sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

O meu bigode


Uma amiga publicou no seu mural do Facebook, a folha do calendário do mês de Agosto, onde a dezanove é cognoscível a minha carantonha, o que me levou a dizer-lhe:
- “O leão bigodudo sou eu. Obrigado e um abraço.”
A minha amiga considerou que essa do leão bigodudo era o máximo, ao que eu repliquei:
- “É verdade, amiga. Um bigode que se preze, ornamenta necessariamente o lábio superior dum leão. Existirá, porventura, maior dignidade para um bigode? Ser bigode leonino, é outra loiça. É ser bigode de outra dimensão.
Implantado num leão, um bigode que se preze é capaz de atingir Vénus e dali partir à conquista do Cosmos. Na sequência do Big Bang primordial, o elo de ligação entre o nada e o tudo, é assim, o bigode leonino do leão bigodudo.
PIM!”
A minha amiga respondeu-me, dizendo primeiramente que ia contar a minha bela história à dona tesoura, para ver o que ela dizia. Depois acrescentou que ficara a imaginar a cena do bigode a viajar por Vénus e conquistando o Cosmos. Terminaria dizendo que só eu, que era bárbaro!!!!
Porque a minha amiga é encantadora, senti necessidade de lhe explicar o meu bigode:

Amiga:

O meu bigode é efectivamente um bigode barbaramente bárbaro.
Você já reparou que o meu bigode não é à Tonico Basto, da “Gabriela, Cravo e Canela”? Você já me imaginou com um bigode todo direitinho, aparadinho e penteadinho com um pentinho, sempre omipresente no bolso de fora do paletó? Acha que eu dava para fazer de galã desenxabido de uma terra qualquer do interior nordestino? Não está a imaginar, pois não? Faz bem, pois tal bigode não confere com as linhas mestras do meu ser.
O meu bigode é um bigode à Charles Bronson ou melhor à Gengis Khan, com as pontas reviradas para baixo, o que sem eu querer, me conferirá, porventura, um ar durão, o que convenhamos não assenta mal a um leão, que tem natureza intrinsecamente solar. Apesar de tudo, há quem diga que eu tenho um coração de manteiga…
O meu bigode é um bigode com as pontas reviradas para baixo. Você já me imaginou com o bigode revirado para cima, com ar de monárquico órfão à espera que El-Rei D. Sebastião regresse numa manhã de nevoeiro? (Que me perdoem os meus amigos monárquicos, que os tenho, por tecer considerações sobre os seus reais bigodes). Mas eu, que sou realmente republicano, só posso usar um bigode com as pontas reviradas para baixo.
Os meus avós começaram por ser jornaleiros sem terra, antes de endireitarem a vida, com o que quebraram as costas. Onde é que já se viu o neto de um jornaleiro sem terra, usar um bigode à Bragança? Os meus defuntos avós dariam nas tumbas, cambalhotas de indignação. Por isso, o meu bigode à Gengis Khan, é um bigode que tem a ver com as minhas origens. Um marxista diria aqui que o meu bigode tem a ver com a minha natureza de classe.
O meu bigode de pontas para baixo, nasceu nos tempos do “Make Love not War”, quando eu usava camisas às flores, com colarinhos de metro e meio.
Tempos depois, na altura do Maio de 68, dos plenários permanentes na Sorbone, nas barricadas nas ruas de Paris, quando se gritava contra o poder estabelecido “Estudantes e Operários, a mesma luta!”, o meu bigode continuou com as pontas para baixo, agora proletarizadas pela ideologia emergente. As flores das camisas murcharam, mas o bigode, esse não, revitalizou-se nos combates de então.
Mais tarde, viria Abril construído com muitos Maios. E o meu bigode desceu à rua e andou por aí em mares de gente que queriam construir um país novo. E o meu bigode, sempre de pontas para baixo, saiu retemperado dessas lutas.
É esse o bigode que mantenho, agora grisalho pela patine do tempo, que é como que a minha certidão de idade.
O meu bigode de pontas para baixo, é uma das minhas marcas identitárias. Não se vende, não se troca, não se rende.

O MEU BIGODE CONTINUA!

(O leão bigududo com carantonha supra)

quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

Do Carnaval à Quaresma - Notas de Literatura Oral


O Combate entre o Carnaval e a Quaresma (1559). Pieter Bruegel, o Velho (1526/1530–1569). Óleo
sobre madeira (164,5 x 118 cm). Museu de História de Arte, Viena. Do lado esquerdo, obeso, o
príncipe Carnaval que representa supostamente os protestantes, ao passo que à direita, o
indivíduo magro e triste, encarna os católicos.

