sábado, 1 de dezembro de 2012

1º de Dezembro: Sempre!


COROAÇÃO DE D. JOÃO IV (1908). Quadro de Veloso Salgado (1864-1945). Óleo sobre tela (325 x 285 cm). Museu Militar (Sala Restauração), Lisboa. Representa a aclamação de D. João IV no Terreiro do Paço, tendo o Tejo como fundo e os chefes da conspiração em frente do novo rei. A Restauração da Independência Nacional deu-se em 1 de Dezembro de 1640.

Por pressão da “troika”, o actual Governo pretende resumir o número de feriados em 2012, sejam civis, religiosos ou municipais e banir as pontes nos feriados que se celebram a uma terça ou quinta-feira. As razões invocadas são que por cada dia de paragem, a economia portuguesa perde 40 milhões de euros. Entre os feriados civis a eliminar estão o 5 de Outubro e o 1º de Dezembro.
O feriado do 5 de Outubro tem assinalado até agora a vitória da revolução republicana e a queda da Monarquia a 5 de Outubro de 1910. Com ela ocorreu uma mudança de paradigma. As instituições e símbolos monárquicos (Rei, Cortes, Bandeira Monárquica e Hino da Carta) foram proscritos e substituídos pelas instituições e símbolos republicanos (Presidente da República, Congresso da República, Bandeira Republicana e A Portuguesa), o mesmo se passando com a moeda e as fórmulas de franquia postais. Foi assim que uma Monarquia com oito séculos de existência foi substituída por uma República que tomou o poder nas ruas de Lisboa e depois de o proclamar às varandas da Câmara Municipal, o transmitiu para a província à velocidade do telégrafo.A efeméride do 5 de Outubro, tornado feriado oficial, é comemorada vai para 112 anos. É uma comemoração que não é pacífica. Com efeito, os monárquicos, muito legitimamente, repudiam as comemorações republicanas que assinalam o derrube do regime que defendem e mobilizados pela Causa Real assinalam na mesma data, a fundação da Nacionalidade por D. Afonso Henriques, já que foi a 5 de Outubro de 1143, que se realizou em Leão, a Conferência de Zamora, pela qual o rei Afonso VII de Castela e Leão, foi forçado a reconhecer a Independência de Portugal. Constato que a comemoração do 5 de Outubro se situa no domínio dos temas fracturantes na sociedade portuguesa. Daí que não me choque a sua supressão como feriado civil. O mesmo não direi da abolição do feriado do 1º de Dezembro.
O feriado do 1º de Dezembro, comemorado até ao presente, é evocativo da Restauração da Independência de Portugal, a 1 de Dezembro de 1640, após seis décadas de domínio filipino. É uma efeméride que por isso une todos os portugueses, já que naquela data, Portugal recuperou a dignidade perdida e o direito à sua identidade como Estado-Nação.
Pessoalmente, considero a supressão do feriado do 1º de Dezembro pelo governo português como uma atitude anti-patriótica, a qual vivamente repudio.
Apesar da minha atitude, tudo ficará por aqui, pois o povo português é manso ou pelo menos tem sido até agora. Que se passaria nos EUA, se o Presidente decidisse proclamar que deixaria de ser feriado, o dia 4 de Julho, que marca a Declaração de Independência daquela Nação, face ao Império Britânico, ocorrida em 1776? Que responda quem souber…

Publicado inicialmente em 1 de dezembro de 2012

Painel de azulejos de finais do séc. XVII representando a reunião dos Conjurados. Uma fita na parte superior apresenta a legenda Amor Constância e Fidelidade e na parte inferior, Venturoso Citio, honrosas conferenciassem que se firmou a Redenção de Portugal. A reunião ocorrida a 12 de Outubro de 1640, decorreu no Palácio dos Almada em Lisboa, onde hoje está sediada a Sociedade Histórica da Independência de Portugal, em cujo Jardim se encontra o painel de azulejos. Participaram então na reunião, os conjurados D. Antão de Almada, António de Saldanha, Jorge de Melo, Francisco de Melo, D. Miguel de Almeida, Pedro de Mendonça e João Pinto Ribeiro, procurador da Casa de Bragança em Lisboa.

domingo, 25 de novembro de 2012

Mistérios da Lua


Ilustração de Shannon Stamey

Eu, puto de calções, já nas nuvens e “voyeur” inveterado, a tentar decifrar os mistérios da Lua.
O que seria isso de dizerem que eu quando “estava com a Lua” era insuportável?
E punham-me "arrelíquias" ao pescoço, nas quais se incluíam uma meia-lua, para além duma figa, dum cornicho e dum signo-saimão.
Talvez eu fosse insuportável por andar com a Lua ao pescoço.
Já viram qual era o peso, ainda que só fosse meia Lua?
Era esse peso todo, mais o peso da Tradição. Este foi um peso que sempre carreguei e que tem a ver com os registos armazenados na minha memória de elefante, bem guardada no baú das coisas "Do Tempo da Outra Senhora".
Quando me deu para blogar, digam-me lá qual era o nome que eu havia de pôr ao blogue?

