segunda-feira, 3 de junho de 2019

Bonecos de Estremoz: Os Militares


Lanceiro. Sabina da Conceição.

No conjunto dos “Bonecos da Tradição” existem figuras que têm a ver com a realidade local, nas quais se insere um sub-conjunto de imagens que são os militares: Lanceiro (Fig. 1), Lanceiro com bandeira (Fig. 2), Sargento (Fig. 3) e Sargento no Jardim (Fig. 4).
Estremoz foi desde sempre uma praça militar com alguma importância estratégica, daí que a comunidade local se tenha habituado a conviver com a instituição militar e alguns dos seus membros estejam representados nos “Bonecos da Tradição”. Desde 5 de Abril de 1875 que o Regimento de Cavalaria n.º 3 se encontra definitivamente instalado em Estremoz. O RC3 é herdeiro das tradições e património do Regimento dos Dragões de Olivença e do Regimento de Lanceiros n.º 1.

 Lanceiro com bandeira. Ana das Peles.

Sargento. Isabel Carona.

Sargento no jardim. Mariano da Conceição.

domingo, 2 de junho de 2019

Poesia Portuguesa - 091



GARRAS DOS SENTIDOS
AGUSTINA BESSA LUÍS (1922-2019)

Não quero cantar amores,
Amores são passos perdidos,
São frios raios solares,
Verdes garras dos sentidos.

São cavalos corredores
Com asas de ferro e chumbo,
Caídos nas águas fundas,
não quero cantar amores.

Paraísos proibidos,
Contentamentos injustos,
Feliz adversidade,
Amores são passos perdidos.

São demências dos olhares,
Alegre festa de pranto,
São furor obediente,
São frios raios solares.

Dá má sorte defendidos
Os homens de bom juízo
Têm nas mãos prodigiosas
Verdes garras dos sentidos.

Não quero cantar amores
Nem falar dos seus motivos.

AGUSTINA BESSA LUÍS (1922-2019)

quarta-feira, 29 de maio de 2019

Poesia Portuguesa - 090


PEQUENINA
FLORBELA ESPANCA (1894-1930)

És pequenina e ris ... A boca breve 
É um pequeno idílio cor-de-rosa ... 
Haste de lírio frágil e mimosa! 
Cofre de beijos feito sonho e neve! 

Doce quimera que a nossa alma deve 
Ao Céu que assim te faz tão graciosa! 
Que nesta vida amarga e tormentosa 
Te fez nascer como um perfume leve! 

O ver o teu olhar faz bem à gente ... 
E cheira e sabe, a nossa boca, a flores 
Quando o teu nome diz, suavemente ... 

Pequenina que a Mãe de Deus sonhou, 
Que ela afaste de ti aquelas dores 
Que fizeram de mim isto que sou! 

FLORBELA ESPANCA (1894-1930)

segunda-feira, 27 de maio de 2019

Bonecos de Estremoz: morfologia e cromática dos assobios compostos


No conjunto dos Bonecos da Tradição incluem-se os assobios compostos: Amazona (Fig. 1), Peralta a cavalo (Fig. 2) e Sargento a cavalo (Fig. 3). Procederei aqui ao estudo das formas que os assobios antropomórficos podem ter, bem com a arte de neles combinar as cores.

Fig. 1 - Amazona – Sabina Santos (sd).
Figura composta (antropomórfica e zoomórfica).
A figura antropomórfica feminina está montada de lado num cavalo, com as mãos na anca. Na cabeça, o cabelo é castanho e está parcialmente coberto por chapéu amarelo, levantado do lado esquerdo. Os olhos são dois pontos negros, encimados por dois arcos igualmente negros, simulando as pestanas e as sobrancelhas. A boca está pintada de vermelho e as rosetas são cor-de-rosa. O nariz é uma pequena saliência. Traja um vestido cor de zarcão que apresenta na parte inferior uma linha horizontal azul-escuro, na qual incidem pequenas linhas verticais e paralelas, da mesma cor, simulando uma franja. O lenço do pescoço, a abertura e a abotoadura do peito, os punhos e respectiva abotoadura, são igualmente azul-escuro.
A figura zoomórfica é um cavalo de cor castanha com malhas negras nas patas cilindriformes e com cascos igualmente negros. Na cabeça do animal figuram duas orelhas cónicas, um focinho alongado de forma cilíndrica, no qual é visível uma linha recta incisa a vermelho, que representa a boca e dois buracos dispostos paralelamente, figurando as narinas. Os olhos são duas pintas brancas inscritas em dois círculos negros. O pescoço, de formato espalmado, mostra de cada lado uma série de pintas negras que representam a crina. Na parte traseira do animal é visível uma cauda cilíndrica, de cor castanho-escuro e que constitui o bocal de sopro.
A figura composta assenta numa base rectangular com orla em zarcão, de cor verde e pintalgada de branco, amarelo e zarcão.

