quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

Um manguito para a troika

Figura em cerâmica retratando o Zé Povinho, criado em 1875, por Rafael Bordalo Pinheiro (1846-1905). O Zé Povinho simboliza o povo português, revoltado perante a classe política, por esta ser incapaz de resolver os principais problemas sociais, políticos e económicos  com que o país se debate.

Hoje é dia 29 de Fevereiro de 2012, já que a cada quatro anos, Fevereiro regista mais um dia no seu calendário, dizendo-se então que o ano é bissexto para o distinguir do ano comum. A última vez que tal aconteceu foi em 2008 e a próxima será em 2016.
A criação do ano bissexto resultou da necessidade de manter o calendário anual ajustado com a translação da Terra e com os eventos sazonais relacionados às estações do ano.
No Calendário Gregoriano, usado na maioria dos países, o dia suplementar é acrescentado no final do mês de Fevereiro, passando a ser o seu 29º dia.
Na prática, os anos bissextos são múltiplos de 4, não múltiplos de 100 (1900 não é bissexto) e múltiplos de 400 (2000 é bissexto).
Os anos bissextos entre 1944 e 2012 são os seguintes: 1944, 1948, 1952, 1956, 1960, 1964, 1968, 1972, 1976, 1980, 1984, 1988, 1992, 1996, 2000, 2004, 2008, 2012.
Quem nasceu no dia 29 de Fevereiro de 1944, poderá ver-se perante questões do tipo:
- Que idade tem no dia 29 de Fevereiro de 2012?
Não há que hesitar, a resposta só pode ser uma:
- Tem 68 anos de idade.
Alguém poderá então perguntar:
- E as festas de aniversário?
Eu respondo:
- Se for alguém muito ortodoxo só comemorará nos anos bissextos, o que dá aos amigos a vantagem de não terem que oferecer prendas, o que convenhamos é um inconveniente para o aniversariante.
- Os não ortodoxos comemorarão no dia 28 de Fevereiro, no dia 1 de Março ou no dia que mais lhes convier, pois sabe sempre bem receber prendas dos amigos, que ao oferecê-las mostram quanto nos estimam, o que só contribui para o aumento da nossa auto-estima.
Aos ortodoxos dou o seguinte conselho:
- Comemorem este ano. Olhem que a vida são dois dias. A troika o que quer é que nós façamos sacrifícios. A troika não merece o vosso sacrifício e os amigos querem beber um copo com vocês. Vamos pois comemorar. Façamos um manguito à troika!
Aos supersticiosos digo ainda: 
- O ano bissexto não dá azar. O que dá azar é a troika!

sábado, 25 de fevereiro de 2012

Maio na Pintura Universal


ALEGORIA DE MAIO (1469-1470).
Cosme Tura (c. 1430-1495).
 Fresco (Largura: 400 cm).
Palazzo Schifanoia, Ferrara.

Maio é o quinto mês do ano nos calendários Juliano e Gregoriano e um dos sete meses com 31 dias.
Maio é mês de Primavera no hemisfério norte e de Outono no hemisfério sul.
A designação do mês de Maio provém do nome da deusa grega Maia, identificada com a deusa romana da fertilidade, Bona Dea, cujo festival ocorre em Maio. Todavia, o poeta romano Ovídio (43 a.C. - 17 ou 18 d.C.), sustenta uma etimologia alternativa, segundo a qual o mês de Maio recebe o nome dos “maiores”, designação latina de "anciãos", ao passo que o mês seguinte (Junho) recebe o nome dos “juniores”, designação latina de "jovens" (Fasti VI.88).
Na concordância com o calendário republicano francês, o dia 1 de Maio corresponde ao dia 12 do mês Floreal [1] e o dia 31 de Maio ao 12 do mês Pradeal [2].
Em França, no tempo do antigo regime, era costume plantar um "Maio" ou "árvore de Maio ", em honra de alguém e moços e moças dançavam ao som do pífaro e do tambor, em torno da árvore de Maio.
“Maio” é o tema central de telas criadas por grandes nomes da pintura universal, dos quais destacamos, associados por épocas/correntes da pintura:
- RENASCENÇA: Cosme Tura (c. 1430-1495), italiano; Paul, Jean et Herman de Limbourg (1370-80-1416). holandês; Jean Poyer (activo de 1483 a c/1503), francês; Miniaturista desconhecido (activo 1490-1510), flamengo; Simon Bening (1483/84-1561), flamengo; António de Holanda (?-?), holandês; Oficina de Simon Bening (1483-1561), flamengo; Nicolas Karcher (Activo de 1517 a 1562), flamengo.
- BARROCO: Leandro Bassono (1557–1622), italiano; Francisco Barrera (1595-1658), espanhol; Salomon van Ruysdaelore (c. 1602-1670), holandês; Jean Baptiste Joseph Pater (1695-1736), francês.
- ROMANTIISMO: János Rombauer (1782-1849), húngaro- .
Em geral, dão grande realce às actividades agro-pecuárias ou senhoriais do mês de Maio.

