terça-feira, 22 de setembro de 2026

Bonecos de Estremoz liliputianos - 5

 

Pomba no choco com arco (9,5 cm). Ana das Peles.
Colecção Hernâni Matos.

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Figuras de assobio

Os assobios (figuras de assobio) são Bonecos de Estremoz com morfologia e funcionalidade muito próprias, que os tornaram simultaneamente instrumentos musicais e brinquedos. Tradicionalmente eram agrupados em três grandes categorias: zoomórficos, antropomórficos e compostos.

Os assobios confeccionados por cada barrista, independentemente das marcas identitárias própria de cada um, resumiam-se a cerca de 15 exemplares, naturalmente que com variantes e incluíam apenas aves, cestos de ovos, sargentos, peraltas e senhoras de pezinhos, montados a cavalo ou apeados. Houve quem achasse isto monótono e talvez tenha pensado no soneto de Camões que proclama que: “Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades, / Muda-se o ser, muda-se a confiança; / Todo o mundo é composto de mudança, / Tomando sempre novas qualidades.” Vá daí que, sem fugirem à técnica de produção e à estética do Boneco de Estremoz, tenham criado novos exemplares nos quais a decoração das figuras de assobios é de tipo novo: Imagens devocionais (Ana Catarina Grilo), Peças de Olaria Enfeitada (Inocência Lopes) e Instrumentos Musicais Populares (Carlos Alberto Alves). Tratou-se de uma inovação temática, a qual pessoalmente destaco e valorizo.

À semelhança do que se passa com o núcleo central do Figurado de Estremoz, também as figuras de assobio podem de igual modo e muito legitimamente ser designados por Bonecos de Estremoz liliputianos. Para tal, basta não ultrapassarem os 15 cm de altura.

Hernâni Matos

Pombos na árvore (7,3 cm). Irmãs Flores.
Colecção Hernâni Matos.

Menino Jesus Bom Pastor (5 cm) Ana Catarina Grilo.
Colecção Hernâni Matos.

Cantarinha enfeitada (10 cm). Inocência Lopes.
Colecção Hernâni Matos.

Harmónio (4,3 cm). Carlos Alberto Alves. 
Colecção Hernâni Matos.

domingo, 20 de setembro de 2026

Pucarinhos de Estremoz - Luís Brito da Luz



Luís Brito da Luz



PUCARINHOS DE ESTREMOZ I

Bocas ásperas, pegajosas, sequiosas
A saliva ainda no estado de dormência
Gretados lábios rogam forte clemência
A seca língua c’as papilas ansiosas.

Feroz desejo pelas puras águas límpidas
Ocultadas no silêncio de seu ninho
Em sobressalto p’ra sair do pucarinho
E saciar a sede, àquelas almas ríspidas.

Fonte d’vida fresca a brotar do barro fino
Saboroso e oloroso, místico, divino
Como só a cândida cidade branca o tem.

Não há no mundo um pucarinho assim igual
Que torna esta linfa sublime, colossal
Ignorado das boas bocas de ninguém.

Estremoz - 11.09.2026
Luís Brito da Luz


PUCARINHOS DE ESTREMOZ II

Sobre a rica mesa dos Reis de Portugal
Lado a lado com os faustosos ouro e prata
Um pucarinho de linhagem bem barata
C’humildade, mais parece o Santo Graal.

Com a chancela da cidade de Estremoz
Nascido do vermelho barro ali presente
O vate Camões, nas cartas, consciente
Exalta as belas virtudes, de viva voz!

Mas a glória não se esgota no poeta
Gil Vicente com a sua escrita completa
Dos púcaros fala, c’inquieta emoção.

O nome da cidade entrou nas caravelas
Carregado por estas peças mais singelas
E aqui preservado no nosso coração.

Estremoz - 12.09.2026
Luís Brito da Luz

PUCARINHOS DE ESTREMOZ III

Famosos búcaros, na Espanha bem lendários
Benquistos a valer, de modo singular
Seus dons curativos, ninguém pôde negar
Bons predicados, destes barros centenários.