A ACÇÃO DA IGREJA CATÓLICA
A Quaresma é o período de quarenta dias que antecipam o Domingo de Páscoa, durante o qual se comemora a ressurreição de Jesus Cristo, que segundo a Igreja, passou quarenta dias no deserto, em jejum e oração, como preparação para a vida pública.
A Quaresma começa na quarta-feira de cinzas e termina na chamada Quinta-Feira Santa, data da celebração da última ceia de Jesus Cristo com os doze apóstolos. Após a Quaresma, inicia-se o chamado Tríduo Pascal, que finda no Domingo de Páscoa.
Na prática, o tempo de Quaresma são quarenta e sete dias, já que de acordo com o Cristianismo, o domingo, dedicado já como dia do Senhor, não é contado durante a Quaresma.
Durante a Quaresma, a Igreja convida os fiéis a um período de penitência e de meditação, através da prática do jejum, da esmola e da oração, como preparação para o Domingo de Páscoa.
Qual a origem da Quaresma? Em 313 da era cristã, o imperador romano Constantino, promulgou o Édito de Milão, que declarava a religião Cristã como legal e dotada de plena liberdade, ao mesmo tempo que anulava o vínculo até então existente entre o Estado Romano e a Religião pagã. Como consequência desse Édito, os templos e outros bens imóveis confiscados aos cristãos, foram devolvidos. Multidões de pagãos quiseram então entrar na Igreja. Foi assim que no séc. IV d. C, a Igreja criou a Quaresma.
O período de três dias que precedem a Quaresma é conhecido por Entrudo (Do latim introitus, -us, entrada, começo) ou Carnaval (Do francês carnaval, do italiano carnevale, de carnelevare, retirar a carne) e nele decorrem alegres brincadeiras e festas populares, que assumem múltiplas formas.
Apontado por muitos como tendo uma remota origem pré-cristã, o Carnaval assumiu importância no séc. IV d.C., quando a Igreja Católica, estabeleceu a Semana Santa antecedida dos quarenta dias da Quaresma. Um período de tão longa penitência e privações, incentivaria a realização de festas populares nos três dias que antecediam a Quarta-feira de Cinzas, o primeiro dia da Quaresma. Os três dias de Carnaval são conhecidos por dias gordos, especialmente a Terça-feira gorda.

ONOMÁSTICA E ALCUNHAS ALENTEJANAS
A onomástica portuguesa não permite que alguém tenha como nome próprio, “Carnaval” ou “Entrudo”. Permite todavia que alguém, homem ou mulher use o nome “Quaresma”, como segundo elemento do nome, podendo até o termo “Quaresma” ser pronome de família. [4] [6] Todavia o sábio povo alentejano soube tornear o problema, através da atribuição de alcunhas alentejanas: São conhecidas as seguintes:
- CARNAVAL – O visado nasceu em dia de Carnaval (Redondo e Castro Verde). [13]
- ENTRUDO – Alcunha atribuída em Reguengos de Monsaraz. [13]
- ENTRUDO CASTELHANO - alcunha aplicada em Moura. [13]
- QUARESMO(A) - alcunha outorgada em Avis e Grândola. [13]

TOPÓNIMOS E CALÃO
São desconhecidos topónimos [3] e praticamente desconhecidos termos de calão, tendo por base as palavras “Carnaval”, “Entrudo” e “Quaresma”. [7][9][10][12][14]. Todavia, o termo “Carnaval” é sinónimo de orgia [2] e designativo de tudo o que dá para a galhofa. [15] Por sua vez, no calão transmontano, “Entrudo”, designa uma pessoa gorda. [15]

SUPERSTIÇÕES POPULARES
São significativas as superstições populares relativas ao "Carnaval" e à "Quaresma". Destacamos algumas:
- “Não se deve fiar na Terça-Feira de Carnaval, porque isso seria fiar as barbas ao Entrudo. Se alguém fosse visto fazendo isso em tal dia, não passaria sem ver a roca e o fuso queimados.“ [17]
- “Na Quarta-Feira de Trevas não se deve fiar depois do pôr-do-sol, porque foi então que os Judeus fiaram as cordas com que prenderam Nosso Senhor Jesus Cristo.” [17]
- “É bom em Quarta-Feira de Trevas pôr um ferro sobre a ave que choca ovos, para que estes não gorem.” [17]
- “Desde Quarta-Feira de Trevas até à hora da Ressurreição de Sábado d'Aleluia não se deve secar roupa porque ela apareceria com pintas de sangue.” [17]
- “É um preservativo para afugentar as trovoadas, queimar palma benta em Domingo de Ramos e espalhar o fumo pela casa.” [17]
- “Quando fazem trovões, para que não aconteça mal algum, é bom acender um coto de vela, que tivesse estado aceso nalguma igreja em Quinta-Feira ou Sexta-Feira Santa.” [17]
- “No Sábado de Aleluia, é bom furtar-se água da pia de baptismo de uma igreja; três gotas desta água deitadas no comer livram de feitiços a quem as toma, mas há-de ser depois de o comer ser tirado do lume, porque antes é pecado.” [17]

ADIVINHAS
As adivinhas são outro elemento importante da nossa literatura oral, com presença significativa no período que temos vindo a abordar. Curiosamente não conseguimos localizar adivinhas relativas ao "Entrudo" ou "Carnaval", mas são múltiplas, aquelas cuja solução óbvia é “A Quaresma”:

“Posto que velha me vejas,
Já fui moça e sou formosa;
Deu-me o céu, em sete filhas,
Descendência venturosa.

