domingo, 6 de novembro de 2016

Manifesto anti-gralha


Cerca de 1450, Johannes Gutenberg (1400-1468) inventor da Imprensa, examina
uma página impressa. Ilustração do séc. XIX. Com a composição tipográfica e a
 impressão, nasceria a gralha.

A gralha continua a ser aquela ave atrevida que pousa no texto, sem pedir autorização ao seu autor. Daí que eu tenha composto o seguinte:

Manifesto anti-gralha

Quem trabalha
o seu texto,
como em talha,
o arabesco,

sem falha,
quer primor
e batalha
pelo seu amor.

Mas vem a gralha
e sem pretexto,
feita canalha,
deturpa o texto.

Extirpar a gralha
é o contexto
de quem batalha
para elevar o texto.

O Manifesto chegou ao fim.
Morra a gralha! Morra! Pim!

PÓS-TEXTO: No número anterior do jornal E, na entrevista “ANTÓNIO GUTERRES VISTO POR COELHO RIBEIRO”, deveria ter aparecido “O despertar de Coelho Ribeiro” em vez do subtítulo “O despertador de Coelho Ribeiro”, que o entrevistador não subscreve, uma vez que não se reconhece em títulos sensacionalistas. Aqui fica pois, a correcção que se impunha. De resto, o leitor mais atento, decerto terá percebido, que o importante ali é ter acontecido “O despertar de Coelho Ribeiro” para a intervenção cívica e política e não as forças policiais ao serviço do Fascismo, já que embora a acção destas forças tenha funcionado como “O despertador de Coelho Ribeiro”, o que se pretende exaltar é o “O Despertar de Coelho Ribeiro” para a intervenção cívica e política, a qual até poderia ter ocorrido de outra maneira.

Hernâni Matos