Exaltados por D. Filipe, El-Rei O Prudente
Por Velázquez coloridos com talento
Perduram naquele magnífico momento
Com as Meninas, companhia tão luzente!

Francisco Quevedo, satírico e mordaz
Ilustrava sua beleza que é fugaz
Que a vida é frágil e o humano ser vaidoso.

Lope de Vega, também Góngora afamaram
Nos seus dramas e poemas elogiaram
Este presente de Deus Padre, sumptuoso!

Estremoz - 15.09.2026
Luís Brito da Luz


PUCARINHOS DE ESTREMOZ IV

Pequenos pucarinhos finos e mimosos
Que exalam uma fragrância perfumada
Essência daquela argila bem molhada
Pela pura água a tocar os grãos porosos.

Odor e sabor deveras considerados
Medicinais virtudes, ricas, fabulosas
Propriedades cosméticas, luxuosas
Subsolo único, de pedaços requintados.

E ao mordiscar estas pequenas criações
Após saciar a alta sede de emoções
Emergia a nobre e suprema palidez.

Alto padrão de linhagem e de nobreza,
De um tempo recuado, de fina beleza
Que aos púcaros motivava uma escassez.

Estremoz - 19.09.2026
Luís Brito da Luz



PUCARINHOS DE ESTREMOZ  V

No firme amparo da olaria cá da terra
Ouvidas vozes se elevaram docemente
Melodiosos sons, encheram de repente
Nossa alma, linda poesia que se encerra!

Lopes Vieira c’o sedento pucarinho,
O púcaro de uma tal forma bem cuidado
Por Sardinha, excelentemente elogiado
Para Simões, era o bastante, com carinho!

Foram os barros do Alentejo badalados
Por Molarinho d’Andrade, considerados
Em sinceros versos, q’respiram a verdade.

Mateus Maçaneiro, em tributo bem gizado
A Mário Lagartinho, Mestre aclamado
No generoso soneto,” Quanta saudade”!

Estremoz - 20.09.2026
Luís Brito da Luz



PUCARINHOS DE ESTREMOZ VI

Na salvaguarda da olaria da cidade
Da mesma forma que os poetas o fizeram
Também excelsas poetisas bem quiseram
Deixar em verso, carimbada raridade.

Barros de Estremoz, afamada poesia
Soneto belo pela pena d’Georgina
As bilhas c’a virgem água cristalina
Q’Lúcia Cóias matou sede em harmonia.

E os bonitos versos d’Maria Guiomar?
Que colocou Estremoz e seus Barros no altar
De uma luminosa forma adicional.

Sublime soneto, distinto e singular
De Maria de Santa Isabel, exemplar!
Tão sentido de uma maneira especial.

Estremoz - 21.09.2026
Luís Brito da Luz


Publicado inicialmente em 20 de Setembro e 9 de Outubro de 2026


#Poesia Portuguesa - 223

Bonecos de Estremoz liliputianos - 4

 

Figuras de presépio de maquineta da autoria de Ricardo Fonseca. Pastor ofertante
(5,8 cm),  pastora ofertante (5,4 cm), vaca (3,8 cm), burro (3,5 cm) e ovelha (2,7 cm).
Colecção Hernâni Matos.


Figuras de Presépio de maquineta

Uma maquineta de Presépio é um armário ou caixa de tamanho variável, a qual guarda e protege figuras de Presépio, tanto da poeira como do manuseio.

As maquinetas de Presépio têm origem conventual, uma vez que o conceito, a técnica de fabrico e a estética destas peças, nasceu e desenvolveu-se nos conventos femininos portugueses no decurso dos séculos XVII e XVIII.

São conhecidas maquinetas de diferentes épocas, tipologias e materiais.

Podem assumir a forma de armário em madeira entalhada, pintada ou dourada, com uma frente e até mesmo as partes laterais envidraçadas, permitindo a visualização do interior. O armário aloja uma cenografia relativa à Natividade, com figuras de Presépio, que no caso que nos interessa, são minúsculos Bonecos de Estremoz.

