terça-feira, 15 de novembro de 2011

Histórias de professor - 1

Clipart recolhido em http://www.clipartsdahora.com.br

Durante a minha carreira de professor, sempre fui mestre em apanhar cábulas aos alunos, bem como papéis que embora às vezes inocentes, deixavam à rasca os seus atrapalhados possuidores. Foi o caso de uma folha de papel cuja transmissão na sala de aula, interceptei a um aluno, há já bastantes anos.
Segundo apurei então, numa altura em que ainda não estava vulgarizada a fotocopiadora, a história vinha sendo passada em folhas de caderno há já alguns anos, o que não admira, pois o texto tinha acumulado insuficiências gramaticais e erros ortográficos capazes de provocar um enfarte de miocárdio ao menos exigente dos professores de Português.
Foi nessa história que peguei, limitando-me a dar-lhe uma forma mais literária e a contextualizá-la, sem lhe modificar o conteúdo, nem tão pouco o alcance.


Nos últimos anos vimo-nos rodeadas de siglas, isto é, abreviaturas com os mais diversos significados: ACP, ADN, AMI, CTT, FPF, PSP, GNR, etc., etc.
Nalguns casos a interpretação do significado das abreviaturas não é única e daí pode resultar polémica, como aconteceu há já alguns anos entre a GNR - Guarda Nacional Republicana e o GNR - Grupo Novo Rock do Rui Reininho.
Vejamos então, como a interpretação errada de uma sigla nos pode levar a uma situação caricata e até mesmo incómoda.


Certa ocasião, uma família inglesa foi passar as férias à Alemanha. Ali encontrou uma casa que lhe agradou imenso para passar as férias no Verão seguinte. Esta casa pertencia a um pastor protestante.
Regressados a Inglaterra, os membros da família discutiram pormenores acerca da planta da casa, quando de repente a esposa se lembrou de não ter visto ali nenhum W.C., que como toda a gente sabe é um local do qual saímos sempre mais aliviados.
Preocupada com este pormenor importante, a senhora escreveu imediatamente ao pastor alemão, a quem questionou sobre o assunto, tendo a carta sido escrita nos seguintes termos:


"CARO PASTOR:


Sou um dos membros da família que há pouco o visitou com o fim de alugar a sua casa no próximo Verão e visto nos havermos esquecido de um pormenor importante, muito agradecia que nos informasse em que local se encontra o W.C."


O pastor protestante, não compreendeu o significado das abreviaturas W.C. e como era pastor, julgou tratar-se da capela inglesa White Chapel, pelo que pensou que a senhora procurava saber onde ficava o local de culto mais próximo da casa que pretendia alugar na Alemanha. Respondeu então à senhora da seguinte forma:


"GENTIL SENHORA:


Recebi a sua carta e em resposta à mesma, tenho o prazer de lhe comunicar que o local a que se refere, fica a 12 km de casa.
Minha senhora, isto é muito incómodo, sobretudo se se tem o hábito de ir lá com frequência.
Nesse caso, é preferível levar comida para lá ficar todo o dia.
Alguns vão a pé, outros de bicicleta.
Há lugares para 400 pessoas sentadas e para 100 de pé.
Há ar condicionado para evitar excessos de aglomeração.
Os assentos são de veludo e recomenda-se chegar cedo para arranjar lugar sentado.
As crianças sentam-se ao lado dos adultos e todos cantam em coro.
A entrada é fornecido um papel a cada pessoa, mas se alguém chegar depois da distribuição, pode usar o papel do vizinho do lado.
Este papel deverá ser devolvido sempre depois de ser utilizado, afim de poder ser utilizado durante todo o mês.
Existem amplificadores de som.
Além disso, minha senhora, fotógrafos estrategicamente colocados tiram fotografias pormenorizadas, as quais são divulgadas em todos os jornais da cidade, para que todas as pessoas possam ver o cumprimento de um dever tão humano."


Assim termina a carta do pastor protestante alemão.

Segundo consta, a família inglesa decidiu nesse ano, não ir passar férias à Alemanha.