Quarta-feira, 1 de Fevereiro de 2012

1º de Dezembro: Sempre!


COROAÇÃO DE D. JOÃO IV (1908). Quadro de Veloso Salgado (1864-1945). Óleo sobre tela (325 x 285 cm). Museu Militar (Sala Restauração), Lisboa. Representa a aclamação de D. João IV no Terreiro do Paço, tendo o Tejo como fundo e os chefes da conspiração em frente do novo rei. A Restauração da Independência Nacional deu-se em 1 de Dezembro de 1640.
 
Por pressão da “troika”, o actual Governo pretende resumir o número de feriados em 2012, sejam civis, religiosos ou municipais e banir as pontes nos feriados que se celebram a uma terça ou quinta-feira. As razões invocadas são que por cada dia de paragem, a economia portuguesa perde 40 milhões de euros. Entre os feriados civis a eliminar estão o 5 de Outubro e o 1º de Dezembro.
O feriado do 5 de Outubro tem assinalado até agora a vitória da revolução republicana e a queda da Monarquia a 5 de Outubro de 1910. Com ela ocorreu uma mudança de paradigma. As instituições e símbolos monárquicos (Rei, Cortes, Bandeira Monárquica e Hino da Carta) foram proscritos e substituídos pelas instituições e símbolos republicanos (Presidente da República, Congresso da República, Bandeira Republicana e A Portuguesa), o mesmo se passando com a moeda e as fórmulas de franquia postais. Foi assim que uma Monarquia com oito séculos de existência foi substituída por uma República que tomou o poder nas ruas de Lisboa e depois de o proclamar às varandas da Câmara Municipal, o transmitiu para a província à velocidade do telégrafo.A efeméride do 5 de Outubro, tornado feriado oficial, é comemorada vai para 112 anos. É uma comemoração que não é pacífica. Com efeito, os monárquicos, muito legitimamente, repudiam as comemorações republicanas que assinalam o derrube do regime que defendem e mobilizados pela Causa Real assinalam na mesma data, a fundação da Nacionalidade por D. Afonso Henriques, já que foi a 5 de Outubro de 1143, que se realizou em Leão, a Conferência de Zamora, pela qual o rei Afonso VII de Castela e Leão, foi forçado a reconhecer a Independência de Portugal. Constato que a comemoração do 5 de Outubro se situa no domínio dos temas fracturantes na sociedade portuguesa. Daí que não me choque a sua supressão como feriado civil. O mesmo não direi da abolição do feriado do 1º de Dezembro.
O feriado do 1º de Dezembro, comemorado até ao presente, é evocativo da Restauração da Independência de Portugal, a 1 de Dezembro de 1640, após seis décadas de domínio filipino. É uma efeméride que por isso une todos os portugueses, já que naquela data, Portugal recuperou a dignidade perdida e o direito à sua identidade como Estado-Nação.
Pessoalmente, considero a supressão do feriado do 1º de Dezembro pelo governo português como uma atitude anti-patriótica, a qual vivamente repudio.
Apesar da minha atitude, tudo ficará por aqui, pois o povo português é manso ou pelo menos tem sido até agora. Que se passaria nos EUA, se o Presidente decidisse proclamar que deixaria de ser feriado, o dia 4 de Julho, que marca a Declaração de Independência daquela Nação, face ao Império Britânico, ocorrida em 1776? Que responda quem souber…


Painel de azulejos de finais do séc. XVII representando a reunião dos Conjurados. Uma fita na parte superior apresenta a legenda Amor Constância e Fidelidade e na parte inferior, Venturoso Citio, honrosas conferenciassem que se firmou a Redenção de Portugal. A reunião ocorrida a 12 de Outubro de 1640, decorreu no Palácio dos Almada em Lisboa, onde hoje está sediada a Sociedade Histórica da Independência de Portugal, em cujo Jardim se encontra o painel de azulejos. Participaram então na reunião, os conjurados D. Antão de Almada, António de Saldanha, Jorge de Melo, Francisco de Melo, D. Miguel de Almeida, Pedro de Mendonça e João Pinto Ribeiro, procurador da Casa de Bragança em Lisboa.

