domingo, 13 de setembro de 2009

Pintura de Maria Helena Alves


Exposição retrospectiva de trabalhos seus, patente ao público de 12 de Setembro a 25 de Outubro, na Sala de Exposições do Centro Cultural Dr. Marques Crespo, na Rua João de Sousa Carvalho, em Estremoz.
A Exposição pode ser visitada, de 3ª feira a sábado, entre as 9 e as 12,30 horas e entre as 14 e as 17 horas.A iniciativa é da Associação Filatélica Alentejana e conta com o apoio da Câmara Municipal de Estremoz.

Reformada como professora aos 65 anos, que não da vida, Maria Helena resolveu começar a pintar com aquela belíssima idade. Onze anos depois, disponibilizou-se, mediante insistência de amigos, a fazer uma exposição retrospectiva de trabalhos seus.
Maria Helena é natural de Estremoz, onde os seus pais trouxeram a este mundo 11 filhos, cada um dos quais seguiu o seu percurso individual. A Maria Helena ao longo da sua vida, viria a ser professora do 1º, 2º e 3º ciclo, acarretando sempre consigo os genes da família Alves, que nos legou nomes ligados aos mais diversos âmbitos das Artes Plásticas: Armando Alves (primo), Aníbal Alves (irmão), Carlos Alves, Jorge Alves, Rui Alves e Miguel Alves (sobrinhos).
Maria Helena sempre gostou de desenhar e habituou-se a transportar consigo um bloco ou um papel onde ia rabiscando tudo aquilo que considerava interessante. Foi assim que começou a desenhar.
Quando aos 65 anos se reformou, fez contas à vida e resolveu arranjar uma actividade que lhe preenchesse o tempo e que simultaneamente lhe proporcionasse o convívio com outras pessoas. E como sempre se interessara pelas Artes Plásticas, decidiu que haveria de pintar. Procurou então quem a pudesse ensinar. Através de uma amiga, conheceu o professor Camol de Évora, cujas aulas começou a frequentar aos 66 anos. Ali começou a pintar a óleo sobre tela com motivos à vista ou a partir de fotografias por ela tiradas. Mas não ficou por ali. Mais tarde, começou a ter aulas de desenho e pintura com a professora Teodolinda Pascoal na Galeria Teoartis, em Évora, onde passou a ir novamente uma vez por semana, mas trocando agora a pintura a óleo, pela pintura a acrílico, por causa do cheiro.
No princípio fez cópias de trabalhos de grandes pintores, os quais admirava, afim de aprender as técnicas das suas pinceladas, bem como as cores e os motivos utilizados. Sempre se interessou pelo período impressionista e dentre os pintores deste ciclo, destaca Monet e Van Gogh. Deles efectuou várias cópias, assim como de outros como Renoir, Cezanne, Turner, Degas, Berthe Morissot e Klimt Muitas vezes substituiu os materiais usados pelos pintores, os óleos por pastel ou aguarela ou vice-versa. Pensa ter aprendido bastante com as experiências que então foi levada a empreender.
Maria Helena dispersa-se pelas múltiplas modalidades da pintura, já que é muito curiosa e tudo gosta de experimentar, o que a conduz a não se especializar em nada, em particular.
No que respeita a temas, enquanto pintou a óleo, Maria Helena centrou-se na pintura de montes alentejanos, paisagens e naturezas mortas ou com o modelo à vista ou partindo de fotografias que ia tirando. Na pintura a acrílico, também se baseia em fotografias, que podem ou não ser suas. O desenho é à vista ou de modelos no atelier ou obtidas em saídas à rua. Por vezes estes desenhos são um ponto de partida de futuras pinturas.