(Post com origem num comentário meu no mural da página do Facebook da minha amiga Francisca de Matos)

quarta-feira, 21 de novembro de 2012

Rainha Santa Isabel, Padroeira de Estremoz


Fig. 1 – Imagem da Rainha Santa Isabel venerada na cidade de Estremoz. Foi oferecida
à  Capela da Rainha Santa Isabel por D. João V, em 1729. Encontra-se actualmente na
Igreja de Santa Maria, no Castelo de Estremoz.


O FALECIMENTO DA RAINHA SANTA ISABEL EM ESTREMOZ
A Rainha Santa Isabel de Aragão (1270-1336), esposa de el-Rei D. Diniz (1261-1325), faleceu no Castelo de Estremoz, com 66 anos de idade, no dia 4 de Julho de 1336, de uma doença súbita surgida quando se dirigia para a raia em missão de apaziguamento entre o filho, D. Afonso IV (1291-1357), e o neto, Afonso XI de Castela (1311-1350). Contra o conselho de todos, D. Afonso quis cumprir o propósito de sua mãe ser sepultada no Mosteiro de Santa Clara. A longa trasladação fez-se sob o sol aceso de Julho e, para assombro de todos, apesar dos grandes calores que se faziam experimentar, o ataúde exalava um perfume tão aprazível que "tão nobre odor nunca ninguém tinha visto", assim se lê na sua primeira e anónima biografia, conhecida por “Lenda ou Relação”, redigida imediatamente após a sua morte, por alguém que de perto com ela conviveu, provavelmente o seu confessor, Frei Salvado Martins, bispo de Lamego, ou então uma das donas de Santa Clara que a assistiram durante o tempo de viuvez.
As virtudes da Rainha, mais tarde considerada Santa, estiveram na origem da sua beatificação por Leão X (1475-1521), em 1516, com autorização de culto circunscrito à Diocese de Coimbra. Em 1556, o papa Paulo IV (1476-1559) torna extensiva a devoção isabelina a todo o Reino de Portugal. Seria o papa Urbano VIII (1568-1664), dada a incorrupção do corpo e o relato dos milagres, quem proclamaria em 1625, a canonização de Isabel de Aragão como Rainha Santa.

A IMAGEM DA RAINHA SANTA ISABEL
Entre igrejas, capelas e ermidas, Estremoz tem 22 edifícios religiosos onde se encontram expostas imagens religiosas que são objecto de culto pelos fiéis. Uma delas é a imagem da Rainha Santa Isabel (Fig. 1 e Fig. 2), Padroeira de Estremoz (Fig. 3), actualmente venerada na Igreja de Santa Maria, no Castelo. Esta imagem encontrava-se até há uns anos atrás na Capela da Rainha Santa Isabel, também no Castelo. A imagem, em madeira policromada, foi oferecida por D. João V (1689-1750), descendente em linha directa da Rainha Santa Isabel e que a seus pés orou, quando visitou a Capela com a sua esposa, D. Mariana de Áustria (1683-1754), em 30 de Janeiro de 1729. A Rainha veste o hábito de freira clarissa, tal como veio morrer a Estremoz. Todavia o véu branco é de viúva e não de clarissa. Na cabeça uma coroa aberta do tipo barroco e na mão um bordão de peregrina, ambos de prata. A mão esquerda segura o regaço, no qual se vêem rosas, alegoria ao lendário “Milagre das Rosas”.

A CONSTRUÇÃO DA CAPELA DA RAINHA SANTA ISABEL
É de salientar que pertenceu à Rainha Dona Luísa de Gusmão (1613-1666), mulher de El-Rei D. João IV (1604-1856), a ideia de adaptar a Capela, os supostos aposentos da Rainha Santa no Castelo de Estremoz, em acção de graças pela vitória do exército português sobre o exército espanhol, na batalha das Linhas de Elvas, travada a 14 de Janeiro de 1659. A Capela que ficou a cargo da Congregação do Oratório de São Filipe Néri, encontrou em El-Rei D. João V (1689-1750) um mecenas e foi sob a sua égide que se concluíram as obras da Capela em 1706.

A TRANSFERÊNCIA DA IMAGEM DA RAINHA SANTA PARA O CONVENTO DOS CONGREGADOS
Durante a 1ª invasão francesa, as tropas napoleónicas, comandadas pelo general Loison (1771-1816), “O maneta”, saquearam a vila de Estremoz em 1808, com especial destaque para a famosa Sala de Armas de D. João V, no Castelo. A esse tempo já os Oratorianos tinham posto a salvo a Imagem da Santa, a sua Relíquia e alguns Vasos Sagrados que secretamente esconderam na sua Congregação. Todavia, os franceses conhecidos pelas suas profanações e impiedades, não só não profanaram a capela, como não tocaram numa única preciosa Alfaia ou Ornamento que ali se guardasse. Tal facto foi pela população atribuído a beneficência da mão de Deus pela intercessão da Rainha Santa.
A 3 de Julho de 1808, véspera da festividade da Rainha Santa, as tropas francesas evacuaram completamente a vila de Estremoz, após activarem minas para arrasarem a Torre da Menagem, o que arrasaria também a Capela da Rainha Santa, contígua à Torre. Para além da horrível explosão, as minas não produziram o efeito desejado, o que foi atribuído a Intervenção Divina, por empenho daquela Santa Advogada.