Quarta-feira, 25 de Janeiro de 2012

António Canoa - Artesão da ruralidade


Esta a designação da exposição a inaugurar pelas 16 horas do próximo sábado, dia 28 de Janeiro, na Sala de Exposições do Centro Cultural Dr. Marques Crespo, em Estremoz.
A iniciativa é da Associação Filatélica Alentejana e conta com o apoio da Câmara Municipal de Estremoz.
António Canoa é natural de Veiros, onde nasceu em 1926. Quando acabou a instrução primária seguiu o seu destino e tornou-se aprendiz de abegão, sob a orientação de seu tio e padrinho, Miguel Lopes.
Aos 17 anos já era abegão de corpo inteiro e nessa condição começou a trabalhar de sol a sol para as grandes casas agrícolas do concelho de Estremoz.
Da arte das suas mãos nasceram carros, carroças e trens para o transporte de bens e pessoas, assim como alfaias agrícolas como arados e araveças, bem como trilhos, grades, pás, forquilhas, escadas, malhos, cangalhas, etc., etc.
As matérias-primas eram o azinho, o freixo, o eucalipto e o choupo, que as suas mãos afeiçoavam com o auxílio de serras, machados, enxós, formões, martelos, arpuas e trados. E como abegão era um artista no sentido mais completo do termo. As suas obras eram decoradas com tintas confeccionadas com cores minerais já utilizadas pelos artistas rupestres de Lascaux e Altamira no Paleolítico, mas aqui diluídas em óleo e secante.
O almagre, o zarcão, o azul do ultramar e a terra de Sena, marcas identitárias das claridades do Sul, estavam sempre presentes no remate de obras nascidas das suas mãos mágicas de carpinteiro das grandes herdades.
Depois de se reformar, a ruralidade que continua a transportar na alma e os bichos carpinteiros que lhe vão na massa do sangue, levaram-no a confeccionar numa escala reduzida, miniaturas de tudo aquilo que lhe saiu das mãos em tamanho natural e que cumpria as missões para que foi criado, nas fainas agro-pastoris da primeira metade do século XX e mesmo mais além.
São essas miniaturas que António Canoa, ex-abegão e agora artesão da ruralidade, residente em São Lourenço de Mamporcão, expõe para deleite da nossa vista e porque é importante refrescar a memória do Alentejo do passado, das vivências e sentires da gente do campo.
A exposição que estará patente ao público até ao dia 28 de Abril de 2012, pode ser visitada de 3ª feira a sábado, entre as 9 e as 12,30 horas e entre as 14 e as 17,30 horas.

Terça-feira, 17 de Janeiro de 2012

O avental da mulher portuguesa

MINHO
Minhotas. Ilustração de Alfredo Morais (1872-1971).
Almanaque DIÁRIO DE NOTÍCIAS, 1954.


O avental é uma peça de vestuário muito importante que integra o traje popular da mulher portuguesa.
O avental de trabalho teve sempre por função proteger a roupa que cobria. Era usado desde o norte até ao sul do continente, do litoral até ao interior mais recôndito, à beira-mar, na borda de água, nas campinas, nas planícies, nas serranias e planaltos, bem como nas ilhas. Camponesas, pastoras, varinas, vindimadoras, mondadeiras, ceifeiras, todas elas usavam avental, com corte e padrões variáveis, normalmente de linho, de lã, de riscado ou de chita garrida, que acentuava a graciosidade da sua portadora.
Existia também o avental de festas e romarias, ricamente decorado, sobretudo no Minho que reforçava em quem o envergava a sua condição de mulher. Umas vezes guarnecido de rendas e fitas, outras vezes bordado a lã, a espiguilha ou a passamanaria.
As mulheres do povo, tanto no campo como na cidade, usavam também avental de lides domésticas no decurso da confecção de alimentos ou na limpeza da casa. No campo tanto era usado pela mulher do grande proprietário rural, como pelas serviçais, o mesmo se passando na cidade em casas abastadas, que por vezes tinham várias criadas. Os aventais que estas usavam, salientavam sempre a sua condição de serviçal, com folhos e rendas que eram usados sobretudo por quem ia atender pessoas à porta da rua. Deste modo, o avental usado pelas mulheres duma casa, tinha uma relação directa com a sua hierarquia naquela casa e na escala social.
Quando se gastavam devido ao uso, os aventais eram remendados ou reparados com um pedaço de tecido, nem sempre igual, porque muitas vezes não o havia. Em fim de vida, o avental podia ainda ser utilizado como rodilha ou retalhado para com os seus pedaços se confeccionarem taleigos para transportar os avios de casa.

