sexta-feira, 8 de julho de 2011

Adagiário português do pão

FORNEIRA
Peça da barrística popular estremocense da autoria das Irmãs Flores

Sistematizámos o adagiário português do pão em dois grandes grupos:

AMASSADURA E COZEDURA DO PÃO
- A quem coze e amassa não furtes a massa.
- A quem tem seu pão no forno, podemos dar do nosso.
- Ano caro, padeira em todo o cabo.
- Ano caro, padeira em todo o caso.
- Coze-se o pão, enquanto o forno está quente.
- Descansai mulheres que caiu o forno.
- Fazer a broa maior que a boca do forno.
- Forno chorado, pão queimado.
- Forno de padeira, com qualquer molho de lenha se aquece.
- Forno feito, vintém no corucho.
- Muitos padeiros não fazem bom pão.
- Nam sejais forneira, se tendes a cabeça de manteiga.
- Em casa do sisudo, faz-se o pão miúdo.
- Enquanto ladra o cão, coze-se o pão.
- Não te ponhas a soalhar com quem tem forno e pé de altar
- Nem sempre o forno faz rosquilhas.
- No fogo se ganha, no fogo se perde.
- No forno e no moinho vai quem quer cochicho.
- No forno se ganha o pão, no forno se perde.
- No Inverno forneira, no Verão taberneira.
- O velho e o forno, pela boca se aguentam.
- Para forno quente, três molhos de ramasca ou um torgo somente.
- Para forno quente, uma torga somente.
- Pela boca se aquenta o forno.
- Quem mói no seu moinho e coze no seu forno, come o seu pão todo.
- Se toda a gente fosse padeiro, ninguém comprava pão.
- Uns aquecem o forno, outros amassam o pão.
- Ninguém morre sem ter primeiro amassado pão sem sal.

