domingo, 23 de novembro de 2025

Tenores de Redondo



Na vila de Redondo existem diversos grupos corais activos, tanto masculinos como femininos e mistos. São eles: Grupo de Cantadores do Redondo, Cantadeiras do Redondo, Grupo Coral e Instrumental Academia de Afectos, Grupo Coral Polifónico da Sociedade Filarmónica Municipal Redondense e Trovadores de Redondo.

O número e a diversidade destes grupos corais, pode levar os leitores a pensarem que o objecto da presente crónica é falar dos coralistas redondenses que integrem o naipe dos tenores ou seja as vozes masculinas com a voz mais aguda. Mas tal não é o caso, pois o termo “tenor” pode também designar um “aparador de aguardente”, isto é um recipiente outrora utilizado nas adegas para recolher a aguardente obtida por destilação do vinho nos alambiques.

Redondo é simultaneamente terra de vinho e terra de oleiros, pelo que é natural que o vasilhame usado tradicionalmente nas adegas fosse de barro, recurso local disponível. Assim se evitava comprar vasilhame confeccionado com materiais que não constituíssem recursos locais disponíveis (vidro ou metal) o qual seria mais caro.

Daí que as olarias locais manufacturassem aparadores de aguardente (tenores) em barro vidrado (pelo menos no interior), de base circular e plana, com morfologia variável com ou sem asas. Eram os chamados “tenores de Redondo”, objectos oláricos actualmente caídos em desuso.

A opção dos adegueiros pelo uso de vasilhame de barro ecoou na cultura popular, a qual regista adágios aqui aplicáveis: “No poupar é que está o ganho",A necessidade é mestra de engenho” e “Quem não tem cão, caça com gato."

A terminar e como está frio, brindo-vos com alguns adágios sobre a aguardente. Dois deles, recomendam a sua ingestão: "Aguardente, para o frio é quente”, "Uma pinga de aguardente, faz bem a toda a gente". Pelo contrário, dois outros consideram o seu consumo contra-indicado: "Pela manhã, a aguardente afugenta a gente” "Aguardente não mata, mas ajuda a morrer".

Digam lá se a cultura popular é ou não é uma cultura democrática? É claro que é. Há adágios que advogam uma coisa e outros que apregoam exactamente o contrário, o que sugere que a opção fica ao livre arbítrio de cada um. Há até um adágio que proclama: "Cada um sabe as linhas com que se cose". Permito-me aqui opinar sobre o assunto, propondo como que uma correcção: “sabe ou não”. Acho mais prudente fazer passar esta ideia. 

Hernâni Matos

4 comentários:

  1. Caro Professor, que falta faziam uns "tenores" lá no nosso Orfeão, não de barro, naturalmente, e que produzissem outro som... fossem eles de Redondo, Estremoz ou de outra localidade qualquer.
    Aprender consigo continua a ser sempre muito especial.
    Um fortíssimo abraço.

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Amigo Luís:
      Não me ofereço para cantar, pois estou proibido de o fazer, já que há cerca de 70 anos, o bom Pároco de Santo André, Padre Serafim Tavares, nos ensaios do coro da 1ª Comunhão, descobriu que eu era o comungante desafinante. Por outras palavras: é seguro que sou capaz de fazer desafinar qualquer coro.
      De salientar que sou do costado dos Carmelos, o qual inclui o patrono do nosso Orfeão e tenor lírico de projecção internacional, Tomaz Aquino Carmelo Alcaide, que decerto com os seus famosos "agudos" quebraria facilmente um copo de cristal. Todavia, o parente afastado que sou eu, incapacitado para o belo canto, revela mais aptidão para com os "graves" fazer ruir um muro de betão armado. Quem sabe? Nunca se poderá saber, pois estou probido de cantar pelo bom do Pároco Serafim Tavares.
      Diz o meu amigo que "Aprender consigo continua a ser sempre muito especial". É natural, dado que o meu falecido pai, barítono do nosso Orfeão, era o melhor alfaiate da cidade. Daí, que eu tenha sempre "pano para mangas".
      Um grande e sonoro abraço para si, Luís. E já agora cautela com as costas, já que este seu amigo do costado dos Carmelos, tem fama de distribuir abraços, que só encontram paralelo nos graves da sua voz.

      Eliminar
  2. Dava para fazer uma pequena RONCA

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Qualquer deles daria para fazer uma ronca, a qual, todavia, não seria pequena, dadas as dimensões do tenor.

      Eliminar