quinta-feira, 7 de julho de 2011

Os pombos vadios



Esta coluna vai falar hoje de “pombos vadios” ou “pombos de cidade”, que são aves distintas dos “pombos-correios” e dos “pombos bravos”.
Danos causados pelos pombos vadios
Os pombos vadios desalojados maioritariamente da Torre dos Congregados e do Edifício da Câmara Municipal, acoitaram-se em edifícios com telhados abatidos e janelas partidas, como é o caso, entre outros, dos edifícios da antiga firma Luís de Sousa Duarte Campos, do CDCR, do Círculo Estremocense, do Palace Hotel e do Museu da Alfaia Agrícola. Dali partem à conquista de comida e mais território, conspurcando tudo com fezes.
Cada pombo produz cerca de 12 quilos de fezes por ano, contendo 17% de ácido fosfórico e 3,3% de ácido sulfúrico. Alguma dessas fezes são expulsas nos locais abandonados onde se asilam, vivendo aí no meio da porcaria. Essas fezes causam incómodos de ordem sanitária e higiénica e estão na origem de doenças que podem ser transmitidas ao homem.
As fezes podem cair em cima dos transeuntes, sujam a roupa nos estendais e espaços públicos, como a rua, os bancos de jardim, etc.
As fezes, de natureza ácida, corroem metais, descoram pedras e pinturas de edifícios, apodrecem madeira, danificam coberturas, provocando infiltrações, assim como as pinturas dos automóveis de forma irreversível.
As penas, sós ou conjuntamente com as fezes, entopem algerozes, caleiras e ralos. Se são diminutos os riscos de saúde pública, o mesmo não se poderá dizer da “saúde” dos telhados habitados pelos pombos da cidade, que não pediram para ser adubados e vêem a sua capacidade de escoamento diminuída.
Os pombos nidificam e reproduzem-se com muita rapidez. Podem fazer ninhos por detrás de aparelhos de ar condicionado, contaminando a qualidade do ar. Ou então em algerozes, provocando o seu entupimento e subsequentes infiltrações no interior dos edifícios.
Os pombos podem também transmitir doenças ao homem. De facto:
- a inalação de partículas de poeiras provenientes de excrementos secos, causa infecções agudas no sistema respiratório.
- a ingestão de alimentos crus ou mal cozinhados, contaminados com fezes de pombos, causa gastroenterites graves.
- a inalação de aerossóis das fezes provoca tuberculose aviária.
Pombos-correios
Nada temos contra os pombos-correios, que são atletas de competição, devidamente alimentados e tratados pelos seus proprietários, que têm os seus próprios pombais, sendo a columbofilia uma actividade desportiva devidamente regulamentada por lei. De facto, a Federação Portuguesa de Columbofilia impõe aos columbófilos que vacinem os pombos-correios contra a “doença de Newcastle”, uma patologia altamente contagiosa que afecta as aves em geral e em particular os pombos vadios, os pombos bravos e os pombos-correios. Contudo, só estes últimos são vacinados, tendo os columbófilos que fazer obrigatoriamente prova dessas vacinas junto da respectiva Federação. Facultativamente, há ainda columbófilos que vacinam os pombos contra a “sarna”.
Os pombais dos columbófilos são frequentemente limpos e desinfectados com produtos químicos, pois quando não há largada, os pombos-correios estão fechados no pombal, aí deixando os excrementos. A vagabundagem nos telhados ou nos campos é contrária à prática columbófila uma vez que os pombos-correios podem contrair doenças ou ser mesmo envenenados. Do exposto se conclui que os pombos-correios não nos causam problemas. Os nossos problemas são causados pelos pombos vadios.
Medidas a tomar
A nosso ver, o actual Executivo Municipal, deveria fazer o seguinte:
1 – Fazer um levantamento exacto da situação;
2 – Intimidar pelos meios legais, os proprietários de edifícios degradados onde se alojam os pombos vadios, para que visando medidas sanitárias e higiénicas, entaipem os buracos dos respectivos edifícios, para obrigar os pombos a regredir para os campos;
3 – Assumir a Câmara essa tarefa, no caso dos proprietários não responderam à intimidação, cobrando-lhes coercivamente essas despesas “à posteriori”;
4 – Dissuadir a população de dar de comer aos pombos vadios, o que para alguns, como os frequentadores do quiosque frente à Câmara, é um passatempo;
5 – Encarregar alguém de capturar os pombos vadios com armadilhas, como foi feito pela Câmara Municipal de Évora;
6 – Distribuir aos pombos vadios comida tratada quimicamente, que sem os matar, impeça a sua procriação, fazendo-os regredir em número. Assim procedeu com êxito a Câmara Municipal de Lisboa.
Um caso particular
Um caso gritante é o Palácio da Justiça de Estremoz, onde é farta a provisão de andorinhas nos beirais e nichos do edifício e onde se instalaram também os pombos vadios.
É desejável que a entidade que gere o Palácio da Justiça, possa reunir condições que lhe permitam concluir a necessidade de aplicação de rede em polietileno transparente e espigões em aço com base em PVC, aplicáveis com silicone. Isto tem sido feito em muitos edifícios públicos. A nível de edifícios ligados à Justiça temos conhecimento dos Tribunais Judiciais de Abrantes, Aveiro e de Figueira de Castelo Rodrigo. É de realçar que existindo aves como as andorinhas, que são espécies protegidas, a aplicação de sistemas dissuasores como os referidos não provoca qualquer tipo de dano às aves, limitando-se a impedir que as aves pousem e nidifiquem nos locais protegidos. Para tal, os sistemas são aplicados fora do período de nidificação e cumprindo integralmente as leis do Instituto de Conservação da Natureza.
Julgamos que pedir isto a quem tem poder para o resolver, não é pedir demais. E não digam que o país está em crise. A crise não pode servir de pretexto para um deixa andar. A sanidade, a higiene e o bem-estar dos cidadãos, não podem ser deixados para trás numa escala de prioridades.

Publicado no Jornal ECOS (edição nº 88, de 1 de Julho de 2010)
(Coluna: O FRANCO ATIRADOR)