[1] - Floreal (Floréal em francês) era o oitavo mês do Calendário Revolucionário Francês que vigorou em França de 22 de Setembro de 1792 a 31 de Dezembro de 1805. Correspondia, em geral, ao período compreendido entre 20 de Abril e 19 de Maio do Calendário Gregoriano, cobrindo aproximadamente, o período correspondente ao percurso do sol na constelação zodiacal de Touro. A etimologia de “Floreal”, deve-se ao "desabrochar das flores de Abril a Maio", nos termos do relatório apresentado à Convenção em 3 Brumário do ano II (24 de Outubro de 1793) por Fabre d'Églantine, em nome da "Comissão encarregada de elaborar o Calendário".
[2] - Pradeal (Prairial em francês) era o nono mês do Calendário Revolucionário Francês. Correspondia geralmente ao período que mediava entre 20 de Maio e 18 de Junho do Calendário Gregoriano, abrangendo aproximadamente, o período durante o qual o Sol atravessa a constelação zodiacal de Gémeos. O fundamento etimológico entronca na "graciosa fecundidade e ao recolhimento das pradarias de Maio a Junho", nos termos do relatório citado em 1.


Publicado inicialmente em 25 de Fevereiro de 2012


MAIO - Iluminura do “Livro de Horas do Duque de Berry” (Século XV),
manuscrito com iluminuras dos irmãos Paul, Jean et Herman de Limbourg,
conservado no Museu Condé, em Chantilly, na França.

MAIO - Iluminura do “Livro de Horas de Henrique VIII” (c/1500),
 manuscrito com iluminuras de Jean Poyer,  que viveu em Tours
e que esteve activo pelo menos de 1483 até à sua morte, c/1503.
Manuscrito conservado na Morgan Library, New York. 

MAIO - Iluminura do “Breviário Grimani” (c/1510),
 da autoria de miniaturista flamengo desconhecido (activo 1490-1510).
Manuscrito conservado na Biblioteca de San Marco em Veneza. 

MAIO – Iluminura do “Livro de Horas da Costa” (c/ 1515).
 Iluminado por Simon Bening (1483/84-1561).
Conservado na Morgan Library, New York. 

MAIO - Iluminura (10,8x14 cm) do “Livro de Horas de D. Manuel I” (Século XVI ),
manuscrito com iluminuras atribuídas a António de Holanda,
conservado no Museu Nacional de Arte Antiga, Lisboa.
Pintura a têmpera e ouro sobre pergaminho.  

 
MAIO - Iluminura (9,8x13,3 cm) do “Livro de Horas de D. Fernando” ,
manuscrito do século XVI com iluminuras da oficina Simon Bening,
conservado no Museu Nacional de Arte Antiga, Lisboa.
 Pintura a têmpera e ouro sobre pergaminho. 

OS MESES DO ANO: MAIO, ABRIL, MARÇO (1552).
 Nicolas Karcher (Activo de 1517 a 1562).
Tela com seda, ouro, prata e lã (269 x 439 cm).
 Galleria degli Uffizi, Florence.

MAIO - Óleo sobre tela (164 x 145,5 cm) de Leandro Bassono (1557–1622),
 pintado cerca de 1595/1600.
Kunsthistorisches Museum, Viena. 

O MÊS DE MAIO (1640-1645).
 Francisco Barrera (1595-1658).
Óleo sobre tela (102 x 155 cm).
Slovak National Gallery, Bratislava. 

TABERNA COM ÁRVORE DE MAIO (1664).
Salomon van Ruysdaelore  (c. 1602-1670).
 Óleo sobre tela (80,5 x 111 cm).
Szépmûvészeti Múzeum, Budapest. 

A ÁRVORE DE MAIO (?).
 Jean Baptiste Joseph Pater (1695-1736).
 Óleo sobre tela (34 x 44 cm).
Pushkin Museum, Moscow. 