A TRASLADAÇÃO DA IMAGEM DA RAINHA SANTA PARA A SUA CAPELA
A 11 de Julho os nobres habitantes de Estremoz animados de espírito patriótico e tendo à cabeça o Juiz de Fora, Doutor António Gomes Henriques Gaio, animados de espírito patriótico, sacudiram o jugo do inimigo e entre mil vivas e demonstrações de júbilo, aclamaram como seu único e legítimo Soberano, Sua Alteza Real o Príncipe Regente. Disto chegou notícia ao general Loison que se encontrava na capital e que com infantaria, cavalaria e artilharia, partiu para o Alentejo, com o desígnio de entrar em Évora e em Estremoz e de não deixar pedra sobre pedra. Em Évora, Loison entrou a 29 de Julho, onde apesar da resistência militar e civil, terá saqueado a cidade, causando uma chacina que causou entre 2.000 e 8.000 mortos, conforme os autores, bem como 200 prisioneiros. Daqui se dirigiram para Estremoz, onde não tiveram a menor hostilidade nem com moradores, nem com as casas, nem com os seus bens, partindo depois para Elvas. Em tal facto, foi reconhecida novamente a Intervenção Divina, por empenho da Rainha Santa. Os Oratorianos decidem então promover uma solene e pomposa Festividade de Acção de Graças à Rainha Santa Isabel no dia em que a sua devota imagem fosse transportada para a sua Capela no Castelo, o que aconteceu a 29 de Outubro, dia em que a Igreja soleniza a trasladação do Venerável Corpo da Rainha Santa.
A 20 de Outubro iniciam-se na Capela da Senhora das Dores do Convento do Congregados, preces públicas com o Santíssimo Sacramento exposto, pela extinção dos inimigos do Reino, pela restauração da nossa Monarquia e pela vida e conservação do Príncipe Regente, as quais se repetiram nos dias seguintes até á véspera do dia destinado para a Festividade.
Na tarde do dia 28 de Outubro, a Capela da Senhora das Dores estava vistosamente adornada com a imagem da Rainha Santa colocada num andor, por debaixo de um rico docel. Um excelente coro e orquestra instrumental executaram com elegância uma sinfonia, finda a qual o Capelão deu início às Vésperas. À noite o Convento dos Congregados esteve iluminado, o mesmo se passando com as moradias do Rossio, tendo sido lançado também variado e vistoso fogo de artifício.
Na manhã do dia 29 de Outubro, continuou-se a venerar a Santa Imagem e pelas 11 horas, o Capelão deu início à Missa solene com o Santíssimo Sacramento exposto e com acompanhamento musical. Foi orador o Padre Luiz Marques, da Congregação do Oratório, que traduziu através de douto e emocionado discurso, o reconhecimento da população à Rainha Santa. A terminar, a elevação da Santa Hóstia foi acompanhada do lançamento de fogo de artifício no Rossio, a que correspondeu a guarnição do Castelo com uma salva de artilharia. A cerimónia terminou pelas 14 horas, iniciando-se pelas 16, a procissão que com pompa e circunstância trasladou através das ruas da vila, a sacrossanta imagem da Padroeira até à sua Capela no Castelo.
O desfile através das ruas da vila, iniciou-se com o lançamento de fogo de artifício no Rossio, a que respondeu uma salva de artilharia no Castelo. A Procissão, meticulosa e simbolicamente estruturada, dirigiu-se para a Capela do Castelo, onde a Imagem da Santa foi reposta no seu Altar, seguindo-se sermão de Frei José de Almada, continuado por cânticos, findos os quais a guarda militar disparou três descargas de mosquete, a que respondeu a guarda do Castelo com uma salva de artilharia.