CONSUMO DO PÃO
- A boa fome não há mau pão.
- À gana de comer não há mau pão.
- À míngua de pão, boas são as tortas.
- A pão duro, dente agudo.
- Abril frio, pão e vinho.
- Agora dá pão e mel, depois, dará pão e fel.
- Água de S. João, tira o vinho e não dá pão.
- Água e pão, de corrida te vão.
- Água fria e pão quente, nunca fizeram bom ventre.
- Ainda agora comem pão da boda.
- Ainda que entres na vinha, e voltes o gibão, se não trabalhares, não te darão pão.
- Amigos que se desavêm por um pão de centeio, ou a fome é muita, ou o amor pequeno.
- Antes pão com amor do que galinha com dor.
- Antes pão do que fortuna.
- Antes pão duro que figo maduro.
- Antes pão seco com amor do que galinha com dor.
- Antes quero pão enxuto que tal conduto.
- Aonde lhes cabe o pão lhes não cabe o mais.
- Bem estou com o meu amigo, quando come seu pão comigo.
- Bem haja o pão que presta e a moça que o come.
- Bem haja o pão que presta.
- Bem haja o pão que resta e a moça que o come.
- Bem sei o que digo, quando pão pido.
- Boca que erra, não merece pena, nem pão que lhe falte.
- Bocado de mau pão, não o comas, nem o dês a teu irmão.
- Bocado de mau pão, nem para ti, nem para o teu cão.
- Bom é o pão que com honra se come.
- Bom é saber, que pão te há-de manter.
- Bom é um pão em dois pedaços.
- Bom grão fará bom pão.
- Caldo com pão, bom patrão.
- Caldo sem pão, mau patrão; caldo com vinho, já vai servindo.
- Caldo sem pão, só no Inferno o dão.
- Carne que baste; vinho que farte; pão que sobre.
- Cartas, mulheres e carradas de pão, para onde pendem, para aí vão.
- Casa onde não há pão, todos ralham e ninguém tem razão.
- Chama vinho ao vinho e pão ao pão e todos te entenderão.
- Com pão e vinho se anda caminho.
- Com unto e pão de milho, o caldo faz bom trilho.
- Come pão e bebe água e viverás sem mágoa.
- Comer pão que o diabo amassou.
- De mau grão, nunca bom pão.
- Dos cheiros o pão, do sabor o sal.
- É bom o pão duro, quando não há nenhum.
- É melhor pão duro que figo maduro.
- Em Abril, dá a velha a filha por pão, a quem lha pedir.
- Em broa encetada, todos querem tirar uma côdea.
- Em toda a parte se come pão.
- Estar a pão e água.
- Ficar a pão e laranja.
- Fidalgo sem pão é vilão.
- Guarda pão para Maio e lenha para Abril.
- Haja pão e satisfação.
- Já come pão com côdea.
- Meia vida é a candeia, pão e vinho a outra meia.
- Mesa sem pão é mesa de vilão.
- Mesa sem pão, mesa de galego.
- Muito pão e má colheita.
- Na casa onde não há pão, todos ralham e ninguém tem razão.
- Na fome não há pão duro.
- Não há amor como o primeiro, nem pão como o alvo, nem carne como o carneiro.
- Nem mesa sem pão, nem exército sem capitão.
- Nem pão quente, nem vinho que salte ao dente.
- Neste mundo mesquinho, quando há para pão, não há para vinho.
- Nozes com pão sabe a casar.
- Nozes e trigo é merenda de amigo.
- O menino e o pão de trigo no Verão têm frio.
- O mesmo canivete me corta o pão e o dedo.
- O pão pela cor, o vinho pelo sabor.
- Onde há cães há pulgas, onde há pães há raios, onde há mulheres há diabos.
- Ovo de uma hora, pão de um dia, vinho de um ano, mulher de vinte, amigo de trinta e deitarás boa conta.
- Pão a uns e pau a outros.
- Pão achado não tem dono.
- Pão afatiado, não farta rapaz esfaimado.
- Pão alheio tem bom gosto.
- Pão alheio, caro custa.
- Pão bolorento, abre-me a boca e põe-mo dentro.
- Pão com bolor e sardinha assada, descansa corpo, trabalha enxada.
- Pão com olhos, queijo sem olhos e vinho que salte aos olhos.
- Pão com pão e serra na mão.
- Pão comeste, companhia desfeita.
- Pão comido, pão esquecido.
- Pão comido, sequaz despedido.
- Pão comprado não enche barriga.
- Pão da Ilha, arca cheia, barriga vazia.
- Pão de amanhã, pertence a Deus.
- Pão de caldo, filhos de manteiga.
- Pão de centeio só é bom quando é alheio.