Hernâni Matos

TRÁS-OS-MONTES
Costumes de Trás-os-Montes.
 Bilhete-postal ilustrado reproduzindo aguarela de Alfredo Moraes /1872-1971).
Colecção “Províncias de Portugal”. Edição António Vieira, Lda., Lisboa, s.d.
DOURO
Figurino "Chula do Douro" do bailado " Passatempo"
pela Cª Portuguesa de Bailados Verde-Gaio.
Teatro Nacional D. Maria II (1941). Thomaz de Mello (1906-1990).
Aguarela s/ cartão (33x25,2 cm). Museu Nacional do Teatro, Lisboa.
 BEIRA LITORAL
Póvoa do Valado (1938). Alberto de Souza (1880-1961).
 Aguarela sobre papel (26x37cm). Museu de Aveiro.

BEIRA ALTA
Madona da Serra - Beira Alta (1939). Augusto Tavares (1908-1984).
 Óleo s/ madeira (97,5 x 99,5 cm). Museu do Chiado - MNAC, Lisboa.
BEIRA BAIXA
Mulher da Beira Baixa. Aguarela de Laura Costa.
 Bilhete-postal ilustrado, editado por OLIVA –
Máquinas de Costura de Portugal. 
ESTREMADURA
Alzira (1940). Alberto de Souza (1880-1961).
Aguarela sobre cartão (52x37 cm).
Museu de José Malhoa, Caldas da Rainha.  
RIBATEJO
Mulher do Ribatejo. Aguarela de Laura Costa.
Bilhete-postal ilustrado, editado por OLIVA –
Máquinas de Costura de Portugal.  
 ALENTEJO
Ceifeira (1937).
Bilhete-postal ilustrado nº 33 dos CTT,
da "Série B" - Costumes Portugueses.
Reprodução de aguarela de Alberto de Souza (1880-1961).

ALGARVE
Camponesa (1937).
Bilhete-postal ilustrado nº 36 dos CTT,
 da "Série B" - Costumes Portugueses.
 Reprodução de aguarela de Alberto de Souza (1880-1961).

Terça-feira, 10 de Janeiro de 2012

Janeiro na Pintura Universal


FESTA REAL EM JANEIRO (1310-1320).
 Salmos da Rainha Mary, manuscrito com iluminuras do Mestre da Rainha Mary.
 Folhas em pergaminho (27,5 x 17,5 cm).
British Library, London.

Janeiro é o primeiro mês do ano no calendário juliano e no calendário gregoriano e, tem 31 dias. A sua designação deriva do Ianuarius, undécimo mês do calendário na reforma de Numa Pompílio. Posteriormente começou a ser o primeiro do ano no calendário juliano, já que Júlio César determinou que a partir do ano 709 romano (45 a.C.), o ano deveria começar na primeira lua nova após o solstício de Inverno, que no hemisfério norte ocorria a 21 de Dezembro. Nessa altura o início do ano ocorreu oito dias após o solstício. Posteriormente o início do ano foi alterado para onze dias após o solstício.
Na concordância com o calendário republicano francês, o dia 1 de Janeiro corresponde a dia 11 do mês Nivoso e dia 31 de Janeiro ao 11 do mês Pluvioso.
“Janeiro” é o tema central de telas criadas por grandes nomes da pintura universal, dos quais destacamos, associados por épocas/correntes da pintura:
IDADE MÉDIA: Mestre da Rainha Mary, inglês; “Mestre dos pergaminhos de ouro” (Bruges), belga; irmãos Paul, Jean et Herman de Limbourg (1370-80-1416), holandês; Jean Fouquet (1415-20 - 1478-81), francês; Miniaturista Flamengo, flamengo.
RENASCENÇA: Simon Bening (1483-1561), belga; António de Holanda, holandês; Simon Bening (1483 – 1561), belga; Pieter Bruegel “O Velho” (c. 1525-1569), flamengo.
BARROCO: Sebastian Vrancx (1573-1647), flamengo.
E que nos mostram os mestres da pintura universal?
Paisagens com rios e lagos gelados. Casas com telhado coberto de neve, a qual também cobre o solo. Brincadeiras e jogos de crianças e de adultos, no gelo e na neve. Árvores despidas de folhas. Cenas de regresso da caça. Algumas actividades agro-pastoris. Pessoas que vestem roupas da época que as protegem do frio e que quando ao ar livre têm sempre a cabeça coberta. No interior das casas, pessoas que comem e se aquecem junto à lareira.