A paisagem e as naturezas mortas constituem um tema dominante e transversal às modalidades de Artes Plásticas que cultiva. A sucessão porque as começou a cultivar foi: desenho, óleo, acrílico, aguarela e pastel de óleo ou seco. Presentemente e tirando a pintura a óleo que abandonou pelo motivo apontado, todas as restantes modalidades coexistem, já que Maria Helena é incapaz de se confinar a uma única e sente necessidade de mudar para não se desmotivar. Apesar de tudo, a pintura a acrílico é dominante e impõe-se em relação às restantes. Se por um motivo de força maior fosse forçada a ter que optar por uma única, talvez escolhesse o desenho e o pastel que, no fundo, também é desenho.
Para Maria Helena, desenhar ou pintar é uma forma de perpetuar, a seu modo, a sensação especial e espacial, que encontra numa paisagem, numa taça de fruta ou numa simples flor recolhida à beira do caminho. Quando desenha ou quando pinta, sente muita satisfação ou, por vezes, frustração quando acha que não consegue exprimir aquilo que vê.
Gosta muito das cores primárias e nestas tem preferência pelo amarelo, ainda que isso tenha que ver com o motivo. Em contrapartida, nunca utiliza o preto. Em relação aos materiais, está agora a utilizar mais o acrílico, visando aperfeiçoar esta técnica.
O actor central da sua pintura é unicamente aquilo que vê, já que não se aventura pelo domínio do abstracto, uma vez que segundo diz, precisaria não só de muito mais escola, como também de talento, que modestamente diz não possuir.
Continua a frequentar a Teoartis, pois o convívio com colegas é para si um incentivo ao trabalho. Se ficar em casa, há sempre mil e um motivos que lhe roubam o tempo e tiram a vontade de pintar. No entanto, durante as férias, com mais tempo livre, é com imenso prazer que se dedica mais à pintura.
Maria Helena não se considera uma artista plástica, mas apenas uma pessoa que ocupa os seus tempos livres com várias actividades, das quais ressalta a pintura. É uma insatisfeita com o seu trabalho e diz ter uma perfeita noção do que ele vale. Tem prazer no que faz e isso basta-lhe. Segundo ela, tudo se aprende fazendo e só tem pena de ter começado tão tarde e de saber que não lhe vão restar muitos anos para aprender mais, de modo a conseguir sentir-se mais segura naquilo que faz. Aprendizagem, descoberta e experimentação são na sua óptica, passos essenciais para progredir na pintura.
Ao contrário do que acontece nalguns casos, Maria Helena nunca teve professores ligados às Artes Plásticas, no Ciclo, no Ensino Secundário e durante a sua formação académica, que a influenciassem nessa área e que tivessem desempenhado um papel marcante em relação a ela.
Se tivesse que se situar numa corrente artística ou numa escola artística, diz que seria realista, uma vez que não se consegue afastar daquilo que vê.
Quanto aos artistas plásticos nacionais que mais aprecia, destaca os nossos conterrâneos Rogério Ribeiro e Armando Alves, bem como Vieira da Silva, Manuel Ribeiro de Pavia e Cipriano Dourado. Estrangeiros, para além dos citados, também Manet, Goya, Miguel Ângelo, Velasquez, Vermeer e muitos, muitos outros.
Maria Helena é uma eterna insatisfeita com tudo aquilo que faz, pelo que de tempos a tempos sente necessidade de se testar. Daí a importância que confere às exposições. Afasta então a insegurança que diz sentir dentro de si e aceita ouvir a opinião franca dos outros, na plena convicção de que seja sempre uma opinião crítica, que lhe permita aperfeiçoar o seu trabalho.
Ainda que não tenha presente na sua memória, todas as exposições em que participou, nem datas, nem locais, sempre nos conseguiu dar algumas indicações. Assim, as Exposições Colectivas aconteceram pelo menos na Galeria do Inatel (Évora), na Galeria Teoartis (Évora), na Sociedade Recreativa e Popular Estremocense (Estremoz) e na Biblioteca Municipal de Sousel. Já as Exposições Individuais tiveram lugar na Biblioteca Municipal do Redondo e no Até Jazz Café (Estremoz), bem como esta agora no Centro Cultural, à qual outras decerto se seguirão, pois a Maria Helena não é mulher para estar parada.

