sexta-feira, 16 de agosto de 2013

Eu sou da natureza de não me render


PAISAGEM ALENTEJANA COM PASTOR OVELHAS E CÃO (1941).
Simão César Dórdio Gomes (1890-1976).
Óleo sobre tela (100 cm x 70 cm).
Colecção particular.

 Ao António Simões:

Eu sou da natureza de não me render, tal como os alentejãos que em batalhas múltiplas e sucessivas, com denodo e entroncados gestos valerosos, fizeram irreversivelmente pender o futuro para o lado da Causa do Mestre.
Assim não é rendição o cabal reconhecimento do potencial das palavras mestras com que tu, Poeta e Mor Pedreiro Livre, alicerças o teu Pensamento. Por elas me vergo e me descubro, tirando o chapeirão que cobre a cabeça com que a minha mãe me pariu no calor basto de um dia de Agosto, há sessenta e sete anos atrás.
Um varão parido em Agosto conhece na carne o clima que o Diabo amassou e como tal não é dado a fraquezas. Apesar dessa mais valia sempre presente em tudo o que a mim diz respeito, como homem nado e medrado nesta terra transtagana, sou levado a proferir com humildade:
- Obrigado Irmão, pelas palavras doutas que semeias, que nos dessedentam a Alma e que mitigam algumas das fomes que sazonal e ciclicamente nos atormentam.