Cinco destas são mui justas;
Uma por santa se exalta;
A mais velha é muito boa,
Teve contudo uma falta.

Todo o mundo nos tributa
Mais ou menos atenções;
Trata a todos com respeito.
Segue as nossas devoções.” [5]

“Sou uma velha, muito velha,
Com o ranço na garganta;
De sete filhas que tive
Só uma me saiu santa.” [5]

“Uma mãe com sete filhas: uma com faltas, cinco justas e uma santa. Qual é a mãe?” [5]

“Uma mãe com sete filhas:
Cinco justas,
Uma santa
E outra com falta” [11]

“Sete irmãs são,
uma é santa
e seis não.” [16]

O ADAGIÁRIO PORTUGUÊS
É interessante o adagiário relativo ao "Entrudo" ou "Carnaval". Como se trata de um período de certa licenciosidade, que é ansiosamente aguardado, o Povo sabe contar os dias:
-”Dos Santos ao Natal, cada dia mais mal; do Natal ao Entrudo, come-se capital e tudo.”
-”Do Natal ao Entrudo é um mês, quem bem contar sete semanas lhe há-de achar.”
-”Esta vida são dois dias e o Carnaval são três.”
-”Do Carnaval à Páscoa vão sete semanas.”
Há adágios que exprimem bem as características especiais de que se reveste a quadra festiva:
-”É Carnaval, ninguém leva a mal.”
-”No Carnaval nada parece mal.”
-”Em dia de Entrudo não há querela.”
-”No Entrudo, come-se tudo”.
-”Farta-te gato, que é dia de Entrudo.”
-“Namoro de Carnaval, não chega ao Natal.”
-”Alegria, Entrudo, que amanhã será cinza.”
-“O Entrudo, leva tudo.”
A observação do céu levou a criação de máximas relativas à astrologia do tempo, como é o caso desta:
-”Não há Entrudo sem Lua Nova, nem Páscoa sem Lua Cheia.”
Os adágios tecem, por vezes, considerações de natureza meteorológica:
-”Entrudo borralheiro, Páscoa soalheira.”
-”Carnaval na eira, Páscoa à lareira.”
-”Entrudo borralheiro, Natal em casa, Páscoa na praça.”
Outras vezes é a própria fauna que é observada:
-”Pelo Entrudo – cartaxo penudo.”
O adagiário, dá de resto, orientações relativas ao trabalho:
-”No Natal, fiar; no Entrudo, dobar; na Quaresma, tecer; e na Páscoa, coser.”
Dá igualmente recomendações para a Agricultura:
-”Pelo Natal semeia o teu alhal, e se o quiseres cabeçudo, semeia-o pelo Entrudo.”
-”Quem quiser o alho cabeçudo, sache-o pelo Entrudo.”
-”Quem quiser o alho cachapernudo, plante-o no mês do Entrudo.”
A "Quaresma" é mais escassa de adágios que o "Entrudo" ou "Carnaval", já que sendo um período de penitência, é menos do agrado popular. Com fundamento religioso é conhecido o adágio:
- “A Quaresma é muito pequena para quem tem de pagar a Páscoa.”
Por lei geral da Igreja, os fiéis de mais de 14 anos, não dispensados, devem abster-se de comer carne em certos dias do ano. Em Portugal, são dias de abstinência a Quarta-Feira de Cinzas e as sextas-feiras do ano que não coincidam com solenidades litúrgicas. Desta tradição penitencial da Igreja, nasceu o adágio:
- “Salmão e sermão têm na Quaresma a sua estação.”
A disciplina penitencial podia ser quebrada por Indulto Pontifício através duma licença canónica, a chamada Bula, que permitia comer carne nos dias de abstinência, mediante o pagamento de dinheiro que visava segundo a Igreja, a fundação e manutenção dos seminários. Assim, os ricos que já podiam comer carne todos os dias, também podiam pagar a Bula à Santa Sé, para comerem carne pela Quaresma. Pagavam à Igreja pelo pecado e eram abatidos da lista dos que iam para o Inferno. Daí que haja adágios que, como profunda crítica social, relatam a opinião dos pobres:
- “A Quaresma e a cadeia para o pobre é feita.”
- “A Quaresma e a cadeia para pobres é feita.”
A Bula, como forma de indulto vigorava desde 31 de Dezembro de 1914 (Papa Bento XV) e só cessou com a nova disciplina penitencial decretada pela Constituição Apostólica Paenitemini, que trata do jejum e da abstinência na Igreja Católica e foi promulgada por Paulo VI, em 1966.