domingo, 14 de junho de 2009

Homenagem ao Alentejo

Teve lugar no passado sábado, pelas 18 horas, a inauguração da Exposição “HOMENAGEM AO ALENTEJO – Desenhos de Manuel Ribeiro de Pavia”, que até dia 24 de Agosto, estará patente ao público na sala de Exposições Temporárias do Museu Municipal de Estremoz, a qual contou com a presença do Presidente da Câmara, José Alberto Fateixa e do Vereador do Pelouro da Cultura, João Carlos Chouriço, que falaram das apostas culturais do Município. A importância da Exposição leva a que nos debrucemos sobre a figura e a obra de Manuel Ribeiro de Pavia.


Manuel Ribeiro nasceu em Pavia, concelho de Mora em 19 de Março de 1907, filho de uma mulher chamada Pertronilha, que o desprezou, tendo sido criado por uma tia chamada Cardosa. O pai, Paulino Ribeiro foi para Beja, onde casou e a mãe foi para Évora, onde também casou.
Manuel Ribeiro teve irmãos, mas filhos de outros pais. Viveu uma infância e uma juventude marcada por extrema pobreza e em 1929 foi para Lisboa, onde se dedicou ao desenho, à ilustração e à aguarela, tendo ilustrado sobretudo livros de escritores neo-realistas como Alves Redol, Manuel da Fonseca, Fernando Namora, Antunes da Silva e outros, vindo a tornar-se ele próprio um dos maiores valores do neo-realismo português, no campo das artes plásticas.
Não esquece as origens e agrega ao seu nome o nome da sua terra natal: Pavia. Manuel Ribeiro de Pavia, assim ficará para sempre conhecido na História da Arte.
Diz-nos Manuel Augusto Araújo no número especial da revista Vértice, de Maio de 1957, dedicado a Manuel Ribeiro de Pavia:
“A aldeia é pequena para os seus sonhos de artista. Vai muito novo, com dezanove anos, para Lisboa. É a capital da sua pátria, uma aldeia da Europa com os horizontes entaipados pelo botas que, de S. Bento, vigia Portugal e colónias para os dar a saque a meia dúzia de oligarcas que não se fazem rogados.
Chega a Lisboa com os olhos e memória apinhadas pelas paisagens e as gentes do seu Alentejo, e uma funda raiva contra as injustiças sociais, a exploração desenfreada que varre as planícies queimadas por sol mediterrânico, que reencontra, com outro formato na cidade. Exalta-se contra a exploração e a repressão política, cancro de mil caras que está por todo o lado a garrotear o seu país. Mal que deve, tem que ser estripado. Entra para o Partido Comunista empurrado pelo generoso desejo de contribuir para essa luta. Vivem-se dos tempos mais duros da sempre dura ditadura salazarista.”
De Manuel Ribeiro de Pavia, disse o crítico e pintor Mário Dionísio no catálogo da “Exposição Manuel Ribeiro de Pavia: capas ilustrações gravuras” que percorreu o país em 1976:
“O retrato dum indivíduo franzino, de olhar irónico e sorriso inquietante, frequentemente agreste, azedo, mordaz, que um belo dia apareceu nos cafés e nas salas de exposição de Lisboa, vindo não se sabe bem de onde, de que aldeia ou montado (só mais tarde se assinou Pavia), mas certamente do mais fundo e anónimo do povo (toda a bagagem: um lápis e um pincel de aguarela) para contar à capital essa dor e essa ansiedade de séculos.”
Manuel Ribeiro de Pavia, participou em quase todas as Exposições Gerais de Artes Plásticas (EGAP), promovidas anualmente pela Sociedade Nacional de Belas Artes (SNBA), em Lisboa, entre 1946 e 1956, com excepção de 1952, ano em que as instalações estiveram encerradas pela PIDE.