Podem ainda adoptar a forma de caixa de vidro com geometria variável assente numa base de madeira com pés, em cujo interior uma cenografia alusiva à Natividade enquadra figuras de Presépio, os quais podem ser minúsculos Bonecos de Estremoz.

As maquinetas de Presépio são simultaneamente objectos de devoção doméstica e peças decorativas de prestígio e mesmo objectos de luxo, comuns em antigas casas senhoriais ou em lares burgueses.

O facto de as figuras de Presépio de Estremoz que integram maquinetas terem dimensões minúsculas, levam-me a classifica-las como Bonecos de Estremoz liliputianos.


Maquineta construída e decorada por Guilhermina Maldonado (1937-2019) com Presépio
 de Bonecos de Estremoz liliputianos, incluindo cenas de Natividade,   Adoração dos
Magos e  Adoração dos Pastores, da autoria das  Irmãs Flores. 25 x 14 x 20 cm. 
Colecção Hernâni Matos.

Maquineta construída e decorada por Guilhermina Maldonado
(1937-2019) com Menino Jesus liliputiano da autoria das Irmãs
Flores. 13,3 x 6,8 x 14,2 cm.
Colecção Hernâni Matos.

sábado, 19 de setembro de 2026

Bonecos de Estremoz liliputianos - 3

 

Enfeite de rolha - Bailadeira (2015). Maria Luísa da Conceição (1934-2015).
Colecção Jorge da Conceição.



Enfeites de rolha

Uma garrafa vale por si, não só pela elegância da sua morfologia, como pela beleza da sua decoração ou pela harmonia do seu cromatismo. Todavia e para além disso, uma garrafa vale igualmente pelo líquido que encerra em si. Tanto pode ser um vinho solarengo e telúrico, como uma aguardente envelhecida em cascos de carvalho ou um licor aveludado e envolvente.

A conservação do tempo e da alma do conteúdo de uma garrafa exige que esta seja selada com a nobreza da cortiça alentejana, o que é concretizado através de uma rolha.

Alguns barristas de Estremoz têm criado enfeites de rolha com cabeças de figuras que integram o Figurado de Estremoz e reflectem a identidade cultural alentejana.

Os enfeites de rolha que ilustram o presente texto, foram criados pela barrista Maria Luísa da Conceição (1934-2015) e têm cerca de 5 cm de altura, pelo que podem ser considerados Bonecos de Estremoz liliputeanos. São eles: Bailadeira, Camponês e Preta. Remontam todos a 2015 e pertencem à colecção particular de seu filho, Mestre Jorge da Conceição. 



Enfeite de rolha - Camponês (2015). Maria Luísa da Conceição (1934-2015).
Colecção Jorge da Conceição.

Enfeite de rolha - Preta (2015). Maria Luísa da Conceição (1934-2015).
Colecção Jorge da Conceição.

sexta-feira, 18 de setembro de 2026

Artes do Vagar e Mestres do Saber-fazer / 5 - JOSÉ CARRILHO TRONCHO (1910-2003)


01 - José Carrilho Troncho (1910-2003).

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CRÉDITOS FOTOGRÁFICOS
Cortesia do Arquivo Fotográfico da CME (Joaquim Carriço Rolo)
e Luís Dias (peças).


5 - JOSÉ CARRILHO TRONCHO (1910-2003)

Natural da freguesia de Santa Eulália (Elvas) onde como camponês fez de tudo um pouco. Começou como ganhão e acabou como guarda de herdade.

Após a aposentação, começou a esculpir na madeira a ruralidade que lhe ia na alma, para o que se servia de uma navalha e de uma grosa.

Os seus trabalhos têm a ver com o seu dia a dia de camponês. Em primeiro lugar os animais (boi, cavalo, porco, bode) e depois as alfaias agrícolas e os vários tipos de carros de tracção animal. Participou nas feiras de artesanato de Estremoz desde 1983 até 1991.