Fig. 2 - Peralta a cavalo – Sabina Santos (sd).
Figura composta (antropomórfica e zoomórfica).
A figura antropomórfica masculina está montada num cavalo, com as mãos na anca e botas negras. Na cabeça, o cabelo é castanho e está parcialmente coberto por chapéu amarelo, levantado à frente. Os olhos são dois pontos negros, encimados por dois arcos igualmente negros, simulando as pestanas e as sobrancelhas. A boca está pintada de vermelho e as rosetas são cor-de-rosa. O nariz é uma pequena saliência. Traja um fato-de-macaco azul. O lenço do pescoço, a abertura e a abotoadura do peito, os punhos e respectiva abotoadura, são vermelhas.
A figura zoomórfica é um cavalo de cor castanha com malhas negras nas patas cilindriformes e com cascos igualmente negros.
Na cabeça do animal figuram duas orelhas cónicas, um focinho alongado de forma cilíndrica, no qual é visível uma linha recta incisa a vermelho, que representa a boca e dois buracos dispostos paralelamente, figurando as narinas. Os olhos são duas pintas brancas inscritas em dois círculos negros. O pescoço, de formato espalmado, mostra de cada lado uma série de pintas negras que representam a crina. Na parte traseira do animal é visível uma cauda cilíndrica, de cor castanho-escuro e que constitui o bocal de sopro.
A figura composta assenta numa base rectangular com orla em zarcão, de cor verde e pintalgada de branco, amarelo e zarcão.

Fig. 3 - Sargento a cavalo – Irmãs Flores (2018).
Figura composta (antropomórfica e zoomórfica).
A figura antropomórfica masculina está montada num cavalo, com as mãos na anca e botas negras. Na cabeça, o cabelo é castanho e está parcialmente coberto por barrete circular azul-escuro, com lista castanha com dois botões amarelos nas extremidades e que descai para o lado esquerdo. A farda é azul escura. parcialmente coberto por chapéu amarelo, levantado à frente. Os olhos são dois pontos negros, encimados por dois arcos igualmente negros, simulando as pestanas e as sobrancelhas. A boca está pintada de vermelho e as rosetas são cor-de-rosa. O nariz é uma pequena saliência. Traja um fato-de-macaco cor-de-laranja. A gola, os punhos e a respectiva abotoadura são azuis. A figura assenta numa base circular, de cor branca
A abotoadura do peito e dos punhos é amarela. Os olhos são dois pontos negros, encimados por dois arcos igualmente negros, simulando as pestanas e as sobrancelhas. A boca está pintada de vermelho e as rosetas são cor-de-rosa. O nariz é uma pequena saliência.
A figura zoomórfica é um cavalo de cor castanha com malhas negras nas patas cilindriformes e com cascos igualmente negros.
Na cabeça do animal figuram duas orelhas cónicas, um focinho alongado de forma cilíndrica, no qual é visível uma linha recta incisa a vermelho, que representa a boca e dois buracos dispostos paralelamente, figurando as narinas. Os olhos são duas pintas brancas, encimadas por dois riscos negros, arqueados. O pescoço, de formato espalmado, mostra de cada lado uma série de riscos negros que representam a crina. Na cabeça sobressaem também, linhas de cor castanho-escuro que representam a cabeçada e as rédeas. Na parte traseira do animal é visível uma cauda cilíndrica, de cor castanho-escuro e que constitui o bocal de sopro.
A figura composta assenta numa base rectangular com orla em zarcão, de cor verde e pintalgada de branco, amarelo e zarcão.


sexta-feira, 24 de maio de 2019

Bonecos de Estremoz: morfologia e cromática dos assobios antropomórficos


No conjunto dos Bonecos da Tradição incluem-se os assobios antropomórficos: Senhora (Fig. 1), Peralta (Fig. 2) e Sargento (Fig.  3). Procederei aqui ao estudo das formas que os assobios antropomórficos podem ter,  bem com a arte de neles combinar as cores.