As EGAP eram organizadas pelo Movimento de Unidade Democrática (MUD), visando promover "uma fusão de géneros e de correntes estéticas", "expressões diferentes, mas solidárias de um Homem, que tem estado separado, incompleto, despedaçado e busca agora ansiosamente o caminho da sua integração".. Pretendiam ainda "aproximar a arte do povo" e levar ao povo "uma mensagem de amizade e de solidariedade". Estes propósitos inscrevem-se inteiramente no ideário neo-realista e as EGAP, sobretudo as duas primeiras, constituem o apogeu da afirmação neo-realista nas artes plásticas em Portugal.
O principal alicerce do neo-realismo era a ideia de que a arte deve "exprimir a realidade viva e humana de uma época", "exprimir actualmente uma tendência histórica progressista", tendo em conta que "formas novas podem ter um significado velho" e "formas velhas - ainda que excepcionalmente - podem conter um significado moderno e progressista.", o que defendia o jovem intelectual Álvaro Cunhal nas páginas de O Diabo, em 1939.
As EGAP constituíram a principal contraposição à política cultural de António Ferro e às Exposições de Arte Moderna do SNI. A I EGAP foi um êxito, inclusive junto da crítica mais reaccionária, que não se apercebeu das reais intenções de intervenção política dos participantes. O êxito das exposições consolidou-se na II EGAP, quando no dia 8 de Maio de 1947, o Diário da Manhã, órgão do regime salazarista, proclamou o carácter revolucionário da mesma, o que provocou a intervenção do Governo, que enviou à SNBA o próprio Ministro do Interior, Cancela de Abreu, acompanhado pela PIDE. Desta operação resultou a apreensão de obras de vários artistas, entre os quais, Maria Keil, Júlio Pomar, Lima de Freitas, Avelino Cunhal e Manuel Ribeiro de Pavia.
A partir daqui as EGAP foram submetidas a censura prévia, o que na terceira destas exposições levou à cisão com os surrealistas, que recusaram submeter as suas obras a censura. As últimas exposições já não tinham a mesma força e significação das primeiras, o que levou ao seu termo em 1956, com uma retrospectiva. O grande mérito das EGAP foi o facto de terem conseguido levar de uma forma irreversível, quase todos os artistas para a oposição ao regime.
Ao longo de dez anos passaram pelas EGAP, 282 artistas e 2764 obras, dos quais se destacam Júlio Pomar, Vespeira, Avelino Cunhal, Ribeiro de Pavia e Lima de Freitas.
O tema mais frequente nos desenhos e aguarelas de Manuel Ribeiro de Pavia é o Alentejo e os seus camponeses, balançando a expressão entre o lirismo, sobretudo na figuração da Mulher e a agressividade da denúncia social. Para Manuel Ribeiro de Pavia não se tratava apenas de pintar. A arte tinha a seu ver uma função social: “Todo o artista deve (e tem) de ser um criador activo, isto é, um colaborador actual interessado no conjunto das funções sociais. O que pretende expressar deverá ir além das particularidades da sua vida afectiva ou intelectual, e comparticipar na aventura quotidiana, numa familiaridade constante com os restantes indivíduos”. Para ele “Todo o verdadeiro artista é um transformador de energias e como tal a obra de arte nunca poderá ser um acto gratuito” (Entrevista ao jornal “Ler” nº 7/Outubro de 1952).
Manuel Ribeiro de Pavia foi um dos maiores, senão um dos maiores expoentes do neo-realismo visual português, que sofreu por um lado a influência do neo-realismo literário (Alves Redol, Manuel da Fonseca, Fernando Namora) e por outro lado a influência do muralismo mexicano (Orozco, Rivera e Siqueiros) e do brasileiro Portinari.
