sexta-feira, 13 de setembro de 2013

O alquimista

O alquimista (1663).
Cornelis Bega (1631-1664).
Óleo sobre painel (36 cm x 32 cm).
J. Paul Getty Museum, Los Angeles.

Por vezes, um homem de escrita está longo tempo sem lavrar um texto. É como uma folha dum latifúndio alentejano em regime de pousio, com as culturas interrompidas para fertilizar a terra. Todavia, o literato aparentemente inactivo transmuta ideias no cadinho do seu pensamento. É um alquimista que mistura em proporções exactas, as matérias-primas que destila no seu atanor, até sentir que produziu obra. Não a Grande Obra, mas a obra que vinha procurando. A Grande Obra, ele a demanda incessantemente com perseverança, desconhecendo que essa busca é uma utopia. Nada o demove dessa empresa. É um imperativo inerente à individualidade do seu ser. Tão importante como a respiração, a alimentação ou o repouso.