terça-feira, 9 de março de 2010

Brincadeiras d'outrora



Nos meus tempos de miúdo, jogava aos amalhões, à mosca, à pateira, à roda, ao botão, ao berlinde e ao soco quando era preciso. E levava também no focinho, porque lá diz o rifão: “Quem vai à guerra, dá e leva.” Nas brincadeiras o que contava era a imaginação sem limites e a arte do desenrasca, em que o português ainda hoje é mestre.
Havia também a ida aos grilos e partidas que se pregavam aos tansos como a “ida aos gambosinos” ou fazer de estribo na “brincadeira do rei coxo”.
As meninas, salvo alguma Maria Rapaz, que as havia e algumas delas encantadoras, brincavam às donas de casa, passando a ferro, fazendo jantarinhos e dando banho e biberon aos bonecos.
Hoje, reconheço que o sistema estava montado para gerar diferença de género e havia coisas que, apesar de puto, eu tinha a noção que não deveriam ser assim.
Hoje o sistema travestiu-se e foi montado de maneira diferente. Porém, deu para o torto.
Além das brincadeiras de rapazes e tanto quanto me lembra a memória dos tempos idos, sempre tive gosto por colecções, entre elas, botões, cromos, moedas, selos, postais, panfletos publicitários e mais tarde, aí pelos 12 anos, livros.
A estas colecções vieram-se juntar outras, mas as colecções primitivas ainda hoje perduram. Entre elas, as colecções de cromos montadas nas respectivas cadernetas, como é o caso das RAÇAS HUMANAS, da HISTÓRIA DE PORTUGAL, da HISTÓRIA NATURAL e dos TRAJES TÍPICOS DE TODO O MUNDO, entre eles os de Portugal.
Decerto que foi com esta última que eu fiquei fascinado pela Etnografia, antes de saber que Garrett tinha sido o percursor, Leite de Vasconcellos o fundador e Luís Chaves e outros mais, os continuadores.
As cadernetas de cromos, foram as minhas pastilhas de Cultura. Foram o meu software, antes de terem inventado as consolas electrónicas que programam e condicionam o divertimento, assim como a raça maldita dos Magalhães, que põem os putos convencidos que fazer um trabalho de pesquisa, não é mais que uma mera operação de corte e colagem.
Não trocava uma caderneta de cromos por 10 Magalhães, nem sequer o meu talego de botões (com mirôlas e chapéuzinhos de chumbo) por consolas.
O registo das memórias passadas é o melhor investimento cultural que podemos deixar aos nossos netos....