segunda-feira, 26 de março de 2018

Paulo Varela e as suas “Memórias a carvão”


 Um aspecto da Exposição. Fotografia de Maria Miguéns.

“Memórias a carvão” é o título da mais recente exposição de Paulo Varela, inaugurada no passado dia 11 de Março, no Salão da União de Freguesias de Estremoz (Santa Maria e Santo André) e ali estará patente ao público até ao próximo dia 30 de Abril.

A Exposição de iniciativa da Junta de Freguesia, reúne 40 desenhos a carvão de Paulo Varela, que em 2007 integraram a Exposição “DESENHOS DE PAULO VARELA”, organizada pela Associação Filatélica Alentejana na Sala de Exposições do Centro Cultural Dr. Marques Crespo e que ali puderam ser apreciados pelo público, entre 26 de Julho e 10 de Setembro desse ano. Do catálogo desta Exposição, transcrevo de seguida, o que então escrevi.

Notas Biográficas sobre Paulo Varela
Paulo Rovisco Ferreira Varela, nasceu a 10 de Agosto de 1947 na freguesia de Casa Branca, concelho de Sousel. Fez a instrução primária na sua terra natal e frequentou o Curso Industrial na Escola Industrial e Comercial de Estremoz. Aqui teve como professor de Desenho, o artista plástico Espiga Pinto, que muito o considerava como aluno e que o admitia no seu atelier situado ao Pelourinho, onde passava horas a fio, a ver o professor pintar. Por isso Espiga Pinto é para si uma referência.
Aprendeu o ofício de relojoeiro com o pai, na Casa Branca e aos 17 anos foi para Lisboa, especializar-se como ourives, não só para poder efectuar concertos, como também fabricar jóias.
Aos vinte anos estabeleceu-se por sua conta em Camarate, no concelho de Loures e durante cerca de 30 anos aí trabalhou, tendo vindo para Estremoz em 1990, onde se manteve no ramo, abrindo loja no Rossio Marquês de Pombal, número cinco.
É casado e pai de três filhas.
Durante todos estes anos tem-se dedicado à vida profissional e só no início de Fevereiro de 2007, num dia de Inverno e muito chuvoso, pensou em desenterrar um bichinho que tinha dentro de si e que é o Desenho, pois desde os 18 anos que nunca mais tinha desenhado. A partir daí as coisas foram acontecendo naturalmente: a descoberta dos materiais, desde os papéis aos lápis e ao carvão, bem como a descoberta da técnica de os utilizar.
Os desenhos que faz não resultam da observação de nada, são fruto do seu imaginário ou resultado de memórias de infância que tem gravadas dentro de si. São paisagens, são monumentos quiméricos, são cenas da vida agro-pastoril até aos anos sessenta, tal como lhe foi dado observar durante a infância e a juventude na sua terra natal. Não há dois desenhos iguais e através deles é possível perceber a evolução técnica que foi experimentando. Os seus desenhos têm sido muito apreciados por pessoas e amigos que com ele contactam ou convivem no dia a dia e o estimularam a disponibilizar um conjunto representativo dos seus trabalhos, de modo a que eles viessem a público para que outros pudessem partilhar a mensagem que os mesmos nos querem transmitir.
Tiveram um papel determinante na decisão de expor, o autor destas linhas e a professora Marilisa Crespo, que organizaram a Exposição, para o que foi escolhido o Salão de Exposições do Centro Cultural Dr. Marques Crespo, uma sala de visitas da cidade, para receber de braços abertos, os apreciados trabalhos deste artista "naif, filho adoptivo de Estremoz.

Cronista do E, crítico de arte e tudo
(Texto publicado no jornal E nº 196, de 22-03-2018)