- Pão de centeio, melhor é no ventre que no seio.
- Pão de hoje, carne de ontem e vinho do outro Verão, fazem um homem são.
- Pão de padeira, não farta nem governa.
- Pão de trigo tremês, não o comas nem o dês.
- Pão de vizinho, tira o fastio.
- Pão do vizinho sabe mais um bocadinho.
- Pão durázio, caldo de uvas, salada de carne e deixar a medicina.
- Pão duro é melhor que figo maduro.
- Pão duro, caldo de uvas, salada de carne, e deixar as medicinas.
- Pão e queijo, é mesa posta.
- Pão e queijo, mesa posta é.
- Pão e roupa nunca carregou ninguém.
- Pão e roupa, uma semana melhor que outra.
- Pão e vinho anda caminho, que não o moço garrido.
- Pão e vinho e parte no Paraíso.
- Pão e vinho, para andar caminho.
- Pão e vinho, um ano meu e outro do vizinho.
- Pão grande não acha freguês.
- Pão mexido é pão crescido.
- Pão mole e uvas, às moças põe mudas, e às velhas tira as rugas.
- Pão mole, a rir se engole.
- Pão mole, depressa se engole.
- Pão nascido, nunca perdido.
- Pão numa mão e pau na outra.
- Pão ou pães, é questão de opiniões.
- Pão pela cor, vinho pelo sabor.
- Pão proibido abre o apetite.
- Pão que sobre, carne que baste, vinho que falte.
- Pão que veja, vinho que salte, queijo que chore.
- Pão quente faz mal ao ventre.
- Pão quente, fome mete.
- Pão quente, muito na arca e pouco no dente.
- Pão quente, muito na despensa, pouco no ventre.
- Pão quente, nem a são nem a doente.
- Pão tremês, não o comas nem o dês.
- Pão, carne e vinho, andam caminho.
- Pão, roupa e vintém, não carrega ninguém.
- Papas sem pão, abaixo se vão.
- Para boa fome, não há pão duro.
- Para quem tem fome, não há pão duro.
- Por carne, vinho e pão, deixo quantos manjares são.
- Prova teu caldo, não prometerás teu pão.
- Putas, cartas e carradas de pão, para onde pendem, para onde vão.
- Quando há fome, não há ruim pão.
- Quando o carpinteiro tem madeira que lavrar, e a mulher pão que amassar, não lhes falta pão que comer, nem lenha que queimar.
- Queijo com pão, comida de vilão.
- Queijo com pão, faz o homem são.
- Queijo, pão e pêro, comer de cavaleiro.
- Queijo, pão e pêro, comer de cavaleiro; queijo, pêro e pão, comer de vilão.
- Queijo, pêro e pão, comer de vilão.
- Quem compra pão na praça e vinho na taberna, filhos alheios governa.
- Quem dá o pão, dá o pau.
- Quem guerreia por pão de centeio, ou a fome é muita ou a vergonha é pouca.
- Quem não tem pão alvo, come do ralo.
- Quem pão e vinho compra, mostra a bolsa.
- Quem quer pão, tenha pão.
- Quem terá as mãos quedas, com pão fresco e beringelas?
- Quem tiver muitos filhos e pouco pão, tome-os da mão, e cante-lhes uma canção.
- Ração de pão, o que a perde há mau grado.
- Rente como pão quente.
- Se em tua casa me não quiseres tratar mal, não me faltes com o pão e com o sal.
- Se hei-de dar de comer, mister hei de pão no caldo.
- Se queres que te siga o cão, dá-lhe pão.
- Se vier o Deus te salve, antes pelo pão que pela carne.
- Seja o marido cão, mas tenha pão.
- Tal é o pão, tal a sopa.
- Tal terra andar, tal pão manjar.
- Também os ameaçados comem pão.
- Tanto pão como o polegar, leva a alma ao seu lugar.
- Tanto pão como um polegar, toma a alma a seu lugar.
- Tudo com pão, faz o homem são.
- Um dia de jejum e três de cruenta guerra ao pão.
- Um dia de jejum, três dias maus para o pão.
- Um pão não enche celeiro, mas ajuda seu companheiro.
- Um pão no mato dá para quatro.
- Uvas, pão e queijo, sabem a beijo.
- Vinho pela cor, pão pelo sabor.
- Vinho que baste, carne que farte, pão que sobre, e seja eu pobre.
- Vinho que chegue, carne que baste e pão que sobre.
- Vinho turvo e pão quente, são inimigos da gente.
- Vinho turvo, madeira verde e pão quente, são três inimigos da gente.
- Quando há pão em casa, até as aranhas balham!
- Casa onde não há pão, todos ralham e ninguém tem razão.