Em Estremoz tinha fixado residência na casa de seu filho na Rua de Macau no Bairro da Mata, onde gostava de trabalhar ao ar livre, o que era muito apreciado pelas crianças da Escola Primária vizinha, onde se deslocava por vezes a convite das professoras, para transmitir aos mais novos as suas vivências e o seu saber-fazer de artesão.

Hernâni Matos

02 - Carroça com condutor, puxada por parelha de muares. Madeira, pregos de ferro,
arame de ferro e tira de couro. 13 x 22 x 8 cm.

03 - Arado puxado por junta de bois. Madeira, pregos de ferro, arame de ferro, 
folha de Flandres e tira de couro. 9 x 24 x 10 cm.

04 - Cavalo. Madeira e pregos de ferro (olhos). 8,5 x 12 x 3,5 cm.

05 - Bode. Madeira (corpo do bode e chocalho, pregos e ferro (olhos) e tira de couro
(suspensão do chocalho). 8 x 9 x 3 cm.

06 - Touro. Madeira, pregos de ferro (olhos) e ráfia (cauda). 6 x 12 x 3 cm.

07 - Porca. Madeira e pregos de ferro (olhos). 6 x 12 x 3,5 cm.

08 - Porco. Madeira e pregos de ferro (olhos). 3,5 x 7,5 x 2,5 cm.

Publicado no jornal E nº 386, de 21 de Setembro de 2026

quinta-feira, 17 de setembro de 2026

Figurado de Estremoz - Luís Brito da Luz



Luís Brito da Luz



FIGURADO DE ESTREMOZ - PREÂMBULO

Outrora, na singela travessa do Outeiro
Numa despojada casinha bem caiada
Com a última das bonequeiras já finada
Morreu o vetusto figurado por inteiro.

Em boa hora aqui chegou, grande escultor
José Maria de Sá Lemos de seu nome
Que recuperou este fabrico de renome
Na escola de Artes e Ofícios, director.

E c’ajuda de uma velhinha bem lembrada
Com teimosia, que ficou bem preparada
Os velhos bonecos voltaram a nascer.

O penoso caminho ficou assegurado
Pelo Mestre Alfacinha bem foi modelado
Antes da secular Glória, um bem sofrer!

Estremoz - 3.09.2026
Luís Brito da Luz


FIGURADO DE ESTREMOZ  I

Secular arte genuína Estremocense
Em barro, com muita elegância plasmado
Pelas finas mãos destas gentes bem tratado,
Bonecos brotam do talento que convence.

Em setecentos, na alvorada desta prática
Iniciaram as antigas bonequeiras
Técnica ímpar, da qual foram pioneiras
Precursoras desta única, distinta fábrica.

Bem inculcada de geração em geração
Modelada com total zelo em comunhão
Expressão plena da identidade cultural.

No âmago d’esta cabal terra, singular
No íntimo deste povo tão peculiar
Nossa pura alma aqui se torna natural
.

Estremoz - 30.08.2026
Luís Brito da Luz


FIGURADO DE ESTREMOZ  II

Finos bonecos apurados, elegantes
Por mãos diferentes, criados com esmero
Paciente labor mimoso, assaz, sincero
Peças singulares de colecção, brilhantes!

Três geometrias bem distintas e claras
Bola, Rolo, Placa, dimensões diferentes
A partir destas boas bases bem presentes
O todo criado origina peças raras.

Os avoengos bonecos de tradição
C’os hodiernos bonecos de inovação
Fecham a galeria desta identidade.

C’a dual matriz tão sagrada e bem profana
Riqueza cultural desta gente humana
Herança imaterial da humanidade.

Estremoz - 01.09.2026
Luís Brito da Luz


FIGURADO DE ESTREMOZ III

Na galeria dos bonecos da cidade
Graciosas peças figuram sem igual
As de pendor religioso, inicial
De devoção particular, uma beldade!

Os presépios, à cabeça, em patamares,
Com a tríade d’Magos, o nível mais alto
Sagrada Família, impune ao sobressalto
Na base, adoram pastores destes lugares.

Também o Santo António muito querido
E João Baptista, Santo bem escolhido
Santificadas devoções nestas paragens.