CANCIONEIRO POPULAR
O Entrudo, de que o povo muito gosta, é um período de excelência gastronómica, cuidadosamente preparado:

“Eu hei-de mandar fazer,
Que eu não posso fazer tudo,
Uma ponte de filhoses
Para passar o Entrudo.” [8] – Castro Verde

O Entrudo é, naturalmente, um período de divertimento popular, considerado curto:

“Divertimos o Entrudo
Que se nos vai acabando;
Sabe Deus quem chegará
Desde que vem a um ano.” [8] – Castro Verde

Com o Entrudo, termina a gastronomia de excelência e entra-se na Quaresma, que exige penitência:

“Já lá se vai o Entrudo
Com galinhas e capões;
Agora vem na Quaresma,
Estudam-se as orações.” [8] – Vila Verde de Ficalho

“Já se acabou o Entrudo,
Já não se fazem funções;
Agora vem a Quaresma:
Calabaças com feijões. [8] – Alandroal

O povo, que gosta do Entrudo, refere o fim deste, de uma forma algo mordaz:

“Aí vai já o Entrudo
Pelo caminho do poço;
Vai gritando em altas vozes
Que lhe cortaram o pescoço.” [8] – Castro Verde

Todavia, para gáudio do Povo, decorrido um ano, aí estará de novo o Entrudo, qual Fénix renascida das cinzas.

Pulicado pela primeira vez em 10 de Fevereiro de 2011

BIBLIOGRAFIA
[1] - BESSA, Alberto. A Gíria Portugueza. Gomes de Carvalho - Editor. Lisboa, 1901.
[2] - BÍVAR, Artur. Dicionário Geral e Analógico da Lingua Portuguesa. Lello e Irmão, editores. Porto, 1948.
[3] – FRAZÃO, A. C. Amaral. Novo Dicionário Corográfico de Portugal. Editorial Domingos Barreira. Porto, 1981.
[4] – GRANDE ENCICLOPÉDIA PORTUGUESA E BRASILEIRA. Volume 23. Editorial Enciclopédia, Limitada. Lisboa, s/d.
[5] - GUERREIRO, M. Viegas. Adivinhas Portuguesas. Fundação Nacional Para A Alegria No Trabalho. Lisboa, 1957.
[6] - INSTITUTO DOS REGISTOS E DO NOTARIADO. Vocábulos admitidos e não admitidos como nomes próprios. [http://www.irn.mj.pt/sections/irn/a_registral/registos-centrais/docs-da-nacionalidade/vocabulos-admitidos-e/downloadFile/file/2010-09-30_-_Lista_de_nomes.pdf?nocache=1287071845.45]
[7] – LAPA. Albino. Dicionário de Calão. Edição do Autor. Lisboa, 1959.
[8] – LEITE DE VASCONCELLOS, José. Cancioneiro Popular Português, vol. III. Acta Universitatis Conimbrigensis, Coimbra, 1983
[9] - NEVES, Orlando. Dicionário de Expressões Correntes. Editorial Notícias. Lisboa, 1998.
[10] - NOBRE, Eduardo. Dicionário de Calão. Publicações Dom Quixote. Lisboa, 1986.
[11] - PIRES DE LIMA, Augusto C. O Livro das Adivinhas. 2ª Edição. Editiorial Domingos Barreira. Porto, s/d.
[12] - PRAÇA, Afonso. Novo Dicionário de Calão. Editorial Notícias. Lisboa, 2001.
[13] - RAMOS, Francisco Martins; SILVA, Carlos Alberto da. Tratado das Alcunhas Alentejanas. 2ª edição. Edições Colibri. Lisboa, 2003.
[14] – SANTOS, António Nogueira. Novos dicionários de expressões idiomáticas. Edições João Sá da Costa. Lisboa, 1990.
[15] – SIMÕES, Guilherme Augusto. Dicionário de Expressões Populares Portuguesas. Publicações Dom Quixote. Lisboa, 1993.
[16] - VIALE MOUTINHO, José. Adivinhas Populares Portuguesas. 6ª Edição. Editorial Notícias. Lisboa, 2000.
[17] - PEDROSO, Consiglieri. Contribuições para uma Mitologia Popular Portuguesa e Outros Escritos Etnográficos. Publicações D. Quixote. Lisboa, 1988.

Entrudo familiar. Augustus Earle (1793-1838). Aguarela sobre papel (34 x 21,6 cm).
 Biblioteca Nacional da Austrália, Canberra.

Carnaval. Capa da revista "Ilustração Portuguesa" nº 781, de 5 de Fevereiro de 1921,
com ilustração de Leal da Câmara (1876-1948).

Carnaval. Cartoon de Stuart de Carvalhais (1887-1961) na revista "Ilustração Portuguesa"
nº 524, de 6 de Março de 1916.