CALENDÁRIO DO MÊS DE JANEIRO. (c.1401-1433).
Livro de Horas de D. Duarte.
 Manuscrito e Iluminuras do “Mestre dos pergaminhos de ouro” (Bruges).
Folhas em pergaminho (17,0 x 24,0 cm).
Torre do Tombo, Lisboa.
 
JANEIRO - Iluminura (22,5 x 13,6 cm) do “Livro de Horas do Duque de Berry” (1412-16),
 manuscrito com iluminuras dos irmãos Paul, Jean et Herman de Limbourg (1370-80-1416),
conservado no Museu Condé, em Chantilly, na França. 
JANEIRO – UM HOMEM A COMER E a AQUECER-SE AO FOGO (c. 1470).
Livro de Horas de Tours, manuscrito com iluminuras de Jean Fouquet 
(1415-20 - 1478-81) e outros.
 Folhas de pergaminho (12,5x 9 cm).
Koninklijke Bibliotheek (Haia, KB, 74 G 28 fol. 1r).
  MÊS DE JANEIRO (1490-1510).
Iluminura (28 x 21,5 cm) de Miniaturista Flamengo.
Breviário Grimani.
Biblioteca Marciana, Veneza.
 JANEIRO – Iluminura (28 x 21,5 cm) do “Livro de Horas da Costa” (c/ 1515).
 Iluminado por Simon Bening (1483-1561).
Conservado na Morgan Library, Nova Iorque.
 JANEIR0 - Iluminura (10,8x14 cm) do “Livro de Horas de D. Manuel I”
 [Século XVI (1517-1551)], manuscrito com iluminuras atribuídas a António de Holanda,
 conservado no Museu Nacional de Arte Antiga.
Pintura a têmpera e ouro sobre pergaminho.
JANEIRO - Iluminura (9,8x13,3 cm) do “Livro de Horas de D. Fernando”
[Século XVI (1530-1534)], manuscrito com iluminuras da oficina Simon Bening
(1483 - 1561), conservado no Museu Nacional de Arte Antiga.
Pintura a têmpera e ouro sobre pergaminho. 
CAÇADORES NA NEVE – JANEIRO (1565).
 Pieter Bruegel  “O Velho” (c. 1525-1569).
Óleo sobre painel (117 x 162 cm).
Kunsthistorisches Museum, Vienna. 
JANEIRO. Sebastian Vrancx (1573-1647).
Óleo sobre madeira (27 x 37 cm).
Szépmûvészeti Múzeum, Budapest.

Segunda-feira, 9 de Janeiro de 2012

O Avental

Traje maçónico com banda e avental (1840-50).
Museu Nacional do Traje, Lisboa.