A EXTINÇÃO DAS ORDENS RELIGIOSAS
A assinatura da Convenção de Évora Monte, em 26 de Maio de 1834, que pôs termo à Guerra Civil Portuguesa (1828-1834) entre liberais partidários de D. Pedro IV (1798-1834) e absolutistas partidários de D. Miguel (1802-1866), teve inúmeras consequências. Uma delas foi a extinção das Ordens Religiosas em Portugal. Esta reforma visava aniquilar o que se considerava ser o excessivo poder económico e social do clero, privando-o para tal dos seus meios de riqueza e da capacidade de influência política. Recorde-se que o claro português tinha apoiado em grande parte, o absolutismo e quem ganhou a Guerra Civil foram os liberais. Daí que o Ministro da Justiça, Joaquim António de Aguiar (1792-1843), que viria a ser conhecido por “Mata Frades", redigisse o texto do Decreto de Extinção das Ordens Religiosas, assinado por Pedro IV e publicado em 30 de Maio de 1834. Por esse diploma, eram declarados extintos todos os conventos, mosteiros, colégios, hospícios, e quaisquer outras casas das ordens religiosas regulares (art. 1º), sendo os seus bens secularizados e incorporados à Fazenda Nacional (art. 2º), à excepção dos vasos sagrados e paramentos que seriam entregues aos ordinários das dioceses (art. 3º).
A extinção das Ordens Religiosas, entre elas a Congregação da Ordem do Oratório de S. Filipe Néri, teve reflexos a vários níveis. No caso da Capela da Rainha Santa Isabel, pelo facto de estar sob administração dos Oratorianos, o seu recheio foi posto em hasta pública, sendo a Capela encerrada de seguida.
D. Pedro V (1837-1861) teve consciência que estava em causa a manutenção do venerável culto da Rainha Santa, pelo que confirmou o compromisso da Irmandade da Rainha Santa, a qual recuperou os seus direitos de manutenção material e religiosa da Capela, que teve capelão de missa diária e tesoureiros privativos.

BIBLIOGRAFIA
(1) – CIDRAES, M. Lourdes. Os Painéis da Rainha. Edições Colibri/Câmara Municipal de Estremoz. Lisboa, 2005.
(2) – COSTA, Mário Alberto Nunes. Estremoz e o seu concelho nas “Memórias Paroquiais de 1758”. Separata do Boletim da Biblioteca da Universidade de Coimbra, Vol. XXV. Coimbra, 1961.
(3) – COSTA, Mário Alberto Nunes. Património Religioso de Estremoz. Câmara Municipal de Estremoz. Estremoz, 2001.
(4) - ESPANCA, Túlio. Inventário Artístico de Portugal-Distrito de Évora, Vol.I. Academia Nacional de Belas Artes. Lisboa, 1975.
(5) - MENDEIROS, José Filipe. RAINHA SANTA /Mãe da Paz, da Pátria e de Estremoz. Câmara Municipal de Estremoz. Estremoz, 1988.
(6) – RELAÇÃO DA POMPA E MAGNIFICÊNCIA COM QUE OS PADRES DA CONGREGAÇÃO DO ORATÓRIO DE S. FILIPPE NERI DA VILLA DE ESTREMOZ SOLEMNIZARÃO A TRASLADAÇÃO DA DEVOTA IMAGEM DE SANTA SABEL, RAINHA DE PORTUGAL, Para a sua Real Capela situada na Cidadella da mesma Praça de Armas; e dos motivos, que concorrerão para esta plausível Festividade. Imprensa Régia. Lisboa, 1808. (Fig. 4)

Publicado inicialmente em 21 de Novembro de 2012

Fig. 2 – Imagem da Rainha Santa Isabel quando ainda se
encontrava na sua Capela. A escadaria que dava acesso ao
púlpito e que se vê à direita, também já não existe actualmente.
Cliché de Foto Tony, cerca dos anos 60 do século XX.

Fig. 3 – Rainha Santa Isabel, Padroeira de Estremoz.
Cliché de Foto Tony, cerca dos anos 60 do século XX.
 Fotomontagem mostrando a Rainha Santa pairando sobre
a cidade, numa nítida alegoria a ser sua Protectora.

Fig. 4 – Rosto duma brochura de 14 páginas de autor desconhecido
e editada pela Imprensa Régia em 1808, em Lisboa e na qual se relata
 a trasladação da imagem da Rainha Santa Isabel para a sua Capela a
 partir do Convento dos Congregados, em Estremoz, onde estivera
 escondida para escapar ao saque dos invasores franceses.  

Fig. 5 - O MILAGRE DAS ROSAS. Painel de azulejos (126 x 173,5 cm) de meados do  séc. XVIII,
da autoria de Policarpo de Oliveira Bernardes (1695-1778), pintor e azulejista alentejano,
pertencente ao chamado ciclo dos mestres, período em que se produziram as melhores
peças azulejares, do barroco português. Igreja do Convento de São Francisco, Estremoz. 

Fig. 6 - MILAGRE DA CRIANÇA SALVA DAS ÁGUAS (c. 1725). Teotónio dos Santos (?). Painel
de azulejos (2,60 m x 2,40 m). Capela da Rainha Santa Isabel do Castelo de Estremoz.

