sexta-feira, 10 de setembro de 2010

Textos do Facebook

Imagem recolhida na pasta "A LEITURA É UNIVERSAL"
(Biblioteca Escolar de Marvão)

LÁ VAI UM
À Manuela Mendes:
Nós somos recicladores, reutilizadores, reintegradores no presente das memórias do passado.
Nas nossas veias corre, provavelmente, sangue do Jurássico, aí pelo menos com uns 150 milhões de anos, o que é uma bagatela para a idade estimada para a Terra, que amavelmente nos serve de habitáculo.
Somos pois dinossauros, resquícios e memórias vivas de ecosócioetnosistemas, que o tempo, esse maganão, caldeou. É caso para perguntar:
- O que é o tempo?
- O que é a idade?
Não sei, apesar de nos circuitos neuronais intuir a percepção de que o tempo não perdoa. E é cruel, também. Todavia, eu não me rendo nunca. Nem nú, nem de fato e de gravata!
Talvez um dia destes, fale sobre o tempo na Literatura Oral. Mas hoje não, Manuela, que tenho falta de tempo. Hoje falarei sobre o tempo geológico, dos fósseis como eu, oriundos da proto-Pré-História, nascidos no funil do tempo, mercê dum salto quântico no espaço-tempo-energia.
Carnívoros uns, herbívoros alguns e omníveros outros, partilhamos desde os tempos ancestrais, quando a variável tempo foi imediatamente superior a zero segundos, a consciência de em nome da sobrevivência, haver necessidade de reciclar, de reutilizar, de reintegrar, como quem mapeia o passado, para poder construir o futuro com solidez.
Por isso, Manuela, eu, fóssil vivo, não reconhecido nem por Spielberg, nem pela Sociedade Geológica de Portugal, recuso-me a deixar de ter rugas, cabelos brancos. Para longe vá o reumático e outras formas de caruncho animal!
Eu gosto do que tem a patine do tempo.
O meu lugar é aí.
Hernâni
LÁ VÃO DOIS
À Teresa Bailão (vítima dum resfriado):
A gente tem sempre aquilo que não quer...
Quantos ricaços em Portugal, com os bofes de fora por causa do calor, não gostariam de ter a possibilidade de apanhar um resfriado?
É uma prova de que o dinheiro não compra tudo…
Um abraço:
Hernâni
LÁ VÃO TRÊS
Ao Feliciano Cupido (Um amigo pintor):
Quando releio ou mentalmente revejo poemas e prosa do Manuel da Fonseca, por vezes sinto arrepios de espinha. Imagens sociológicas dum Alentejo que já não existe, que a gente não quer que se repita, porque era opressivo e repressivo, mas que a gente não quer olvidar, para transmitir às gerações mais novas, a memória dos que sofreram e resistiram.
Feliciano:
Você tem o Alentejo na massa do sangue e através dele faz o registo conjugado dos volumes, das formas, das cores e das texturas, em tudo aquilo que nos toca a alma.
Partilhe connosco no Facebook, esse Alentejo que lhe vai na sua e na nossa alma.
Um abraço do amigo:
Hernâni
LÁ VÃO QUATRO
Ao Josué Carronha:
Desânimo, nem pensar!
Eu tenho um metro e noventa de altura e deixei de me pesar certo dia, já longínquo, em que uma balança me comunicou que a minha massa corporal era excessiva, porque ultrapassa os cem quilogramas. Ora eu, que não sou dado a depressões e gosto de respirar nos poros, o prazer da vida, dei-me ao trabalho, por questões meramente metodológicas, de mandar fazer uma série de exames ao esqueleto e àquilo que o reveste.
Quais os resultados?
As rugas, as olheiras e os cabelos brancos escondem um corpo de Fórmula 1, rodado em provas de fundo.
É caso para dizer:
- PORRA PARA AS BALANÇAS!
LÁ VÃO CINCO
À Maria Reis (Que esteve na origem deste texto):
Caros amigos e leitores:
O meu irmão gémeo, dado a pirraças e que me anda sempre a atazanar o juízo, no outro dia disse-me uma coisa que me ficou no sentido:
- “Pois! Agora deu-te para essa do blogue… Quando fores crescido hás-de ter muitos leitores. Hás-de, hás-de…Ouve lá, oh pá! Faz algum sentido, falares em coisas de que tu falas? Ministros? Burros? Penicos? Colheres de Pau? Morcelas e chouriços? Arte conventual? Cornos trabalhados? Tu estás doido! Mas mais doidos que tu, são esses do tal Grupo de Fãs…Valha-me, Santo António, aos pulos! As Marias e os Maneis que tu não arranjaste, para dizer ámen às tuas missas…”
No seu olímpico desprezo, o outro filho parelho de minha mãe, à sua maneira enviesada e tortuosa, encontrou uma maneira singular de realçar o papel dos fãs.
Às Marias e aos Maneis de que ele fala, independentemente do nome que tenham, só uma coisa é possível dizer pela minha parte:
- “Obrigado amigos, por confiarem em mim! Tenho motivos para estar feliz! Para vocês todos, o meu reconhecimento pela amizade desinteressada, acompanhado dum abraço do tamanho do mundo…"
Até sempre!
O Vosso Hernâni DO TEMPO DA OUTRA SENHORA