São Bento tem andado ultimamente numa autêntica roda-viva. É que um verbo de conjugação supostamente discreta, adquiriu uma inesperada e gigantesca visibilidade quando começou a ser conjugado com frequência no Hemiciclo e nos Passos Perdidos:

Eu uso Avental
Tu usas Avental
Ele usa Avental
Nós usamos Avental
Vós usais Avental
Eles usam Avental

É que por ali impera o Avental como fatiota ritual de alguns membros dos partidos do arco da governação. Pelos vistos só o Bloco, o PC e os Verdes não querem nada com o Avental.
Parafraseando o adagiário português há já quem proclame: “Diz-me se usas ou não Avental, dir-te-ei quem és.” Outros vão ao ponto de congeminar: “Será que o Presidente da República usa Avental?”
Cá em casa posso-vos assegurar que ninguém usa Avental, a começar pela minha mulher e pela minha filha, mesmo quando cozinham. Quanto a mim e apesar de ter sido convidado a usar Avental, declinei elegantemente o convite. É que a liberdade de consciência e de determinação que usufruo como Franco-Atirador, não são compatíveis com as amarras que manietam aqueles que por aconchego vivem à sombra tutelar da Acácia. As Claridades do Sul querem-me livre como o vento Suão. Daí que não me motivem as fatiotas rituais.


Traje maçónico com banda e avental (1840-50).
Museu Nacional do Traje, Lisboa. 
 Avental maçónico (1840-50).
Museu Nacional do Traje, Lisboa.
Avental maçónico (2ª metade do séc. XIX).
Museu Nacional do Traje, Lisboa.

Domingo, 8 de Janeiro de 2012

Provérbios de Janeiro

Painel de azulejos encimado pela designação latina do mês e pelo respectivo Signo de Zodíaco, encerrado num círculo. Um cavaleiro e dois peões bem agasalhados assistem a patinagem no gelo e ao deslocamento de um trenó. Simultaneamente um camponês dirige-se para a sua casa, carregando às costas um feixe de lenha. Sala 106 da Universidade de Évora, Colégio do Espírito Santo, inaugurado em 1553.