A Senhora da Conceição de Portugal
C’Isabel d’Aragão, Santa Alteza Real
Piedoso fervor de fé nestas Imagens.

Estremoz - 05.09.2026
Luís Brito da Luz


FIGURADO DE ESTREMOZ IV

Na colecção do figurado de Estremoz
Sobre a alegre temática do Carnaval
Negros e alegorias, d’pendor original
Aprimoram esta tradição d’viva voz.

Amor supremo sempre d’olhos bem vendados
Paixão intensa c’o trespassado coração
Toucado ornado com plumas de feição
Numa mão flores, elementos adorados.

E o que dizer da deliciosa Primavera?
De arco ou de plumas, natural desta terra
C’a Bailadeira, num duo bem magistral.

Os escravos que por aqui também andaram
No bom barro, carimbo seu também deixaram
Pretas Floristas de baptismo cultural.

Estremoz - 07.09.2026
Luís Brito da Luz


FIGURADO DE ESTREMOZ V

Com pergaminhos como praça militar
Na defesa do nobre berço lusitano
Voz crucial d’amparo ao forte chão raiano
Suas gentes, autorizadas a lutar!

Regimento de Cavalaria, o terceiro
Dragões da saudade querida d’Olivença
Que de há muito reiteramos a presença
Alguns membros perpetuados por inteiro.

No bem-trajado figurado da cidade
Bem-apessoados sargentos de verdade
Floreando no verde jardim ou bem d’pé.

Os lanceiros nos seus cavalos, que soldados!
Especiais cavaleiros, nunca apeados
Quase sempre com a bandeira, a sua Fé.

Estremoz - 24.09.2026
Luís Brito da Luz


Figurado de Estremoz VI

Terra religiosa d’grande devoção
Bem evidente no tecido citadino
Profusas igrejas que honram o divino
Seis conventos em absoluta comunhão.

São Francisco e Santo António dos Capuchos
Da Senhora da Conceição dos Congregados
Da Ordem de Malta, cavaleiros soldados
São João de Deus e os Agostinhos, sem luxos!

E este latejante coração a palpitar
No figurado de Estremoz tomou lugar
Eternizado que ficou nestas paragens.

Singelo frade com seu hábito a cavalo
Em suas mãos um odre d’vinho, bom regalo!
Cápsula do tempo do q’foram as passagens.

Estremoz - 27.09.2026
Luís Brito da Luz


Publicado inicialmente em 4, 9,19 de Setembro e 9 de Outubro de 2026

#Poesia Portuguesa - 222

quarta-feira, 16 de setembro de 2026

Bonecos de Estremoz liliputianos - 2

 

Ganchos de meia. Liberdade da Conceição (1913-1990). Colecção Hernâni Matos.

Ganchos de meia
Uma tipologia muito especial de Bonecos de Estremoz são os chamados ganchos de meia. Trata-se de Bonecos de Estremoz minúsculos, que as mulheres das nossas famílias usavam quando faziam croché ou tricotavam peças de vestuário, de lã ou algodão, como era o caso das chamadas “meias de cinco agulhas”. Trata-se de figuras antropomórficas, nas quais a cabeça apresenta cabelo, olhos, boca e rosetas pintadas e o nariz é uma pequena saliência. Em todas elas figuram dois ganchos de arame no tronco. Um à frente, virado para cima, para nele passar o fio, que do novelo pode ser redireccionado para as agulhas. O outro nas costas, virado para baixo, para pregar na blusa ou no vestido da mulher, na parte superior do peito, geralmente do lado esquerdo. 
Devido às suas pequenas dimensões nunca apresentam marcas de autor.
Os que apresento na figura, foram modelados pela barrista Liberdade da Conceição (1913-1990) e são todos figuras antropomórficas. Da esquerda para a direita e de cima para baixo, são sucessivamente: Nossa Senhora, Freira de Malta, Senhora de pezinhos, Peralta e Sargento.
Trata-se de figurinhas de cerca de 5 cm de altura, que pelas suas diminutas dimensões podem ser considerados Bonecos de Estremoz liliputianos.

Hernâni Matos