Publicado a 8 de julho de 2011




quinta-feira, 7 de julho de 2011

Os pombos vadios



Esta coluna vai falar hoje de “pombos vadios” ou “pombos de cidade”, que são aves distintas dos “pombos-correios” e dos “pombos bravos”.
Danos causados pelos pombos vadios
Os pombos vadios desalojados maioritariamente da Torre dos Congregados e do Edifício da Câmara Municipal, acoitaram-se em edifícios com telhados abatidos e janelas partidas, como é o caso, entre outros, dos edifícios da antiga firma Luís de Sousa Duarte Campos, do CDCR, do Círculo Estremocense, do Palace Hotel e do Museu da Alfaia Agrícola. Dali partem à conquista de comida e mais território, conspurcando tudo com fezes.
Cada pombo produz cerca de 12 quilos de fezes por ano, contendo 17% de ácido fosfórico e 3,3% de ácido sulfúrico. Alguma dessas fezes são expulsas nos locais abandonados onde se asilam, vivendo aí no meio da porcaria. Essas fezes causam incómodos de ordem sanitária e higiénica e estão na origem de doenças que podem ser transmitidas ao homem.
As fezes podem cair em cima dos transeuntes, sujam a roupa nos estendais e espaços públicos, como a rua, os bancos de jardim, etc.
As fezes, de natureza ácida, corroem metais, descoram pedras e pinturas de edifícios, apodrecem madeira, danificam coberturas, provocando infiltrações, assim como as pinturas dos automóveis de forma irreversível.
As penas, sós ou conjuntamente com as fezes, entopem algerozes, caleiras e ralos. Se são diminutos os riscos de saúde pública, o mesmo não se poderá dizer da “saúde” dos telhados habitados pelos pombos da cidade, que não pediram para ser adubados e vêem a sua capacidade de escoamento diminuída.
Os pombos nidificam e reproduzem-se com muita rapidez. Podem fazer ninhos por detrás de aparelhos de ar condicionado, contaminando a qualidade do ar. Ou então em algerozes, provocando o seu entupimento e subsequentes infiltrações no interior dos edifícios.
Os pombos podem também transmitir doenças ao homem. De facto:
- a inalação de partículas de poeiras provenientes de excrementos secos, causa infecções agudas no sistema respiratório.
- a ingestão de alimentos crus ou mal cozinhados, contaminados com fezes de pombos, causa gastroenterites graves.
- a inalação de aerossóis das fezes provoca tuberculose aviária.
Pombos-correios
Nada temos contra os pombos-correios, que são atletas de competição, devidamente alimentados e tratados pelos seus proprietários, que têm os seus próprios pombais, sendo a columbofilia uma actividade desportiva devidamente regulamentada por lei. De facto, a Federação Portuguesa de Columbofilia impõe aos columbófilos que vacinem os pombos-correios contra a “doença de Newcastle”, uma patologia altamente contagiosa que afecta as aves em geral e em particular os pombos vadios, os pombos bravos e os pombos-correios. Contudo, só estes últimos são vacinados, tendo os columbófilos que fazer obrigatoriamente prova dessas vacinas junto da respectiva Federação. Facultativamente, há ainda columbófilos que vacinam os pombos contra a “sarna”.
Os pombais dos columbófilos são frequentemente limpos e desinfectados com produtos químicos, pois quando não há largada, os pombos-correios estão fechados no pombal, aí deixando os excrementos. A vagabundagem nos telhados ou nos campos é contrária à prática columbófila uma vez que os pombos-correios podem contrair doenças ou ser mesmo envenenados. Do exposto se conclui que os pombos-correios não nos causam problemas. Os nossos problemas são causados pelos pombos vadios.
Medidas a tomar
A nosso ver, o actual Executivo Municipal, deveria fazer o seguinte:
1 – Fazer um levantamento exacto da situação;
2 – Intimidar pelos meios legais, os proprietários de edifícios degradados onde se alojam os pombos vadios, para que visando medidas sanitárias e higiénicas, entaipem os buracos dos respectivos edifícios, para obrigar os pombos a regredir para os campos;
3 – Assumir a Câmara essa tarefa, no caso dos proprietários não responderam à intimidação, cobrando-lhes coercivamente essas despesas “à posteriori”;
4 – Dissuadir a população de dar de comer aos pombos vadios, o que para alguns, como os frequentadores do quiosque frente à Câmara, é um passatempo;
5 – Encarregar alguém de capturar os pombos vadios com armadilhas, como foi feito pela Câmara Municipal de Évora;
6 – Distribuir aos pombos vadios comida tratada quimicamente, que sem os matar, impeça a sua procriação, fazendo-os regredir em número. Assim procedeu com êxito a Câmara Municipal de Lisboa.
Um caso particular
Um caso gritante é o Palácio da Justiça de Estremoz, onde é farta a provisão de andorinhas nos beirais e nichos do edifício e onde se instalaram também os pombos vadios.
É desejável que a entidade que gere o Palácio da Justiça, possa reunir condições que lhe permitam concluir a necessidade de aplicação de rede em polietileno transparente e espigões em aço com base em PVC, aplicáveis com silicone. Isto tem sido feito em muitos edifícios públicos. A nível de edifícios ligados à Justiça temos conhecimento dos Tribunais Judiciais de Abrantes, Aveiro e de Figueira de Castelo Rodrigo. É de realçar que existindo aves como as andorinhas, que são espécies protegidas, a aplicação de sistemas dissuasores como os referidos não provoca qualquer tipo de dano às aves, limitando-se a impedir que as aves pousem e nidifiquem nos locais protegidos. Para tal, os sistemas são aplicados fora do período de nidificação e cumprindo integralmente as leis do Instituto de Conservação da Natureza.
Julgamos que pedir isto a quem tem poder para o resolver, não é pedir demais. E não digam que o país está em crise. A crise não pode servir de pretexto para um deixa andar. A sanidade, a higiene e o bem-estar dos cidadãos, não podem ser deixados para trás numa escala de prioridades.