- A água de Janeiro traz azeite ao olival, vinho ao lagar e palha ao palheiro.
- A água de Janeiro vale dinheiro.
- Água de Janeiro, todo o ano tem concerto,
- Até Janeiro qualquer burro passa o regueiro, mas daí para a frente, tem que ser forte e valente.
- Bons dias em Janeiro pagam-se em Fevereiro.
- Bons dias em Janeiro, enganam o homem em Fevereiro.
- Canta o melro em Janeiro, temos neve até ao rolheiro.
- Cebola ramuda, com neves em Janeiro, anuncia dinheiro.
- Chuva de Janeiro, cada gota vale dinheiro.
- Chuva em Janeiro e não frio, riqueza no Estio.
- De flor de Janeiro ninguém enche o celeiro.
- Em Janeiro deixa a fonte e vai ao ribeiro.
- Em Janeiro deixa o rábano ao rabaneiro.
- Em Janeiro faz a cama em palheiro.
- Em Janeiro todo o burro é sendeiro.
- Em Janeiro meia o celeiro; se o vires meado, come regrado.
- Em Janeiro não metas obreiro.
- Em Janeiro neve e frio, é de esperar ardor no estio.
- Em Janeiro pasta a lebre no lameiro e o coelho à beira do regueiro.
- Em Janeiro põe-te no outeiro e se vires verdear, põe-te a chorar, e se vires terrear, põe-te a cantar.
- Em Janeiro seca a ovelha suas madeiras no fumeiro e em Março no prado e em Abril as vai urdir.
- Em Janeiro semeiam-se muitas abóboras.
- Em Janeiro sobe ao outeiro e se vires verdejar, põe-te a chorar e se vires torrear, põe-te a cantar.
- Em Janeiro sobe ao outeiro: se vires verdegar, põe-te a chorar; se vires terregar, põe-te a dançar.
- Em Janeiro sobe ao outeiro; se vires terrear, põe-te a cantar; se vires verdejar, põe-te a chorar.
- Em Janeiro todo o cavalo é sendeiro.
- Em Janeiro, busca parceiro.
- Em Janeiro, cada ovelha com seu cordeiro.
- Em Janeiro, mete obreiro, mês meante que não ante. Em Janeiro, nem galgo lebreiro, nem açor perdigueiro.
- Em Janeiro, o boi e o leitão engordarão.
- Em Janeiro, sete capelos e um sombreiro.
- Em Janeiro, sete casacos e um sombreiro.
- Em Janeiro, sobe ao outeiro; se vires verdejar, põe-te a chorar; se vires tarrejar, põe-te a cantar.
- Em Janeiro, um porco ao sol, outro ao fumeiro.
- Em Janeiro, um porco morto, outro no fumeiro.
- Em Janeiro, um salto de carneiro.
- Em mês de Janeiro Verão, nem palha nem pão.
- Em metade de Janeiro mete obreiro.
- Em minguante de Janeiro, corta o madeiro.
- Em São Vicente (22/1) de Janeiro sobe ao outeiro; se vires verdejar, põe-te a chorar; se vires terrear, põe-te a cantar; se vires luzir, põe-te a sorrir.
- Fermento de Janeiro, de quarteiro.
- Janeiro e Fevereiro, enchem ou vazam o celeiro.
- Janeiro frio e molhado não é bom para o gado.
- Janeiro frio e molhado, enche a tulha e farta o gado.
- Janeiro frio ou temperado, passa-o enroupado.
- Janeiro geadeiro afoga a mãe no ribeiro.
- Janeiro geadeiro, Fevereiro aguadeiro. Março chover cada dia seu pedaço. Abril águas mil coadas por um funil, Maio pardo celeiro grado, Junho foice em punho.
- Janeiro geadeiro, nem boa meda nem bom palheiro.
- Janeiro gear, Fevereiro chover. Março encanar, Abril espigar, Maio engrandecer, Junho ceifar, Julho debulhar. Agosto engavelar, Setembro vindimar. Outubro revolver. Novembro semear. Dezembro nascer.
- Janeiro gear, Fevereiro chover. Março encanar, Agosto recolher. Setembro vindimar.
- Janeiro gear. Fevereiro chover. Março encanar, Abril espigar, Maio engrandecer. Junho ceifar, Julho debulhar, Agosto engavelar. Setembro vindimar, Outubro revolver. Novembro semear, Dezembro nasceu Deus para nos salvar.
- Janeiro geoso, Fevereiro nevoso. Março frio e ventoso, Abril chuvoso e Maio pardo, fazem um ano abundoso.
- Janeiro geoso. Fevereiro nevoso, Março mulinhoso. Abril chuvoso. Maio ventoso, fazem o ano formoso.
- Janeiro greleiro, não enche o celeiro.
- Janeiro molhado, bom para o tempo e mau para o gado.
- Janeiro molhado, se não cria pão, cria gado.
- Janeiro molhado, se não é bom para o pão, não é mau para o arado.
- Janeiro molhado, se não é bom para o pão, não é mau para o gado.
- Janeiro não choveu, o temporão se perdeu.
- Janeiro quente, traz o diabo no ventre.
- Janeiro quer-se geadeiro.
- Janeiro, cada sulco seu regueiro.
- Janeiro, como entra assim sai.
- Janeiro, desapartadeiro.
- Janeiro, geadeiro.
- Janeiro, gear.
- Janeiro, porcos em sendeiro, um dia e não cada dia.
- Laranjas e Janeiro, dão que fazer ao coveiro.
- uar de Janeiro não tem parceiro, senão o de Agosto, que lhe dá de rosto.
- Mês de Janeiro e Fevereiro, ou enche ou vaga (vaza) o celeiro.
- Mês de Janeiro, bom cavaleiro, assim acaba como à entrada.
- Mês de Janeiro, procura a perdiz o companheiro. Fevereiro faz o rapeiro; Março põe três ou quatro; Abril enche o covil; Maio, pi-pi pelo mato.
- Minguante de Janeiro corta madeiro.
- No mês de Janeiro sobe ao outeiro para ver o nevoeiro.
- No primeiro de Janeiro sobe ao outeiro para ver o nevoeiro.
- O bom tempo de Janeiro faz o ano galhofeiro.
- O mês de Janeiro, como bom cavalheiro, assim acaba como na entrada.
- O que Janeiro deixa nado, Maio deixa espigado.
- Outubro, revolver; Novembro, semear; Dezembro, nasceu um Deus para nos salvar; Janeiro, gear; Fevereiro, chover; Março, encanar; Abril, espigar; Maio, engrandecer; Junho, ceifar; Julho, debulhar; Agosto, engravelar; Setembro, vindimar.
- Pelo São Sebastião (20/1), cada perdiz com o seu perdigão.
- Pelo São Vicente (22/1) pare a chuva e venha o vento.
- Pelo São Vicente (22/1) toda a gente é quente.
- Pelo São Vicente (22/1), toda a água é quente.
- Por São Fabião (20/1), laranjinha na mão.
- Por São Sebastião (20/1), laranjinha na mão.
- Por São Sebastião (20/1), laranjinha no chão.
- Por São Vicente (22/1), alça a mão da semente.
- Por São Vicente (22/1), toda a água é quente.
- Primeiro de Janeiro, primeiro dia de Verão.
- Quando o Janeiro vem quente, traz o diabo no ventre.
- Quem azeite colhe antes de Janeiro, azeite deixa no madeiro.
- São Sebastião (20/1), laranja na mão.
- São Vicente (22/1), alça a mão da semente.
- Se chover dia de Reis (6/1), lavradores não vos descuideis.
- Se gela no São Suplício, haverá ano propício.
- Sol de Janeiro sempre anda atrás do outeiro.
- Trovão em Janeiro, nem bom prado, nem bom palheiro.
- Trovões em Janeiro, searas de quarteiro.