Carnaval. Capa da revista “Ilustração portugueza” nº 886, de 10 de Fevereiro de 1923,
com ilustração de Melendez.

terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

A barrística de Estremoz e os provérbios - 1

Procuraremos a partir de hoje, associar provérbios da nossa tradição oral, a exemplares da barrística popular estremocense. Todos os bonecos apresentados hoje, são da autoria das Irmãs Flores.  


COZINHEIRA
A melhor cozinheira é a azeiteira.

MOLEIRO
Muda-se de moleiro, não se muda de ladrão.
LEITEIRO
Não adianta chorar sobre o leite derramado.

COZINHA DOS GANHÕES
Sopa de ganhões, cada três um pão.


MULHER AO POIAL DOS CÂNTAROS
Bebedice de água nunca acaba.

HOMENS NO PETISCO
Comamos e bebamos e nunca mais ralhamos.

sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

Provérbios de Fevereiro


FEVEREIRO - Iluminura (10,8x14 cm) do “Livro de Horas de D. Manuel I”
[Século XVI (1517-1551)], manuscrito com iluminuras atribuídas a
ntónio de Holanda, conservado no Museu Nacional de Arte Antiga.
Pintura a têmpera e ouro sobre pergaminho.

- A castanha e o besugo, em Fevereiro não têm sumo.
- A doçura de Fevereiro, faz o dono cavalheiro.
- A dois dias de Fevereiro, sobe ao outeiro: se a candelária chorar, está o Inverno a chegar; se a candelária sorrir, está o Inverno para vir.
- A Fevereiro e ao rapaz perdoa tudo quanto faz, se Fevereiro não for secalhão e o rapaz não for ladrão.
- A neve que em Fevereiro cai das serras, poupa um carro de estrume às vossas terras.
- Água de Fevereiro enche o celeiro.
- Água de Fevereiro mata o onzeneiro.
- Aí vem o meu irmão Março que, de oito só deixa quatro.
- Aí vem o meu irmão Março, que fará o que eu não faço.
- Ao Fevereiro e ao rapaz, perdoa tudo quanto faz.
- Aproveite em Fevereiro quem folgou em Janeiro
- Aproveite Fevereiro quem folgou em Janeiro.
- Aveia de Fevereiro enche o celeiro.
- Bons dias em Janeiro enganam o homem em Fevereiro.
- Bons dias em Janeiro, pagam-se em Fevereiro.
- Candelária (2/2) chovida, à candeia dá vida.
- Chuva de Fevereiro mata o onzeneiro.
- Chuva de Fevereiro vale por estrume.
- Chuva em Dia das Candeias(2/2), ano de ribeiras cheias.
- Dia de S. Brás (3), a cegonha verás, e se não a vires o Inverno vem atrás.
- Dia de S. Matias (24), começam as enxertias. .
- Em dia de S. Matias (24) começam as enxertias.
- Em Fevereiro chega-te ao lameiro.
- Em Fevereiro chuva, em Agosto uva.
- Em Fevereiro enche a velha o fumeiro.
- Em Fevereiro entra o sol em qualquer rigueiro.
- Em Fevereiro mata o teu carneiro.
- Em Fevereiro mete obreiro.
- Em Fevereiro neve e frio, é de esperar calor no estio.
- Em Fevereiro põe a mãe ao soalheiro e manda-lhe um saraivem.
- Em Fevereiro põe o teu fumeiro.
- Em Fevereiro põe o teu porquinho ao sol.
- Em Fevereiro, cada sulco um regueiro.
- Em Fevereiro, chega-te ao lameiro.
- Em Fevereiro, ergue-se o centeio, a aveia enche o celeiro e a perdiz faz-se ao poleiro.
- Em Fevereiro, frio ou quente, chova sempre.
- Em Fevereiro, mete obreiro; pão te comerá, mas obra te fará.
- Em Fevereiro, no primeiro jejuarás, no segundo guardarás, no terceiro dia de S. Brás.
- Em Fevereiro, vai acima ao outeiro: se vires verdejar, põe-te a chorar; se vires terrear, põe-te a cantar.
- Fevereiro afoga a mãe no ribeiro.
- Fevereiro chuvoso faz o ano formoso.
- Fevereiro coxo, em seus dias vinte e oito.
- Fevereiro couveiro faz a perdiz ao poleito
- Fevereiro é dia, e logo é Santa Maria (2/2).
- Fevereiro é o mais curto mês e o menos cortês.
- Fevereiro enxuto rói mais que todos os ratos do mundo.
- Fevereiro enxuto, rói mais pão do que quantos ratos há no mundo.
- Fevereiro faz dia, e logo Santa Maria (2/2).
- Fevereiro matou a mãe no soalheiro.
- Fevereiro quente, traz o diabo no ventre.
- Fevereiro recoveiro faz a perdiz ao poleiro; Março três ou quatro.
- Fevereiro trocou dois dias por uma tijela de papas.
- Fevereiro, chover.
- Fevereiro, enganou a mãe ao soalheiro.
- Fevereiro, fêveras de frio, e não de linho.
- Fevereiro, matou a mãe ao soalheiro.