Publicado no Jornal ECOS (edição nº 88, de 1 de Julho de 2010)
(Coluna: O FRANCO ATIRADOR)

terça-feira, 5 de julho de 2011

O pão nas alcunhas alentejanas

HOMENS NO PETISCO
Peça da barrística popular estremocense da autoria das Irmãs Flores.

O pão está vastamente representado no domínio das alcunhas alentejanas, o que mais uma vez é revelador da riqueza da língua portuguesa. Destacamos as seguintes alcunhas alentejanas:

- PÃO À RODA – Alcunha outorgada a um indivíduo que corta fatias de pão redondas (Santiago do Cacém).
- PÃO COM CHOURIÇÃO - O receptor gostava muito de comer pão com chouriço (Monforte).
- PÃO COM MANTEIGA E AÇUCRE - O visado adquiriu esta alcunha porque em criança, gostava muito de comer pão com manteiga e açúcar.(Castro Verde).
- PÃO COM OVO - Alcunha atribuída a indivíduo que gostava de combinar estes alimentos. (Nisa).
- PÃO COM PÃO NÃO SABE A NADA – O alcunhado, em jovem, não arranjava par nos bailes, por ser feio e desajeitado. Dançava então com a irmã e resmungava: "Pão com pão não sabe a nada!" (Santiago do Cacém).
- PÃO DE LEITE - Alcunha atribuída a um homem que gosta muito de comer pão de leite (Santiago do Cacém).
- PÃO DE LÓ - Designação atribuída a um sujeito que numa festa, comeu um pão-de-ló inteiro (Arraiolos).
- PÃO DE MEL – O receptor, em criança, andava sempre a chorar e a pedir pão com mel (Serpa).
- PÃO DE MILHO - Alcunha atribuída a uma família que por necessidade comia muito pão de milho para matar a fome (Nisa); o receptor tem este nome porque gosta muito de comer pão com milho (Avis).
- PÃO DE QUILO - Denominação aplicada um homem gordo (Moura).
- PÃO DURO – Alcunha atribuída a uma família numerosa e pobre, que comprava o pão e o deixava endurecer, para durar mais (Castelo de Vide).
- PÃO E AZEITE – Alcunha outorgada a um indivíduo muito rico, que como esmola só dava aos pobres, pão e azeite. (Moura).
- PÃO E CHICHA - O receptor adquiriu este nome porque, em criança, dizia à mãe que queria pão e carne (Arraiolos).
- PÃO E QUEIJO – O visado quando bebia vinho, acompanhava-o sempre com pão e queijo (Alandroal); o receptor tinha o hábito de dizer que com ele era "Pão, Pão, Queijo, Queijo!" (Moura).
- PÃO MOLE - Epíteto atribuído a um indivíduo considerado pessoa muito lenta (Cuba e Santiago do Cacem); o visado recebeu esta alcunha porque só come pão mole (Moura); o receptor, em criança, gostava muito de comer pão mole (Portel e Campo Maior).
- PÃO SECO - O receptor herdou esta alcunha do seu bisavô porque este, sendo muito pobre, comia pão seco (Cuba); o alcunhado, em criança, pedia pão à mãe, que como eram muito pobres, apenas lhe dava pão seco (Viana do Alentejo); sujeito que gosta muito de comer pão sem acompanhamento (Monforte).
- PÃO SEM SAL - Alcunha outorgada a uma mulher pouco activa (Redondo).



BIBLIOGRAFIA
RAMOS, Francisco Martins; SILVA, Carlos Alberto da. Tratado das Alcunhas Alentejanas. 2ª edição. Edições Colibri. Lisboa, 2003.



Publicado em 5 de Julho de 2011