A Adoração dos Pastores na Pintura Universal

NASCIMENTO DE CRISTO (c. 1425-30).
Robert Campin (c. 1380 – 1444).
Óleo sobre painel (86 × 72 cm).
Musée des Beaux-Arts, Dijon.

A Adoração dos Pastores” é o tema central de telas criadas por grandes nomes da pintura universal, dos quais destacamos, associados por épocas/correntes da pintura:
- RENASCENÇA: Robert Campin (c. 1380 – 1444), flamengo; Andrea Mantegna (1431 – 1506), italiano; Hugo van der Goes (c. 1440 – 1482), flamengo; Martin Schongauer (c. 1447 – 1491), alemão; Giorgione (1477 – 1510) italiano; Raphael (1483-1520), italiano; Titian (c. 1485-1576), italiano; Jacopo Bassano (c. 1515-92), italiano.
- MANEIRISMO: Tintoretto (c. 1518-94), italiano; El Greco (1541-1614), espanhol.
- BARROCO: Peter Paul Rubens (1577-1640), flamengo; Caravaggio (1573 – 1610), italiano; Gerrit van Honthorst (1590 – 1656), holandês; Francisco de Zurbarán (1598-1664), espanhol; Rembrandt Harmenszoon van Rijn (1606 – 1669), holandês; Jan Havicksz Steen (c. 1626 – 1679), holandês.
- ROMANTISMO: William Bell Scott (1811-1890), escocês;
- VICTORIANO: James Tissot (1836-1902), francês;
As referências bíblicas à “Adoração dos PASTORES” surgem em LUCAS 2:
“1. Naqueles tempos apareceu um decreto de César Augusto, ordenando o recenseamento de toda a terra.
2. Este recenseamento foi feito antes do governo de Quirino, na Síria.
3. Todos iam alistar-se, cada um na sua cidade.
4. Também José subiu da Galileia, da cidade de Nazaré, à Judeia, à Cidade de David, chamada Belém, porque era da casa e família de David,
5. para se alistar com a sua esposa Maria, que estava grávida.
6. Estando eles ali, completaram-se os dias dela.
7. E deu à luz seu filho primogénito, e, envolvendo-o em faixas, reclinou-o num presépio; porque não havia lugar para eles na hospedaria.
8. Havia nos arredores uns pastores, que vigiavam e guardavam seu rebanho nos campos durante as vigílias da noite.
9. Um anjo do Senhor apareceu-lhes e a glória do Senhor refulgiu ao redor deles, e tiveram grande temor.
10. O anjo disse-lhes: Não temais, eis que vos anuncio uma boa nova que será alegria para todo o povo:
11. hoje vos nasceu na Cidade de David um Salvador, que é o Cristo Senhor.
12. Isto vos servirá de sinal: achareis um recém-nascido envolto em faixas e posto numa manjedoura.
13. E subitamente ao anjo se juntou uma multidão do exército celeste, que louvava a Deus e dizia:
14. Glória a Deus no mais alto dos céus e na terra paz aos homens, objectos da benevolência divina.
15. Depois que os anjos os deixaram e voltaram para o céu, falaram os pastores uns com os outros: Vamos até Belém e vejamos o que se realizou e o que o Senhor nos manifestou.
16. Foram com grande pressa e acharam Maria e José, e o menino deitado na manjedoura.
17. Vendo-o, contaram o que se lhes havia dito a respeito deste menino.
18. Todos os que os ouviam admiravam-se das coisas que lhes contavam os pastores.“



