domingo, 5 de agosto de 2012

Azulejos da Estação da CP de Estremoz

Mercado de sábado: os barros. Ao fundo e ao centro, o Castelo de Estremoz.
À direita, os campanários da extinta Igreja de Santo André.

A arte do azulejo herdada dos árabes, enraizou-se entre nós no século XVI, fruto da prosperidade económica resultante da expansão marítima portuguesa, que permitiu a construção de igrejas e palácios. Estes foram decorados interiormente com cenas sagradas ou profanas, que por vezes também ornamentam alguns jardins de palácios.
No século XX, o azulejo sai definitivamente para rua e passa a decorar fachadas de residências, edifícios públicos, lojas, estações e mercados. Foi o que aconteceu com a Estação da CP em Estremoz, decorada com painéis azulejares policromáticos da autoria de Alves de Sá (1), datados de 1940 e fabricados na Fábrica de Cerâmica da Viúva Lamego, em Lisboa. Trata-se de quadros de grande qualidade artística que num estilo muito barroco, contam o dia-a-dia da cidade de Estremoz e registam as fainas agro-pastoris no segundo quartel do século XX. As cenas alternam com vasos carregados de flores e frutos, motivos que também figuram na cercadura, a qual é encimada por um cesto repleto daquelas espécies. São quadros que nos permitem uma viagem espaço-temporal à época da Exposição do Mundo Português, já que constituem um repositório dos usos e costumes locais na 1ª metade do século XX. Para muitos de nós, estes azulejos, conjuntamente com os do Palácio Tocha e da Câmara Municipal de Estremoz, foram o nosso primeiro livro de banda desenhada.
Dado que alguns painéis foram vandalizados, não seria possível promover a sua recuperação a partir de fotografias existentes ou dos estudos do artista que deram origem aos painéis? Aqui fica o alvitre a quem de direito. Seria ouro sobre azul, já que a autarquia pretende instalar um espaço museológico ferroviário, no antigo edifício da estação da CP de Estremoz.




(1) - João Alves de Sá (1878-1972), que exerceu episodicamente a magistratura, foi como aguarelista, discípulo de Manuel de Macedo (1839-1915), tendo sido agraciado com elevadas distinções como a medalha de honra em aguarela da Sociedade Nacional de Belas Artes e o 1º prémio Roque Gameiro (1947), do Secretariado Nacional de Informação. Encontra-se representado no Museu do Chiado e no Museu da Cidade (Lisboa), na Casa-Museu dos Patudos (Almeirim), no Museu Grão Vasco (Viseu) e em diversas colecções particulares. Para além da aguarela, dedicou-se à cerâmica, realizando painéis azulejares que se encontram espalhados por vários pontos do país: Estações da CP de Estremoz, Rio Tinto e Vilar Formoso, bem como as salas de espera da Estação Fluvial de Sul e Sueste e a entrada do Governo Civil, em Lisboa.

A fachada da Estação da CP de Estremoz. 
A gare da Estação da CP de Estremoz, vista do lado de Vila Viçosa.  
A gare da Estação da CP de Estremoz, vista do lado de Évora.  
Ceifeiras. Ao fundo o Castelo de Estremoz. 
Porqueiro guardando uma vara de porcos.
 Mercado de sábado: os barros. 
Convento das Maltesas e zona do mercado das sementes,
no decurso do mercado de sábado. 
 Convento das Maltesas e zona dos churriões-tabernas,
no decurso do mercado de sábado.
Carros de tracção animal, à saída das Portas de Santo António. 
Carro de tracção animal, frente à fonte de São João de Deus,
situada no alçado lateral esquerdo do  Hospital Real de São João de Deus.
 Fonte das Bicas e aguadeiros no Largo General Graça.  
  Fonte do Largo do Espírito Santo e aguadeiro.
Aguadeiro na subida da rua do arco de Santarém, em direcção ao Castelo.