De Manuel Ribeiro de Pavia, disse o crítico e historiador de Arte, José Augusto França, em 1973:
"Nunca tendo podido realizar sonhos de pintor mural, dentro dos esquemas estéticos do neo-realismo, em que ideologicamente se enquadrava, Pavia deixou larga obra dispersa de guaches a desenhos".
Diz-nos Manuel Augusto Araújo no número especial da revista Vértice, de Maio de 1957, dedicado a Manuel Ribeiro de Pavia:
“Não escondia a nostalgia que lhe provocava o desejo de avançar para a pintura mural. É uma evidência que continua e ficará sempre impressa em muitas das suas obras. Da cidade, outros personagens entram nos seus registos artísticos. Uma grande maioria da sua obra continua a ser feita para trabalhos gráficos. Capas, ilustrações de livros, em que se destacam as feitas para vários livros de Alves Redol e um álbum de 15 desenhos ”As Líricas” com texto de José Gomes Ferreira. São centenas de trabalhos, desenhos, aguarelas, guaches que não pára de fazer. Quando morre, no seu quarto atelier de uma pensão da rua Bernardim Ribeiro, “havia desenhos por toda a parte. Sobretudo em pastas e gavetas. Raparigas nimbadas de sol e ternura, adolescentes deslumbrados e esquecidos de jogos, mulheres desiludidas com os olhos enterrados nas mesas dos bares, prostitutas que guardavam um sorriso cheio de província, camponeses sedentos e sem nenhuma espécie de sonho no rosto a não ser a de justiça, mães acariciando o filho nos braços, e que são as mais belas mulheres que Manuel Ribeiro de Pavia reinventou, e mais raparigas com luas e estrelas e flores nos cabelos e no céu.” escreverá Eugénio de Andrade em Adeus a Manuel Ribeiro de Pavia” , publicado no jornal Avante, de 2 de Agosto de 2007.
O conjunto da sua obra foi exposto no ano seguinte pela Sociedade Nacional de Belas Artes, numa justíssima homenagem ao artista que nunca será esquecido.
Na pintura colectiva com que em 10 de Junho de 1974, os pintores portugueses exaltaram a liberdade alcançada no 25 de Abril, alguém escreveu no último dos 36 quadrados, em que estava dividida a pintura: AQUI ESTARIA O PAVIA SE O 25 DE ABRIL VIESSE QUANDO DEVIA.
Parte da sua obra está reunida na Casa - Museu Manuel Ribeiro de Pavia, em Pavia.
Acerca da morte de Manuel Ribeiro de Pavia, a 19 de Março de 1957, no seu quarto-atelier, numa pensão na Rua Bernardim Ribeiro, disse o poeta José Gomes Ferreira (1900-1985), no livro “Imitação dos Dias”, dado à estampa em 1966:
"Final.
E lá ficaste no Alto de S. João, Manuel Ribeiro de Pavia, onde, por mais que me esforce, não consigo ver-te deitado como os outros mortos... Mas de pé!Foi aliás em lembrança dos homens de raiz inteira como tu, Manuel Ribeiro de Pavia, que nos cemitérios se plantaram ciprestes, direitos, erectos, firmes... E solitários, também. Sozinhos. Como tu. Na morte e na vida.Tu que tiveste a coragem de transportar, desde a infância, essa tremenda solidão que nunca transformaste em bandeira de angústia e desespero, mas na mão quente dum protesto de dádiva completa contra os dominadores e pitosgas do mundo, diante dos quais nunca dobraste a espinha – Manuel Ribeiro de Pavia."

Foi esta verticalidade que me levou ali aquela Exposição “Homenagem ao Alentejo”, em boa hora promovida pelo Museu Municipal, com o apoio do Pelouro da Cultura da Câmara Municipal de Estremoz. Estas entidades estão de parabéns pela qualidade da iniciativa, que é também um justo tributo de reconhecimento ao mérito da Obra de Manuel Ribeiro de Pavia.