ADORAÇÃO DOS PASTORES (c. 1451-53).
Andrea Mantegna (1431 – 1506).
Têmpera sobre tela (40 × 56 cm).
Metropolitan Museum of Art, New York.
ADORAÇÃO DOS PASTORES (1476-1478).
Hugo van der Goes (c. 1440 – 1482).
Óleo sobre painel (253 × 304 cm).
Galleria degli Uffizi, Florence.
NATIVIDADE (c. 1840).
Martin Schongauer (c. 1447 – 1491).
Óleo sobre painel (37×28 cm).
Gemäldegalerie der Staatlichen Museen, Berlin.
ADORAÇÃO DOS PASTORES (C. 1500).
Giorgione (1477 – 1510).
Óleo sobre painel (91 × 110 cm).
National Gallery of Art, Washington DC.
NASCIMENTO DE CRISTO (1518-19).
Raphael (1483-1520).
Fresco.
Palazzi Pontifici, Vatican.
ADORAÇÃO DOS PASTORES (1533).
Titian (c. 1485-1576).
Óleo sobre madeira.
Galleria Palatina, Palazzo Pitti, Florence.
ADORAÇÃO DOS PASTORES (c. 1545).
Jacopo Bassano (c. 1515-92).
Óleo sobre tela.
Musée National du Château de Fontainebleau.
ADORAÇÃO DOS PASTORES (1579-81).
Tintoretto (c. 1518-94).
Óleo sobre tela.
Scuola di San Rocco, Venice.
ADORAÇÃO DOS PASTORES (C. 1608).
Peter Paul Rubens (1577-1640).
Óleo sobre tela.
St.-Pauluskerk, Antwerp.
ADORAÇÃO DOS PASTORES (c. 1609).
Caravaggio (1573 – 1610).
Óleo sobre tela (314 × 211 cm).
Museo Regionale, Messina.
A ADORAÇÃO DOS PASTORES (1612–14).
El Greco (1541-1614).
Oil on canvas (319 × 180 cm).
Museo del Prado, Madrid.
ADORAÇÃO DOS PASTORES (1622).
Gerrit van Honthorst (1590 – 1656).
Óleo sobre tela (164 × 190 cm).
Wallraf-Richartz Museum, Cologne.
ADORAÇÃO DOS PASTORES (1638-39).
Francisco de Zurbarán (1598-1664).
Óleo sobre tela.
Musée de Grenoble.
ADORAÇÃO DOS PASTORES (1646 [1])
Rembrandt Harmenszoon van Rijn (1606 – 1669).
Óleo sobre tela (97 × 71 cm).
Alte Pinakothek, Munich.
ADORAÇÃO DOS PASTORES (1646 [2]).
Rembrandt Harmenszoon van Rijn (1606 – 1669).
Óleo sobre tela (65 × 55 cm).
National Gallery, London.
ADORAÇÃO DOS PASTORES (1660-1679).
Jan Havicksz Steen (c. 1626 – 1679).
Óleo sobre tela (53 × 64 cm).
Rijksmuseum, Amsterdam.
A NATIVIDADE (1872).
William Bell Scott (1811-1890).
Óleo sobre tela.
National Gallery of Scotland, Edinburgh.
ADORAÇÃO DOS PASTORES (1886-94).
James Tissot (1836-1902).
Aguarela opaca sobre grafite em papel cinza.
Brooklyn Museum, New York.