quinta-feira, 15 de novembro de 2012

O papel da imprensa local


A imprensa local tem desempenhado desde sempre um papel importante e insubstituível na formação e informação do leitor, o que não deve deixar de se sublinhar.
Ao longo dos anos e por diversos períodos têm coexistido simultaneamente vários jornais em Estremoz. É uma situação indesejável na perspectiva da administração dos jornais, uma vez que assim têm maior dificuldade na angariação de publicidade. Todavia na perspectiva de serviço público, tal coexistência é não só legítima como desejável. É que esses jornais têm estatutos editoriais distintos, praxis jornalísticas diferentes e representam por vezes interesses divergentes: o poder, a oposição, grupos de cidadãos mobilizados por determinadas linhas de pensamento, etc.
Cada um deles tem o seu público-alvo, os seus defensores e os seus detractores. Numa sociedade pluralista é assim, já que o tecido social tem urdidura e trama quanto baste para aguentar tudo isto.
Por vezes há “guerras do alecrim e da manjerona” entre alguns desses jornais, por que determinada “peça” de um teria feito “comichão” na “honra” do outro. E então os jornais transformam-se em trincheiras donde os acólitos assestam baterias sobre os adversários. É um tiroteio útil, pois traz à luz da ribalta, factos que doutra formam ficariam amordaçados e no segredo dos deuses. De resto, lá diz o rifão: “A verdade é como o azeite, vem sempre à tona de água.”.
Para além do inigualável papel que desempenharam no momento e na época em que foram editados, os jornais locais têm ainda uma não menos importante função a desempenhar, que é a de transmitir para a posteridade a memória dessa época. Por vezes são memórias focalizadas, expondo muitas vezes a mera opinião pessoal de quem as registou. Todavia são memórias.
Para o investigador social que à laia de arqueólogo do passado, tenta reconstituir eventos ou polémicas, são verdadeiras ferramentas de trabalho. É que viabilizam a recomposição de uma época, recorrendo a diferentes visões da mesma, já que se uns faziam o ponto, os outros eram inexoravelmente o contraponto.
A Biblioteca Municipal de Estremoz tem um acervo importante de colecções de imprensa local desde o século XIX, que pode ser consultado pelo público, ainda que nalguns casos haja falta de números de determinados jornais. Mas não é esse facto que esteve na origem da presente crónica. Foi um facto de índole mais grave. É que na Biblioteca Municipal de Estremoz não existe um único exemplar do jornal “Voz do Alentejo” que se publicou em Estremoz, entre 1979 (nº1) e 1984 (nº 189) e que coexistiu ainda que não pacificamente com o jornal “Brados do Alentejo”, dirigido por José Dias Sena. A direcção do jornal “Voz do Alentejo” não ofereceu à Biblioteca Municipal de Estremoz, um único exemplar para arquivo, como tem sido timbre dos outros jornais locais. Daí que não se torne possível conhecer hoje em Estremoz, o outro lado do jornalismo. Contudo, talvez essa situação possa ser colmatada. Daí que eu dirija um apelo aos estremocenses que me lêem. Se tiverem em sua posse exemplares do jornal “Voz do Alentejo”, ofereçam-nos à Biblioteca Municipal de Estremoz, visando a reconstituição gradual de uma colecção integral do mesmo. Obrigado. Bem hajam.
Entretanto informo que o referido jornal pode ser consultado no Arquivo Distrital de Évora.
[Publicado no nº 797 (15-11-2012) do jornal "Brados do Alentejo"] 

segunda-feira, 12 de novembro de 2012

Medalhas de barro de Estremoz

Marca de fabrico Tipo 1 - Legenda “OLARIA ALFACINHA / ESTREMOZ“,
inscrita numa coroa circular de 2,3 cm e 1,4 cm de diâmetro,
com a palavra “PORTUGAL”, ao centro.

A barrística de Estremoz abarca um vasto domínio a suscitar pesquisa, o qual transvaza amplamente o mero âmbito do vasilhame de barro e dos bonecos de Estremoz. Engloba também, entre outros, o sector das medalhas de barro vermelho, mandadas fabricar a pedido de entidades como a Câmara Municipal de Estremoz, a Comissão Organizadora da Feira-Exposição de Maio ou a Comissão Organizadora das Festas à Exaltação da Santa Cruz.
Trata-se de medalhas de carácter comemorativo, associadas a eventos locais, fabricadas por recurso a moldes de gesso e submetidas posteriormente a cozedura.
O estudo destas medalhas é do âmbito da Medalhística, um ramo da Numismática e foi aqui apresentado por ordem da suposta cronologia dos espécimes conhecidos.
Das duas últimas olarias de Estremoz, a Olaria Alfacinha e a Olaria Regional, apenas conhecemos medalhas fabricadas na primeira.
O estudo aqui apresentado é necessariamente incompleto, já que incide apenas no diminuto universo de 10 medalhas que integram a nossa colecção. Todavia, nelas foi possível identificar três marcas de fabrico:
- Tipo 1 - Legenda “OLARIA ALFACINHA / ESTREMOZ“, inscrita numa coroa circular de 2,3 cm e 1,4 cm de diâmetro, com a palavra “PORTUGAL”, ao centro.
- Tipo 2 – Leganda “OLARIA ALFACINHA / ESTREMOZ“, inscrita numa coroa circular de 2,5 cm e 1,7 cm de diâmetro, com a palavra “PORTUGAL”, ao centro.
- Tipo 3 – Legenda “OLARIA ALFACINHA / ESTREMOZ / PORTUGAL “ distribuída por três linhas e ocupando uma superfície de 1,2 cm x 3 cm.
Os resultados do nosso estudo são aqui expostos como legendas das imagens apresentadas. Desde já ficamos muito gratos a todos aqueles que nos puderem dar conhecimento doutras medalhas existentes, que as há. Desde já o nosso muito obrigado.


