segunda-feira, 21 de janeiro de 2019

Alquimista e Templário




Há dias, alguém me perguntou com desdém:
- Então Hernâni, fizeste mais um livro?
É claro que eu não faço livros. Fazem-se filhos, mas livros não. Os livros nascem como as dores nas costas e as rugas, fruto do ciclo natural das coisas. Por vezes, a partir de quase coisa nenhuma. Todavia, o acumular de pequenas coisas, origina em certo momento um salto qualitativo e uma mudança de paradigma.
A procura incessante da Verdade, leva-nos a respigar, escavar, reciclar e destilar coisas, numa simbiose de Alquimista à procura da Pedra Filosofal e de um Templário em demanda do Santo Graal.
A procura da Verdade e, em particular, a reconstrução da Memória do Passado, é uma tarefa ciclópica, mas não é uma missão impossível, ainda que jamais venha a ter fim.
A procura da Verdade é um combate. Sempre que um combatente tomba, outros se levantarão com redobrado vigor, como elos duma cadeia que remonta aos tempos primordiais. Segundo reza a lenda, no acto de morrer, Spartacus terá proclamado:
- Voltarei e serei milhões!
A procura da Verdade é uma tarefa de espectro largo, que por um lado nos transporta do nível trivial do quotidiano, à profundidade das caganifâncias quânticas e, pelo outro nos catapulta à imensidão dos domínios astrofísicos.
A procura da Verdade será sempre uma missão que impomos a nós mesmos como livres pensadores. Haverá sempre momentos de encruzilhada, em que se formulará a inescapável pergunta de Lenine:
- Que fazer?
A única resposta possível é sugerida pelo poeta sevilhano António Machado:
……………………………..
caminhante, não há caminho,
faz-se caminho ao andar.
………………………
Quando nos nasce um livro, o nado-vivo é o resultado de muitas caminhadas, muitas vezes acompanhado, mas a maioria das vezes sozinho. É esse o desafio. Caminhar sempre, sem parar.

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