Fig. 1 - Senhora – Irmãs Flores (2010).
Figura antropomórfica feminina, de pé e com as mãos na anca. Na cabeça, o cabelo é castanho e está parcialmente coberto por chapéu amarelo, levantado à frente, com orla e fita vermelha. Os olhos são dois pontos negros, encimados por dois arcos igualmente negros, simulando as pestanas e as sobrancelhas. A boca está pintada de vermelho e as rosetas cor-de-rosa. O nariz é uma pequena saliência. Das orelhas pendem duas arcadas amarelas. Enverga um vestido comprido até aos pés, cor-de-rosa. O lenço atado ao pescoço, a abotoadura do peito, os punhos e a respectiva abotoadura, bem como a fita da cintura são azuis. A figura assenta numa base circular, de cor branca e pintalgada de verde, azul, amarelo, laranja e vermelho. Bocal de sopro castanho escuro.

Fig. 2 - Peralta – José Moreira (sd).
Figura antropomórfica masculina, de pé, com as mãos na anca e sapatos negros. Na cabeça, o cabelo é castanho e está parcialmente coberto por chapéu amarelo, levantado à frente. Os olhos são dois pontos negros, encimados por dois arcos igualmente negros, simulando as pestanas e as sobrancelhas. A boca está pintada de vermelho e as rosetas são cor-de-rosa. O nariz é uma pequena saliência. Traja um fato-de-macaco cor-de-laranja. A gola, os punhos e a respectiva abotoadura são azuis. A figura assenta numa base circular, de cor branca e pintalgada de verde, amarelo e zarcão. Bocal de sopro cor de barro.

Fig. 13 - Sargento – José Moreira (sd).
Figura antropomórfica masculina, de pé, com as mãos na anca e sapatos negros. Na cabeça, o cabelo é castanho e está parcialmente coberto por barrete circular azul-escuro e com lista amarela, o qual descai para o lado esquerdo. A farda é azul escura. A gola, a abertura e a abotoadura do peito, os punhos e respectiva abotoadura, bem como as divisas na parte superior das mangas são vermelhas. Os olhos são dois pontos negros, encimados por dois arcos igualmente negros, simulando as pestanas e as sobrancelhas. A boca está pintada de vermelho e as rosetas são cor-de-rosa. O nariz é uma pequena saliência. A figura assenta numa base circular, de cor branca e pintalgada de verde, amarelo e zarcão. Bocal de sopro castanho. 

quarta-feira, 22 de maio de 2019

Bonecos de Estremoz: morfologia e cromática dos assobios zoomórficos


No conjunto dos Bonecos da Tradição incluem-se os assobios zoomórficos: Pomba (Fig. 1), Galo (Fig. 2), Galo no disco (Fig. 3), Galo na árvore (Fig. 4), Galo no pinheiro (Fig. 5), Galo no arco (Fig. 6), Galo no poleiro (Fig. 7), Galinha no choco (Fig. 8) e Cesto com ovos (Fig.  9). Procederei aqui ao estudo das formas que os assobios zoomórficos podem ter,  bem com a arte de neles combinar as cores.


 Fig. 1 - Pomba – José Moreira (sd).
Pomba branca com corpo ovóide, pescoço de forma tronco-cónica e bico cor de zarcão, de geometria cónica. Os olhos circulares são negros e o pescoço ostenta atada uma fita azul claro, com duas pontas pendentes. As asas recolhidas estão definidas por dois traços negros e a cauda igualmente pintada de negro, apresenta incisões para definição das penas. As patas são dois pedaços de arame, os quais assentam na base circular, de cor branca e pintalgada de amarelo, verde e zarcão. A orla da base apresenta incisões, alternadamente pintadas a verde e a zarcão.  Bocal de sopro cor de barro.

Fig. 2 - Galo – José Moreira (sd).
Galo branco com corpo ovóide, pescoço de forma tronco-cónica e bico amarelo, de geometria cónica. Os olhos circulares são negros e a barbela e a crista são cor de zarcão, apresentando a última incisões. As asas recolhidas estão definidas por um traço negro, perpendicularmente ao qual se observam três traços negros para definição das penas. A cauda erguida ostenta igualmente três traços negros para definição das penas. As patas são dois pedaços de arame, os quais assentam na base circular, de cor branca e pintalgada de amarelo e zarcão. Bocal de sopro cor de barro.

