Nada é real, tudo é imaginário. Sabemos que o que vemos são sempre representações conseguidas pelo nosso mais atento e apurado olhar. O que está fora do nosso olhar, se porventura existir, convoca-nos para confirmar a autenticidade da realidade, à qual damos o sincero aval com a designação tão simples, mas tranquilizante: isso é o real.
Sendo assim, como entender
essa ousadia que o olhar reconhece? Isso que, justamente, passa pela fixação do
real e pela técnica exímia que o reproduz? Isso a que, salvo melhor distinção,
chamamos neo-realismo?
Neo-realismo significa, tão-somente,
que o imaginário desceu à terra. E fê-lo de modo seguro, traçando linhas e
construindo formas que relatam a vida dura: o sofrimento e o trabalho, a
pobreza e a luta, a esperança e a libertação. Tudo isso, aquele real que
julgamos que existe fora do nosso olhar, surge ofensivo mas benigno pela via da
memória conjunta e activa. O neo-realismo mostra que é possível identificar a
realidade e transcender a visão que o nosso olhar sonda, em silêncio,
emocionado e doído.
Quem trouxe esse imaginário
que desceu à terra? O nosso dedicado guardador de memórias, aquele que as
colhe, guarda e protege, e que tem para connosco a bondade e o cuidado de as
mostrar, confirmando que, segundo a melhor sabedoria ditada na história, o
passado, o presente e o futuro são uma só verdade.
Para quem não entendeu, aqui
fica: ao neo-realismo nas artes plásticas e ao Hernâni uma gratidão enternecida
pela vida bela e áspera feita de combate trazida até nós, neste momento particular
e feliz de celebração.
Em nome da esperança, sigam
com o melhor olhar que tenham a exposição que a todos é facultada.

Sem comentários:
Enviar um comentário