Marca de fabrico Tipo 2 -  Leganda “OLARIA ALFACINHA / ESTREMOZ“,
inscrita numa coroa circular de 2,5 cm e  1,7 cm de diâmetro,
com a palavra “PORTUGAL”, ao centro.
Marca de fabrico Tipo 3 - Legenda “OLARIA ALFACINHA / ESTREMOZ / PORTUGAL“
distribuída por três linhas e ocupando uma superfície de 1, 2 cm x 3 cm. 
Medalha de barro vermelho, com legenda em alto-relevo “1927 NOTAVEL  VILA DE
ESTREMOZ”.  Módulo: 3,5 cm; Peso: 8 g, incluindo gancho e fita com que era fornecida.
Repare-se que a fita é verde, que é a cor municipal. Fabrico da Olaria Alfacinha. Ausência
de qualquer marca de fabrico no verso da medalha. Observe-se que apesar da legenda,
no ano de 1927 Estremoz já era cidade, uma vez que foi elevada a essa categoria 31
de Agosto de 1926, em virtude do decreto-lei nº 12.227, iniciativa do Engº Agrónomo
Santos Garcia, representante do distrito de Évora, no Senado. Recorde-se que a Ditadura
Militar que abriria as portas ao Estado Novo foi implantada a 28 de Maio de 1926 e viria
a demitir a Comissão Executiva da Câmara Municipal de Estremoz, presidida pelo Dr. José
Lourenço Marques Crespo (1872-1955), a 13 de Julho de 1926. Mas foi graças à iniciativa
do Dr. Marques Crespo, que a “Notável Vila de Estremoz”, ascendeu à categoria de cidade. 
Medalha de barro vermelho, oblonga, com o brasão de armas da cidade, encimado
pela coroa real e tendo por baixo a legenda em alto-relevo “FESTAS 1929 ESTREMOZ”.
Dimensões: 6,3 cm x 4,2 cm, Peso: 13 g. Fabrico da Olaria Alfacinha. Ausência de
qualquer marca de fabrico no verso da medalha.
Medalha de barro vermelho, oblonga, com o brasão de armas da cidade, encimado
pela coroa real e tendo por baixo a legenda em alto-relevo “FESTAS EM ESTREMOZ”.
Dimensões: 6,3 cm x 4,2 cm, Peso: 13 g. Fabrico da Olaria Alfacinha. Ausência de
 qualquer marca de fabrico no verso da medalha.
Medalha de barro vermelho, oblonga, com o brasão de armas da cidade, encimado
pela coroa real e tendo por baixo a legenda em alto-relevo “ESTREMOZ”. Dimensões: 
6,7 cm x 5 cm; Peso: 26 g. Fabrico da Olaria Alfacinha. No verso da medalha,
marca  de fabrico da Olaria Alfacinha, do tipo 1.
Medalha de barro vermelho, oblonga, com o brasão de armas da cidade, encimado
pela coroa real e tendo por baixo a legenda em baixo-relevo “ESTREMOZ”. Dimensões:
6,3 cm x 4,2 cm, Peso: 13 g. Fabrico da Olaria Alfacinha. No verso da medalha,
marca de fabrico da Olaria Alfacinha, do tipo 2.
Medalha de barro vermelho, oblonga, com o brasão de armas da cidade, encimado
pela data de 1933 e tendo por baixo a legenda em alto-relevo “FESTAS EM ESTREMOZ”.
 Dimensões: 6,3 cm x 4,2 cm; Peso: 15 g. Fabrico da Olaria Alfacinha. No verso da medalha,
 marca de fabrico da Olaria Alfacinha, do tipo 2.
Medalha de barro vermelho, oblonga, com o brasão de armas da cidade, ladeado por duas
espigas e tendo por fundo uma roda dentada com a legenda em alto-relevo “ESTREMOZ
1955”. 7 cm x 6 cm; Peso: 20 g. Fabrico da Olaria Alfacinha. Ausência de qualquer marca
no verso da medalha. Observe-se que 1955 foi o ano da 3ª Exposição Agro-Pecuária de
Estremoz, organizada conjuntamente pelo Grémio da Lavoura e pela Câmara Municipal
de Estremoz.
Medalha de barro vermelho, oblonga, com a legenda em alto-relevo  “FESTAS DA EXALTAÇÃO
DA SANTA CRUZ EM ESTREMOZ 1963”. Dimensões: 6,3 cm x 4,2 cm, Peso: 21 g. Fabrico da
Olaria Alfacinha. No verso da medalha, marca de fabrico da Olaria Alfacinha, do tipo 3.
Medalha de barro vermelho, oblonga, com a legenda em alto-relevo “FESTAS DA EXALTAÇÃO
DA SANTA CRUZ EM ESTREMOZ 1964”. Dimensões: 6,6 cm x 5,9 cm; Peso: 18 g. Fabrico da
Olaria Alfacinha. No verso da medalha, marca de fabrico da Olaria Alfacinha, do tipo 1.
Medalha de barro vermelho, circular, com a legenda em alto-relevo “FESTAS EM ESTREMOZ 1964”, emoldurada com uma grinalda de ramos de sobreiro. Módulo: 6,5 cm;  Peso: 20 g. Fabrico da
Olaria Alfacinha. No verso da medalha, marca de  fabrico da Olaria Alfacinha, do tipo 1.