MAIO, FLORA OU PRIMAVERA (C. 1830).
János Rombauer (1782-1849).
Óleo sobre tela (46 x 36 cm).
Mestská Galeria, Presov.

segunda-feira, 20 de fevereiro de 2012

Ontem foi dia de aniversário


Este blogue fez ontem dois anos, pois surgiu a 19 de Fevereiro de 2010, como blogue pessoal, no qual assumi “A escrita como Instrumento ao Serviço da Libertação do Homem” e centrei a escrita em conteúdos que têm a ver com a Cultura Portuguesa, bem como com o Alentejo, muito particularmente os Usos e Costumes, a Arte Popular e a Identidade Cultural Alentejana. O meu campo de acção centra-se nas coisas “DO TEMPO DA OUTRA SENHORA”. Não todas, mas aquelas que me tocam a alma.
Decorridos  que são dois anos de vida, é novamente altura de fazer um balanço, pelo que faz sentido apresentar alguns números relativos a este blogue:


O blogue tem como retaguarda de apoio:
1) Uma página pessoal no Facebook com 4.227 amigos;
2) No Facebook um Grupo de Fãs homónimo do blogue, integrado até ao presente por 1.774 membros;
3) A divulgação dos textos editados no blogue, realizada através de edições efectuadas nos murais daquelas páginas do Facebook, bem como no Twitter.
O blogue tem 329 seguidores através do “Google Rede Social” e 207 através dos “Networked Blogs”, Este blogue é transversal à política, ao regime e às capelinhas estético-literárias que por aí há. E assim continuará com o apoio crescente dos amigos e leitores que nos estimulam através dos seus comentários. É pela motivação que temos dentro de nós e pensando neles, que continuaremos o caminho iniciado.
A todos vós, amigos e leitores, o meu muito obrigado pelo interesse manifestado, que procurarei não desmerecer.

terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

Dia de São Valentim



O marketing agressivo da sociedade capitalista, que em nome de São Cifrão tudo nos quer vender, leva-nos a descrer no culto a São Valentim, centrado no dia 14 de Fevereiro, dia em que é suposto que os amantes celebrem o amor, a paixão e a partilha de sentimentos. Pese embora a nossa descrença no mercantilismo e no pirosismo da efeméride, não queremos deixar de saudar todos aqueles que como nós, acreditam no Amor. A eles dedicamos esta série de imagens de bilhetes-postais ilustrados dos “Bons Velhos Tempos”. E que “Viva o Amor!” todos os dias.

Publicado inicialmente a 14 de Fevereiro de 2012 







segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

Colher de conversada

COLHER DE CONVERSADA.
Peça de arte pastoril em madeira (4,3 x 1 x 16,7 cm).
Colecção de Hernâni Matos.


Talvez esta colher não encerre em si própria, mensagens iniciáticas que passem pela descoberta de proporções áureas ou até mesmo mágicas, que nos possam guiar na descoberta da pedra filosofal. Se calhar, através dela não chegaremos nunca à descoberta do valor de “pi” ou de “g”. Provavelmente, ela não encerrará também em si, segredos milenares como os das pirâmides de Gisé ou das estátuas gigantes da ilha da Páscoa. Todavia, na sua integral simetria, cromaticamente realçada pelo vermelho e pelo verde da bandeira verde-rubra, ela revela-nos toda a ânsia de harmonia que atravessou a alma e animou a navalha dum construtor de sonhos, navegante do espaço e do tempo, na imensidão da charneca alentejana, ao qual se convencionou chamar pastor e do qual rezam os adágios:
- “Quem não tem que fazer, faz colheres”.
Harmoniosa simetria axial povoada por motivos geométricos e vegetalistas, finamente bordados. A geometria enquanto símbolo do equilíbrio tão necessário à vida harmoniosa e os elementos vegetais a representar a ligação à Terra-Mãe donde tudo provém. Ao fundo, dois rabanetes, metade raiz, metade folhas, metade terrestre, metade aérea. A sacro-santa ligação à Terra-Mãe e a ânsia de se libertar dela. As amarras ao material e a ânsia de libertação pela elevação espiritual.
Duas metades que são imagens espelhadas uma da outra, como se de almas gémeas se tratasse.
No eixo central da colher, unem-se os corpos cujos corações (rabanetes) palpitam e simbolizam o amor correspondido, que virá a ser consumado com os dois corações a palpitar como um só, já que a colher termina por uma concha, ela própria com a forma de coração.
Pela sua riqueza plástica e por todo o simbolismo vislumbrado, trata-se, sem dúvida, duma prenda que um camponês ofereceu à sua conversada, que na comunhão do amor perene, a terá usado e provavelmente ostentado com orgulho, como forma de selar a sua condição de conversada do ofertante. Quem sabe se este, porventura preso de amores por ela, não lhe terá dito na ocasião:

“O teu coração é lima,
O teu corpo é limoeiro,
Os teus braços são cadeias
Onde eu vivo prisioneiro.” [1]

BIBLIOGRAFIA
[1] – THOMAZ PIRES, A. Cantos Populares Portugueses, vol. II. Typographia Progresso. Elvas, 1905.

terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

Anarquistas virtuais no Facebook


CORNAS AZEITEIRAS RICAMENTE LAVRADAS - A da esquerda, com motivos de caça e motivos geométricos, tem a abertura vedada por uma tampa de chifre e madeira. Visando facilitar o transporte, uma correia liga as duas extremidades da corna. A da direita, com motivos florais e campestres, tem a abertura vedada por uma tampa, integralmente de chifre. Com vista ao transporte, tem uma correia presa a uma argola de chifre, a qual está presa a outra argola também de chifre, ligada á tampa. Nesta última argola se prende uma correia que sustenta a extremidade da tampa. Cortesia de Hernâni Matos.
A VIDA REAL
Supunhamos que eu era um anarquista à “Proudhon”, daqueles que visceralmente pensam que “A propriedade é o roubo”. Se eu porventura me atrevesse a apropriar de bens materiais pertencentes a outrem, caíam-me logo em cima “O Carmo e a Trindade”, eufemismo empregue para designar a opinião pública.
Numa sociedade democrática seria ainda alvo de procedimento criminal e teria que responder pelos meus actos perante a Justiça, pendendo então sobre a minha cabeça “a espada de Damocles” e eu teria de responder pelos meus actos.
Não podemos, pois, entrar em propriedade alheia e apropriamo-nos ou servirmo-nos de bens de outrem, ainda que estes estejam ali mesmo “à mão de semear”. E isto tanto é válido para um livro na estante duma livraria, como para um bife na banca dum talho, para um perfume numa prateleira duma grande superfície ou para um bacalhau pendurado à porta da mercearia da esquina.
O bem que nos interessa consumir tem que ser cedido pelo proprietário, mediante condições pré-existentes e que se traduzem no pagamento de uma quantia pré-fixada, correspondente ao valor atribuído pelo dono ao bem que pretendemos consumir. Pontualmente e duma forma controlada podem ocorrer desvios a este comportamento padronizado. São as chamadas “campanhas de promoção” ou “promoções” do género “pague 1 e leve 2”, bem como a oferta de determinada mercadoria na compra de outra, assim como a oferta de determinada mercadoria, quando o montante das compras atinge determinado valor.
Em suma: na vida real são estes os processos correntes para nos podermos servir de bens que não nos pertencem.

O FACEBOOK
E como é que deverá ser o nosso procedimento numa rede social como o Facebook?
Nos dias de hoje, comunicar é tão importante como respirar ou comer, tratando-se de um acto que deve ser assumido de uma forma ética. Hoje, não é admissível que ninguém, em nome de nenhuns pseudo-valores, tente rebaixar os outros, para se elevar a si próprio. Hoje e muito bem, fala-se em Ética da Comunicação.
Como Homens e Mulheres Livres, devemos ter respeito pela Dimensão dos Outros, bem como respeito pela Propriedade e muito em particular a Propriedade Intelectual. Um acto de comunicação na www, não pode ser um mero acto de corte e colagem. São atitudes que devem ser reprovadas pela Comunidade. A Elevação do Homem é fruto necessariamente do Trabalho e do Aperfeiçoamento, mas nunca da facilidade, nem do facilitismo.
Significa isto que quando na nossa página do Facebook, editamos uma imagem retirada do álbum de fotografias de alguém com quem temos amizade virtual, devemos ter permissão para o fazer. É então ético pôr no final da legenda da imagem, a indicação “Cortesia de … (segue o nome)". É excepção a partilha de imagens ou vídeos no Facebook, uma vez que a “função partilha” revela imediatamente a página de onde ela foi realizada.
Estas considerações produzidas a “talhe de foice” resultam do facto de eu ter encontrado imagens editadas por mim em álbuns meus e neste blogue, algumas delas com traços inconfundíveis e outras mesmo de objectos pessoais, num álbum de um amigo virtual, cuja página visitei na sequência duma postagem sua. As datas associadas às imagens não deixam margem para dúvidas de que fui eu, quem as editou primeiro. A apropriação de imagens sem a indicação de “Por cortesia de… “, é assim como que um “gato escondido com rabo de fora”. E olhem que às vezes “no melhor pano cai a nódoa" …
Como este post tem uma função pedagógica e procura que os bem-intencionados arrepiem caminho, é acompanhado de legendagens que considero eticamente correctas.


