terça-feira, 30 de agosto de 2011

Estremoz - Mercado da criação

VENDEDORA DE CRIAÇÃO NO MERCADO
Boneco de Estremoz da autoria das Irmãs Flores

Aos sábados, Estremoz tem um dos melhores mercados tradicionais do país, que constitui um dos pontos altos na animação da cidade de Estremoz, formigueiro humano de quem compra e vende ou simplesmente usufrui do prazer de ver. É também um catalizador da economia local, que nesse dia espevita o adormecido comércio local.
Uma das componentes do mercado de sábado é o chamado “mercado da criação”. Este sempre teve por base, os camponeses das nossas freguesias rurais, que ali vão vender produtos que não consomem, conseguindo com isso equilibrar o periclitante orçamento familiar, seja ele salário ou pensão. É um mercado em que os vendedores são maioritariamente pessoas de idade. E é sempre triste quando algum deles parte. Sentimos então a falta da pessoa a quem comprávamos os ovos, as galinhas, os coelhos ou mesmo vegetais ou fruta. Digo isto, porque com o tempo se cria uma relação de empatia entre as pessoas. É que compramos nabiças ao senhor Joaquim, porque elas estão mordidas das lagartas, o que é a melhor garantia de não terem sido tratadas com pesticidas. Compramos laranjas à Dona Antónia, porque além de serem doces, são pequenas e não brilham, o que é a melhor caução de não serem transgénicas e não terem sido polidas com um produto químico qualquer. Compramos também galinhas à Dona Joana, porque são galinhas do campo, alimentadas com aquilo que a terra dá e não com ração para animais. Até os ovos sabem melhor. O mesmo se passa com os coelhos, alimentados exclusivamente a erva.
Compramos no mercado da criação, por que sabemos donde vêm as coisas e associamos essas coisas ao rosto das pessoas que as produzem e vendem. É pois, natural, que quando algumas dessas pessoas parte, a gente sinta a sua falta. É um círculo de afectividade que se quebra e uma clareira que se abre no mercado, pois em geral quem parte não deixa substituto. E assim o mercado da criação corre o risco de ir definhando lentamente.