domingo, 11 de novembro de 2012

Provérbios de Dezembro


DEZEMBRO - Iluminura (10,8x14 cm) do “Livro de Horas de D. Manuel I”
[Século XVI (1517-1551)], manuscrito com iluminuras atribuídas a António
de Holanda, conservado no Museu Nacional de Arte Antiga.
Pintura a têmpera  e ouro sobre pergaminho.


- Ande o frio por onde andar, pelo Natal cá vem parar.
- Assim como vires o tempo de Santa Luzia ao Natal, assim estará o ano, mês a mês até ao final.
- Caindo o Natal à segunda-feira, o lavrador tem de alargar a eira.
- Conceição molhada, festa seca.
Chuva em Novembro, Natal em Dezembro.
- De Outubro a Dezembro não busques o pão no mar.
- De Santa Catarina ao Natal, bom chover e melhor nevar.
- De Santa Catarina ao Natal, mês igual.
- De Santa Luzia ao Natal, ou bom chover ou bom nevar.
- De Santos a Santo André, um mês é; de Santo André ao Natal, três semanas.
- De Santos ao Natal perde a padeira o cabedal.
- De Santos ao Natal, ou bom chover ou bem nevar.
- Depois de o Menino nascer, é tudo a crescer.
- Dezembro com Junho ao desafio, traz Janeiro frio.
- Dezembro diz: olha que o governo está na boca do saco; até Janeiro qualquer burro passa o regueiro, mas para a frente tem de ser forte e valente; se não tens governo depois arreganhas o dente.
- Dezembro frio, calor no estio.
- Dezembro molhado, Janeiro geado.
- Dezembro nasceu Deus para nos salvar.
- Dezembro ou seca as fontes ou levanta as pontes
- Dezembro quer lenha no lar e pichel a andar.
- Dia de São Silvestre, não comas bacalhau que é peste.
- Dia de São Silvestre, nem no alho nem na reste.
- Dia de São Silvestre, quem tem carne que lhe preste.
- Do Natal a Santa Luzia cresce um palmo em cada dia.
- Do Natal a São João, seis meses são.
- Dos Santos ao Advento, nem muita chuva nem muito vento.
- Dos Santos ao Natal bico de pardal.
- Dos Santos ao Natal é bom chover e melhor nevar.
- Dos Santos ao Natal é Inverno natural.
- Dos Santos ao Natal vai um salto de pardal.
- Em caindo o Natal à segunda-feira, o lavrador tem de alargar a eira.
- Em Dezembro a uma lebre galgos cento.
- Em Dezembro ande o frio por onde andar, pelo Natal há-de chegar.
- Em Dezembro chuva, em Agosto uva.
- Em Dezembro corta lenha e dorme.
- Em Dezembro descansar para em Janeiro trabalhar.
- Em Dezembro quem vai ao São Silvestre, vai um ano, vem no outro e não se despe.
- Em Dezembro treme o frio em cada membro.
- Em Dezembro vinho, azeite e amigo sempre do mais antigo.
- Em Dezembro, a uma lebre, galgos cento.
- Em Dezembro, lenha no lar e pichel a andar.
- Em dia de festa e Natal, atesta a barriga, não faz mal.
- Em dia de Santa Luzia cresce a noite e minga o dia.
- Em dia de Santa Luzia onde o vento fica de lá aporfia.
- Em dia de São Tomé pergunta ao porco que tempo é.
- Em dia de São Tomé, favas à terra.
- Em dia de São Tomé, vão os porcos à pilé.
- Em Natal chuvoso até o diligente é preguiçoso.
- Em Outubro, Novembro e Dezembro, abre o teu celeiro e o teu mealheiro.
- Em Outubro, Novembro e Dezembro, quem come do mar, tem de jejuar.
- Entrudo borralheiro. Natal em casa, Páscoa na praça.
- Festa do Natal no lar, da Páscoa na Praça e do Espírito Santo no campo.
- Galinhas de São João, pelo Natal ovos dão.
- Janeiro gear, Fevereiro chover. Março encanar, Abril espigar, Maio engrandecer, Junho ceifar, Julho debulhar. Agosto engavelar, Setembro vindimar. Outubro revolver, Novembro semear, Dezembro nasceu Deus para nos salvar.
- Janeiro gear. Fevereiro chover, Março encanar, Abril espigar. Maio engrandecer. Junho ceifar, Julho debulhar. Agosto engavelar, Setembro vindimar. Outubro revolver. Novembro semear. Dezembro nascer.
- Laranja antes do Natal livra o catarral.
- Na mesa de Natal, o pão é o principal.
- Não há ano, afinal, que não tenha o seu Natal.
- Não há em Dezembro valente que não trema.
- Não peças água a Luzia e a Simão, nem sol a António e a João, que eles tudo isso te darão.