Fig. 3 - Galo no disco – José Moreira (sd).
Galo branco com corpo ovóide, pescoço de forma tronco-cónica e bico amarelo e empinado, de geometria cónica. Os olhos circulares são negros e a barbela e a crista são cor de zarcão. As asas recolhidas estão definidas por um traço negro e perpendicularmente ao qual se observam quatro traços negros para definição das penas. A cauda igualmente pintada de negro, apresenta incisões para definição das penas. O peito apresenta também quatro pontos negros para definição das penas. As patas são dois pedaços de arame apoiados num tronco cilindrico e branco, em cujo topo se observam as patas pintadas a amarelo. O tronco está assente numa peanha circular da mesma cor, alternando na orla, riscas a verde e a zarcão, bem como incisões, alternadamente pintadas de cada uma dessas cores. Bocal de sopro cor de barro.

 Fig. 4 - Galo na árvore – José Moreira (sd).
Galo branco com corpo ovóide, pescoço de forma tronco-cónica e bico amarelo, de geometria cónica. Os olhos circulares são negros e a barbela e a crista são cor de zarcão. As asas recolhidas estão definidas por um traço e três pontos negros para definição das penas. A cauda igualmente pintada de negro, apresenta incisões para definição das penas. O peito apresenta também quatro pontos negros para definição das penas. As patas são dois pedaços de arame apoiados no topo de uma árvore estilizada em forma de tronco cilindrico e branco, encimado por quatro elementos elípticos e a verde, para simbolizar a folhagem. Por sua vez, o tronco assenta numa base circular, de cor branca e pintalgada de amarelo, verde e zarcão. A orla da base apresenta incisões, alternadamente pintadas a verde e a zarcão.  Bocal de sopro cor de barro.

Fig. 5- Galo no pinheiro – José Moreira (sd).
Galo branco com corpo ovóide, pescoço de forma tronco-cónica e bico amarelo, de geometria cónica. Os olhos circulares são negros e a barbela e a crista são cor de zarcão. As asas recolhidas estão definidas por um traço que encima três  pontos negros para definição das penas. A cauda apresenta incisões e traços negros para definição das penas. O peito apresenta igualmente quatro pontos negros para definição das penas.  As patas são dois pedaços de arame apoiados no topo de um pinheiro estilizado em forma de tronco cilindrico e branco, coberto à frente por catorze elementos elípticos e a verde, para simbolizar a folhagem. Por sua vez, o tronco assenta numa base circular, de cor branca e pintalgada de amarelo, verde e zarcão. A orla da base apresenta incisões, alternadamente pintadas a verde e a zarcão.  Bocal de sopro cor de barro. 

Fig. 6 - Galo no arco – Maria Luísa da Conceição (sd).
Galo branco com corpo ovóide, pescoço de forma tronco-cónica e bico amarelo, de geometria cónica. Os olhos circulares são negros e a barbela e a crista são cor de zarcão. As asas recolhidas estão definidas por traços negros para definição das penas. A cauda igualmente pintada de negro, apresenta incisões para definição das penas. O peito apresenta também traços negros para definição das penas. As patas são dois pedaços de arame apoiados no topo de um arco cor de zarcão e em forma de U invertido, que apresenta de cada lado três elementos elípticos, verdes e pintalgados de amarelo, sugerindo folhagem. O arco assenta numa base circular, de cor branca e pintalgada de amarelo, verde e zarcão. Bocal de sopro cor de barro.   

Fig. 7 - Galo no poleiro – Sabina Santos (sd).
Galo branco com corpo ovóide, pescoço de forma tronco-cónica e bico amarelo, de geometria cónica. Os olhos circulares são negros e a barbela e a crista são cor de zarcão. As asas recolhidas estão definidas por um traço negro, perpendicularmente ao qual se observam quatro incisões e três traços negros para definição das penas. A cauda apresenta igualmente três incisões e traços negros para definição das penas. As patas são dois pedaços de arame apoiados no topo de um poleiro castanho, constituido por duas barras paralelepipédicas, inclinadas em relação à vertical e terminadas em bico, sobrepostas a outras duas barras. A inferior é paralelepipédica e encontra-se na posição horizontal. A superior configura um sector circular tridimensional. A junção dos quatro componentes do poleiro é assegurada por quatro discos amarelos que sugerem rebites. O poleiro assenta numa numa base circular, de cor branca e pintalgada de amarelo, verde e zarcão. Bocal de sopro castanho. 

