domingo, 21 de fevereiro de 2010

A caça aos grilos

Gaiola paras grilos, feita de cana

Íamos apanhar grilos cuja toca localizávamos pelo som. Feito isto, o grilo estava perdido. Obrigávamo-lo a sair à força com uma palhinha que metíamos na toca. Porém, se não saía a bem, saía a mal. Para grandes males, grandes remédios. Víamo-nos então forçados a dar uma mijadela na toca, o que tinha o condão de persuadir o grilo a sair. Apanhávamo-lo depois com as mãos postas em concha e metíamo-lo numa caixa de fósforos das grandes, nas quais previamente tínhamos feito uns pequenos respiradouros, não fosse o caso de o bicho, salvo da morte por afogamento, viesse a morrer de asfixia. Depois, já em casa, o grilo era metido numa gaiola, havendo as feitas só de cana e as de arame e cortiça ou de arame e madeira.
Alimentávamos o grilo com folhas de serralha ou de alface, que íamos renovando para o “cantor” ter permanentemente alimentação fresca.
Os grilos que cantavam bem eram chamados de “realistas”.
As gaiolas estavam geralmente junto às janelas.
Tivemos conhecimento que, por vezes, os trabalhadores rurais prendiam na camisa uma gaiola de “bunho” com um grilo lá dentro, que cantava para eles o dia inteiro.
Hernâni Matos

Querem assistir a uma caçada aos grilos?
Querem ouvir um grilo cantar?
Cliquem na imagem abaixo 


Créditos da imagem do grilo:CELESTINO O. COSTA
http://ipt.olhares.com/data/big/197/1974079.jpg