- Natal a assoalhar e Páscoa ao luar.
- Natal à segunda-feira, lavrador alarga a eira.
- Natal à sexta-feira, guarda o arado e vende os bois.
- Natal ao sol, Páscoa ao fogo, fazem o ano formoso.
- Natal de rico é bem sortido.
- Natal em casa, junto à brasa.
- Nem em Agosto caminhar, nem em Dezembro marear.
- No dia de Santa Luzia, cresce um palmo cada dia.
- No dia de Santa Luzia, onde o vento fica, de lá aporfia.
- No dia de Santo André, pega o porco pelo pé; se ele disser quié-quié, diz-lhe que tempo é; se ele disser que tal-que-tal, guarda-o para o Natal.
- No dia de São Silvestre, não comas bacalhau que é peste.
- No dia de São Tomé, quem não tem porco, mata a mulher.
- No Natal a casa, junto à brasa.
- No Natal tem o alho bico de pardal.
- No Natal, só o peru é que passa mal.
- No Natal, todo o lobo vira cordeiro.
- No Santo Ambrósio, frio para oito dias.
- Noite de Natal estrelada dá alegria ao rico e promete fartura ao pobre.
- Nos bons anos agrícolas, o Natal passa-se em casa e a Páscoa na rua.
- Nove meses de Inverno e três de Inferno.
- Novembro, semear; Dezembro, nascer.
- Nuvens em Setembro: chuva em Novembro e neve em Dezembro.
- O ano vai mal, se não há três cheias antes do Natal.
- O Natal ao soalhar e a Páscoa ao luar.
- O Natal em casa e junto da brasa.
- O Natal quer-se na praça, a Páscoa em casa.
- Outubro, Novembro e Dezembro, não busques o pão no mar, mas torna ao teu celeiro e abre teu mealheiro.
- Outubro, Novembro e Dezembro, não busques o pão no mar.
- Outubro, revolver; Novembro, semear; Dezembro, nasceu um Deus para nos salvar; Janeiro, gear; Fevereiro, chover; Março, encanar; Abril, espigar; Maio, engrandecer; Junho, ceifar; Julho, debulhar; Agosto, engravelar; Setembro, vindimar.
- Para o ano não ir mal, hão-de os rios três vezes encher, entre o São Mateus e o Natal.
- Para o ano ser bom, passar o Natal na rua e a Páscoa em casa.
- Pela Conceição, de galinholas um quarteirão.
- Pela Santa Luzia, minga a noite e cresce o dia.
- Pela Senhora da Conceição, favas ao chão; por São Tomé, carregam da ponta ao pé; eu semeio quando me faz conta e carregam do pé à ponta.
- Pelo Natal cada ovelha em seu curral.
- Pelo Natal se houver luar, senta-te ao lar; se houver escuro, semeia outeiros e tudo.
- Pelo Natal, bico de pardal vai ao laranjal.
- Pelo Natal, cada ovelha em seu curral.
- Pelo Natal, lua cheia, casa cheia.
- Pelo Natal, neve no monte, água na ponte.
- Pelo Natal, poda natural.
- Pelo Natal, sachar o faval.
- Pelo Natal, saltinho de pardal.
- Pelo Natal, semeia o teu alhal e se o quiseres cabeçudo, semeia-o no Entrudo.
- Pelo Natal, sol; pela Páscoa, carvão.
- Pelo Natal, tenha o alho bico de pardal.
- Pelo Santo André pega no porco pelo pé. Se ele disser cué-cué, diz-lhe que tempo é; se ele disser que tal, que tal, guarda-o para o Natal.
- Pelo São Nicolau neve e arraia, mas não carapau.
- Pelo São Silvestre, nem no alho nem na reste.
- Por Natal ao jogo e por Páscoa ao fogo.
- Por Natal sol e por Páscoa carvão.
- Por São Silvestre o bacalhau é peste.
- Por Todos-os-Santos, neve nos campos; por dia de São Nicolau, neve no chão.
- Quando o Natal tem o seu pinhão, a Páscoa tem o seu tição.
- Quem quer bom ervilhal semeia antes do Natal.
- Quem quiser bom pombal, ceva-o pelo Natal.
- Quem vareja antes do Natal, fica-lhe a azeitona no olival.
- Quem varejar antes do Natal, deixa azeite no olival.
- Se Junho não judia, Dezembro não castiga.
- Se os pepinos dessem em Dezembro, ninguém os comeria.
- Se te queres livrar de um catarral, come uma laranja antes do Natal.
- Sol de Dezembro sai tarde e põe-se cedo.
- Sol no Natal, chuva na Páscoa.
- Três semanas antes do Natal, Inverno geral.
- Tudo a seu tempo e os nabos no Advento.
- Uma cama em Agosto e uma ceia em Natal, quem a quer a pode dar.

Publicado inicialmente a 11 de Novembro de 2012