nova dessa casa “
“Três pessoas a fazerem uma cama, morre a mais nova.“
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O “três” faz igualmente parte da LINGUAGEM METAFÓRICA:
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Às duas por três = De repente
Em três tempos = Depressa
Três da vida airada = Três amigos inseparáveis
Três o diabo fez = Exclamação para afastar um terceiro concorrente de qualquer combinação
Perder os três = Perder a virgindade
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De resto, o “três” é um número que aparece em muitos PROVÉRBIOS:
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“A duas palavras, três porradas“
“A pão de quinze dias, fome de três semanas“
“Abril águas mil, coadas por um mandil e em Maio três ou quatro“
“Ao terceiro dia, maior dor na ferida“
“Às três vai de vez“
“Bom comer, três vezes beber“
“Companhia de três é má rês“
“Dois detestam-se, três aborrecem-se“
“Dois divertem-se, três aborrecem-se“
“Frade, freira e mulher rezadeira, três pessoas distintas e nenhuma verdadeira“
“Hoje um, amanhã dois, ao outro dia três ou quatro, depressa enche o saco“
“Homem velhaco, três barbas ou quatro“
"Juntaram-se três para o peso de seis"
“Mais vale um gosto na vida que três vinténs“
“Mulher grávida de três meses encobre, de quatro quer mas não pode“
“Negro quando pinta, três vezes trinta“
“O hóspede e o peixe aos três dias aborrece“
“O peixe deve nadar três vezes: em água, em molho e em vinho“
“O que não se faz numa vez, faz-se em duas ou três“
“Onde comem dois, comem três““Três à carga, carga no chão“
“Três ao burro, burro no chão“
“Três coisas destroem um homem: muito falar e pouco saber, muito gastar e pouco ter e muito presumir e pouco saber“
“Três coisas enganam o homem: as mulheres, os copos pequenos e a chuva miúda“
“Três coisas fazem o homem mudar: a ciência, o mar e a casa real“
“Três coisas mudam o homem: a mulher, o estudo e o vinho“
“Três foi a conta que Deus fez"
“Três horas dorme o santo, três e quem não é tanto, cinco o estudante, seis o extravagante, sete o porco e mais o morto“
“Três irmãos, três fortalezas“
“Três luzes a arder deitam uma casa a perder“
“Três manhas tem a mulher: chorar quando quer, como quer e quanto quer“
“Três manhas tem a mulher: mentir sem cuidar, chorar sem querer e urinar onde quer“
“Três vezes nove vinte e sete, quem matou o cão foi o valete
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A presença do número "três" no CANCIONEIRO POPULAR é também significativa:
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“Tenho 1 amor, tenho 2,
tenho 3, e tenho 4.
Tenho 5, esse, é firme,
Tenho 6, não me retracto.“[1]

“Eu tenho 5 namoros,
3 de manhã, dois de tarde
A todos elles eu minto,
Só a um falo verdade.” [1]
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“Tenho 3 lenços de seda,
Dois azues, 1 encarnado,
Também tenho 3 amores,
1 firme, 2 enganados.” [1]

“Eu tenho 4 vestidos,
1 branco, 3 encarnados
Tambem tenho 4 amores,
1 firme, 3 enganados.” [1]

“Tu, ingrato amas a duas
Tambem podes amar 3,
Tambem podes amar 4,
Cada uma por sua vez.” [1]

“Há 3 dias que não janto,
Há 4 que não almoço,
E há cinco que te não vejo,
Meu amor, porque não posso.“ [1]
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“Puz-me a contar às avessas
As pedras d’uma columna:
Contei 7, 6 e 5,
4, 3, duas e uma.“ [1]

“À uma hora nasci,
Às duas fui baptizado,
Ás 3 andava de amores,
Às 4 estava casado.“ [1]
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Para os pitagóricos, o número “três” representa a síntese espiritual, a resolução do conflito colocado pelo dualismo.
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A importância do três é tão grande que os pilares da Democracia assentam em três poderes (executivo, legislativo e judicial).

[1] - PIRES, A. Thomaz. Cantos Populares Portugueses, vol. IV. Typographia e Stereotypia Progresso. Elvas, 1910.

domingo, 6 de junho de 2010

Unir braços do mesmo rio

Delta do rio Parnaíba (Brasil), um rio que desagua por múltiplos braços. 

Perfilho há muito a ideia de que é necessário estabelecer pontes de entendimento entre as pessoas. Cada um de nós não está atomizado na sua individualidade, uma vez que a própria vida se encarrega de nos integrar em múltiplos grupos com características diversas, nem sempre convergentes.
Alguns grupos são fechados, com códigos de conduta rígidos que a pretexto da pureza de princípios, os incapacitam de dialogar com os restantes. Entre grupos fechados só são possíveis conversas de surdos, já que como não se ouvem uns aos outros, não sabem o que os outros dizem.
Uma atitude distinta é cada um de nós e os grupos em que se insere, procurarem ouvir os outros para perceber o que eles dizem, pensam e querem. Como retribuição podem ser ouvidos e os outros ficarão a saber o que dizemos, pensamos e queremos. É possível então chegar à conclusão de que partilhamos algumas ideias comuns, o que torna possível construir algo em conjunto, facto que introduzirá laços de união entre nós. É a unidade na diversidade.
Com o tempo é possível que a área de partilha aumente, mas também é possível que não. Porém, ficámos a saber o que os outros pensam e a respeitá-los porque nos respeitam a nós. E uma coisa é certa, a partilha é só de coisas que nos unem, não de coisas que nos separam. Podemos com outros partilhar amigos, se não todos, alguns. O que não somos é obrigados a partilhar os adversários. Isso é terreno que não é partilhável.
Uma das muitas coisas que partilho com os outros é a escrita, instrumento de libertação do Homem. Filho de alfaiate, aprendi a alinhavar palavras, que permitem cerzir ideias com que se propagam doutrinas. Esse o sentido de estar hoje, aqui.
Furiosamente independente, serei sempre incisivo, cáustico quanto baste, mas sempre preciso. Serei “O FRANCO ATIRADOR”.

Publicado também no nº 86 do Jornal ECOS