- Fevereiro, o mais curto mês e o menos cortês.
- Fevereiro: rego cheio.
- Janeiro geoso e Fevereiro chuvoso fazem o ano formoso.
- Lá vem Fevereiro, que leva a ovelha e o carneiro.
- Janeiro gioso, Fevereiro nevoso, Março molinhoso, Abril chuvoso, Maio ventoso faz o ano formoso.
- Luar de Janeiro faz sair a galinha do poleiro, lá vem Fevereiro que leva a galinha e o carneiro.
- Neve de Fevereiro, presságio de mau celeiro.
- Neve em Fevereiro não faz bom celeiro.
- Neve em Fevereiro, é como a água carregada num cesteiro.
- Neve em Fevereiro, é mau para o celeiro.
- Neve que em Fevereiro cai das serras, poupa um carro de estrume às vossas terras.
- O primeiro de Fevereiro jejuarás, o segundo guardarás e o terceiro é dia de S. Brás; semeia o cebolinho e tê-lo-ás.
- O sol de Fevereiro matou a mãe ao soalheiro.
- O tempo de Fevereiro enganou a mãe ao soalheiro.
- Para parte de Fevereiro, guarda a lenha no quinteiro.
- Para parte de Fevereiro, guarda lenha.
- Pelo S. Matias (24), noites iguais aos dias.
- Por S. Brás (3) atirarás.
- Por S. Matias (24) começam as enxertias.
- Por S. Matias (24), antes de Março cinco dias salta da boga na cascalheira.
- Quando a candeia (2) chora, já o Inverno vai fora, quando a candeia ri, ainda o Inverno está para vir.
- Quando a Candelária (2) chora, o inverno já está fora; quando a Candelária ri, o inverno está para vir.
- Quando Fevereiro não tem grande frio, o vento dominará até ao Estio.
- Quando não chove em Fevereiro, não há bom prado, nem bom centeio.
- Quando não chove em Fevereiro, não há bom prado, nem bom palheiro.
- Quando não chove em Fevereiro, nem bom prado nem bom celeiro.
- Quando não chove em Fevereiro, nem bom prado, nem bom centeio
- Quando não chove em Fevereiro, nem bom prado, nem bom lameiro, nem bom corno no carneiro.
- Quando não chove em Fevereiro, nem bom prado, nem bom palheiro.
- Quando não chove em Fevereiro, nem prados nem centeio.
- Quando não chove em Fevereiro; nem bom centeio nem bom lameiro.
- Quem andar a gosto, não sai de casa em Fevereiro.
- Quem quiser o alho cabeçudo, planta-o no mês do Entrudo.
- Quem quiser o alho cabeçudo, sache-o pelo Entrudo.
- Quer no começo quer no fundo, em Fevereiro vem o Entrudo.
- Rindo se vai Fevereiro, porque lhe jejuam no seu dia primeiro.
- S. Brás (3) te afogue que Deus não pode.
- Se a Candelária (2/2) chora, está o Inverno fora, se a Candelária rir está o Inverno para vir.
- Se a Senhora das Candeias (2/2) ri e chora, está o inverno meio dentro e meio fora.
- Se a Senhora das Candeias (2/2) chora, está o inverno fora.
- Se a Senhora das Candeias (2/2) rir, está o inverno para vir.
- Se o Inverno não faz o seu dever em Janeiro, faz em Fevereiro.
- Se queres ser bom grãoseiro, semeia-o em Fevereiro.
- Se seco e quente é o mês de Fevereiro, guarda para os cavalos o feno no celeiro.
- Tanta chuva pelas candeias (2/2), tantas abelhas pelas colmeias.
- Tantos dias de geada terá Maio, quantos de nevoeiro teve Fevereiro.
- Vai-te embora Fevereirinho de vinte e oito, que deixaste os meus bezerrinhos todos oito; deixo estes, que
- aí vem Março que de oito deixa quatro.
- Vai-te embora Fevereiro com os teus vinte e oito; se durasses mais quatro, não durava cão nem gato.
- Vai-te embora Fevereiro que levaste o meu cordeiro! Aí vem meu irmão Março que de oito te deixa quatro.
- Vai-te embora Fevereiro, que não me deixaste nenhum cordeiro.
- Vai-te embora irmão Fevereiro que cá fica a minha ovelha com o meu cordeiro; mas lá vem o irmão Março que não deixará ovelha nem farrapo, nem o pastor se for fraco.
- Vale mais no rebanho ter um lobo, que mês de Fevereiro formoso.
- Vale mais uma raposa no galinheiro, que um homem em camisa em Fevereiro.

Publicado inicialmente em 4 de Fevereiro de 2011

sábado, 29 de janeiro de 2011

A caça aos grilos - 2ª edição

Esta é a 2ª edição do post A CAÇA AOS GRILOS, editado em 21 de Fevereiro de 2010, agora revisto, reformulado e ampliado com apontamentos de literatura oral, bem como pela adição de uma nova ilustração e de um novo vídeo.

