quarta-feira, 2 de dezembro de 2015

Poesia Portuguesa - 067



O Senhor Morghado
António de Macedo Papança (1852-1913)
(Conde de Monsaraz) 

O senhor morgado
vai no seu murzelo,
todo impertigado,
é um gosto vê-lo
próspero, anafado,
véstia alentejana,
calça de riscado:
Homem duma cana!
Vai, todo se ufana
de ir tão bem montado.
E ela na janela...
Seja Deus louvado!

O senhor morgado
vai nas próprias pernas,
todo bandeado;
Tem palavras ternas
para cada lado.
Quando passa, sente
que é temido e amado;
Fala a toda a gente.
Topa um influente:
"Sou um seu criado..."
Eleições à porta,
Seja Deus louvado!

O senhor morgado
vai na sege rica
todo repimpado
ai que bem lhe fica
o chapéu armado
e a comenda ao peito
e o espadim ao lado!
Que homem tão perfeito!
Deputado eleito
muito bem votado,
vai para o Te-Deum,
Seja Deus louvado!

António de Macedo Papança (1852-1913)
(Conde de Monsaraz)