CÁGUEDAS - Fechos de coleira de gado com chocalhos suspensos, maioritariamente feitos em madeira, embora também os haja de corno e de cortiça. Cortesia de Hernâni Matos. 
TALÊGO – Saco geralmente multicolor, de tamanho variável, confeccionado pelas mulheres com as sobras dos panos usados na confecção de saias, blusas e aventais ou mesmo de roupa velha que se tinha deixado de usar. Cortesia de Hernâni Matos. 
O PASTOR - Aguarela de ALBERTO DE SOUZA (1880-1961), utilizada no cartaz e na capa do catálogo da Feira-Exposição de Maio de 1927, em Estremoz. Cortesia de Hernâni Matos. 
A SEMENTEIRA NO ALENTEJO, NO INÍCIO DO SÉCULO XX - Postal edição Malva (Lisboa). Cortesia de Hernâni Matos.  
O DIA DA ESPIGA - Bilhete-postal ilustrado dos anos 20 do século XIX, reproduzindo ilustração de A. Rey Colaço. Cortesia de Hernâni Matos.  
Postal publicitário editado pela Companhia União Fabril com o slogan "O POVO DOS CAMPOS FELIZ POR ADUBAR COM SUPERFOSFATOS DA CUF E COM SULFATO DE AMÓNIO". 
CAMPONESA ALENTEJANA - Roberto Nobre, (1903-1969). Ilustração da capa do magazine "Civilização", número 17, de Novembro de 1929. 
TARRO – Recipiente em cortiça, com tampa, destinado a transportar e conservar os alimentos. Altura 11 x Diâmetro 24 cm. Museu Nacional de Etnologia. 
CHAVÕES – Marcadores em madeira, usados para marcar o pão ou bolos. Museu Municipal de Estremoz.

quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

António Canoa - Artesão da ruralidade


Esta a designação da exposição a inaugurar pelas 16 horas do próximo sábado, dia 28 de Janeiro, na Sala de Exposições do Centro Cultural Dr. Marques Crespo, em Estremoz.
A iniciativa é da Associação Filatélica Alentejana e conta com o apoio da Câmara Municipal de Estremoz.
António Canoa é natural de Veiros, onde nasceu em 1926. Quando acabou a instrução primária seguiu o seu destino e tornou-se aprendiz de abegão, sob a orientação de seu tio e padrinho, Miguel Lopes.
Aos 17 anos já era abegão de corpo inteiro e nessa condição começou a trabalhar de sol a sol para as grandes casas agrícolas do concelho de Estremoz.
Da arte das suas mãos nasceram carros, carroças e trens para o transporte de bens e pessoas, assim como alfaias agrícolas como arados e araveças, bem como trilhos, grades, pás, forquilhas, escadas, malhos, cangalhas, etc., etc.
As matérias-primas eram o azinho, o freixo, o eucalipto e o choupo, que as suas mãos afeiçoavam com o auxílio de serras, machados, enxós, formões, martelos, arpuas e trados. E como abegão era um artista no sentido mais completo do termo. As suas obras eram decoradas com tintas confeccionadas com cores minerais já utilizadas pelos artistas rupestres de Lascaux e Altamira no Paleolítico, mas aqui diluídas em óleo e secante.
O almagre, o zarcão, o azul do ultramar e a terra de Sena, marcas identitárias das claridades do Sul, estavam sempre presentes no remate de obras nascidas das suas mãos mágicas de carpinteiro das grandes herdades.
Depois de se reformar, a ruralidade que continua a transportar na alma e os bichos carpinteiros que lhe vão na massa do sangue, levaram-no a confeccionar numa escala reduzida, miniaturas de tudo aquilo que lhe saiu das mãos em tamanho natural e que cumpria as missões para que foi criado, nas fainas agro-pastoris da primeira metade do século XX e mesmo mais além.
São essas miniaturas que António Canoa, ex-abegão e agora artesão da ruralidade, residente em São Lourenço de Mamporcão, expõe para deleite da nossa vista e porque é importante refrescar a memória do Alentejo do passado, das vivências e sentires da gente do campo.
A exposição que estará patente ao público até ao dia 28 de Abril de 2012, pode ser visitada de 3ª feira a sábado, entre as 9 e as 12,30 horas e entre as 14 e as 17,30 horas.