 Gaiola paras grilos, feita de cana, cortiça e cordão (Colecção do autor).

EU E OS GRILOS
Íamos apanhar grilos cuja toca localizávamos pelo som. Feito isto, o grilo estava perdido. Obrigávamo-lo a sair à força com uma palhinha que metíamos na toca. Porém, se não saía a bem, saía a mal. Para grandes males, grandes remédios. Víamo-nos então forçados a dar uma mijadela na toca, o que tinha o condão de persuadir o grilo a sair. Apanhávamo-lo depois com as mãos postas em concha e metíamo-lo numa caixa de fósforos das grandes, nas quais previamente tínhamos feito uns pequenos respiradouros, não fosse o caso de o bicho, salvo da morte por afogamento, viesse a morrer de asfixia. Depois, já em casa, o grilo era metido numa gaiola, havendo as feitas só de cana e as de arame e cortiça ou de arame e madeira.
Alimentávamos o grilo com folhas de serralha ou de alface, que íamos renovando para o “cantor” ter permanentemente alimentação fresca.
Os grilos que cantavam bem eram chamados de “realistas”.
As gaiolas estavam geralmente junto às janelas.
Tivemos conhecimento que, por vezes, os trabalhadores rurais prendiam na camisa uma gaiola de “bunho” com um grilo lá dentro, que cantava para eles o dia inteiro.
OS GRILOS NA LITERATURA ORAL
A caça aos grilos era uma traquinice dos putos da minha laia e da minha geração. Decorridos mais de cinquenta anos sobre a última mijadela numa toca, resta a saudade dos tempos que já lá vão. Esta, aliada à memória dos nossos ancestrais, tornou-me arqueólogo da oralidade com a missão explícita de escavar os múltiplos géneros da nossa literatura popular. Daí que tenha registado a presença dos grilos no adagiário português:
- “Anda a raposa aos grilos.“
- “Fica melhor a mulher no seu lar, ouvindo o grilo cantar. “
- “Infeliz da raposa que anda aos grilos.“
- “Mal vai a raposa quando anda aos grilos e ao juiz quando vai à forca. “
- “Mal vai a raposa quando anda aos grilos e pior quando anda aos ovos.“
- “Mal vai a raposa quando anda aos grilos.” [13]
- ”Quando a raposa anda aos grilos, a mulher dama fia e o escrivão não sabe quantos são do mês, mal deles três.“
- “Quando a raposa anda aos grilos, mal da mãe, pior dos filhos.“
- “Quando a raposa anda aos grilos, vai mal para a mãe e pior para os filhos.“
- “Quando o grilo grilar, está a seara a aloirar.“
- “Se queres um grilo, vai pari-lo.“
- “Tomai a sorte do grilo, que é comer e cantar.“
A presença dos grilos no reportório das adivinhas portuguesas é vasto e na maioria delas, a solução é obviamente: “Grilo”. Eis uma:  

“Eu canto ao desafio
Como a cigarra no Verão.
Gosto muito de alfaces
E não trabalho ao serão.” [10]   

Eis outra:                        

“Lá no deserto onde vivo
Me vão buscar da cidade.
Nascendo em dias grandes
É mui curta a minha idade.
Cantar sem abrir a boca
É o meu divertimento.
Como leigo que sou
Pertenço a certo convento.
Dão-me uma pequena cela
Onde só posso habitar,
E uma ração em cru
Até na cela acabar.” [5]                           
    
Mais uma:                                 

“Não sou frade, nem sou monge,
Nem sou de nenhum convento;
Meu fato é de franciscano,
E só de ervas me sustento.” [7]  

E ainda mais uma:           
                       
“Seja de noite ou de dia
um pequeno bailarino
oferece serenatas
sem guitarra ou violino.” [1]                    
                  
Todavia a solução da adivinha pode envolver mais que um animal, como acontece nesta:  
 
“Quem é quem é
Que canta
Sem ser com a garganta?” [3]                                  

A solução agora é “A cigarra e o grilo” .                               
     
A adivinha pode, de resto, aparentemente envolver cálculo mental:              

“Bão três grilos p’la estrada fora.
Vem um carro mata um.
Quantos ficam?” [9].                             
                   