Fig. 8 - Galinha no choco – Maria Luísa da Conceição (sd).
Galinha branca com corpo ovóide, pescoço de forma tronco-cónica e bico amarelo, de geometria cónica. Os olhos circulares são negros e a barbela e a crista são cor de zarcão. As asas recolhidas estão definidas por uma mancha negra. A cauda erguida ostenta igualmente traços negros e incisões para definição das penas. A galinha simula chocar ovos dentro de uma cesta de vime, de cor creme e com uma asa entrançada. A cesta assenta numa base circular, de cor branca e pintalgada de verde, amarelo e zarcão. Bocal de sopro cor de barro.

Fig. 9 - Cesto com ovos – Jorge da Conceição (2017).
Cesta de cor creme com incisões simulando vime e com uma asa entrançada da mesma cor. A cesta contem ovos de cor creme e assenta numa base circular, de cor verde e pintalgada de branco, amarelo, laranja e zarcão. Bocal de sopro verde-escuro.

segunda-feira, 20 de maio de 2019

Bonecos de Estremoz: Isabel Carona Bento


Isabel Carona ou Isabel Bento (1949-2006). Fotografia de autor desconhecido.
Arquivo fotográfico do autor.

ISABEL RITA VARGAS CARONA BENTO (1949-2006)

A 23 de Julho de 1949, nasce na rua Direita nº1, em Estremoz, uma criança do sexo feminino, a quem foi dado o nome de Isabel Rita Vargas Carona, filha de António José Lopes Carona, trabalhador, e de Palmira de Jesus Moreira Vargas, doméstica (4).
A 6 de Julho de 1965, na qualidade de doméstica e com a idade de 15 anos, casou na igreja de São Francisco, em Estremoz, com José Manuel Mimoso Molhinhos, serralheiro, de 19 anos de idade, morador na rua Direita, nº 88 em Estremoz, filho de José Joaquim Molhinhos, natural da freguesia de Santo André em Estremoz e de Maria Joaquina Mimoso, natural da freguesia de São João Baptista, Castelo de Vide. Isabel passou então a usar o apelido Molhinhos (1).
O casamento foi dissolvido por divórcio em 1981, tendo Isabel deixado de usar o apelido Molhinhos, adoptado na altura do casamento. Isabel desloca-se então para Lisboa, onde, entre outras profissões, é empregada doméstica e empregada de um cinema.
A 3 de Outubro de 1984 e com a idade de 35 anos, Isabel casa na Conservatória de Registo Civil de Montijo, com Francisco José Cardoso Bento, de 29 anos de idade, natural da freguesia de Sarilhos Grandes, Montijo, filho de Francisco Ismael Bento e de Maria Antónia Cardoso. Isabel adopta então o apelido Bento (2). Fixa residência na rua do Poço Novo, nº 11, em Sarilhos Grandes, Montijo, onde vem a falecer a 26 de Junho de 2006, com a idade de 57 anos (3).
Isabel Carona Bento, conjuntamente com Fátima Estróia, foi uma das primeiras discípulas de Sabina Santos, com a qual trabalhou dez anos. Por motivos de natureza pessoal da discípula, Sabina prescindiu da sua colaboração. Ao fixar-se em Sarilhos Grandes, retoma a actividade bonequeira, mas não tem capacidade de cozer o que manufactura, pelo que os especímenes, depois de secos, são pintados e envernizados, sem terem sido cozidos. Só depois do segundo casamento, Isabel passa a cozer a sua produção e a marca de autor passa a ser diferente da anterior.
Ainda que discípula de Sabina Santos, e ao contrário de Fátima Estróia e das Irmãs Flores, a representação do olhar não é conseguida por Isabel, com as pestanas e as sobrancelhas afastadas da menina do olho. Ela utiliza apenas um traço para representar cada sobrancelha, acima da menina do olho. Os seus Bonecos não são, de resto, tão esguios e elegantes como os de Sabina.

BIBLIOGRAFIA
(1) - Isabel Rita Vargas Carona - Assento de Casamento 70 de 1965, da Conservatória do Registo Civil de Estremoz.
(2) - Isabel Rita Vargas Carona Assento de Casamento 148 de 1984, da Conservatória do Registo Civil do Montijo.
(3) - Isabel Rita Vargas Carona Assento de Óbito 248 de 2006, da Conservatória do Registo Civil do Montijo.
(4) - Isabel Rita Vargas Carona - Registo de Nascimento 326 de 1949, da Conservatória do Registo Civil de Estremoz.