quarta-feira, 13 de dezembro de 2017

BONECOS DE ESTREMOZ - A minha crença numa candidatura vitoriosa


Hernâni Matos no Museu Municipal de Estremoz. Fotografia de Armando Alves.

Nunca vendi gato por lebre
No Franco-Atirador de 12-01-2017 (Jornal E nº 168), tive oportunidade de afirmar: “Como coleccionador e como investigador da barrística local, amo os bonecos de Estremoz e subscrevo desde a primeira hora, com alma e coração, a sua Candidatura a Património Cultural Imaterial da Humanidade.
Esta candidatura foi em devido tempo apresentada pelo Município, seguindo todos os trâmites legalmente previstos e contando com a assessoria técnico-científica de Hugo Guerreiro, Director do Museu Municipal, que ali tem desenvolvido um trabalho notável.”
No Franco-Atirador de 09-02-2017 (Jornal E nº 170), reiterei a minha confiança na vitória da Candidatura, quando acrescentei: “A fundamentação rigorosa da Candidatura, concedeu-lhe solidez e peso e consequentemente credibilidade, respeitabilidade e vigor, que a meu ver são condições não só necessárias como suficientes, para que seja uma Candidatura vitoriosa.”
No Franco-Atirador de 12-01-2017, acrescentei ainda: “No presente, o figurado de Estremoz além de figurar no Inventário Nacional de Património Cultural Imaterial, já tem a sua Candidatura entrada na UNESCO, como se pode concluir por consulta do respectivo website.
O Museu Municipal de Estremoz é actualmente Centro UNESCO para a Valorização e Salvaguarda do Boneco de Estremoz e no início do mês passado, estiveram em Estremoz representantes da Federação Portuguesa das Associações, Centros e Clubes UNESCO, para assinatura de um Protocolo de Parceria Estratégica, no âmbito do Centro UNESCO, para a valorização e salvaguarda dos Bonecos de Estremoz.
A decisão da UNESCO relativamente à Candidatura apresentada pelo Município será conhecida em finais de 2017.”
No Franco-Atirador de 09-02-2017, profetizei ainda: “A inclusão dos bonecos de Estremoz na lista representativa do Património Cultural Imaterial da Humanidade, será o corolário natural de toda uma Candidatura que tem sido desenvolvida com rigor e traduzir-se-á numa maior divulgação, valorização e reconhecimento a nível planetário do nosso figurado.” 
Aviso à navegação
Terminei o Franco-Atirador de 12-01-2017, denunciando publicamente determinado tipo de postura que procurava denegrir a Candidatura. Para tal, afirmei que: “O noticiário do Município tem divulgado publicamente todas as etapas do processo e a imprensa tem feito a divulgação das mesmas, o que posso confirmar, já que sei do que estou a falar. Daí que não perceba quais as reais intenções de quem na imprensa local, pareça querer pôr a Candidatura em causa, ao afirmar que “Em Estremoz … não se sabe ao certo”. Quem tem acompanhado os noticiários do Município e a imprensa local, regional e nacional, sabe. Quem não sabe e fala do que não sabe, fica mal na fotografia.”
De resto, denunciei igualmente na imprensa local, a crítica negativa que foi feita ao Município de Estremoz, por não ter querido integrar a Associação Portuguesa de Cidades e Vilas Cerâmicas, a qual faz parte da Associação Europeia de Cidades Cerâmicas, que pretende candidatar a cerâmica a Património Cultural Imaterial da Humanidade e criar uma denominação de origem geográfica protegida do sector.
Teria sido um erro histórico se o Município de Estremoz tivesse participado naquela Associação, onde pontifica a CENCAL (Centro de Formação Profissional para a Indústria Cerâmica) das Caldas da Rainha, criado em 1981, visando a formação profissional na área da cerâmica, mas que desde 2011 se estendeu ao sector do vidro.
Felizmente que o Município de Estremoz teve a percepção que a participação na referida Associação não fazia sentido, uma fez que o figurado em barro de Estremoz tem uma manufactura “sui generis” que a distingue e valoriza face a figurados como os de Barcelos, Mafra ou Caldas da Rainha, para não falar de outros. Para além disso, a meu ver, a Candidatura tanto da associação portuguesa como da europeia, carecem de qualquer sentido, uma vez que os produtos cerâmicos têm a ver com a identidade cultural local. Basta pensar na diferença que há entre as olarias de Estremoz, Nisa, Ribolhos e Barcelos.
Moral da História
Quando assisto a alguém que se arvora a falar daquilo que não sabe, porque não sabe mesmo ou como também é o caso, se encontra obliterado pela cegueira política, fico “piurso”, pelo que retirando um projéctil verbal da minha cartucheira de rifões, disparo à queima roupa:
- QUEM TE MANDA A TI SAPATEIO, TOCAR RABECÃO?