Naturalmente que a solução é: “Ficou aquele que morreu. Os outros andaram sempre.”                                                                    
No âmbito das alcunhas alentejanas são conhecidas as seguintes:                             
GRILA - A receptora, em criança, andava sempre aos pulos (Barrancos). [12]
GRILA ESPANHOLA – Alcunha outorgada a um individuo que fala muito e é espanholado (Elvas). [12]
GRILO – Designação atribuída a um indivíduo que gosta muito de cantar (Odemira, Portel, Viana do Alentejo, Santiago do Cacém, Almodôvar, Serpa e Grândola). [12]
GRILO – o alcunhado herdou a alcunha da mãe (Borba). [12]
GRILO – O receptor, em criança, tinha o hábito de apanhar grilos (Cuba e Santiago do Cacém). [12]
GRILO – O visado, em criança, sempre que via uma gaiola com grilos à porta de alguém, começava a logo a assobiar (Moura). [12]
GRILO – Os visados são de baixa estatura e muito cantadores (Alandroal). [12]                     
A nível de gíria portuguesa são conhecidos os termos:                                 
“Grilo = Relógio = Apito” [2]    
“Grilo = Telefone = Relógio de bolso = Coração” [11] [8]
“Grila = Ponta de Cigarro = Pirisca” [11] [6]
Finalmente, no sector da toponímia são de assinalar os seguintes topónimos:
- “GRILA – Lugar da freguesia de S. Pedro, concelho da Covilhã.“ [4]
- “GRILO – Freguesia do concelho de Baião.“ [4]
- “GRILO – Lugar da freguesia de Fornos, concelho de Castelo de Paiva.“ [4]
- “GRILO – Lugar da freguesia de S. Vicente do Paul, concelho de Santarém.“ [4]
- “GRILO – Lugar da freguesia de Vale de Figueira, concelho de Santarém.“ [4]
- “GRILOS - Lugar da freguesia Arazede, concelho de Montemor-o-Velho.“ [4]
A TERMINAR
Só os grilos machos produzem sons, o que fazem visando atrair as fêmeas para a reprodução. Para o efeito, possuem uma série de pelos nas bordas das asas, alinhados como pentes, produzindo sons quando roçam uma asa contra a outra. O som emitido tem a frequência de 4 as 5 KHz e pode ser ouvido a quilómetro e meio de distância.
Em muitos paises como Portugal, o grilo sempre foi considerado como animal de estimação, sendo mantido em cativeiro dentro de gaiolas, pelo que como param de cantar quando alguérm se aproxima, funcionam como detectores de ladrões.
A Biblia contém referências ao grilo:
- “Poderão comer toda espécie de gafanhotos e grilos.” [Levítico 11:22]
- “Aí o fogo te devorará, a espada te exterminará; ela te devorará como o gafanhoto, ainda que fosses numeroso como o gafanhoto, e te multiplicasses como o grilo.” [Naum 3:15]
Nalguns países, os grilos são criados em larga escala para serem vendidos como alimento vivo e serem usados como isca em pescarias ou consumido como iguaria em restaurantes exóticos. Pela nossa parte, habituados à excelência da gastronomia alentejana, dispensamos tais iguarias e preferimos ouvir cantar os grilos nos campos e em liberdade, o que é cada vez mais difícil, dado o uso intensivo de pesticidas e herbicidas. A vida está cada vez mais difícil no planeta Terra, mesmo para os grilos.
BIBLIOGRAFIA 
[1] - ARTMUSICA .
[2] - BESSA, Alberto. A Gíria Portugueza. Gomes de Carvalho- Editor. Lisboa, 1901.
[3] – CARDOSO, Fernando. Novíssimas Flores para Crianças. Editora Portugal Mundo.Lisboa,
[4] – FRAZÃO, A. C. Amaral. Novo Dicionário Corográfico de Portugal. Editorial Domingos Barreira. Porto, 1981.
[5] - GUERREIRO, M. Viegas. Adivinhas Portuguesas. Fundação Nacional Para A Alegria No Trabalho. Lisboa, 1957.
[6] – LAPA. Albino. Dicionário de Calão. Edição do Autor. Lisboa, 1959.
[7] - LIMA, Fernando de Castro Pires de. Qual é a coisa qual é ela? Portugália Editora. Lisboa, 1957.
[8] - NOBRE, Eduardo. Dicionário de Calão. Publicações Dom Quixote. Lisboa, 1986.
[11] - PRAÇA, Afonso. Novo Dicionário de Calão. Editorial Notícias. Lisboa, 2001.
[12] – RAMOS, Francisco Martins & SILVA, Carlos Alberto da. Tratado das Alcunhas Alentejanas. 2ª edição. Edições Colibri. Lisboa, 2003.
[13] - ROLAND, Francisco. ADAGIOS, PROVERBIOS, RIFÃOS E ANEXINS DA LINGUA PORTUGUEZA. Tirados dos melhores Autores Nacionais, e recopilados por ordem Alfabética por F.R.I.L.E.L. Typographia Rollandiana. Lisboa, 1841.
[14] - SIMÕES, Guilherme Augusto. Dicionário de Expressões Populares Portuguesas. Publicações Dom Quixote. Lisboa, 1993.    



Gaiolas de bunho, cana e arame (Colecção de Manuela Mendes).

Querem ver um grilo em liberdade?
Querem ouvir um grilo cantar?
Cliquem na imagem abaixo:


Querem assistir a uma caçada aos grilos?
Querem ouvir um grilo cantar?
Cliquem na imagem abaixo: