quarta-feira, 16 de dezembro de 2015

Mensagem de Natal



Há cerca de 2.000 anos que de acordo com relatos bíblicos, nasceu na Galileia, Jesus Cristo, o Messias, cuja vinda foi anunciada pelo Arcanjo Gabriel. A sua capacidade de liderar multidões levou a que fosse julgado e condenado à morte por Herodes Antipas, tetrarca da Galileia e da Pereia. Daí que tenha sido flagelado e crucificado.
Também Spartacus, gladiador trácio que liderou a mais célebre revolta de escravos contra o jugo romano, viria a conhecer semelhante sorte.
Desde então para cá têm ocorrido muitas lutas, muitas batalhas, muitas guerras, nas quais explorados e oprimidos, ávidos de pão, paz, terra, justiça e liberdade, têm lutado contra os opressores que lhe negam esses elementares direitos.
Um marco importante dessas lutas foi a Revolução Francesa, promotora dos ideais republicanos da Liberdade, Igualdade e Fraternidade. Todavia, como nos disse o Padre António Vieira: “É a guerra aquele monstro que se sustenta das fazendas, do san­gue, das vidas, e quanto mais co­me e consome, tanto menos se farta”. Daí que tenha continuado a alastrar pelo mundo, fruto dos interesses de dominação mais diversos.
A nível interno, tivemos a fundação da nacionalidade por Dom Afonso Henriques, a 5 de Outubro de 1143. Nos séculos seguintes, guerreámos castelhanos, mouros, povos indígenas, espanhóis, franceses e povos africanos, tanto por necessidades expansionistas como para defesa da independência nacional. Nos finais do séc. XIX e princípios do séc. XX, verificou-se o descrédito do regime monárquico. Daí que graças à acção doutrinária e política do Partido Republicano Português, tenha ocorrido o derrube da Monarquia a 5 de Outubro de 1910. Ocorreu aqui uma mudança de paradigma que vigorou até ao pronunciamento militar de cariz nacionalista e anti-parlamentar de 28 de Maio de 1926, o qual estaria na origem do Estado Novo, regime ditatorial que vigorou até à Revolução de 25 de Abril de 1974.
A restituição da liberdade aos portugueses teve como reflexos positivos imediatos, o renascer do parlamentarismo e dos partidos, pilares da democracia. Com ambos, a democracia tem conhecido altos e baixos, por vezes com reflexos negativos na vida das pessoas.
Com as eleições legislativas de 4 de Outubro de 2015, ocorreu uma nova mudança de paradigma, que foi o entendimento político entre as esquerdas. Este incomodou todos aqueles que crêem ter o rei na barriga e se julgam donos disto tudo.
Fruto daquele entendimento e em cumprimento dos preceitos constitucionais, o Presidente da República indigitou a 24 de Novembro, António Costa como Primeiro-Ministro do XXI Governo Constitucional. Este tomou posse a 26 de Novembro e viu o seu Programa aprovado no Parlamento a 3 de Dezembro.
O poder mudou de mãos e é tempo de Natal, daí que para a maioria do povo português, este Natal seja um natal de esperança.
Vem aí “Ano Novo, vida nova”. A 24 de Janeiro têm lugar as eleições para a Presidência da República, data em que a maioria do povo português pretende que ocorra outra mudança de paradigma. A meu ver, para que tal seja possível, torna-se necessário um entendimento político entre as esquerdas, que se traduza na apresentação de um único candidato às urnas. Julgo que as esquerdas aprenderam com as eleições legislativas e vão alcançar esse entendimento. Trata-se de um imperativo ético da maior relevância.