sábado, 26 de maio de 2018

I Jogos Florais do Jornal E de Estremoz (1.º Prémio - Poesia obrigada a Mote)




1.º PRÉMIO - POESIA OBRIGADA A MOTE
Pseudónimo: Carlos Miguel
(Joaquim da Conceição Barão Rato – Beja)

Mote

Bonecos de Estremoz são,
Em variada forma e cor,
Filhos d'arte de artesão
Que os modela com amor.
              António Simões


PATRIMÓNIO MUNDIAL

Vejo uma mulher fiando
Um pastor de manta ao ombro,
Vejo um presépio (que assombro...)
E lavadeiras lavando.
Um cavaleiro montando
Russo cavalo gingão,
Santa Isabel, São João,
Feitos no meu Alentejo,
E grito: Isto que vejo
Bonecos de Estremoz são!

O barro que se fez arte,
Património mundial,
De Estremoz, de Portugal,
Se espalhou por toda a parte.
Passou a ser baluarte
Desta expressão de valor,
Um garboso lavrador
Feito de barro pintado
É um sinal do passado
Em variada forma e cor.

E digo: seja estimado
Quem assim fabrica encanto,
Quem me põe olhos de espanto
Por todos seja saudado.
O simples barro afagado
É motivo de emoção,
Aquece-me o coração
Ver tão singelas figuras,
São carinhos, são ternuras
Filhos d'arte de artesão.

E sinto um orgulho infindo
Deste povo alentejano,
Do doce calor humano
Deste Alentejo tão lindo.
Dou por mim alegre, rindo,
Dou graças ao Criador
Por um boneco, uma flor,
De aspeto vivo, contente,
Que sai das mãos desta gente
Que os modela com amor.